Como sermos superiores na educação superior?

De há uns bons anos para cá o ingresso num estabelecimento público de ensino superior obriga ao pagamento de uma propina de valor variável. Em 2011 variou entre 630 € e 999 €. Não há isenções. Com um pouco de sorte podem ser atribuídas bolsas de estudo que no passado ajudavam ao pagamento de despesas de alimentação, alojamento e material de estudo mas que agora servem para ajudar no pagamento da propina.

Não é preciso pensar muito no assunto, apesar das recentes notícias  de aumento de abandonos tanto em privadas como em públicas ajudarem a fazê-lo, para perceber que o acesso à educação superior está a tornar-se progressivamente inacessível em função de classe social e capacidade financeira em detrimento do mérito. O combate ao fator cunha, ao favorecimento, à displicência não se fará certamente com este tipo de limitação na raiz da preparação dos cidadãos que vão exercer vida ativa nos cargos mais ‘altos’ da vida ativa no mercado de trabalho nacional.

Com o sistema atual famílias sem posses são forçadas a decidir se trabalham para educar o(s) filho(s), gastando a totalidade ou parte considerável dos seus subsídios de férias e de Natal caso ainda subsistam, se contraiem crédito para suportar a educação ou se simplesmente assumem a sua incapacidade em comportar as despesas. Num país em que a educação é tendencialmente gratuita esperaria-se pelo menos que o valor mínimo de propina fosse um simbólico zero.

As despesas são enormes mas o impacto na sociedade do que se passa a este nível são também críticas. No cenário atual o músculo financeiro esmaga os pobres cérebros. Não existem oportunidades iguais. Escava-se ainda mais o fosso social entre classes. Será que não seria mais benéfico para o país perder algum dinheiro e formar melhores profissionais do que manter um equilibrio orçamental precário à custa de desperdício de potencial de recursos humanos?

Algumas ideias de como trazer mais justiça e também financiamento ao sistema de ensino superior público :

  • Pagamento de propinas apenas exigido caso aluno não atinja níveis de desempenho aceitáveis. Ou seja só existe desperdício no investimento em educação nos casos em que os alunos não correspondem. Se o aluno tiver bons níveis de desempenho beneficia da regalia de isenção de propina. Forçaria desta forma um empenho contínuo dos alunos e um sentimento de recompensa por boa prestação. Em caso de chumbo um aluno só poderia inscrever-se no ano seguinte se pagasse a propina relativa ao ano findado/falhado. Na ocorrência de abandonos pelo menos teria sido dada uma oportunidade e feita uma prova de capacidade e mérito.
  • Cobrança de taxa de propina nos salários dos recém-licenciados durante os X anos seguintes à licenciatura sempre que exerça funções / cargos a que só teve acesso graças à formação que recebeu. Voluntária ou forçada. O importante é deferir o pagamento que ocorre apenas nos casos de sucesso tanto do aluno como da adequação da licenciatura ao mercado de trabalho.
  • Cobrança de taxas de recrutamento aos empregadores. Direta na contratação de recém-licenciados, com valor variável em função do valor demonstrado pelo aluno, ou indireta permitindo acesso privilegiado a CVs / Classificações dos alunos mediante ‘patrocínios’ às Universidades. A Universidade venderia o sucesso da sua formação aqueles que mais dele vão beneficiar no imediato.
  • Patrocínio de Campus Universitário. Tal como vemos bancadas PT, Coca-cola, etc, poderíamos ver edifícios com nomes de marcas em vez de as vermos sobretudo associadas às festas universitárias.
  • Trabalhos final curso incidirem sobre necessidades locais. Durante a sua formação os alunos iriam contribuir para a melhoria efetiva de aspectos da vida e sociedade do país. Há muitos projetos autárquicos e locais que não avançam por falta de verba e poderiam ser os alunos em final de curso os seus executantes desde que as necessidades fossem na sua área de formação. Não seria feito pagamento à Universidade mas existiria um retorno imediato da formação gratuita paga pelo estado.
  • Venda de Serviços de Outsourcing. Já ocorre hoje sobretudo na área de investigação. Não me agrada muito a ideia pois acaba por roubar mercado a PMEs que o poderiam fazer dinamizando o emprego real.

Os maiores activos de uma Universidade são os seus alunos que infelizmente se estão a transformar num misto de clientes de um serviço e de fontes de rendimentos, garantias da sobrevivência da instituição de ensino. A Universidade deveria sobretudo trabalhar para formar recursos humanos de excelência que tragam valor às empresas e ao país. Privilegiando o mérito, esforço e capacidade no ingresso e leccionamento independentemente de classes sociais e capacidades financeiras.

Ao mesmo tempo todo o dinheiro que não seja gasto em propinas  entraria na economia através de outras formas de consumo que incluem as despesas de alojamento, alimentação, transporte e materiais de estudo. E haveriam menos argumentos impeditivos de mobilidade na escolha da Universidade.

Ficaria mais esperançoso num futuro alicerçado na igualdade de oportunidades e na valorização do mérito mesmo que isso representasse despesa adicional no presente.

25 de Abril nas Cabeças dos Portugueses

O 25 de Abril pôs fim a uma ditadura opressora. Antes do 25 de Abril passava-se fome e imperava a lei da rolha. O 25 de Abril pôs fim à guerra colonial. O 25 de Abril foi o parto da democracia em Portugal. A democracia é um regime de governo em que o poder de tomar importantes decisões políticas está com os cidadãos (povo), direta ou indiretamente, por meio de representantes eleitos.

