Author Archives: Gonçalo Moura da Silva

And Now For Something Completely Different: OE2019

O que levará alguém a abdicar de uma vida normal e abraçar a vida circense? É sabido que o mundo é das crianças e talvez por isso se diga que os palhaços são as estrelas da companhia, mas nem só de gargalhada se faz o espectáculo. Outros artistas brilham, tais como acrobatas, contorcionistas, domadores de feras ou ilusionistas, mas tal como o estado precisa de orçamento, o circo carece de malabaristas. Sendo um número já visto, a destreza exigida ao artista é competência rara e se o talento por um lado ajuda, por outro só a prática permite atingir a perfeição.

O público é implacável e não perdoa erros – Quando a cascata falha e a bola cai ao chão, a vaia é garantidamente estrondosa. Coisas da democracia, aproximam-se as Eleições Legislativas e muito embora metade do público não participe, todos tecerão a sua crítica, ou porque é eleitoralista ou porque não é suficientemente generoso e redistributivo. Provavelmente todos terão a sua razão, mas o seu a seu dono, o malabarista continua sem deixar cair nenhuma bola.

O verdadeiro artista é assim, sabe gerir a expectativa do seu público, sabe que não pode falhar, mas também sabe que nada supera o impacto de uma correcção in extremis, vulgo cativação. Orçamenta-se, mas não se gasta. Em finanças públicas, tal como no circo, usam-se estas técnicas antigas, gastas, mas eternamente actuais. É caso para dizer… e agora algo completamente diferente: absolutamente nada. Desmonta-se a tenda e parte-se rumo ao próximo destino. São nómadas!

Espelho de Diana

Ao contrário do que a leitura do título possa denunciar, este texto não é nem reflexo, nem evocação da data, leia-se a efeméride do desaparecimento da outrora “sua alteza real”, para sempre “princesa do povo”, a malograda Diana Spencer. Negativo! A Diana hoje é outra, é mitológica. Não é propriamente a protagonista, mas está no centro da trama. Ora, a mais casta das deusas romanas, irmã gémea de Apolo, filha de Jupiter e de Latona, deusa da Lua, dos animais e da caça, está na origem do nome que há dois mil anos os romanos davam ao lago que hoje conhecemos com Lago Nemi, mais concretamente Speculum Dianae, latim que em bom português significa “espelho de Diana”.

A fama deste pequeno lago também se fica a dever a um dos mais inusitados projectos de construção naval de todos os tempos, pois foi naquele local que o imperador romano Calígula mandou construir (pelo menos) dois navios com mais de 70 metros de cumprimentos, feito cujo único propósito se julga ter sido satisfazer a sua megalómana personalidade. A sua cruel excentricidade foi tal que Cláudio, o seu sucessor, tudo tentou para apagar todo e qualquer vestígio do seu legado. Mandados afundar, os navios permaneceram no fundo até que em pleno século XX o ditador Benito Mussolini mandou drenar o lago fazendo-os emergir gradualmente.

As duas jóias de arquitectura naval foram então transportadas para um museu especialmente construído para as albergar, mas lamentavelmente não sobreviveram ao incêndio que as destruiu completamente em 1944. As causas do fogo nunca foram esclarecidas, se por acção de militares alemães em retirada ou por acção de bombardeamento aliado. Afundados por Cláudio, preservados submersos durante séculos, uma vez resgatados, os navios sucumbiram ao fogo. Ironia do destino? Certamente, pois o sucessor de Cláudio foi Nero, o pirómano.

Afiança

Pluralidade é para mim sinónimo de qualidade democrática. A diversidade pode até ser a solução contra a abstenção. Mais cores, mesmo recicladas, alargarão a palete de escolhas do eleitor português. Daltonismo nunca mais! Se o nascimento de uma nova força politica mobilizar pelo menos um abstencionista, então para mim já terá valido a pena.

