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RTP – Rádio e Televisão, Pá
Primeiro era para vender tudo. Depois era para vender só um canal. Afinal nada venderam. Que fazer pensou então aquele cuja força anímica já escasseava. Inovou. Foi pioneiro, foi recrutar ao sector das cervejas e refrigerantes. E assim ficou. Contrato de concessão do serviço público e tudo. Porreiro, sem pá, porque a expressão completa já teve melhores dias. Entretanto a força anímica esgotou-se. Pediu substituição, casou e retemperou no Brasil. Fez bem. A nova administração ficou.
E depois? Foi melhor, foi muito melhor. A vantagem mais evidente à época foi o percurso académico do substituto. Porreiro. Tomou pose. Que fazer? Uma vez que não se pode vender, porque o irrevogável não deixa, vamos despolitizar a concessionária. Excelente. Quando se tem estudos é outra coisa! Conselho Geral, assim se chamou, mas pelo sim pelo não, não fossem os menos instruídos questionar, acrescentaram “Independente”. Um pouco de redundância não assusta os académicos. Porreiro, sempre sem pá. Convidem-se as pessoas e a alta autoridade que se prenuncie. Chega a ser comovente ver as instituições a funcionar regularmente.
Qual a missão do dito CGI? Claro e conciso: “supervisionar e fiscalizar a acção do Conselho de Administração”. Outra importante tarefa deste despolitizado Conselho é o de emitir pareceres sobre “a criação de novos serviços de programas (…) ou alterações significativas aos serviços de programas já existentes”. Cheira a lápis azul. Avancemos.
A administração administrou, o Conselho avaliou. Pago por quem? Esquece, é independente. Não vês no nome? Porreiro, vá de retro o pá. Mas avaliou o quê? O Plano Estratégico da administração da concessionária. Chumbou. Não passou no crivo. Problema? A concessionária entrou num leilão onde uma concorrente privada tinha licitado 40% menos. Oh diabo! Se a independência é para isto, acabe-se com ela. Estão a perverter o mercado. Um pecado! Mas porquê? O investimento é irresponsável? Sem a menor perspectiva de retorno? O Plano estratégico diz que o investimento tem retorno porque potencia a venda de publicidade. Será que não respeita os termos do contracto de concessão? Negativo, respeita na integra. Mau…
Que diz o académico? Diz que nada tem a dizer. O Modelo de gestão é independente (não leste o nome, estúpido?) e como tal, nada tem a dizer. Muito bem. Coerente! Espera. Não vimos já este filme no verão? Creio que lhe chamaram Resolução. O executivo criou legislação, participou e palpitou, mas no fim a decisão é exclusivamente de outros. Porreiro. Deu tão bons resultados que o processo se generalizou. Criam-se Conselhos para decidir em silencio e com a devida reserva aquilo que é da esfera de competência do executivo. É óptimo. “Respeitar a independência do conselho geral” é uma excelente resposta. Mantém-se a pose de estado e em simultâneo a postura de democrata e respeitador. Fica bem. Afinal o problema é mesmo só com a constituição.
E o Conselho que diz? Ataca as perspectivas de retorno do investimento? Não. Aponta não-conformidades com o contrato de concessão? Também não. Diz que foi quebrada a lealdade. Porreiro, mas desta feita estou mesmo tentado à adenda do “pá”. Paro e pergunto: Quem é o dono dessa concorrente privada à concessionária? Alguém conhecido? Alguém que também esteja na corrida para a época final dos saldos que se avizinha? Claro que não. O conselho é geral e é independente… Os factos falam por si, Pá!
Camarate
Hoje, pela hora do jantar, contarei aos mais novos lá de casa, como a queda de um pequeno avião bimotor deu origem ao maior mistério da nossa história recente.
“Apenas” 34 anos depois, ainda não sabemos o que se passou. Sabemos que o pequeno Cessna 421 caiu em Camarate após descolagem. Sabemos a matricula – YV-314P. Sabemos quem nele embarcou, sabemos que dele ninguém saiu vivo. Sabemos tudo isto graças ao dedicado esforço de todos quantos investigaram este indecifrável mistério. Conclusões? Acidente? Atentado? Nada. Centenas de pares de mãos cheias de nada.
