Category Archives: Teorias da Conspiração

Difamação pura, dura e absurda, sensacionalista sempre que possível, mas genericamente acéfala e desprovida de respeito por credos, espiritualismos, ambientalismos, etc… Enfim, os “ismos” em geral e a parvoíce em particular.

Uma teoria como outra qualquer

A chuva extinguiu as chamas, mas não apagou os incêndios. Concretizada a adiada demissão, antes que a oposição pudesse (re)apontar a mira para a área da defesa, surgem boas novas à continuidade do respectivo ministro. Pelo menos assim aparenta. Bom timing ou mera coincidência? Não sabemos. As denúncias anónimas têm destas coisas, eternizam as dúvidas sobre os propósitos que lhes estão na origem. Continuamos sem saber se foi roubo, extravio ou ajuste ao inventário, mas o desfecho afigura-se apaziguador dos espíritos mais susceptíveis. Ou talvez não, talvez a ausência de um rigoroso e detalhado relato da ocorrência faça perdurar o sentimento de insegurança na sociedade lusitana. Haja por isso uma narrativa, eventualmente absurda, mas todavia tranquilizadora. Ei-la:

Certa noite de Verão, um grupo indeterminado de indivíduos de má índole deambulavam por uma das freguesias do Concelho de Vila Nova da Barquinha quando esbarraram com um rombo numa antiga e descuidada vedação. Curiosos, penetraram no perímetro e indagaram que oportunidades nele se lhes ofereciam. Alguns edifícios remotos sobressaíram no terreno e quando constataram que a porta estava trancada, concluíram ser ali que o seu prémio se escondia. Arrombada a porta e abertas algumas caixas, muito embora não reconhecendo utilidade prática ao conteúdo, decidiram levar algumas. Depois se veria que destino lhes dariam. Assim foi, a coberto da noite, motivados pelo perverso gozo do furto, optaram por a braço transportar algumas centenas de quilos. Caminharam sem rumo, ao longo de meses e aquilo que começou por ser uma aventura excitante, transformou-se numa desgastante e aborrecida rotina. O sinuoso trajecto percorrido mais não fora que um passeio em círculo. Foi então que o grupo decide pôr fim à desventura e após acesso debate, decide abandonar ali mesmo o seu fardo. Movidos pela inveja, decidem-se pela denúncia anónima, um derradeiro e soez gesto que apenas visavou impedir que outros turistas colhessem o fruto do seu “trabalho”…

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Içados do Lixo

Meia dúzia de anos volvidos, eis-nos subtraídos ao entulho, içados do lixo pela majestática e impoluta instituição de notação financeira. A agência em causa, que tal como as demais, jamais foi contaminada pela falha, equívoco ou erro, proferiu o seu magnânimo e positivo parecer. Celebremos! A festança será obviamente manchada pelo já habitual debate reivindicativo do mérito entre o actual e o anterior governo da República. Esta disputa tem um, e um só, ponto de convergência entre as partes em contenda. Ambas enaltecem os heróis do feito, nomeados voluntários à força para esta causa, os contribuintes portugueses. Pessoalmente dispenso o gesto de reconhecimento, pois não só é manifestamente hipócrita, como é um atestado de infantilidade que a todos nos passam. Se assim não fosse, os protagonistas não disputariam entre si louros ou glória pela ascensão no nível do aterro das dívidas soberanas.

Insultam-nos com os seus elogios fúteis e a sua descarada falsa modéstia. Falsa quer por falta de humildade dos actores, quer por ausência de fundamento. Os riscos mantêm-se e, como sempre, os avisos repetem-se. Estamos no domínio do menos mau, entusiasmados com pouco. Habituados ao nada, nem questionamos a “dádiva”. Gratos, congratulamo-nos, resignados ao incontornável poder dos mercados e dos seus agentes, não democráticos e por isso ditos idóneos. A economia de mercado de outrora confunde-se hoje com a ditadura da finança. Acabaram os estados soberanos, daí o desinteresse e a abstenção crescente. No fundo, mesmo quando não reflectimos sobre onde reside o verdadeiro poder, sabemos sempre quem manda. É triste que tudo isto se tenha tornado banal.

