Author Archives: Nuno Faria

Lições Confinadas

Os telejornais voltam a dar prime time aos crimes, ao futebol, aos escândalos popularuchos, é um bom sinal, de retoma da anormalidade pré-pandémica.

Foram largos dias de isolamento social, propícios ao cultivar de pensamentos por aqueles que conseguem escapar aos grilhões dos media e sua fábrica de realidade desejada.

No decorrer desse processo passei por estas estações de raciocínio.

Dissonância Imunitária

Os maiores grupos de risco padecem de más condições de saúde, associadas a continuados maus hábitos de vida ao longo de décadas. Estima-se que milhões de Portugueses compõem estes grupos de risco.

A solução não tem passado por promoção da correcção de hábitos de vida, sobretudo alimentares, mas sim por uma promessa de vacina que possibilitará que tudo volte ao normal, o retomar de uma voracidade egocêntrica que mina corpo e planeta. Estão dispostos a sequestrar Portugal até que a vacina obrigatória seja aplicada a nível mundial. Revelam-se autênticas bestas mediáticas no domínio das redes sociais

Na ponta oposta existe população Portuguesa, consciente do seu impacto no mundo e do que é cuidar do seu corpo, de forma natural e saudável. São pessoas estranhas que não entram em histeria colectiva, confiam no seu sistema imunitário e não temem as circunstâncias da vida. Acham ridículo que o medo de um inimigo invisível se sobreponha à alegria de um mundo palpável. Desligaram TV, cumprem ao mínimo as medidas impostas, apenas para não alarmar em demasia os demais. Não se dá por eles a não ser talvez no bronze, sorriso despreocupado e brilho nos olhos.

Estes dois grupos chocaram em conversas informais, a nível social ou familiar, podendo muito bem ter-se definido um novo tema fracturante muito mais poderoso do que a discussão de futebol, religião ou política.

O Despertar da Animália

A maioria de nós fará vida num raio de dezenas de kilómetros, percorridos de viatura própria ou transportes. Neste momento a maioria passou semanas no seu reduto de poucos m2. A neura está instalada. Anseia-se por esticar as pernas, sol, ar, liberdade.

Ao mesmo tempo que animais silvestres invadiram espaços urbanos, fazendo uso da oportunidade proporcionada pelo confinamento humano, outros animais “selvagens” continuam confinados nos zoos urbanos. Animais que no seu habitat natural percorrem centenas ou milhares de km pelos seus próprios meios, em espaços amplos e serenos.

Será esta uma oportunidade para que o animal humano sinta empatia para com os animais que aprisiona? Far-se-á um click de conexão sempre que passe a observar um animal enclausurado para divertimento ou exploração humana? Ou continuará a considerar que a liberdade é um direito reservado à divina espécie humana?

Anti-Especialíssimos

Para um leitor atento, que se sirva várias fontes de informação, que tenha acompanhado a situação nacional e internacional, é claro que a governação e comunidade científica patinaram em muitos aspectos, focando-se em fazer algo rápido e vistoso em detrimento de entendimento detalhado da situação e tomada de decisões ponderadas.

Existem prémios nobel a favor e contra o confinamento e reclusão social, existem países que fecharam a economia, países que não fecharam e países ainda perdidos no meio, estatísticas a serem interpretadas e comunicadas pelo prisma que mais corrobore as opções tomadas.

O motor de todas as decisões são especialistas, parece que cada governo tem os seus e que podem ter conclusões muito distintas, algo estranho para exercício de ciência.

O mundo não pode estar na mão de um punhado de “especialistas” nomeados, o mundo deve aproveitar o oceano de especialistas existente, fornecer-lhes a informação necessária, promover discussão e deliberação como uma consciência colectiva. Não pode haver um, dez ou vinte, haverão centenas ou milhares só em Portugal, gente de laboratório, gente académica e gente de terreno. Será um desafio para o futuro auscultar este saber distribuído e não confiar meramente em especialíssimos especialistas.

