Monthly Archives: Outubro 2012

Post do desassossego

O ponto de partida é o escrever como falamos…

O novo acordo ortográfico veio aproximar a verbalização da escrita e assim melhorar do dia para a noite a redacção dos maus redactores e piorar a dos bons. Na dúvida agora verbalizamos as palavras com rasteira antes de as pôr no papel. A regra é “O que não se pronuncia não se escreve” o que dá azo a várias versões porque há quem faça questão de pronunciar o C em palavras como acto ou redacção e há quem não se dê ao trabalho de o fazer.

A melhor justificação para a escrita de uma palavra ouvi-a no programa da RTP Bom Português onde ao perguntarem a um brasileiro porque ele defendia que determinada palavra se escrevia assim ele responde simplesmente “Porque é assim que se escreve no Brasil!”. E não é que tinha razão? Contra a minha própria suposição, ou talvez teimosia, admito.

Piores ficaram os sopinhas de massa e os belfos que são rotulados de analfabetos por escreverem como falam.

Anos luz à frente estão os jovens que contraiem a escrita nos telemóveis e SMS usando e abusando do X e K. Felizmente o K entrou no nosso abecedário e podemos ter esperança na evolução para acompanhar a verbalização vindoura.

… porque de seguida podemos estimar como contamos contos …

Reguadas, raspanetes, obrigação à tomada de atenção e a rever a matéria. Tudo isto eram as respostas dadas quando as contas não batiam certo. Quando a tabuada era adulterada, a divisão ou subtração tiravam mais do que a soma de todas as partes. Tinhamos de aceitar as nossas limitações e estudar mais.

Não sei se fruto de algum acordo fiscal, porque admito não acompanhar estas matérias ao pormenor, mas a verdade é que há contas fiscais a bater muito mal. E nada. Nem uma simples repreensão. Física ou psicológica, tanto faz. O homem faz as contas e projecções com o lema “Quem não se pronuncia não conta” e toca a cortar no social para compôr o ramalhete do capital.

Com uma educação tão cara e cuidada como a sua onde anda o seu professor? Quiçá o único que lhe pode decretar o castigo de voltar à escola.

… que felizmente são histórias de finais felizes …

O amor esse nunca conheceu dias melhores. Devido à debilidade financeira recém-adquirida milhares de casais desavindos são forçados a partilhar o mesmo espaço, e hábitos, porque não conseguem financiar uma separação amigável. Quantos casais não se terão reconciliado por este convívio forçado?

Não contente com apenas isso o nosso governo lembra-se de diminuir em 21% o subsídio de desemprego para quem não tenha um agregado familiar. Estes infelizes solteiros passam assim a receber 301 € mensais. O que quer dizer que se dois solteiros desempregados se apaixonarem de repente, e juntarem trapinhos, poderão aumentar em mais 75 € o seu rendimento individual, ganhando mais 150 € no total!

Ó Cupido, penhora teu arco e setas pois não mais será necessária a tua mira para fazer felizes estas gentes. Ave Passos Coelho por tua grandiosidade e tuas sementes de volúpia e fertilidade. Afinal não nos sabeis apenas foder em 360º. Também cultivais a seara do amor. A felicidade das núpcias é o cruzamento de ambos. Que sabedoria a tua e a dos teus.

… sobretudo quando não há falta de virilidade.

Mas a sabedoria precisa de ser salpicada com vigor e espontaneidade para se libertar de algumas armadilhas colocadas por espíritos pérfidos igualmente sábios. Portugal é lesto a produzir tomates, comprovadamente fá-lo como ninguém. Isso quer dizer que tem entre si dos melhores técnicos para o seu semeio, a sua criação e a sua apanha. Rogo que alguns desses especialistas sejam seleccionados com a missão de auditar os membros do nosso governo. Verificar se efectivamente os têm no sítio. Elemento essencial para dizer “NÃO! BASTA!” a quem se queira aproveitar da nossa fraqueza momentânea para nos iniciar no vil mundo da prostituição e proxenetismo a troco da garantia de uma subsistência razoavelmente confortável.

A conclusão?

