Monthly Archives: Março 2013

Masters of the Universe

Masters_He-man_400x339pxA acção desenrola-se no planeta Europa, no mítico lugar da Lusitânia. O príncipe Tozé protegia o legado do castelo do Rato. Quando em apuros, desembainhava a espada do poder e proferia as palavras mágicas “pelo poder de Grayskull, eu tenho o poder”, transformando-se assim no socialista mais poderoso do universo, o He-Man. A sua sagacidade é lendária. Farão escola as estratégias da “abstenção violenta”, ou a mais recente moção de censura que não visa derrubar o governo… Tudo corria de feição ao situacionismo. Contudo o perigo espreita, o mal espera sempre uma oportunidade: Dos confins do universo, da longínqua Paris, regressa Skeletor, o terrível engenheiro dominical.

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A população não esqueceu as privações que passou às ordens do execrável Skeletor. Parece que nem a renovada sapiência atenua o desejo de o ver severamente castigado, isto é, calado. O filósofo de quarta-feira não é bem-vindo. Compreensível. Afinal tudo tem corrido tão bem com He-man.

A sofisticada cidadania participativa, que tanto nos caracteriza, nunca aceitará o regresso de Skaletor. É a história que o garante: No passado, outro malvado senhor, o mui sério Aníbal Cavaco Silva foi condenado à mesma pena.

Nunca mais se ouviu falar dele!

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Voltar às Bases – Família e Vizinhança

Finalmente percebi a razão porque por vezes os bancos dançam ao sabor da música do estado e vice-versa. Alguns trabalhos sujos têm de ser executados por ambos ao estilo de uma valsa sanguinária e não convém que estejam de costas viradas.

Quão perto estaremos desta realidade? Valerá realmente a pena acumular poupanças para dormir mais descansado? Ou um dia seremos também roubados descaradamente? Será mais prudente ter uma conta bancária próxima do zero para diminuir o impacto de uma medida como esta!?

O nível de vida da população Portuguesa continua em deslize contínuo, com a agravante de muitos estarem asfixiados por prestações de crédito habitação e crédito ao consumo oriundos da época de estímulo à contratação dos mesmos. Para muitos Portugueses umas poucas dezenas de € mensais passaram a fazer toda a diferença no seu orçamento familiar e é frequente a ginástica para cumprir com as responsabilidades e garantir os níveis de alimentação e vivência básicos.

Um dos maiores indicadores deste facto é que os Portugueses cada vez mais medem a vida em euros. Antes de avaliar se uma determinada actividade é enriquecedora, e a que ponto contribui para uma sensação pessoal de felicidade e bem-estar, é imediatamente feita a questão: “Quanto custa?” E muitas vezes nem se passa da resposta a essa pergunta.  Por exemplo as distâncias que no passado se mediam sobretudo em km, recentemente passaram a medir-se em minutos e agora medem-se em euros. Os outrora longíquos 50 km, passaram a escassos 25 minutos,  e são agora uns inconvenientes X € de despesa de combustível e portagens, ou muitos minutos acrescidos se se optar por estradas alternativas.

Devido a factores económicos voltámos a estar mais longe uns dos outros mesmo mantendo-se a distância física. Isto em conjugação com o facto de que nos dias de hoje é frequente a distribuição geográfica de famílias e que existe um distanciamento significativo na relação social para com vizinhos. Há quem viva a dezenas de km dos pais, dos tios, dos avós. Há quem viva em prédios de 9 andares com 3x apartamentos por andar e se relacione no máximo com 2 ou 3 dos seus vizinhos no prédio. O bairro então é um mundo desconhecido. Compreende-se. A vida parecia seguir numa direcção em que o apoio da família e dos vizinhos era dispensável. Até que se deu esta inversão.

