Anti-Zombies #1 – Genesis
| zombie |zômbì| (palavra inglesa) substantivo de dois géneros mesmo que morto-vivo Plural: zombies |
mor·to·-vi·vo substantivo masculino 1. [Ocultismo] Cadáver que se crê ter voltado à vida por meios mágicos. 2. Indivíduo com aspecto de moribundo. 3. Indivíduo apático, sem ânimo ou capacidade de reacção. Plural: mortos-vivos |
Bem-vindos a Setembro, bem-vindos à campanha eleitoral, bem-vindos à nossa democracia.
Espero que as férias tenham sido excelentes para todos sem pensar em política nem nas agruras da vida causadas pela governação dos últimos anos.
Eis que é chegado o momento de fazer a diferença. Sim, é verdade, chegou aquela altura em que realmente contamos e podemos mudar o rumo do país. Ai estão elas! As fresquinhas e apetitosas legislativas de 2015!
Que relação tem esta reentré bloguista, e celebração, com a definição de zombies que a precede? Simples. Desde sensivelmente 2010 que realmente (sobre)viver é um terror para muita gente, aqui e ali se foi verificando muita acefalia, quer da parte de governantes, quer da parte de governados.
É este o princípio básico de um zombie, um ser moribundo, sem cérebro, que necessita do cérebro dos outros para continuar a existir. Assim são todos aqueles que não exercem o seu direito de voto. Os INCONSEQUENTES Zombies Abstencionistas e Zombies Nulos/Brancos. Que na prática delegam nos outros as decisões com impacto directo nas suas vidas.
Este movimento anti-zombies é uma medida preventiva contra os zombies eleitorais que pensam estar a marcar uma posição quando na verdade estão apenas a colocar mais um prego no seu, peço desculpa, no nosso, caixão.
Uma vez que o voto não é obrigatório procurarei também sugerir medidas e apresentar argumentos que possam estimular o cumprimento do nosso dever cívico, sobretudo em alturas como a actual. O primeiro de todos é o facto de existirem bem mais partidos do que aqueles que já exerceram governação ou se encontrama actualmente no parlamento. Ao invés de sucumbir ao estado zombie pode começar por ter a coragem de retirar poder aos grandes e dar espaço aos pequenos.
Oliveira da Figueira
A banda desenhada é mágica. Transporta o leitor para um mundo de fantasia. Com ou sem superpoderes, cada personagem reflecte facetas da personalidade humana. É vulgar revermo-nos nalguma delas. É também frequente nelas encontrar “pedaços” dos outros, próximos ou distantes. Nem os animais são excluídos deste mundo mágico, onde até um cão pode assumir personalidade humana. São as fábulas. Confesso desconhecer o nome do contrário, isto é, quando ao invés de um animal assumir características humanas, é o humano que assume características de um animal. Ocorrem-me vários exemplos, como – Burro, abutre ou hiena. Muito embora aplicáveis, não são suficientemente assertivos. Nos conjuntos, a moral é a mesma. Os grupos de humanos são pejorativamente designados por alcateias, rebanhos ou cardumes. Uma vez mais, embora aplicáveis, serão demasiado generalistas.
Assumo a minha dificuldade em qualificar. Rara é tamanha sinceridade num politico, tanto mais governante, vice-primeiro. Não é que o homem, cujo passado conhecemos, acertou desta feita. Não vou aqui dissertar sobre precisão e exactidão, pois muito embora muitos julguem serem o mesmo, não são. Digo apenas que precisão é a porção mais ínfima quantificável. Exactidão é o desvio ao real, a conformidade com a verdade. Tantas vezes errático, até mesmo irrevogável, desta feita o erro é zero. Encarnou a personagem na perfeição: Tudo vende, seja a quem for, onde quer que esteja.