Por cá temos a capacidade de nos insultar sem correr grandes riscos de sermos imputados judicialmente, a não ser que o façamos diretamente à nossa elite decisora. Parece coisa pouca mas lá fora há quem batalhe pela legalização do insulto tal é o ponto a que chegou a censura. Claro que um pouco de escárnio e mal-dizer alivia a pressão e ajuda ao sentimento ZEN. No entanto o que nos faz mesmo falta neste momento é uma lei de despejo de representantes de altos cargos cujo currículo e obra feita comprove a sua incompetência, o seu enriquecimento ilícito, a falta de vergonha na cara e ausência de noção do ridículo. A aplicação desta lei consistiria num simples envelope lacrado entregue a quem o merecesse. Lá dentro um simples boletim de voto e o próprio visado escolheria a sua porta de saída.

#1 Exílio (mala de cartão)    #2 Justiça Popular                           #3  Directamente para Prisão

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O Plano B, devolvam……….. tudo!

Saberia ele já, que teria de apresentar um plano B, estaria ele já, com ele na cabeça?

Provavelmente!

Acreditando que sim, foi certamente com grande sentido de Estado que se proferiram tais palavras, para os mais distraídos um recado do tamanho do mundo, não fosse ele considerado independente mas com informação privilegiada.

Vejam lá a lata do puto, dirão os catedráticos no partidarismo, académicos de hemiciclo, doutorados em legislaturas, honoris causa em coloração sectária.

Todos fazemos ofertas nos peditórios Nacionais para os mais diversos fins, sempre conscientes que estaremos a ajudar alguém em piores condições que as nossas, mas sempre no anonimato, ele optou por divulgar amplamente a sua beneficência, acho bem, afinal fartos de falsas modéstias andamos todos nós.

Dado o mote a nível particular com enorme sentido de solidariedade perante alguém que outrora prestou ajuda na sua formação, deixando transparecer o verdadeiro sentimento que mesmo sabendo que esse alguém, esbanjou inabilmente durante longos períodos, não poderá ficar sem ser restituído dos valores intrinsecamente adiantados.

o buraco

Bofetada de luva branca, bem ao seu estilo considerando que a educação que devia ser garantida e gratuita para todos, terá de ser vista como um aplicação e como em qualquer outra, o investidor tem o direito de ser ressarcido.

Aos outros porém, a quem ele no seu subconsciente considera eventualmente usurpadores, podem mesmo não ser pedidas devoluções do financiamento da sua formação, até porque a mais importante não é a académica mas sim a da personalidade, carácter e  princípios.

Consciência generalizada de que existem dois mundos, o que já passou e o futuro devem então ser separados, equacionando um desígnio para o futuro, mas este dependente do outro, o passado.

Mandam os cânones do direito que se faça tudo para não lesar o cliente, ora esse cliente eramos todos nós, mas todos, não só eles, os outros, catedráticos em finanças públicas, deveriam ter sabido gerir, ainda os ligados á engenharia deveriam ter sido expeditos em cálculo matemático. Facto é que uns deixaram o cliente ser encarcerado, outros geriram nocivamente juntando-se a esses quem não memorizou a tabuada.

Aproveitando a altura de devoluções impostas e não voluntárias, como a de devolver trabalhadores á inatividade, devolver subsídios para que lhes sejam no virar da esquina novamente entregues como mais uma devolução forçada, pode ele resolver de uma vez por todas estas questões, protegendo-se na obrigatoriedade da apresentação dum plano B e impor voluntariamente mais algumas… aproveitando para simultaneamente devolver a democracia.

Quem sabe mesmo se o autor de palavras de tal grandeza pode contar com a ajuda de outro mencionado já em finais do século passado, como um dos “Global Leaders for Tomorrow” considerado mesmo um “Political Star”.

A metodologia deve ser simples, como a simplicidade aplicada na taxação dos impostos, sempre numa escalada sem fim. Todos os intervenientes na governação fazem prova de rendimentos e bens, o Estado só tem de cobrar, não os custos da educação que lhes proporcionou, pois é pessoa de bem, mas sim os valores implicados aos período em que exerceram funções governativas.

Se durante as ultimas décadas cavaram tamanha lacuna, devem ser os próprios maioritariamente a responder por ela, sem esquecer os sorvedouros partidários e até os subvencionados, seguindo-lhe o repto, devolvendo, com retroativos e ajuste cambial para os mais antigos. Basta contabilizar as últimas três décadas e as contas seriam fáceis de fazer, daria pr’aí, mais que muito dinheiro, rios dele, uns biliões de euros.

A enormidade das necessidades é tal que estaremos a falar de “peanuts”, mas moralizava e lá diz o ditado “grão a grão…”

devolução

Querida, remodelei a democracia!