Vamos a caminho das 4 décadas de democracia em Portugal. Nesses 38 anos surgiram dezenas de partidos. E a cadeira do poder foi tomada sobretudo por dois partidos políticos. PS e PSD. Por vezes com uma muleta de um outro partido sendo a mais frequente a muleta CDS/PP. Em 38 anos de democracia temos sensivelmente 18 anos geridos por PS e 18 anos geridos por PSD. UAU! TKO!

Portugal teve a sorte de entrar na União Europeia. De receber milhares de milhões de euros de apoios ao desenvolvimento. Que foi realmente muito apoiado. Só que o dinheiro foi também desbaratado a uma escala magnânima. Milhares de milhões de desperdícios em desvios mais ou menos claros. Só que vivia-se bem! Corrijo! Vivia-se MUITA BEM! E o povo comia, bubia, ria e cantava. Dava para todos. Para mostrar trabalho e para roubar. Que se lixe.

Em Oeiras e na Madeira, alvos de maior turbulência mediática e escarafunchar de cambalachos, vive-se assim descaradamente há décadas sem que o povo se indigne. São os focos de atenção perfeitos. Não só servem de manobra de diversão como não provocam danos reais aos visados que se mantêm em funções alegremente e com júbilo dos seus eleitores.

Só que agora a torneira fechou, a fachada ruiu, os media são megafones de lobbies políticos e económicos, o sector energético é privado, as águas de Portugal hão-de ser, as estradas edificadas não são baratas de usufruir, a educação pública não tem condições para todos, a saúde tornou-se um simples centro de custos, o emprego precário é uma benção dos deuses e temos velhos e desempregados a mais que corroem a sustentabilidade da segurança social. Décadas de crescimento contínuo do nível de vida desabam em apenas um ou dois anos. Volta-se a ter fome. Pode-se conversar em ajuntamentos públicos mas não há alegria nas conversas. Volta-se a não ter esperança. Instiga-se os que estão mal a emigrarem. Culpa-se a classe política.

A nossa democracia está uma merda. Mas a culpa não é dos partidos. Esses são apenas os testas de ferro, representantes dos cidadãos que os elegem. Nunca faltaram vias alternativas. Só que as coisas estavam bem apesar de sabermos que roubavam. Estamos comodistas e temerários de seguir por ângulos que não os da Direita, Centro ou Esquerda.  Já lá vai o tempo em que armazenávamos provisões nos porões, soltávamos as velas e olhando para terra, num primeiro fôlego de saudade, nos deixávamos levar pelos ventos sem saber onde iríamos parar e o que iríamos descobrir. E a ousadia de enfrentarmos exércitos vizinhos mais numerosos nem que à força de pazadas de padeiro? Seremos capazes de reconhecer e reagir a exércitos inimigos internos que precisem de igual tratamento? Ou estaremos já formatados por décadas de facilitismo e boa-ventura?

Agora temos medo e vergonha. Vergonha de ousar votar em desconhecidos sem um CV bem elaborado e sem o amparo de avalanches de referência em canais de media. Temos preguiça de procurar informação noutros canais que não a TV, rádio e jornais que montam as suas hábeis campanhas de condicionamento de pensamentos e opiniões. Assustam-nos discursos disruptores e fraturantes que apressadamente catalogamos como utópicos para nos serenar a consciência e justificar a não adesão e não lutar por aqueles ideiais.

Somos COBARDES por não ir votar ou votar em branco. Ambos são levar ao colo os moços do costume.

A próxima revolução não tem de ser na rua nem no parlamento.

Tem de ser na nossa cabeça tacanha.

Se não nos identificamos com nenhum dos partidos só temos duas opções. Ou infiltrarmo-nos na política e tentar fazer passar a nossa visão ou escolher aqueles com que mais nos identifiquemos mesmo que isso não aconteçaa a 100%. A democracia veio pôr fim à ditadura mas é curioso que não exista governo que se assuma capaz de governar em condições sem ter maioria absoluta. Se não a teve por algo foi. E tê-la alavancada em 40% de taxa de abstenção é uma mentira só possível por quem contibui para essa percentagem.

Democracia é participação.

Não usufruir dela é demonstrar-se confortável com uma qualquer ditadura que não passa apenas por uma forma de regime político como se verifica nos dias de hoje.

25 de Abril todos os dias! Até às próximas eleições…

PPP Lusitânia

cunard_logo_2950No início da Século XX, a famosa Cunard Line perdia a hegemonia comercial na rota transatlântica. Para além das companhias Alemãs, a entrada do magnata JP Morgan  no negócio, motivou a fusão de vários concorrentes de menor dimensão, criando um gigante no sector. Sem meios financeiros, a privada Cunard estava impossibilitada de responder à altura das circunstâncias. É neste contexto que em 1904, o governo britânico decide apoiar a Cunard. Em época de preparação para aquela que viria a ser a primeira guerra mundial, o governo de sua majestade viu com bons olhos a possibilidade de no futuro requisitar novos e rápidos transatlânticos. Nascera uma Parceria Público Privada (PPP). Materializou-se no desenvolvimento e construção de novos navios, o primeiro dos quais foi providencialmente baptizado em memória da antiga província Romana, a Lusitânia.

O desenvolvimento e construção do RMS Lusitânia fizeram justiça à memória e tradição do nome de baptismo. Foram respeitados os valores e virtudes dos herdeiros de Viriato, a megalomania por exemplo: Com projecto ultramoderno, o novo transatlântico seria motorizado por turbinas a vapor. Tamanha inovação, qual via verde para o atlântico norte, ditou um processo de construção nada ortodoxo. A construção da popa do navio aguardou a conclusão dos desenvolvimentos das revolucionárias motorizações, enquanto a construção da proa prosseguiu a todo o vapor. O método tradicional deu lugar à nossa ancestral metodologia “em cima do joelho”. Qual portagem em scut.

