Aumentando o espólio da NSA…
O trágico acontecimento abriu noticiários por todo o mundo…
Desapareceu um avião da Malaysia Airlines, um Boeing 777-200ER, com 239 pessoas a bordo (227 passageiros de várias Nacionalidades e 12 tripulantes). Um aparelho capaz de percorrer uma distância de mais de 14.000 Km, em condições de voo normais, nunca voando a baixa altitude com a já apontada finalidade de não poder ser localizado.
Feito o escrutínio das vidas dos passageiros e tripulação, começam as especulações sobre os motivos plausíveis de tal catástrofe, são feitas investigações aos simuladores de voo do comandante e descobre-se que este teria pairado virtualmente sobre a ilha desconhecida até então para o comum dos mortais, Diego Garcia, ilha essa base militar certamente em alerta máximo permanente. Até a fraseologia aeronáutica foi motivo de imaginação de cenários menos ortodoxos, vindo posteriormente a ser confirmado que as utilizadas foram as corretamente aprovadas.
Uma das ultimas localizações, com fundamento em sinais registados alegadamente por satélite indicam que teria um posicionalmente muito próximo ao limite de distância capaz de atingir, levando a pensar que teria esgotado a sua capacidade de vida e por isso perecido nas águas do Índico, continuando contudo a não serem visíveis quaisquer destroços.
Tantas horas no ar, sem avistamento tecnológico evidente, mesmo sabendo que existem normativas aplicáveis neste tipo de acontecimentos que estão rigorosamente definidas e todas elas se iniciam “apenas” no seu timing certo.
Curioso, ou não, pode ser o facto de ter sido considerado o denominado “Corredor Sul” como rota possível do avião, pois verifica-se que se a opção de rota fosse para o lado da tal ilha, o aparelho não teria capacidade para chegar ao ponto de aterragem a seguir a ela, que seriam as Ilhas Mauricias quanto mais a Madagascar, teria pois de fazer a abordagem a uma base militar fortemente equipada de meios bélicos com tecnologia de ponta, quiçá já em mínimos de combustível.
Estas palavras poderão ser alvo de averiguações por parte da NSA, já que os tais meios tecnológicos de última geração captam milhões de informações por minuto, baseadas em “targets” pré definidos, tendo mesmo nos seus arquivos ficheiros de dois terços dos líderes Mundiais, seguramente de todos os que alegadamente ajudam nas buscas. Sei lá… Pode até ajudar mais uma teoria, a não ser que a verdade já esteja pré definida aguardando somente o momento oportuno como quando desenterraram ditadores e descobriram alegados terroristas, nos locais mais inóspitos.
Pagar impostos é coisa de pobre
Fugir ao fisco é fácil em Portugal. Não é é para todos. Este País não é para pobres nem honestos. Não! Seus palermas! Badamecos! Pés descalços! Andam para aí a contar tostões. Este mês ainda agora começou e já choram com o IMI. Andam a poupar tostão a tostão para depois pagarem o IMI, seguros do carro e da casa e o IUC. Sabem o que fazem os ricos? E sem esforço? Vão de férias. Vão produzir mais pequenos fidalgos. Garantir a proliferação da linhagem.
Esses, com pasta a sério, estão isentos de um rol de taxas, supostamente porque, e só se, são criadores de emprego. Mas, há sempre um mas, contratar mais pessoas, é uma medida de último recurso para os capitalistas. Ora, apelidá-los de “criadores de emprego” é muito mais do que ser incorrecto. É desonesto.
Quando esta realeza é beneficiada em nome da criação de postos de trabalho, o que acontece é simples. Os ricos ficam mais ricos.
Ora vejamos, se realmente os impostos mais baixos e mais riqueza para os ricos significassem criação de emprego, estaríamos assoberbados de empregos. Estaríamos aos berros a pedir ao resto dos cidadãos europeus que viessem para este país trabalhar em vez de mandar os nossos embora.
