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Afiança

Pluralidade é para mim sinónimo de qualidade democrática. A diversidade pode até ser a solução contra a abstenção. Mais cores, mesmo recicladas, alargarão a palete de escolhas do eleitor português. Daltonismo nunca mais! Se o nascimento de uma nova força politica mobilizar pelo menos um abstencionista, então para mim já terá valido a pena.

Mobilizai-vos ò empreendedores do meu país, abraçai as vossas causas e avancem! Se causas vos faltarem, não faz mal, declarem princípios. Contraditórios ou não, a mera iniciativa colherá o meu aplauso. Não serei picuinhas, muito menos exigente. Cada vez mais me convenço que a democracia é um “negócio” de volume e como tal a riqueza emerge do somatório de pequeníssimos ganhos. A verdadeira cidadania é pragmática! Haja massa critica, a qualidade cedo ou tarde surgirá. Será o caso com esta nova força que Afiança o tacho a quem dele tenha recentemente sido privado? Não sei, duvido muito, mas nem por isso hesito na convicção das virtudes da diversidade. Venham mais, seja à Direita ou à Esquerda.

E como estão elas, a Direita e a Esquerda? A Direita digere com estóico silêncio a cisão na família, enquanto a Esquerda exulta sem alarido a chegada da nova força politica. A rentrée política foi assim antecipada pela concretização da ameaça há muito velada. Consta que do Largo do Rato à Rua da Palma, passando pela Rua Soeiro Pereira Gomes, muitos se preparam para contribuir na recolha de assinaturas. Eventualmente mobilizados pelo princípio que o inimigo do meu inimigo, meu amigo é…

Vulgaríssimas

Na terra das fundações sem fundo, isto é, sem fundos, cabe ao hospedeiro, leia-se o Estado, garantir a sobrevivência das bem-intencionadas instituições de beneficência e solidariedade social. Uma relação previsivelmente simbiótica, ou seja, benéfica para ambas as partes, oferece o apoio possível àqueles que carenciados de algum tipo de ajuda justificam a existência da instituição benemérita, enquanto não raras vezes, por ausência de verdadeiro espírito cívico, proporciona confortáveis posições sociais e económicas a uma ínfima parcela de indivíduos que as dirige. O escrúpulo, ou a falta dele, é característica presente em todos os sectores de actividade, mas quando o objectivo é o auxílio ao próximo, a sua ausência é absolutamente intolerável.

Contudo, entre nós, há mais do que condescendência para com o abuso, mesmo nas instituições cujo propósito é apoiar quem precisa. Aparentemente, nem sequer chega a ser necessário obra feita para gozar de salvo-conduto quando se usurpa os meios que lhes são confiados. A aparência basta. Juntam-se assim dois factores: a nobre causa e a notoriedade do empreendedor de obra social. Será regra? Quero acreditar que não, quero manter a convicção que há e continuará a haver quem procure fazer a diferença sem visar a vantagem pessoal, seja ela social, económica ou até do ego, mas sei, e não é de hoje, que mesmo as causas mais nobres são frequentemente contaminadas por parasitas. O que mais me choca não é tanto a existência deste tipo de praga, mas sim a complacência com que todos nós, contribuintes e cidadãos deste país a encaramos. Temo que o “escândalo” do momento, ao invés de contribuir para a consciencialização, tenha de facto um efeito anestésico semelhante à picada de muitos parasitas. Face à impossibilidade de por magia por fim às desigualdades, mais nefasto que a indiferença será a descrença na solidariedade. Não nos deixemos contagiar pelo frenesim mediático, tão volátil como sensacionalista, e procuremos analisar além do imediatismo.

Sejamos pragmáticos. Nem todos os desafios se compadecem com o voluntarismo e o trabalho pro bono. Causas há que carecem de pessoas capazes e empenhadas, a tempo inteiro, obviamente remuneradas. Por outro lado, quando a missão solidária visa apoiar um grupo muito restrito de pessoas, que consequentemente proporcionam um baixo retorno político, os poucos votos que directamente mobilizam obrigam à sensibilização e influência. O chamado lobby acarreta obviamente custos, financeiros e outros, os favores. Não sejamos hipócritas, há fins que justificam os meios. Por estranho e paradoxal que possa parecer, estas necessidades de contexto, sendo uma realidade prática, constituem muitas vezes a justificação que encobre o abuso perpetrado por uma espécie vampiresca, a vulgaríssima carraça. Não nos iludamos, erradicar a praga é uma luta tão urgente como eterna, pois nunca hesitarão em matar o hospedeiro.

