Chega de brincar à democracia e às revoluções
Enquadramento
Um homem comunica ao seu filho que durante os próximos anos não lhe poderá dar a mesada e que terá de recorrer ao partir do seu mealheiro para equilibrar as contas de casa. O filho verbaliza, sem poupar calão, contra o acto e seu autor, revoltado com a injustiça de que é alvo. O pai não lhe disse que todos os ossos de ambos estão penhorados ao bando de agiotas que lhes emprestam o dinheiro necessário para garantir o pão, água e luz. O filho indigna-se. Porque não corta o pai nos vícios, das putas e vinho verde, em vez de lhe reduzir o seu poder de compra? Olha para a sua roupa de marca, consolas de jogos e outros gadjets da moda, oferecidos pelo seu pai em forma de compensação pela conduta menos própria. Terá de os vender para garantir liquidez? Voltar ao marasmo de antes, sem esses mimos?
A realidade é que o pai precisa de dinheiro em caixa para garantir no imediato a integridade dos 412 ossos e não da poupança amealhada no prazo de 1 a 2 anos com o fim dos gastos que sustentam os seus vícios.
O filho poderia ter impedido este momento. Bastaria que na altura em que se apercebeu dos comportamentos impróprios tivesse confrontado o seu pai com essa pouca-vergonha e recusado veementemente ser comprado com ofertas de lavagem de consciência. Provavelmente não teria metade dos bens de hoje mas também não teria chegado até este ponto. Agora o filho não conhece o cenário completo e o pai procura protegê-lo do impacto de saber que corre sério perigo de vida caso não se recorram a duras e injustas medidas de austeridade. Aguentará o filho conhecer a verdade? Será capaz de lidar diretamente com os implacavéis agiotas que financiaram o seu estilo de vida?
Não sei bem que vos diga…
Olho para as manifestações recentes e admito que é bonito de se ver tanta gente junta, unida, a demonstrar a sua insatisfação com estado da nação. Só que é notório que tirando os genéricos impropérios, dirigidos ao inimigo comum, não há um consenso, ou sequer ideias concretas, para apresentar soluções de pagamento da factura. O cerne da questão é “não nos venham ao bolso”. Mas isso não chega. Se o dinheiro não vier daqui virá de onde? Teremos todos noção que estamos falidos de momento? Se não houver injeção de dinheiro do exterior o país fará simplesmente KAPUT. Precisamos de tempo para construir a alternativa e infelizmente esse tempo é comprado e bem caro.
Não há um conhecimento público total de todas as variáveis envolvidas nesta crise e no nosso endividamento, pelo que podemos estar a chamar “FILHOS DA PUTA! CABRÕES!” a quem talvez não o mereça na sua plenitude. Sim, há-os aos potes naquela classe mas também é certo e sabido que quando o barco vai ao fundo as ratazanas são das primeiras a abandonar o barco. Poderão haver por ali algumas pessoas bem intencionadas mas mal assessoradas, mal informadas ou simplesmente manietadas. Se soubessemos toda a história ainda nos tornávamos amigos de algumas delas. Sei que é estranho pensar isto mas também são pessoas.
… mas ainda falta algo …
Lamento mas não sou crente na insurreição da nação. Um pico não é suficiente para me fazer mudar de ideias. Estamos longe de sentir a cidadania em pleno e de estarmos verdadeiramente unidos na luta por direitos e justiça social. Porquê só agora esta manifestação?
Em início de 2011 mais de meio milhão de desempregados não teriam merecido de imediato um aviso à navegação?
Em início de 2012 o corte de subsídios no sector público não seria mais do que justificativo?
Parece que não. Em 2011 os empregados no público e privado não sentiram as dores dos desempregados. Em 2012 com o anúncio dos cortes de subsídios no sector público muitos dos trabalhadores no privado até manifestaram um certo “Sim, senhora. É cortar na gordura do estado que essa gente não faz nada!”.
E agora na recta final de 2012, quando apenas está a ser feita uma sondagem à capacidade de encaixe dos Portugueses dos males que aí vêm, com a perspectiva de cortes brutais de rendimentos nos privados subitamente os desempregados são pessoas, os funcionários públicos são pessoas, somos todos pessoas, PORTUGUESES IRMÃOS!
De repente não interessa de que classe e sector és. Bora para a rua que agora já toca a todos e assim não se aguenta!
… muito fácil de concretizar.
Gostaria que a coragem, determinação, paixão e insurgência dos Portugueses não surgisse apenas em ambientes onde surgem fenómenos de massa (manifestações, concertos, estádios de futebol). Aí, com as costas quentes qualquer peido se transforma num trovão valente. A revolução à séria dar-se-ia se fossemos tudo isso quando estamos sozinhos, em discussão com as vozes na nossa cabeça, uma caneta na mão e um boletim de voto à frente. Aí sim. Confrontados com “o que faço com esta merda!?” e ponderando tudo o que temos a perder e ganhar em função do quadrado a cruzar.