Querem tirar o Passos Coelho da cadeira mágica que dá poder pelo rabo acima, querem? E quem é que querem lá meter em troca? O outro? Sentem-se mais seguros com ele é? Ou ainda o outro que não sabe se fica, não sabe se sai mas cola-se sempre a quem está? Não é tudo a mesma coisa? Mais do mesmo? Sai um, entra outro e muda os métodos todos mas a eficácia é a mesma nulidade. Ricos mais ricos e pobres mais pobres. Já viram algum desses partidos com setas viris tiradas do PowerPoint, punhos de rosas ou duas setas opostas que apontam para o mesmo centro (a tal cadeira que dá poder pelo rabo acima) acabar com a corrupção? Algum deles acabou com as leis de isenção fiscal? Algum deles prendeu ou denunciou o rombo no BPN?
Os palermas são vocês e eu. Cambada de atrasos de vida. Nós no fundo até desconfiamos. Lá mesmo no fundo dos fundos dos confins. E o que fazemos? Cruzamos os braços ou mandamos uma gargalhada. Nós gostamos é de sonhar com luxos.
Top Secret
Imagino o que poderia ser o “resumo de imprensa” no relatório semanal de um espião residente entre nós. Talvez um agente secreto ao serviço de uma grande potência rival. Malta ou o Chipre por exemplo. Primeiro a síntese, depois o diálogo. Qualquer semelhança com a realidade é igualmente disparate. 
Relátório Semanal
“Resumo de imprensa: Fonte ilegítima, acreditada, mas não confirmada, terá alegadamente suspirado em off que certas e indeterminadas pessoas teriam seguramente concordado com a hipótese de sob tese considerar a validade do principio da incerteza de Heisenberg no contexto da cidadania e da legitimidade representativa, especialmente quando reflectida nos efeitos práticos do termo “temporário” no léxico legislativo.”
Comentário do superior hierárquico:
“ – Ok, quadro sem evolução. Cansa não é?
PS: Atenção às contas de telefone!”
Resposta do agente secreto:
“ – Confirmo. Cansa. Mas se eles aguentam, nós também temos a obrigação de aguentar.
PS: são ossos do ofício chefe, estão sempre a dizer para eu ligar para ganhar carros e prémios em dinheiro.
O Chefe responde:
“ – Muito bem. Estamos contigo.
PS: olha lá, mas isso dos carros não é com o NIF nas facturas?”
O agradecimento final:
“ – Obrigado. É bom sabe-lo.
PS: É em todo o lado chefe, dão carros em todo o lado!”
Compreensão da Confiança dos Mercados
Recentemente ouvi na rádio alguém ligado ao governo a malhar nos assinantes do famoso Manifesto dos 70 dizendo que emitem opinião sem ter conhecimento aprofundado sobre os problemas do país. Mais recentemente ouvi Durão Barroso em entrevista a dizer que o manifesto foi um erro crasso que veio fragilizar a posição de Portugal nos mercados.
Pus-me a pensar e realmente reconheço que conhecimento sobre a situação real é algo que não é partilhado com os portugueses. E coloquei-me no lugar de um investidor internacional. Afinal se actualmente estão com indíces de confiança no investimento da nossa dívida equiparados aos de 2009 é porque a análise puramente lógica, racional e fria dos números, nos permite tirar conclusões positivas e optimistas sobre o nosso futuro.
Sendo assim compilei aqui uma série de indicadores que espero virem a trazer algum esclarecimento sobre a lógica dos mercados face ao investimento na dívida de Portugal. Comparei a informação disponível à data das boas taxas de juro em dois períodos no tempo.
