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Crucial instrumento náutico. Permite fixar navios em posições sob fundos rochosos, lodosos ou arenosos. Geralmente fabricada em metal, é constituída por uma haste principal. Numa das extremidades são ligados os braços pontiagudos para penetração no fundo ou fixação sob rochas. Na extremidade oposta da haste, o arnete permite a fixação da amarra que liga a âncora ao navio.
O estreitar do poder
Numa jogada magistral eis que a invasão de Ceuta exponencia a fricção pública entre esquerdistas e direitistas, alimentando o ódio mútuo que cada vez mais alarga o fosso que os separa. Cada facção empodera-se a si própria com o reforço crescente da sua razão incontestável. Na realidade ambos são ludibriados pela sua inteligência, de espectro reduzido, deixando-se manipular devido à sua ignorância sobre o mais abrangente. Inteligência é útil mas está longe de equivaler à sabedoria. O que se passou em Ceuta não foi nada do que qualquer um dos lados alega mas sim algo muito mais complexo que é aflorado neste vídeo. Se tens a certeza de que foi um simples caso de crise humanitária, onde o que deve ser debatido é a abertura para os receber ou não, por favor permite-te exposição a enredos geo-políticos de alto nível.
Mais do que chover no molhado, opinando sobre o que já está mais do que abordado sob múltiplos pontos de vista, irei neste post destacar o que tem acontecido nos últimos tempos e que pode muito bem estar correlacionado.
- 2014: Rússia invade Crimeia passando a deter controlo do estreito de Kerch, foi a semente para a situação de guerra hoje vivida.
- 2025: USA exigem o fim da influência chinesa no canal do Panamá e maior controlo sobre a actividade marítima nessa rota.
- 2026.02: USA atacam Irão e tentam assumir o controlo do estreito de Ormuz, ensaindo várias estratégias para o seu financiamento por parte dos utentes dessa rota marítima. Ao mesmo tempo causam enorme disrupção, ou mesmo adiamento, do projecto chinês de estabelecimento de uma nova rota da seda, independente do transporte marítimo.
- 2026.06: USA reforçam influência sobre gestão do estreito de Malaca ao firmar parceria com Indonésia. (que se junta às já existentes com Tailândia, Singapura e Malásia)
- 2026.07: Marrocos usa a fachada de uma vaga migrante para exercer pressão de encontro à recuperação de território ocupado por Espanha (Ceuta e Melilla), duas cidades do Norte de África (não no continente Europeu) fundamentais para o controlo do estreito de Gibraltar. Marrocos é um aliado preferencial de USA e Israel.
- 2026.08: Trump afirma que até ao final do mandato a gestão da Gronolândia será tranferida para os USA. Curiosamente dentro da esfera de influência da Gronolândia está o importante estreito da Dinamarca.
Como se pode ver, apesar das narrativas de promoção de direitos humanos, democracia, travar o comunismo, etc, o que se efectiva é uma tentativa de domínio absoluto dos principais pontos de navegação marítima. Se executado como planeado significa o enorme alavancar na influência geo-política, impacto nas economias de transporte e negociações comerciais.

Isto é o que verdadeiramente se está a passar. A tentativa de um poder dominante prolongar a sua hegemonia, causando forte disrupção em todos os concorrentes, doa quem doer. Servindo-se de peões inocentes, criando ignorantes úteis em ambos os pólos para que se desgastem infantilmente numa luta fraterna, ao invés de como os graúdos que são, investirem o seu tempo e energia para perceber e tentar travar as nefastas transformações que estão a ser impostas ao mundo.
Não faço a mínima ideia de como se travam acontecimentos desta magnitude mas comecemos pelo básico, abramos os olhos e encontremo-nos no caminho do meio.
Da resistência ao terrorismo basta um título de jornal
Façamos um exercício de conexão para com o impacto local destas iniciativas de interesse nacional, a nível de transformação da paisagem, extracção, uso e abuso de recursos naturais, impacto no quotidiano diário das populações dentro da esfera de influência das novas instalações e actividades.