Então? Cada qual escolhe por si? Seja. Subscrevo a tese do atentado. Sim, digo-o de forma clara: É um atentado! É, porque ainda está a ser. Múltiplas investigações e perícias, uma dezena de comissões de inquérito e pelo menos outras tantas teorias da conspiração transformaram o sucedido num eterno enigma. Inequivocamente encobrimento. Repito, é um atentado. Um atentado à inteligência de todos os portugueses!
Placebo
Placebo é um fármaco, tratamento ou procedimento cirúrgico dissimulado, inerte, sem principio activo. Trata todo o tipo enfermidade e baseia-se na reacção psicossomática dos pacientes. Pode de facto promover um efeito benéfico real e físico.
Não consultei nenhum simpósio terapêutico, não sei se a doença existe, mas suspeito que vivemos um surto de grave défice de cidadania. Eis as questões de teste e diagnóstico:
- Quem é que quer saber da venda da TAP quando há tanta e tão relevante informação em Évora?
- Quem quer saber do Orçamento de Estado para 2015 quando há teorias da conspiração para denunciar ou subscrever?
- Quem quer saber da reposição das subvenções vitalícias (não contributivas) quando há apostas a fazer sobre quem será o próximo a ser detido?
A resposta a qualquer uma das questões é: ninguém! Ninguém quer saber. Porquê? Bem, na verdade, é muito simples. É o efeito placebo. Mais uma teoria da conspiração? Negativo, é apenas o egoísmo colectivo a funcionar. Eis como:
Sem subscrever a teoria do bode expiatório, constato o reflexo da detenção preventiva nos Sistemas Límbicos dos telespectadores. Continuamos sem nada saber sobre a acusação, mas tal pouco importa. Cada um de nós tem a sua própria acusação! Eu, por exemplo, guardo com carinho um velho rancor. Remonta, imaginem, a 2011. Fatídico ano em que uma medida de excepção ao orçamento de estado desse ano me atribuiu um corte seis vezes superior ao previsto. Pequeno contratempo que está aliás na génese deste blog. É este abrangente e democrático critério que explica a euforia, a alegria que vivemos. É irrelevante a causa, cada qual escolhe a que quer. Importante é saber que há um castigo. Preventivo que seja, estamos perante a cura de muito descontentamento e revolta.
E os crentes, aqueles que acreditam na inocência do detido? Bom, para esses o placebo tem o mesmo efeito terapêutico, uma vez que toda a sua atenção está igualmente desviada. Ora testem lá as perguntas de diagnóstico novamente.
Die Zauberflöte

Mas que bela opereta esta. Já sabemos tudo, mas sempre com prefixo: Alegadamente. O Libretto está escrito há algum tempo. Diz-se que é obra maçónica. Teorias da conspiração não faltam, mas concreto, nada. O público vibra com emoção. Uns indignados outros em êxtase. A transformação dos estados de espírito é mágica. Será que ouvimos a Flauta Mágica?
Tamino e Papageno cumprem o ritual iniciático, o silêncio. Para uns o detido é Monostatos, para outros é Sarastro. Tenho dúvidas. E se a obra for outra? E se é ópera bufa? Nada sabemos.
Não estou certo que seja este o caminho da virtude, mas confesso que gostava de estar enganado. Temo precoce toda esta celebração da mudança. Tantos outros que vimos passar esta fase e que hoje se passeiam alegremente, impunes.
Entre nós, a Rainha da Noite vence sempre. Aguardemos pelo concreto.
Quem gera mais postos de trabalho?
Em tenra idade injustiçado, foi discriminado entre laranjas. Alegadamente, o jovem não respeitara a bicha para a casa de banho da discoteca. O cavaquistão era então demasiado sombrio para quem tinha tanta ambição. Alistou-se como O Independente na trincheira contra tudo – Contra quem nunca se engana e raramente teve dúvidas, contra a Europa e não menos vezes contra a verdade. A mentira deu então alguma cor à indústria do entretimento nacional, dita imprensa. Foi giro.
Certo dia, apanhou boleia num táxi. Conduzia o Monteiro enquanto o jovem estudava itinerários alternativos (ainda não havia GPS). Eram do contra. Trocaram de eufemismo: o Centrismo deu lugar ao Populismo. Também foi giro. Contudo, não chegaram ao destino. A culpa? Do motorista. Despedido o condutor, avançou o timoneiro. Deixaram terra e fizeram-se ao mar. O jovem líder deu então largas à simpatia e à ternura. Partiu do Caldas e visitou todas as feiras, sem nunca esquecer a lavoura. O arraial foi tal, que nem demos conta que já não era do contra. Viva a Europa! Para melhor muda-se sempre, não é verdade?
