Quo Vadis

Vitor Gaspar

O nosso “Nero Cláudio César Augusto Germânico” ateou fogo à “pacificamente revoltada” sociedade portuguesa. Pretende arrasar a economia. Não por inspiração artística, mas por uma espectral crença em modelos e dogmas. Das cinzas erguer-se-ão pujantes e competitivas empresas de exportação. Essa reconstrução não será financiada pela cunhagem de moedas “ajustadas“. Nero, enganou o povo de Roma. Desvalorizou a moeda. Gaspar não fará uso do mesmo expediente. A Alemanha não deixa. Não será a porção de ouro que será reduzida à função de revestimento da moeda. Nem pensar. Gaspar não engana o povo, desvaloriza-o, mas mantêm o valor da moeda intacto. “Terra queimada” é estratégia útil a quem não quer pagar, não a quem diz querer. Resultou quando o corso Bonaparte tentou invadir a vasta Rússia, e voltou a servir bem o Grande Urso aquando da operação Barbarossa. No nosso caso é contraditório. Pagar é objectivo ou desculpa?

Nero

Nero massacrou assistências com as suas prestações artísticas, desprovidas de sentido do ridículo, ignorando que não detinha um pingo de aptidão artística. Gaspar brinda-nos com a sua excelente dicção, adequada a tradutores simultâneos ou intérpretes de linguagem gestual, mas profundamente desgastante para quem não desiste e assiste. Lamento que por vezes se esqueça do rigor técnico que o caracteriza, como quando aborda as “poupanças nas PPP”. Ignora a relação entre o relevante valor que anuncia e o prazo a que se refere a poupança. A aptidão artística é manifestamente fraca.

A sacrossanta Troika avaliou. O Governo garantiu o seu álibi por mais um ano, graças à “benevolente” extensão do prazo. O primeiro memorando não foi negociado em função das necessidades, mas sim em função das eleições Alemãs, em 2013, numa típica e tristemente frequente estratégia de “empurrar com a barriga“, tentando a sorte  de uma eventual (ainda que pouco provável) mudança de fundo na Europa. Abdicar da nossa soberania por mais um ano em troca de nada, absolutamente nada, não resolve a falta de liquidez e garante o rumo do ajustamento incendiário e liquidatário. O actual Governo diz ter conseguido novas metas? Mas quais metas? Aquelas que os Gregos nunca cumpriram mas que nunca os privaram de receber o dinheiro da “ajuda”? Porquê? Porque o dito dinheiro visa respeitar as maturidades dos títulos de divida detidos pela banca (sobretudo Alemã e Francesa), e dessa forma tranquilizar os mercados. Mas como, se os mercados sabem que não há dinheiro no mundo que pague as imparidades do sistema financeiro? É esse conhecimento que explica a “histeria” nos mercados.

Perto do seu fim, Nero disse “Que artista falece comigo!” Que dirá Gaspar?

Quem o alheio veste

Foi por encomenda do armador alemão Hamburg-Amerika line (HAPAG) que nos últimos dias do século XIX a sua quilha foi assente nos estaleiros da William Gray & Company Ltd em West Hartlepool, Inglaterra. Lançado no primeiro ano do século XX, 1901, o navio foi baptizado “Numantia”, numa premonitória homenagem à lendária cidade de Numancia, na antiga província Romana, Hispânia. Com 122 metros fora a fora, 16 metros de boca, quase 4500 toneladas de arqueação bruta e aproximadamente 8000 toneladas de arqueação líquida (Sistema Moorsom), o novo cargueiro a vapor, então moderno e eficiente, serviu a nação germânica até Agosto de 1914. A primeira grande guerra ditou o bloqueio naval Britânico a todos os portos Germânicos. Impossibilitado de regressar à Alemanha, o navio rumou ao porto de Mormugão, colónia ultramarina de Goa, Índia, onde lhe foi concedido refúgio ao abrigo da neutralidade que a jovem República Portuguesa mantinha no conflito.

Eis que em 7 de Fevereiro de 1916 tudo se altera. É promulgada a lei nº 480, ao abrigo da qual o governo Português legítima a “requisição de todos os meios de transporte julgados indispensáveis à economia nacional”. Este primeiro passo rumo à beligerância, à época justificado pela necessidade de salvaguardar o comércio colónial, mais não foi que um sintoma da nossa condição de protectorado Britânico. Provou que a jovem república, depois de muito criticar o deposto regime monárquico, não se libertara da subserviência ante o Reino Unido. Portugal observa assim a velha aliança, mas não declara guerra ao Império Germânico, decreta. A 23 de Fevereiro de 1916, o governo mandou publicar o decreto nº 2229, o qual determina a apreensão dos setenta navios Alemães refugiados em território Português. A resposta Alemã, sob a forma de ultimato, exigindo a devolução dos navios foi ignorada, pelo que a brilhante iniciativa legislativa obtém o resultado desejado: a 9 de Março de 1916, a Alemanha declara guerra a Portugal.