Concluída a construção, múltiplas características imergiam como retumbantes provas da identidade Lusitana: era o maior e melhor navio do mundo, era o mais rápido e o mais faustoso. A decoração da primeira classe (estilo rococó) valeu-lhe a alcunha de Versalhes dos Mares. Menos majestosa, a decoração da segunda classe era ainda assim opulenta. Já na terceira classe, a madeira de pinho polida estava omnipresente, luxo a que os passageiros deste estrato socioeconómico não estavam habituados, pelo que lhe enalteciam a beleza e a comodidade. A todo este estratificado conforto, estava também associada outra característica Lusitana, o defeito de fabrico: a alta velocidade a vibração gerava uma ressonância insuportável nos aposentos de segunda classe. Analisado o problema, encontrada a solução. O defeito foi declarado feitio, merecendo apenas ajustamentos: reforço de estrutura, adendas à decoração e está concluído. O último acto da Lusitanidade no berço não resolveu, mas abafou. Típico.

A viagem inaugural em 1907, decorreu sem glória ou desonra. Mediana sorte, obviamente Lusitana. O nevoeiro não permitiu a velocidade necessária para reclamar a “Blue Riband”, conquista apenas concretizada na segunda viagem transatlântica. O tesouro Britânico pagou, a Cunard explorou, milhares de passageiros usufruíram de rapidez e conforto. Ninguém perdeu. A PPP era um sucesso, ao navio faltava-lhe o Fado.

Com o início da primeira grande guerra, o Almirantado Britânico requisitou o navio em 1914, mas devido ao elevado consumo de combustível, foi devolvido ao uso civil. A PPP estava pela primeira vez em dúvida: tal como hoje por cá, o desvio face ao orçamentado foi uma enorme surpresa! Não obstante, a rota transatlântica foi retomada sob austeridade de meios humanos e materiais, o que amputou 30% da velocidade máxima do navio. Persistia contudo a necessidade de justificar a PPP. Foi por isso, com subtileza e descrição dignas do seu baptismo, que o RMS Lusitania começou a transportar munições no trajecto de Nova Iorque para Liverpool. Foi quanto baste para sobre ele atrair a atenção da troika que se opunha à Grã-Bretanha e seus aliados: o Império Alemão, o Império Austro-Húngaro e o Império Otomano. Sobre este último, julgado moribundo, foi planeado um vigoroso ataque naval ao estreito de Dardanelos.

GrandFleetA convicção de vitória era total entre os aliados. Visando partilhar a glória, a Republica Francesa fez questão em enviar os melhores navios da sua Marinha de Guerra, tentando assim ombrear com a maior e mais poderosa Marinha de Guerra da época, a Royal Navy. Curiosa esta tendência francesa para a grandeza a reboque da potência do momento. Mantém-se até aos dias de hoje. Tragicamente, o prognóstico de facilidade revelou-se um enorme erro de avaliação. Modestas minas navais e a poderosa artilharia Otomana impuseram uma pesadíssima derrota às marinhas aliadas. À derrota naval, seguiu-se o desastroso desembarque de Anzacs a 25 de Abril de 1915 nas colinas de Gallipoli. Falhou o objectivo de neutralizar a artilharia Otomana. A dimensão do desastre traduziu-se em mais de meio milhão de baixas registadas de ambos os lados.

Esta pesada derrota aliada ditou a necessidade de envolver os Estados Unidos da América no conflito, sem o qual a vitória da Grã-Bretanha e seus aliados seria impossível. A forte convicção isolacionista do desejado aliado tornava esta tarefa muito difícil. Ao RMS Lusitânia estava reservado o papel principal neste processo, seria esse o seu Fado. O mérito do plano que concretizou o difícil objectivo, ninguém o reclamou, talvez por vergonha ou pudor, mas especula-se que Winston Churchill terá tido um papel determinante: Quer no montar do isco aos Alemães, quer no posterior branqueamento das responsabilidades do Almirantado Britânico (especialmente necessário após a derrota no Mar Egeu).

Desde o início da primeira grande guerra que a Grã-Bretanha impunha o bloqueio aos portos germânicos. A força dos números oferecia esta hipótese à Royal Navy. Apesar de a Kaiserliche Marine possuir navios tecnologicamente mais avançados que a generalidade dos britânicos, a prudência aconselhava evitar um confronto de larga escala. A alternativa estratégica recaiu sobre o uso de uma arma inovadora à época, o submarino. Actualmente, esta arma furtiva encontra paralelo nas agências de notação financeira, as quais torpedeiam as economias mais débeis causando pesadas baixas na guerra económica. O comportamento humano repete-se. As consequentes tragédias também, infelizmente.

Com efeito, após mais de duzentas travessias do Atlântico Norte, o RMS Lusitânia partiria uma última vez da doca da Cunard Line em Nova Iorque a 1 de Maio de 1915, sob o comando do Comodoro William Thomas Turner, com 1959 pessoas a bordo. Entre eles, muitos americanos que ignoraram o anúncio publicado pela embaixada imperial Alemã nos Jornais nova-iorquinos, o qual alertava os cidadãos americanos para os perigos de viajar a bordo de navios britânicos. Peões no xadrez da guerra, que valeram por Rei, Rainha, Bispos, Cavalos e Torres.

