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Reflexão pedagógica sobre as Marchas Populares de Lisboa

Calhou de assistir na TV ao arranque do desfile na Avenida da Liberdade das marchas populares deste ano. Antes do começo do evento os anfitriões gabavam-se do alto nível do espectáculo, do seu impacto positivo e capacidade de atracção de turismo. As primeiras exibições foram de escolas primárias e secundárias, depois vieram algumas marchas em competição e fiquei consternado com o que vi inicialmente.

Nada a apontar ao coração do evento, as várias marchas em competição onde adultos e adolescentes polidos, preparados, ensaiados, cumpriram com aquelas que são as expectativas para o evento. Pode gostar-se ou desgostar-se do estilo mas penso que não desiludiu o formato, no seu conjunto de estética, coreografia sonoridade, cumpriu o seu papel de manter viva, popular e turística esta tradição.

Mas o que me fez muita comichão foram as marchas escolares que abriram o desfile com baixíssimo nível, como se a exibição fosse uma simples ordem de soltura e seja o que for que aconteça estará sempre maravilhoso e propenso a elogios incondicionais. Falta de sincronia, falta de afinação, ausência de magia e talento. Apesar de alguma vergonha alheia está tudo bem, são crianças, é um momento simbólico, e o popular tem conotação com expressões artísticas pouco polidas, mais baseadas em sentimento e atmosfera do que perfeição artística. No entanto, para quem tenha contacto com eventos similares realizados por outras culturas, nota-se uma enorme diferença no empenho e desempenho das novas gerações, mais focadas, briosas, em executar performances perto da perfeição. Interpreto isto como um sinal dos valores que passamos aos mais novos, de que apesar de momento tão marcante, com alta visibilidade e representatividade de uma cultura, não são precisos preocupação nem trabalho para uma entrega inesquecível à altura do evento. O suficiente menos é maquilhado na comunicação social e institucional para um muito bom, baixando os critérios e apreciação da verdadeira excelência. E isso é receita certa para a atrofia do desenvolvimento do potencial existente em cada criança e jovem, por arrasto do futuro de Portugal.

A culpa não é das crianças e jovens mas de quem tem a responsabilidade de os preparar e incutir-lhes uma mentalidade de entrega e superação. Por cá aparentemente ainda existem alguns temas a resolver na equidade da acessibilidade ao ensino superior mas lá fora existem grandes preocupações emergentes com a degradação nas capacidades de leitura e realização de cálculos matemáticos. A origem do problema é a mesma, o facilitismo, seja por diminuir critérios de exigência/avaliação para diminuir “traumas” e custos de reprovações, seja por estimular o uso das poderosas ferramentas digitais hoje existentes transferindo a aprendizagem do conteúdo para a aprendizagem do uso de ferramentas de apoio que produzem os resultados expectáveis e sujeitos à avaliação.

Parecem situações desconexas, uma simples curta prestação nas marchas de Lisboa e o longo caminho escolar para a maioridade e integração do mercado laboral. Infelizmente interpreto-o como um sinal de que a banalidade está tão aceite e instalada que já nem é barrada à exposição massiva, antes pelo contrário, sendo assumida e transmutada em algo distinto e virtuoso por via do politicamente correcto.

Oxalá esteja errado e em simples exagero de reacção.

Children in traditional Portuguese costumes walking in a festive street parade with onlookers cheering

Amarração de Amor ao Serviço Público

Depois da disrupção de 2019-2022 finalmente estabilizámos no marasmo de sempre, com o país encalhado nas más condições dos serviços públicos de saúde, educação, justiça e transportes.

É enorme a tolerância de governantes e administração pública para com a deterioração dos níveis de serviço e insatisfação dos seus funcionários, relativizando para um “não é assim tão mau como querem fazer crer”. Em resposta crescem o peso dos privados em educação e saúde, o tempo de espera para decisões judiciais, o recorrer a viatura própria nas deslocações quotidianas.

Para resolver os graves problemas existentes precisamos de gente capaz e sensível que, mais do que dominar questões procedimentais, protocolares, de gestão ou administrativas, saiba na pele o que significa ser utente do serviço público, em todas as suas valências. Como podemos ter confiança em decisores, gestores e administradores que, alicerçados na sua esfera de influência ou no seu poder financeiro, contornam todas as dificuldades porque não estão para se melindrar?