Isto não quer necessariamente dizer que se chegue a consenso e definição de uma única rota, que bom seria ter um mapa de múltiplas rotas, cada uma das quais indicada como a mais curta, a mais rápida, a mais económica, etc.

Desmascarar

Tendo em conta o atabalhoamento e pressa não posso deixar de sentir que o uso coercivo de máscaras e desinfectantes made in portugal são uma forma elegante de compensar um pouco a economia, se consumirmos muito esses consumíveis pode ser que aqueles que se adaptaram consigam prosperar e manter empregos até isto se ajeitar.

Quando os analistas de fundo fizerem o seu trabalho, reavaliarem taxa de mortalidade e perigosidade do vírus, desempenho dos países que confinaram vs os que mantiveram actividade, custos económicos e de vidas das opções tomadas, veremos se caiem as máscaras aos nossos especialistas e a todos os que cegamente seguiram as directrizes do terror.

COVID19 – A saída (dark side)

Independentemente da sua origem o COVID19 está para ficar e teremos de (re)aprender a viver com ele. Se é uma zoonose, se veio de fora do planeta, se advém de reacções bioquímicas a agressões à vida, ou se é uma arma biológica criada com o propósito de reduzir a população mundial, a realidade é que, depois da sua manifestação e instalação, terá um grande impacto da definição do futuro da nossa sociedade.

Legitimamente ou não foi instalado um ambiente de terror, centrado num inimigo comum, que necessitará de terapia de choque ao modo como vivemos, a fim de garantir que não volte a ocorrer algo do género no futuro.

Passo a enumerar algumas das soluções/ameaças ao preservar do nosso modo vida.

Adiamento Eleições

O estado de emergência combinada com a recém adquirida agorafobia tornarão inviáveis a execução de campanhas e votações prolongando artificialmente a vida de vários governos, destacando-se de entre eles o dos USA. O que começou como declaração de estados de emergência e aplicação de leis marciais consolida-se como um bloqueio ao normal funcionamento da democracia, num formato plenamente aceite pela temente população.

Aceleração da sociedade digital

Quando o inimigo é invisível, quando qualquer um pode ser o seu transmissor, é perfeitamente justificável a monitorização plena de cada um de nós. Existe já a tecnologia que permite que cada um de nós seja monitorizado, a nível de biometria e localização geográfica, via wearable ou smartphone, apenas teremos de prescindir da nossa privacidade, aceitando a obrigatoriedade de não só usar um desses dispositivos como de nos comprometermos com check-ups diários que permitirão perceber se apresentamos sintomas suspeitos que nos poderão impôr o recolhimento até melhor averiguação. Está aberta a caça aos próximos pacientes zero, em nome da paz e segurança.

Por outro lado um dos principais transmissores de vírus é o dinheiro, ou os meios de levantamento (rede multibanco) ou de pagamento (terminais de pagamento). Dinheiro para quê? Se temos telemóvel temos apps e pagamentos por proximidade. Banir o dinheiro físico é garantir altos níveis de saúde. Ao mesmo tempo acaba-se com a economia paralela e passa a existir um controlo e registo detalhado de todas as movimentações de capital… Não mais será possível viver fora do sistema, mas a nossa saúde será de ferro! Fiquem à escuta pelos termos cashless e/ou cardless society.

Outro problema é a quantidade de pessoas que tiveram de ser elevados ao nível de heróis para se manterem nos seus postos, críticos à sociedade, enquanto o resto da população era apavorada com o alto nível de transmissão e mortandade. A sociedade não pode parar, ao mesmo tempo não é justo submeter esses heróis a níveis de risco tão elevados. Torna-se então necessário apostar na automação para que nada páre e se evitem mártires entre os heróis. Claro que existe um dilema entre a redução massiva de postos de trabalho sem diminuição massiva de população activa mas será preocupação para uma outra altura.

