Category Archives: Clássicos do Cinema

Os grandes filmes, vastos cenários, apaixonantes narrativas, personagens e finais felizes! Sem esquecer os efeitos especiais…

Harry Potter

Um caso de incomparável sucesso na passagem da literatura à 7ª arte, o clássico do cinema de hoje teve, ao que se diz, influência lusa. A autora, a escritora J.K. viveu entre nós, inspirou-se em figurões e paisagens da nossa terra. O êxito comercial do primeiro livro teve continuidade nos subsequentes. Um feito raro na literatura juvenil, a saga facturou a uma escala sem precedentes na era digital. A chegada ao cinema foi por isso natural.

Nesta saga, um jovem bruxo, Harry Potter de seu nome, descobre que vive no mundo das pessoas comuns, dos chamados trouxas. A fim de aprender mais feitiços, o nosso herói entra no mundo da magia, ingressa na melhor escola lá do sitio, o caro e exclusivo colégio de Hogwarts. São estes anos de internato, de vida dura e austera  que os filmes retratam com mestria, dando corpo à fantasia de um mundo incrível, povoado por terríveis monstros, magos, bruxos e bruxas, feitiços e maldições. Ao jovem aprendiz a banalidade não lhe serve, muito embora possa ser útil, pois quanto mais trouxas melhor, mais fácilmente cria valor ao accionista: A energia não é cara, os trouxas é que vivem em barracas!

Chegado à idade adulta, faz-se pagar bem por cada truque de magia, eficaz como poucos, soma triunfos e lucros para a companhia. Nenhum accionista ficou por enfeitiçar, não faltaram prémios de gestão, mas qual grande líder, ficámos hoje a saber que afinal partilha o mérito. Garante que não houve decisão que não tenha sido colegial…

Anúncios

Pinocchio

Eis-nos de volta aos clássicos do cinema e à encantadora história de Pinóquio, o boneco de madeira que por magia se transformou em menino de carne e osso. O Conto original de Carlo Lorenzini chega aos nossos dias graças a mais uma enternecedora polémica nacional. Sucintamente: uns pediram o que entenderam, os outros querendo agradar acederam e quando se percebeu que não podiam dar, quem pediu saiu. Bem sei que pode parecer coisa do outro mundo, da exploração espacial, mas não é. Não foi. Já todos, sem excepção sabemos o que se passou e embora não se perceba se foi incompetência ou intensão, ninguém quer saber as motivações.

Debate-se, alvitra-se, mas mais para entreter do que propriamente para chegar a qualquer conclusão. Uns conspiram e afirmam que os outros visaram a aprovação do plano maravilha, e que uma vez aprovado dispensavam a continuidade do pretendido por ser incómodo ao Status quo. Será? Talvez… Outros contrapõem que no fundo quem alimenta a polémica procura a privatização da instituição, mas eu desta última discordo. A privatização pretendida já foi feita sem ruídos ou polémicas de maior. Passou incólume aquando da venda dos CTT, processo com cereja, a oferta da doce licença bancaria. Tudo que de interessante poderia haver na privatização da instituição no centro desta polémica já está entregue a quem de direito, os sacrossantos mercados. Então que temos? Bem, Gepeto quer salvar Pinóquio, filho pródigo que aos opositores irrita solenemente porque os números são o que são e não era suposto serem.

pinocchio_centeno

Gladiator

Um grande e longo filme, um enredo épico, uma desventura na antiguidade, um clássico do cinema moderno, um relato sobre a cruel natureza humana. A história conta-nos a vida de um guerreiro caído em desgraça, feito escravo e obrigado a lutar como gladiador em pleno auge do grandioso Império Romano. A narrativa começa com uma fenomenal demonstração de força da Legião Romana, da sua implacável brutalidade e sagacidade de manobra. Liderado pelo General Matteo e sob supervisão do bondoso e velho Imperador, o exército romano esmaga o inimigo numa grandiosa batalha. Embora os guerreiros germânicos sejam corajosos e destemidos, o exército bárbaro sucumbe à eficácia da Legião Romana, essa invencível máquina de guerra que impôs ao mundo de então a sua paz. Sem alternativa!