Aviso à Tripulação
Começamos a perder as palavras quando a esperança se começa a esfumar e as palavras afinal não nos levaram a acto nenhum…
Estamos no verão e ninguém está para se chatear muito, mas os Verões em Portugal nos últimos anos tendem a ser incendiários…
Sobre o programa eleitoral do PSD e CDS, e não chateio mais, pág 35, a abertura da porta para a privatização da segurança social. Não sejamos parvos…

Não se trata de sustentabilidade, mas de desigualdade! A Segurança Social é a instituição responsável pelo combate às desigualdades sociais. Menos Segurança Social implicará sempre mais desigualdade. O ataque às seguranças sociais dos países e a sua abertura aos seguros privados tem por trás uma ideologia e uma escolha: a escolha entre uma segurança social pública, de contribuição obrigatória, com o objectivo de garantir a redistribuição dos rendimentos e diminuir as desigualdades sociais; ou seguradoras privadas, de contribuição opcional e por isso de tendência classista, com o objectivo de maximização dos lucros, tendo como resultado a agudização das desigualdades sociais.
O que Passos e Portas querem é garantir uma reforma mínima a todos, tendencialmente bastante pequena (em nome da tal sustentabilidade) garantindo a manutenção da pobreza dos mais pobres; e quem quiser garantir uma reforma mais digna terá que ter capacidade de poupança ao longo da vida para um seguro privado. Isto na hipótese de ser garantido um seguro privado, uma vez que a garantia de uma reforma privada tem um risco superior a uma reforma pública… é que as seguradoras também vão à falência.
Esta é uma reforma não em nome da sustentabilidade, mas em nome de uma ideologia, a ultra liberal, com um vinco claramente ideológico. Daqui a 20 anos seria a total liberalização das reformas.
A sustentabilidade da Segurança Social passará sempre pela sua função de redistribuição dos rendimentos, por uma politica de aumento dos salários, de manutenção das taxas de contribuição, de políticas de crescimento e desenvolvimento económico.
E depois de Hiroshima e Nagasaki?
Fez hoje 70 anos que os EUA lançaram sobre Hiroshima a primeira das duas bombas atómicas que levaram à rendição do Japão na 2ª Guerra Mundial.


Três dias depois, fará no domingo 70 anos, foi lançada a segunda bomba em Nagasaki.

A investigação cientifica, o investimento em armas, a economia de guerra, a vontade e a acção humana mataram no Japão mais muito mais das 200 mil pessoas, número redondo, que morreram queimadas com o calor e o fogo. Outro número redondo qualquer bastante mais impreciso, forma o número de pessoas que vieram a morrer meses e anos depois devido à exposição à radioactividade. Os efeitos causados fez com que os seus sobreviventes transmitissem as lesões para as próximas gerações. Ainda hoje, crianças nascem com problemas genéticos causados pela radiação das bombas. As bombas varreram as cidades de Hiroshima e Nagasaki, levando tudo, prédios, pessoas, animais, árvores, tudo, afectou os solos, entrou na própria genética daqueles que sobreviveram a este horror, e manchou para sempre a Humanidade.


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Não existe dignidade na guerra. E é nestes momentos que me apetece malhar nos americanos… Não por Hiroshima nem Nagasaki, porque só nos resta um silêncio ensurdecedor e o fingir esquecer aquilo que jamais poderá ser esquecido… mas porque mantém uma economia da guerra, porque fazem dinheiro com a guerra, porque fazem guerras simplesmente porque sim (como com o Iraque que quiseram porque quiseram ir chagar o Saddam devido às armas de destruição massiva que nunca foram encontradas!), porque vão para o Afeganistão e a coisa é sempre pintada em forma de ameaça à paz mundial, temos lá nós ferramentas para avaliar a situação… resta-nos acreditar nos jornais, no presidente sempre idóneo dos EUA e nos chamados peritos (que de resto estamos na era deles!). E assim foi a segunda metade do séc.XX, e assim se entrou no séc XXI e estamos em 2015 e só se houve falar das ofensivas americanas.
Não quero discutir as razões para os conflitos armados em cada década e a cada guerra. Quero apenas recordar aquilo que me esmaga enquanto ser humano: os milhares de pessoas mortas, feridas, sobreviventes e gerações seguintes, todos vítimas há 70 anos da bomba atómica.