A Nação aceita o enorme custo da guerra em troca de uma vasta e moderna frota de navios mercantes, muitíssimo superior à capacidade de investimento e produção naval nacional. Milagrosa resolução desse défice. É neste contexto, com a missão de gerir a nova frota, que nasce a companhia “Transportes Marítimos do Estado” (T.M.E). Contudo, negociações anteriores ao iluminado decreto, garantem o usufruto de 80% desta frota de navios ao Reino Unido, através de contracto de fretamento com o armador Furness, Withy & Co, o famoso contrato Furness. A frota alemã servirá sobretudo o interesse Britânico: à razão de um preço por frete muito inferior aos valores de mercado (<50%) e com prémios de seguro ridiculamente baixos. Acresce a fórmula de cálculo, que em ambos os casos, frete ou perda do navio, tinha por base a arqueação bruta e não a líquida, isto é, com base no peso do navio e não na sua capacidade de carga (a única relevante para o fretador). Condições ruinosas para o armador estatal, válidas ao longo de um prazo singelamente definido por “Seis meses após o fim da guerra”. Uma PPP com garantias do estado Português, em benefício do Britânico e com o patrocínio da iniciativa privada Alemã.

Uma vez reparados os danos resultantes da sabotagem perpetrada pela tripulação teutónica, o “Numantia” foi rebaptizado “Pangim”, em homenagem à cidade Indiana do Império Colónial Português. Recebe tripulação Portuguesa e serve os aliados durante a vigência do contrato Furness, período ao longo do qual vive múltiplas privações e vergonhas, normalmente resultantes da sistemática falta de pagamento do armador estatal aos seus fornecedores. É conhecida uma longa e ruinosa estadia do navio e sua tripulação no porto de Antuérpia, Bélgica. Nada que se compare com o caricatural exemplo do vapor “Sines”, que em Cardiff, País de Gales, esteve arrestado de Fevereiro de 1921 a Janeiro de 1922, vivendo a tripulação em precariedade tal que se viu obrigada a carregar terra para bordo, e nela plantar uma horta em pleno convés do navio. Avulsos exemplos das metodologias e práticas em vigor nos T.M.E, organização verdadeiramente a saque por funcionários e agentes, com um histórico de fraudes e roubo tão vasto e diversificado que pede meças em criatividade e audácia com qualquer outro “caso” da actualidade. É perfeita a analogia com o desfecho do caso BPN: No fim pagámos todos.

Após um longo e complexo processo de liquidação dos T.M.E, o navio é devolvido à iniciativa privada em 1926, ano em que é adquirido pela Companhia Colónial de Navegação (C.C.N.). Recebe então o terceiro e último baptismo, “Cassequel”, também em homenagem a uma cidade do Império colónial, em Angola, desta feita. Fez carreira na Europa, arquipélagos Atlânticos e na África Ocidental Portuguesa, navegando sem sobressaltos até 1933.

Foi em Agosto deste ano que o navio enfrentou um grave incêndio, deflagrado nos fardos de palha destinados à alimentação dos animais que transportava. Navegando de proa ao vento e com a intrépida intervenção da tripulação, o fogo foi controlado. O navio chegou a bom porto pelos seus próprios meios, mas o incêndio foi de tal forma violento que danificou seriamente a superestrutura e destruiu completamente o mastro grande, a meia-nau. Após a reparação, o “Cassequel” viu a sua superestrutura melhorada, pelo que ficou também habilitado ao transporte de passageiros. Foram também adicionadas duas gruas em substituição do mastro perdido. Superado o desafio, melhorado após as reparações, o navio retomou a sua actividade.

A normalidade foi interrompida com o início da segunda guerra mundial. Tendo sobrevivido à primeira guerra, o navio enfrentou a segunda sob protecção da neutralidade Portuguesa. O velho “Cassequel” partiria uma última vez de Lisboa no início da tarde de 13 de Dezembro de 1941. Rumou a sul, em direcção à África Ocidental, com 9 passageiros, 48 tripulantes e uma considerável carga de gasolina a bordo. Comandava Sebastião Augusto da Silva, meu bisavô, pai do pai de meu pai, senhor meu avô. Decorridas mais de 24 horas de viagem, o navio é atacado durante a noite de 14 de Dezembro de 1941, numa posição a mais de duzentas milhas a sudoeste do cabo de São Vicente. O agressor, o submarino Alemão U-108, lançou um torpedo que às ordens do Capitão Kalus Scholz foi apontado à popa do velho vapor, destruindo o leme e a hélice, imobilizando o navio. De pronto foi dada a ordem para abandonar o navio. Arriadas as quatro baleeiras, e apesar de uma delas se ter inicialmente virado, breves minutos bastaram para que todos os tripulantes e passageiros embarcassem nos salva-vidas. Imerso e a coberto da noite, o U-108 nunca foi avistado por nenhum dos náufragos. Através do periscópio, terá o seu Capitão confirmado que todas as baleeiras se afastavam, momento em que ordenou o lançamento do segundo torpedo, desta feita apontando a meia-nau, directo à carga de gasolina a bordo. A enorme explosão partiu o velho vapor a meio, precipitando um afundamento quase instantâneo. Seis dias mais tarde, a 20 de Dezembro de 1941, o navio da Armada Portuguesa, “NRP Douro“, resgata a última das quatro baleeiras. A bordo estavam dez tripulantes, dois passageiros e o meu bisavô, que recebeu com agrado a notícia que todos náufragos estavam a salvo, sem vítimas a registar.