A maioria da população mundial foi remetida para uma vivência prolongada em isolamento social o que significou aumento do recorrer ao uso da Internet para serviços de streaming e comunicação. Isto provocou duas coisas, por um lado o engasgar da internet por outro a habituação a maior imersão digital. Há miúdos que de certa forma adoram o aumento das horas disponíveis para surfar, jogar e socializar online. Ao tornar a sociedade mais permeável às compras e vida online fica evidente a necessidade de melhores infraestruturas técnicas o que conduzirá a grandes investimentos para o materializar.

Ligado ao acima temos a tecnologia 5G que é uma alavanca essencial à mobilidade e à criação de smart cities. Apesar dos perigos que representa está aberto o caminho para justificar a sua aplicação sem demora nem reservas, garantindo uma melhor resposta das autoridades a calamidades inesperadas. Tudo para salvar vidas!

Vacinação Mundial Obrigatória

Pois… é a única maneira de salvar a humanidade, vacinar toda a população mundial contra esta nova ameaça que se espera recorrente. O tempo médio para criação de uma nova vacina são 10 a 15 anos. Milagrosamente indicam que a do COVID19 apenas precisa de pouco mais de um ano. O que estará mal? A burocracia de estudo e testes profundos? Ou a pressa de dar algum tipo de resposta à situação actual? Imaginem um mundo onde seremos forçados a tomar uma vacina criada nestas condições. Pode acontecer porque, lembrem-se, viveremos numa sociedade digital onde é possível barrar num click todos os acessos e meios de pagamento.

Novos donos disto tudo

Houve acções em mercados internacionais a cair mais de 50%, grandes empresas a abrir falência, quebra de turismo a fazer rebentar bolhas imobiliárias, grandes perdas são inevitáveis estando abertas as oportunidades para aquisições oportunistas e quiçá mesmo a ocorrência de muitas nacionalizações pelo mundo fora.

No final, após recuperação veremos quem mais ganhou com tudo isto e talvez aí perceber um pouco melhor a quem mais interessou todo este pânico e paragem global. Ou talvez não. Será mero acaso circunstancial.

Se a maioria destes vatícinios se verificarem no final, após alguma turbulência, tudo ficará mais ou menos na mesma, o evento COVID19 terá apenas servido para acelerar e desbloquear alguns impasses que impediam o encaminhar das sociedades para este tipo de estrutura, visionado por muitas elites como a ideal. Onde o controlo, decisão e acção são delegados absolutamente nas autoridades centrais e grandes corporações.

Teremos uma população mundial mais controlada, dependente, saudável e feliz no “progresso” verificado após a quase extinção.

A nossa liberdade acaba onde acaba a dos outros

Com o tempo e espaço que temos agora em mãos seria sensato questionar alguns aspectos da nossa existência. Talvez começando pela razão do sujeitar à clausura.

Um bom começo passa por perceber o que se passa no mundo, segundo os registos oficiais esta revolução começou em Janeiro, primeiro na China, Ásia, depois Estados Unidos, chegando à Europa ainda nesse mês, via França, Alemanha, Itália e Espanha. Só passado um mês do primeiro caso em Espanha é que Portugal entra no lote dos países oficialmente COVIDados para a pandemia.

Entre Janeiro e Março foram evoluindo as estatísticas sobre grupos vulneráveis, que permitiam perceber a gravidade da situação para os mais velhos e os com condições de saúde mais vulneráveis, bem como informação sobre o período de incubação.

Inicialmente, segundo os relatórios oficiais, só a China tinha uma situação alarmante, em termos de número de mortes, o que fez com que o mundo Ocidental subestimasse o que aí vinha. Quando no final de Fevereiro disparou em Itália o número de óbitos, já todos tinham sido apanhados de surpresa. Ficou óbvio que, ou haviam muitos mais casos não reportados, ou o tempo decorrido entre os primeiros sintomas e os óbitos deu a ilusão de ser maioritariamente um género de uma gripe relativamente inofensiva.