- O novo data center de Sines irá consumir o equivalente a 20% da electricidade em Portugal e criará milhares de postos de trabalho directos e indirectos.
- A Zona Industrial e Logística de Sines (ZILS) irá expandir com projetos de hidrogénio verde, amónia verde, energia solar e produção de baterias de lítio, originando o abate de milhares de árvores. Ao mesmo tempo irá reforçar-se a distribuição da rede energética de e para este ponto de alta actividade industrial, com mais um milhar de árvores a abater.
- Logo ali ao lado também a região de Santiago do Cacém se junta ao novo festim energético com implantação de parques solares a ocupar mais de mil hectares obrigando ao abate de mais de um milhão de árvores.
- Pondo de lado o necessário sacrifício de fauna e flora, com mais de 500 animais selvagens de grande porte chacinados a tiro, também orgulhosamente se impõe a ecológica instalação solar da Torre Bela que descaracterizou completamente uma tapada de 1000 hectares onde 400 foram entregues aos painéis.
- O sucesso é tal que aceleram as iniciativas para agilizar a instalação de mais uns milhares de hectares de parques solares e eólicos, através de consulta pública para “aprovação silenciosa” de eligibilidade de mais terras para estes fins.
- Mais a norte outro tipo de progresso está em curso, depois da prospecção agressiva para estudo. está confirmada a viabilidade e riqueza de lítio em Boticas, Covas do Barroso, são 20 milhões de toneladas de minério a extrair, 500 postos de trabalho durante 14 anos de vida útil.
- (tantas outras podiam ser listadas, peço-vos ajuda a completarem nos comentários com as que vos provocam dor na alma)
Quando necessário servidões administrativas e expropriações permitiram o atropelo de proprietários, em prol do desenvolvimento do país. As máquinas e trabalham avançam de forma imparável e legalmente blindadas. Imaginemos estar no meio ou orla destes acontecimentos. O que sentíriamos, o que defenderíamos o que teríamos ganas de fazer?
O processo será sempre muito similar, primeiro a incredulidade para com o que se está a desencadear, a primeira reacção dentro da esfera legal com a abertura de providências cautelares que travem a catástrofe, a tentativa de mobilização da sociedade local e nacional, depois chega a frustração gerada por de pareceres jurídicos ou decisões governamentais que anulam o efeito imediato das providências, a constatação de que a força digital em pouco ou nada se manifesta na realidade local, por fim chega o desalento de não ter os meios e tempo necessário para um combate judicial significativo e com resultados práticos.
Há os que por fadiga desistem, abandonando causa e local, há os que por condicionantes se conformam, adaptando-se à nova realidade local, e outros passa a processar uma contínua amargura e raiva, tentando evitar desencadear acções das quais se possam arrepender. Pois agir neste contexto, mais do que resistir em defesa do que consideram justo e precioso, será interpretado, aos olhos da lei, com um hediondo acto terrorista e criminoso. O termo “terrorismo” foi definido de forma suficientemente abrangente para poder ser aplicado independentemente do contexto, causa e consequência, derivando para várias nuances, existindo a particular do ecoterrorista, alguém que ousa aplicar a equidade no uso da força em defesa de ecologia e ambiente.

Curiosamente olhando para a definição do termo podemos facilmente afirmar que existe terrorismo subjacente
- à forma como canetas em gabinetes fechados, situados na malha urbana, emitem despachos para a destruição de largas porções de território, começando aqui um terrorismo psicológico via decretos que irão mudar substancialmente partes do território e seus modos de vida geracionais;
- ao uso de grupos de segurança privados e grandes máquinas para entrar dentro de terrenos privados destruindo muros, árvores e tudo o mais que esteja no caminho;
- aos grandes incêndios que coincidentemente assolam as áreas a desflorestar algum tempo antes do início dos trabalhos;
- ao ignorar dos alertas e apelos de autarcas e populações locais sobre os efeitos nefastos dos projectos planeados/executados;
- à ausência ou descaso de estudos de impacto ambiental pormenorizados que demonstrem os efeitos negativos dos projectos sobre os ecossistemas afectados;
- ao vender da nossa beleza e património natural a interesses económicos de curto a médio prazo de forma praticamente irremediável;
Neste contexto não existem mecanismos legais para acusar o estado de terrorismo na manipulação da população com fins políticos, económicos ou ideológicos, estando este legitimado para exercício da violência física ao nosso território sob pretexto de progresso e desenvolvimento.
