Category Archives: Teorias da Conspiração

Difamação pura, dura e absurda, sensacionalista sempre que possível, mas genericamente acéfala e desprovida de respeito por credos, espiritualismos, ambientalismos, etc… Enfim, os “ismos” em geral e a parvoíce em particular.

Psicologia do Cumprimento de Cenário

Lançado em 1982, o USS Vincennes (CG-49) foi um Cruzador da Classe Ticonderoga, terceiro navio da US Navy equipado com o sistema de combate Aegis. Em 1988, em plena guerra Irão-Iraque o navio foi enviado para o Golfo Pérsico, missão durante a qual se tornaria tragicamente célebre, ao despropositadamente abater um avião comercial a 3 de Julho de 1988. A aeronave, um Airbus A300 da Iran Airways, matricula EP-IBU, realizava o voo 655, com origem no aeroporto de Bandar Abbas no Irão e com 290 pessoas a bordo. Nenhum sobreviveu.

Importa explicar que o aeroporto em causa também é utilizado pelos militares iranianos. Acresce que a região era, é e será um dos pontos mais “quentes” do planeta (assim continuará enquanto o mundo se mover a petróleo), pelo que o contexto em que o navio operava era bastante hostil, logo propenso a precipitações e mal-entendidos. Como sempre acontece nestas tragédias, as nações envolvidas trocam acusações, negam responsabilidades e apresentam dados contraditórios. Qualquer entendimento, reparação de danos ou pedido de desculpa leva anos, podendo até nunca acontecer. No caso, as famílias das vítimas foram indemnizadas pelos Estado Unidos da América, os militares envolvidos foram condecorados e nunca foi apresentado nenhum pedido formal de desculpas. Para a história fica a explicação que foi dada para o sucedido – Scenario Fulfillment, em português Cumprimento de Cenário, i.e., o fenómeno psicológico que precipita a concretização das condições exaustivamente treinadas: Perante situações similares, os automatismos tomam o controlo do discernimento. Assim foi, aquilo que a guarnição e o comandante viram nos seus monitores não foi aquilo que o sofisticado sistema Aegis lhes mostrava. Reagindo ao treino que receberam, tomaram a decisão que deles se esperava.

Por vezes este tipo de fenómeno ocorre no conforto das nossas casas, quando mesmo sem todos os factos, tomamos como certo aquilo que os dados não confirmam.

COVID19 – A saída (dark side)

Independentemente da sua origem o COVID19 está para ficar e teremos de (re)aprender a viver com ele. Se é uma zoonose, se veio de fora do planeta, se advém de reacções bioquímicas a agressões à vida, ou se é uma arma biológica criada com o propósito de reduzir a população mundial, a realidade é que, depois da sua manifestação e instalação, terá um grande impacto da definição do futuro da nossa sociedade.

Legitimamente ou não foi instalado um ambiente de terror, centrado num inimigo comum, que necessitará de terapia de choque ao modo como vivemos, a fim de garantir que não volte a ocorrer algo do género no futuro.

Passo a enumerar algumas das soluções/ameaças ao preservar do nosso modo vida.

Adiamento Eleições

O estado de emergência combinada com a recém adquirida agorafobia tornarão inviáveis a execução de campanhas e votações prolongando artificialmente a vida de vários governos, destacando-se de entre eles o dos USA. O que começou como declaração de estados de emergência e aplicação de leis marciais consolida-se como um bloqueio ao normal funcionamento da democracia, num formato plenamente aceite pela temente população.

Aceleração da sociedade digital

Quando o inimigo é invisível, quando qualquer um pode ser o seu transmissor, é perfeitamente justificável a monitorização plena de cada um de nós. Existe já a tecnologia que permite que cada um de nós seja monitorizado, a nível de biometria e localização geográfica, via wearable ou smartphone, apenas teremos de prescindir da nossa privacidade, aceitando a obrigatoriedade de não só usar um desses dispositivos como de nos comprometermos com check-ups diários que permitirão perceber se apresentamos sintomas suspeitos que nos poderão impôr o recolhimento até melhor averiguação. Está aberta a caça aos próximos pacientes zero, em nome da paz e segurança.