O “Cassequel” cumpriu assim a premonição do seu primeiro baptismo, “Numantia”. O seu arresto em 1916 traiu a neutralidade que o atraíra a território Português, traição devolvida em 1941, com o seu torpedeamento apesar da neutral credencial Lusitana. Qualquer semelhança com a actualidade nacional, é pura obra do destino traçado para a Nação que se fez Estado quando um filho fez guerra à sua mãe. Ouro do Brasil, frotas de modernos navios, fundos estruturais ou moeda única, sabemos que para cada oportunidade estará reservada a respectiva tragédia. É fado, sem saudade ou memória. Por vezes agraciada com as riquezas do mundo, a nau Portugal é com a mesma frequência vítima de si própria. A tripulação não aprende. Ao Leme esteve sempre quem mandou, raras vezes quem sabia mandar.

É sabido que “Quem o alheio veste, na rua o despe”. Porque que o esquecemos tão facilmente?

VCCNM

Teimam em continuar na ordem do dia os “não assuntos”, com cursos á moda do Speedy Gonzalez, e um punhado de duas dúzias de mãos de” não pessoas” ao estilo do tio Patinhas, a conseguir “não cargos” que permitem amealhar “não fortunas”.

Submarinos que quando submergem, afundam apenas uns, permitindo ao mesmo tempo a cómoda flutuabilidade de outros, equilibrando-se em cima do periscópio almejando certamente horizontes longínquos, ao mesmo tempo que administradores da saúde leiloam viaturas e passam a custear eles próprios as suas comunicações.

Ilustres com provas dadas por esse mundo, fazendo futurologia, mais se assemelhando com recados encomendados para levantar poeira, provocando ao invés de remodelações governamentais, substituições ajeitadas em instituições.

Austeridade desmedida, cega, alvitrando o equilíbrio das contas que teimosamente continuam em manter-se desajustadas, contracenando com investimentos avultados, que vão ser necessários para os famosos corta fitas, mesmo que os por ora anunciadores de tais maravilhas, sejam depois apenas convidados de honra do detentor da tesoura á data.

As esperanças que algo mude e finalmente o rumo certo seja traçado, vão degenerando, devido a vivências perlongadas de um certo anarquismo generalizado e ao facto de cada vez mais nos considerarmos uns VCCNM (*)

Existe até tempo para um autarca ser chamado á casa da justiça, presente a um magistrado, para alegadamente informar se gosta ou não de popós, ou se é efectivamente um FdP, de Fora do Porto, bem entendido.

Voltando ás tradições antigas, relembrando a justiça de Fafe, o autarca se era porventura culpado de algo, teve já direito a julgamento sumário, com penitência executada quando lhe foi puxada uma orelha em público, rapidez na justiça a custos muito baixos, transito em julgado na hora, e pena cumprida no momento. Isto sim é um caso fechado e não prescrito…

Os média, com a devida função que lhes vai no sangue de informar todos, de assuntos e não assuntos, lá vão nos conseguindo entorpecer as massas encefálicas, dando a estas questões o devido realce, como se o Tristiano fosse o impulsionador da exportação dos pastéis de Belém.

A imaginação está num período fértil por falta de melhores prespectivas, assuntos que só servem para mais umas conversas de café, ao estilo” foi o tio da irmã da outra…” ou eventualmente terá sido mesmo um FdP qualquer…

Mas nem tudo é mau, estamos em quarto lugar Mundial, sim em quarto, não me enganei, em infraestruturas rodoviárias, embora muitas delas vazias por causa das gaiolas taxadoras ou do preço dos combustíveis, acredite também que alcançamos quase o “top ten” das energias, telecomunicações e transportes.

Mas porque fazem relatórios com tantos países (144), chatice, assim ficamos a saber que o sistema judicial é altamente influenciável ao ponto de nos colocar quase no meio da tabela, e que os nossos governantes são dos que mais desperdiçam dinheiro, raios, podiam ser só 130 os países a ser escortinados e o resultado seria bem melhor…

(*) velhinho comó car… nesta merda.