Fazedor de Independentistas

Face ao elevado e infelizmente habitual nível de abstenção nacional, ao invés de me debruçar sobre as nossas eleições autárquicas de ontem, opto pelo referendo Catalão. Ilegítimo ou unilateral, conforme as hostes e simpatias, o acto decorreu da pior forma possível. Enquanto os catalães se colocam à mercê dos cassetetes para votar, por cá nem à bastonada acordamos. O contraste só não é engraçado porque em ambos os casos os impactos são dramáticos. Choca-me a indiferença de cá, país com mais de oito séculos, no qual, apesar de recente, a democracia é altamente subvalorizada por quase metade dos eleitores. Como Estado-Nação, nem nos damos conta daquilo que somos!

A Catalunha, Nação secular, subjugada desde o reinado de Isabel a Católica, unificada nesse Estado de várias nações que se chama Espanha, manteve acesa a chama da sua cultura, da sua língua e das suas tradições. Independentemente de quaisquer interesses ocultos, eventualmente pouco justos ou até mesmo discriminatórios e sobranceiros para com as outras nações espanholas, é impossível não sentir alguma simpatia pela luta independentista dos catalães. Se por um lado o coração dita empatia, por outro a razão dita reservas. Assim é, assim será sempre que a ordem estabelecida dá sinais de mudança. Todos teremos, tal como os catalães, uma perspectiva egoísta – Será bom para nós?

Na dúvida, geralmente preferimos manter tudo como está. Talvez por isso, o governo espanhol optou por abordar o tema pela via legal, em detrimento da via politica. Com esta postura, Mariano Rajoy ao invés de guardião da indivisibilidade do estado espanhol, transformou-se no maior fazedor de independentistas. Não percebeu que os melhores e mais importantes aliados da sua causa são os catalães que não querem deixar de ser espanhóis. A estes, não só aos outros, negou o direito de tranquilamente, sem qualquer tipo de ameaça, manifestar em urna a sua vontade. Ontem despertaram muitos independentistas. Nunca a soberania foi outra coisa senão uma questão politica.

Expo Défice

Parece que foi ontem, mas a inauguração da Exposição Mundial – Expo 98 aconteceu hoje, há precisamente 19 anos. Vivíamos então dias de modernização e confiança, de cultura e diversidade, uma festa patrocinada pelo infinito el dorado que se avizinhava! Reinava então o optimismo, a euforia e a crença num futuro risonho. O país dava mostras de dinamismo ao mundo, e este compareceu em peso na renovada zona oriental da velhinha cidade de Lisboa. Foi giro, foi diferente. Depois voltámos às nossas rotinas, ao ancestral lamento e revolta inconsequente. Mas, felizmente apenas meia dúzia de anos depois, outro grande evento, desta feita desportivo. Era a receita de Porter. Estivemos perto, mas não fizemos a festa, na verdade vimo-nos gregos, quer no inicio quer no fim. Ficaram os estádios, e a conta claro! Meia dúzia de anos depois, íamos de pac em pac. Já não foi nada giro, e pior ficou quando nos foi aplicado o castigo. Chamaram-lhe ajustamento. Único e inevitável remédio, para o qual não houve alternativa. Não fomos piegas, e qual óleo de fígado de bacalhau, tomamos o frasco todo.

Já acostumados à terapia, foram chegando as boas noticias, as euforias! O deslumbramento propriamente dito começou com a conquista do campeonato da Europa de futebol. Deslumbrados desde então, vitimas de optimismo irritante, não parámos! Celebramos por menos e sobretudo, gastando menos, mas já voltamos à festa. Depois do crescimento recorde, dos juros negativos, a boa noticia de hoje é o anuncio da recomendação da comissão europeia para por fim ao procedimento por défice excessivo, logo hoje, no dia do nascimento de compositor da Cavalgada das Valquírias, Richard Wagner, o que por certo não será uma mera coincidência.

Lançamento do Martelo

As olimpíadas estão para uma legislatura como os jogos olímpicos estão para as eleições legislativas. Tal como a legislatura é o período de tempo entre cada ida a votos, a olimpíada é o período de quatro anos entre a realização de dois jogos olímpicos. São ambas temporadas de preparação para o momento decisivo, fases de treino ao longo das quais se ensaiam diferentes estratégias e metodologias de treino. É pois com grande espírito de sacrifício que os políticos, quais atletas de alta competição, procuram afincadamente atingir os chamados mínimos olímpicos, a marca que os conduza a nova eleição.