Por outro lado um dos principais transmissores de vírus é o dinheiro, ou os meios de levantamento (rede multibanco) ou de pagamento (terminais de pagamento). Dinheiro para quê? Se temos telemóvel temos apps e pagamentos por proximidade. Banir o dinheiro físico é garantir altos níveis de saúde. Ao mesmo tempo acaba-se com a economia paralela e passa a existir um controlo e registo detalhado de todas as movimentações de capital… Não mais será possível viver fora do sistema, mas a nossa saúde será de ferro! Fiquem à escuta pelos termos cashless e/ou cardless society.

Outro problema é a quantidade de pessoas que tiveram de ser elevados ao nível de heróis para se manterem nos seus postos, críticos à sociedade, enquanto o resto da população era apavorada com o alto nível de transmissão e mortandade. A sociedade não pode parar, ao mesmo tempo não é justo submeter esses heróis a níveis de risco tão elevados. Torna-se então necessário apostar na automação para que nada páre e se evitem mártires entre os heróis. Claro que existe um dilema entre a redução massiva de postos de trabalho sem diminuição massiva de população activa mas será preocupação para uma outra altura.

A maioria da população mundial foi remetida para uma vivência prolongada em isolamento social o que significou aumento do recorrer ao uso da Internet para serviços de streaming e comunicação. Isto provocou duas coisas, por um lado o engasgar da internet por outro a habituação a maior imersão digital. Há miúdos que de certa forma adoram o aumento das horas disponíveis para surfar, jogar e socializar online. Ao tornar a sociedade mais permeável às compras e vida online fica evidente a necessidade de melhores infraestruturas técnicas o que conduzirá a grandes investimentos para o materializar.

Ligado ao acima temos a tecnologia 5G que é uma alavanca essencial à mobilidade e à criação de smart cities. Apesar dos perigos que representa está aberto o caminho para justificar a sua aplicação sem demora nem reservas, garantindo uma melhor resposta das autoridades a calamidades inesperadas. Tudo para salvar vidas!

Vacinação Mundial Obrigatória

Pois… é a única maneira de salvar a humanidade, vacinar toda a população mundial contra esta nova ameaça que se espera recorrente. O tempo médio para criação de uma nova vacina são 10 a 15 anos. Milagrosamente indicam que a do COVID19 apenas precisa de pouco mais de um ano. O que estará mal? A burocracia de estudo e testes profundos? Ou a pressa de dar algum tipo de resposta à situação actual? Imaginem um mundo onde seremos forçados a tomar uma vacina criada nestas condições. Pode acontecer porque, lembrem-se, viveremos numa sociedade digital onde é possível barrar num click todos os acessos e meios de pagamento.

Novos donos disto tudo

Houve acções em mercados internacionais a cair mais de 50%, grandes empresas a abrir falência, quebra de turismo a fazer rebentar bolhas imobiliárias, grandes perdas são inevitáveis estando abertas as oportunidades para aquisições oportunistas e quiçá mesmo a ocorrência de muitas nacionalizações pelo mundo fora.

No final, após recuperação veremos quem mais ganhou com tudo isto e talvez aí perceber um pouco melhor a quem mais interessou todo este pânico e paragem global. Ou talvez não. Será mero acaso circunstancial.

Se a maioria destes vatícinios se verificarem no final, após alguma turbulência, tudo ficará mais ou menos na mesma, o evento COVID19 terá apenas servido para acelerar e desbloquear alguns impasses que impediam o encaminhar das sociedades para este tipo de estrutura, visionado por muitas elites como a ideal. Onde o controlo, decisão e acção são delegados absolutamente nas autoridades centrais e grandes corporações.

Teremos uma população mundial mais controlada, dependente, saudável e feliz no “progresso” verificado após a quase extinção.

A nossa liberdade acaba onde acaba a dos outros

Com o tempo e espaço que temos agora em mãos seria sensato questionar alguns aspectos da nossa existência. Talvez começando pela razão do sujeitar à clausura.

Um bom começo passa por perceber o que se passa no mundo, segundo os registos oficiais esta revolução começou em Janeiro, primeiro na China, Ásia, depois Estados Unidos, chegando à Europa ainda nesse mês, via França, Alemanha, Itália e Espanha. Só passado um mês do primeiro caso em Espanha é que Portugal entra no lote dos países oficialmente COVIDados para a pandemia.

Entre Janeiro e Março foram evoluindo as estatísticas sobre grupos vulneráveis, que permitiam perceber a gravidade da situação para os mais velhos e os com condições de saúde mais vulneráveis, bem como informação sobre o período de incubação.