Até as putas como eu têm sentimentos

Serei o único a sentir-me uma puta gasta com as palavras chegadas da Madeira? Sinto-me como que explorado por um proxeneta que chula ao máximo os descontos do Continente, com esquemas que mais nenhum pelintra conseguiu magicar. Abala-me a realidade de que um pulha suficientemente criativo, que debocha daqueles que dão o cu e sete tostões para ajudar a cuidar e governar de uma parte do nosso território, aparentemente não possa ser derrubado e reduzido à insignificância de que nunca deveria ter saído. Nunca precisa de nós, excepto quando está a arder, ou quando lhe rebentam as águas, resultado do serviço mal feito, com culpa atribuída à bebedeira de noites passadas que a tantas más decisões levou.

É moço desinibido e prá frentex capaz de se deitar com quem mais conveniente lhe seja para a sua sobrevivência. Até tem um gostinho especial se a coisa se der à bruta.

E agora que se descobriu que a maçã dourada do Atlântico também vai um bocadinho para o podre, quer LIBERDADE! E com um simples referendo ter a legitimidade para o executar. Referendo onde os votantes seriam a mesma manada que habilmente conduziu durante décadas. Uma jogada segura. Mais um choradinho inconveniente para ver o que pinga.

Mas ao contrário do que brada aos céus, e aos mares, o Continente injetou muitos milhões naquele pequeno pedaço de terra. Grande parte dele escoado pelo buraco negro galáctico por si gerado. As tetas destas putas não deitam mais leite mas não penses que te vais com as jóias da coroa sem pagares o que deves. Sei que já são décadas de paraíso off-shore mas a mama acabou. E aqui para os lados do Continente estamos mortinhos para te devolver o amor e carinho com que nos brindaste todo este tempo.

Borda d’Alegoria

Ausentei-me por uns tempos. Caminhei pelo Alentejo e desliguei de tudo o que são notícias. Ao segundo dia já não havia crise. Havia o pulsar de um país à medida das possibilidades sem queixumes. Sem o mediatismo do zum-zum constante que ecoa no abismo infernal, do qual nos abeiramos, rapidamente olhamos para os acontecimentos locais simplesmente como modos de vida. Vive-se o que se pode, como se pode, sem pensar no que poderia ou poderá. Como a velhota de 80s que à porta da mercearia disse que ia ao velório do compadre, não me lembra o nome, para ver o compadre, que também não me lembra o nome, porque, pasme-se, achava que o homem não ia durar muito mais e para o ano já não estava entre nós. Mas como pode ela estar tão confiante que estará entre nós!?

Voltei para a cidade. Ouvi o circo mediático mas já imune à sua anestesia. Que se foda, pá. Se não morrer hei-de sobreviver de alguma forma até ter de matar quem de direito se preciso fôr. Caia lá esta merda toda para ver se é tão mau como predizem os que não souberam ler o passado para salvaguardar o presente.

Capa do Almanaque Borda d'Água 2013

E eis que no meio da contínua tempestade e desgraça social, política e económica vislumbro um vendedor do Borda d’Água que tentava vender o almanaque a um pai com uma filha pequena, que o ignorou, e para quem ficou a olhar enquanto dizia: “Se faz favor, posso-lhe fazer uma pergunta? Se faz favor…” Predispus-me à sua frente como cliente. Olhou para mim atónito. Não me abordou. Disse-lhe eu que queria um, por favor. Desconfiado passou-mo para a mão. Passei-lhe os 2 € sem que me dirigisse a palavra. Quando me inclinei para seguir o meu caminho ganha coragem e pergunta-me se não lhe posso arranjar um emprego. Fez-me sentir desajeitado por não ser um patrão… apesar de ser verdade, ao contrário de algumas vezes em que digo sem remorsos não ter moeda. Respondi-lhe que trabalhava por conta de outrem e não podia dar empregos, nem conhecia quem os estivesse a dar. Senti-me estúpido.

Refugiei-me no Borda d’Água e olhando para a capa diria que até aqui temos um Sr. Dr., como que a dizer que estudou muito, com sapiência divina para prever com exactidão todos os acontecimentos naturais, astronómicos e meteorológicos com influência  sobre o nosso querido Portugal. (há 2013!)

Folheei-o e tem uma grande lacuna. Não fala nem uma única vez em relvas. Toda a gente sabe que Portugal tem o clima e condições apropriadas para a produção de relvas. Temos relvas específicas que se desenvolvem em terrenos onde se meta muita água e onde seja abundante o estrume e o lodo. Misturando-se esses elementos, num grande caldeirão, obtém-se a poção mágica que dá força e vigor a essas relvas. O pasto é imenso e pode sustentar muitos bois que a mantêm rente. Suficiente para se perceber que existe, insuficiente para estorvar as movimentações aleatórias e desorientadas dos líderes da manada. Depois de algum tempo de sustento os bois ficam bem nutridos e partem para os seus tachos respectivos. E as relvas crescem sem ninguém para as comer. Porque o meter água, o lodo e o estrume não param de jorrar. Chegando ao ponto em que passam o ponto de pasto e se tornam altas e vigorosas formando uma barreira viçosa e nebulosa. Nesse ponto quem dela cuidou já não se arrisca a cortá-las. Porque sabem perfeitamente que o que se esconde por debaixo será revelado se as relvas se forem.