 

Cerco à Sardinha

Celebrados os feriados dedicados aos Santos Populares, finda a festividade e cumprida a tradição, eis a mais recente demonstração de subjugação da nação. Por cá andamos há mais de 8 séculos, mas aparentemente não nos sabemos governar nem precaver. Felizmente, há quem olhe por nós, há quem nos coloque na linha. Desta feita a sapiência provém de Copenhaga, na Dinamarca, sede do International Council for the Exploration of the Sea (ICES), entidade que aconselha a soberana Comissão Europeia em matérias de pescaria. Segundo o mais recente parecer, parece que estamos a dizimar a espécie cientificamente designada por Sardina pilchardus, vulgo Sardinha. Tal atentado à biodiversidade é perpetrado pela frota portuguesa de pesca de cerco, arte de captura realizada por cerca de 130 pequenas embarcações. Estas terríveis fábricas de destruição, realizam viagens diárias para pescar na vizinhança dos seus portos de origem, fazendo-o até 180 dias por ano, descansando pelo menos 2 dias por semana. Uma inexorável máquina de extermínio.

A indefesa Sardinha, impotente contra a implacável sofisticação destes “navios não-fábrica”, está condenada à extinção. Ao invés de embalado e congelado, imagine-se, o pescado chega a terra fresco! É de uma crueldade atroz. Conclusão? Quinze anos de interdição de pesca! Os ditos cientistas, suportam a sua recomendação em modelos matemáticos e probabilidades. Tudo muito científico…

Contudo, é a própria comunidade científica que reconhece desconhecer as razões para as variações extremas na abundância das pequenas espécies como a Sardinha. Classificado como fenómeno, a variação extrema na abundância destas espécies é uma certeza, mas está por explicar. As relações entre as condições atmosféricas e oceânicas não são claras, nem os mecanismos associados estão identificados, mas há no entanto quem não hesite em invocar a infalibilidade do modelo matemático. Só não é estranho porque é tristemente previsível. Entre nós, a pesca da Sardinha gera perto de 30 milhões de euros por ano, sendo rentável, quer-se extinta. Há muito produto de aquicultura e ultracongelado por importar!

 

Olhos nos olhos

Antes de mais devo dizer que vejo cada vez menos televisão. Noticiários para ser mais específico. No entanto não quer dizer que não seja bombardeado com “informação” através doutros meios de comunicação. Vivemos a era em que a informação é tão abundante que se torna a era de desinformação, se não tivermos o cuidado de a filtrar.

Nos breves minutos de “zapping” há algum tempo que sentia a falta de Medina Carreira na TV. Julguei que tivesse sido afastado como muitos outros, pois na realidade o seu “pessimismo”, pelo qual era conhecido, não o tornava popular. Li um dia alguém a referir-se a Medina como um “senhor que só dizia mal de tudo”.
Devo dizer, que eu próprio quando via a rubrica “olhos nos olhos” com a Judite Sousa, no fim só me apetecia “cortar os pulsos”. E este sentimento devia-se à forma como Medina Carreira falava com números e gráficos, que não deixava espaço para o “ah ele está a inventar”. Duma forma despreocupada, quer colocasse em cheque o Governo, o partido “A” ou “B”.
Poderão alguns apontar que Medina era um dos representantes do sistema bicéfalo que governa Portugal, por já ter sido Ministro das Finanças, ainda antes de eu ter nascido. Mas tal pode ser visto, não como uma cruz que carrega, mas pelo conhecimento que obteve dos meandros da política nacional. Além disso desde há muito tempo que estava afastado de qualquer interesse politico actual ou futuro, o que lhe permitia dizer o que entendesse, agradasse ou não o espectador.
E é precisamente o contrário disto que se vive hoje na gestão de informação dos órgãos de comunicação. Cada entidade (partido, clube de futebol, associação de qualquer tipo), duma forma mais complexa ou simples, gere a informação que quer que chegue às massas. A importância deste departamento invisível, da sua forma de actuação, por vezes pouco ética, é crucial para o sucesso destas entidades.
Colocam-se pessoas a “mastigar” informação, como comentadores “independentes” ou em debates,  conduzindo o espectador a formar uma opinião com pouco esforço cerebral. As suas motivações são organizativas e pessoais, por esta ordem de valor. Mesmo que quisessem ser independentes não conseguiriam, pois provavelmente acabariam por não ter aquele tempo de antena.
O lobby ainda compensa em demasia em Portugal.
Até podemos tentar compreender a abundância do lobismo com base na exploração a que o português foi sujeito, desde os tempos mais remotos da história do nosso país. Mas não podemos aceitar que tenhamos de pertencer a uma organização para nos sentirmos protegidos nos nossos direitos e disso tirarmos benefícios. Quando cada lobby puxa para o seu lado e os governos movem-se conforme os seus próprios lobbys, perde o país, perde o cidadão comum.
Lamento o desaparecimento de Medina Carreira pois são raros aqueles que como ele opinam, não alinhados com o modo vigente do pro ou contra, sem um objectivo pessoal. Ouvi-lo era credibilizar um pouco a informação.
Sim, talvez para alguns pudesse parecer um louco revoltado, mas para mim via bem melhor com um olho fechado e outro semicerrado do que a maioria das pessoas com os dois bem abertos.