Efectivamente, a 7 de Maio de 1915, o isco foi mordido pelo submarino U-20, sob o comando de Walther Schwieger lançou um único torpedo sobre o RMS Lusitânia, que ao largo da costa Irlandesa se afundou em apenas dezoito minutos. Mil e duzentas pessoas perderam a vida. As causas e seus argumentos foram esgrimidos entre os intervenientes, com reciprocidade na atribuição de culpa, mas o facto relevante prevaleceu: Os EUA entraram no conflito ao lado da Grã-Bretanha e seus aliados, entre os quais estava a jovem Republica Portuguesa e a sua apetrechada Armada.

Os acontecimentos relatados demonstram que a globalização tem mais de um século. Nada é estanque, ou isento de consequências noutras latitudes. Ao colapso da banca de investimento Americana, seguiu-se a crise financeira na Europa. De pouco serviu a esta declarar-se imune ao colapso Americano. Meras palavras. A frota aliada que atacou o estreito de Dardanelos era à época tão infalível como o sistema financeiro mundial o é hoje. Os bancos de investimento americanos podem ser “demasiado grandes para falhar”, mas a verdade é que falharam de forma tão trágica como a frota aliada no Mar Egeu. Agora, como então, as populações não previram o efeito, da mesma forma que ainda não compreendem as causas. De forma premeditada, ou mero aproveitamento da oportunidade, o RMS Lusitânia foi instrumentalizado, e sua tragédia explorada no recrutamento para a guerra. Enganam-se aqueles que acreditam que este tipo de propaganda não existe nos dias de hoje. É simplesmente mais sofisticada.

O combustível hoje aumentou! – Lado B da Vida

Já não há pachorra para as notícias agressivas sobre todas as medidas opressoras da confiança, optimismo e felicidade. Por isso hoje para variar comento o aumento dos combustíveis de forma ligeira, irónica e bem-disposta. No final deste artigo não vão perceber a gravidade da situação mas ao menos terão um rasgado sorriso que dará férias à cara sorumbática plantada pelos normais noticiários.

 

Preço dos Combustíveis = Retorno das charrettes?

Depois de um burro ter vencido um Ferrari numa corrida no IC-19 em hora de ponta eis que agora começa a ser mais barato sustentar um cavalo do que um automóvel. O mercado de carroças e equídeos prepara-se para a procura que se avizinha.

Perguntámos a Paula Bobone o que acharia do retorno das charrettes e dos cavalos ao que nos respondeu:

– “Não deixaria de trazer um certo glamour às ruas de Portugal e o revivalismo está na moda. Poderiam alimentá-los apenas a arranjos florais para que os seus cócós perfumassem a cidade.”

Já José Castelo Branco foi mais comedido dizendo:

– “Seguramente algo que envolva cavalos e a minha pessoa tem que envolver também uns charrettes porque para acontecer eu teria que estar drogado, D-R-O-G-A-D-O, para não me lembrar de nada do que se passou naquela quinta com o garanhão  chamado Frota.”

 

Empresas de Transportes preocupadas com nível da Matemática em Portugal

Com o novo aumento dos preços, e o perigo do retorno das charrettes, as empresas de transportes desafiam os Portugueses em acções de marketing com problemas matemáticos de nível básico como:
“Se encher o depósito custa 70 € e gasta dois depósitos por mês no percurso casa-trabalho. Quanto gasta por mês? É mais caro ou mais barato do que o passe de transportes de 50 € por mês? E se adicionar o custo do parqueamento?”

Para espanto dos marketeers a grande maioria dos Portugueses não consegue encontrar as variáveis nem fazer as contas e não chega a qualquer resultado. Por este motivo as empresas de transportes exigem mais e melhor Matemática ao Ministério de Educação.

 

Governo cria condições para baixar preços de combustíveis

Derivado à falta de orçamento para investir em políticas de educação o governo,  preocupado com a situação no mercado pretrolífero e o grande impacto social dos preços dos combustíveis, reuniu de emergência com as petrolíferas e gasolineiras nacionais para concertar esforços no sentido de proporcionar períodos de baixa de preços que aliviem os Portugueses.

A negociação não foi pacífica mas chegou-se ao consenso e a partir de agora os preços dos combustíveis terão 10 casas decimais. Hoje o preço poderá estar a 1,6999999999 mas amanhã poderá estar a 1,6999999998 e no dia seguinte a 1,6999999997 e assim sucessivamente até que progressivamente os preços normalizem para valores razoáveis.

A Europa aplaude atitude do governo e pondera criação da moeda de 0,0000000001 € para facilitar trocos.

 

Victor Gaspar critica aumento dos combustiveis em Portugal

Apesar do desafio de fazer projeções de receitas exatas à décima casa decimal o Ministro das Finanças está indignado com o novo aumento dos combustíveis. Isto porque inviabilizam a subida do ISP e IVA que em conjunto representam apenas pouco mais de 50% do preço da gasolina.

Segundo planos do próprio os Portugueses são capazes de ser austerizados até aos 1,999 € por litro desde que 80% desse valor fosse para os cofres do estado. É incompreensível que cheguemos em breve a esse valor devido a ação das petrolíferas e não à ação direta do governo. Depois da Troika deveria ser o governo e não o sector privado a gerir a economia nacional. “E agora aumento o quê?” disse um desapontado Victor Gaspar.

 

Comunidade de Xuning protesta contra aumento dos combustiveis

Já não bastava a crise a limitar a capacidade de evolução contínua dos nossos veículos motorizados e eis que agora o aumento de combustíveis condiciona também a liberdade de expressão na comunicação via raters, roncos e vibratos de tubos de escape.

Um peidinho ou bufa motorizada está ao preço do ouro e não há quem consiga manter a contínua demonstração sonora das capacidades da sua máquina.