Certamente que esta falha poderá ser corrigida nas próximas edições do almanaque. Já na contra-capa encontrei um texto que resumidamente diz que de 2013 não podemos esperar grandes melhoras. Excepto em duas linhas que nos relembram que a esperança deve sempre ser a última a morrer. Mais descansado no FDS, para descomprimir, fui cortar a relva.

O segredo dos canudos

Steve Jobs, Bill Gates, Mark Zuckerberg, Joe Berardo, Américo Amorim, Rui Nabeiro e muitos outros tornaram-se empresários de sucesso sem terem um canudo. Enveredaram no mundos dos negócios por uma aproximação de ‘mãos na massa’ sem ‘perder tempo’ a construir uma carreira académica que lhes garantisse um título e um certificado de habilitações e competência.

É próprio da mentalidade tuga perseguir o canudo só porque faz parte das etapas da vida.

Temos a mão de obra desempregada mais qualificada de sempre! Mas esta é história antiga…

Aspirantes a governantes a perseguirem canudos a todo custo deve-se por isso à necessidade de dar resposta a este respeito cego que nós Portugueses temos pelos Sr.s Dr.s da vida.

Um incompetente sem canudo é apontado como usurpador de um cargo que exige mais habilitações. Um beneficiado por favores ocultos que passou injustamente à frente de muitos outros com canudo. Pode ser posto em causa mesmo antes de cometer qualquer erro. Simplesmente por não ser um Sr. Dr.

Já um incompetente com canudo é um Sr. Dr. a quem a vida correu mal. Ele tem um canudo, ele sabe o que faz, só teve azar, coitado. É dar tempo ao tempo e a coisa compõe-se… Um canudo é sobretudo garantia de um maior tempo de vida e do benefício da dúvida.

Por isso temos Sr.s Dr.s altamente competentes como Vitor Constâncio, Alberto João Jardim, Dias Loureiro e muitos outros  a quem são desculpados pequenos erros, omissões e falhas técnicas porque é garantido, pelas suas habilitações académicas, que apenas procuravam fazer o melhor possível e com o máximo de boa fé. (convido-vos desde já a deixar na zona dos comentários nomes de licenciados que, tal como estes, deram grande contributo ao país na nossa história recente)

E que dizer do altamente qualificado ministro das finanças que se anda a surpreender com a discrepância entre as estimativas e a realidade dos números? Se tivesse um canudo da farinha Amparo seria imediatamente mais um incompetente. Mas não. Ele é doutorado. Por isso pode dar-se ao luxo de não arrepiar caminho. De continuar com a política que tanto o está a surpreender. Entusiasmado executor/observador de um ensaio fascinante, num laboratório real chamado Portugal, que lhe dará matéria suficiente para no futuro escrever um livro fenomenal baseado na experiência adquirida.

Nós os Portugueses idolatramos canudos porque os vemos como anuladores de incompetência, motivo válido de isenção da responsabilização por actos lesivos tomados em processos de decisão complexos.

Sem canudo somos responsáveis pelas decisões tomadas porque derivam da nossa experiência e aprendizagem de vida. Se somos professores de nós próprios somos imputáveis!

Com canudo somos meros veículos das melhores práticas e metodologias lecionadas academicamente. Quem está errado são os ensinamentos aceites e difundidos globalmente e não a nossa avaliação e decisão a nível individual que foi castrada e despida de valores éticos e morais durante o prestigiante percurso académico.

Se não concordas com isto, achas que um curso apenas dá as bases necessárias a uma evolução profissional e não é garantia  de posto nem de competência, é porque deves estar de calças na mão, no desemprego ou na vida activa empresarial, acabadinho de perceber que os subsídios de férias e de natal desapareceram de vez e para todos.

Tem mais ambição! Filia-te num partido e rapidamente terás este post como uma referência no manual de sobrevivência política. Encanuda-te antes que vás pelo cano!

Ou então deixa de avaliar competência em função dos canudos e títulos apresentados. Aviso que esta opção é bastante mais complicada. Está-nos nos sangue lusitano e suas caganças!

PS – consegui escrever isto sem mencionar os nomes de Miguel Relvas ou José Sócrates!