| Indicador | 2010/01 | 2014/03 | Observações |
| Juros Dívida a 5 anos | <3% | <3% | Revelador do mesmo nível de confiança no investimento na nossa dívida pública. |
| Dívida Pública em % PIB | 78,8% | 130% | Um aumento estrondoso do nosso endividamento que nos torna mais dependentes e ‘submissos’ a credores. |
| Dívida Pública | 132 747,3 M€ | 204 252,3 M€ | 51 pontos percentuais acima são +72 mil milhões de euros em dívida |
| População Residente | 10 568 247 | 10 514 844 | Menos 54 mil pessoas? Os mais de 200 mil emigrantes ainda contam? |
| População Activa | 5 582 700 | 5 389 400 | Ok, aqui está em linha com números de emigração! Bom trabalho nesta contagem! |
| População Empregada | 5 054 100 | 4 978 200 | Talvez fosse bom definir o que é um emprego? Só em 2013 contabilizavam-se menos 229 mil postos de trabalho. |
| Taxa de Desemprego | 9,5% | 16,3% | Quase o dobro em termos oficiais. Juntando os ‘desencorajados’ e o real ainda é pior! |
| População Desempregada | 528 600 | 875 900 | Sem pudor podemos falar de 1 MILHÂO de desempregados! |
| Receita IRS | 8 950,9 M€ | 9 085,5 M€ | Menos postos de trabalho e mais receita de IRS? O governo só pode estar a fazer qualquer coisa bem… |
| Número de Empresas | 1 198 781 | 1 062 782 | Por artes mágicas desapareceram mais de 135 mil empresas em quatro anos. Magia negra? |
| Receita IRC | 4 540,3 M€ | 4 280,5 M€ | Uma perda de mais de 1 900 € por falência. |
| Emigração | ??? | 121 418 | Sem números de 2009 é ainda mais corajoso o incentivo ao desconhecido: a emigração. |
| Nascimentos | 99 941 | 89 841 | Menos bocas, menos consumo, menos despesa. |
| Idosos por cada 100 jovens |
118 | 130 | Calma, o corte contínuo e progressivo de pensões poderá ajudar a corrigir isto. |
| Despesa com Administração Pública |
83 874,4 M€ | 78 243,8 M€ | 5 mil milhões de euros a menos de despesas sendo que 2 mil milhões resultam dos cortes em pensões e salários da função pública. |
| Salário Mínimo | 450 € | 485 € | Boa boa, uma evolução de 5 € ao ano. Quase que dá para absorver um dia do aumento dos custos em transportes, energia e bens de primeira necessidade. |
| Taxa Risco Pobreza (antes de transferências sociais) |
43,4% | 45,4% | Ok, mantemos uma certa uniformidade com quase metade da população portuguesa no limear da pobreza se não tiver qualquer apoio social. |
| Taxa Risco Pobreza (após transferências sociais) |
17,9% | 17,9% | Boa, neste indicador não andámos para trás! Graças a Deus que muitos pobres potenciais emigraram em massa! |
| Consumo Privado | 110 546,8 M€ | 111 954,7 M€ | Apesar de tudo gastámos mais dinheiro! Nada como um aumento do custo de vida para polir um indicador económico. |
| Volume de Negócios do Retalho da SONAE em Portugal | 1 132,6 M€ | 3 415,0 M€ | Mesmo em tempos de crise ainda há quem saiba fazer a ordenha! |
| Volume de Negócios do Retalho da Jerónimo Martins em Portugal | 2 193,6 M€ | 3 250,0 M€ | A crise tem pelo menos duas boas ordenhas! |
Curioso como os indicadores atenuam e mascaram por completo a realidade social vivida e sentida pela população.
Desperta-me particularmente curiosidade o facto de empresas como a SONAE e Jerónimo Martins aumentarem os lucros nas suas redes de distribuição Continente e Pingo Doce. Isto porque quem frequenta os seus espaços comerciais vê com frequência as pessoas a fazer as suas escolhas em função do preço e não da qualidade do produto. O que me leva a especular que os portugueses andam a pagar menos, para comer pior, com lucros maiores para quem aparentemente ‘facilita’ a aquisição com custo mínimo de mercado. E os seus fornecedores? Poderão gabar-se de tal aumento de volume de negócios?
Para concluir olhando para a informação, fácil e publicamente disponível, um investidor atento a pormenores poderia resumir a análise de Portugal em início de 2014 vs Portugal em início de 2010 com 3 chavões 1) o Portugal de hoje está mais endividado, 2) com menos consumo (diminuição de poder de compra e menos consumidores devido a cortes, desemprego e emigração) e 3) com um estado mais fragilizado que terá de cortar apoio social à quase metade da população que ainda se mantém no limiar da pobreza.
Se em início de 2010 com os dados disponíveis os investidores projectavam um cenário optimista, hoje com os dados em cima da mesa o cenário não pode de todo ser idêntico ao idealizado na altura. Ou seja, um investidor na divida pública Portuguesa só pode estar a borrifar-se para os indicadores sócio-económicos do nosso país. ‘Provavelmente’ existem factores externos que anulam a necessidade de valorizar estes números. Caso contrário a única explicação alternativa possível seria uma hipotética manipulação das taxas de juro, à medida das necessidades da manutenção de estabilidade de um sistema político e económico que vive no ponto de equílibrio entre o retirar a máxima rendibilidade das dificuldades de um país e o garantir da sustentabilidade do mesmo.