A glória de uma medalha de ouro encontra paralelo na política na tomada de posse como ministro e consigo traz prestígio eterno a quem a conquista. O mundo é feito de vencedores e no desporto, tal como na politica, são os eleitos que ficam para a história. Um medalhado apenas cai em desgraça quando apanhado nas malhas do doping. A batota, tal como o consumo de substancias proibidas, pode por vezes ajudar o atleta menos dotado a obter marcas de excelência, mas nem sempre.

Por vezes, o atleta precipita-se, dá passos maior que a perna e cai em desgraça. O público, tal como os eleitores, não perdoa o uso de estimulantes, narcóticos ou anabolizantes, mas há sempre atletas e políticos dispostos a correr o risco da desonra em troca da esperança de vitória. Alguns, perdidos na melancolia dos dias de glória, quando a aritmética lhes falha, na sua sede de pódio, desesperam…

Moinhos de Vento Holandeses

Foi no século XVI que Guilherme de Orange-Nassau se revoltou e liderou a luta contra a União Europeia da época, a Casa de Habsburgo. Felipe, segundo de Espanha, mais tarde primeiro de Portugal, era então o senhor católico da Holanda protestante. Qual comissário não eleito hoje, oblívio a crenças ou ambições dos seus povos, o Rei Espanhol drenava a riqueza dos Países Baixos. Eles não gostavam. A representatividade era também um conceito desconhecido, estranho aos inventores das Klompen, as típicas socas de madeira holandesas.

A Guilherme sucedeu nesta luta o seu primo Maurício, génio militar e grande mentor da reorganização das forças holandesas. Maurício de Nassau foi provavelmente o primeiro líder a compreender que o advento das armas de fogo relegava a bravura e a ousadia de um guerreiro para segundo plano em detrimento da precisão e disciplina. Liderou e venceu muitas batalhas, mas não ganhou a guerra. A paz só chegaria em 1648, com a assinatura do tratado da Vestefália. Já nessa altura os Holandeses prosperavam além-fronteiras, graças às suas companhias das índias, ocidentais e orientais, verdadeiras precursoras da corporação capitalista moderna.

Os holandeses têm contudo uma disputa bem mais antiga. Grande parte do seu território estaria submerso, não fora a sua engenhosa capacidade de gestão hídrica. Um dos símbolos maiores da nação são os seus Moinhos de Vento, extraordinárias Geringonças de bombar água entre diques. Talvez por isso, há mais de um século que os seus governos são multipartidários, por vezes de ideologias contrárias, mas lá foram capazes de fazer umas flores.

São os herdeiros destas gentes e destes feitos que hoje vão a votos. Esperemos que não metam água…

Revelações de Milhões

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Enormes, desmesuradamente grandes e avultados fluxos de capital, vulgo dinheiro, são semanalmente anunciados na rubrica televisiva protagonizada pelo virtuoso piloto das massas que dá pelo nome de Mclaren Mentes. Rápido na previsão, pouco preciso na trajectória, raramente acerta mas nunca é confrontado com as previsões por concretizar. Estranho? Não! O formato de entrevista a fingir ajuda, o jornalista não exerce, faz de ponto numa conversa que muitas vezes parece ser (provavelmente é) ensaiada. Lá na estação há, que eu sei, um especialista em verificação de factos, mas por qualquer motivo esse talento na acareação é dispensado.

Compreende-se, não se ataca o próprio produto! Muito embora o grupo tenha no passado dado provas de grande independência editorial, atacando severamente o patrão quando este foi primeiro-ministro, esses tempos de liberdade terminaram. Hoje prevalecem as razões comerciais. O próprio semanário refere Mclaren Mentes como fonte, o que confirma o bom desempenho comercial do rapidíssimo piloto. Há procura para esta oferta. Há, contudo, uma dúvida que me assalta e prende-se com as fontes nunca citadas. Não! Não as quero reveladas, não tenho quanto a isso a menor curiosidade. O que me fascina, o que me deixa perplexo é Mclaren Mentes saber sempre de tudo, sobre todos, invariavelmente antes dos demais, mas sobre si, sobre as suas acções ou negócios, não se lembra, desconhece, nada, nada, nada

Das duas, uma: ou faz da inconfidência sistemática modo de vida, e como tal não se compreende como ainda não secaram as fontes, ou então simplesmente transmite recados.