Inato Repúdio

Imperio Romano e Imperio CartaginêsAs Guerras Púnicas foram travadas entre as cidades de Roma e de Cartago. A primeira, de 264 a 241ac, começou pela disputa da cidade e estreito sicilianos de Messina, confronto ao qual se seguiu a maior batalha naval da antiguidade, Ecnomus em 256ac. Os posteriores avanços e reveses ditados por tempestades obrigaram o Imperio Romano a construir grandes frotas, navios com os quais a cidade destronou Cartago como a maior potência naval do mediterrâneo. Após os combates no norte de África, o conflito regressa à Sicilia, pelo que o medo precipitou o senado a nomear o primeiro dictador Romano, Aulo Atílio Calatino. O desfecho da batalha das Ilhas Aegates ditou a vitória Romana.

A primeira Guerra Púnica teve custos elevadíssimos para as cidades beligerantes, arrasando ambas as economias. Os termos do armistício visaram a rápida recuperação económica de Roma, pelo que foram especialmente penalizadoras para Cartago. As indemnizações pagas a Roma foram de tal forma elevadas que a economia de Cartago não disponha dos recursos necessários. Tal ditou a necessidade de Cartago intensificar e endurecer a tomada de povoações na Hispânia, territórios aos quais extorquiu toda a riqueza com o fito de cumprir os termos da paz com Roma. Curiosas, ou talvez não, são as consequências desta austeridade. Tal como os termos do tratado de Versalhes no sec. XX ditaram a inevitabilidade da segunda guerra mundial, as condições impostas por Roma a Cartago, não só não evitaram novo conflito, como foram a causa da barbárie praticada contra os povos da península ibérica. As crises económicas não se resolvem, deslocam-se…

Inevitável que foi, a segunda guerra púnica deu a conhecer ao mundo um dos melhores estrategas militares de todos os tempos, o General Aníbal. A sua derrota, ofereceu grande prestígio a quem o venceu na Batalha de Zama em 202 ac, o general Romano Cipião Africano – o Velho. Este prestigio foi manchado pela suspeita de suborno por parte de quem acolheu Anibal após a derrota de Cartago, o rei Antíoco III Magno, descendente de Diádoco de Alexandre – o Grande e herdeiro do Império Seleuco. Indignado com a suspeita, Cipião exilou-se até ao final da vida na Hispânia, onde terá ditado o seu epitáfio “Minha pátria ingrata não terá meus ossos”.

A terceira e derradeira guerra púnica resultou do temor Romano, e do velado desejo do seu senado ver a cidade de Cartago arrasada. A missão foi atribuída ao neto adoptivo de Cipião Africano – O velho. Homónimo de seu avô, o general romano Cipião Africano – o Jovem, pôs fim à contenda em 146ac, ano em que sob o seu comando a legião Romana destruiu a cidade de Cartago.

Extinta a ameaça externa, o império Romano concentrou-se na gestão das suas províncias. Muitas batalhas foram travadas na Hispânia, do Ebro ao Douro. Os povos Celtas aí residentes, muitos deles migrados da Lusitânia, foram protagonistas de uma longa e dura luta contra o império Romano na Península Ibérica. Nomeado pelo senado e aclamado pelo povo de Roma, Cipião Africano – o Jovem foi o homem escolhido para “pacificar” definitivamente as províncias romanas. Decorreria uma década até concretizar este objectivo de ajustamento.


As oppidas (oppidum), povoações fortificadas da idade do ferro estiveram no centro da estratégia dos Celtibéricos na luta contra os Romanos. Entre elas, Numância destacou-se pela resistência a um prolongado cerco. Não por um desfecho vitorioso, mas sim pela lenda em torno da sua total e definitiva derrota. Reza a lenda que em 133 ac, a maioria dos habitantes de Numância cometeu suicídio, preferindo morrer livre a servir Roma como escravo. O vitorioso General Cipião Africano – O Jovem não colheu qualquer glória em Numância.

O romantismo da lenda esconde práticas tão decadentes como o canibalismo, mas relembra-nos da mais inata características dos povos ibéricos: Acolhemos todas as culturas, mas nunca nos subjugámos aos imperios!

Os cães, os gatos e os lares no Euro 2012 e na Crise

Desde finais de 2011 que várias ONGs relacionadas com a defesa dos direitos dos animais vêm alertando para o massacre de cães e gatos em território Ucraniano. Isso circulou sobretudo em blogs e nas redes sociais não tendo grande cobertura por parte dos media. Agora, uma vez consumado, vários media decidiram então abordar o assunto em tons de polémica.

O primeiro abafo foi o simples afastar do tempo de antena, este segundo abafo já é um abafo orgãnico. Falou-se disso intervalado com o frenesim à volta dos jogos do Euro. E como facto consumado. Não há nada a fazer a não ser condenar o que já está feito. Até dá a sensação de ter sido um mal necessário para se fazer a festa.

O governo Ucraniano optou por uma resolução rápida e ‘eficaz’ que passou por incentivar grupos de população a caçar e exterminar os animais (por exemplo os caçadores tiveram autorização para os abater a tiro).  Tanto a população como os agentes desportivos envolvidos no evento do Euro 2012 pareceram viver bem com a solução, desde que tudo estivesse pronto para a festa em 2012. Nem jogadores, nem seleções, nem países se insurgiram veementemente contra estes métodos bárbaros de resolução de uma crise.

