Category Archives: Escárnio e mal-dizer
Nada como uma boa troça visando quem o merece. Por vezes hipérboles, alegorias e metáforas conduzem a um certo enfabulamento mas muitas vezes a acutilância mordaz mais não faz do que realçar o ridículo da realidade.
Die Zauberflöte

Mas que bela opereta esta. Já sabemos tudo, mas sempre com prefixo: Alegadamente. O Libretto está escrito há algum tempo. Diz-se que é obra maçónica. Teorias da conspiração não faltam, mas concreto, nada. O público vibra com emoção. Uns indignados outros em êxtase. A transformação dos estados de espírito é mágica. Será que ouvimos a Flauta Mágica?
Tamino e Papageno cumprem o ritual iniciático, o silêncio. Para uns o detido é Monostatos, para outros é Sarastro. Tenho dúvidas. E se a obra for outra? E se é ópera bufa? Nada sabemos.
Não estou certo que seja este o caminho da virtude, mas confesso que gostava de estar enganado. Temo precoce toda esta celebração da mudança. Tantos outros que vimos passar esta fase e que hoje se passeiam alegremente, impunes.
Entre nós, a Rainha da Noite vence sempre. Aguardemos pelo concreto.
Quem gera mais postos de trabalho?
Em tenra idade injustiçado, foi discriminado entre laranjas. Alegadamente, o jovem não respeitara a bicha para a casa de banho da discoteca. O cavaquistão era então demasiado sombrio para quem tinha tanta ambição. Alistou-se como O Independente na trincheira contra tudo – Contra quem nunca se engana e raramente teve dúvidas, contra a Europa e não menos vezes contra a verdade. A mentira deu então alguma cor à indústria do entretimento nacional, dita imprensa. Foi giro.
Certo dia, apanhou boleia num táxi. Conduzia o Monteiro enquanto o jovem estudava itinerários alternativos (ainda não havia GPS). Eram do contra. Trocaram de eufemismo: o Centrismo deu lugar ao Populismo. Também foi giro. Contudo, não chegaram ao destino. A culpa? Do motorista. Despedido o condutor, avançou o timoneiro. Deixaram terra e fizeram-se ao mar. O jovem líder deu então largas à simpatia e à ternura. Partiu do Caldas e visitou todas as feiras, sem nunca esquecer a lavoura. O arraial foi tal, que nem demos conta que já não era do contra. Viva a Europa! Para melhor muda-se sempre, não é verdade?
Quem espera sempre alcança, e a oportunidade surgiu quando quem não sabia fazer contas fugiu do pântano. Fomos então brindados com quem não estava preparado para aquilo. O Jovem estreou-se então no sentido de Estado. Coube-lhe a pasta da Defesa Nacional. Comprou os Submarinos certos, da forma errada. Ter-se-á esquecido da manutenção. Como o país estava de tanga, poupa-se onde se pode, menos nas fotocopias. Chamado para outros voos, o primeiro de então é substituído pela vedeta que estava no banco. Ouviram-se depois os concertos para violino de Chopin. O Cenoura não gostou e pôs fim à festa. Ainda houve tempo para mais uma prova de apreço à lavoura – Lá se foram os sobreiros. Eram tempos da Santa dinastia. O jovem, que entretanto já não era, nem jovem, nem do contra, foi dar aulas. Enquanto esteve na terra dos bravos e na casa dos livres, deixou o Ribeiro ao Leme do bote até à mudança da maré.
Regressou na preia-mar e deu ao Ribeiro o destino do Monteiro, o esquecimento. À doutrina da lavoura acrescentou a protecção dos reformados e transformou o Caldas no ultimo bastião do contribuinte. Com convicções não se brinca! Esteve na primeira linha de todas as batalhas contra os desprotegidos. Cinéfilo confesso, fez os seus filmes com relativo sucesso. Vivíamos então acima das nossas possibilidades. Venha a ajuda. Chegada a dita, regressou coligado ao sentido de Estado. Abraçou a diplomacia económica, tarefa que justificou a ausência da ribalta domestica. Apesar do amor à lavoura, não partilhou o protagonismo tauromáquico. Acabada a faena do matador de touros, fez birra. Irrevogavelmente demissionário, foi promovido a vice e já desse posto anunciou a salvação da nação – a venda dourada de vistos. Tem jeito para publicidade.
Chegado o verão de 2014, enquanto outros foram de férias para o sotavento algarvio, ficou ao Leme do executivo. Tão obstinado estava com o bem-estar das populações, que em época de hipertensão a ministra das finanças não o conseguiu contactar. Evitou bem os danos colaterais. Consta que tem horror a seringas, pelo que também nada sabe sobre a injecção. Moral vertical mas ágil de convicções. Uma inteligência viva, um exímio gestor de crises. Foge como ninguém. Tem no dom da palavra uma arma justamente temida pelos adversários, sejam eles parceiros de coligação ou não. É brilhante!
Ontem, precisamente às 18h38, deu-nos um excelente ensinamento sobre como responder a uma questão desconfortável. Como é feio responder a uma pergunta com outra pergunta, responde com duas:
Quem gera mais postos de trabalho? A Remar ou a Bolsa de Excedentários?