Hoje em dia a proximidade para com a família e o sentido de comunidade para com a vizinhança voltam a ser grandes balões de oxigénio. Poder contar com familia ou vizinhos para, por exemplo, o apoio a crianças ou idosos pode significar dezenas a centenas de € de poupança em ATLs, lares de idosos e serviços de apoio ao domícilio. A troca espontânea de actos e favores numa comunidade dinâmica e preocupada encontra organicamente soluções que permitem aliviar alguma logística e preocupações com situações mundanas do dia-a-dia. Muitas famílias poderiam certamente melhorar as suas condições de vida se conseguissem reaproximar-se geograficamente da sua família e/ou socialmente da sua vizinhança.

Para construção deste sentido de comunidade não é necessário apoio externo bastando mudar a mentalidade individual e ter a iniciativa de criar ou aderir a eventos locais onde se formam os laços e sociabilidade entre vizinhos. Voltar a fomentar as brincadeiras entre as crianças de bairro pois também elas forçam ao relacionamento entre os seus pais. Não temos de amar todos os nossos vizinhos mas deveríamos dar-nos bem com a sua maioria, para além dos corriqueiros bons dias, boas tardes e boas noites.

Para a reaproximação geográfica de famílias já não depende da vontade de cada um.  A banca poderia dar uma grande ajuda, sendo até uma das principais interessadas em que os seus clientes não entrem em incumprimento. Muitas pessoas poderiam poupar dezenas ou centenas de euros por mês se vivessem mais perto do seu local de trabalho ou da sua família mais próxima reduzindo drasticamente algumas rubricas de despesas mensais.

A criação de um mecanismo que permitisse a permuta directa de casas de valor aproximado poderia beneficiar milhares de famílias.  Uma permuta silenciosa, que não passaria por um processo de compra e venda cruzada, sendo simplesmente a transferência do imóvel entre clientes, entre bancos, mantendo-se todas as condições para os clientes em termos de condições contratuais e montante em dívida. Sem ganhos para o banco que não o  diminuir o risco de incumprimento e o ajudar das famílias. A banca criaria uma oferta centralizada de casas de famílias dispostas a permutas. As famílias negociariam entre si, arcando com possíveis perdas, garantindo um tecto sem custo acrescido mais próximo de quem lhes pode valer em tempos difíceis. Quem sabe mesmo uma permuta temporária ao estilo “Troca de Casa” por X anos em que cada família viveria esses anos na casa da outra após o que reavaliariam o processo?

Estará a banca disposta a bailar com as famílias e vice-versa?

Os pais e avós apoiam certamente!

A Tourada

A 7ª corrida de avaliação será, à semelhança das anteriores, decisiva. Na tribuna a troika. À sombra, o delegado Etíope, ao sol os delegados Europeus. As corridas de avaliação são exclusivamente para turistas estrangeiros. Os veraneantes locais estarão na arena, entre barreiras e no curro, isto é, no seu devido lugar. Não faltarão Cortesias e Brindes à praça. Aplausos, chapéus e flores para os artistas, sal nas feridas para o touro.

Cartaz 7ª avaliação da Troika

O cartaz promete uma noite de triunfo. A tribuna aplaudirá de pé, a banda tocará o passo doble. Será um sucesso. Em Portugal não se matam touros na arena, mas cortar-se-ão orelhas. Tendo sobrevivido às 6 corridas anteriores, um único e magnífico exemplar da ganadaria Lusitana, um Almalho de seu nome “Povo”, será lidado por todos os artistas em cartaz: Dois cavaleiros, suas quadrilhas; dois grupos de forcados amadores; um picador e a estrela da corrida, o matador de touros Victor Gaspar, el Verdugo. Brindar-nos-á com os seus lances de muleta, ora Afarolado, ora Ajudado. A Faena habitual, sem  Chicuelinas. Cortará um Rabo, e sairá em ombros. Na recolha, “Povo” acompanhará os Cabrestos. Aos turistas diremos que são vacas. Um dia quererão mugi-las. Nesse dia, sorriremos.

Victor Gaspar - el Verdugo