Category Archives: Mentalidade Tuga

Irmãos de armas

Soberano ou guerreiro que se alia a outro contra um inimigo comum.

Pessoa que entra com outra na mesma guerra ou que luta por uma causa comum.

Inimigo e Causa Comum

Vencer o coronavírus COVID19, também conhecido por SARS-COV-2.

Reduzir ao mínimo o sofrimento e número de fatalidades humanas.

Recuperar a vida normal.

Caim – O “Aceitacionista”

Tem crença absoluta nos factos e dados apresentados pelos orgãos de comunicação e entidades governamentais. Aceitação plena das decisões tomadas, que defende como se fossem suas.

É consumidor frequente dos principais meios de comunicação. Temente dos números, imagens e relatos catastrofistas. Sente pânico pela possibilidade de que @ própri@ ou os que lhe são próximos sejam afectados. Disposto a tudo para o prevenir.

Apresenta forte ausência de pensamento crítico. Descarta a necessidade de perder tempo na exploração da informação sobre as circunstâncias que revolucionaram a sua vida. Refugia-se em entretenimento e/ou relacionamento social com os que demonstrem convergência na atitude e sentimento, obtendo desta forma o conforto possível e o manter da esperança num futuro melhor.

Quase total incompreensão, com tendência ao desprezo e condenação do seu irmão “negacionista”, diabolizando-o como o responsável pelo protelar da resolução da situação.

Está disposto a sacrificar direitos e liberdades, próprios e de outrem, já que acredita verdadeiramente ser essa a única solução eficaz.

Enfurece-se com a livre expressão e exercício da não conformidade para com as recomendações.

Abel – O “Negacionista”

Rege-se por informação de detalhe, procurando os fundamentos dos grandes chavões comunicados. Contesta, questiona, consome distintas visões, cruza os acontecimentos históricos com os contemporâneos, formando uma opinião própria com base em evidências, lutando contra a algoritmia que procura afunilar a narrativa, enviando telegramas informativos para o alargamento desta discussão aos abertos à mesma.

Receia moderadamente as consequências infligidas por potencial infecção, sua ou dos que lhe são próximos, sem que isso lhe faça perder o discernimento. Alguma morte faz parte da vida. Ao mesmo tempo indigna-se com a velocidade a que ocorre, e se perpetua, a perda de direitos, liberdades e soberania individual, ingredientes essenciais nas soluções duvidosas encontradas após o descarte da ponderação de todas as outras.

Não está disposto a abdicar de direitos fundamentais nem colocar em risco populações que não estão em risco. Preocupa-se consigo e também com os outros, tentando alertar para os perigos desnecessários que se pretendem correr. Não está disposto a sacrificar nada nem ninguém a não ser talvez a sua “reputação” e “status” social.

Entristece-se com a alienação geral aos avisos realizados pelos próprios criadores que expoêm a incerteza associada à solução final.

O momento decisivo

O regente estatal/corporativo incita que Caim aplique coercivamente a solução a Abel. Durante o seu arresto Abel defende a sua soberania questionando o porquê da imposição.

Abel lança à consideração a incoerência na interpretação dos dados. Na contabilização de mortes bastava morrer-se com um teste positivo, prova do contacto com o inimigo, sem distinguir os que faleceram DE dos que faleceram COM o vírus presente no seu organismo. Agora, nas mortes e incapacitação grave associadas à solução final, já não se aplica o mesmo critério. Em óbitos por causas similares aos potenciais efeitos adversos é completamente descartada qualquer correlação remota, sendo considerado mero acaso ter acontecido em quem tenha tomado a poção mágica há semanas ou meses.

Procurando não assustar Caim, Abel questiona o porquê do comportamento dos vacinados não se destacar face ao comportamento dos não vacinados quando em contacto com a mais virulenta versão do inimigo? E porque é necessário vincar fragilidades da solução e a muito provável necessidade do reforço contínuo?

Já imobilizado, Abel alerta para o facto da proteína Spike ser um citotóxico reconhecido, havendo evidências de que este se encontra em livre circulação por todo o organismo dos abençoados “aceitacionistas”, com peculiar concentração em orgãos cruciais, à vida e continuidade da nossa espécie.