O Xuning silencioso não é Xuning. É meio caminho andado para a degradação desta forma de arte para o estatuto de decoração pirosa só ao alcance de alguns bimbos sem tusto

 

 

Se esboçaste um sorriso que seja faz um like pá. É de borla! (por enquanto)

O que se extingue com a Freguesia?

As freguesias estão na mira de longo alcance. Hoje são mais de 4 000 delas e a reformulação do governo aponta para o desaparecimento de 1 000 a 1 500.

A freguesia onde cresci, Póvoa de Santo Adrião, bem como a onde moro (que não revelo para não receber ameaças como os árbitros do futebol português), estão prestes a ser extintas.

Ontem foi a manifestação de muita gente contra esta revolução da divisão administrativa.

Sempre pensei que o problema fosse uma questão de ‘status’, de perca de um título, downgrade de freguesia para simples vila, aldeia, localidade ou algo assim. Com a humilhação acrescida de passarmos a ser administrados por uma freguesia adjacente com quem normalmente temos grandes rivalidades desde tenra idade. Afinal a linha de separação de duas freguesias é como uma zona de guerra, sobretudo verbal, que muito contribuiu para o desenvolvimento do vernáculo nacional.

Em Janeiro, altura em que recebi um panfleto a alertar-me para a extinção da freguesia onde resido, fui abordado por três velhotas vizinhas a explicar-me como ia ser terrível porque há ali dezenas de idosos que mal conseguem caminhar até  à atual junta receber pensões, pagar água, luz, etc, (a junta faz também de estação de CTT por já ter sido extinta a filial local), quanto mais passar a ir ao local da nova junta que ficaria noutra freguesia a não sei quantos km. Nem têm força nas canetas, nem têm cheta nas carteiras. E que há problemas sociais e tradições que só os locais conhecem e compreendem, e como é com os muitos trabalhadores locais da junta? Vão ser absorvidos? Vão ser despedidos? Ai Meu Deus! Curiosamente hoje, dois meses depois, duas delas já faleceram…

A principal argumentação do governo é a optimização de custos diretos relacionados com as custas com membros das assembleias . Sim, acredito que parte deles sejam apenas uma cambada de chupistas. Uma assembleia de uma junta de freguesia pode ter de 7 a 20 e tal membros dependendo do número de eleitores. As opções de horário para exercício dos cargos são várias bem como os vencimentos aplicáveis. Ou seja há mais do que espaço de manobra para atribuição de tachos em cargos simbólicos.

Mas apesar de tudo são as juntas de freguesia que estão presentes e se preocupam com a dinamização e planeamento do desenvolvimento local.  Antes da extinção talvez se devesse reformular a composição e regras aplicáveis aos membros das assembleias das juntas de freguesia para reduzir as suas custas e/ou aumentar a sua produtividade? Fará sentido que os ‘gestores’ de uma freguesia o possam fazer em part-time acumulando cargos públicos e privados e rendimentos daí advindos? Não merecerão os eleitores alguém dedicado a 100% mesmo que sejam menos e melhor pagos os membros das assembleias? Talvez se devesse antes apostar na diplomacia e formação local, com os interlocutores atuais, e fomentar a parceria com as freguesias adjacentes na prestação de serviços comuns?

Extinguir freguesias não fará desaparecer a área territorial a gerir e na verdade não pode simplesmente deixar de existir um determinado número de colaboradores e de gastos operacionais. Além de que as fusões devem ter critérios muito específicos pois nas novas juntas de freguesias terão de existir representantes de cada uma das antigas freguesias para garantir que os seus interesses não serão atropelados pelos da nova ‘casa mãe’.

E quais são os critérios? Estritamente quantitativos ou qualitativos? Uma grande freguesia mal gerida vai absorver pequenas freguesias bem geridas passando os maus presidentes a gerir mais território? Ou será premiada a gestão sendo promovido o melhor presidente de junta das freguesias a agrupar? Quem avalia e decide o desempenho da gestão de cada freguesia?

A fusão não vai ser apenas redução cega de custos. Vai ter custos escondidos como:

  • Crispação social pela desconfiança gerada pela deslocalização e afastamento do poder administrativo local;
  • Integração e organização do conhecimento e dos registos documentais das freguesias absorvidas;
  • Remodelação da comunicação feita pelas juntas de freguesia (sites, brochuras, panfletos, cartazes, papel, carimbos, etc);
  • Lidar com a informação online, que se torna errada, sobre freguesias de Portugal. Desde blogs, wikipedia, artigos e diretorios, sobre divisão administrativa, etc, há milhares de artigos online que continuarão a existir com informação totalmente desadequada à nova realidade.
  • Ajustamento nos sistemas informáticos nacionais para reflexo da nova divisão administrativa. Numa altura em que tanto se exige mais produtividade vão forçar empresas e organismos públicos e particulares a ter de criar um processo de migração de toda a informação que inclua a indicação de freguesia bem como adaptar os seus sistemas a trabalhar com a nova realidade. Os custos globais desta operação serão certamente na ordem dos milhões de euros e milhares de horas de trabalho não previsto e sem retorno financeiro pois não está a gerar negócio. Fará sentido este desperdício neste difícil período?