Inicialmente, segundo os relatórios oficiais, só a China tinha uma situação alarmante, em termos de número de mortes, o que fez com que o mundo Ocidental subestimasse o que aí vinha. Quando no final de Fevereiro disparou em Itália o número de óbitos, já todos tinham sido apanhados de surpresa. Ficou óbvio que, ou haviam muitos mais casos não reportados, ou o tempo decorrido entre os primeiros sintomas e os óbitos deu a ilusão de ser maioritariamente um género de uma gripe relativamente inofensiva.

Esta latência de percepção, do real perigo a Ocidente, fez com que seja muito provável que, na altura em que a opinião pública foi sensibilizada para a reclusão social, muitos já seriam portadores / incubadores, pelo que a instintiva reunião familiar poderá ter perigado os grupos de risco, que deveriam ter sido resguardados antecipadamente, tivesse havido esse discernimento.

“FICA EM CASA!” foi o grito desesperado de uma população desnorteada pelo imediatismo da chegada de um vírus “fulminante”. Uns por medo de que lhes toque a eles ou aos seus, outros por um dever cívico de “suavizar” a pandemia, outros condicionados por pressão política, autoritária e/ou social.

A liberdade individual foi assim anulada por um suposto bem comum, como se todos tivéssemos as mesmas condições para atravessar um recolher prolongado confortável, como se todos fossemos dominados pelos medos e riscos inerentes a viver, como se todos os que pertencem aos grupos de risco estivessem dispostos a sacrificar a sua liberdade, a sociedade e o futuro de muitos por uma hipotética segurança contra o COVID19.

A maior justificação desta paralisia nacional é a de que não queremos o rápido asfixiar de um SNS, que já estava encostado às cordas no seu dia-a-dia, preferindo-se a lenta asfixia da economia e dos portugueses. Uma decisão política fácil do ponto de vista da aceitação popular. Pergunto-me pelo que se medirá o nível do seu sucesso? Falamos em salvar vidas? Quantas? Ou sobretudo diluir óbitos no tempo?

Quantas semanas terão de passar até que tudo isto seja equacionado? Até que compreendamos que não estamos a falar de uma ameaça que potencie a extinção da humanidade, ou sequer da população de um país? Só em Portugal morrem mais de 100 000 pessoas por ano! O COVID19 irá incrementar bastante estes números ou “roubar” óbitos às doenças que mais matam em Portugal?

Vivemos tempos difíceis para os decisores políticos e população, sendo fulcral uma informação factual e objectiva para que sejam tomadas, de forma transparente, as decisões mais sensatas de acordo com a informação disponível, pensando não apenas no imediato mas também no futuro a médio prazo.

Provavelmente muito em breve veremos uma transição do movimento de “Fica em Casa!” para um “Fica em casa?”. Até lá que cada um encontre o seu propósito de reclusão pois, por agora, sair à rua é um atentado à liberdade e direitos da comunidade.

Camisa-de-Forças

A sempre célere e imparcialíssima justiça portuguesa congelou as contas da senhora engenheira, a próspera filha de seu pai, a empresária dos Santos. Eis como uma lendária sagacidade para os negócios foi tragicamente manietada entre nós. Como poderá esta nossa pujante e palpitante economia sobreviver a tamanha perda? Restar-nos-á algum engenho para inovar, órfãos que estamos de tanto empreendedorismo? Nitidamente que não! São os loucos anos 20 deste século. É vertiginosa a velocidade com que os sucessivos donos disto tudo tombam em desgraça. É trágico! Tudo nos corria tão bem. A soberania, o regular funcionamento das instituições, os brandos costumes… Tudo!

Bom, valha-nos a independência do nosso ministério público, sobretudo a sua absoluta imunidade à influência estrangeira, nomeadamente à de Angola, facto histórico cabal e inequivocamente comprovado pelo desfecho da irritante questão.

Alguns, que não eu, dirão que afinal somos uns vendidos, hipócritas sem princípios que vergamos ao peso do dinheiro, tenha ele origem legítima ou nem por isso. Outros, nos quais também não me incluo, defendem que afinal a justiça lusitana é mais lesta neste caso pois está numa cruzada contra a injustiça perpetrada contra o povo de Angola. Ambas são verdade, contudo são também meros instrumentos numa clássica (primária!) manobra de diversão.