Sentindo no olhar o ódio tresloucado do seu irmão de armas, Abel implora a Deus que o poupe, concedendo-lhe o livre arbítrio de figurar como um salutar membro do grupo de controlo. Afinal é dever de um Pai proteger as suas crianças a todo o custo, inclusive de instintos fratricidas.

Durante todo o seu compassivo discurso, de forma sub-reptícia, Abel liberta-se das amarras impostas, estando em prontidão para pleno exercício da sua autodefesa. Seja o que Deus quiser e Caim o decida já que é ele a verdadeira mão na execução do plano do regente mestre carcereiro.

ZCAP, ZMAR e ZPORTING

Pensamento crítico, escrita e oratória eficazes, um trio incómodo que obriga a medidas extra-ordinárias para proteger a comunidade de perigosos e acutilantes raciocínios. Não é altura de cultivar o livre-arbítrio.

Estes últimos dias foram estranhos. Ainda em Outubro se tinha apresentado um plano de constituição de ZCAPs com capacidade máxima de até 5 500 “utentes” e agora em Maio, passados 6 meses, o governo recorre a outra ferramenta ao seu dispor, que nunca utilizou para activar as unidades de saúde privadas, fazendo-o para tomar o ZMar. Isto para alojar perto de 30 pessoas que viviam em condições que não permitiam o devido isolamento sanitário. Que é feito do plano que daria resposta a milhares?

Curiosamente durante uns dias nos noticiários viveu-se a realidade de Odemira como se fosse nova, tentando conquistar a aceitação da pública em nome dos mais básicos direitos humanos. Os representantes locais estimavam que até 6 000 dos 13 000 trabalhadores não teriam condições de habitabilidade. Isto sim, já é deveras preocupante pois em caso de necessidade, por proliferação de testes positivos ao COVID19, realmente não haveria mãos a medir para resolver o tema, garantindo as devidas condições de isolamento. Projectando este cenário pessimista, só possível de acontecer se for conseguida a execução do plano de testagem delineado, e antecipando o enorme esforço necessário para dialogar com os proprietários das propriedades requisitadas sugiro a concentração de interlocutores focando atenção no património detido por exemplo pela Santa Casa e bancos. Dão resposta à altura, são parceiros de extrema confiança e inclusive detêm imóveis que permitiram alojar centenas devidamente compartimentados no mesmo espaço. Em adenda estando a maioria devolutos não existirá qualquer tipo de prejuízo a particulares e empresas e talvez seja até algo a considerar quando se iniciar o uso de novo brinquedo à disposição.

Ainda a nação digeria os acontecimentos com a grande família de trabalhadores rurais de Odemira, eis que uma outra família desperta de hibernação. A nação Sportinguista, em pleno êxtase, sucumbe aos valores do coração, alicerçados em argumentos da sua razão individual, em detrimento dos valores incutidos pela razão institucional. E desta vez não são só eles que sabem porque não ficam em casa.

Depois de assistir aos canais de informação a sublinhar o carácter vergonhoso da realização da festa do Avante, a irresponsabilidade dos que em família rumam a praias e passeios marítimos em dias de sol, o negacionismo chalupa dos milhares que se manifestaram na World Wide Demonstration Lisboa no passado dia 15 de Março, confesso que fiquei muito surpreso com o tom carinhoso, compreensivo e condescendente com que se referiam à festa e adeptos leoninos, tão ou mais violadores das recomendações feitas pela DGS. Até lhes foi dada ampla cobertura televisiva, direito a dizer o que pensam via voxpop em directo, coisa que jamais ousaram fazer no passado com os executantes de comportamentos desviantes ao sanitariamente correcto. Quem sabe se não foi o evento que servirá de case study à reabertura?

Tribalismo viral

Tenho dado conta de que com o passar dos dias o confinamento tem resultado em cada vez maior refinamento ideológico.

Depois das eleições assistimos nas redes sociais à abertura da caça ao facho, em que vários foram os convites públicos de desamigamento Facebookiano voluntário, endereçado a quem tenha ousado votar no Chega, culminando num pedido formal de ilegalização de um partido “com ideias perigosas”, por parte de uma candidata vencida que o tinha prometido caso fosse eleita.