Jogos sem Fronteiras
Revisto o visto, salta à vista que reluz, mas não é ouro. É pechisbeque. Os vistos foram vistos como uma oportunidade para o verdadeiro empreendedorismo. Daquele que não é para piegas. Compareceram os valentes, só depois alguém declarou abertos os Jogos sem Fronteiras.

Parece que nós, pequeno país europeu, não somos piores que outros, mas também não somos nenhum Grão-Ducado. Nunca! Jamais facilitaremos, jamais abriremos excepções às pessoas colectivas. Sim, somos muito humanos, pioneiros na abolição da escravatura, sensíveis apenas aos desejos de pessoas, sobretudo quando oriundas de outras culturas. Mais um grande sucesso! Haja dinheiro, tudo se resolverá…
Prescrita Impunidade
Acabou-se a impunidade. Mais que certo. Desta é que é, nada voltará a ser como antes. Nenhum ladrão de fruta poderá evitar o cárcere com manobras dilatórias. Isto porque o roubo de fruta, como todos sabemos, é muito rentável, e como tal os recursos para manobras dilatórias abundam. Quem ajuda a mercearia de bairro que se vê privada da sua mercadoria? Quem? A Justiceira. Pelo menos assim decretou com pompa e circunstância.
Sitiada pelo Citius, não baixou a guarda. Assumiu a relatividade das responsabilidades, pediu desculpa ao telejornal. Foi bonito. Foi humano. Consequências retirou? Sim, claro que sim: Atacou com uma sindicância aos serviços. O Inquérito decorreu, averiguou e concluiu – foram dois malandros que a soldo do mal sabotaram o sistema. Haja culpa! Age-se em conformidade, envia-se o relatório para a PGR. Lá saberão o que fazer. À justiça o que é da justiça. Separação de poderes pois então. Isto por cá não é a parte leste de um ilha no pacifico. Assim foi. Oxalá não prescreva.
Afinal não, afinal nada há a investigar. “As diligências realizadas” permitiram concluir “não existirem indícios do crime de sabotagem informática”. Mau. Querem ver que foram os russos? E agora? Regressa a impunidade? Não, claro que não, agora a Justiceira ordenará uma sindicância ao inquérito para apurar quem apurou aquilo que afinal não foi. Confuso não é? Vou tentar novamente – Agora, investigar-se-á a investigação feita, para que se possa perceber se há ou não pedidos de desculpa a pedir, a quem e porquê. Entretanto, parece que a Impunidade prescreveu…
Espião no Sado
Um Golfinho russo, camuflado de Roaz-corvineiro, violou a interdição de pesca no interior da Marina de Tróia. O Ministério da Defesa Nacional emitiu um comunicado, esclarecendo que não chegou a accionar os meios navais da Atlantic Ferries, pois o intruso foi escoltado até Sesimbra pelas Tainhas residentes na Marina…
Polyprion Americanus
Tantos anos a empatar anzol, para agora, finda a pescaria ser agraciado por sua excelência a demência. Ele pescou à boia, à chumbadinha, ele fez tudo e de tudo fez para a agradar. Ele, que de tanga nos deixou e a Europa abraçou. A nenhum poder atrapalhou, e assim uma década ficou. Canta até vitória porque com aquilo não acabou. Que grande feito.
Alguns (piores que eu), dizem que por nós nada fez. Mal seria se tem feito. Só os tontos acreditavam na importância, na relevância, de ser um luso à frente do bando, dita banda, da comissão. Tontos ou mal-intencionados, talvez habituados às praticas domesticas, aquela palete de cores, um degradê do laranja ao rosa. Nada como um palerma útil, destes que zelam pelo umbigo. Esperto, nunca andou à bolina. Deu sempre a ré ao vento, fez popa rasa.
Pobre infante que em sua ordem vê celebrada tamanha pequenez. Não há bandido que entre nós não receba pelo menos uma comenda.
Um ano de transportes públicos, Grátis!
Gosto muito de publicidade, especialmente da televisiva. Toca-me a profundidade da mensagem, mas aquilo que verdadeiramente me emociona são as cores. Gosto dos tons com que os publicitários pintam os seus quadros. Contemplá-los é simplesmente sublime.
Os tempos são difíceis, e até a arte publicitária se vê privada de meios. São hoje raras as aguarelas ou óleos. Sim, a serigrafia é a receita. Sejam séries grandes ou pequenas, é arte para todos. Belo e democrático.
Até as pequenas empresas chinesas que entre nós empreendem se renderam a esta arte, barata, mas que nos aguça a sensibilidade e enternece o ego. É mesmo muito bonito! De tudo isto, é bom exemplo o mais recente anuncio desse grande mecenas que é a EDP, qual casa de Sabóia dos nossos dias. Só lhe faltam os tons de azul no logótipo.