Morto o velho Imperador, o bom, assume o trono o seu filho mimado, o mau. Temendo o poder do General, o Imperador mimado ordena o seu assassinato às mãos da muito zelosa guarda pretoriana. Este, guerreiro feroz, consegue escapar e tenta em vão salvar a família. Perdido, é capturado e feito escravo. Levado para muito longe, é forçado a lutar pela vida e embora inicialmente desmotivado, lá aprende a apreciar a ovação do publico enquanto massacra os adversários na arena. Ave Draghi qui morituri te salutant

Sem entes queridos, o seu único propósito é o desejo de vingança, oportunidade que o destino acaba por lhe oferecer, conduzindo-o até ao circo de Roma para um referendo. Ironicamente, a sua sobrevivência depende mais da armadura que do gládio!

gladiator

Apollo 13

apollo13

Uma aventura que deu para o torto, um clássico do cinema sobre a exploração do espaço, a corrida tecnológica entre as potências mundiais, um filme sobre o engenho e perseverança humana.

A Lua, brilhante e altaneira, nosso satélite há milhões de anos, embora sendo o planeta mais próximo, permaneceu inalcançável durante uma eternidade. Parecia impossível, mas aquilo que (aparentemente) foi um pequeno passo para um homem, foi um salto gigante para a lusitanidade. O impossível aconteceu, o homem chegou lá. Após o êxito da missão Apollo 11, a humanidade assistiu emocionada e expectante à partida da missão Apollo 12, mais uma vez bem-sucedida. Subitamente o impossível pareceu banal, pareceu fácil. Todos os riscos, todos os perigos passaram a parecer rotina.

Sentados num poderosíssimo foguetão Saturno 5 mil milhões de euros e mais uns trocos, a equipa da missão Apollo 13 treinava há meses para mais uma alunagem, mas em vésperas da partida surge o problema da declaração de património e rendimentos. A questão ficaria, aparentemente, entregue ao supremo, que a seu tempo diria de sua justiça, posição à qual a tripulação responderia em conformidade, dando tempo ao tempo, isto é, arrastando. Mas os tempos não estão para esperas, a assembleia decidiu, antecipou-se e o piloto escalado viu-se obrigado a ficar em terra…

Alguém resolveu dar a ordem para agitar os tanques de oxigénio, houve faísca e a coisa começou a correr mal. Subitamente, um assunto banal e corriqueiro passou a drama nacional. A tripulação rondará a lua, mas não sabemos se voltará com vida.

apollo13-b

Highlander

highlander1

Um filme épico, uma aventura de guerreiros e espadachins, Highlander marcou a geração de jovens que nasceram na ida década de setenta do século passado. Conta-nos a história da luta dos guerreiros imortais pelo Prémio, um estado de sabedoria superior que proporcionará ao vencedor a capacidade de subjugar toda a humanidade à escravidão. Quem perder a cabeça é eliminado, pois os imortais apenas poderão perder a vida quando são decapitados. No fim, só poderá haver um.

O herói destas aventuras, Rui MacRio, do clã MacRio, luta desde a antiguidade por manter a cabeça. Com momentos de bravura, amor e desventura, a acção atravessa vários séculos, sempre ao som de uma banda sonora de excepção – A Kind of Magic, uma obra de puro rock’n’roll da autoria dos britânicos Queen, um dos últimos álbuns da banda que contou com a prestação do seu insubstituível vocalista, provavelmente uma das melhores vozes do rock de todos os tempos, o malogrado Freddie Mercury. Quem não se lembra do tema “Who Wants To Live Forever“?

É assim, ao som de guitarradas de primeira que a acção se desenrola. Vindo das terras altas do norte, MacRio vive uma vida dupla de proto-candidato ao Prémio, ameaçando, mas não se chegando à frente, negando contactos e alianças, mas por fim dizendo-se apto para o combate com Passos Kurgan, o malvado. O país e o mundo aguardam o desfecho deste confronto, caso se venha a realizar, pois como está não pode continuar. Mais dia, menos dia, terão de rolar cabeças.

highlander2

Titanic 2

Promovida como embarcação inafundável, a candidatura que se propôs levar a bom porto aquela que seria a primeira mulher presidente dos Estados Unidos da América, naufragou pela segunda vez. A gélida realidade democrática, o iceberg da vontade das gentes comuns deixou mais uma vez o apaixonado casal aquém do destino.