Esta latência de percepção, do real perigo a Ocidente, fez com que seja muito provável que, na altura em que a opinião pública foi sensibilizada para a reclusão social, muitos já seriam portadores / incubadores, pelo que a instintiva reunião familiar poderá ter perigado os grupos de risco, que deveriam ter sido resguardados antecipadamente, tivesse havido esse discernimento.

“FICA EM CASA!” foi o grito desesperado de uma população desnorteada pelo imediatismo da chegada de um vírus “fulminante”. Uns por medo de que lhes toque a eles ou aos seus, outros por um dever cívico de “suavizar” a pandemia, outros condicionados por pressão política, autoritária e/ou social.

A liberdade individual foi assim anulada por um suposto bem comum, como se todos tivéssemos as mesmas condições para atravessar um recolher prolongado confortável, como se todos fossemos dominados pelos medos e riscos inerentes a viver, como se todos os que pertencem aos grupos de risco estivessem dispostos a sacrificar a sua liberdade, a sociedade e o futuro de muitos por uma hipotética segurança contra o COVID19.

A maior justificação desta paralisia nacional é a de que não queremos o rápido asfixiar de um SNS, que já estava encostado às cordas no seu dia-a-dia, preferindo-se a lenta asfixia da economia e dos portugueses. Uma decisão política fácil do ponto de vista da aceitação popular. Pergunto-me pelo que se medirá o nível do seu sucesso? Falamos em salvar vidas? Quantas? Ou sobretudo diluir óbitos no tempo?

Quantas semanas terão de passar até que tudo isto seja equacionado? Até que compreendamos que não estamos a falar de uma ameaça que potencie a extinção da humanidade, ou sequer da população de um país? Só em Portugal morrem mais de 100 000 pessoas por ano! O COVID19 irá incrementar bastante estes números ou “roubar” óbitos às doenças que mais matam em Portugal?

Vivemos tempos difíceis para os decisores políticos e população, sendo fulcral uma informação factual e objectiva para que sejam tomadas, de forma transparente, as decisões mais sensatas de acordo com a informação disponível, pensando não apenas no imediato mas também no futuro a médio prazo.

Provavelmente muito em breve veremos uma transição do movimento de “Fica em Casa!” para um “Fica em casa?”. Até lá que cada um encontre o seu propósito de reclusão pois, por agora, sair à rua é um atentado à liberdade e direitos da comunidade.

O Aplauso dos Inocentes

Em resultado da fuga a todo o custo, do contrair de enfermidade severa, é a febre da cabine que avança, indomável sobre a guarnição. Nem toda, pois alguns bravos garantem a flutuabilidade, o guarnecer das refeições, o alinhamento de velas e leme para que não se perca o rumo.

Em isolamento social, voluntário mesmo antes do imposto pela capitania, do alto da gávea condicionada, da janela das cabines cerradas, os mais ilustres, os mais afortunados e os mais vulneráveis aplaudem os seus heróis, mesmo antes do início da odisseia que se prevê atribulada e perigosa. Tal entusiasmo só rivaliza na história com o gáudio das elites romanas, ao encorajar as fileiras de gladiadores que entravam na arena do coliseu. Ambos dispostos a dar tudo pelos outros.

Esses “heróis”, que não o escolheram ser, apenas calhou de originalmente exercerem essas tarefas, trabalharão a dobrar, com risco acrescido, compensando as lacunas, satisfazendo a demanda, daqueles cujo ofício não interfere com o cumprir do serviço mínimo obrigatório à continuidade da navegação.

 

A greve dos autómatos

Que dizer desta greve dos camionistas? Parece-me particularmente útil para perceber porque valores nos regemos como sociedade e como cidadãos.

O pré-aviso de greve foi feito com um mês de antecedência, sim, foram dados 30 dias para que cada um se organizasse para sentir o mínimo impacto possível em termos de abastecimento de combustível e de mantimentos.

