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COFFINamento precário

Quem se atreveria a prever que desde Março de 2020, até final da Páscoa de 2021, iríamos estar mais de 150 dias em regime de isolamento forçado? O objectivo seria o de impedir o colapso do sistema de saúde, coisa nunca vista em Portugal, e uma avalanche de mortes.

Dos 5 milhões de população activa menos de 700 mil puderam trabalhar em teletrabalho. Cerca de 90 mil terão perdido os empregos de forma directa. Os restantes 4 milhões picos lá tiveram de continuar as suas deslocações para cumprir o serviços das empresas em funções. Felizmente não sofremos a dizimação dessa população, das forças de segurança, dos transportes, do sector primário, da construção, do comércio, da indústria e serviços por si garantidos! Só pode ter sido protecção divina pois várias vezes entrei em estabelecimentos de rompante apanhando os colaboradores em círculo próximo de amena cavaqueira sem máscaras, vi trabalhadores de construção civil a borrifar em todas as medidas, ouvi relatos dos transportes apinhados e cruzei-me em ruas e comércio com a maioria das pessoas a usar máscaras com nariz de fora. Claramente andámos todos num faz de conta para nos deixarmos em tranquilidade mútua. Um confinamento à portuguesa para fazer brilharete nos noticiários cujos jornalistas também eles devem estar ausentes do que se passa no terreno.

Em Novembro de 2020 a malha apertou, todas as actividades não essenciais fecharam portas e tivemos mais de um mês de verdadeira reclusão, para quebrar cadeias de transmissão e extinguir a carga viral em circulação. No final de Dezembro projectava-se que os portugueses estavam “limpinhos” depois de tanta responsabilidade e sacrifício. Surpresa das surpresas, os afectos de Natal e Ano Novo ressuscitaram a pandemia a níveis nunca antes sentidos em Portugal, com o Janeiro mais negro dos últimos 12 anos (o que até não é mau se consideramos que o INE tem séries estatísticas fiáveis desde 1960). O resultado foi mais uma terapia de choque doméstico até tudo acalmar. Demorou três meses.

Onde estaríamos sem o confinamento? Variados estudos em vários países indicam que nem muito melhor nem muito pior, simplesmente não pode ser feita uma correlação forte entre essas medidas e as melhoras dos resultados. São os sacanas dos dados que o dizem! Nos USA, a comparação entre estados adjacentes, uns com conformidade total com medidas, outros que nunca aplicaram as medidas são esclarecedores sobre a ineficácia das mesmas em termos de benefícios directos significativos. Além da Suécia temos na Europa o caso da Bielorrúsia, que apresenta das mais baixas taxas de morte, sem nunca ter confinado.

Além dos efeitos inevitáveis do COVID o confinamento acrescentou, além da destruição económica indiscutível, a morte de milhões e sérios efeitos na saúde mental da humanidade. Mesmo no combate ao COVID existem epidemiologistas reconhecidos a alertar para o estar a fazer-se tudo errado, potenciando-se doença e surtos sucessivos.

Demos o benefício da dúvida, cumprimos com resiliência, vamos agora desfrutar a retoma da liberdade, com a certeza de que, em caso de nova situação alarmante, o confinamento não é de todo a solução, podendo ser poupado o sofrimento adicional por si gerado. Exijamos decisões futuras com base no conhecimento adquirido à custa de muitos e irrecuperáveis dias de privação social e familiar.

É a lição que espero termos aprendido nesta reclusão forçada.

Prescrição de Mediacamentação Alternativa

Confiando-se ou não nos diagnósticos e declarações de óbito, os números que temos ao dia de hoje são os de que, a nível mundial, o COVID19 infectou 132 milhões de pessoas, 0.001% da população mundial, tendo conduzido à morte de perto de 3 milhões de pessoas, com uma taxa de mortalidade de 2.27% dos infectados. Um estudo recente indica que numa grande quantidade dos casos mortais, até 84%, o paciente sofria de pelo menos uma doença de comorbidade.

Em Portugal os números podem ser ajustados para cerca de 8% da população afetada com uma taxa de mortalidade na ordem dos 2.05%, com uma média de idades dos óbitos por COVID19 acima dos 80 anos, sendo residuais, menos de 300, as mortes nas faixas etárias abaixo dos 50 anos.