Assim sendo deixo aqui uma linha orientadora que poderá salvar o serviço público, seja no facultar das condições necessárias para o seu exercício, seja na devida compensação e respeito aos profissionais que o asseguram. É muito simples. Um decreto de vinculação obrigatória à utilização exclusiva dos serviços públicos de todos os agentes políticos, governantes, administradores públicos e sua assessoria (englobando desde as chefias de topo às chefias intermédias), por si e por todos os membros da sua família directa, sem qualquer priorização ou discriminação positiva face a restantes utentes.

Imaginem. A sua prole a ser forçada a estudar em escolas e universidades públicas, a terem de agendar consultas no SNS respeitando as filas de espera em vigor, a serem privados de viaturas atribuídas tendo de se deslocar usando a rede de transportes públicos. É duro? Sim, mas precisamos de reeducar as nossas “elites” para que voltem a sentir o pulso à vida real das pessoas comuns. Só assim teremos confiança que agem pelo interesse comum, que neste caso é obrigatoriamente o seu.

Relativamente à justiça o caminho seria o inverso, deveria ser dada prioridade de investigação e tramitação a todos os processos que envolvam estas pessoas chave. Se necessário até criar unidades próprias de investigação, despacho e julgamento, com sessões registadas e conclusões sumárias disponibilizadas publicamente para fácil referência futura. Roça o incostitucional mas infelizmente só este acelerador e nível de transparência pode desmontar os artifícios legais utilizados para gerar atrasos entrópicos e a condução de processos à prescrição.

Com este nível de amarração, teríamos a certeza de que só seriam candidatas e executoras destes cargos pessoas 100% dedicadas e interessadas, que iriam aplicar todo o seu amor e carinho no desenvolvimento e aumento da robustez dos nossos serviços públicos. Fica a ideia.

PS – não estamos dormentes mas sim mais activos, num outro formato na plataforma Telegram

Alojamento vs Aluxamento vs Axulamento Universitário

Entrada para a Universidade, um marco na trajectória de vida de qualquer ser humano que tenha felicidade de o poder alcançar. Uma descida aos infernos para todos os que têm de se deslocalizar e procurar alojamento, que na capital chega facilmente aos 5 400 € anuais o que somado a aproximadamente 1 000 € de propinas totaliza uns simpáticos 6 400 € anuais apenas para alojamento e matrícula faltando somar gastos com comida, viagens, e outras necessidades do dia-a-dia. Falamos de mais de metade do rendimento anual médio de um trabalhador Português, um enorme rombo numa família já a cargos com despesas de crédito habitação, casa e dia-a-dia.

A culpa, dizem, é da pressão do alojamento turístico, da escassa oferta de alojamento para este tipo de aluguer prolongado, enfim, do mercado a funcionar. Lisboa talvez pondere resolver este problema com a definição de quotas mas até lá felizmente podemos contar com benevolentes e atentos empresários que procuram ajudar a resolver o problema criando alojamento universitário de luxo que podem resolver as preocupações, pelo menos as dos mais abonados.

E assim temos alunos universitários a ser explorados, pagando excessivamente pelas condições que lhes são fornecidas, com pressão acrescida por serem foco de enorme despesa para a sua família, que começam já nesta fase precoce da sua vida a entrar no estado de espírito do sobrevivente socioeconómico. Aprendem de forma inconsciente que é esta a forma de viver daqui para a frente, espremidos, condicionados, explorados em conformidade com os demais porque, afinal, se ninguém for tratado com justiça ninguém é prejudicado.

Ao mesmo tempo temos espalhados pelo país, também pela capital, idosos em solidão e depressão, com parcas reformas, casas vazias, que muito poderiam beneficiar da partilha de espaço com gerações vindouras. Talvez haja aqui uma oportunidade para uma política social que aproxime extremos etários, reforce os rendimentos dos reformados, reduza factura de alojamento a quem precisa de conforto e estabilidade durante três ou quatro anos.

Até lá alguém que resolva a confusão fonética causado pelo actual Alojamento/Aluxamento/Axulamento Universitário!

 

Vulgaríssimas

Na terra das fundações sem fundo, isto é, sem fundos, cabe ao hospedeiro, leia-se o Estado, garantir a sobrevivência das bem-intencionadas instituições de beneficência e solidariedade social. Uma relação previsivelmente simbiótica, ou seja, benéfica para ambas as partes, oferece o apoio possível àqueles que carenciados de algum tipo de ajuda justificam a existência da instituição benemérita, enquanto não raras vezes, por ausência de verdadeiro espírito cívico, proporciona confortáveis posições sociais e económicas a uma ínfima parcela de indivíduos que as dirige. O escrúpulo, ou a falta dele, é característica presente em todos os sectores de actividade, mas quando o objectivo é o auxílio ao próximo, a sua ausência é absolutamente intolerável.