Dia após dia ocorrem manifestações atrás de manifestações, movimentos de indignados, palavras de ordem e uma sensação de revolução em curso para forçar a saída deste governo. Tanto barulho focado quase a 100% numa ordem de expulsão desejada pela maioria da população. Mas e a alternativa? Ouvem-se as alternativas? Estão planeadas, estimadas, calculadas e prontas a entrar em vigor assim que seja substituído o actual governo? Ou entraremos em novo período de análise e introspeção sob a proteção da cortina de fumo que seria criada com a rápida anulação dos novos impostos e retenção de subsídios?

Idealiza-se um governo de salvação nacional! A próxima falácia. Todos os membros de um possível governo de salvação nacional serão personagens que já estiveram na ribalta política, também eles estiveram envolvidos em cambalachos do seu tempo, também eles puderam tomar ações corretivas e não o fizeram, também eles foram escorraçados dos seus postos por contestação à sua governação.

Mudaremos caras, mudaremos discurso mas é quase inevitável que terá de continuar uma política agreste para com os valores sociais e nível de vida actuais. Na verdade não será um governo de salvação nacional mas sim um governo de distribuição de culpas e responsabilidade. O PSD corre o risco de ser extinto ao ousar executar sozinho as medidas necessárias ao equilibrio das contas do estado (as actuais ou outras). Este período vai torrar qualquer governo em funções, pelo que um  composto por várias cores políticas irá distribuir o mal pelas aldeias e permitir a todos os partidos voltar um dia ao antigo registo de luta política em igualdade de circunstâncias.

O problema da nossa democracia é a falta de responsabilidade política, a sensação de impunidade dos decisores, a impotência dos cidadãos e o poder concedido para fazer danos ao país muito para além do período da legislatura para a qual é eleito um determinado governo. A nossa democracia é jovem e nem os cidadãos sabem ainda exercer os seus deveres e reivindicar os seus direitos (os justos), nem os nossos políticos têm a verdadeira noção do que significa servir a nação.

Este é um período conturbado que poderia ser usado para remodelar completamente a noção de democracia para ajustá-la ao nosso grau de literacia democrática. Em vez de sermos alvos de experiências fiscais e sociais deveríamos antes realizar uma experimentação democrática e governativa que procure romper com a malha de corrupção e favorecimentos que envolve os nossos centros de decisão.

Pus-me a pensar ao estilo de um “Querida, remodelei a democracia!” e cheguei a estas ideias que procuram revolucionar e refrescar o conceito de democracia.

      1. Diminuir duração do mandato para apenas 2 anos. Já todos vimos que 4 anos são mais do que suficientes para se fazer muito mal a um país. Desta forma não haveria espaço para a típica gestão de mandato que executa tudo o que de mau há a fazer nos primeiros dois anos e depois procura lavar a imagem no último ano para tentar uma reeleição. Ao mesmo tempo é dado aos Portugueses mais poder de intervenção, capacitando-os de mudar o rumo dos acontecimentos bem mais cedo do que actualmente.
      2. Limitar o poder decisivo de um governo. Chega de decisões que nos hipotecam durante décadas. Todas as decisões com impacto para além da legislatura devem passar a ter aprovação por 80% do parlamento, independentemente de quem está no governo. Ponto final ao conforto de uma maioria absoluta no parlamento que permite os conhecidos cambalachos e comportamento de vida em redoma, opaca e insonorizadora dos argumentos da oposição e dos parceiros sociais. Decisões como a compra dos Submarinos, as PPPs, construção de novas barragens, vendas de EDP, etc, forçariam um muito maior debate e transparência. Sempre que existissem bloqueios as decisões poderiam passar a referendo público caso tivessem no mínimo um quorum de 60% a favor no parlamento.
      3. Limitar os cargos que podem ser remodelados. O estado deve progressivamente ser dotado de gestores profissionais que cumpram as orientações do governo independentemente da sua cor política. Profissionais que acumulem o saber de décadas de exercício no serviço público e defendam o estado e não o actual governo. O despedimento ou contratação deste profissionais caberia aos gestores profissionais de recursos humanos do estado e não a elementos do governo. Com isto por-se-ia fim à nomeação de boys for the jobs sem competência para além da fidelidade ao partido no poder.
      4. Acabar com assessoria jurídica externa. Gastamos fortunas com acessorias para avaliar o cumprimento e/ou alterações de leis nacionais. Se as leis são do estado não fará sentido que seja o estado o maior especialista na sua avaliação? O estado deveria manter nos seus quadros profissionais que dominem a lei Portuguesa e não tenham clientes a quem apresentar soluções para usar alçapões plantados conscientemente nas novas leis. Para além de maior independência, e maior responsabilidade jurídica e legislativa, seria o fim dos milhões de euros de despesas com gabinetes de advogados que dão pareceres sobre a constitucionalidade ou legalidade de novos projectos ou novas leis.
      5. Criar um sistema de eject. Porque razão num sistema democrátivo o povo pode eleger um governo, através de votação, mas não provocar a sua demissão imediata através de um sistema similar? O povo não terá direito a enganar-se ou sentir-se enganado? Utilizando os cartões de cidadão cada um de nós deveria poder expressar a sua vontade de demissão do governo através de um sistema electrónico acessível a todos. Se atingida uma percentagem significativa (60%?, 70%? 80%?) o governo seria obrigado a demitir-se e a ocorrer novas eleições.
      6. Combate à abstenção. Quem não exerça o seu direito de voto em 3 actos eleitorais deixa de o poder fazer nos próximos 3 actos eleitorais, sendo removido dos cadernos eleitorais.  Poderá requer voltar a participar findo esse período. Ao mesmo tempo os votos em branco passam a ter representação no parlamento mediante cadeiras vazias. Desta forma o ir votar, mesmo que em branco, teria um impacto significativo, refletindo a vontade da população. Quem não vota deixa de contar assumindo sujeitar-se por completo à vontade dos seus concidadãos.