Patriotas, activistas, defensores da liberdade lusa, não hesitam em censurar e oprimir uma força política diametralmente oposta. #$%&%! Não fosse o confinamento era certinha uma guerra civil para limpeza ideológica!

Que tristeza considerar que o perigo está na expressão de certas ideias. Que desconsideração pela liberdade em ser bronco. Ser bronco não é fácil nos dias de hoje, deu muito trabalho passar por um sistema de educação, conseguir a inserção num mercado de trabalho, integrar a adoção de um modelo de sociedade onde a realização pessoal assenta no consumismo, voyeurismo e narcisismo egocêntrico. Foram anos de participação num projecto político e económico, construído por forças ideológicas benevolentes, resultante num grande número de mártires sociais amparados por suporte de vida em contínuo. Como poderá esta fórmula de sucesso ter resultado num terreno fértil para implantação de um egóico, divisionário, discurso de ódio?

E se a sociedade portuguesa decidir usar a democracia para valorizar forças normalmente associadas à sua destruição? Não será mais vantajoso à sociedade saber com o que conta? Dar expressão parlamentar ao que é o sentimento de parte significativa dos eleitores? Não seria mais perigosa a insurgência inesperada de força clandestina crescente por impedimento preventivo da sua representatividade política? Não seria anti-democrático, ou pior, uma maquilhagem da sociedade real, aplicar limitações aos possíveis resultados nefastos de uma plena democracia?

Renegar os que desesperaram é atitude fraternal? Desrespeitar os resultados eleitorais não é coisa de facho? Findar o diálogo por pura cegueira ideológica não é coisa de bronco? Temer ideologias é demonstrar fraqueza, uma descrença absoluta nos valores e ideais opostos, como se não houvessem argumentos cabais capazes de desconstruir populimos oportunistas.

O distanciamento social está a quebrar a sociedade. Da deriva num oceano de gente, em constante troca de ideias e experiências, fomos amedrontados, acossados, reduzindo a navegação aos que nos são mais próximos, alguns chegando mesmo ao pleno isolamento em naufrágio individual. Por força das circunstâncias a nossa tribo foi reduzida, com isso prejudicando a nossa tolerância, sabedoria e ponderação. A abertura de horizontes tem sido tentada no mundo online, aumentando os que são reféns de algoritmos ilusórios, criadores da ideia de que o “meu” sentimento é o sentimento de uma maioria pujante, dando força e alento para rugir, censurar, obliterar de forma ameaçadora sem ter noção da fragilidade dos seus alicerces.

Sei que pareço um ladrão facho…

Mas há muitos que eu conheço

Que não parecendo o que são,

São aquilo que eu pareço

Adaptação do original de António Aleixo (sem facho e sem rasura)

O Aprendiz

O Sr. Chega disse Basta! Basta do Chega? Ambas, embora acabe por não ser nenhuma! Confuso? Nem pensar, é produto mediático. Hoje dizem-se “Experiências Sociais”, outrora chamavam-lhes “Reality Shows”. A media é mesmo assim, uma indústria que se reinventa sistematicamente. Uma perpétua transformação, que tudo mantém igual, perfeitamente imutável. Aos mestres deste mundo da mudança, chamamos Produtores. O mestre de todos os mestres, é aquele que para além de produtor, é o protagonista. Ninguém como ele domina o momento mediático.

Diz o que pensa ou aquilo que o seu alvo quer ouvir? Ora, frases há, que pela sua simplicidade, resultam sempre – “É uma vergonha” exemplifica bem esta formula de sucesso. Quem disser o contrário é conivente, é beneficiário do sistema, é um situacionista. Bem, se tudo fosse perfeito no nosso país, fosse esta uma terra de equidade, justiça e bem-estar, sem burocracia, corrupção e compadrio, então garantidamente não teria audiência. As sondagens demonstram-no à saciedade. “Um escândalo!”? Não será sempre? Obviamente que sim.

Eis a genialidade do modus operandi – apelar à indignação que habita dentro de todos e cada um dos portugueses, aquilo que faz de nós uma “colectividade pacífica de revoltados”. Claro que se ao invés de Torga, citar Eça, dispara nas intenções de votos. Julgar é sempre mais fácil que reflectir. Haja polémica! Na falta dela, perante a escassez de ajudas, ele próprio a criará! Dirá, “Basta!”. Deixará o palco político, a ribalta mediática? Nunca! Demissão logo seguida de candidatura. Uma espécie de noite das facas longas, mas à luz do dia e sem facas. Apenas um sublinhar de quem manda. Extrema-direita? Sem doutrina coerente, é simplesmente um déspota, e no que à media e à comunicação moderna diz respeito, bastante esclarecido.