Até hoje temos sido uns grande cobardes. Em mais de 30 anos de democracia apenas oscilamos entre duas forças políticas que em conjunto nos trouxeram até aqui. Ao longo deste tempo tivemos conhecimento de casos de corrupção, de favorecimentos lesivos ao estado e identificámos pessoas muito compententes a enriquecer sem tornar o país mais rico. E tudo isto aconteceu em alternância de períodos rosa ou laranja.
Teremos agora a capacidade de ouvir e arriscar apostar noutras caras, noutras ideias, noutras forças políticas? Ou na altura da verdade continuará a maioria a jogar pelo Seguro?
Ainda podes mudar de esquina!
Geralmente ainda com o escrutínio fresco, o poder da mente força- a tentando alterar a condição que nos levou a tal façanha, instigando a alterar a belo preceito o que lhes parecer mais oportuno, respeitando as diretrizes coloridas e de poderes instalados, foi isto que te aconteceu, mas a tua imaturidade politica deixou-te desprotegido.
Podia até cingir-me ao “Bardamerda, caladinho”, mas eras capaz de perceber a coisa só pela metade, obrigando-me por isso de ser mais longo.
Já devias ter aprendido que existem atitudes inadequadas, mas ainda não tens a escola da vida, vê lá que já te apelidam de mentiroso, troca-tintas, sendo estas as expressões mais lisonjeiras, porque até já de galdério foste rotulado.
Sabes, a convivência com o mundo real dá-nos uma escola sem igual, és novo e sabemos que ainda não tiveste essa oportunidade embora o
afirmes, caso contrário tinhas aprendido com a vox populi, que “Galdéria não arma estrilho, muda de esquina”
Basta olhares para o teu lado, mas não só, para veres como os que mudaram estão bem de vida, alguns tiveram até tempo de preparar a mudança, mas provavelmente tu não irás ter…
Tens recebido bastantes concelhos, daqueles indirectos para nem todos perceberem, ainda recentemente te disseram que faltam cabelos brancos nos governantes, ora vê lá onde está actualmente um que os tem todos brancos, sabes, aquilo dos pelos púbicos foi só para distrair.
De outra esquina longínqua, dizem-te agora que tens de fazer cumprir, vês mais um que optou por mudar, promovido logo na hora da chegada, estará ele a insinuar que haverá num angulo recto um dos lados ainda disponível.
Mesmo que as ditas esquadrias mais próximas estejam ocupadas, não desesperes e podes sempre pedir auxilio aos teus patronos, pode sempre sobrar alguma coisa das subvenções que recebem, para não teres de andar a pão e água.
Alcanças-te em muito pouco tempo, o que outros demoraram a conseguir, armaste estrilho com todos, desde os alcoviteiros aos companheiros de mesa.
Se tivesses essa tal vivência com a plebe, sabias que eles apenas querem beber a espuma que salta das taças e os primeiros mais negócio. Mas pior, conseguiste até colocar os simples mirones contra ti.
Ó santa ignorância, e dizes tu conhecer o País real… queres agora que o espectador contribua com mais algum, apenas para olhar a luxúria, mas sem lhe poder tocar? Mas isso nem na capital das “red lights” acontece!
Consegues tentar fazer o inimaginável, a arraia-miúda também ensina que “ou há moralidade, ou comem todos” e tu estás a fazer é exactamente o contrário.
Podias ter pelo menos escolhido bons livros que muito ensinam, mas até nas leituras foste errático, leste peças de teatro acreditando nelas como se de reais factos se tratassem, mas “… é muito fácil: demita-se o povo, destitua-se o povo e nomeie-se outro”, é pura ficção, podias pelo menos ter optado por leitura militar e ficarias a saber que a primeira coisa que se faz, quando se lança uma granada é resguardar-se, mas tu não, foste logo expor-te num evento mediático.
Se um dia em desespero de causa começares a chorar num canto escuro e te disserem, sai lá da tua zona de conforto e deixa de ser piegas, verás então a tua virilidade afectada e não irás gostar. Percebes agora porque tens de ser comedido.
Já devias saber que as páginas oficiais das redes sociais não podem ser utilizadas como depositário de desabafos, mas isso pouco interessa, porque outros teus conselheiros fizeram o mesmo, vê lá no que deu… “Puft”, a página morreu.
Falta-te tarimba, aquela que te permite andar pelo meio dos pingos da chuva, não tiveste porém tempo de aprender que a economia e a política, para poderem conviver, tem de convidar quem ensine o “modus operandi” do covil.
Podes ter tido mais tempo para acabar o curso, mas falhou qualquer coisa, caso contrário não te precipitavas na metodologia, fazendo divulgações faseadas tentando inibir o constrangimento, deixando as análises aprofundadas para á posteriori.