A resposta em curso a esta pandemia é a vacinação total, aplicada a 100% da população, para o atingir da imunidade de grupo. No entanto cada vez mais vozes se insurgem contra esta medida.

Porquê tantos detractores da vacinação? Mesmo entre os profissionais de saúde existem centenas de milhares a recusar a vacinação (Reino Unido, Holanda, França, Espanha, etc), situação “preocupante” que levou por exemplo a Itália a tornar obrigatória a vacinação do pessoal de saúde.

Uma das razões desta renitência é o facto de, apesar de tão louvada ser a celeridade no desenvolvimento destas vacinas, na verdade estamos em pleno ensaio clínico. Consultando os registos americanos podemos ver que tanto a vacina da Pfizer como a da Astrazeneca estão em fase de estudo desde o Abril de 2020 até Abril de 2023. Outro apontamento interessante é que foram excluídos da primeira fase exatamente os indivíduos de grupos de risco que mais devíamos proteger. Ou seja, os resultados preliminares são obtidos com base em população saudável. Os efeitos e eficácia das vacinas sobre a população mais vulnerável serão emergentes durante os meses que se seguem à aplicação prática da vacina pois saltámos várias fases antes de aceitarmos a adoção desta vacina! Para agravar a cautela necessária convém relembrar que no passado ensaios de vacinas para eliminação de coronavírus falharam com consequências gravosas para os animais envolvidos nos testes, sobretudo no contacto posterior com o vírus.

Especialistas de renome no desenvolvimento e execução de planos de vacinação a nível mundial alertam para o perigo da escala global de vacinação, que isso poderá ser um acelerador do mecanismo natural de sobrevivência dos vírus, existindo um grande risco de criar uma variante exponencialmente mais perigosa.

Ao momento existem mais de 270 mil casos reportados nos sistemas europeus de monitorização de reacções adversas, com volumetria significante de casos fatais ou com severa gravidade. Peculiarmente a maior incidência ocorre sobre a faixa etária dos 18 aos 64, a menos afetada pelo COVID19 em si.

Sobre “vacinas” mRNA

Para começar o termo “vacina” foi aplicado para facilitar o entendimento e aceitação do público. Esta é uma nova tecnologia que está a ser aplicada pela primeira vez em larga escala na população humana (por Pfizer e Moderna). Ao contrário das vacinas tradicionais, que usam vírus “dormentes” em carga controlada para permitir ao nosso sistema imunitário uma aprendizagem suave no lidar com este invasor, as “vacinas” mRNA vão alterar a forma como funcionamos, para sempre.

Os fabricantes falam de forma confiante em actualizações ao nosso sistema operativo, a extensão do software da vida. Imaginemos então por quantas linhas de código somos compostos, com a certeza de que o programador original já abandonou as funções, sem deixar a documentação necessária para uma perceção integral do sistema. Apesar do brilhantismo dos que vieram depois existirá sempre a possibilidade de geração de bugs e causar de efeitos adversos. Normalmente na construção de software uma falha é algo reversível, com a reposição da versão anterior que garantidamente funcionava. Neste caso isso não será possível. Se algo correr mal no máximo poderá ser feita uma nova actualização que ela mesma poderá gerar novos bugs e assim sucessivamente. Este é o risco destas “vacinas”.

Medicação de prevenção, tratamento e recobro

Estranhamente somos bombardeados com narrativas que visam construir uma absoluta esperança/confiança na vacinação, que nos é vendida como a única via para o controlo da COVID19. Desde o início da pandemia, em Março de 2020, que vários médicos defendiam a exploração de vias alternativas. Hoje, um ano depois, muitos ensaios foram realizados por quem está na linha da frente, com resultados promissores na diminuição significativa da necessidade de assistência hospitalar. Não sendo os únicos destaco Vitamina C, Vitamina D e Ivermectina,

Para justificar a não adoção destas profilaxias e/ou suplementação é alegada a falta de evidência científica, não existem ensaios clínicos que comprovem que são eficazes na prevenção, tratamento e/ou recobro de COVID19. É verdade, não existem porque a maioria são drogas/medicamentos que já perderam o período de vigência da sua patente, não existindo laboratórios “donos” do produto, disponíveis para investir num estudo caro que possa aumentar as vendas e os seus lucros. O que existe ao momento são evidências observacionais, resultados da sua aplicação em dezenas de milhares de casos, por médicos que recusam baixar os braços na busca ativa de soluções com os meios disponíveis.