Mobilizai-vos ò empreendedores do meu país, abraçai as vossas causas e avancem! Se causas vos faltarem, não faz mal, declarem princípios. Contraditórios ou não, a mera iniciativa colherá o meu aplauso. Não serei picuinhas, muito menos exigente. Cada vez mais me convenço que a democracia é um “negócio” de volume e como tal a riqueza emerge do somatório de pequeníssimos ganhos. A verdadeira cidadania é pragmática! Haja massa critica, a qualidade cedo ou tarde surgirá. Será o caso com esta nova força que Afiança o tacho a quem dele tenha recentemente sido privado? Não sei, duvido muito, mas nem por isso hesito na convicção das virtudes da diversidade. Venham mais, seja à Direita ou à Esquerda.

E como estão elas, a Direita e a Esquerda? A Direita digere com estóico silêncio a cisão na família, enquanto a Esquerda exulta sem alarido a chegada da nova força politica. A rentrée política foi assim antecipada pela concretização da ameaça há muito velada. Consta que do Largo do Rato à Rua da Palma, passando pela Rua Soeiro Pereira Gomes, muitos se preparam para contribuir na recolha de assinaturas. Eventualmente mobilizados pelo princípio que o inimigo do meu inimigo, meu amigo é…

Barack Oporto

A subserviência ante os estrangeiros, especialmente as individualidades mais sonantes é quiçá uma das mais recorrentes manifestações de portugalidade. Somos assim, incapazes de por nós próprios identificar os encantos da nossa terra, qual criança com baixa auto-estima, eternamente em busca de aprovação maternal. Seremos carentes ou simplesmente complexados? Falta-nos mimo? Face ao sucesso do mandato presidencial dedicado aos afectos, dir-se-ia que sim, que como povo nos faltou carinho. Fazemos birra quando não nos gabam o património, a história e os feitos ultramarinos, mas se há coisa que não perdoamos é quando não nos gabam a gastronomia.

Numa semana que pela capital começou com a indignação e revolta em torno de uma importante questão de estacionamento e respectivo tarifário, a alegada discricionariedade da medida de excepção foi debatida e escrutinada à exaustão. Não obstante a nacionalidade da beneficiada, a circunstância ditou a contradição face à tradicional subserviência. Foi estranho. O habitual hosana nas alturas não colheu apoio popular. Muitos sugeriram até que Medina fosse excomungado. Contudo a semana acabou pior, muito pior! Inacreditavelmente, o ex-presidente norte-americano fez uma incursão relâmpago pelo nosso país. Foi duro. Barack Obama veio à cidade invicta e imagine-se o desplante, fez-nos a desfeita de não provar a mais tradicional das iguarias locais, a Francesinha!

Make China Great Again

A grandeza prometida pelo slogan de campanha tornou Trump refém da sua própria fanfarronice. Resta-lhe a fuga em frente, feita de sensacionalismo inconsequente numa vertigem mediática cujo alcance é curto. Aos aliados exige subserviência, mas não obstante, impõem tarifas comerciais. Declarou assim guerra comercial aos parceiros de sempre. Fê-lo sacrificando a realidade dos números à popularidade entre quem o apoia. A opinião doméstica ignora que a balança comercial entre os EUA e a UE é francamente favorável, pois mesmo sendo deficitária na importação de bens transaccionáveis, o repatriamento de lucros dos gigantes tecnológicos americanos geram um excedente significativamente vantajoso. A guerra de tarifas com a Europa não trará vantagem alguma, muito menos grandeza.

Intimida, faz da bravata ferramenta negocial. A vantagem que julga alcançar é precisamente a teia em que se deixa enredar, especialmente na Ásia. O superávite na balança comercial face à UE não se verifica face à China, é até bastante deficitário. Contudo, Trump acreditou que o presidente da China, Xi Jinping era apenas um modesto jogador de Mahjong. Não percebeu estar perante um sagaz jogador de Xadrez, um verdadeiro mestre na Arte da Guerra. Para Donald, Sun Tzu é fake news. Os factos, esses, sabemos que são preferencialmente alternativos. A candidatura a Nobel da Paz por exemplo. O pretexto da cimeira com o líder da Coreia do Norte foi apresentado aos americanos como uma demonstração de competência. De tal forma parecia comprovar a estratégia da retórica beligerante que o entusiasmo transbordou. Perante a possibilidade da cimeira não se concretizar, ficou sem troféu mediático. Coitado, não percebeu com quem verdadeiramente negociava. Acreditou ser com Kim Jong-un, quando na realidade foi sempre com Xi Jinping. Perdeu. Foi obrigado a suspender as tarifas comerciais sobre as importações Chinesas…