Um paladino tem de estar bem assessorado, acreditando que as suas qualidades têm as mesmas limitações dos restantes comuns mortais, compreendo que tenhas tido falta desses conselheiros, até porque os melhores que poderias encontrar são os tais…
Percebes agora porque o povo não vai demitir-se, aproveita agora pois ainda podes,
O Fio que Desencanta
Sobre o fio aguarda a carcaça que pacientemente se fez abutre. Não caçou. Jogou pelo seguro e esperou. Lançada a flecha incendiária da TSU, manifestada a inabalável devoção indígena ao consumo, surge finalmente a oportunidade.
Enjeitam-se culpas no ninho governativo. Inegável prova de Patriotismo sem limites, abnegada disputa pelo papel de Vítima. Entre eles, quem perder, ganha. Os falcões liberais de outrora, modelam agora intenções. Não falam. Mandam Moedas dar a cara. Não há coroa. Provam agora o seu próprio remédio. Os abutres do pack4 serão as carcaças do próximo Orçamento de Estado. A conta será paga pelos índios. Continuaremos à mercê dos irmãos Dalton, pois claro. Do topo do poste que suporta o fio, Unlucky Cavaco Luke da Silva tem a palavra. Convoca ao saloon os bravos do Oeste. Especula-se sobre uma nova liderança de salvação nacional, na linha da ancestral metodologia dos “paninhos quentes“. “Nunca” avisa o novo abutre. Acrescenta: “tributaremos as PPP’s”. É para isso que ali está, no alto, sobre o fio. Alguns precipitam-se e exclamam: “Bravo!”. Há muito que entre os Peles Vermelhas se perdeu a arte de ler os sinais de fumo: A certeza de justiça nesta distribuição dos sacrifícios é infundada. O prometedor imposto extraordinário garante que nem uma virgula será alterada nos contratos. Reluz, mas não é ouro. Mais do mesmo, com o proveito de sempre: Nenhum.
Quo Vadis
O nosso “Nero Cláudio César Augusto Germânico” ateou fogo à “pacificamente revoltada” sociedade portuguesa. Pretende arrasar a economia. Não por inspiração artística, mas por uma espectral crença em modelos e dogmas. Das cinzas erguer-se-ão pujantes e competitivas empresas de exportação. Essa reconstrução não será financiada pela cunhagem de moedas “ajustadas“. Nero, enganou o povo de Roma. Desvalorizou a moeda. Gaspar não fará uso do mesmo expediente. A Alemanha não deixa. Não será a porção de ouro que será reduzida à função de revestimento da moeda. Nem pensar. Gaspar não engana o povo, desvaloriza-o, mas mantêm o valor da moeda intacto. “Terra queimada” é estratégia útil a quem não quer pagar, não a quem diz querer. Resultou quando o corso Bonaparte tentou invadir a vasta Rússia, e voltou a servir bem o Grande Urso aquando da operação Barbarossa. No nosso caso é contraditório. Pagar é objectivo ou desculpa?
Nero massacrou assistências com as suas prestações artísticas, desprovidas de sentido do ridículo, ignorando que não detinha um pingo de aptidão artística. Gaspar brinda-nos com a sua excelente dicção, adequada a tradutores simultâneos ou intérpretes de linguagem gestual, mas profundamente desgastante para quem não desiste e assiste. Lamento que por vezes se esqueça do rigor técnico que o caracteriza, como quando aborda as “poupanças nas PPP”. Ignora a relação entre o relevante valor que anuncia e o prazo a que se refere a poupança. A aptidão artística é manifestamente fraca.
A sacrossanta Troika avaliou. O Governo garantiu o seu álibi por mais um ano, graças à “benevolente” extensão do prazo. O primeiro memorando não foi negociado em função das necessidades, mas sim em função das eleições Alemãs, em 2013, numa típica e tristemente frequente estratégia de “empurrar com a barriga“, tentando a sorte de uma eventual (ainda que pouco provável) mudança de fundo na Europa. Abdicar da nossa soberania por mais um ano em troca de nada, absolutamente nada, não resolve a falta de liquidez e garante o rumo do ajustamento incendiário e liquidatário. O actual Governo diz ter conseguido novas metas? Mas quais metas? Aquelas que os Gregos nunca cumpriram mas que nunca os privaram de receber o dinheiro da “ajuda”? Porquê? Porque o dito dinheiro visa respeitar as maturidades dos títulos de divida detidos pela banca (sobretudo Alemã e Francesa), e dessa forma tranquilizar os mercados. Mas como, se os mercados sabem que não há dinheiro no mundo que pague as imparidades do sistema financeiro? É esse conhecimento que explica a “histeria” nos mercados.
Perto do seu fim, Nero disse “Que artista falece comigo!” Que dirá Gaspar?