Imunidade de grupo

A grande meta é atingir mais de 70% de imunidade de grupo o mais rápido possível. A “vacina” é o veículo necessário para aceleração dessa corrida. Será? Nos USA estima-se que os Hamish, que acabaram por ignorar as recomendações e manter o seu estilo de vida, que inclui cerimónias de grupo, já atingiram a imunidade de grupo, na restante população não vacinada existe de momento uma taxa de 20% de imunidade de grupo, o que poderá ser indicador de que o nosso organismo está preparado para lidar e resolver esta ameaça caso com ela tenha contacto.

Qual a sensatez possível?

Antes de mais ter a capacidade de conseguir um distanciamento emocional para interpretar os dados estatísticos e aceitar as conclusões que eles nos dão. Apesar de claro problema na capacidade de resposta hospitalar a gravidade da situação “pandémica” é muito menos alarmante do que a construída pela narrativa mediática diária. Se igual tratamento mediático fosse dado à gripe comum já teríamos fechado o mundo muito mais vezes no passado.

Ponderar muito bem qual o benefício vs risco de uma eventual vacinação. Somos grupo de risco em termos de faixa etária e/ou comorbidade? Estamos aterrorizados ao ponto de estarmos disponíveis para fazer parte do ensaio clínico em curso para “vacinas” mRNA? Ou, caso a vacinação seja vantajosa para a nossa situação individual, será preferível jogar pelo seguro preferindo uma vacina mais tradicional como a da Astrazeneca?

Não fazendo parte de um grupo de risco não fará mais sentido ficarmo-nos pela profilaxia e suplementação combinada dos medicamentos e vitaminas que estão a mostrar até 85% de eficácia na redução de necessidade de hospitalização por COVID19?

Por fim, estando confiantes no nosso sistema imunitário e na normal relação com o nosso ambiente microscópico até o simples manter ou reforçar de hábitos saudáveis pode ser suficiente desde que não sucumbamos aos efeitos devastadores do stress e medo capazes por si só de indução dos sintomas que tanto tememos.

Sejamos recetivos para com a informação credível que não é disponibilizada nos canais de fácil acesso, tolerantes para aqueles que tomam opções informadas e conscientes, dando o benefício da dúvida com a certeza de que não o estão a fazer por egoísmo nem desrespeito aos demais. Não o aceitar é exatamente exercer esse egoísmo e afrontar a liberdade e saúde individual. Se cada um fizer o que considera acertado para si e para os outros então todos beneficiaremos do efeito placebo.

Testoloto

Testes Polymerase Chain Reaction (PCR)
Tentativa de uma explicação descomplexificada.

Inventado por Kary Mullis, falecido em Agosto de 2019.
O próprio declarou com veemência que não deveriam ser utilizados como testes de diagnóstico, são sinalizadores que devem ser complementados com análises clínicas para fins de diagnóstico. No máximo poderiam ser usados, com reserva, para antecipar diagnóstico em pacientes que apresentassem manifestação aguda dos sintomas característicos de uma determinada doença.

Este tipo de teste é um amplificador de sequências de DNA, baseado em ciclos de duplicação contínua, com crescimento exponencial. No primeiro ciclo a amostra de sequência DNA recolhida é duplicada, no segundo ciclo as duas são duplicadas, no terceiro as quatro são duplicadas e assim sucessivamente. Ao 30º ciclo a sequência de DNA terá resultado em mil milhões de cópias do segmento inicial.

No início de 2020 a sua aplicação ao cenário pandémico determinou que seria aceite como um diagnóstico positivo, infecção por COVID19, a presença de uma partícula (sequência genética ou RNA), considerada como sendo um marcador de identificação do vírus, num máximo de ciclos variável entre 35 e 40 (dependeu dos países). Infelizmente não ficou salvaguardado que na entrega de um resultado positivo fosse feita a indicação do ciclo em que foi sinalizada a “infecção”.