Muito para além da generosa oferta de 1 Ano de Energia Grátis, há todo um bem-estar que desperta. Digo-vos sem ironia, só me apetece andar de transportes públicos! Quero aqui agradecer a todos quantos contribuíram para este meu despertar, ao mecenas, aos artistas criativos e aos modelos que fazem pose. É preciso ser muito estúpido para não andar de autocarro no nosso país. Obrigado por me recordarem quão maravilhoso é o nosso quotidiano.

ZEE 2115
A França, terra da liberdade, igualdade e fraternidade, vendeu à Russia dois navios da classe Mistral. Nicolas Sarkozy anunciou o negócio no final de 2010, e os contratos foram assinados no inicio de 2011. Os estaleiros STX France cobraram 1,2 mil milhões de euros pelos dois porta-helicópteros. Apenas 20% mais caros do que os submarinos da classe Tridente que compramos à alemã Ferrostaal. Convêm salientar que o preço não inclui os 16 helicópteros, nem os 40 blindados que cada navio pode transportar. Não houve contrapartidas, nem ajudas. Conseguiram fechar o negócio sem o precioso auxílio duma Escom lá do sítio.
Em Junho deste ano, os norte-americanos manifestaram duvidas quanto à conformidade da primeira entrega com as sanções (entretanto) impostas à Rússia. Propõem a venda ou aluguer destes navios à NATO. França diz que não. O cancelamento é caro, porque os russos já pagaram, e para além disso quer alemães quer britânicos têm vendido armas à Rússia. O secretário-geral da NATO, o dinamarquês Fogh Rasmussen é peremptório – a decisão compete à França. Em Julho, François Hollande anunciou a entrega do “Vladivostok” dentro do prazo (Outubro de 2014), mas qual abstenção violenta, condicionou a entrega do “Sevastopol” à evolução da situação na Ucrânia. Uma posição surpreendentemente lusitana: uma no cravo, outra na ferradura. Apesar de pouco solidário, foi fraternal… Entretanto, a guarnição russa do navio chegou a França. Os testes no cais começaram no dia 6 de Julho, mas antes do inicio dos testes de mar, o volte-face – Hollande anunciou ontem o cancelamento da entrega do primeiro navio. Parece que alguém na NATO ficará com ele. Resta saber quem.
A meu ver, ninguém no ocidente pode acusar a França de inconsistência. É certo que mudou de posição em pouco tempo, mas essa parece ser a prática vigente. Há menos de um ano, o programa nuclear do Irão era uma questão bélica e Bashar al-Assad era a personificação do mal na Síria. São dinâmicas da geopolítica. Hoje, parece que Teerão apenas quer a tecnologia nuclear para fins energéticos e al-Assad é quase (quase) um aliado. Afinal há mesmo terroristas por aquelas bandas. Por cá também, dizem. Exportamos, garantem. Tudo a bem do equilíbrio da balança comercial. Não percam os próximos episódios, o tema promete.
E os navios, quem fica com os navios? Tenho uma teoria, certamente presunçosa, mas julgo que fundamentada: Está para breve o alargamento da nossa Zona Económica Exclusiva; somos o membro da NATO com maior tradição marítima; temos a Escola Naval mais antiga do mundo; ampla experiência no leasing de equipamento militar e claro, somos um povo com uma natureza profundamente voluntária.
Julgo chegado o momento para a concretização de um sonho, o “N.R.P. Fénix“. Será provavelmente adicionado ao efectivo da nossa Marinha, talvez já em 2015. Além do nome de baptismo, passe a imodéstia, proponho o indicativo visual. Na amura ler-se-á “ZEE 2115”, numa tripla alusão a quem vai pagar o aluguer (o Zé), ao ano da ultima prestação, e claro à Zona Económica Exclusiva (ZEE). Talvez seja desta… Bem sei que não será um porta-aviões, nem foi construído em Portugal, mas é um principio!
Silêncio
Sagaz e mui honrado senhor, a pulso progrediu. Politico de grande estatura, por ser professor, prestigiado docente, por ser politico, um estadista que fez escola. E que escola! Eleito e reeleito, dado como acabado voltou. Voltou e repetiu. Apelou.
Outrora brilhante investidor, deu garantias, depois calou-se. A neblina caiu e nunca mais se ouviu. Terá sido enganado como nós, ou ajudou à festa? Não retira consequências? Bem sei que não são os estatutos dos Açores, mas nem um gesto? Nada?
São só milhões, bpn e picos, nem 8 mil. Compreende-se. Ou não? Estará de Férias? Doente? Já sei, reflecte enquanto ouve musica:
Com-Fisco ou Sem-Fisco?
Abro o jornal, e ouço falar do BES, do BPN, do BPP.
Mudo de canal e leio… BES, BPN, BPP.
Ligo o rádio (ou telefonia… enfim… ) e o que vejo? BES, BPN, BPP.
No porta moedas apalpo (!) 10.000.000.000. Dez Mil Milhões?!
Começo a ficar baralhado… a sentir… coisas; pronto…
Bom dia também para si. Será bom dia? Dia?
Também anda a morrer gente que eu gosto. Frequentemente.
PS-A imagem imposta aqui, é de contribuição anónima.