Quem o alheio veste
Foi por encomenda do armador alemão Hamburg-Amerika line (HAPAG) que nos últimos dias do século XIX a sua quilha foi assente nos estaleiros da William Gray & Company Ltd em West Hartlepool, Inglaterra. Lançado no primeiro ano do século XX, 1901, o navio foi baptizado “Numantia”, numa premonitória homenagem à lendária cidade de Numancia, na antiga província Romana, Hispânia. Com 122 metros fora a fora, 16 metros de boca, quase 4500 toneladas de arqueação bruta e aproximadamente 8000 toneladas de arqueação líquida (Sistema Moorsom), o novo cargueiro a vapor, então moderno e eficiente, serviu a nação germânica até Agosto de 1914. A primeira grande guerra ditou o bloqueio naval Britânico a todos os portos Germânicos. Impossibilitado de regressar à Alemanha, o navio rumou ao porto de Mormugão, colónia ultramarina de Goa, Índia, onde lhe foi concedido refúgio ao abrigo da neutralidade que a jovem República Portuguesa mantinha no conflito.
Eis que em 7 de Fevereiro de 1916 tudo se altera. É promulgada a lei nº 480, ao abrigo da qual o governo Português legítima a “requisição de todos os meios de transporte julgados indispensáveis à economia nacional”. Este primeiro passo rumo à beligerância, à época justificado pela necessidade de salvaguardar o comércio colónial, mais não foi que um sintoma da nossa condição de protectorado Britânico. Provou que a jovem república, depois de muito criticar o deposto regime monárquico, não se libertara da subserviência ante o Reino Unido. Portugal observa assim a velha aliança, mas não declara guerra ao Império Germânico, decreta. A 23 de Fevereiro de 1916, o governo mandou publicar o decreto nº 2229, o qual determina a apreensão dos setenta navios Alemães refugiados em território Português. A resposta Alemã, sob a forma de ultimato, exigindo a devolução dos navios foi ignorada, pelo que a brilhante iniciativa legislativa obtém o resultado desejado: a 9 de Março de 1916, a Alemanha declara guerra a Portugal.
A Nação aceita o enorme custo da guerra em troca de uma vasta e moderna frota de navios mercantes, muitíssimo superior à capacidade de investimento e produção naval nacional. Milagrosa resolução desse défice. É neste contexto, com a missão de gerir a nova frota, que nasce a companhia “Transportes Marítimos do Estado” (T.M.E). Contudo, negociações anteriores ao iluminado decreto, garantem o usufruto de 80% desta frota de navios ao Reino Unido, através de contracto de fretamento com o armador Furness, Withy & Co, o famoso contrato Furness. A frota alemã servirá sobretudo o interesse Britânico: à razão de um preço por frete muito inferior aos valores de mercado (<50%) e com prémios de seguro ridiculamente baixos. Acresce a fórmula de cálculo, que em ambos os casos, frete ou perda do navio, tinha por base a arqueação bruta e não a líquida, isto é, com base no peso do navio e não na sua capacidade de carga (a única relevante para o fretador). Condições ruinosas para o armador estatal, válidas ao longo de um prazo singelamente definido por “Seis meses após o fim da guerra”. Uma PPP com garantias do estado Português, em benefício do Britânico e com o patrocínio da iniciativa privada Alemã.
Uma vez reparados os danos resultantes da sabotagem perpetrada pela tripulação teutónica, o “Numantia” foi rebaptizado “Pangim”, em homenagem à cidade Indiana do Império Colónial Português. Recebe tripulação Portuguesa e serve os aliados durante a vigência do contrato Furness, período ao longo do qual vive múltiplas privações e vergonhas, normalmente resultantes da sistemática falta de pagamento do armador estatal aos seus fornecedores. É conhecida uma longa e ruinosa estadia do navio e sua tripulação no porto de Antuérpia, Bélgica. Nada que se compare com o caricatural exemplo do vapor “Sines”, que em Cardiff, País de Gales, esteve arrestado de Fevereiro de 1921 a Janeiro de 1922, vivendo a tripulação em precariedade tal que se viu obrigada a carregar terra para bordo, e nela plantar uma horta em pleno convés do navio. Avulsos exemplos das metodologias e práticas em vigor nos T.M.E, organização verdadeiramente a saque por funcionários e agentes, com um histórico de fraudes e roubo tão vasto e diversificado que pede meças em criatividade e audácia com qualquer outro “caso” da actualidade. É perfeita a analogia com o desfecho do caso BPN: No fim pagámos todos.
Após um longo e complexo processo de liquidação dos T.M.E, o navio é devolvido à iniciativa privada em 1926, ano em que é adquirido pela Companhia Colónial de Navegação (C.C.N.). Recebe então o terceiro e último baptismo, “Cassequel”, também em homenagem a uma cidade do Império colónial, em Angola, desta feita. Fez carreira na Europa, arquipélagos Atlânticos e na África Ocidental Portuguesa, navegando sem sobressaltos até 1933.
Foi em Agosto deste ano que o navio enfrentou um grave incêndio, deflagrado nos fardos de palha destinados à alimentação dos animais que transportava. Navegando de proa ao vento e com a intrépida intervenção da tripulação, o fogo foi controlado. O navio chegou a bom porto pelos seus próprios meios, mas o incêndio foi de tal forma violento que danificou seriamente a superestrutura e destruiu completamente o mastro grande, a meia-nau. Após a reparação, o “Cassequel” viu a sua superestrutura melhorada, pelo que ficou também habilitado ao transporte de passageiros. Foram também adicionadas duas gruas em substituição do mastro perdido. Superado o desafio, melhorado após as reparações, o navio retomou a sua actividade.