Eis, quanto a mim, o facto, mais óbvio que escapa ao frenesim mediático destas semanas – Sumiram milhares de milhões de euros, 100% portugueses, ninguém foi preso, nem um tostão foi recuperado! Enquanto comentamos o dinheiro angolano, não indagamos o que se passou por cá. Em rigor somos nós, os eleitores e cidadãos deste país, que estamos manietados no discernimento, presos numa Camisa-de-forças.

A greve dos autómatos

Que dizer desta greve dos camionistas? Parece-me particularmente útil para perceber porque valores nos regemos como sociedade e como cidadãos.

O pré-aviso de greve foi feito com um mês de antecedência, sim, foram dados 30 dias para que cada um se organizasse para sentir o mínimo impacto possível em termos de abastecimento de combustível e de mantimentos.

O intuito de uma greve é exactamente esse, sentir-se o impacto da ausência de funções, avaliando se as condições exigidas serão ou não razoáveis face à redescoberta da importância da justiça e respeito para com os trabalhadores.

Uma boa parte dos portugueses está de férias, considerando uma maçada ter de lidar com este transtorno nesse momento de lazer. Eles estão a trabalhar 14h a 16h horas por dia, sem devida remuneração de trabalho extra, com um salário base de apenas 630 €? Agora não por favor, estou de férias…

Desta forma, em termos de aceitação da opinião pública, os motoristas de camiões partiram em desvantagem para esta greve, percebendo-o, o governo assoberbou-se de tal forma que decidiu assumir-se como campeão da defesa do lazer e tranquilidade veraneante, retesando músculos, aplicando um garrote asfixiante em busca da desistência por nocaute técnico.

E assim esta (tentativa de) greve demonstra-nos como a democracia pode ser moldada para assumir um autoritarismo de outros tempos, anulando, legalmente, o direito de uma classe laboral à luta por melhores condições.

Mais do que a paralisação são princípios que estão em jogo sendo um palco tão delicado que inclusive se nota o silêncio da oposição e parceiros de geringonça que noutras classes estiveram e/ou estariam lado a lado, visitando piquetes, pressionando o governo a resolver a situação. Poderá o facto de serem “apenas” 800 não valer o risco político?

No fim de contas temos que os motoristas estejam apenas a ter o canto do cisne, evidenciando como é crítico, para a segurança do sistema, acelerar a automação das suas funções. Governantes e patrões não deixarão passar isso em claro, poderiam ao menos ter a decência de proporcionar uns bons últimos anos aos trabalhadores, que até aqui tanto têm dado e prescindindo a troco de um salário mínimo nacional como base, mais outro como compensação pelas horas extra, risco e desgaste associados à sua profissão. Provavelmente até serão mais baratos do que robots mas, uma vez que se tornaram num grande risco político e económico, mais vale a despesa extra para autómatos coniventes do que este regabofe insurgente.

Manifestis Probatum

A data é festiva, a Nação Valente e Imortal celebra hoje o seu octingentésimo quadragésimo aniversário. Muitos Parabéns! O tempo deixou a sua marca, mas não envelheceu mal. Mantém boa figura, nem aparenta a idade que tem. Como todas as grandes divas, suscita dúvidas quanto à verdadeira idade. Muito embora o mundo, qual legião de fãs, celebre hoje o seu aniversário, a data de nascimento está envolto em polémica. Nem de outra forma poderia ser! Consideremos apenas algumas das hipóteses:

Tudo começou com a revolta de “o Conquistador” contra a sua progenitora. Talvez os pais da Nação não tenham sido tão egrégios quanto os avós, mas certo é que a vitória lhes sorriu nos campos de São Mamede, a 24 de Junho de 1128. Eis a primeira das datas a considerar. Completaríamos, daqui a apenas 32 dias, a bonita idade de 891 anos.

A hipótese seguinte, a 25 de Julho de 1139, data em que Rex Portugallensis se autoproclamou após a vitória na batalha de Ourique. Neste caso a festa dos 880 anos seria daqui a 63 dias. Confesso a minha simpatia para com personalidades resolutas, talvez por isso prefira esta data. Gosto da ideia de soberania sem pedir licença a ninguém.