O resultado prático é um grande número de falsos positivos, estima-se entre 30% a 70%, marcando pessoas saudáveis como foco de contágio assintomático. Numa aproximação conservadora, jogando pelo seguro, isto faz sentido. No entanto desde o início que a ciência sabe que neste teste o número de ciclos tem grande influência na real probabilidade de existência de carga viral suficiente para representar uma infecção. Quanto menor o ciclo em que é detetado maior a carga viral. Resultados além do ciclo 25 são considerados pouco fiáveis.

Para o agravar o vírus ainda está por isolar, o código genético da partícula considerada para o sinalizar poderá ser originado noutras fontes de carga genética, incluindo fragmentos do genoma humano.

Em Novembro do ano passado um mundialmente citado Proc. 1783/20.7T8PDL.L1 do Tribunal da Relação de Lisboa usa esses mesmos argumentos para declarar ilegal o confinamento imposto a quatro turistas alemães com base em testes PCR.

A OMS cometeu um lapso que permitiu que os resultados fossem colectados com grande margem de erro, sem refinamento estatístico, pelo menos partilhado publicamente, que permitisse melhor avaliação da situação pandémica com base nos intervalos de ciclos onde ocorrem resultados positivos. Com isso chegámos a números de “infectados” que justificaram a classificação de uma pandemia mundial, activando-se os mecanismos que vinculam os ministérios da saúde de muitos países ao cumprimento do protocolo estabelecido pela OMS para esse cenário.

Desde o início que a ciência alertou para o potencial pânico induzido com base em falsas conclusões. Passou um ano. Em Dezembro do ano passado a OMS reescreve as suas orientações para que os testes apenas executem 25 a 30 ciclos. Na Florida vão mais longe e passam a exigir que os resultados indiquem o ciclo em que foi declarado o positivo. A 11 de Janeiro Portugal emite o Despacho n.º 331/2021 que define o número máximo de ciclos como 25.

Todos nos lembramos do momento em Trump disse que para acabar com o alarmismo da pandemia deveriam diminuir os testes. Rimos num misto de choque e espanto. Em 25 de Janeiro Portugal fazia mais de 60 mil testes diários (20% taxa positivos), indicando que testar era a estratégia para vencer a pandemia. Ao dia de hoje estão a ser feitos pouco mais de 20 mil testes diários (2% taxa de positivos).

Como melhorar isto?
Exigir que nos resultados entregues e na análise estatística seja considerado o número do ciclo em que foi declarada a positividade, perceber a relação entre esses números, aqueles que vão parar a UCI e os que apenas ficam confinados em casa sem sintomas, ir refinando o número máximo de ciclos até tornar o teste mais fiável e útil para um controlo mais focado da disseminação do COVID19.

NOTA FINAL: No passado a declaração de uma pandemia obrigava a uma relação entre número de países afetados, volume do contágio, velocidade de propagação e taxa de mortalidade causada pela doença. O termo foi sendo sucessivamente refinado até que a partir de 2011 basta que uma doença seja identificada (só casos activos) de forma significativa em vários países para que a OMS possa emitir um aviso de pandemia (independentemente de outros factores, fica ao seu critério essa subjectividade).

Marcas de segurança

O medo ganha poder, sendo usado não só para controlo comportamental da população como para exercer influência na alta esfera da geopolítica. Eu tive medo, muito, ao ouvir a recente declaração de António Guterres. Nela é feito um alerta aos países desenvolvidos de que caso não partilhem vacinas com os países em desenvolvimento estes se tornarão ameaçadoras incubadoras de mutações virais, inevitavelmente irão gerar um novo vírus, para os quais as vacinas podem ser potencialmente ineficazes, que rapidamente chegará aos países desenvolvidos para nova época de terror pandémico.

Este é um discurso de medo, usado como lobby por uma suposta boa causa, que rapidamente pode ser aplicado a todas as frentes, inclusive a relativa aos que ativamente não querem ser vacinados. Por agora o parlamento europeu defende a liberdade individual relativa a este tema. Mas se o nosso corpo passar a ser considerado como território perigoso, potencial incubador do próximo inimigo mortal da humanidade, negar a vacinação rapidamente poderá vir a ser considerado um ato de terrorismo biológico.