Contudo, entre nós, há mais do que condescendência para com o abuso, mesmo nas instituições cujo propósito é apoiar quem precisa. Aparentemente, nem sequer chega a ser necessário obra feita para gozar de salvo-conduto quando se usurpa os meios que lhes são confiados. A aparência basta. Juntam-se assim dois factores: a nobre causa e a notoriedade do empreendedor de obra social. Será regra? Quero acreditar que não, quero manter a convicção que há e continuará a haver quem procure fazer a diferença sem visar a vantagem pessoal, seja ela social, económica ou até do ego, mas sei, e não é de hoje, que mesmo as causas mais nobres são frequentemente contaminadas por parasitas. O que mais me choca não é tanto a existência deste tipo de praga, mas sim a complacência com que todos nós, contribuintes e cidadãos deste país a encaramos. Temo que o “escândalo” do momento, ao invés de contribuir para a consciencialização, tenha de facto um efeito anestésico semelhante à picada de muitos parasitas. Face à impossibilidade de por magia por fim às desigualdades, mais nefasto que a indiferença será a descrença na solidariedade. Não nos deixemos contagiar pelo frenesim mediático, tão volátil como sensacionalista, e procuremos analisar além do imediatismo.

Sejamos pragmáticos. Nem todos os desafios se compadecem com o voluntarismo e o trabalho pro bono. Causas há que carecem de pessoas capazes e empenhadas, a tempo inteiro, obviamente remuneradas. Por outro lado, quando a missão solidária visa apoiar um grupo muito restrito de pessoas, que consequentemente proporcionam um baixo retorno político, os poucos votos que directamente mobilizam obrigam à sensibilização e influência. O chamado lobby acarreta obviamente custos, financeiros e outros, os favores. Não sejamos hipócritas, há fins que justificam os meios. Por estranho e paradoxal que possa parecer, estas necessidades de contexto, sendo uma realidade prática, constituem muitas vezes a justificação que encobre o abuso perpetrado por uma espécie vampiresca, a vulgaríssima carraça. Não nos iludamos, erradicar a praga é uma luta tão urgente como eterna, pois nunca hesitarão em matar o hospedeiro.

Rede Neuronal

Termina hoje em Lisboa a auto-intitulada “melhor conferência tecnológica do planeta”. A velha capital acolheu nos últimos 3 dias o chamado “mundo tecnológico”. Nada me move contra o evento, muito pelo contrário. Que venham, que usufruam, que gastem e que partam com desejo de regressar. Quantos mais melhor e desta feita foram mesmo muitos. Sem ironia ou sarcasmo, o evento proporcionará no mínimo um retorno auspicioso. Um impacto inequivocamente positivo.

Face à extensa lista de oradores e à diversidade de temas, a cobertura jornalística nunca seria fácil. Nem tão pouco é suposto a comunicação social relatar tudo quando por lá se passou, pois o evento é para quem pagou e nele participou, mas haveria sempre a necessidade de encontrar uma ideia forte para propagar. Desta feita, a escolha recaiu sobre a “Inteligência Artificial” e teve num casal de robots humanóides os protagonistas: Ela, repetente no evento mas pioneira na cidadania (é cidadã saudita imagine-se…). Ele, um clone do criador da Teoria da Relatividade. O diálogo entre ambos espantou os presentes e maravilhou a media que se apressou a anunciar uma nova era. Subitamente, da notícia ao comentário, o tema da Inteligência Artificial proliferou qual apoteótica novidade.

Apesar da rápida expansão da aplicabilidade comercial, a Inteligência Artificial está longe de ser novidade. Nem tão pouco recente! Tudo começou há muitos anos, mais concretamente em 1943, quando dois improváveis amigos, Walter Harry Pitts e Warren Sturgis McCulloch, apresentaram a primeira teoria mecanicista da mente. Hoje sabemos, também graças ao trabalho do português António Damásio, que falharam na sua intenção de explicar o funcionamento mecânico da mente humana, mas estabeleceram com o seu trabalho a primeira abordagem computacional da neurociência, o design lógico de computadores modernos e os pilares da Inteligência Artificial – o modelo McCulloch-Pitts.