Parada de Montalvo

Ali tão perto da cidade do Entroncamento, o Polígono de Tancos é igualmente pródigo em fenómenos, especialmente do género militar. Há pouco mais de um século, o então ministro da guerra, General Norton de Matos classificou a instrução do tragicamente célebre CEP – Corpo Expedicionário Português como o “Milagre de Tancos”. Em apenas 3 meses, o exército português transformou jovens agricultores em aptos e combativos guerreiros. Tamanho feito foi consagrado a 22 de Julho de 1916 numa cerimónia que ficou conhecida como “A Parada de Montalvo”. Perante as mais altas individualidades do estado, bem como dos embaixadores dos países aliados, desfilaram ordenadamente as unidades de Cavalaria, Artilharia e Infantaria. Contudo, nenhuma manobra de propaganda, por mais bem orquestrada, poderia alguma vez ocultar o grau de impreparação destes 20.000 portugueses para a guerra de trincheiras onde foram lançados. Deram corpo à expressão “carne para canhão”.

Desfila hoje, em parada mediática, outro fenómeno – Foram roubadas armas ao Exército português. Foi em Tancos! Debate político e público intenso, mas pouco imaginativo. Todos debatem o tema nos mesmos termos, escrutinando apenas as questões burocráticas ou processuais, deixando as perguntas óbvias por fazer. O intenso frenesim noticioso, repleto de factos, dados e detalhes, relata-nos uma acção relâmpago, perpetrado pela calada da noite, mas quais os indícios concretos que assim foi? Qual o hiato de tempo entre o roubo e a sua detecção, alguém sabe? Data do último inventário? Terá sido um acto único ou uma prática continuada?

Talvez os inquéritos (quiçá) já em curso possam esclarecer estas dúvidas, talvez haja até quem já esteja a investigar o destino destas armas…

 

Crise de Julho

Um venerável ancião, senhor de vastos recursos e riquezas, muito influente junto dos seus vizinhos, foi certo dia afrontado por um pequeno estado soberano. Insignificante quando comparado com o ultrajado império, o insolente reino apoiara os terroristas que assassinaram o sucessor e herdeiro de Francisco José I, Imperador da Áustria, Rei da Hungria, da Croácia e da Boémia. A Casa dos Habsburg-Lothringen, dinastia com mais de dois séculos, vingar-se-ia da afronta. A Sérvia pagaria pela sua ousadia. Violenta e breve, a punição seria exemplar, circunscrita e regeneradora. Outra potência, o Império Alemão, dera o seu aval e incondicional apoio ao plano disciplinador. Aos sérvios foi então enviado “o mais formidável documento”, ponderado e redigido para ser inaceitável, um ultimato com um único propósito, a guerra. Aquela que seria uma contenda local, rápida e decisiva, culminou no primeiro dos conflitos militares mecanizados à escala global, a Primeira Guerra Mundial, a mais mortífera, devastadora e ruinosa até então. Um monumental exemplo de estupidez humana.