Em momentos como estes resta-nos buscar a inspiração de eventos passados. Onde acima dos artifícios legais e retórica moral, vinga o senso comum e a lei natural de direito ao bem-estar. Neste modelo acção com reacção se responde, empoderados pela justiça, bem comum e amor ao seu lar. Em união, em resiliênca, em consequência.
1989, Vale do Lila, centenas de pessoas uniram-se e DESTRUIRAM 200 hectares de plantação de eucalipto. Mesmo face a 200 agentes da GNR, não vacilaram. Expulsaram a Soporcel que decidiu não valer a pena a luta. Hoje estão rodeados de nogueiras e amendoeiras, oliveiras e pinho.
Se resistentes ou ecoterroristas os artigos mediáticos que os cataloguem em função da sua agenda, pois à vista desarmada simplesmente foram um povo a em legitima defesa dos seus interesses. A sabedoria, coragem e força para a imposição da fronteira do aceitável é algo que só descobrimos ter ou não ter quando o destino nos coloca face a face com uma situação desta gravidade e magnitude. Que a lucidez nos conduza à salvação e ao travar da expansão desenfreada em detrimento da (re)florestação.
Soltura dos Coelhões!
Mais um ano passou, é chegada a altura do coelho sair da toca. Existe no entanto algum receio de que este possa estar contaminado com zoonose perigosa, pelo que ainda se avalia se será recebido a foguetes de celebração ou a tiros de exterminação.
Mas chega de futurologia. Centremo-nos por agora naquele que foi o nosso passado recente.
NOTA: este post resulta de uma compilação do que de mais significativo se passou relativamente à gestão pandémica. Para mais detalhes e resumos semanais deve ser seguido o nosso canal telegram https://t.me/aoleme
Em Portugal
O ano começou com a aplicação em barda das doses de reforço, que chegaram às 6 milhões, centenas de milhares de testes diários e mais de meio milhão de pessoas em isolamento profilático. Apesar do cenário pandémico, as eleições foram consideradas o mais importante, com o direito de voto a sobrepor-se às medidas de prevenção.
Progressivamente, até meados do ano, foram abandonadas praticamente todas as medidas e restrições, o que muito agradou ao país, apesar de desagradar a alguns especialistas. Para os colocar no lugar, o nosso querido Marcelo faz questão de relembrar que as decisões a respeitar são as do poder político, não o opinanço dos especialistas. Em Maio, apesar da alta taxa de vacinação estavamos na frente do pelotão de casos activos. Em Setembro considera-se que a maioria da população tem anticorpos activos e que por isso podemos estar mais descansados. Em Outubro dados do Infarmed indicam que foram registados 38.000 casos de reacções adversas à vacina. Tendo em conta que apenas 1% a 10% dos casos são reportados, podemos de forma grosseira multiplicar no mínimo por 10 este número. Em início de Dezembro a DGS recomenda a vacinação de crianças dos 5 aos 11 anos para logo na semana seguinte alertar para possíveis sintomas de miocardite e pericardite em crianças, até 14 dias depois da toma, pedindo também para espaçar com toma de outras vacinas já que não se conhece ainda a interacção entre elas. As urgências ao longo do ano tem estado assoberbadas, agravando-se no final do ano com especial incidência nas camadas jovens.