Mesmo assim vejo pelo menos três coisas positivas deste frenesim à volta da reformulação da divisão administrativa:

  • Aumentou o interesse público em perceber quais os gastos administrativos nas juntas de freguesia. O governo propõe a extinção em massa de freguesias mas não liberta dados relativos a despesas concretas que podem ser reduzidas. São os custos com membros das assembleias? São os custos com pessoal? São os custos de sub-contratação de serviços? Afinal quais os desperdícios das freguesias que esta solução vai eliminar?
  • Aumentou a curiosidade sobre a história e estado atual das nossas freguesias do coração.
  • Se o governo não vê problemas em extinguir freguesias com séculos de existência está aberta a brecha para não apoiar financeiramente nem justificar a defesa de tradições com a o argumento da sua secularidade, como acontece por exemplo com as famigeradas Touradas.

A mudança não poderá ser apenas administrativa, terá de existir alteração de legislação, e por agora o assunto está numa embrulhada nebulosa tão grande que  é apenas uma excelente manobra de diversão.

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Os Portugueses têm memória curta e têm algum preguiça em esforçar-se para defender o que é seu.  É sabido e provado pela história da nossa democracia, pela dança de cadeiras ocupadas por muitas caras envolvidas em negociatas de cariz duvidoso, que metem em causa a sua honestidade e carácter em passado não tão longíquo.

Uma das melhores maneiras de proteger a nossa economia é com os nossos hábitos de consumo. A defesa da produção, emprego e sistema fiscal nacionais pode e deve ser cultivada pelos mundanos hábitos de consumo. Há povos que o fazem por cultura e hábitos passados de geração em geração. Consomem produtos dos seus países, mesmo que mais caros que os idênticos de marcas de outros países. O povo alemão é um deles por exemplo.

Mas hoje olhamos para as prateleiras e já não reconhecemos todas marcas e nem sequer temos ideia do real contributo que aquelas que conhecemos dão à nossa economia. Com tantos artifícios de boa gestão focada na fuga aos impostos e redução de custos para aumentos dos lucros, haverá marcas muito consumidas que pouco ou nada contribuem para a nossa economia para além do IVA.

Já somos desinteressados por natureza mas quando não temos qualquer apoio à decisão refugiamo-nos simplesmente no mais barato ou no que mais gostamos ignorando tudo o resto. É por isso que sugiro aqui um sistema de etiquetagem ou rotulagem de marcas, serviços e/ou produtos que indique explicitamente:

  1. Designed By: em que país foi desenhado;
  2. Made In: em que pais foi produzido;
  3. Supplied By: %s de matérias primas utilizadas para a sua produção por área geográfica com indicação pelo menos relativa ao país onde está a ser feita a venda;
  4. Workforce: em que indica quantos trabalhadores emprega por área geográfica com indicação pelo menos relativa ao país onde está a ser feita a venda;
  5. Taxed In: que indica as %s de taxação sobre os lucros por área geográfica com indicação pelo menos relativa ao país onde está a ser feita a venda;

Com estes dados bastaria olhar para o rótulo ou etiqueta e perceber claramente se esta  marca, serviço ou produto está ou não a contribuir, e em que medida, para o emprego, para a produção, para os impostos e consequentemente para a economia nacional. A existir seria certamente um fator decisor na escolha dos consumidores e estaria tão à mão que só não usaria a informação quem não tenha pinga de estima pelo seu país.

Politicamente não é europeísta defender um favorecimento à produção nacional mas a melhoria desta situação não precisa de acção política. Precisa de Marketeers que entendam que esta informação pode ser um bónus para aumentar as suas vendas e penalizar concorrentes que não sejam tão ‘nacionalistas’ nas várias componentes da sua gestão. Claro que para muitas marcas esta transparência pode ser nociva mas se alguém o começar a fazer a opacidade, com a falta de informação, fará mais dano do que a revelação de dados menos ‘simpáticos’ nesta matéria.

Nós os consumidores queremos ajudar a levantar Portugal mas não nos obriguem a trabalhos ciclópicos de investigação para destrinçar quais as marcas supostamente Portuguesas que mais não são do que correios de Euros para sistemas fiscais offshore.

Faróis sobre o que é verdadeiramente “nacional é bom” precisam-se!

 

Cultivar, para que alguns vivam.

RasgandoNum período em que ordenaram que se rasgassem muitas coisas, como direitos adquiridos, mas só de e para alguns, rasgaram-se horários de trabalho e terços de folhas de vencimento, rasgaram-se já alguns feriados do calendário e mais rasgões virão, por ventura só depois de passada a celebração da Ressurreição.

Porventura aproveitando a deixa, um autarca disse aos seus munícipes para rasgarem as cartas enviadas pelos serviços da Câmara que preside, alegando que existem questões legais, que tem de ser cumpridas, elaborando por exemplo missivas para inquietar os cidadãos, provocando-lhes insónias e desassossegos, mas que são apenas formalidades.

Considerados por muitos como meros actos de populismo, ou já como preparação de futuras batalhas eleitorais, atitudes como esta devem merecer elogios, também eles rasgados, pois inquestionavelmente são demonstrações de quem manda, pelo menos aparentemente.

Estaremos portanto no direito de questionar, para quando, uma intervenção em que a mais alta patente do Estado tenha a coragem de proferir:

-Enquanto for eu o presidente (olhe nos meus olhos), ninguém pagará coisas que não lhe são devidas, pois prefiro ir preso, que permitir que usurpem os meus concidadãos.

Rasgaram-se ordens de trabalho no carnaval, não seguindo as directrizes da hierarquia, quiçá tentando generalizar a todo o território o dito antigo “para lá do Marão, mandam os que lá estão”, talvez por isso permanece em estudo o recorte do próprio mapa de Municípios, este mais cirúrgico, acautelando prováveis mudanças de cor do País nas próximas decisões, que por hora ainda nos dizem serem nossas, por direito.