Se nas próximas semanas este exemplo com mais de um século parecer actual, não estranhe, é mera coincidência. Corre hoje, noutras e longínquas paragens, um ultimato a um pequeno reino. Insolente, terá apoiado o terrorismo, terá também afrontado uma poderosa dinastia com mais de dois séculos, também ela liderada por outro nobre ancião, rico em recursos e influência. Uma vez mais, perspectivam-se interesses locais e pontuais, negligenciando a imprevisibilidade das consequências à escala global. Esperemos que ao contrário do que afirmou Einstein, apenas o universo seja infinito e a estupidez humana encontre limite a tempo.

Harry Potter

Um caso de incomparável sucesso na passagem da literatura à 7ª arte, o clássico do cinema de hoje teve, ao que se diz, influência lusa. A autora, a escritora J.K. viveu entre nós, inspirou-se em figurões e paisagens da nossa terra. O êxito comercial do primeiro livro teve continuidade nos subsequentes. Um feito raro na literatura juvenil, a saga facturou a uma escala sem precedentes na era digital. A chegada ao cinema foi por isso natural.

Nesta saga, um jovem bruxo, Harry Potter de seu nome, descobre que vive no mundo das pessoas comuns, dos chamados trouxas. A fim de aprender mais feitiços, o nosso herói entra no mundo da magia, ingressa na melhor escola lá do sitio, o caro e exclusivo colégio de Hogwarts. São estes anos de internato, de vida dura e austera  que os filmes retratam com mestria, dando corpo à fantasia de um mundo incrível, povoado por terríveis monstros, magos, bruxos e bruxas, feitiços e maldições. Ao jovem aprendiz a banalidade não lhe serve, muito embora possa ser útil, pois quanto mais trouxas melhor, mais fácilmente cria valor ao accionista: A energia não é cara, os trouxas é que vivem em barracas!

Chegado à idade adulta, faz-se pagar bem por cada truque de magia, eficaz como poucos, soma triunfos e lucros para a companhia. Nenhum accionista ficou por enfeitiçar, não faltaram prémios de gestão, mas qual grande líder, ficámos hoje a saber que afinal partilha o mérito. Garante que não houve decisão que não tenha sido colegial…

A teoria do big bang-bang

Numa única visita o bobo bully americano foi peremptório e esclarecedor. Depois de um lucrativo armar das arábias, lamentar-se num muro tão diferente do que quer construir,  seguiu para estarrecer o Papa, para por fim avisar os seus aliados de que devem pagar mais pela garantia da sua defesa, avisando-os também que terá de repensar  a adesão ao acordo de Paris sobre o clima. Foi de tal forma que nem os experientes líderes europeus conseguiram esconder a sua estupefacção perante os actos e os ditos deste novo líder supremo.

Em resposta Merkel alerta que a Europa deverá deixar de olhar para os Estados Unidos como um amigo do peito em quem se ponde confiar, de quem se pode depender, serão agora mais como um velho conhecido simpático do qual esperamos que não ajude nem atrapalhe. Em arrasto inclui o Reino Unido neste reajuste relacional. Caso isto se traduza em medidas reais falamos de uma potencial revolução da militarização europeia.

Trump é um empreendedor nato, com uma forte mentalidade comercial, o seu discurso passado e presente indicia que por si os custos de intervenções militares americanas, supostamente para defender interesses internacionais ou de terceiros, devem ser partilhados por todos os beneficiados. Desta forma a agenda americana seria executada com muito menor peso na factura orçamental. Uma transição do papel de ‘polícia benevolente’ para ‘mercenário benevolente’.

Por outro lado na Europa existem dezenas de milhares de militares americanos espalhados por centenas de bases. Qualquer tipo de retaliação à nova orientação americana passaria por diminuir radicalmente a manutenção da sua presença militar em solo europeu. Desta forma seria relançada a agenda da constituição de um exército europeu unificado, de uma modernização do armamento europeu, que permitisse a independência plena não só na defesa territorial como na intervenção internacional.