Todas estas medidas iriam fazer com que os políticos passassem a medir de outra forma as suas ações e a dialogar muito mais com oposição, parceiros sociais e movimentos de cidadãos. Ao mesmo tempo trariam uma dinâmica diferente à nossa democracia, capaz de reforçar o envolvimento da população que deixaria de se conformar por largos períodos como hoje acontece.

Isto não vai lá rapidamente com músicas, com marchas, com boa vontade nem com medidas convencionais. Este é o momento para ousar pensar e arriscar em novas ideias e novos conceitos estando todos nós dispostos a correr os riscos que isso acarreta.

A única certeza é que muito pior do que isto não fica, o que já não é mau.

O regresso do RUMPELSTILTSKIN

Rumpelstiltskin

Insistentemente adormecidos pela fábula que nos iam contando, teimávamos em manter a conta com saldo positivo, pedindo cada vez mais palha a passando noites em claro até á exaustão. Acontece que o duende foi-se vangloriando e aos poucos desvendando o seu nome. O ignorante foi descoberto e… Caput! Zangou-se, desapareceu e não mais haveria a fértil prestidigitação.

Assim diz a fábula dos irmãos Grimm onde tudo se torna possível, transportando-nos para um conto de fadas, de gnomos, de duendes, enfim de magia. Mas só nelas funciona assim.

Eis se não quando, surge saltitante por entre a obscura floresta de gabinetes salvaguardo já por outros mestres em produzir ilusões o Rumpelstiltskin, informando vagarosamente para que todos percebam que não tendo voltado atrás, reconsiderou, afinal saberem o seu nome não tem assim grande importância, podendo dar-lhe até notoriedade.

Ironicamente, bem ao seu estilo desvendará como se tornará novamente possível, transformar mais palha em ouro.

Vivêssemos nós num conto de fadas e tudo seria diferente, infelizmente a realidade é outra, nem uma dúzia de duendes nos salvará devido á quantidade de palha necessária.

Por mais noites que as filhas casadoiras do reino passassem a fiar na sua companhia, não iriam conseguir o tão almejado matrimónio, pois deixou apenas de ser o rei a ter de ser sustentado. A emergente fidalguia está sedenta e nem todas as planícies douradas do nosso Alentejo juntas chagariam para satisfazer as suas necessidades.

O escoadouro do vil metal é de tal forma gigantesco que por mais que se inventem novas medidas extractivas, não serão alternativa por um único motivo, o cultivo.

A seara está a secar, fruto de insolações constantes e de um sistema de irrigação outrora de grande capacidade utilizado somente para encharcar restritos canteiros, substituído posteriormente por um inábil sistema de gotejamento.

Inteligentemente o mágico indica a alguns, cultivos mais agrestes ao estilo de Trás os Montes, adestrando os que teimam em não se “pirar” optando antes por manter a sobrevivência junto às suas raízes, ocultando porém que por lá existem zonas onde, “são nove meses de inverno e três de inferno”.

A cooptação involuntária certamente continuará mas como já elucidado noutra fábula, são precisas cautelas, não vá matar-se a galinha dos ovos de ouro.

Galinha