Nem O Aprendiz original se teria lembrado de algo tão brilhante como despedir-se a si próprio.

Camisa-de-Forças

A sempre célere e imparcialíssima justiça portuguesa congelou as contas da senhora engenheira, a próspera filha de seu pai, a empresária dos Santos. Eis como uma lendária sagacidade para os negócios foi tragicamente manietada entre nós. Como poderá esta nossa pujante e palpitante economia sobreviver a tamanha perda? Restar-nos-á algum engenho para inovar, órfãos que estamos de tanto empreendedorismo? Nitidamente que não! São os loucos anos 20 deste século. É vertiginosa a velocidade com que os sucessivos donos disto tudo tombam em desgraça. É trágico! Tudo nos corria tão bem. A soberania, o regular funcionamento das instituições, os brandos costumes… Tudo!

Bom, valha-nos a independência do nosso ministério público, sobretudo a sua absoluta imunidade à influência estrangeira, nomeadamente à de Angola, facto histórico cabal e inequivocamente comprovado pelo desfecho da irritante questão.

Alguns, que não eu, dirão que afinal somos uns vendidos, hipócritas sem princípios que vergamos ao peso do dinheiro, tenha ele origem legítima ou nem por isso. Outros, nos quais também não me incluo, defendem que afinal a justiça lusitana é mais lesta neste caso pois está numa cruzada contra a injustiça perpetrada contra o povo de Angola. Ambas são verdade, contudo são também meros instrumentos numa clássica (primária!) manobra de diversão.

Eis, quanto a mim, o facto, mais óbvio que escapa ao frenesim mediático destas semanas – Sumiram milhares de milhões de euros, 100% portugueses, ninguém foi preso, nem um tostão foi recuperado! Enquanto comentamos o dinheiro angolano, não indagamos o que se passou por cá. Em rigor somos nós, os eleitores e cidadãos deste país, que estamos manietados no discernimento, presos numa Camisa-de-forças.

Serena, Katar Moreira

Serena, Katar Moreira, disputa com a direcção do Livre o derradeiro ponto do primeiro Set. Anunciado o Set Point, fez-se silêncio, apenas se ouve o bater das bolas no fundo do corte. Ninguém sobe à rede. Entretanto, o plano de jogo não foi cumprido, o treinador diz-se surpreendido, os fãs mostram-se profundamente desiludidos. Errou no serviço, fez dupla falta: não só se absteve no voto de condenação como falhou a pancada mais emblemática do seu jogo, a Lei da Nacionalidade. Erro de principiante, a falta de pé ao servir poderá eliminar a tenista logo na primeira ronda do torneio.

Resta saber quem se está a tentar ver livre de quem…

A diversidade na representação parlamentar é bem-vinda, quando mais amplo o espectro, melhor. Contudo, a regeneração do sistema político por vezes começa pela regeneração das próprias forças regeneradoras, tumulto que poderá muito facilmente conduzir à sua própria extinção. Tipicamente o eleitor que neles vota é aquele que não se sente representado pelo sistema dito tradicional, tem expectativas elevadas, desiludi-lo é letal. Assim foi com o “Partido dos Reformados”. Ora, quando a eleita não marca a agenda pelo conteúdo, mas sim por sucessivos episódios de superficialidade, como sejam indumentárias de assessores ou considerações de desamor em debates quinzenais, não se lhe augura grande futuro no exigente mundo do ténis profissional. Foi tempo perdido em faits divers, uma presença em Court desperdiçada. A oportunidade para uma primeira boa impressão foi arrasada.

Pior só se resolver a frustração com a cartada do racismo.

 

A greve dos autómatos

Que dizer desta greve dos camionistas? Parece-me particularmente útil para perceber porque valores nos regemos como sociedade e como cidadãos.