A nível mundial continua o reforço de armamento por parte das grandes potências, como que se preparando para cenários de braço de ferro em que o poder de fogo das suas Forças Armadas será músculo essencial.

Mais uma vez a força parece ser a única via conhecida pelos camelos que percorrem o deserto de ideias sem nunca se cruzar com o lendário oásis verdejante que uns loucos decidiram desmilitarizar.

E assim se eterniza a guerra psicológica, a roçar o terrorista, de imposição da paz pela força das armas ao invés de inviabilizar a guerra pela ausência de armas.

Expo Défice

Parece que foi ontem, mas a inauguração da Exposição Mundial – Expo 98 aconteceu hoje, há precisamente 19 anos. Vivíamos então dias de modernização e confiança, de cultura e diversidade, uma festa patrocinada pelo infinito el dorado que se avizinhava! Reinava então o optimismo, a euforia e a crença num futuro risonho. O país dava mostras de dinamismo ao mundo, e este compareceu em peso na renovada zona oriental da velhinha cidade de Lisboa. Foi giro, foi diferente. Depois voltámos às nossas rotinas, ao ancestral lamento e revolta inconsequente. Mas, felizmente apenas meia dúzia de anos depois, outro grande evento, desta feita desportivo. Era a receita de Porter. Estivemos perto, mas não fizemos a festa, na verdade vimo-nos gregos, quer no inicio quer no fim. Ficaram os estádios, e a conta claro! Meia dúzia de anos depois, íamos de pac em pac. Já não foi nada giro, e pior ficou quando nos foi aplicado o castigo. Chamaram-lhe ajustamento. Único e inevitável remédio, para o qual não houve alternativa. Não fomos piegas, e qual óleo de fígado de bacalhau, tomamos o frasco todo.

Já acostumados à terapia, foram chegando as boas noticias, as euforias! O deslumbramento propriamente dito começou com a conquista do campeonato da Europa de futebol. Deslumbrados desde então, vitimas de optimismo irritante, não parámos! Celebramos por menos e sobretudo, gastando menos, mas já voltamos à festa. Depois do crescimento recorde, dos juros negativos, a boa noticia de hoje é o anuncio da recomendação da comissão europeia para por fim ao procedimento por défice excessivo, logo hoje, no dia do nascimento de compositor da Cavalgada das Valquírias, Richard Wagner, o que por certo não será uma mera coincidência.

Anti-Fascismo Vacinacional

Retornado de umas férias, ao estilo retiro offline, constato que a polémica sobre a vacinação deu ainda muito que falar. Vi em diferido o Prós e Contras dedicado ao tema da vacinação onde o único contra-peso à altura do painel, 100% defensor da vacinação, foi José Cruz, que refutou conclusões científicas com conclusões científicas colocando algumas questões pertinentes que foram habilmente contornadas pelo painel.

Nas redes sociais este tema levantou os movimentos de inquisição do costume, com trolls incendiários a incinerar todo aquele que demonstrasse dúvidas sobre a necessidade de uma vacinação obrigatória.

Apesar do Sarampo ter sido a origem da discussão esta é muito mais vasta. Quando se fala de vacinação deve olhar-se para cada vacina como um caso isolado, existindo vários espectros de aceitação, desde as que não têm resistência à toma às que são altamente colocadas em causa.

Basicamente existem os que têm confiança cega na medicina e os que dela desconfiam procurando saber um pouco mais sobre a relação custo vs benefício de cada vacina. A medicina blinda-se exigindo estudos com aceitação científica que contradigam os benefícios das vacinas. O outro lado da barricada realiza estudos contraditórios, análise estatística dos dados conhecidos e a adopção de terapêuticas não convencionais.