A normalidade foi interrompida com o início da segunda guerra mundial. Tendo sobrevivido à primeira guerra, o navio enfrentou a segunda sob protecção da neutralidade Portuguesa. O velho “Cassequel” partiria uma última vez de Lisboa no início da tarde de 13 de Dezembro de 1941. Rumou a sul, em direcção à África Ocidental, com 9 passageiros, 48 tripulantes e uma considerável carga de gasolina a bordo. Comandava Sebastião Augusto da Silva, meu bisavô, pai do pai de meu pai, senhor meu avô. Decorridas mais de 24 horas de viagem, o navio é atacado durante a noite de 14 de Dezembro de 1941, numa posição a mais de duzentas milhas a sudoeste do cabo de São Vicente. O agressor, o submarino Alemão U-108, lançou um torpedo que às ordens do Capitão Kalus Scholz foi apontado à popa do velho vapor, destruindo o leme e a hélice, imobilizando o navio. De pronto foi dada a ordem para abandonar o navio. Arriadas as quatro baleeiras, e apesar de uma delas se ter inicialmente virado, breves minutos bastaram para que todos os tripulantes e passageiros embarcassem nos salva-vidas. Imerso e a coberto da noite, o U-108 nunca foi avistado por nenhum dos náufragos. Através do periscópio, terá o seu Capitão confirmado que todas as baleeiras se afastavam, momento em que ordenou o lançamento do segundo torpedo, desta feita apontando a meia-nau, directo à carga de gasolina a bordo. A enorme explosão partiu o velho vapor a meio, precipitando um afundamento quase instantâneo. Seis dias mais tarde, a 20 de Dezembro de 1941, o navio da Armada Portuguesa, “NRP Douro“, resgata a última das quatro baleeiras. A bordo estavam dez tripulantes, dois passageiros e o meu bisavô, que recebeu com agrado a notícia que todos náufragos estavam a salvo, sem vítimas a registar.
O “Cassequel” cumpriu assim a premonição do seu primeiro baptismo, “Numantia”. O seu arresto em 1916 traiu a neutralidade que o atraíra a território Português, traição devolvida em 1941, com o seu torpedeamento apesar da neutral credencial Lusitana. Qualquer semelhança com a actualidade nacional, é pura obra do destino traçado para a Nação que se fez Estado quando um filho fez guerra à sua mãe. Ouro do Brasil, frotas de modernos navios, fundos estruturais ou moeda única, sabemos que para cada oportunidade estará reservada a respectiva tragédia. É fado, sem saudade ou memória. Por vezes agraciada com as riquezas do mundo, a nau Portugal é com a mesma frequência vítima de si própria. A tripulação não aprende. Ao Leme esteve sempre quem mandou, raras vezes quem sabia mandar.
É sabido que “Quem o alheio veste, na rua o despe”. Porque que o esquecemos tão facilmente?
VCCNM
Teimam em continuar na ordem do dia os “não assuntos”, com cursos á moda do Speedy Gonzalez, e um punhado de duas dúzias de mãos de” não pessoas” ao estilo do tio Patinhas, a conseguir “não cargos” que permitem amealhar “não fortunas”.
Submarinos que quando submergem, afundam apenas uns, permitindo ao mesmo tempo a cómoda flutuabilidade de outros, equilibrando-se em cima do periscópio almejando certamente horizontes longínquos, ao mesmo tempo que administradores da saúde leiloam viaturas e passam a custear eles próprios as suas comunicações.
Ilustres com provas dadas por esse mundo, fazendo futurologia, mais se assemelhando com recados encomendados para levantar poeira, provocando ao invés de remodelações governamentais, substituições ajeitadas em instituições.
Austeridade desmedida, cega, alvitrando o equilíbrio das contas que teimosamente continuam em manter-se desajustadas, contracenando com investimentos avultados, que vão ser necessários para os famosos corta fitas, mesmo que os por ora anunciadores de tais maravilhas, sejam depois apenas convidados de honra do detentor da tesoura á data.
As esperanças que algo mude e finalmente o rumo certo seja traçado, vão degenerando, devido a vivências perlongadas de um certo anarquismo generalizado e ao facto de cada vez mais nos considerarmos uns VCCNM (*)
Existe até tempo para um autarca ser chamado á casa da justiça, presente a um magistrado, para alegadamente informar se gosta ou não de popós, ou se é efectivamente um FdP, de Fora do Porto, bem entendido.