E quero recordar que as décadas seguintes a este verão de 1945 foram de corrida ao armamento, com imensos pretextos, e que armas bem mais poderosas e destrutivas estão desenvolvidas. O ensurdecedor silêncio não chegou!
E falamos do euro, da gorda alemã, do Bruno Maçães que é um idiota mas não é pior do que todos os outros, falamos das eleições, falamos muito de precariedade mas pouco das suas consequências práticas, e de quando em vez ouvimos as ofensivas americanas, e no outro dia foi a mega ofensiva turca contra jihadistas e curdos do PKK, que são obrigados a lutar para sobreviver… mas de Paz falamos tão pouco! E do Desarmamento nem falamos… Armam-se porque os outros se armam, há discussões e pressões para o acesso à bomba atómica, há quem desista, há quem jure que não tem, há quem tenha e nem jura… Quando deveria-se jurar era o efectivo compromisso de desarmamento nuclear mundial!
Mas depois de Hiroshima e Nagasaki nem sei como a poesia sobreviveu, mesmo depois de ter sido dada como morta. Será isso aquilo a que chamam esperança?


Recital de Trombone
Quando tantos se indignam com o elevado custo da medida de coacção decretada, quando outros consideram vergonhosa a aparente dualidade de critérios da nossa justiça, exigindo prisão sine die, quando até os mais moderados clamam a pulseira electrónica como o mínimo de humilhação exigível, eu sinto-me na obrigação de discordar de todos. Compreendo que a justiça é como a mulher de César, não lhe basta ser séria, é preciso dar espectáculo, mas por estranho que possa parecer, é mesmo disso que se trata.
Julgo que a maior parte dos meus concidadãos não compreendeu verdadeiramente o que se está a passar. Bem sei que as eleições já estão marcadas, que o país vai de férias e que a época para a resolução sem sobressaltos de instituições bancárias já começou, mas quanto a mim, tudo isso são meras e felizes coincidências. Daquelas que existem, mas que ao caso não interessam nada.
Não se trata de justiça, mas sim de cultura. É musica! Seja Clássica, Jazz ou Contemporânea, o talento do protagonista deve ser salvaguardado. O repertório é vastíssimo, seja a solo ou com orquestra. Não existe entre nós, outro trombonista com tamanho folgo. Nunca ninguém ouviu notas tão graves ou tão agudas como aquelas que facilmente pode executar. É um virtuoso! Aguardo com elevada expectativa o anúncio da data, hora e local do seu primeiro recital. Caros compatriotas, o homem não está preso, está guardado.
As 50 Sombras de Grey
Visualizadas as entrevistas recentes é surpreendente, mesmo impressionante, a forma com que Pedro Passos Coelho surge a enfrentar as questões que lhe são colocadas. Com um vigor, discurso e postura transmissores de uma certeza e confiança apenas capazes de ser desmontadas por quem esteja devidamente informado e preparado. O que tendo em conta o perfil do nosso eleitorado se traduz num risco real de reeleição!
Numa analogia rápida e contemporânea Passos Coelho está para Mr. Grey como o eleitorado está para Mrs Robison. Este último desconfia que o primeiro aplique métodos não ortodoxos, até dolorosos, para atingir a felicidade e apesar de todas as evidências sucumbe ao seu encanto e carisma, assumindo o risco de um ou outro excessso.
Também recentemente tivemos um Paulo Portas muito humilde e agradecido por nele acreditarem, satisfeito com o seu trabalho de bastidores que potenciou a economia portuguesa e definiu limites aos caprichos de Mr. Grey. Paulo Portas foi de certo modo a safeword mais eficaz que quaisquer greves, manifestações ou alarido em redes sociais.
E mesmo, mesmo, fresquinho o nosso PR também entrou ao barulho sendo que neste caso, como se fosse possível outro papel, Cavaco Silva foi o conservador defensor os bons costumes da posição do missionário que tanto prazer lhe deu no passado.
António Costa por sua vez está claramente numa fase de definição e preparação da estratégia e discursos a assumir tendo perdido muito do fulgor de outrora. O António Costa de hoje é capaz de não ser suficiente para abalar a coligação, até porque pertence a uma força política que também tem alguns pés de barro que lhe dificultam o firmamento.