Em Abril começou a notar-se uma tendência anormal de mortalidade excessiva, reforçada em Maio, justificada pelo calor em Julho, mais escrutinada em Agosto, voltando a referir-se os números diários muito anormais em Dezembro. Ou seja, estamos a falecer bastante, até 40% acima da média, não se sabe bem porquê mas também não é muito importante, sobretudo se não se der destaque a isso, não vão as pessoas começar a usar a cabeça para tentar perceber que causas potenciais poderão afectar a maioria da população.
Em Maio foi publicado o documento resultante do Anteprojecto de Lei de Protecção em Emergência de Saúde Pública, que basicamente procura agilizar e legitimar a adopção de algumas medidas de emergência sanitária, que hoje atropelam direitos constitucionais. Em Julho o Tribunal Constitucional conclui que foram declaradas quarentenas e confinamentos de forma inconstitucional. Eis que em Novembro a revisão da constituição é repescada para a ribalta, com enfoque também na actuação em emergência sanitária. Mais ou menos na mesma altura em que são anuladas as multas, passadas pela ASAE, por não conformidade com regras decretadas durante a pandemia. Em Dezembro Marta Temido, que atravessou toda a gestão pandémica, é nomeada para vice-presidente da comissão de eventual revisão constitucional.
A Nível Internacional
Tal como em Portugal o ano começou intenso, ocorrendo um progressivo desagravar das medidas e restrições em vigor, até meados do ano. Velocidades diferentes em cada país e continente, convergindo no sentido de deixar de ser uma preocupação urgente. Vários países passaram inclusive a desaconselhar a toma de vacinas a várias faixas etárias.
Ocorreram ao longo do ano manifestações significativas (Alemanha, Reino Unido, Áustria, Bélgica, Austrália, Canadá, etc) por saturação para com medidas restritivas, recusa ao uso de certificado digital e à possibilidade de decreto de vacinação obrigatória (sectorial e/ou total). Na Áustria a lei de vacinação obrigatória esteve em vigor menos de um mês sem qualquer impacto no aumento das taxas de vacinação. Na Nova Zelândia foi considerada ilegal. Parte significativa do pessoal da área de saúde recusa também a toma das vacinas, apesar da coação e ameaça de despedimento.
Apesar do incentivo à vacinação continuada, as doses de reforço acabaram por deixar de ter tanta procura com centenas de milhões a terem de ser destruídas a nível mundial, por falta de adopção pela população. Estranhamente países com baixa taxa de vacinação, como Nigéria e Ucrânia, não são assolados por picos de infecção nem de mortandade. Nesta última, devido a condições impostas pela guerra, esperava-se uma catástrofe epidémica que felizmente não se verificou.
Autoridades de vários países, até a própria OMS, adoptam narrativas que estigmatizam e demonizam os que se opõem a medidas restritivas da liberdade e não aceitam imposição de testes e vacinação sobre si, rotulando-os de anti-vaxxers, termo que colam a extrema-direita, radicais, terroristas, etc. Além de declarações públicas é feito o cancelamento digital com anulação de contas em várias plataformas e/ou censura de conteúdos. Estes grupos estimam de forma científica e estatística que existem já dezenas de milhões de mortos devido a vacinas.
Em Outubro Presidente da Pfizer não comparece em audiência requerida por Comité do Parlamento Europeu. A representante por si enviada pouco desenvolveu nas respostas às questões colocadas, mesmo assim foram dados sinais preocupantes da forma como foi conduzido o processo de desenvolvimento, aprovação e contratação das vacinas. Por exemplo foi assumido que não se testou se a vacina funcionaria como meio de paragem da transmissão e não se explica como as vacinas foram investigadas e desenvolvidas antes do surgimento do vírus.
OMS criou este ano um comité para rever e optimizar procedimentos a aplicar em futuras pandemias. Esperam reestruturar e criar um guião de resposta internacional coesa que possa ser aplicada já em 2024.
Tal como em Portugal a mortalidade excessiva é um flagelo que está a atingir várias partes do mundo como USA, Alemanha, Austrália, Reino Unido, etc, sendo o síndrome de morte súbita, que engloba todas as mortes repentinas sem explicação causística, apontado como o principal responsável.
