Se o Navio Escola falasse…

Albert Leo SchlageterNasci na Alemanha em 1937 (Hamburgo), pelo que tive sorte com a qualidade de construção (Blohm+Voss). A dita sorte faltou-me logo no dia do baptismo. Deram-me o nome de “Albert Leo Schlageter” (herói alemão, nascido e fuzilado num bosque perto de Düsseldorf). À boa maneira Germânica, vivi uma vida saudável e disciplinada até ao final da 2ª Guerra Mundial.
Em 1945 fui capturado pelos EUA. Por lá fiquei a ganhar pó até que em 1948, fui adquirido pelo Brasil numa venda de garagem. Velejei rumo a Sul, desta feita respondendo pelo nome “Guanabara”, o qual mantive durante 13 anos. Foi giro. O clima do Rio era porreiro e a comida também.

Em 1961, Portugal reconheceu o meu valor e comprou o meu passe. Nunca esquecerei este reconhecimento, pois não é todos os dias que alguém paga 30 vezes mais do que eu tinha custado ao Brasil.

N.R.P. Sagres (A520)

No início de 1962 recebi o nome que hoje tenho, N.R.P Sagres III, o qual orgulhosamente ostento em honra do meu patrono, o Infante D. Henrique.

Em quase meio século ao serviço da Armada, fui por certo exemplo inspirador para os responsáveis políticos da nação a que sirvo: O processo de aquisição dos novos submarinos, é boa prova deste carácter inspirador.

Tridente (U-209PN) [U-Boot-Klasse 214]

É nítida a observação do meu trajecto de vida: Não acredito na mera coincidência entre a minha qualidade de construção e a dos novos submarinos. A minha captura em tenra idade encontra igualmente paralelo quer no preço, quer nos prémios pagos aos intermediários, olheiros, agentes desportivos e especialistas que ajudaram quem vendeu e quem comprou.

Estes últimos, os especialistas, são-no de pleno direito e as suas credenciais tão imaculadas como imaculado é o talento alemão para o Samba, ou o Brasileiro para o estrito cumprimento de procedimentos (virtude naturalmente herdada do colonizador).

Classe Nimitz ( “Ike” CVN69)

À data só lamento que a nação germânica não tenha ainda aprendido a fabricar Porta-Aviões.

Já teria pelo menos um a meu lado. Afinal, a idade não perdoa e os meus 74 anos reclamam por companhia.

Talvez me façam a vontade por altura das minhas bodas de diamante…

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About Gonçalo Moura da Silva

... um homem ao Leme. "A minha alma é uma orquestra oculta; não sei que instrumentos tangem e rangem, cordas e harpas, timbales e tambores. Só me conheço como sinfonia. "

Posted on Setembro 15, 2011, in Teorias da Conspiração and tagged , , , . Bookmark the permalink. 4 comentários.

  1. Fernando Ferreira

    Brilhante!
    Como nota lateral, apenas recomendo que corrijam “Há data” passando para “À data”…

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