Esse fenómeno, de marcar como “os outros”, “os inimigos da sociedade”, já está em curso através de simbologia invertida. Enquanto que no passado foram usados símbolos para marcar os “impuros” agora é a “pureza” que é medida pelo uso de máscaras, de gel desinfetante e pela vacinação voluntária. Quem não usar um, ou todos, destes símbolos claramente não é “dos nossos”, sendo progressivamente visto como uma ameaça irresponsável à saúde coletiva.

Amedronto-me pois tenho presente que ao longo da história a nossa espécie sempre foi cruel e injusta para com aqueles que têm o infortúnio de ser rotulados de ameaça. É um caminho colectivo muito mais fácil do que por exemplo reflectir nos próprios hábitos e comportamentos individuais.

Ironicamente estão a criar-se condições para ostracizar aqueles que se informam ao ponto de contestar aspectos da ciência médica e a forma como tem sido feita a narrativa desta pandemia, que advogam um estilo de vida natural, consciente e preventivo, ao invés de se resignarem a uma entrega de bandeja nos abraços clínico-farmacêuticos.

Será um choque violento que sem dúvida irá definir a próxima era da nossa humanidade.

O facilmente projectável é que a progressão para uma desejada vacinação da totalidade da humanidade seja feita de forma pautada mas firme. A situação atingiu uma dimensão demasiado grande para reconhecimento de qualquer erro. Será quase inevitável a criação de um mundo de acesso restrito aos que ostentem a marca de segurança COVID Free. O desafio será conciliá-lo com um mundo paralelo, para os que ousem pensar e viver à margem da distopia pandémica. Não o garantir será criar o caos.

Lições Confinadas

Os telejornais voltam a dar prime time aos crimes, ao futebol, aos escândalos popularuchos, é um bom sinal, de retoma da anormalidade pré-pandémica.

Foram largos dias de isolamento social, propícios ao cultivar de pensamentos por aqueles que conseguem escapar aos grilhões dos media e sua fábrica de realidade desejada.

No decorrer desse processo passei por estas estações de raciocínio.

Dissonância Imunitária

Os maiores grupos de risco padecem de más condições de saúde, associadas a continuados maus hábitos de vida ao longo de décadas. Estima-se que milhões de Portugueses compõem estes grupos de risco.

A solução não tem passado por promoção da correcção de hábitos de vida, sobretudo alimentares, mas sim por uma promessa de vacina que possibilitará que tudo volte ao normal, o retomar de uma voracidade egocêntrica que mina corpo e planeta. Estão dispostos a sequestrar Portugal até que a vacina obrigatória seja aplicada a nível mundial. Revelam-se autênticas bestas mediáticas no domínio das redes sociais

Na ponta oposta existe população Portuguesa, consciente do seu impacto no mundo e do que é cuidar do seu corpo, de forma natural e saudável. São pessoas estranhas que não entram em histeria colectiva, confiam no seu sistema imunitário e não temem as circunstâncias da vida. Acham ridículo que o medo de um inimigo invisível se sobreponha à alegria de um mundo palpável. Desligaram TV, cumprem ao mínimo as medidas impostas, apenas para não alarmar em demasia os demais. Não se dá por eles a não ser talvez no bronze, sorriso despreocupado e brilho nos olhos.

Estes dois grupos chocaram em conversas informais, a nível social ou familiar, podendo muito bem ter-se definido um novo tema fracturante muito mais poderoso do que a discussão de futebol, religião ou política.

O Despertar da Animália

A maioria de nós fará vida num raio de dezenas de kilómetros, percorridos de viatura própria ou transportes. Neste momento a maioria passou semanas no seu reduto de poucos m2. A neura está instalada. Anseia-se por esticar as pernas, sol, ar, liberdade.

Ao mesmo tempo que animais silvestres invadiram espaços urbanos, fazendo uso da oportunidade proporcionada pelo confinamento humano, outros animais “selvagens” continuam confinados nos zoos urbanos. Animais que no seu habitat natural percorrem centenas ou milhares de km pelos seus próprios meios, em espaços amplos e serenos.

Será esta uma oportunidade para que o animal humano sinta empatia para com os animais que aprisiona? Far-se-á um click de conexão sempre que passe a observar um animal enclausurado para divertimento ou exploração humana? Ou continuará a considerar que a liberdade é um direito reservado à divina espécie humana?