Quem se posicione ao centro, esteja disponível para ouvir o que tem cada um deles a dizer, perceberá que não existem certezas nem garantias de protecção absoluta em qualquer um dos lados. Ambos apresentam argumentação válida, ambos têm um nível de risco associado. Pelo que me parece que a solução mais sensata será realmente o da manutenção da não obrigação da vacinação. Isto porque as hipotéticas consequências nefastas da vacinação ou não-vacinação não atravessam os grupos populacionais em causa. A argumentação de que os pais não devem deter esse poder sobre as vidas dos seus filhos choca com o livre-arbítrio existente para a escolha de uma religião, uma crença, uma filosofia de vida, não temos necessariamente de aceitar e compreender, temos sim de ser tolerantes. Relembro que esta não é uma escolha vinculativa nem totalitária, podem ser recusadas ou adiadas a toma de apenas determinadas vacinas e a qualquer momento pode ser retomado o programa de vacinação, total ou parcial, se expressa essa vontade ou necessidade.

O que me parece sensato é aproveitar este momento para juntar ambas as partes a fim de organizar um estudo comparativo a longo prazo do estado da saúde física e psíquica de população vacinada vs população não vacinada. Julgo que seria do interesse de todos este tira-teimas, garantindo-se em simultâneo um acompanhamento mais próximo da população não vacinada que hipoteticamente se encontra em maior risco. Desta forma daqui a umas décadas seria possível constatar com dados concretos, em cenário contemporâneo, quais os benefícios e prejuízos de cada uma das opções.

Numa tentativa de diminuir o nível de linchamento dos não vacinantes passo a compilar alguns pontos de vista sobre a matéria que espero possam levar a um melhor entendimento do porquê deste movimento emergente de anti-vacinação (total ou parcial).

Argumentação Pró-vacinação Argumentação Anti-vacinação
As vacinas evitam anualmente milhões de mortes e potenciais sequelas graves em todo o mundo. Este número expressivo provém de um acumulado estatístico. No mundo existem milhares de milhões de humanos. Numa análise local, a cada país, estas mortes, apesar de lamentáveis, correspondem a uma ínfima porção da população chegando a vacinarem-se milhões para evitar centenas de mortes potenciais com origem numa doença específica.

Por outro lado não existem estudos a longo prazo sobre efeitos colaterais de vacinas com indicação de mortes e sequelas graves provocadas pela sua toma, mesmo que só manifestadas décadas depois da toma. Nem sequer está facilmente acessível, como acontece com os restantes medicamentos, uma bula para cada vacina com as normais contra-indicações e potenciais problemas decorridos da sua toma.

O estudo alarmante que estabelecia uma ligação entre uma vacina específica do Sarampo e o aumento de casos de autismo foi provado ser uma fraude. Não existe apenas um estudo, existem centenas de estudos a apontar para essa mesma  conclusão. Para além desta vacina em particular existem estudos que analisam potenciais efeitos de outras vacinas.
A vacinação é a única forma de garantir a protecção ou imunidade contra um conjunto de doenças comuns e severas que podem conduzir à morte. Nas últimas décadas assistiu-se a grande evolução de aspectos essenciais à construção de um sistema imunitário forte como a higienização pessoal, limpeza de espaços onde se vive,  cuidados de nutrição com alimentação equilibrada, prática de estilos de vida potenciadores de saúde, bem como são cada vez mais adoptadas terapêuticas não convencionais que apresentam resultados comprovados quer na prevenção quer no tratamento.
As vacinas em utilização são comprovadamente seguras e eficazes. Alguns exemplos de situações ocorridas no passado noutros países:

O conhecimento científico em que se baseiam as práticas de medicina ocidentais deve ser reconhecido como uma verdade absoluta pois é fruto de trabalho minucioso realizado por especialistas ao longo do tempo. A medicina ocidental ostracizou e ridicularizou práticas como o yoga, vegetarianismo, medicina tradicional chinesa, etc, que décadas mais tarde veio a reconhecer como altamente benéficas para a saúde.

A medicina ocidental age de acordo com o conhecimento que detém ao momento, sem flexibilidade para encaixar aproximações alternativas, sendo extremamente lenta na desconstrução de dogmas instalados. Para agravamento da situação existem em acréscimo fortes lobbies com interesses económicos capazes de colocar obstáculos em  certos rumos da ciência médica quando isso coloca em perigo a rentabilidade do seu negócio.