No seu conjunto Polónia e Ucrânia têm uma população de mais de 80 milhões de pessoas, sendo que esta última tem mais de 45 milhões de habitantes. Sendo conservadores podemos dividir este número por quatro e obtemos mais de 10 milhões de lares. Uma campanha alicerçada em vedetas internacionais a promover a adopção e esterilização de animais poderia ter salvo dezenas de milhares de vidas e sido muito mais positiva.

Estranhamente pode traçar-se uma analogia com o que se passou com a crise económica internacional.

Os primeiros sinais, de há anos atrás, foram afastados do tempo de antena. Sobraram uns loucos em blogs e redes sociais. Depois de consumada a desgraça deu-se então destaque a todos os erros do passado que levaram à calamidade actual. Tudo como consumado. Não há nada a fazer, para além de condenar. E agora para chegar à salvação há a política do sangramento. O crédito desenfreado é como a Ucrânia. Os endividados são como os cães e gatos que esta deixou crescer sem controlo durante anos e anos.

Agora há que injetar dinheiro em pontos nevralgicos e poupar dinheiro através de cortes violentos ASAP. Temos bancos, temos estados e temos pessoas. Estes dois primeiros fizeram parte do motor e  da carruagem que nos trouxe até este fim de linha. As últimas eram simples passageiros que compraram bilhete com confiança e deslumbramento fabricados pelos media e marketeers que enfabulavam a segurança e maravilhas da viagem.

Resgatar bancos e estados é o que está a acontecer. Com todas as repercussões conhecidas para as pessoas. Aumento de desemprego, pobreza, menor apoio social, suicidios. Os milhões entram e tapam os buracos de bancos e estados. Mas ninguém tapa os buracos das famílias. Que foram também escavados em tríade.

Uma estranha solução alternativa? Que tal injetar o dinheiro diretamente nas famílias? O dinheiro entraria pelas famílias saldando indiretamente a dívida aos bancos. Os bancos receberiam os mesmos milhares de milhões de euros mas a famílias teriam as suas dívidas saldadas. Seria um completo reset ao sistema financeiro. O fim dos actuais créditos em vigência. Ninguém perderia casas mesmo perdendo o emprego e apoio social. E aqueles que mantivessem o emprego teriam dinheiro extra suficiente para dinamizar o consumo. E com isso dinamizar o emprego. Esta seria uma terapia de choque mas aplicada diretamente nas fábricas de ninhadas. Os cães e gatos esses teriam todos o lar assegurado.

Mas esta é apenas a ideia de mais um louco num blog mentecapto.

Seguindo a lógica actual de resolução de problemas diria que uma solução certa para a fome contínua em alguns países africanos seria simplesmente exterminar essas populações. Sairia barato e seria relativamente rápido. Mas há focos de esperança. Há políticos que estão preocupados com o que se passa em África. Que apenas não injetaram no passado milhões suficientes,  a fundo perdido, na ajuda em África porque têm um dedo mindinho que adivinhava que em breve seriam necessárias centenas de milhares de milhões de euros a juros simpáticos para salvar bancos e estados europeus de uma teia especulativa por eles tolerada.  Mas os juros suportam-se bem porque em união todos os liquidaremos através do pagamento suado dos nossos justos impostos.

E uma solução certa para diminuir a diferença entre realidades de 1º e 3º Mundo é seguramente fazer crescer a fatia de países a viver em 2º Mundo. Imagino que este exista apesar de nunca ter visto uma citação sobre si. E quando não falam sobre ele nos media normalmente é porque é muito mau ou muito bom. Sou optimista. Creio que é bom. Vamos?

Dupond e Dupont

Fez hoje exactamente um mês que Dupond e Dupont dividiram tarefas. Conciliaram valores antagônicos e cumpriram as suas obrigações morais na íntegra. Dupond foi à luta. Dupont foi às compras. Com a preciosa ajuda da média, o país dividiu-se. Condenou e Apoiou. Suprema ironia, Dupond e Dupont estiveram de acordo. Diria mesmo mais, não desconcordaram.

Foram nitidamente ajudados pela experiência adquirida no deserto há muitos anos atrás. Compreenderam que tal como eles à época, os Portugueses seguem hoje as próprias pegadas para encontrar a saída do deserto de esperança em que se encontram. Como sempre, os Policiais de Hergé descortinaram o óbvio. Já o Português não. Precipita-se, pois não quer perder a oportunidade de criticar o seu concidadão. É estrutural! Nunca a Nação sofreu de qualquer défice de culpados ou juízos morais ao próximo. Não sou excepção, pelo que há data classifiquei a dicotomia do “dia do trabalhador” vs “dia do consumo” como decadente. Dignificante, por certo que não foi, mas o principal alarme de decadência não suou.