Todos cumprem o papel esperado neste posicionamento na pista de tartan, excepto Cavaco Silva. Que ao invés de apontar baterias à abstenção, galvanizando os portugueses para exercer o seu voto em consciência e liberdade democrática, decide condicionar o jogo à partida, reduzindo os concorrentes aos do costume, fazendo figas para que um deles consiga uma maioria absoluta ou em último caso para que ambos os três formem a tão desejada coesão nacional. A mim parece-me um contra-senso tendo em conta que a democracia servirá exactamente para acabar com toda e qualquer forma de absolutismo.
Em breve entraremos todos na silly season para depois sermos chamados à definição do rumo que queremos dar ao nosso Portugal. A escolha não vai ser fácil, existirão muitos logros e cortinas de fumo que impedirão o conhecer de certas vias. Espero no final ter a coragem e discernimento para ser um mexilhão livre ao invés de uma Mrs. Robison agrilhoada.
Por acaso
Por acaso a ideia foi dele, mas a modéstia que o caracteriza impediu de se gabar deste inquestionável mérito, deste momento único na sua carreira internacional.
Sejamos justos, colocar a mão no ar, solicitando a palavra numa cimeira daquelas não é para todos. Requer coragem e determinação. Não é só a questão de saber o que vai dizer, é mesmo o risco de ficar ali especado horas a fio. Quantos de nós arriscariam a humilhação de não chegar a dizer de sua justiça?
É nestes momentos que os grandes homens e as grandes mulheres fazem a diferença. Assim foi durante a negociação do Armistício. O seu a seu dono! Há registos que o confirmam. De uma vez por todas, a ideia foi dele.
O Armistício
A semana começou com a noticia do armistício. O acordo demonstrou a inconsequência prática da democracia. Não, não me refiro à vontade dos gregos, refiro-me à vontade dos alemães. Os contribuintes alemães não querem enviar nem mais um cêntimo para a Grécia. Irrelevante vontade que será olimpicamente ignorada. Curiosa esta sintonia entre a vontade popular e a acção dos governos de cada país. Os gregos não querem austeridade, mas tê-la-ão. Os Alemães não querem pagar, mas pagarão. Se os primeiros ignoram a insustentabilidade da sua vontade no contexto da moeda que querem manter, os segundos ignoram quão lucrativos são estes empréstimos para o seu Erário Público. Pelo menos enquanto o ciclo não se quebrar. Sendo evidente que cedo ou tarde quebrará, os seus governantes procuram obter garantias, de preferência totalmente sob o seu controlo. Alguns afirmam que tal descaramento visava apenas a recusa da outra parte, a qual afinal aceitou. Perde quem ganha e quem perde nada ganha, nem tempo. Haverá propósito? Não creio.
Se até aqui apenas alguns suspeitavam do défice democrático na União Europeia, hoje todos temos a certeza que tudo é feito à revelia da nossa vontade. Queiramos ou não, o nosso voto é irrelevante no contexto desta União Europeia feita ao centro das conveniências e nas costas das populações. O único órgão europeu cuja eleição é democrática, o Parlamento Europeu, foi apenas palco de propaganda. Nada de decisivo por lá se passou. Apenas o informal Eurogrupo parece existir. Mandam os ministros das finanças e em todos eles manda um, o alemão. A união transformou-se no contrário daquilo que se propunha ser. Não promove a paz, promove o conflito.
Este Armistício não resolve nada, e por isso não vigorará muito tempo.
De refugiados a emancipados
Ao cruzar os números da vergonha europeus com os números da vergonha americanos é impossível não ficar completamente indignado com a perpetuação do problema e todo o desperdício de verbas e vidas humanas.
Temos grandes potências mundiais a embarcar em guerras libertadoras que depois abandonam os povos libertados num caos político, militar e social, que os condena ao êxodo ou subjugação às acções de novos grupos organizados que parecem surgir do nada.