O pré-aviso de greve foi feito com um mês de antecedência, sim, foram dados 30 dias para que cada um se organizasse para sentir o mínimo impacto possível em termos de abastecimento de combustível e de mantimentos.

O intuito de uma greve é exactamente esse, sentir-se o impacto da ausência de funções, avaliando se as condições exigidas serão ou não razoáveis face à redescoberta da importância da justiça e respeito para com os trabalhadores.

Uma boa parte dos portugueses está de férias, considerando uma maçada ter de lidar com este transtorno nesse momento de lazer. Eles estão a trabalhar 14h a 16h horas por dia, sem devida remuneração de trabalho extra, com um salário base de apenas 630 €? Agora não por favor, estou de férias…

Desta forma, em termos de aceitação da opinião pública, os motoristas de camiões partiram em desvantagem para esta greve, percebendo-o, o governo assoberbou-se de tal forma que decidiu assumir-se como campeão da defesa do lazer e tranquilidade veraneante, retesando músculos, aplicando um garrote asfixiante em busca da desistência por nocaute técnico.

E assim esta (tentativa de) greve demonstra-nos como a democracia pode ser moldada para assumir um autoritarismo de outros tempos, anulando, legalmente, o direito de uma classe laboral à luta por melhores condições.

Mais do que a paralisação são princípios que estão em jogo sendo um palco tão delicado que inclusive se nota o silêncio da oposição e parceiros de geringonça que noutras classes estiveram e/ou estariam lado a lado, visitando piquetes, pressionando o governo a resolver a situação. Poderá o facto de serem “apenas” 800 não valer o risco político?

No fim de contas temos que os motoristas estejam apenas a ter o canto do cisne, evidenciando como é crítico, para a segurança do sistema, acelerar a automação das suas funções. Governantes e patrões não deixarão passar isso em claro, poderiam ao menos ter a decência de proporcionar uns bons últimos anos aos trabalhadores, que até aqui tanto têm dado e prescindindo a troco de um salário mínimo nacional como base, mais outro como compensação pelas horas extra, risco e desgaste associados à sua profissão. Provavelmente até serão mais baratos do que robots mas, uma vez que se tornaram num grande risco político e económico, mais vale a despesa extra para autómatos coniventes do que este regabofe insurgente.

Manifestis Probatum

A data é festiva, a Nação Valente e Imortal celebra hoje o seu octingentésimo quadragésimo aniversário. Muitos Parabéns! O tempo deixou a sua marca, mas não envelheceu mal. Mantém boa figura, nem aparenta a idade que tem. Como todas as grandes divas, suscita dúvidas quanto à verdadeira idade. Muito embora o mundo, qual legião de fãs, celebre hoje o seu aniversário, a data de nascimento está envolto em polémica. Nem de outra forma poderia ser! Consideremos apenas algumas das hipóteses:

Tudo começou com a revolta de “o Conquistador” contra a sua progenitora. Talvez os pais da Nação não tenham sido tão egrégios quanto os avós, mas certo é que a vitória lhes sorriu nos campos de São Mamede, a 24 de Junho de 1128. Eis a primeira das datas a considerar. Completaríamos, daqui a apenas 32 dias, a bonita idade de 891 anos.

A hipótese seguinte, a 25 de Julho de 1139, data em que Rex Portugallensis se autoproclamou após a vitória na batalha de Ourique. Neste caso a festa dos 880 anos seria daqui a 63 dias. Confesso a minha simpatia para com personalidades resolutas, talvez por isso prefira esta data. Gosto da ideia de soberania sem pedir licença a ninguém.

Por último, a data de assinatura do Tratado de Zamora, a 5 de Outubro de 1143, momento em que o Reino de Leão reconhece a independência do Reino de Portugal. Deliciosa coincidência esta, onde somente 767 anos separam monarquia e republica. Neste caso o bolo teria 876 velas e a festa seria daqui a 135 dias.

Polémicas à parte, a data oficial é a de hoje, 840 anos após a Bula papal “Manifestis Probatum” outorgada a 23 de Maio de 1179 pelo Papa Alexandre III. Celebremos!

Está claramente demonstrado que, como bom filho e príncipe católico, prestou inúmeros serviços à Santa Igreja, com destreza militar superou intrepidamente as dificuldades, exterminou infiéis e propagou diligentemente a fé cristã, deixando assim nome digno de memória e um exemplo merecedor de imitação às futuras gerações.