Será que estas variáveis podem explicar o inexplicável?
| 2010/01 | 2014/03 | |
| Próximas Eleições Europeias | Junho de 2014 | Junho de 2014 |
| Peso de Portugal na Coerência da Europa | Residual | Crítico |
| Maior Responsável por Governação no último triénio | Governo Português | Troika |
| Portugal = Bandeira da Aplicação de Fórmulas Austeras de Gestão Governamental |
Não | Sim |
Resumindo as baixas taxas de juro nada têm a ver com a melhoria da vida em Portugal mas sim com a garantia de que a teta para estes lados pode continuar a jorrar, mesmo que com um caudal mais fraquito. “It’s all about money”, tal como comprovado pela tentativa de recompra da dívida para baixar despesas com juros futuros que ficou aquém das expectativas porque os seus detentores preferem aguardar pela colecta dos juros contratualizados à data da sua compra do que antecipar uma receita mais baixa. O seu lema?
“Estamos cá para ajudar(-nos)”
Sites e Artigos de Referência:
Juros da dívida a cinco e dez anos estreiam novos mínimos do início de 2010
Dívida pública portuguesa deve superar os 130% do PIB em 2014
Juros da dívida a cinco e dez anos estreiam novos mínimos do início de 2010
Volume de negócios da Sonae cresce 6% em 2009
Lucro da Sonae SGPS atinge 319 milhões de euros em 2013
Grupo Jerónimo Martins divulga Vendas 2009
Vendas da Jerónimo Martins deverão ter crescido 11,8% em 2013
Guia de perguntas e respostas para acompanhar os juros da dívidaHá 4,5 milhões de pobres
PORDATA
Lista de mentiras que seriam um mimo se fossem verdade:
- Cavaco Silva lembra-se que é Presidente da República.
- Passos Coelho é preso por roubar velhinhos.
- O Sócrates agrafou a boca.
- Paulo Portas assume irrevogável homossexualidade.
- Assunção Esteves esconde-se.
- Miguel Relvas vai à Universidade.
- O desertor, Durão Barroso, não é candidato às Presidenciais.
- O Governo já começou a tomar medidas para prevenir os fogos florestais.
- O Mundial do Brasil vai correr bem. Sem assaltos nem mortes.
- Os estágios não remunerados foram abolidos.
- Bruno de Carvalho, Presidente do Sporting, decide internar-se.
- Gente trajada ganha tin-tins e decide falar.
- O Michael Jackson está vivo.
- O filme “Sei Lá”, baseado no livro de Margarida Rebelo Pinto, com o mesmo título sai do cinema antes de estrear.
- A Primavera perde a vergonha.
Melodia Carnavalesca
Os meninos do coro começaram por cancelar o Carnaval. Não podia, não devia, a finança não queria. Assim foi na letra, mas a musica é bem diferente. Nunca o Entrudo foi tão celebrado entre nós. Foi até antecipado. Tudo começou pelo lançamento do um livro sobre o quotidiano de um bobo durante a sua estadia na corte. Rigoletto que em português se diz Vítor, mas não Hugo, brindou a Pedro com uma melodia de fazer inveja a Verdi. Opera buffa, é certo, mas teve o seu lugar na agenda mediática. Surpresa, não se ouviu pateada. Dá que pensar.
Ao primeiro andamento, seguiu-se um triunfal cortejo de carnaval. Andante ma non troppo: Na falta de um sambódromo, decorreu na Rua das Portas de Santo Antão. Comovente na espontaneidade, nem pareceu coreografado. No coliseu, o comentador e homónimo de presidente do conselho sobe à tribuna. Enverga a camisola de candidato. É uma mascara que não resulta, está gasta, mas os comentados aplaudem a Serenata. Enfim, peripécias típicas de época. Eis que surge o grande líder, mascarado de primeiro violino. Já o bobo lhe reconhecera grandes qualidades cénicas para a condução da charanga no aquecimento, mas nada fazia prever o Adagio sostenuto: brindou a audiência com o anúncio do ousado regresso de sua eminência da equivalência, a imaculada consciência. Voltou, pleno de força anímica e muito samba no pé. Largo ou Grave? Não se ouve. O silêncio também conta. Ainda hoje não ardeu.