UnBrexit

As relações bilaterais do Reino Unido com a Rússia remontam ao século XVI, mais precisamente a 1555, ano em que através da “Companhia Russa” foi institucionalizado o monopólio de todo o comércio anglo-russo. Reinavam Maria I do lado britânico e o Czar Ivan IV do lado russo. A monarca britânica, primogénita do segundo dos Tudor e primeiro dos protestantes – o mulherengo Henrique VIII, ficou entre os seus súbitos conhecida como Bloody Mary em virtude da sua vã, mas sangrenta, tentativa de reverter a reforma protestante iniciada pelo pai. Já o Czar de todas as Rússias, Ivan IV ficou para a história conhecido como O Terrível, cuja sagaz mas intempestiva personalidade conduziu, num momento de ira, ao assassinato do seu filho e herdeiro. Enquanto Bloody Mary governou contra o legado de seu pai, foi o próprio Ivan O Terrível que negou o legado ao seu primogénito.

Desde então, Rússia e Reino Unido têm sido tanto inimigos como aliados, conforme circunstâncias e oportunidades. Os contrastes e simetrias mantêm-se: O Reino Unido, uma democracia parlamentar cujo poder executivo é hoje liderado por uma senhora, que tal como Bloody Mary, tenta em vão remar contra a corrente, leia-se Brexit. Enfrenta enormes desafios, quer no plano doméstico, quer no plano internacional; A Rússia, uma democracia autocrática, tem hoje um novo tipo de Czar, tão sagaz como Ivan o Terrível, mas que ao contrário deste não manifesta qualquer tendência para a impulsividade. Frio e implacável como o “General Inverno”, suportado pela oligarquia da energia, tem assumido um papel cada vez mais consolidado como protagonista global.

Eis como a circunstância pode constituir uma oportunidade. Tudo quanto o Reino Unido tem em comum com a União Europeia não foi suficiente para evitar o resultado do referendo ao Brexit. Reverte-lo obrigará a uma mudança de fundo. Nada como um inimigo comum! Se o que somos não nos une, então talvez aquilo que não queremos ser o consiga!

Le Service National Universel

Na Europa dos impérios, os primeiros anos do século XX caracterizaram-se por grandes contrastes de percepção, sobretudo no que à guerra dizia respeito. As populações, esquecidas dos horrores da guerra, deslumbradas pelo progresso tecnológico, viviam confiantes e tranquilas, seguras da paz. Já os governos não. Os mais avisados, que não o nosso, lançaram-se numa corrida às armas que para história ficou conhecido como o período da Paz Armada. A Europa nada temia senão a si própria. O centro do poder económico e militar do planeta era Europeu. O resto do mundo pouco contava, a China dormia, os Estados Unidos da América firmes e convictos nas virtudes do isolacionismo e o Japão dava os primeiros passos na era moderna após a revolução Meiji. Surgido o pretexto, tudo se precipitou tal e qual a explosão sucede ao atear do rastilho. Superficial e sucinto, foi este o contexto que precedeu o primeiro conflito mecanizado da história. Mesmo quando para as populações se tornou evidente a iminência da guerra, prevaleceu a ilusão que a modernidade precipitaria um rápido desfecho, que o tumulto seria violento mas breve. Como sabemos, a realidade foi bem diferente. Tudo mudou, a Europa deixou de ser o centro político do mundo. O conflito entre os poderosos da Europa revelou-se fratricida. Todos perderam.