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Pinocchio

Eis-nos de volta aos clássicos do cinema e à encantadora história de Pinóquio, o boneco de madeira que por magia se transformou em menino de carne e osso. O Conto original de Carlo Lorenzini chega aos nossos dias graças a mais uma enternecedora polémica nacional. Sucintamente: uns pediram o que entenderam, os outros querendo agradar acederam e quando se percebeu que não podiam dar, quem pediu saiu. Bem sei que pode parecer coisa do outro mundo, da exploração espacial, mas não é. Não foi. Já todos, sem excepção sabemos o que se passou e embora não se perceba se foi incompetência ou intensão, ninguém quer saber as motivações.

Debate-se, alvitra-se, mas mais para entreter do que propriamente para chegar a qualquer conclusão. Uns conspiram e afirmam que os outros visaram a aprovação do plano maravilha, e que uma vez aprovado dispensavam a continuidade do pretendido por ser incómodo ao Status quo. Será? Talvez… Outros contrapõem que no fundo quem alimenta a polémica procura a privatização da instituição, mas eu desta última discordo. A privatização pretendida já foi feita sem ruídos ou polémicas de maior. Passou incólume aquando da venda dos CTT, processo com cereja, a oferta da doce licença bancaria. Tudo que de interessante poderia haver na privatização da instituição no centro desta polémica já está entregue a quem de direito, os sacrossantos mercados. Então que temos? Bem, Gepeto quer salvar Pinóquio, filho pródigo que aos opositores irrita solenemente porque os números são o que são e não era suposto serem.

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Celebridade Instantânea

 

andy-warhols-portuguese-soupsFoi durante a época do idealismo e da inocência do século passado, a década de sessenta, que o controverso rei da Pop Art vaticinou que o futuro nos reservava a fama Instantânea. Disse então que a todos nós estariam um dia reservados quinze minutos de fama. Hoje parece uma verdade de La Palice, uma evidência tão estupidamente óbvia que nem parece digna de nota, sobretudo para aqueles que já cresceram com a internet como um “bem de primeira necessidade”. Para todos os outros, para aqueles que como eu a infância foi vivida sem internet ou telemóveis, a ousadia da visão de Andy Warhol permanece sólida.

Esse futuro de então é o nosso presente, mas será uma dádiva? Tenho dúvidas: A exposição e visibilidade pública oferecida pelas redes sociais, qual sopa instantânea, é alimento parco para o intelecto. A forma como é experienciada, especialmente pelos mais novos, revela que o meio é um fim. Os critérios de sucesso são igualmente fúteis. Tipicamente o objectivo de primeira instancia é facilmente explicado pelos protagonistas, singelamente procuram mais “gostos”, mais fãs. Quando questionados sobre qual o retorno desse sucesso, a convicção de resposta esmorece, não sendo raro o silêncio. Descobri que entendem que o propósito da fama se explica por si só, é um bem em si mesmo e que por isso a dúvida não lhes assalta do espírito. Parecer é mais relevante que fazer, e embora Warhol não tenha previsto isso na sua profecia, o seu penteado permanece na moda. Ao mais alto nível…emplastro-em-berlim

Bad Hombres

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Ao contrário da generalidade dos políticos após eleição, o novo inquilino da Casa Branca tem vindo a concretizar as suas promessas eleitorais. Tomar posse e fazer (mesmo!) aquilo que disse em campanha pode ser estranho! É até suspeito! Os eleitores são tolerantes com as contundências do combate eleitoral, relativizam as promessas mais radicais, mais definitivas. Quando, para espanto, o absurdo dá origem ao decreto, o eleitor perde-se entre o pasmo e a estupefacção. Incrédulo, poderá até sentir-se traído. Não era suposto passar de uma promessa vã.

Eis como a mais pura idiotice passa a realidade com o beneplácito dos eleitores. Uns apoiam, estão radiantes, partilham as convicções do eleito. Os outros, coitados, validaram a excentricidade porque tinha piada, avalizaram o espalhafatoso porque não lhes parecia provável e agora perante o rigor e a verdade, recuam, desculpam-se, dizem que não levaram as ameaças a sério. Inocentes, pensaram que era só campanha. Enganaram-se! Alguns queriam vingar-se dos politicos, vulgo “trama-los”, eleger alguém à margem do politicamente correcto para os penalizar pelas promessas não compridas, mas agora, a cada dia parece mais claro que o eleitor castigador é o verdadeiro castigado. A esta causa, a do castigo, aderiram também os abstencionistas, essa massa convicta na revolta do amuo.

Era campanha… Era? Não creio! Tudo aponta para que seja todo um mandato em campanha eleitoral, desta feita global. A digressão vai começar pelo vizinho a sul, o populoso México. Entre a ajuda e a ameaça, a cavalaria avança em perseguição dos homens maus.

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