Quem espera sempre alcança, e a oportunidade surgiu quando quem não sabia fazer contas fugiu do pântano. Fomos então brindados com quem não estava preparado para aquilo. O Jovem estreou-se então no sentido de Estado. Coube-lhe a pasta da Defesa Nacional. Comprou os Submarinos certos, da forma errada. Ter-se-á esquecido da manutenção. Como o país estava de tanga, poupa-se onde se pode, menos nas fotocopias. Chamado para outros voos, o primeiro de então é substituído pela vedeta que estava no banco. Ouviram-se depois os concertos para violino de Chopin. O Cenoura não gostou e pôs fim à festa. Ainda houve tempo para mais uma prova de apreço à lavoura – Lá se foram os sobreiros. Eram tempos da Santa dinastia. O jovem, que entretanto já não era, nem jovem, nem do contra, foi dar aulas. Enquanto esteve na terra dos bravos e na casa dos livres, deixou o Ribeiro ao Leme do bote até à mudança da maré.
Regressou na preia-mar e deu ao Ribeiro o destino do Monteiro, o esquecimento. À doutrina da lavoura acrescentou a protecção dos reformados e transformou o Caldas no ultimo bastião do contribuinte. Com convicções não se brinca! Esteve na primeira linha de todas as batalhas contra os desprotegidos. Cinéfilo confesso, fez os seus filmes com relativo sucesso. Vivíamos então acima das nossas possibilidades. Venha a ajuda. Chegada a dita, regressou coligado ao sentido de Estado. Abraçou a diplomacia económica, tarefa que justificou a ausência da ribalta domestica. Apesar do amor à lavoura, não partilhou o protagonismo tauromáquico. Acabada a faena do matador de touros, fez birra. Irrevogavelmente demissionário, foi promovido a vice e já desse posto anunciou a salvação da nação – a venda dourada de vistos. Tem jeito para publicidade.
Chegado o verão de 2014, enquanto outros foram de férias para o sotavento algarvio, ficou ao Leme do executivo. Tão obstinado estava com o bem-estar das populações, que em época de hipertensão a ministra das finanças não o conseguiu contactar. Evitou bem os danos colaterais. Consta que tem horror a seringas, pelo que também nada sabe sobre a injecção. Moral vertical mas ágil de convicções. Uma inteligência viva, um exímio gestor de crises. Foge como ninguém. Tem no dom da palavra uma arma justamente temida pelos adversários, sejam eles parceiros de coligação ou não. É brilhante!
Ontem, precisamente às 18h38, deu-nos um excelente ensinamento sobre como responder a uma questão desconfortável. Como é feio responder a uma pergunta com outra pergunta, responde com duas:
Quem gera mais postos de trabalho? A Remar ou a Bolsa de Excedentários?
Jogos sem Fronteiras
Revisto o visto, salta à vista que reluz, mas não é ouro. É pechisbeque. Os vistos foram vistos como uma oportunidade para o verdadeiro empreendedorismo. Daquele que não é para piegas. Compareceram os valentes, só depois alguém declarou abertos os Jogos sem Fronteiras.

Parece que nós, pequeno país europeu, não somos piores que outros, mas também não somos nenhum Grão-Ducado. Nunca! Jamais facilitaremos, jamais abriremos excepções às pessoas colectivas. Sim, somos muito humanos, pioneiros na abolição da escravatura, sensíveis apenas aos desejos de pessoas, sobretudo quando oriundas de outras culturas. Mais um grande sucesso! Haja dinheiro, tudo se resolverá…
Prescrita Impunidade
Acabou-se a impunidade. Mais que certo. Desta é que é, nada voltará a ser como antes. Nenhum ladrão de fruta poderá evitar o cárcere com manobras dilatórias. Isto porque o roubo de fruta, como todos sabemos, é muito rentável, e como tal os recursos para manobras dilatórias abundam. Quem ajuda a mercearia de bairro que se vê privada da sua mercadoria? Quem? A Justiceira. Pelo menos assim decretou com pompa e circunstância.