Anti-Especialíssimos

Para um leitor atento, que se sirva várias fontes de informação, que tenha acompanhado a situação nacional e internacional, é claro que a governação e comunidade científica patinaram em muitos aspectos, focando-se em fazer algo rápido e vistoso em detrimento de entendimento detalhado da situação e tomada de decisões ponderadas.

Existem prémios nobel a favor e contra o confinamento e reclusão social, existem países que fecharam a economia, países que não fecharam e países ainda perdidos no meio, estatísticas a serem interpretadas e comunicadas pelo prisma que mais corrobore as opções tomadas.

O motor de todas as decisões são especialistas, parece que cada governo tem os seus e que podem ter conclusões muito distintas, algo estranho para exercício de ciência.

O mundo não pode estar na mão de um punhado de “especialistas” nomeados, o mundo deve aproveitar o oceano de especialistas existente, fornecer-lhes a informação necessária, promover discussão e deliberação como uma consciência colectiva. Não pode haver um, dez ou vinte, haverão centenas ou milhares só em Portugal, gente de laboratório, gente académica e gente de terreno. Será um desafio para o futuro auscultar este saber distribuído e não confiar meramente em especialíssimos especialistas.

Isto não quer necessariamente dizer que se chegue a consenso e definição de uma única rota, que bom seria ter um mapa de múltiplas rotas, cada uma das quais indicada como a mais curta, a mais rápida, a mais económica, etc.

Desmascarar

Tendo em conta o atabalhoamento e pressa não posso deixar de sentir que o uso coercivo de máscaras e desinfectantes made in portugal são uma forma elegante de compensar um pouco a economia, se consumirmos muito esses consumíveis pode ser que aqueles que se adaptaram consigam prosperar e manter empregos até isto se ajeitar.

Quando os analistas de fundo fizerem o seu trabalho, reavaliarem taxa de mortalidade e perigosidade do vírus, desempenho dos países que confinaram vs os que mantiveram actividade, custos económicos e de vidas das opções tomadas, veremos se caiem as máscaras aos nossos especialistas e a todos os que cegamente seguiram as directrizes do terror.

Espelho de Diana

Ao contrário do que a leitura do título possa denunciar, este texto não é nem reflexo, nem evocação da data, leia-se a efeméride do desaparecimento da outrora “sua alteza real”, para sempre “princesa do povo”, a malograda Diana Spencer. Negativo! A Diana hoje é outra, é mitológica. Não é propriamente a protagonista, mas está no centro da trama. Ora, a mais casta das deusas romanas, irmã gémea de Apolo, filha de Jupiter e de Latona, deusa da Lua, dos animais e da caça, está na origem do nome que há dois mil anos os romanos davam ao lago que hoje conhecemos com Lago Nemi, mais concretamente Speculum Dianae, latim que em bom português significa “espelho de Diana”.

A fama deste pequeno lago também se fica a dever a um dos mais inusitados projectos de construção naval de todos os tempos, pois foi naquele local que o imperador romano Calígula mandou construir (pelo menos) dois navios com mais de 70 metros de cumprimentos, feito cujo único propósito se julga ter sido satisfazer a sua megalómana personalidade. A sua cruel excentricidade foi tal que Cláudio, o seu sucessor, tudo tentou para apagar todo e qualquer vestígio do seu legado. Mandados afundar, os navios permaneceram no fundo até que em pleno século XX o ditador Benito Mussolini mandou drenar o lago fazendo-os emergir gradualmente.

As duas jóias de arquitectura naval foram então transportadas para um museu especialmente construído para as albergar, mas lamentavelmente não sobreviveram ao incêndio que as destruiu completamente em 1944. As causas do fogo nunca foram esclarecidas, se por acção de militares alemães em retirada ou por acção de bombardeamento aliado. Afundados por Cláudio, preservados submersos durante séculos, uma vez resgatados, os navios sucumbiram ao fogo. Ironia do destino? Certamente, pois o sucessor de Cláudio foi Nero, o pirómano.