Neste momento a anulação da política Zero Casos praticada pela China, tão criticada pelo Ocidente, aparenta ter despoletado um descontrolo de novos casos, hospitalizações e óbitos naquela nação. O que deixa o mundo algo apreensivo devido ao simbolismo de ali, em 2019, mais ou menos na mesma altura, assim se ter iniciado a pandemia. Passados quase três anos ainda não existe um alinhamento sobre o que fazer relativamente a voos oriundos da China. Ou seja, no virar de ano somos assombrados pelo fantasma da repetição de tudo o que esquecemos nos últimos 6 meses.
Além de tudo isto em Fevereiro inicia-se a invasão Russa da Ucrânia, que perdura até hoje, sendo a grande influenciadora da disrupção energética e financeira mundial, sobretudo a nível europeu. Projecta-se que o real impacto dos efeitos colaterais desta guerra só serão sentidos em 2023.
A importância deste balanço é o tomar consciência de que, infelizmente, este é um tema que vai estar presente em 2023, ao contrário da promoção de uma apaziguadora amnistia, temos a obrigação moral de buscar o pleno entendimento de tudo o que foi decidido, como o foi, e suas repercussões futuras.
De 2020 a 2022 descobrimos que grande parte do mundo está disposta a atropelar direitos de soberania individual, impondo a adopção de actos médicos ineficazes e/ou experimentais, sob pena de discriminação legitimada ou mesmo criminalização a quem se recuse a fazê-lo. Para uma minoria foi um choque perceber isto, que existe uma ténue linha a servir de fronteira entre a sã convivência e uma tirania totalitária. Depois do choque inicial nada mais há a fazer do que encarar o acontecimento como um estímulo à transformação pessoal e colectiva, que permita criar as ferramentas capazes de travar, de forma mais salutar e eficaz, as futuras tentativas de abusos similares.
2023 será seguramente um ano complexo durante a primeira metade. Esperemos que a segunda metade seja auspiciosa e o verdadeiro virar de página de um dos períodos mais deprimentes da nossa geração.
2020 – O Reset
Este foi sem margem para dúvidas o ano de arranque da refundação da nossa sociedade e economia. A engrenagem parou de forma voluntária, supostamente doesse a quem doesse, apesar de acabar sempre por doer mais a uns do que a outros, sectores e investimentos completamente arrasados, coletes salva-vida apetrechados, numa espiral descendente de troca de direitos e liberdades fundamentais, tudo por uma prometida/ilusória preservação individual e coletiva.
Apesar do alívio de uma vindoura e progressiva salvação vaciNacional este rolo compressor de pânico ainda não terminou. A primeira metade de 2021 continuará com as ondas de choque pandémicas antes do momento de refundação sócio-económica.
Que exigente será 2021 para cada um de nós! Quão difícil será manter a sagacidade, encontrar a informação fidedigna e isenta de quaisquer interesses. 2020 foi o ano em que descaradamente ficou evidente a manipulação instrumentalizada por canais “informativos”, a filtragem delineada por ferramentas sociais, numa pretensa boa acção na ótica da defesa do bem estar comum, da proteção dos cidadãos da sua suposta imbecilidade e vulnerabilidade às sofisticadas “fake news”. Vivemos um longo período de perfeitamente seguras “right news” que garantiram confinamentos a larga escala sem contestação de relevo.
Para trás ficam outros factos, outros entendimentos, outra informação sobre saúde. Não são necessários, já temos vacina, poderemos tê-la todos os anos em resposta a novas estirpes, acima de tudo poderemos facilmente criar mecanismos para proteger os bons cidadãos dos mais incautos.
E assim começou o grande Reset. O momento em que se definirá o futuro. Este será baseado em acefalia crente nas narrativas de entidades “de confiança” ou na irreverência intelectual dos que ousam questionar a solução imediata, requerendo confrontação de factos e projecções. Apesar da clara vantagem da primeira creio que a segunda se tem vindo a fortalecer, podendo vir a afirmar-se de forma inesperada na hora H.