Pouco mais de um século volvido, eis-nos novamente confrontados com o mesmo tipo de ameaças. Populações convictas da paz assistem passivas a um novo período de paz armada patrocinado pelos seus governos. A França de Macron deu hoje um sinal claro, anunciou o regresso do serviço militar obrigatório.

Vulgaríssimas

Na terra das fundações sem fundo, isto é, sem fundos, cabe ao hospedeiro, leia-se o Estado, garantir a sobrevivência das bem-intencionadas instituições de beneficência e solidariedade social. Uma relação previsivelmente simbiótica, ou seja, benéfica para ambas as partes, oferece o apoio possível àqueles que carenciados de algum tipo de ajuda justificam a existência da instituição benemérita, enquanto não raras vezes, por ausência de verdadeiro espírito cívico, proporciona confortáveis posições sociais e económicas a uma ínfima parcela de indivíduos que as dirige. O escrúpulo, ou a falta dele, é característica presente em todos os sectores de actividade, mas quando o objectivo é o auxílio ao próximo, a sua ausência é absolutamente intolerável.

Contudo, entre nós, há mais do que condescendência para com o abuso, mesmo nas instituições cujo propósito é apoiar quem precisa. Aparentemente, nem sequer chega a ser necessário obra feita para gozar de salvo-conduto quando se usurpa os meios que lhes são confiados. A aparência basta. Juntam-se assim dois factores: a nobre causa e a notoriedade do empreendedor de obra social. Será regra? Quero acreditar que não, quero manter a convicção que há e continuará a haver quem procure fazer a diferença sem visar a vantagem pessoal, seja ela social, económica ou até do ego, mas sei, e não é de hoje, que mesmo as causas mais nobres são frequentemente contaminadas por parasitas. O que mais me choca não é tanto a existência deste tipo de praga, mas sim a complacência com que todos nós, contribuintes e cidadãos deste país a encaramos. Temo que o “escândalo” do momento, ao invés de contribuir para a consciencialização, tenha de facto um efeito anestésico semelhante à picada de muitos parasitas. Face à impossibilidade de por magia por fim às desigualdades, mais nefasto que a indiferença será a descrença na solidariedade. Não nos deixemos contagiar pelo frenesim mediático, tão volátil como sensacionalista, e procuremos analisar além do imediatismo.

Sejamos pragmáticos. Nem todos os desafios se compadecem com o voluntarismo e o trabalho pro bono. Causas há que carecem de pessoas capazes e empenhadas, a tempo inteiro, obviamente remuneradas. Por outro lado, quando a missão solidária visa apoiar um grupo muito restrito de pessoas, que consequentemente proporcionam um baixo retorno político, os poucos votos que directamente mobilizam obrigam à sensibilização e influência. O chamado lobby acarreta obviamente custos, financeiros e outros, os favores. Não sejamos hipócritas, há fins que justificam os meios. Por estranho e paradoxal que possa parecer, estas necessidades de contexto, sendo uma realidade prática, constituem muitas vezes a justificação que encobre o abuso perpetrado por uma espécie vampiresca, a vulgaríssima carraça. Não nos iludamos, erradicar a praga é uma luta tão urgente como eterna, pois nunca hesitarão em matar o hospedeiro.

Rede Neuronal

Termina hoje em Lisboa a auto-intitulada “melhor conferência tecnológica do planeta”. A velha capital acolheu nos últimos 3 dias o chamado “mundo tecnológico”. Nada me move contra o evento, muito pelo contrário. Que venham, que usufruam, que gastem e que partam com desejo de regressar. Quantos mais melhor e desta feita foram mesmo muitos. Sem ironia ou sarcasmo, o evento proporcionará no mínimo um retorno auspicioso. Um impacto inequivocamente positivo.