Make China Great Again

A grandeza prometida pelo slogan de campanha tornou Trump refém da sua própria fanfarronice. Resta-lhe a fuga em frente, feita de sensacionalismo inconsequente numa vertigem mediática cujo alcance é curto. Aos aliados exige subserviência, mas não obstante, impõem tarifas comerciais. Declarou assim guerra comercial aos parceiros de sempre. Fê-lo sacrificando a realidade dos números à popularidade entre quem o apoia. A opinião doméstica ignora que a balança comercial entre os EUA e a UE é francamente favorável, pois mesmo sendo deficitária na importação de bens transaccionáveis, o repatriamento de lucros dos gigantes tecnológicos americanos geram um excedente significativamente vantajoso. A guerra de tarifas com a Europa não trará vantagem alguma, muito menos grandeza.

Intimida, faz da bravata ferramenta negocial. A vantagem que julga alcançar é precisamente a teia em que se deixa enredar, especialmente na Ásia. O superávite na balança comercial face à UE não se verifica face à China, é até bastante deficitário. Contudo, Trump acreditou que o presidente da China, Xi Jinping era apenas um modesto jogador de Mahjong. Não percebeu estar perante um sagaz jogador de Xadrez, um verdadeiro mestre na Arte da Guerra. Para Donald, Sun Tzu é fake news. Os factos, esses, sabemos que são preferencialmente alternativos. A candidatura a Nobel da Paz por exemplo. O pretexto da cimeira com o líder da Coreia do Norte foi apresentado aos americanos como uma demonstração de competência. De tal forma parecia comprovar a estratégia da retórica beligerante que o entusiasmo transbordou. Perante a possibilidade da cimeira não se concretizar, ficou sem troféu mediático. Coitado, não percebeu com quem verdadeiramente negociava. Acreditou ser com Kim Jong-un, quando na realidade foi sempre com Xi Jinping. Perdeu. Foi obrigado a suspender as tarifas comerciais sobre as importações Chinesas…

UnBrexit

As relações bilaterais do Reino Unido com a Rússia remontam ao século XVI, mais precisamente a 1555, ano em que através da “Companhia Russa” foi institucionalizado o monopólio de todo o comércio anglo-russo. Reinavam Maria I do lado britânico e o Czar Ivan IV do lado russo. A monarca britânica, primogénita do segundo dos Tudor e primeiro dos protestantes – o mulherengo Henrique VIII, ficou entre os seus súbitos conhecida como Bloody Mary em virtude da sua vã, mas sangrenta, tentativa de reverter a reforma protestante iniciada pelo pai. Já o Czar de todas as Rússias, Ivan IV ficou para a história conhecido como O Terrível, cuja sagaz mas intempestiva personalidade conduziu, num momento de ira, ao assassinato do seu filho e herdeiro. Enquanto Bloody Mary governou contra o legado de seu pai, foi o próprio Ivan O Terrível que negou o legado ao seu primogénito.

Desde então, Rússia e Reino Unido têm sido tanto inimigos como aliados, conforme circunstâncias e oportunidades. Os contrastes e simetrias mantêm-se: O Reino Unido, uma democracia parlamentar cujo poder executivo é hoje liderado por uma senhora, que tal como Bloody Mary, tenta em vão remar contra a corrente, leia-se Brexit. Enfrenta enormes desafios, quer no plano doméstico, quer no plano internacional; A Rússia, uma democracia autocrática, tem hoje um novo tipo de Czar, tão sagaz como Ivan o Terrível, mas que ao contrário deste não manifesta qualquer tendência para a impulsividade. Frio e implacável como o “General Inverno”, suportado pela oligarquia da energia, tem assumido um papel cada vez mais consolidado como protagonista global.

Eis como a circunstância pode constituir uma oportunidade. Tudo quanto o Reino Unido tem em comum com a União Europeia não foi suficiente para evitar o resultado do referendo ao Brexit. Reverte-lo obrigará a uma mudança de fundo. Nada como um inimigo comum! Se o que somos não nos une, então talvez aquilo que não queremos ser o consiga!

Rede Neuronal

Termina hoje em Lisboa a auto-intitulada “melhor conferência tecnológica do planeta”. A velha capital acolheu nos últimos 3 dias o chamado “mundo tecnológico”. Nada me move contra o evento, muito pelo contrário. Que venham, que usufruam, que gastem e que partam com desejo de regressar. Quantos mais melhor e desta feita foram mesmo muitos. Sem ironia ou sarcasmo, o evento proporcionará no mínimo um retorno auspicioso. Um impacto inequivocamente positivo.