Uníssona será apenas a celebração de hoje. Brindemos por um novo e melhor ano! Que vença a facção mais acertada e produtiva para a construção de uma melhor humanidade.

Lições Confinadas
Os telejornais voltam a dar prime time aos crimes, ao futebol, aos escândalos popularuchos, é um bom sinal, de retoma da anormalidade pré-pandémica.
Foram largos dias de isolamento social, propícios ao cultivar de pensamentos por aqueles que conseguem escapar aos grilhões dos media e sua fábrica de realidade desejada.
No decorrer desse processo passei por estas estações de raciocínio.
Dissonância Imunitária
Os maiores grupos de risco padecem de más condições de saúde, associadas a continuados maus hábitos de vida ao longo de décadas. Estima-se que milhões de Portugueses compõem estes grupos de risco.
A solução não tem passado por promoção da correcção de hábitos de vida, sobretudo alimentares, mas sim por uma promessa de vacina que possibilitará que tudo volte ao normal, o retomar de uma voracidade egocêntrica que mina corpo e planeta. Estão dispostos a sequestrar Portugal até que a vacina obrigatória seja aplicada a nível mundial. Revelam-se autênticas bestas mediáticas no domínio das redes sociais
Na ponta oposta existe população Portuguesa, consciente do seu impacto no mundo e do que é cuidar do seu corpo, de forma natural e saudável. São pessoas estranhas que não entram em histeria colectiva, confiam no seu sistema imunitário e não temem as circunstâncias da vida. Acham ridículo que o medo de um inimigo invisível se sobreponha à alegria de um mundo palpável. Desligaram TV, cumprem ao mínimo as medidas impostas, apenas para não alarmar em demasia os demais. Não se dá por eles a não ser talvez no bronze, sorriso despreocupado e brilho nos olhos.
Estes dois grupos chocaram em conversas informais, a nível social ou familiar, podendo muito bem ter-se definido um novo tema fracturante muito mais poderoso do que a discussão de futebol, religião ou política.
O Despertar da Animália
A maioria de nós fará vida num raio de dezenas de kilómetros, percorridos de viatura própria ou transportes. Neste momento a maioria passou semanas no seu reduto de poucos m2. A neura está instalada. Anseia-se por esticar as pernas, sol, ar, liberdade.
Ao mesmo tempo que animais silvestres invadiram espaços urbanos, fazendo uso da oportunidade proporcionada pelo confinamento humano, outros animais “selvagens” continuam confinados nos zoos urbanos. Animais que no seu habitat natural percorrem centenas ou milhares de km pelos seus próprios meios, em espaços amplos e serenos.
Será esta uma oportunidade para que o animal humano sinta empatia para com os animais que aprisiona? Far-se-á um click de conexão sempre que passe a observar um animal enclausurado para divertimento ou exploração humana? Ou continuará a considerar que a liberdade é um direito reservado à divina espécie humana?
Anti-Especialíssimos
Para um leitor atento, que se sirva várias fontes de informação, que tenha acompanhado a situação nacional e internacional, é claro que a governação e comunidade científica patinaram em muitos aspectos, focando-se em fazer algo rápido e vistoso em detrimento de entendimento detalhado da situação e tomada de decisões ponderadas.
Existem prémios nobel a favor e contra o confinamento e reclusão social, existem países que fecharam a economia, países que não fecharam e países ainda perdidos no meio, estatísticas a serem interpretadas e comunicadas pelo prisma que mais corrobore as opções tomadas.
O motor de todas as decisões são especialistas, parece que cada governo tem os seus e que podem ter conclusões muito distintas, algo estranho para exercício de ciência.
O mundo não pode estar na mão de um punhado de “especialistas” nomeados, o mundo deve aproveitar o oceano de especialistas existente, fornecer-lhes a informação necessária, promover discussão e deliberação como uma consciência colectiva. Não pode haver um, dez ou vinte, haverão centenas ou milhares só em Portugal, gente de laboratório, gente académica e gente de terreno. Será um desafio para o futuro auscultar este saber distribuído e não confiar meramente em especialíssimos especialistas.