Face à extensa lista de oradores e à diversidade de temas, a cobertura jornalística nunca seria fácil. Nem tão pouco é suposto a comunicação social relatar tudo quando por lá se passou, pois o evento é para quem pagou e nele participou, mas haveria sempre a necessidade de encontrar uma ideia forte para propagar. Desta feita, a escolha recaiu sobre a “Inteligência Artificial” e teve num casal de robots humanóides os protagonistas: Ela, repetente no evento mas pioneira na cidadania (é cidadã saudita imagine-se…). Ele, um clone do criador da Teoria da Relatividade. O diálogo entre ambos espantou os presentes e maravilhou a media que se apressou a anunciar uma nova era. Subitamente, da notícia ao comentário, o tema da Inteligência Artificial proliferou qual apoteótica novidade.

Apesar da rápida expansão da aplicabilidade comercial, a Inteligência Artificial está longe de ser novidade. Nem tão pouco recente! Tudo começou há muitos anos, mais concretamente em 1943, quando dois improváveis amigos, Walter Harry Pitts e Warren Sturgis McCulloch, apresentaram a primeira teoria mecanicista da mente. Hoje sabemos, também graças ao trabalho do português António Damásio, que falharam na sua intenção de explicar o funcionamento mecânico da mente humana, mas estabeleceram com o seu trabalho a primeira abordagem computacional da neurociência, o design lógico de computadores modernos e os pilares da Inteligência Artificial – o modelo McCulloch-Pitts.

Não obstante os contornos sensacionalistas de hoje, a Inteligência Artificial é septuagenária e para além disso, há muito que máquinas “estúpidas” têm vindo a assumir tarefas outrora apenas confiadas a humanos. Então, porquê a “novidade”? Bom, a ideia lançada é simples e óbvia na sua relação causa/efeito: os robots estão a ficar tão “inteligentes” que em breve nos tornaremos obsoletos e dispensáveis para o mercado laboral. Mais que debate, a ideia gera medo, o temor de em breve não ser só a baixa qualificação profissional a ser preterida. Será? Será que esse futuro é já amanhã, ou será que ao invés de as nossas máquinas serem cada vez mais “espertas”, nós é que estamos a ficar cada vez mais estúpidos, ávidos por comprar tudo que nos queiram vender?

Rusalka

Ninfa da água, historicamente associada ao bem, às chuvas e à fertilidade, esta mitológica figura eslava perdeu o seu estatuto de espírito benigno. A sua bondade perdeu-se no tempo. Outrora desejada, passou a ser temida, qual deslumbrante Sereia do Mar Negro, perigosa sedutora que com a sua incompreensível mas encantadora voz consegue arrebatar os incautos marinheiros.

Rusalka dá nome à mais famosa Ópera de Antonín Dvořák, uma das suas obras-primas. Seduz-nos logo no primeiro acto com uma das mais belas canções de sempre, a “Canção à Lua”, na qual Rusalka apela à Lua altaneira que lhe revele o paradeiro do seu amor perdido, que o abrace, que lhe recorde a importância do sonho e que lhe lembre que é esperado. Face à dualidade da figura, o famoso compositor checo optou pela faceta mais doce, com sentimento. Interpretações brilhantes deste tema, felizmente, não faltam, mas  aquela que de imediato associo ao canto de uma sereia é a da eslovaca Lucia Poppová. Uma interpretação simplesmente arrebatadora.

Outras há, contudo, menos cativantes. A líder conservadora e católica, faz uso do seu rosto de traços eslavos e com rasgados sorrisos procura seduzir o eleitorado tradicional do aliado de sempre. Entusiasmada com o sentido de oportunidade que lhe proporcionou a vitória por falta de comparência na capital, prossegue deslumbrada na crista da onda. Esperta, preenche o espaço deixado vago pela inércia e pelo parco talento de uma liderança esgotada, mas repete o erro e ao invés de desunir, oferece novo propósito à geringonça. Não só não deu voz à indignação, pois todos lhe reconheceram o oportunismo, como pior, perdeu na (co)moção de censura. As águas voltarão a ser turvas e a corrente favorável na comunicação social perderá força porque o objectivo regenerador está cumprido – as eleições para a liderança do Partido Social Democrata já estão marcadas.