Sitiada pelo Citius, não baixou a guarda. Assumiu a relatividade das responsabilidades, pediu desculpa ao telejornal. Foi bonito. Foi humano. Consequências retirou? Sim, claro que sim: Atacou com uma sindicância aos serviços. O Inquérito decorreu, averiguou e concluiu – foram dois malandros que a soldo do mal sabotaram o sistema. Haja culpa! Age-se em conformidade, envia-se o relatório para a PGR. Lá saberão o que fazer. À justiça o que é da justiça. Separação de poderes pois então. Isto por cá não é a parte leste de um ilha no pacifico. Assim foi. Oxalá não prescreva.
Afinal não, afinal nada há a investigar. “As diligências realizadas” permitiram concluir “não existirem indícios do crime de sabotagem informática”. Mau. Querem ver que foram os russos? E agora? Regressa a impunidade? Não, claro que não, agora a Justiceira ordenará uma sindicância ao inquérito para apurar quem apurou aquilo que afinal não foi. Confuso não é? Vou tentar novamente – Agora, investigar-se-á a investigação feita, para que se possa perceber se há ou não pedidos de desculpa a pedir, a quem e porquê. Entretanto, parece que a Impunidade prescreveu…
Espião no Sado
Um Golfinho russo, camuflado de Roaz-corvineiro, violou a interdição de pesca no interior da Marina de Tróia. O Ministério da Defesa Nacional emitiu um comunicado, esclarecendo que não chegou a accionar os meios navais da Atlantic Ferries, pois o intruso foi escoltado até Sesimbra pelas Tainhas residentes na Marina…
Polyprion Americanus
Tantos anos a empatar anzol, para agora, finda a pescaria ser agraciado por sua excelência a demência. Ele pescou à boia, à chumbadinha, ele fez tudo e de tudo fez para a agradar. Ele, que de tanga nos deixou e a Europa abraçou. A nenhum poder atrapalhou, e assim uma década ficou. Canta até vitória porque com aquilo não acabou. Que grande feito.
Alguns (piores que eu), dizem que por nós nada fez. Mal seria se tem feito. Só os tontos acreditavam na importância, na relevância, de ser um luso à frente do bando, dita banda, da comissão. Tontos ou mal-intencionados, talvez habituados às praticas domesticas, aquela palete de cores, um degradê do laranja ao rosa. Nada como um palerma útil, destes que zelam pelo umbigo. Esperto, nunca andou à bolina. Deu sempre a ré ao vento, fez popa rasa.
Pobre infante que em sua ordem vê celebrada tamanha pequenez. Não há bandido que entre nós não receba pelo menos uma comenda.
O Gênio da Lâmpada
Tranquilo e confortável na sua lâmpada, o Gênio da finança viveu para criar valor para o accionista. Foi esse o seu desígnio. Sempre. Por isso ganhou prémios, louvores e condecorações. Reconhecimento entre nós é coisa rara. Quer dizer, exclusiva. É a “portugalidade”.
Detentor de um vasto vocabulário empresarial, brilha em qualquer fórum. Após uma audição em sede de comissão de inquérito parlamentar, terá alegadamente motivado a inscrição de alguns deputados da Assembleia da Republica em cursos de iniciação ao idioma de Shakespeare. Dizem que a forma mais sincera de elogio é a imitação.
Sempre atento aos ventos da mudança, o Gênio observou o avisado conselho do êxodo. À época, cheguei a pensar que finalmente alguém levara a sério as ideias para o pais deste blog, concretamente o meu apelo ao altruísmo. Lamentavelmente, tudo ruiu passadas menos de metade das 1001 noites expectáveis. Estoirou. Querem agora crucificar o Gênio. Acusam-no de destruir todo o valor do accionista. Uma injustiça, uma enorme injustiça, digo-vos! Mero dano colateral de um outro acidente.
A culpa é do malfadado Acordo Ortográfico. Passo a explicar: A definição de “Accionista” era “aquele que detêm uma participação numa sociedade anónima”, contudo, e desde 2009, que “accionista” se escreve “acionista”, isto é, aquele que aciona. Ou seja, “Criar valor para o acionista” significa – entregar o valor àquele que aciona a lâmpada, friccionando-a.
Foi apenas isso que aconteceu, o Génio concedeu uns desejos a quem tinha a lâmpada na mão (consta que não foi o Aladino). Deviam conceder-lhe o grau de Gênio Honoris Causa. No mínimo!