Isto não quer necessariamente dizer que se chegue a consenso e definição de uma única rota, que bom seria ter um mapa de múltiplas rotas, cada uma das quais indicada como a mais curta, a mais rápida, a mais económica, etc.
Desmascarar
Tendo em conta o atabalhoamento e pressa não posso deixar de sentir que o uso coercivo de máscaras e desinfectantes made in portugal são uma forma elegante de compensar um pouco a economia, se consumirmos muito esses consumíveis pode ser que aqueles que se adaptaram consigam prosperar e manter empregos até isto se ajeitar.
Quando os analistas de fundo fizerem o seu trabalho, reavaliarem taxa de mortalidade e perigosidade do vírus, desempenho dos países que confinaram vs os que mantiveram actividade, custos económicos e de vidas das opções tomadas, veremos se caiem as máscaras aos nossos especialistas e a todos os que cegamente seguiram as directrizes do terror.
Psicologia do Cumprimento de Cenário
Lançado em 1982, o USS Vincennes (CG-49) foi um Cruzador da Classe Ticonderoga, terceiro navio da US Navy equipado com o sistema de combate Aegis. Em 1988, em plena guerra Irão-Iraque o navio foi enviado para o Golfo Pérsico, missão durante a qual se tornaria tragicamente célebre, ao despropositadamente abater um avião comercial a 3 de Julho de 1988. A aeronave, um Airbus A300 da Iran Airways, matricula EP-IBU, realizava o voo 655, com origem no aeroporto de Bandar Abbas no Irão e com 290 pessoas a bordo. Nenhum sobreviveu.
Importa explicar que o aeroporto em causa também é utilizado pelos militares iranianos. Acresce que a região era, é e será um dos pontos mais “quentes” do planeta (assim continuará enquanto o mundo se mover a petróleo), pelo que o contexto em que o navio operava era bastante hostil, logo propenso a precipitações e mal-entendidos. Como sempre acontece nestas tragédias, as nações envolvidas trocam acusações, negam responsabilidades e apresentam dados contraditórios. Qualquer entendimento, reparação de danos ou pedido de desculpa leva anos, podendo até nunca acontecer. No caso, as famílias das vítimas foram indemnizadas pelos Estado Unidos da América, os militares envolvidos foram condecorados e nunca foi apresentado nenhum pedido formal de desculpas. Para a história fica a explicação que foi dada para o sucedido – Scenario Fulfillment, em português Cumprimento de Cenário, i.e., o fenómeno psicológico que precipita a concretização das condições exaustivamente treinadas: Perante situações similares, os automatismos tomam o controlo do discernimento. Assim foi, aquilo que a guarnição e o comandante viram nos seus monitores não foi aquilo que o sofisticado sistema Aegis lhes mostrava. Reagindo ao treino que receberam, tomaram a decisão que deles se esperava.
Por vezes este tipo de fenómeno ocorre no conforto das nossas casas, quando mesmo sem todos os factos, tomamos como certo aquilo que os dados não confirmam.
O Aplauso dos Inocentes
Em resultado da fuga a todo o custo, do contrair de enfermidade severa, é a febre da cabine que avança, indomável sobre a guarnição. Nem toda, pois alguns bravos garantem a flutuabilidade, o guarnecer das refeições, o alinhamento de velas e leme para que não se perca o rumo.
Em isolamento social, voluntário mesmo antes do imposto pela capitania, do alto da gávea condicionada, da janela das cabines cerradas, os mais ilustres, os mais afortunados e os mais vulneráveis aplaudem os seus heróis, mesmo antes do início da odisseia que se prevê atribulada e perigosa. Tal entusiasmo só rivaliza na história com o gáudio das elites romanas, ao encorajar as fileiras de gladiadores que entravam na arena do coliseu. Ambos dispostos a dar tudo pelos outros.