Para além da destabilização directa dos países que sofrem intervenção no terreno, criam-se focos de problema nos países circundantes com a pressão inerente ao acolhimento de enormes massas de refugiados. Posteriormente as mesmas potências beligerantes lavam as suas mãos gastando verbas exorbitantes através da ONU na criação de zonas tampão denominadas “campos de refugiados” onde são garantidas as condições mínimas de sobrevivências.
Aparentemente tudo isto é uma máquina muito bem oleada. Certamente que alguém lucrará com o contínuo esforço financeiro inerente à guerra e à sustentabilidade dos campos de refugiados.
Certo é que passaram décadas onde se comprova que existe um ciclo contínuo de miséria humana e destruição de estados soberanos. Talvez porque a guerra noutras paragens, por ideais comuns mas em terras que não as nossas, é desprovida do verdadeiro sentimento de reconstrução e compromisso ad eternum, do deixar de herança às próximas gerações um território e uma sociedade evoluídas. Estas são o tipo de guerras de toca e foge. Basicamente destrutivas e incapacitantes de um pretenso inimigo que acarreta ao mesmo tempo o desamparo e desnorteio por parte dos que residem naquelas paragens.
Julgo que tal como acontece a muitos outros níveis é chegada a altura de repensar como melhor investir estas verbas gastas em guerras ciclícas infrutíferas e no estancar/cuidar de populações em fuga. Do meu ponto de vista deveria ser criado um organismo mundial militar que ao invés de fazer a guerra em territórios alheios permitisse sim capacitar uma população de o fazer de forma autónoma. Formação militar e de engenharia (para a reconstrução), instrução de valores sociais e democráticos, capacidade de resistir a incursões terroristas. Como? Simples. Em casos de ameaças a estados legítimos, através do poderio de força militar, este organismo mundial teria legitimidade para criar um campo logístico no próprio território do país em perigo. A criação do campo de refugiados, da zona tampão fortificada, seria executada no próprio território e não num país vizinho. Um forte de defesa intrasponível, possível devido ao poderio de uma coligação mundial. E dentro desse forte ao invés da população refugiada marinar em desesperança poderia ser instruída e capacitada para a realização autónoma da defesa e reconstrução do seu país.
Com isto transformaríamos refugiados em emancipados capazes de lutar as suas batalhas, ganhar ou perder as suas guerras, mantendo a sua dignidade e o seu orgulho nacionalista. Dispostos a morrer na luta pela sua nação ao invés de pela miragem da salvação do bom acolhimento por parte de países desenvolvidos.
As grandes potências ocidentais já demonstraram ser boas a ganhar guerras mas muito más a criar condições para a manutenção de uma paz e estabilidade duradouras (parece que só funcionou nos territórios onde vivem). Talvez esteja na altura de acreditar que dados os meios adequados também outros povos serão capazes de resolver os seus assuntos de forma definitiva pelas suas próprias mãos.
o Leão de Nemeia
Foi no domingo que o Leão de Nemeia saiu da caverna para mostrar as garras. Velha, esfomeada e doente, a mitológica criatura aterrorizou os sacrossantos mercados. Em “financês” diz-se irresponsabilidade, mas entre mortais fala-se em democracia. Na finança, os deuses não são eleitos, por isso estranham o sucedido. O rugir da criatura surpreendeu. Sem dúvida que está moribundo, mas não está nem tão fraco como se desejava no Olimpo, nem tão forte como celebram os mortais. Como sempre, os resultados são mascarados. A celebração da democracia é quanto a mim ensombrada pelo nível de abstenção, 37.5%. Perante uma questão de sim ou não, mais de um terço dos eleitores gregos não se preocuparam em formular opinião, ou pelo menos em expressá-la. Gostei do resultado, sem ambiguidade o afirmo, mas não posso deixar de sublinhar que apenas 38% dos eleitores gregos optaram pelo όχι. Estranha esta época de mitos e propaganda, mas os clássicos serão sempre contemporâneos. Eis o primeiro trabalho de Hércules, sufocar o Leão. Porém, não lhe vestirá a pele durante muito tempo, pois a constelação cairá.