Voltando ás tradições antigas, relembrando a justiça de Fafe, o autarca se era porventura culpado de algo, teve já direito a julgamento sumário, com penitência executada quando lhe foi puxada uma orelha em público, rapidez na justiça a custos muito baixos, transito em julgado na hora, e
pena cumprida no momento. Isto sim é um caso fechado e não prescrito…
Os média, com a devida função que lhes vai no sangue de informar todos, de assuntos e não assuntos, lá vão nos conseguindo entorpecer as massas encefálicas, dando a estas questões o devido realce, como se o Tristiano fosse o impulsionador da exportação dos pastéis de Belém.
A imaginação está num período fértil por falta de melhores prespectivas, assuntos que só servem para mais umas conversas de café, ao estilo” foi o tio da irmã da outra…” ou eventualmente terá sido mesmo um FdP qualquer…
Mas nem tudo é mau, estamos em quarto lugar Mundial, sim em quarto, não me enganei, em infraestruturas rodoviárias, embora muitas delas vazias por causa das gaiolas taxadoras ou do preço dos combustíveis, acredite também que alcançamos quase o “top ten” das energias, telecomunicações e transportes.
Mas porque fazem relatórios com tantos países (144), chatice, assim ficamos a saber que o sistema judicial é altamente influenciável ao ponto de nos colocar quase no meio da tabela, e que os nossos governantes são dos que mais desperdiçam dinheiro, raios, podiam ser só 130 os países a ser escortinados e o resultado seria bem melhor…
(*) velhinho comó car… nesta merda.
Até as putas como eu têm sentimentos
Serei o único a sentir-me uma puta gasta com as palavras chegadas da Madeira? Sinto-me como que explorado por um proxeneta que chula ao máximo os descontos do Continente, com esquemas que mais nenhum pelintra conseguiu magicar. Abala-me a realidade de que um pulha suficientemente criativo, que debocha daqueles que dão o cu e sete tostões para ajudar a cuidar e governar de uma parte do nosso território, aparentemente não possa ser derrubado e reduzido à insignificância de que nunca deveria ter saído. Nunca precisa de nós, excepto quando está a arder, ou quando lhe rebentam as águas, resultado do serviço mal feito, com culpa atribuída à bebedeira de noites passadas que a tantas más decisões levou.
É moço desinibido e prá frentex capaz de se deitar com quem mais conveniente lhe seja para a sua sobrevivência. Até tem um gostinho especial se a coisa se der à bruta.
E agora que se descobriu que a maçã dourada do Atlântico também vai um bocadinho para o podre, quer LIBERDADE! E com um simples referendo ter a legitimidade para o executar. Referendo onde os votantes seriam a mesma manada que habilmente conduziu durante décadas. Uma jogada segura. Mais um choradinho inconveniente para ver o que pinga.
Mas ao contrário do que brada aos céus, e aos mares, o Continente injetou muitos milhões naquele pequeno pedaço de terra. Grande parte dele escoado pelo buraco negro galáctico por si gerado. As tetas destas putas não deitam mais leite mas não penses que te vais com as jóias da coroa sem pagares o que deves. Sei que já são décadas de paraíso off-shore mas a mama acabou. E aqui para os lados do Continente estamos mortinhos para te devolver o amor e carinho com que nos brindaste todo este tempo.
Borda d’Alegoria
Ausentei-me por uns tempos. Caminhei pelo Alentejo e desliguei de tudo o que são notícias. Ao segundo dia já não havia crise. Havia o pulsar de um país à medida das possibilidades sem queixumes. Sem o mediatismo do zum-zum constante que ecoa no abismo infernal, do qual nos abeiramos, rapidamente olhamos para os acontecimentos locais simplesmente como modos de vida. Vive-se o que se pode, como se pode, sem pensar no que poderia ou poderá. Como a velhota de 80s que à porta da mercearia disse que ia ao velório do compadre, não me lembra o nome, para ver o compadre, que também não me lembra o nome, porque, pasme-se, achava que o homem não ia durar muito mais e para o ano já não estava entre nós. Mas como pode ela estar tão confiante que estará entre nós!?
Voltei para a cidade. Ouvi o circo mediático mas já imune à sua anestesia. Que se foda, pá. Se não morrer hei-de sobreviver de alguma forma até ter de matar quem de direito se preciso fôr. Caia lá esta merda toda para ver se é tão mau como predizem os que não souberam ler o passado para salvaguardar o presente.
E eis que no meio da contínua tempestade e desgraça social, política e económica vislumbro um vendedor do Borda d’Água que tentava vender o almanaque a um pai com uma filha pequena, que o ignorou, e para quem ficou a olhar enquanto dizia: “Se faz favor, posso-lhe fazer uma pergunta? Se faz favor…” Predispus-me à sua frente como cliente. Olhou para mim atónito. Não me abordou. Disse-lhe eu que queria um, por favor. Desconfiado passou-mo para a mão. Passei-lhe os 2 € sem que me dirigisse a palavra. Quando me inclinei para seguir o meu caminho ganha coragem e pergunta-me se não lhe posso arranjar um emprego. Fez-me sentir desajeitado por não ser um patrão… apesar de ser verdade, ao contrário de algumas vezes em que digo sem remorsos não ter moeda. Respondi-lhe que trabalhava por conta de outrem e não podia dar empregos, nem conhecia quem os estivesse a dar. Senti-me estúpido.