Esses “heróis”, que não o escolheram ser, apenas calhou de originalmente exercerem essas tarefas, trabalharão a dobrar, com risco acrescido, compensando as lacunas, satisfazendo a demanda, daqueles cujo ofício não interfere com o cumprir do serviço mínimo obrigatório à continuidade da navegação.
Rumo a 2017
Chega hoje a noite de tréguas. A noite em que se descarta tudo o que se passou no ano transacto, em que acreditamos que o ano vindouro será sempre melhor.
Ao contrário do que aconteceu internacionalmente, a nível nacional 2016 foi um ano aparentemente menos turbulento, talvez porque se mudou a forma de gerir a comunicação governamental, talvez porque se mudou a forma de noticiar, talvez porque estejamos melhores, talvez porque este tenha sido um ano de construção de novas fundações e não de cobrança de resultados.
Nós por cá navegámos em patrulha, contra correntes de pensamento, tentando agitar as águas, disparando os canhões e torpedos à nossa disposição, procurando alertar para os perigosos submarinos que se escondem sob inócuos periscópios sonda da consciência da sociedade civil.
Tão contranatura como a estabilidade da nau Geringonça, tão incompreensível como a manutenção de Passos Coelho ao leme do navio social democrata e tão (ou mais!) inacreditável como a chegada a bom porto da candidatura de Trump nas presidenciais norte-americanas, o crescimento de nosso blog é um mistério absolutamente inexplicável à luz da racionalidade.
Provavelmente, está tudo relacionado e mesmo que nem todos os supracitados fenómenos nos agradem, apraz-nos a recepção tida em 2016 às dissertações da nossa guarnição, com um aumento de 41% de visitas ao blog e de 70% de seguidores em Facebook, pelo que cá estaremos para vos acompanhar na vivência de um novo e maravilhoso ano de navegação e combate marítimo.
Resta-nos desejar uma boa saída de 2016 e melhor entrada em 2017 a todos.
USS Zumwalt (DDG-1000)
Recentemente adicionado ao efectivo, o ultra moderno e complexo contratorpedeiro da marinha norte-americana USS Zumwalt (DDG-1000) partiu da costa leste em direcção à sua futura base na costa oeste, em San Diego. Atravessava o canal do Panamá quando, vítima da sua sofisticação avariou e parou, sem capacidade de se mover. Já no passado mês de Setembro a mesma avaria obrigou a uma reparação de dez dias, operação que ditou o cancelamento de alguns dos testes de mar agendados, por forma a cumprir com a data de comissionamento prevista, o que ocorreu a 15 de Outubro deste ano. Lá estiveram muitos ilustres e claro, as madrinhas, as filhas do antigo Chefe de Operações Navais, em honra do qual o navio foi baptizado, o Almirante Elmo Zumwalt. Houve festa, música e champanhe. Ouviu-se o tradicional “Man your ship and bring her to life”. Assim fez o capitão James Kirk – deu ordem à guarnição para embarcar e dar vida ao navio, qual Star Trek a remos.
O primeiro de apenas três navios da classe, não terá ainda bem definida a sua missão. Concebidos para operar perto da costa, sobretudo apoiando acções de desembarque, estes navios não estão preparados para combate em águas profundas. Por outro lado, o elevado custo (22 mil milhões de dólares) constituí uma generosíssima fatia no orçamento da Marinha americana, ditando o adiamento ou mesmo cancelamento da modernização das frotas de Contratorpedeiros e Cruzadores lançadores de mísseis (Classes Arleigh Burke e Ticonderoga), condenando-os a uma obsolescência precoce por incapacidade de se defenderem dos novos mísseis balísticos e de cruzeiro supersónicos das marinhas Chinesa e Russa.
Carenciada de navios de superfície para integrar os grupos de combate liderados pelos seus porta-aviões nucleares, dir-se-ia que a US Navy está hoje refém de brinquedos caros e inúteis…