Num dos casos jurídicos mais mediáticos dos últimos anos, assistimos também ao rasgar de decisões, reencaminhando para novo calvário alguns dos intervenientes, em prol de uma justiça cega, que todos pagam, ao mesmo tempo que ilustre figura da Nação ousou referir-se ao nojo (período de), querendo quem sabe, incitar a um urgente corte com o passado, ou mesmo transpirando o nojo que o próprio terá da justiça, vendo inocentes a braços com ela, enquanto que outros, mais ladinos, engrandecem com métodos pouco ortodoxos aparentemente difíceis de descortinar, em processos que podem demorar mais de um decénio, custando a todos avultadas quantias.

Andam multidões com vontade de rasgar facturas de água e luz, pelo menos a parte delas referente a débitos periféricos ao próprio consumo, ou mesmo o percentual das portagens que irão repagar, quando se fizerem as contas de compensação por baixo tráfego, mas o método está criado faz tempo, já dizia François Marie Arouet, “Encontrou-se, em boa política, o segredo de fazer morrer de fome aqueles que, cultivando a terra, fazem viver os outros.”Cultivando para alguns

Aparentemente manter-se-ão os desmandos dos que se dizem mandatados, até esses rasgaram os guiões das campanhas, vindo agora a terreiro justificar-se em erros de pressupostos.

Constata-se mais uma vez o infausto acontecimento, já mais que provado pela história política,

“ Os políticos nada aprendem com a história”.

Bacalhaus e Submarinos

Nascido “Elite”, ao bacalhau dedicado, dos Lusos foi o primeiro no arrasto. Decorria o ano de 1909. A Europa vivia dias de “Paz Armada”, um eufemismo para a corrida às armas. Não entrámos. Fomos à pesca por arrasto.

Em 1914, morto o arquiduque Francisco Ferdinando, precipitou-se a Guerra, das grandes a primeira. Entramos desta feita. Como nunca fomos piegas, não lamentámos a falta de preparação para a beligerância: do arrastão de pesca, fizemos um navio de patrulha oceânica. Para tal bastou à Armada requisitar a sofisticada embarcação ao seu dono, a Parceria Geral de Pescarias Lda. Engenho quanto baste, está feito: Canhão à proa, outro à popa. Óptimo. Não mexe.

Rebaptizado “NRP Augusto de Castilho”, assumiu funções como escoltador oceânico. Até ao derradeiro ano das hostilidades, 1918, o arrastão convertido em navio de guerra deu uso às suas armas. Atacou submarinos alemães, tendo registado importantes vitórias, obrigando por duas vezes o inimigo a submergir e partir em retirada.

Tal bravura não passou despercebida ao Almirantado da Kaiserliche Marine. O insolente navio Lusitano seria punido. A “missão” foi confiada a Lothar von Arnauld de la Perière, o às dos ases. Com ascendência Francesa, natural da (hoje) Polónia, Lothar era contudo bisneto de um General Prussiano, tendo dele herdado o inflexível código de conduta. Ao melhor comandante de submarinos de todos os tempos, foi confiado o comando do U-139. Simplesmente o maior e melhor submarido construido à data.

Navio de Transporte São Miguel

O inevitável embate ocorre a 14 de Outubro de 1918 (um mês antes do armistício de Novembro do mesmo ano). Em defesa do Vapor “N/T S. Miguel“, sob o comando do primeiro-tenente José Botelho de Carvalho Araújo, o “NRP Augusto de Castilho” atacou o “U-139“, acto com o qual garantiu a oportunidade de fuga do navio mercante. Contudo fatal. O combate vitimou o comandante e cinco elementos da guarnição. O caos resultante ditou a rendição e consequente ordem para abandonar o navio. Antes de ser desferido o golpe final, entrou em acção o código de conduta dos homens do mar. Aos sobreviventes, foi permitido regressar a bordo e resgatar botes salva-vidas nos quais chegaram à ilha que deu nome ao navio mercante por eles salvo, São Miguel. Esta benevolente iniciativa do comandante Lothar la Perière, foi certamente inspirada pela tradição militar prussiana. A ele, a minha sincera homenagem, pois ao seu gesto devo a minha modesta existência: Entre os sobreviventes que chegaram aos Açores a 19 de Outubro de 1918, estava o 2º Sargento Enfermeiro Acácio Alves de Moura, meu bisavô (ainda solteiro), avô materno de quem meus filhos são netos, senhor meu pai.

Observada a história, explicada a ligação pessoal, constato a analogia deste passado com o futuro da minha prole. Não é que um século depois continuarão à mercê do carácter Germânico? E se no lugar de um integro e vertical Prussiano nos calha um “Schettino” que por lá tenham por engano?

Incontornável é também o eterno desacerto Lusitano: Em 1909 necessitávamos de Navios de Guerra, mas compramos Navios de Pesca, os quais por necessidade convertemos em alvos para submarinos Alemães. Paradoxalmente, necessitamos hoje de Navios de Pesca, mas comprámos submarinos Alemães. Teremos nós o engenho necessário para inovar a arma o suficiente para com ela pescar por arrasto?

E se parte da solução fôr mandar tudo pelos ares?

Com tantos indicadores contraditórios os desempregados já não sabem se hão-de emigrar para um estrangeiro longíquo, com economias emergentes, ou se hão-de por cá permanecer e enveredar pelo caminho mágico do empreendedorismo (que no passado deu azo a muitas PMEs que hoje são alvo da política de saneamento das ‘más’ empresas que contaminam a nossa economia como já foi dito por agentes do actual governo, inclusive pelo nosso Primeiro Ministro).