Refugiei-me no Borda d’Água e olhando para a capa diria que até aqui temos um Sr. Dr., como que a dizer que estudou muito, com sapiência divina para prever com exactidão todos os acontecimentos naturais, astronómicos e meteorológicos com influência sobre o nosso querido Portugal. (há 2013!)
Folheei-o e tem uma grande lacuna. Não fala nem uma única vez em relvas. Toda a gente sabe que Portugal tem o clima e condições apropriadas para a produção de relvas. Temos relvas específicas que se desenvolvem em terrenos onde se meta muita água e onde seja abundante o estrume e o lodo. Misturando-se esses elementos, num grande caldeirão, obtém-se a poção mágica que dá força e vigor a essas relvas. O pasto é imenso e pode sustentar muitos bois que a mantêm rente. Suficiente para se perceber que existe, insuficiente para estorvar as movimentações aleatórias e desorientadas dos líderes da manada. Depois de algum tempo de sustento os bois ficam bem nutridos e partem para os seus tachos respectivos. E as relvas crescem sem ninguém para as comer. Porque o meter água, o lodo e o estrume não param de jorrar. Chegando ao ponto em que passam o ponto de pasto e se tornam altas e vigorosas formando uma barreira viçosa e nebulosa. Nesse ponto quem dela cuidou já não se arrisca a cortá-las. Porque sabem perfeitamente que o que se esconde por debaixo será revelado se as relvas se forem.
Certamente que esta falha poderá ser corrigida nas próximas edições do almanaque. Já na contra-capa encontrei um texto que resumidamente diz que de 2013 não podemos esperar grandes melhoras. Excepto em duas linhas que nos relembram que a esperança deve sempre ser a última a morrer. Mais descansado no FDS, para descomprimir, fui cortar a relva.
O segredo dos canudos
Steve Jobs, Bill Gates, Mark Zuckerberg, Joe Berardo, Américo Amorim, Rui Nabeiro e muitos outros tornaram-se empresários de sucesso sem terem um canudo. Enveredaram no mundos dos negócios por uma aproximação de ‘mãos na massa’ sem ‘perder tempo’ a construir uma carreira académica que lhes garantisse um título e um certificado de habilitações e competência.
É próprio da mentalidade tuga perseguir o canudo só porque faz parte das etapas da vida.
Temos a mão de obra desempregada mais qualificada de sempre! Mas esta é história antiga…
Aspirantes a governantes a perseguirem canudos a todo custo deve-se por isso à necessidade de dar resposta a este respeito cego que nós Portugueses temos pelos Sr.s Dr.s da vida.
Um incompetente sem canudo é apontado como usurpador de um cargo que exige mais habilitações. Um beneficiado por favores ocultos que passou injustamente à frente de muitos outros com canudo. Pode ser posto em causa mesmo antes de cometer qualquer erro. Simplesmente por não ser um Sr. Dr.
Já um incompetente com canudo é um Sr. Dr. a quem a vida correu mal. Ele tem um canudo, ele sabe o que faz, só teve azar, coitado. É dar tempo ao tempo e a coisa compõe-se… Um canudo é sobretudo garantia de um maior tempo de vida e do benefício da dúvida.
Por isso temos Sr.s Dr.s altamente competentes como Vitor Constâncio, Alberto João Jardim, Dias Loureiro e muitos outros a quem são desculpados pequenos erros, omissões e falhas técnicas porque é garantido, pelas suas habilitações académicas, que apenas procuravam fazer o melhor possível e com o máximo de boa fé. (convido-vos desde já a deixar na zona dos comentários nomes de licenciados que, tal como estes, deram grande contributo ao país na nossa história recente)
E que dizer do altamente qualificado ministro das finanças que se anda a surpreender com a discrepância entre as estimativas e a realidade dos números? Se tivesse um canudo da farinha Amparo seria imediatamente mais um incompetente. Mas não. Ele é doutorado. Por isso pode dar-se ao luxo de não arrepiar caminho. De continuar com a política que tanto o está a surpreender. Entusiasmado executor/observador de um ensaio fascinante, num laboratório real chamado Portugal, que lhe dará matéria suficiente para no futuro escrever um livro fenomenal baseado na experiência adquirida.
Nós os Portugueses idolatramos canudos porque os vemos como anuladores de incompetência, motivo válido de isenção da responsabilização por actos lesivos tomados em processos de decisão complexos.
Sem canudo somos responsáveis pelas decisões tomadas porque derivam da nossa experiência e aprendizagem de vida. Se somos professores de nós próprios somos imputáveis!
Com canudo somos meros veículos das melhores práticas e metodologias lecionadas academicamente. Quem está errado são os ensinamentos aceites e difundidos globalmente e não a nossa avaliação e decisão a nível individual que foi castrada e despida de valores éticos e morais durante o prestigiante percurso académico.