Parece que o mundo inteiro insulta os votantes, que coitados sem culpa exerceram o seu direito de acordo com o critério que muito bem entenderam, pois mesmo que tenha sido sem pensar, foi legitimo. Ilegitimo é o nosso palpite, mesmo que a isso tenhamos sido sugestionados por semanas de intoxicação mediática. Indignamo-nos quando Herr Schäuble disserta sobre a nossa democracia, negamos-lhe o seu direito de preferência, mas não nos coibimos de exibir o nosso. Logo nós que por várias vezes elegemos tão sórdidos e tristes figurões, e não contentes, tratámos de reeleger alguns deles.

O ridículo é noção vaga e distante, sobretudo quando invocamos temores quanto ao futuro do mundo. Tantos que vejo e ouço hoje afirmar que este desfecho será terrível, será horrível, mas esquecem, ou não sabem apontar a razão concreta, para além da antipatia, que aliás partilho. Contudo, uma guerra travada sem ideias, centrada em emoções, por mais visceral e brutal que tenha sido, e foi, nada nos disse sobre as verdadeiras intenções ou planos. De parte a parte, diga-se. Tenho dificuldade em compreender o porquê de tanta preocupação, de tanto drama. Não é que subestime a estupidez humana, simplesmente não creio que outro resultado o evitaria.

titanic-2

Catch Me If You Can

Um clássico relativamente recente, um entre muitos dos êxitos do famoso realizador e produtor Steven Spielberg, “Apanha-me se Puderes” é um filme que nos conta a história de um jovem, autodidacta, dinâmico e espertalhão, boy de profissão cuja vivacidade permite exercer toda e qualquer função. Um caso raro de adaptabilidade e improviso. O logro funciona graças à ingenuidade geral. Consta que o próprio cita o conterrâneo de Tom Sawyer, Samuel Clemens: “É mais fácil enganar as pessoas do que convencê-las de que elas foram enganadas…”. E não é que funciona? Ele foi aviador, sem nunca pilotar, foi médico sem nunca tratar e até foi advogado depois de no exame passar. Assim prossegue o filme, sempre em crescendo de ousadia e descaramento, até à detenção final. Cumprida a pena, é recrutado para ajudar a investigar.

Tal por cá seria impossível! Em nenhum outro país a licenciatura é tão escrutinada como entre nós, não pelo seu valor cientifico ou profissional, mas simplesmente porque deixou de ser uma licença para aprender sozinho para se tornar um sinónimo de prestigio outorgado, independente e imune à (in)competência de quem a ostenta. Pessoalmente, estou-me nas tintas para tudo isto… Muito pior que um falso testemunho, foi a reacção à “investigação” jornalística. Confrontado com os factos, terá tentado enjeitar responsabilidade, dizendo que os dados publicados aquando da nomeação como adjunto do primeiro-ministro “baseiam-se nas informações prestadas pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra datadas de Outubro de 2009″. Inqualificável, mas revelador da estirpe dos “jotas”.

catch-me-if-you-can

 

Taxi Driver

Cientes que a cidade de Lisboa seria hoje alvo de repérage  para um eventual remake do original de Martin Scorsese, os taxistas da capital apostaram numa mega manifestação contra a concorrência desleal. Compreende-se, quatro décadas depois, a nova versão do filme poderia vir a chamar-se Uber Driver. É a revolução tecnológica pois então. O original, Taxi Driver, relata-nos a história de um jovem indignado com o mundo que o rodeia, manietado por licenciamentos e obrigações várias, revolta-se contra a libertinagem em geral e a pouca vergonha em particular. Na verdade perde as estribeiras e descamba. A intenção inicial, virtuosa que fosse, resvala para o disparate. Perde a empatia de todos, mesmo daqueles que com a sua causa poderiam concordar.

