Monthly Archives: Agosto 2015

Aviso à Tripulação

Começamos a perder as palavras quando a esperança se começa a esfumar e as palavras afinal não nos levaram a acto nenhum…

Estamos no verão e ninguém está para se chatear muito, mas os Verões em Portugal nos últimos anos tendem a ser incendiários…

Sobre o programa eleitoral do PSD e CDS, e não chateio mais, pág 35, a abertura da porta para a privatização da segurança social. Não sejamos parvos…

Não se trata de sustentabilidade, mas de desigualdade! A Segurança Social é a instituição responsável pelo combate às desigualdades sociais. Menos Segurança Social implicará sempre mais desigualdade. O ataque às seguranças sociais dos países e a sua abertura aos seguros privados tem por trás uma ideologia e uma escolha: a escolha entre uma segurança social pública, de contribuição obrigatória, com o objectivo de garantir a redistribuição dos rendimentos e diminuir as desigualdades sociais; ou seguradoras privadas, de contribuição opcional e por isso de tendência classista, com o objectivo de maximização dos lucros, tendo como resultado a agudização das desigualdades sociais.

O que Passos e Portas querem é garantir uma reforma mínima a todos, tendencialmente bastante pequena (em nome da tal sustentabilidade) garantindo a manutenção da pobreza dos mais pobres; e quem quiser garantir uma reforma mais digna terá que ter capacidade de poupança ao longo da vida para um seguro privado. Isto na hipótese de ser garantido um seguro privado, uma vez que a garantia de uma reforma privada tem um risco superior a uma reforma pública… é que as seguradoras também vão à falência.

Esta é uma reforma não em nome da sustentabilidade, mas em nome de uma ideologia, a ultra liberal, com um vinco claramente ideológico. Daqui a 20 anos seria a total liberalização das reformas.

A sustentabilidade da Segurança Social passará sempre pela sua função de redistribuição dos rendimentos, por uma politica de aumento dos salários, de manutenção das taxas de contribuição, de políticas de crescimento e desenvolvimento económico.

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E depois de Hiroshima e Nagasaki?

Fez hoje 70 anos que os EUA lançaram sobre Hiroshima a primeira das duas bombas atómicas que levaram à rendição do Japão na 2ª Guerra Mundial.

Três dias depois, fará no domingo 70 anos, foi lançada a segunda bomba em Nagasaki.

11 h Nagasaki

A investigação cientifica, o investimento em armas, a economia de guerra, a vontade e a acção humana mataram no Japão mais muito mais das 200 mil pessoas, número redondo, que morreram queimadas com o calor e o fogo. Outro número redondo qualquer bastante mais impreciso, forma o número de pessoas que vieram a morrer meses e anos depois devido à exposição à radioactividade. Os efeitos causados fez com que os seus sobreviventes transmitissem as lesões para as próximas gerações. Ainda hoje, crianças nascem com problemas genéticos causados pela radiação das bombas. As bombas varreram as cidades de Hiroshima e Nagasaki, levando tudo, prédios, pessoas, animais, árvores, tudo, afectou os solos, entrou na própria genética daqueles que sobreviveram a este horror, e manchou para sempre a Humanidade.

Hiroshima

Sombras de Hiroshima

Nagasaki

Não existe dignidade na guerra. E é nestes momentos que me apetece malhar nos americanos… Não por Hiroshima nem Nagasaki, porque só nos resta um silêncio ensurdecedor e o fingir esquecer aquilo que jamais poderá ser esquecido… mas porque mantém uma economia da guerra, porque fazem dinheiro com a guerra, porque fazem guerras simplesmente porque sim (como com o Iraque que quiseram porque quiseram ir chagar o Saddam devido às armas de destruição massiva que nunca foram encontradas!), porque vão para o Afeganistão e a coisa é sempre pintada em forma de ameaça à paz mundial, temos lá nós ferramentas para avaliar a situação… resta-nos acreditar nos jornais, no presidente sempre idóneo dos EUA e nos chamados peritos (que de resto estamos na era deles!). E assim foi a segunda metade do séc.XX, e assim se entrou no séc XXI e estamos em 2015 e só se houve falar das ofensivas americanas.

Não quero discutir as razões para os conflitos armados em cada década e a cada guerra. Quero apenas recordar aquilo que me esmaga enquanto ser humano: os milhares de pessoas mortas, feridas, sobreviventes e gerações seguintes, todos vítimas há 70 anos da bomba atómica.

E quero recordar que as décadas seguintes a este verão de 1945 foram de corrida ao armamento, com imensos pretextos, e que armas bem mais poderosas e destrutivas estão desenvolvidas. O ensurdecedor silêncio não chegou!

E falamos do euro, da gorda alemã, do Bruno Maçães que é um idiota mas não é pior do que todos os outros, falamos das eleições, falamos muito de precariedade mas pouco das suas consequências práticas, e de quando em vez ouvimos as ofensivas americanas, e no outro dia foi a mega ofensiva turca contra jihadistas e curdos do PKK, que são obrigados a lutar para sobreviver… mas de Paz falamos tão pouco! E do Desarmamento nem falamos… Armam-se porque os outros se armam, há discussões e pressões para o acesso à bomba atómica, há quem desista, há quem jure que não tem, há quem tenha e nem jura… Quando deveria-se jurar era o efectivo compromisso de desarmamento nuclear mundial!

Mas depois de Hiroshima e Nagasaki nem sei como a poesia sobreviveu, mesmo depois de ter sido dada como morta. Será isso aquilo a que chamam esperança?


Hiroshima