Face à extensa lista de oradores e à diversidade de temas, a cobertura jornalística nunca seria fácil. Nem tão pouco é suposto a comunicação social relatar tudo quando por lá se passou, pois o evento é para quem pagou e nele participou, mas haveria sempre a necessidade de encontrar uma ideia forte para propagar. Desta feita, a escolha recaiu sobre a “Inteligência Artificial” e teve num casal de robots humanóides os protagonistas: Ela, repetente no evento mas pioneira na cidadania (é cidadã saudita imagine-se…). Ele, um clone do criador da Teoria da Relatividade. O diálogo entre ambos espantou os presentes e maravilhou a media que se apressou a anunciar uma nova era. Subitamente, da notícia ao comentário, o tema da Inteligência Artificial proliferou qual apoteótica novidade.

Apesar da rápida expansão da aplicabilidade comercial, a Inteligência Artificial está longe de ser novidade. Nem tão pouco recente! Tudo começou há muitos anos, mais concretamente em 1943, quando dois improváveis amigos, Walter Harry Pitts e Warren Sturgis McCulloch, apresentaram a primeira teoria mecanicista da mente. Hoje sabemos, também graças ao trabalho do português António Damásio, que falharam na sua intenção de explicar o funcionamento mecânico da mente humana, mas estabeleceram com o seu trabalho a primeira abordagem computacional da neurociência, o design lógico de computadores modernos e os pilares da Inteligência Artificial – o modelo McCulloch-Pitts.

Não obstante os contornos sensacionalistas de hoje, a Inteligência Artificial é septuagenária e para além disso, há muito que máquinas “estúpidas” têm vindo a assumir tarefas outrora apenas confiadas a humanos. Então, porquê a “novidade”? Bom, a ideia lançada é simples e óbvia na sua relação causa/efeito: os robots estão a ficar tão “inteligentes” que em breve nos tornaremos obsoletos e dispensáveis para o mercado laboral. Mais que debate, a ideia gera medo, o temor de em breve não ser só a baixa qualificação profissional a ser preterida. Será? Será que esse futuro é já amanhã, ou será que ao invés de as nossas máquinas serem cada vez mais “espertas”, nós é que estamos a ficar cada vez mais estúpidos, ávidos por comprar tudo que nos queiram vender?

Fazedor de Independentistas

Face ao elevado e infelizmente habitual nível de abstenção nacional, ao invés de me debruçar sobre as nossas eleições autárquicas de ontem, opto pelo referendo Catalão. Ilegítimo ou unilateral, conforme as hostes e simpatias, o acto decorreu da pior forma possível. Enquanto os catalães se colocam à mercê dos cassetetes para votar, por cá nem à bastonada acordamos. O contraste só não é engraçado porque em ambos os casos os impactos são dramáticos. Choca-me a indiferença de cá, país com mais de oito séculos, no qual, apesar de recente, a democracia é altamente subvalorizada por quase metade dos eleitores. Como Estado-Nação, nem nos damos conta daquilo que somos!

A Catalunha, Nação secular, subjugada desde o reinado de Isabel a Católica, unificada nesse Estado de várias nações que se chama Espanha, manteve acesa a chama da sua cultura, da sua língua e das suas tradições. Independentemente de quaisquer interesses ocultos, eventualmente pouco justos ou até mesmo discriminatórios e sobranceiros para com as outras nações espanholas, é impossível não sentir alguma simpatia pela luta independentista dos catalães. Se por um lado o coração dita empatia, por outro a razão dita reservas. Assim é, assim será sempre que a ordem estabelecida dá sinais de mudança. Todos teremos, tal como os catalães, uma perspectiva egoísta – Será bom para nós?

Na dúvida, geralmente preferimos manter tudo como está. Talvez por isso, o governo espanhol optou por abordar o tema pela via legal, em detrimento da via politica. Com esta postura, Mariano Rajoy ao invés de guardião da indivisibilidade do estado espanhol, transformou-se no maior fazedor de independentistas. Não percebeu que os melhores e mais importantes aliados da sua causa são os catalães que não querem deixar de ser espanhóis. A estes, não só aos outros, negou o direito de tranquilamente, sem qualquer tipo de ameaça, manifestar em urna a sua vontade. Ontem despertaram muitos independentistas. Nunca a soberania foi outra coisa senão uma questão politica.