O intuito de uma greve é exactamente esse, sentir-se o impacto da ausência de funções, avaliando se as condições exigidas serão ou não razoáveis face à redescoberta da importância da justiça e respeito para com os trabalhadores.

Uma boa parte dos portugueses está de férias, considerando uma maçada ter de lidar com este transtorno nesse momento de lazer. Eles estão a trabalhar 14h a 16h horas por dia, sem devida remuneração de trabalho extra, com um salário base de apenas 630 €? Agora não por favor, estou de férias…

Desta forma, em termos de aceitação da opinião pública, os motoristas de camiões partiram em desvantagem para esta greve, percebendo-o, o governo assoberbou-se de tal forma que decidiu assumir-se como campeão da defesa do lazer e tranquilidade veraneante, retesando músculos, aplicando um garrote asfixiante em busca da desistência por nocaute técnico.

E assim esta (tentativa de) greve demonstra-nos como a democracia pode ser moldada para assumir um autoritarismo de outros tempos, anulando, legalmente, o direito de uma classe laboral à luta por melhores condições.

Mais do que a paralisação são princípios que estão em jogo sendo um palco tão delicado que inclusive se nota o silêncio da oposição e parceiros de geringonça que noutras classes estiveram e/ou estariam lado a lado, visitando piquetes, pressionando o governo a resolver a situação. Poderá o facto de serem “apenas” 800 não valer o risco político?

No fim de contas temos que os motoristas estejam apenas a ter o canto do cisne, evidenciando como é crítico, para a segurança do sistema, acelerar a automação das suas funções. Governantes e patrões não deixarão passar isso em claro, poderiam ao menos ter a decência de proporcionar uns bons últimos anos aos trabalhadores, que até aqui tanto têm dado e prescindindo a troco de um salário mínimo nacional como base, mais outro como compensação pelas horas extra, risco e desgaste associados à sua profissão. Provavelmente até serão mais baratos do que robots mas, uma vez que se tornaram num grande risco político e económico, mais vale a despesa extra para autómatos coniventes do que este regabofe insurgente.

Indiana Joe e os Salteadores da Banca Perdida

Sinopse

Em 2007, o explorador Indiana Joe é acreditado para assegurar controlo da Banca Milenar que, segundo as escrituras, estaria a tornar-se num colosso indomável. Mas como a lenda diz que o exército que a possuir será invencível, Indiana Joe terá como adversário na busca pela banca perdida o exército offshore, com enorme tenacidade e músculo financeiro capaz de conquistar posições estratégicas que se podem revelar decisivas.

Enredo

Um conjunto de estrategas arquitectos do mausoléu financeiro vingente apercebe-se que um dos seus pilares parece querer assumir vida própria, tentando canibalizar um outro pilar e com isso assumir o estatuto de “dono disto tudo”.

Obviamente tal ousadia não poderia passar incólume pelo que imediatamente congeminam um plano para repor a ordem e estabilidade. Identificam e recrutam um reputado explorador, habitué dos labirintos de catacumbas recheadas de armadilhas e riquezas. Garantem-lhe o financiamento necessário para o sucesso de tão exigente cruzada com um pequeno senão. Ao invés do típico soldo faseado, em função dos factores tempo e taxa de progressão, disponibilizam-lhe todo o investimento à cabeça, cabendo-lhe depois a ele uma compensação desse esforço mediante pagamento de prestações mensais durante determinado período.

Indiana Joe, apesar de algo surpreendido pela oferta de bandeja, aceita mais uma grande aventura partindo para uma intensa luta pela dominância da Banca Milenar. Foram árduos anos de conquista de posição que se revelou ruinosa depois de implodidos os alicerces bolsistas.

E assim, o assalto à Banca Milenar teve como efeito colateral a descoberta da Banca de Pandora responsável por tantos males e horrores neste mundo.