Portugal pode realmente beneficiar do empreendedorismo levado a cabo pelas centenas de milhares de jovens desempregados com muito sangue na guelra e muita formação qualificada. Num país reconhecido internacionalmente como tendo tendência de early-adopter em várias inovações tecnológicas, um país onde existem mais telemóveis que habitantes,  temos ainda um grande calcanhar de Aquiles comparativamente a outros países. O estado da Internet gratuita via Wi-Fi em espaços públicos e comerciais.

Em Portugal a conectividade móvel está predominantemente associada a hot-spots e planos tarifários que afastam muitos dos potenciais utentes, que possuem os terminais capazes para o acesso à Internet, mas sem € nos bolsos que lhes permitam tornar o acesso móvel à Internet como algo trivial no seu quotidiano. Existe actualmente uma vincada preocupação com custos e seu impacto no actualmente parco orçamento pessoal.

Lá fora, em muita Europa, USA e Ásia é já corriqueira a existência de pontos de acesso à Internet gratuitos suportados por estabelecimentos comerciais ou entidades públicas. Seja dentro de estabelecimentos comerciais seja em espaços públicos é possível ligarmo-nos à Internet sem pagar.

Num mundo em que cada vez mais o online deixa de ser conotado com o virtual, assumindo-se como uma extensão do social e profissional, estar conetado sem custos a todo e qualquer momento é um potenciador de relacionamento, criatividade e ideias com aplicações comerciais. Se não há volume de consumidores móveis será mais difícil surgirem projetos portugueses que assentem em serviços online que dependem da mobilidade e acesso fácil à Internet a partir de qualquer ponto.

É por isso que o governo deveria encorajar os proprietários de estabelecimentos comerciais a investirem em equipamentos que providenciem Internet gratuita aos seus clientes, e as autarquias a dotarem de Wi-Fi gratuito os espaços públicos com grande afluência. Afinal 4 em cada 5 pessoas considera este acesso um direito fundamental.

Trabalhemos para que os comportamentos de acesso móvel à Internet sejam independentes de custos e surgirão empreendedores capazes de explorar esse nicho. Bem sei que isto afectará uma fatia de facturação de muitas centenas de milhões de euros em 2011 mas quem precise mesmo de melhor qualidade de serviço continua disposto a pagar mais por isso. Além de que em 2011 houve uma quebra de 6% neste tipo de facturação relativamente aos quartos trimestres de 2010 e 2011. Sinal claro de que o custo inibe a utilização?

Os jovens anseiam por isso e criam online registos das agulhas no palheiro que lhes permitem navegar gratuitamente na extensão online da sua vida. Perguntam em fóruns online e criam páginas como esta com um mapa dos locais com Wi-Fi gratuito em Lisboa.

Fomentar o empreendedorismo passa também por criar mais dificuldades a quem tem alguns tipos de negócios garantidos. Será mais penalizante para a sociedade e economia do país não termos esta facilidade de acesso à Internet (para Portugueses e Turistas) ou arriscar prejudicar os operadores que controlam quem tem direito a esse acesso com planos tarifários por si controlados?

Eu mandaria tudo pelos ares. Doesse a quem doesse.

Da Rua para a Presidência

Ligo a televisão e sobressai o fim dos feriados do 5 de Outubro e do 1 de Dezembro. Manuel Alegre a ressurgir comentando isso e o último episódio de Cavaco Silva. Parece que já há marcação de posição para a eventualidade de movimentos e petições como esta (com mais de 37 000 assinantes) levarem o Presidente da República a submeter-se a um voto de confiança por parte do eleitorado.

Sigo para a leitura da Visão da semana passada, a falta de tempo dá nisto, e leio que na Grécia são às centenas as crianças abandonadas pelos pais subnitridos que não têm condições de ficar com elas,  que a taxa de suicídio aumentou 40% e que os pais se entristecem por ver os filhos com piores perspectivas de vida do que eles em 20 anos de ditadura. Com estes números a agitação social nas ruas até parece coisa pouca…

Depois vêm todas as medidas do diploma de concertação social que diminuem custos com desempregados e trabalho extra-ordinário bem como agilizam despedimentos. Logo depois entrevista a Carvalho da Silva da CGTP que está de saída. Diz que no documento original estava a frase depois retirada “o Estado deve servir as empresas na óptica do serviço ao cliente”. Começo a ler a sua entrevista, o seu percurso de vida e o que dizem amigos e inimigos e de repente cai-me a moeda.

Em vez de irmos para a rua manifestar-nos levemos a rua para o Palácio de Belém. Se o governo agora está tão focado para as empresas precisamos de um contra-balanço focado no cidadão / trabalhador. De certeza que teríamos diálogo e discursos constantes da mais alta figura do estado. E seria deveras interessante apimentar a vida política de Portugal com um pouco de contra-corrente para partir a loiça toda.

As agências de rating eram capazes de não gostar mas estamos a chegar ao momento em que isso começa a já não interessar. Era um pouco 8 ou 80. Mas desta vez passávamos austeridade a quem a anda a distribuir de bandeja sem o puxão de orelhas devido.

Não me levem a mal mas não estou a querer apoiar um futuro candidato. Apenas estou farto das opções do costume e a forçar-me a pensar out-of-the-box. Sempre é melhor do que ir para as ruas descarregar para depois ver que a cobertura nos media está suavizada, tem pouca dura e resolve pouco. Ao Carvalho da Silva vejo-o nas ruas há tanto tempo que seria um seu bom representante. Além de que me daria um certo prazer tê-lo a picar os miolos a quem anda a fazer picadinho de nós. Os homens da luta também seriam bons mas se não prestam para ganhar o festival da canção também não prestam para isto.