taxidriver_1

Hoje por cá, talvez procurando atrair os produtores da nova versão deste clássico do cinema, os donos dos táxis e das respectivas (caríssimas!) licenças promoveram aquilo que chamaram uma Manifestação de Taxistas. Alguma imprensa chamou-lhe “greve dos táxis”, o que é estranho, pois os condutores ou são empresários, pelo que o conceito de greve não se aplica, ou são funcionários e como tal estão a trabalhar no protesto, sem prémio de desempenho. Na verdade é uma acção de protesto, uma demonstração de força. Contudo, o bloqueio da cidade dificilmente atrairá simpatia dos habitantes, leia-se, potenciais clientes. Talvez fosse altura de mudar de estratégia, por exemplo procurando aliados em vez de entrar em guerra contra tudo e todos. Esta força que hoje procuraram demonstrar será a (curto) prazo a sua maior fraqueza.

taxidriver

 

Jabba the Guterres

Eis-nos de volta aos clássicos do cinema e à grande saga “Guerra das Estrelas”. A personagem de hoje está no pedestal da adoração nacional. Devotos de sempre e detractores de outrora, todos, unidos em uníssono elogiam o mestre do dialogo, Jabba the Guterres. O momento festivo resulta da sua nomeação pelo Conselho de Segurança para Secretário-geral das Nações Unidas. Jabba, ex-chefe do executivo desta pequena nação à beira mar plantada nos confins do continente Europeu, será o próximo líder das Nações Unidas. Não, não é ficção cientifica. Deixou a concorrência para tras e ganhou.

Curioso contraste este entre o percurso dos ex-primeiros que nos deixaram a meio do mandando. Um fugiu do pântano, terá um dos mais ingratos e exigentes cargos do mundo, o outro, aquele que encontrou uma nação de tanga, é “consultor” do banco de investimento mais poderoso do mundo. É giro!

A vitória é sem duvida um tónico poderoso, capaz de elevar uma picareta falante ao papel de ídolo nacional, uma unanimidade praticamente inédita. Bem, talvez não seja absolutamente inédita, a aclamação do futebolista Éderzito tem sem duvida semelhanças. De vergonha ao orgulho em segundos. Fantástico! Talvez venha desfilar pela capital abordo de um autocarro de dois andares, acenando à multidão entusiástica e no fim discursar na Alameda Dom Afonso Henriques, bem em frente ao Instituto que o formou, o Superior Técnico e no palanque proferir um patriótico e sucinto discurso enaltecendo a vitória e invocando o Cesto da Gávea, numa clara alusão à nossa tradição marítima…

jabba-the-guterres

Exterminador 2

Seria para a semana, mas já não vai acontecer. Lamentavelmente o futuro não será aquele que esperávamos. O dia da Apresentação não chegará. A Saraivada venderá, mas já sem o patrocínio do protagonista do segundo extermínio, o modelo T-1000. Vindo do futuro, o ultra moderno robô evoluiu em relação ao antecessor, uma nova geração com outro nível de plasticidade, inovação que lhe permite assumir qualquer forma inerte, vegetal ou humana. Apresenta-se normalmente na forma de policia vaticinador e tem na viscosidade da sua persona a maior e temível arma. Faz da humildade modo de vida e da boa educação uma marca pessoal – Diz “muito´brigado” como ninguém.

Bravateiro, amigo do seu amigo, nunca volta com a palavra atrás. É lá homem, perdão, robô para isso. Como boa máquina que é, processou primeiro o risco envolvido na ousada apresentação e ponderada a ameaça decidiu avançar, concluiu sem ler a obra que a amizade do autor o colocava ao fresco e que por isso não se queimaria naquele fogo onde outros são chamuscados ou mesmo torrados, mas enganou-se. Mesmo poupado na devassa publicada, foi gravemente atingido na cabeça quando manteve a postura implacável de quem corta a direito, de quem não cede e determinado reiterou no inicio da semana que não faltaria ao amigo naquela hora, mas os danos do episódio são tais que hoje “pediu ao autor, por motivos pessoais, para o desobrigar de estar presente na sessão de lançamento do livro“. Evento cancelado. Terá sido um murro no estômago do arquitecto?

 

passo-coelho-exterminador2