Não obstante os contornos sensacionalistas de hoje, a Inteligência Artificial é septuagenária e para além disso, há muito que máquinas “estúpidas” têm vindo a assumir tarefas outrora apenas confiadas a humanos. Então, porquê a “novidade”? Bom, a ideia lançada é simples e óbvia na sua relação causa/efeito: os robots estão a ficar tão “inteligentes” que em breve nos tornaremos obsoletos e dispensáveis para o mercado laboral. Mais que debate, a ideia gera medo, o temor de em breve não ser só a baixa qualificação profissional a ser preterida. Será? Será que esse futuro é já amanhã, ou será que ao invés de as nossas máquinas serem cada vez mais “espertas”, nós é que estamos a ficar cada vez mais estúpidos, ávidos por comprar tudo que nos queiram vender?

O impacto da escolha dos carris

Portugal está há muitos meses política, social e jornalisticamente encravado. Engolido  por um furacão temático que o contém, supostamente a salvo, no seu pacífico olho, obrigando-o a dançar ao sabor dos ventos que o circundam, impedindo-lhe o vislumbre do horizonte. Nesses ventos são reciclonados caoticamente os mesmos temas  que perigam à vez o país: incêndios, Tancos, taxa de desemprego, crescimento económico, turismo, greves, dinâmica da geringonça, Marcelo em todas, crise no PSD, We Brand, negociações sindicais, operação Marquês, décimas do deficit, etc, apimentados com umas Trumpalhadas, alarmismos e terrorismos internacionais.

Devido ao toldar de visão este furacão cria uma perigosa ilusão, a de que são estas as questões de fundo essenciais ao futuro do país e do mundo. Estranhamente deixou de se falar da crise dos refugiados, da guerra da Síria, anteriormente tão absorventes, estarão resolvidas? Alguém se lembra da discussão do impacto do CETA/TTIP para Europa e Portugal? Ou é para ser assumido como um facto consumado com que ninguém tem de se preocupar? Será relevante evidenciar que atravessamos um período de seca gravíssimo e que o país precisa de repensar toda a sua gestão de recursos naturais?

Para lá desta barreira temática existem povos, aparentemente não condicionados, que vislumbram bem mais além, ousando tomar medidas disruptoras focadas na construção de um futuro melhor, não necessariamente do ponto de vista económico.

Seria muito bom que Portugal e os portugueses acompanhassem estes movimentos que vão redefinir o mundo a médio-prazo. Claro que para isso teríamos de ter uma população formada e informada, que colocasse o orgulho no seu estilo de vida, no seu impacto positivo no mundo, acima do orgulho desportivo, do comodismo do seu umbigo, uma população que da mesma forma que rejeitaria a nomeação de corruptos comprovados para tesoureiros do seu dinheiro não os elegesse para mandatos políticos renovados, uma população que colocasse o interesse comum acima do seu mesquinho interesse pessoal.

Estou certo que um dia aí chegaremos. Até lá continuaremos a desfrutar da relativa tranquilidade do olho do furacão, fortalecendo-nos num presente que em breve será um passado muito diferente do futuro que se avizinha. Quando terminar a tontura deste constante rodopiar constataremos que talvez devêssemos ter aproveitado todo o esforço despendido não a reentrar nos eixos de que saíramos mas sim a encarrilar em novos rumos, mesmo que economicamente menos favoráveis a curto prazo.

Celebridade Instantânea

 

andy-warhols-portuguese-soupsFoi durante a época do idealismo e da inocência do século passado, a década de sessenta, que o controverso rei da Pop Art vaticinou que o futuro nos reservava a fama Instantânea. Disse então que a todos nós estariam um dia reservados quinze minutos de fama. Hoje parece uma verdade de La Palice, uma evidência tão estupidamente óbvia que nem parece digna de nota, sobretudo para aqueles que já cresceram com a internet como um “bem de primeira necessidade”. Para todos os outros, para aqueles que como eu a infância foi vivida sem internet ou telemóveis, a ousadia da visão de Andy Warhol permanece sólida.