A Sé Apostólica deve amar com sincero afecto e esforçar-se para atender eficientemente, em suas justas exigências, àqueles escolhidos pela divina Providência para o governo e salvação do povo.

Nós, portanto, por causa de suas qualidades de prudência, justiça e dignidade do governo, levá-lo sob a protecção de São Pedro, e conceder e confirmar pela autoridade apostólica para o seu excelente domínio, o reino de Portugal, honras completas do reino e a dignidade que corresponde aos reis, bem como todos os lugares que, com a ajuda da graça celestial, arrancou das mãos dos sarracenos e sobre os quais os seus príncipes cristãos vizinhos não podem reclamar nenhum direito.

E para que sua devoção e serviço a São Pedro, príncipe dos Apóstolos, e à Santa Igreja Romana possam crescer, decidimos estender essa mesma concessão a seus herdeiros e, com a ajuda de Deus, defendê-los por eles. No que diz respeito à nossa magistratura apostólica.

And Now For Something Completely Different: OE2019

O que levará alguém a abdicar de uma vida normal e abraçar a vida circense? É sabido que o mundo é das crianças e talvez por isso se diga que os palhaços são as estrelas da companhia, mas nem só de gargalhada se faz o espectáculo. Outros artistas brilham, tais como acrobatas, contorcionistas, domadores de feras ou ilusionistas, mas tal como o estado precisa de orçamento, o circo carece de malabaristas. Sendo um número já visto, a destreza exigida ao artista é competência rara e se o talento por um lado ajuda, por outro só a prática permite atingir a perfeição.

O público é implacável e não perdoa erros – Quando a cascata falha e a bola cai ao chão, a vaia é garantidamente estrondosa. Coisas da democracia, aproximam-se as Eleições Legislativas e muito embora metade do público não participe, todos tecerão a sua crítica, ou porque é eleitoralista ou porque não é suficientemente generoso e redistributivo. Provavelmente todos terão a sua razão, mas o seu a seu dono, o malabarista continua sem deixar cair nenhuma bola.

O verdadeiro artista é assim, sabe gerir a expectativa do seu público, sabe que não pode falhar, mas também sabe que nada supera o impacto de uma correcção in extremis, vulgo cativação. Orçamenta-se, mas não se gasta. Em finanças públicas, tal como no circo, usam-se estas técnicas antigas, gastas, mas eternamente actuais. É caso para dizer… e agora algo completamente diferente: absolutamente nada. Desmonta-se a tenda e parte-se rumo ao próximo destino. São nómadas!

Afiança

Pluralidade é para mim sinónimo de qualidade democrática. A diversidade pode até ser a solução contra a abstenção. Mais cores, mesmo recicladas, alargarão a palete de escolhas do eleitor português. Daltonismo nunca mais! Se o nascimento de uma nova força politica mobilizar pelo menos um abstencionista, então para mim já terá valido a pena.

Mobilizai-vos ò empreendedores do meu país, abraçai as vossas causas e avancem! Se causas vos faltarem, não faz mal, declarem princípios. Contraditórios ou não, a mera iniciativa colherá o meu aplauso. Não serei picuinhas, muito menos exigente. Cada vez mais me convenço que a democracia é um “negócio” de volume e como tal a riqueza emerge do somatório de pequeníssimos ganhos. A verdadeira cidadania é pragmática! Haja massa critica, a qualidade cedo ou tarde surgirá. Será o caso com esta nova força que Afiança o tacho a quem dele tenha recentemente sido privado? Não sei, duvido muito, mas nem por isso hesito na convicção das virtudes da diversidade. Venham mais, seja à Direita ou à Esquerda.

E como estão elas, a Direita e a Esquerda? A Direita digere com estóico silêncio a cisão na família, enquanto a Esquerda exulta sem alarido a chegada da nova força politica. A rentrée política foi assim antecipada pela concretização da ameaça há muito velada. Consta que do Largo do Rato à Rua da Palma, passando pela Rua Soeiro Pereira Gomes, muitos se preparam para contribuir na recolha de assinaturas. Eventualmente mobilizados pelo princípio que o inimigo do meu inimigo, meu amigo é…