Se não concordas com isto, achas que um curso apenas dá as bases necessárias a uma evolução profissional e não é garantia de posto nem de competência, é porque deves estar de calças na mão, no desemprego ou na vida activa empresarial, acabadinho de perceber que os subsídios de férias e de natal desapareceram de vez e para todos.
Tem mais ambição! Filia-te num partido e rapidamente terás este post como uma referência no manual de sobrevivência política. Encanuda-te antes que vás pelo cano!
Ou então deixa de avaliar competência em função dos canudos e títulos apresentados. Aviso que esta opção é bastante mais complicada. Está-nos nos sangue lusitano e suas caganças!
PS – consegui escrever isto sem mencionar os nomes de Miguel Relvas ou José Sócrates!
Inato Repúdio
As Guerras Púnicas foram travadas entre as cidades de Roma e de Cartago. A primeira, de 264 a 241ac, começou pela disputa da cidade e estreito sicilianos de Messina, confronto ao qual se seguiu a maior batalha naval da antiguidade, Ecnomus em 256ac. Os posteriores avanços e reveses ditados por tempestades obrigaram o Imperio Romano a construir grandes frotas, navios com os quais a cidade destronou Cartago como a maior potência naval do mediterrâneo. Após os combates no norte de África, o conflito regressa à Sicilia, pelo que o medo precipitou o senado a nomear o primeiro dictador Romano, Aulo Atílio Calatino. O desfecho da batalha das Ilhas Aegates ditou a vitória Romana.

A primeira Guerra Púnica teve custos elevadíssimos para as cidades beligerantes, arrasando ambas as economias. Os termos do armistício visaram a rápida recuperação económica de Roma, pelo que foram especialmente penalizadoras para Cartago. As indemnizações pagas a Roma foram de tal forma elevadas que a economia de Cartago não disponha dos recursos necessários. Tal ditou a necessidade de Cartago intensificar e endurecer a tomada de povoações na Hispânia, territórios aos quais extorquiu toda a riqueza com o fito de cumprir os termos da paz com Roma. Curiosas, ou talvez não, são as consequências desta austeridade. Tal como os termos do tratado de Versalhes no sec. XX ditaram a inevitabilidade da segunda guerra mundial, as condições impostas por Roma a Cartago, não só não evitaram novo conflito, como foram a causa da barbárie praticada contra os povos da península ibérica. As crises económicas não se resolvem, deslocam-se…
Inevitável que foi, a segunda guerra púnica deu a conhecer ao mundo um dos melhores estrategas militares de todos os tempos, o General Aníbal. A sua derrota, ofereceu grande prestígio a quem o venceu na Batalha de Zama em 202 ac, o general Romano Cipião Africano – o Velho. Este prestigio foi manchado pela suspeita de suborno por parte de quem acolheu Anibal após a derrota de Cartago, o rei Antíoco III Magno, descendente de Diádoco de Alexandre – o Grande e herdeiro do Império Seleuco. Indignado com a suspeita, Cipião exilou-se até ao final da vida na Hispânia, onde terá ditado o seu epitáfio “Minha pátria ingrata não terá meus ossos”.
A terceira e derradeira guerra púnica resultou do temor Romano, e do velado desejo do seu senado ver a cidade de Cartago arrasada. A missão foi atribuída ao neto adoptivo de Cipião Africano – O velho. Homónimo de seu avô, o general romano Cipião Africano – o Jovem, pôs fim à contenda em 146ac, ano em que sob o seu comando a legião Romana destruiu a cidade de Cartago.
Extinta a ameaça externa, o império Romano concentrou-se na gestão das suas províncias. Muitas batalhas foram travadas na Hispânia, do Ebro ao Douro. Os povos Celtas aí residentes, muitos deles migrados da Lusitânia, foram protagonistas de uma longa e dura luta contra o império Romano na Península Ibérica. Nomeado pelo senado e aclamado pelo povo de Roma, Cipião Africano – o Jovem foi o homem escolhido para “pacificar” definitivamente as províncias romanas. Decorreria uma década até concretizar este objectivo de ajustamento.
As oppidas (oppidum), povoações fortificadas da idade do ferro estiveram no centro da estratégia dos Celtibéricos na luta contra os Romanos. Entre elas, Numância destacou-se pela resistência a um prolongado cerco. Não por um desfecho vitorioso, mas sim pela lenda em torno da sua total e definitiva derrota. Reza a lenda que em 133 ac, a maioria dos habitantes de Numância cometeu suicídio, preferindo morrer livre a servir Roma como escravo. O vitorioso General Cipião Africano – O Jovem não colheu qualquer glória em Numância.
O romantismo da lenda esconde práticas tão decadentes como o canibalismo, mas relembra-nos da mais inata características dos povos ibéricos: Acolhemos todas as culturas, mas nunca nos subjugámos aos imperios!

