Esse futuro de então é o nosso presente, mas será uma dádiva? Tenho dúvidas: A exposição e visibilidade pública oferecida pelas redes sociais, qual sopa instantânea, é alimento parco para o intelecto. A forma como é experienciada, especialmente pelos mais novos, revela que o meio é um fim. Os critérios de sucesso são igualmente fúteis. Tipicamente o objectivo de primeira instancia é facilmente explicado pelos protagonistas, singelamente procuram mais “gostos”, mais fãs. Quando questionados sobre qual o retorno desse sucesso, a convicção de resposta esmorece, não sendo raro o silêncio. Descobri que entendem que o propósito da fama se explica por si só, é um bem em si mesmo e que por isso a dúvida não lhes assalta do espírito. Parecer é mais relevante que fazer, e embora Warhol não tenha previsto isso na sua profecia, o seu penteado permanece na moda. Ao mais alto nível…emplastro-em-berlim

Catch Me If You Can

Um clássico relativamente recente, um entre muitos dos êxitos do famoso realizador e produtor Steven Spielberg, “Apanha-me se Puderes” é um filme que nos conta a história de um jovem, autodidacta, dinâmico e espertalhão, boy de profissão cuja vivacidade permite exercer toda e qualquer função. Um caso raro de adaptabilidade e improviso. O logro funciona graças à ingenuidade geral. Consta que o próprio cita o conterrâneo de Tom Sawyer, Samuel Clemens: “É mais fácil enganar as pessoas do que convencê-las de que elas foram enganadas…”. E não é que funciona? Ele foi aviador, sem nunca pilotar, foi médico sem nunca tratar e até foi advogado depois de no exame passar. Assim prossegue o filme, sempre em crescendo de ousadia e descaramento, até à detenção final. Cumprida a pena, é recrutado para ajudar a investigar.

Tal por cá seria impossível! Em nenhum outro país a licenciatura é tão escrutinada como entre nós, não pelo seu valor cientifico ou profissional, mas simplesmente porque deixou de ser uma licença para aprender sozinho para se tornar um sinónimo de prestigio outorgado, independente e imune à (in)competência de quem a ostenta. Pessoalmente, estou-me nas tintas para tudo isto… Muito pior que um falso testemunho, foi a reacção à “investigação” jornalística. Confrontado com os factos, terá tentado enjeitar responsabilidade, dizendo que os dados publicados aquando da nomeação como adjunto do primeiro-ministro “baseiam-se nas informações prestadas pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra datadas de Outubro de 2009″. Inqualificável, mas revelador da estirpe dos “jotas”.

catch-me-if-you-can

 

Ouça cá, sabe quem eu sou?

ouca-ca-sabe-quem-eu-sou

Nação quase milenar, valente quanto baste, fazemos da contradição a regra. Não obstante, desta feita a coerência foi total. Decididamente, somos contra as listas VIP. Seja qual for o contexto, abominamos a soberba. Distinto ou plebeu, com ou sem pedigree, estimamos a mais rigorosa observação dos protocolos. Pelos outros claro!

Ficámos ontem a saber que há quinze dias, bárbaros do norte, ousaram barrar a entrada a um dos nossos. Concretamente a uma das nossas Ministras Plenipotenciárias, e logo de 1ª classe. Não se admite! Uma desconsideração destas não pode ficar impune. Por certo que o responsável da tutela vai protestar, pedir satisfações e exigir um pedido formal de desculpa! Nem mesmo a abundância nos cofres lá do sítio os salvaguardará de um valente puxão de orelhas. Pelo menos vão aprender a receber condignamente. Selvagens, explicam o sucedido de forma leviana – Parece que o evento requeria inscrição prévia. Um absurdo. Nem o Núncio Apostólico lhes perdoaria tal ousadia. Bem esteve a nossa chefe de legação. Sem se deixar beliscar pela arrogância do subalterno que lhe barrou a entrada (por alegadamente não constar da lista), actuou de acordo como situação requeria, proferiu com a altivez a elegantíssima frase: “Ouça cá, sabe quem eu sou?“. Haja classe.

Onde Está Wally?

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Foi em 1987 que Martin Handford publicou o primeiro livro da colecção “Onde está Wally?”. O enorme sucesso junto de graúdos e miúdos não evitou que na América do Norte lhe mudassem o nome para Waldo, mas não foi só por lá que lhe mudaram o nome…

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A genialidade está no entretenimento que estes livros nos proporcionam. São uma excelente forma de nos alienarmos de problemas ou preocupações. Os desenhos são de tal forma ricos em pormenores, que encontrar o herói é uma tarefa que requer um nível de concentração elevado. Mudar a perspectiva de observação, por vezes ajuda.

1b

A Wenda, o Sábio de Barbas ou qualquer um dos membros do grupo de fãs partilha cores, texturas e padrões com o nosso herói. Torna ainda mais difícil a tarefa de identificar cada um deles. A verdade nem sempre é aquilo que parece.

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