Por último, a data de assinatura do Tratado de Zamora, a 5 de Outubro de 1143, momento em que o Reino de Leão reconhece a independência do Reino de Portugal. Deliciosa coincidência esta, onde somente 767 anos separam monarquia e republica. Neste caso o bolo teria 876 velas e a festa seria daqui a 135 dias.

Polémicas à parte, a data oficial é a de hoje, 840 anos após a Bula papal “Manifestis Probatum” outorgada a 23 de Maio de 1179 pelo Papa Alexandre III. Celebremos!

Está claramente demonstrado que, como bom filho e príncipe católico, prestou inúmeros serviços à Santa Igreja, com destreza militar superou intrepidamente as dificuldades, exterminou infiéis e propagou diligentemente a fé cristã, deixando assim nome digno de memória e um exemplo merecedor de imitação às futuras gerações.

A Sé Apostólica deve amar com sincero afecto e esforçar-se para atender eficientemente, em suas justas exigências, àqueles escolhidos pela divina Providência para o governo e salvação do povo.

Nós, portanto, por causa de suas qualidades de prudência, justiça e dignidade do governo, levá-lo sob a protecção de São Pedro, e conceder e confirmar pela autoridade apostólica para o seu excelente domínio, o reino de Portugal, honras completas do reino e a dignidade que corresponde aos reis, bem como todos os lugares que, com a ajuda da graça celestial, arrancou das mãos dos sarracenos e sobre os quais os seus príncipes cristãos vizinhos não podem reclamar nenhum direito.

E para que sua devoção e serviço a São Pedro, príncipe dos Apóstolos, e à Santa Igreja Romana possam crescer, decidimos estender essa mesma concessão a seus herdeiros e, com a ajuda de Deus, defendê-los por eles. No que diz respeito à nossa magistratura apostólica.

And Now For Something Completely Different: OE2019

O que levará alguém a abdicar de uma vida normal e abraçar a vida circense? É sabido que o mundo é das crianças e talvez por isso se diga que os palhaços são as estrelas da companhia, mas nem só de gargalhada se faz o espectáculo. Outros artistas brilham, tais como acrobatas, contorcionistas, domadores de feras ou ilusionistas, mas tal como o estado precisa de orçamento, o circo carece de malabaristas. Sendo um número já visto, a destreza exigida ao artista é competência rara e se o talento por um lado ajuda, por outro só a prática permite atingir a perfeição.

O público é implacável e não perdoa erros – Quando a cascata falha e a bola cai ao chão, a vaia é garantidamente estrondosa. Coisas da democracia, aproximam-se as Eleições Legislativas e muito embora metade do público não participe, todos tecerão a sua crítica, ou porque é eleitoralista ou porque não é suficientemente generoso e redistributivo. Provavelmente todos terão a sua razão, mas o seu a seu dono, o malabarista continua sem deixar cair nenhuma bola.

O verdadeiro artista é assim, sabe gerir a expectativa do seu público, sabe que não pode falhar, mas também sabe que nada supera o impacto de uma correcção in extremis, vulgo cativação. Orçamenta-se, mas não se gasta. Em finanças públicas, tal como no circo, usam-se estas técnicas antigas, gastas, mas eternamente actuais. É caso para dizer… e agora algo completamente diferente: absolutamente nada. Desmonta-se a tenda e parte-se rumo ao próximo destino. São nómadas!

Espelho de Diana

Ao contrário do que a leitura do título possa denunciar, este texto não é nem reflexo, nem evocação da data, leia-se a efeméride do desaparecimento da outrora “sua alteza real”, para sempre “princesa do povo”, a malograda Diana Spencer. Negativo! A Diana hoje é outra, é mitológica. Não é propriamente a protagonista, mas está no centro da trama. Ora, a mais casta das deusas romanas, irmã gémea de Apolo, filha de Jupiter e de Latona, deusa da Lua, dos animais e da caça, está na origem do nome que há dois mil anos os romanos davam ao lago que hoje conhecemos com Lago Nemi, mais concretamente Speculum Dianae, latim que em bom português significa “espelho de Diana”.

A fama deste pequeno lago também se fica a dever a um dos mais inusitados projectos de construção naval de todos os tempos, pois foi naquele local que o imperador romano Calígula mandou construir (pelo menos) dois navios com mais de 70 metros de cumprimentos, feito cujo único propósito se julga ter sido satisfazer a sua megalómana personalidade. A sua cruel excentricidade foi tal que Cláudio, o seu sucessor, tudo tentou para apagar todo e qualquer vestígio do seu legado. Mandados afundar, os navios permaneceram no fundo até que em pleno século XX o ditador Benito Mussolini mandou drenar o lago fazendo-os emergir gradualmente.