Em pânico os outrora apoiantes de Indiana Joe fazem agora memória de mercador, atacando-o implacavelmente, numa tentativa de recuperar coercivamente aquilo que perderam numa arrojada aposta de economia de casino. No entanto o nosso herói não perde a calma revelando o seu calibre ao apresentar trunfos que deixam a todos estupefactos com tamanhas sagacidade e idoneidade.

 

Filho de peixe sabe nadar?

Ou a ineficácia do (des)controlo parental… Dezenas de familiares de governantes encontram-se empregados pelo próprio governo numa teia de nomeações cruzadas. A pergunta que se coloca é: são tão ou mais competentes do que @s restantes candidat@s ao lugar que ocupam?

Caso o sejam, nada a dizer, caso não o sejam então o que estará completamente errado é o sistema de recrutamento/nomeação que deveria proteger o Estado deste tipo de exploração dinástica.

Os laços de sangue em nada são indicadores das capacidades individuais pelo que aquilo que deve ser decisor na sua seleção ou demissão é nada mais do que o comprovativo dos resultados apresentados pelo seu trabalho.

Que poderá dizer disto um país em que metade do seu tecido empresarial é composto por empresas familiares e em que grandes grupos empresariais têm também uma gestão familiar?

Tal como se sucede com médicos, músicos, futebolistas, etc, o filho de um grande político poderá ser um político ainda melhor. Legislar no sentido que lhe seja dificultada a colocação poderá ser injusto e danoso para os interesses do país.

Pelo que o problema não são propriamente as ligações familiares mas sim os nós cegos do processo de selecção/nomeação. Querem legislar? Criem regras bem definidas e tragam transparência a esses processos acabando com o conceito de “cargo de confiança política”. Há posições que são cargos de pura assessoria/gestão/coordenação, que deveriam ser apolíticas no sentido de exclusivamente defender interesses do Estado através do exercício de competência sem preocupações partidárias.

Isso sim, seria garantir oportunidades idênticas para todos, colocando debaixo do escrutínio de avaliação regular de desempenho todos estes distribuidores de jogo político, que na sua maioria não passam de gordura de Estado, defensores prioritários das cores do seu partido e dos seus interesses pessoais.

Culto da Amizade

A TVI revelou que grande parte dos donativos para vítimas de Pedrogão Grande se encontram empilhados em armazéns da câmara sendo desviados para amigos e familiares dos autarcas.

Como a maior parte dos telespectadores senti um certo incêndio interior, num misto de raiva, ódio, para com mais um caso de corrupção assente no aproveitamento da boa-vontade a larga escala.

Respirei fundo, acalmei-me, foquei-me na parte positiva. Os autarcas não estão a reter os donativos, estão a distribui-los por familiares e amigos, o que é de louvar pois poderiam apenas usá-los para benefício próprio! Talvez o problema não esteja no comportamento dos autarcas mas sim em quem se queixa de nada ter recebido. Se nada recebeu é porque não é amig@ do Presidente, ora o sentimento de amizade incondicional pelo próximo é bonito e deveria ser trabalhado para ser atingido. Porque não são as vítimas amigas do Presidente? Que bloqueios terão nas suas vidas, presentes ou passadas, que impedem essa possibilidade? Antes de atirarem pedras deveriam meditar para identificar, reconhecer e trabalhar as suas próprias falhas. Essas pessoas, mais do que de receber apoios, precisam de cultivar amizade genuína pelos outros, incluindo pelo Sr. Presidente que está disponível para todos os que a demonstrem, ao menos num amistoso boletim de voto.

Deveriam ter pensado nisso durante este ano e meio que passou, ao invés de se concentrarem no vosso luto, dor, recuperação e reconstrução sem apoio autárquico. O Sr. Presidente esteve, está e estará sempre à espera de um gesto de boa vontade da vossa parte.

Namaste, vítimas de Pedrogão, Namaste.

Fenómenos Ambientais à Portuguesa

Que refrescante ver a nossa juventude a mobilizar-se para exigir que o governo faça mais pela prevenção/reversão das alterações climáticas.