O alvo do Pingo Doce mudou, porque o consumo mudou. Até aqui visava a classe media urbana, procurando diferenciação clara do seu concorrente directo, o benemérito “Continente”, posicionando-se um degrau acima na escada social. Contudo, a contracção do consumo neste segmento socioeconómico é muito significativo. Muito mais do que o desejado por sindicatos e confederações patronais. Quem tem maior poder de compra, ajusta os seus hábitos de consumo com relativa facilidade. A maior abundância de supérfluo no cabaz típico, facilita uma rápida redução do custo. É simples, compram-se menos (a nenhuns) pacotes bolachas ou refrigerantes. O Pingo Doce desceu um degrau.

É este o alarme que não se ouviu nos locais que o país elege para os debates decisivos (por vezes importantes), i.e., as esplanadas e os cafés. Apaixonamo-nos por polémicas, mas abstemo-nos nas decisões. Fazemos de Dupond e Dupont verdadeiros génios, brilhantes na análise e eficazes na acção. Nem Hergé o imaginou possível, destinados que estavam ao papel de palermas…

Novas oportunidades ou os cinco minutos de fama.

Numa das minhas incursões desastradas a um centro comercial, dou por mim estarrecido e estupefacto ao ver uma dezena e meia… talvez mais, de senhoras entre os quinze e os cinquenta anos, avolumadas junto a uma loja, estranho ver uma quantidade significativa de pessoas generosamente alinhadas e perfiladas, como se de algo estivessem á espera.

Primeiramente, numa veloz fracção de segundo pensei… Mais uma promoção daquelas que o marketing fez o favor de preparar e bem, ou os resultados não estariam á vista, mas aquela visão de relance fez-me fixar algo de estranho, mas comum a todas as presentes.

Tinham realmente mais que um pressuposto que as unia, sem com certeza se terem cruzado na vida antes, tinham um adereço comum, muito provavelmente prévia e cautelosamente preparado, todas empunhavam um curriculum vitae.

Estava portanto a assistir a poucos metros, a uma sessão no mínimo sui generis, pondo simples desempregadas á merce de penetrantes olhares indiscretos, simultaneamente com empregadores sujeitos a comentários algo desenquadrados.

Senti-me ali como um condutor viajando por uma qualquer autoestrada, que se depara com um aglomerado desajustado de peões imóveis, quando deveriam todos estar em circulação, mesmo que com velocidades díspares, mercê do objectivo final da viagem, ver montras para ocupar o tempo ou analisar o produto para depois o adquirir.

Parei por uns instantes, com a finalidade de, como uma máquina, fazer parar o tempo e ter a certeza do que estava a presenciar, efectivamente estas humildes criaturas, algumas com um olhar tão incrédulo quanto o meu, sentindo-se invadidas pelas expressões de quem tinham de se desviar, formavam uma fila em volta de um daqueles sofás utilizados para ver quem passa, saborear o gelado que se comprou numa área de serviço da mesma via rápida, ou tão somente, esperar alguém que foi numa rapidinha fazer uma compra.

Mantinham uma distancia, sem que precisassem de nenhum dístico dizendo, “aguarde aqui a sua vez”, era mais ao estilo de barreira psicológica, para não interferir com a actividade nem perturbar as já mais que pasmadas candidatas.

Faziam-se ali mesmo, no sofá do meio da avenida, entrevistas de emprego, num ambiente cosmopolita pois então, que isto do desemprego é mesmo uma oportunidade, permitindo aos candidatos conhecerem métodos inovadores, oferecendo-lhes de imediato a preparação para as condições de trabalho sobre pressão, começando desde o primeiro minuto de contacto com uma eventual entidade patronal a perceber que nos dias de hoje, tudo corre ao minuto e á vista de todos.

Entendo que desta forma a entrevistadora se aperceba imediatamente das mais valias da candidata, ou não fosse a função pretendida a de empregada de balcão, daí talvez esta primeira forma de abordagem, confrontando estas pessoas com uma exposição mediática ao primeiro momento, permitindo-lhes assim os tais “cinco minutos de fama”.

A isto podem também chamar de empreendedorismo, pois inovar é preciso e emprego é coisa que hoje em dia faz efectivamente, falta a muita gente.

Contrariando todas as práticas de seleção e métodos de entrevistas, de quem se quer concentrado no que vai dizer e atenção de quem está a ouvir, podendo mesmo por em causa ambas as partes, o candidato por nervosismo e o empregador por má análise, eventualmente perdendo quer uma, quer outra, uma fulcral parceria lucrativa.

A sociedade gestora daquele centro comercial, que certamente controlará até ao mais ínfimo pormenor toda a logística e operacionalidade das lojas, deve ser felicitada por apoiar tamanho evento, pois deu o seu contributo para a dinamização da economia local, não tendo cobrado, penso eu, aluguer do espaço.