As duas jóias de arquitectura naval foram então transportadas para um museu especialmente construído para as albergar, mas lamentavelmente não sobreviveram ao incêndio que as destruiu completamente em 1944. As causas do fogo nunca foram esclarecidas, se por acção de militares alemães em retirada ou por acção de bombardeamento aliado. Afundados por Cláudio, preservados submersos durante séculos, uma vez resgatados, os navios sucumbiram ao fogo. Ironia do destino? Certamente, pois o sucessor de Cláudio foi Nero, o pirómano.

El País de Papel

El País de Papel é uma série portuguesa do gênero de filmes de assalto. A série estreou em 2005 tendo sido relativamente incompreendida pelo grande público até final de 2014, altura em que atingiu picos de audiência nunca antes vistos em Portugal sendo ainda hoje uma das mais vistas em prime time.

Um homem misterioso que atende pelo nome de El Pobre Provinciano, planeja o maior assalto do século. A fim de realizar o ambicioso plano ele recruta pessoas com certas habilidades que não têm nada de seu a perder. O objectivo é a infiltração no País da Moeda, de modo a que possam volatilizar  milhares de milhões de euros. Para o fazer precisam de centenas de dias de governação, durante os quais vão ter que lidar com dez milhões de reféns e as forças dos reguladores de elite, com cenas de muita pompa, fanfarra, elegância amnésica em grande latosa e planos brilhantes de El Pobre Provinciano, que depois um processo de transformação na cidade de luz, de onde regressa El Marquês, acaba por ser detido no seu regresso em momento de vulnerável saudade.

É este o ponto em que estamos, o séquito d’ El Marquês, convenientemente mestre de Tortura em Democracia, digladia-se publicamente com os defensores da lei procurando reconquistar a liberdade plena, a opinião pública e a vaidade egocêntrica que define os praticantes do seu ofício.

Não perca os próximos capítulo pois por agora a única certeza é o prejuízo acumulado que desfalca El País de Papel.

UnBrexit

As relações bilaterais do Reino Unido com a Rússia remontam ao século XVI, mais precisamente a 1555, ano em que através da “Companhia Russa” foi institucionalizado o monopólio de todo o comércio anglo-russo. Reinavam Maria I do lado britânico e o Czar Ivan IV do lado russo. A monarca britânica, primogénita do segundo dos Tudor e primeiro dos protestantes – o mulherengo Henrique VIII, ficou entre os seus súbitos conhecida como Bloody Mary em virtude da sua vã, mas sangrenta, tentativa de reverter a reforma protestante iniciada pelo pai. Já o Czar de todas as Rússias, Ivan IV ficou para a história conhecido como O Terrível, cuja sagaz mas intempestiva personalidade conduziu, num momento de ira, ao assassinato do seu filho e herdeiro. Enquanto Bloody Mary governou contra o legado de seu pai, foi o próprio Ivan O Terrível que negou o legado ao seu primogénito.

Desde então, Rússia e Reino Unido têm sido tanto inimigos como aliados, conforme circunstâncias e oportunidades. Os contrastes e simetrias mantêm-se: O Reino Unido, uma democracia parlamentar cujo poder executivo é hoje liderado por uma senhora, que tal como Bloody Mary, tenta em vão remar contra a corrente, leia-se Brexit. Enfrenta enormes desafios, quer no plano doméstico, quer no plano internacional; A Rússia, uma democracia autocrática, tem hoje um novo tipo de Czar, tão sagaz como Ivan o Terrível, mas que ao contrário deste não manifesta qualquer tendência para a impulsividade. Frio e implacável como o “General Inverno”, suportado pela oligarquia da energia, tem assumido um papel cada vez mais consolidado como protagonista global.

Eis como a circunstância pode constituir uma oportunidade. Tudo quanto o Reino Unido tem em comum com a União Europeia não foi suficiente para evitar o resultado do referendo ao Brexit. Reverte-lo obrigará a uma mudança de fundo. Nada como um inimigo comum! Se o que somos não nos une, então talvez aquilo que não queremos ser o consiga!