Portugal está mesmo a precisar de alguma orientação neste sentido. Recentemente tivemos a novela da prospecção de petróleo finda por um movimento cívico. Um ministro vem a público preconizar o fim do diesel, o que parece ser uma boa notícia não fosse o facto de o futuro eléctrico necessitar de muuuuito lítio, que, por acaso do destino, é um mineral em que Portugal é riquíssimo! Claro que a mineração de lítio implica severa destruição ambiental mas alguém tem de pagar o preço ambiental para receber o melhor retorno económico e contribuir para um mundo mais verde, pelo menos até à era da mineração de asteróides ou outros astros.

Talvez nos pudessemos inspirar na China para a abertura de horizontes futuros. Com pragmatismo medidas assentes em estudos científicos impulsionam uma drástica mudança dos hábitos alimentares dos seus habitantes, para o seu bem e o do ambiente. Inclusive criam leis que penalizam a indústria agro-pecuária identificada como uma das principais causas de poluição.

E é aqui que vemos que o nosso Governo não dorme, mais uma vez analisando esta situação age aproveitando a oportunidade. Como? Simples, tornando-se uma enorme fábrica de produção de carne do mercado chinês. Serão mais de meio milhão de suínos a juntar-se às centenas de milhares de animais de outras espécie que se exportam anualmente. Passemos à frente do tema crueldade animal, do que passam esses animais portugueses nas viagens, do que os espera nos países de destino, o foco aqui é o tema ambiental e mais uma vez estamos disponíveis para emitir o CO2 que os outros não querem ou não podem emitir, esgotar os nossos recursos hídricos, desolar os nossos solos e poluir os nossos aquíferos para obter retorno capitalista ou crescimento de dois dígitos na exportação. Somos tão prestáveis que até assobiamos para o lado enquanto esvaziam a nossa biodiversidade desde que para um bom parceiro económico, para corte nos custos de produção agrícola ou para deleite gastronómico local.

Estes temas infelizmente não se estudam, não estão nos cardápios da nossa restauração, é preciso escavar, dedicar-lhe algum tempo para perceber que além das demandas aos organismos governamentais também existem transformações do foro pessoal que podem acelerar todo o processo de melhoria ambiental pois a chave de tudo é o consumo, quiçá, nos dias de hoje, com um poder de transformação global ainda maior do que o do voto.

Aguardo com serenidade a vossa força e sapiência jovens, que não seja mais uma trend, hype, flashmob, para preencher umas insta-stories à maneira porque Portugal, a Terra, precisam de uma mudança consistente e não apenas de mais um dia viral que o Governo e feed das redes sociais consigam rapidamente dissipar.

Sejamos o acelerador da mudança que exigimos aos governantes!

Selfie Solidária

Está para fazer quase três anos que Portugal escancarou as suas portas aos mais necessitados. Estávamos dispostos a receber 10 mil refugiados! O dobro do pedido pela União Europeia.

Feitas as contas foram recebidos perto de 1 500 mais de metade dos quais não quiseram permanecer no nosso território.

Quer isto dizer que continuamos com mais de 9 mil vagas para receber refugiados, acenando uma bonita e sentida bandeira de oferta solidária que nos deixa muito bem na fotografia, mesmo que não usufruída.

A outras latitudes outras fotografias demonstram que talvez pudessemos disponibilizar estas oportunidades a outros povos, igualmente massacrados e desesperados. 

Será melhor fazê-lo o quanto antes porque uma selfie internacional tem muito mais impacto do que uma selfie nacional, e existe o perigo efectivo de alguém fazer contas e perceber que as 5 000 vagas a mais disponibilizadas seriam suficientes para dar resposta aos menos sexy cidadãos nacionais em situação de sem abrigo. 

Lembrei-me disto porque o Natal é a altura perfeita para ajustar a distribuição dos presentes, deixando de os dar a quem não os valoriza, reforçando a dádiva a quem mais precise.

E assim enfeitar as nossas walls com uma tremenda selfie solidária.