Presto: a escola de samba rival responde, anunciando o regresso do coelhinho da pascoa. Digam lá que não estamos sempre em festa? Prestissimo, alguém declama “Só este modo de comunicar em 101 tweets já é todo um programa”. Viral? Ninguém os viu. Será censura? Negativo, há liberdade de expressão.

Vivace: “Não pagamos!”. Fala quem pode, os demais nem piam. Pausa.
Rondó: O dueto para o consenso. Vem aí mais ajuda, pois claro! Adagio: Não obstante as divergências insanáveis entre irmãos, a maestria demonstra afecto. Brinda a orquestra com a sua performance. Toca a oitava sonata para piano do seu conterrâneo, Op. 13, a “Patetica”. Adagio cantabile: Apoiar-nos-á, seja qual for a decisão que sobre nós vier a tomar. Andantino: Após as eleições europeias, o baile de carnaval prosseguirá der Klang der Walzer.
A Cultura Geral morreu. Vivam os Cursos Técnicos Superiores profissionais de curta duração
Numa entrevista de emprego:
– A menina tem formação em que área?
– Em nada de especial mas em tudo no geral.
– Pode especificar?
– É difícil especificar mais do que isto, sabe. Tive um ano com uma componente geral muito forte e no segundo ano bastou-me aparecer na sala de aula para me encaminharem para este estágio na sua empresa”.

Ainda na semana passada, os Politécnicos anunciaram que não estavam disponíveis para lecionar os cursos técnicos superiores profissionais. Hoje já podem e vão fazê-lo!
Ora, com os Cursos à Bolonhesa, a coisa já ficou pobre. Cursos de três anos não chegavam para adquirir as competências e conhecimentos inerentes a cada área. Passou a ser obrigatório juntar um Mestrado à Licenciatura (não é bem obrigatório, mas é). Tanto zum-zum em torno das Licenciaturas de três anos e a coisa acalmou com a dica da promoção da mobilidade e empregabilidade dos diplomados do ensino superior no espaço europeu.
Heis que surgem, menos de uma década depois, cursos de dois anos com o objectivo de dar formação no geral. Assim um lamiré da coisa. Mas conferem algum grau académico? Não! Antes chamavam-lhe cultura geral. A partir de hoje, chamam-lhe Curso Superior Profissional.
O objectivo é, e passo a citar o comunicado do Conselho de Ministros, “alargar e diversificar o espetro da oferta do ensino superior em Portugal e, por essa via, aumentar o número de cidadãos com qualificações superiores necessárias ao país”. Boa, vamos lá consolidar o nosso 4.º lugar na UE com a maior taxa de desemprego jovem.
A boa notícia é que, como estes mini-cursos terminam com um estágio, os anúncios de estágios curriculares vão começar a desaparecer. Na verdade, são o par perfeito.
Portugal, país más grande que qualquer outro
Portugal, país más grande que qualquer outro
hoje e sempre será a mais altíssima e mais viçosa folha de Outono
Seus terrenos pantanosos, pretensamente estéreis
são na verdade mui férteis, neles germinando multi-variados tributos onerosos
Tão necessários à sobrevivência da mais alta finesse
A única capaz de garantir a navegação na maionese
Foi-se o tempo em que, fracos, caíamos como Tordos
Agora voamos! Emigramos mais ou menos tortos
Trocámos o mandar da toalha ao chão pelo bilhete de avião
Operamos a mudança com vuuuuuuuuuuuuuuuum em vez de PUM PUM PUM!
Fiéis à raiz da nossa democracia ainda cravamos
Notas, moedas d’oiro e cobre, muitos centavos cascalhos
Ser bom português não implica cantar um fado
Ser bom português é não dar despesa ao estado
Hoje poucos sabem o que é ter o prazer de viver até morrer
Talvez por isso vos foda a cabeça em tons de escárnio e mal-dizer
Essa cambada de filhos da tuta e meia
Vendem Portugal ao desbarato como quem bons ventos semeia
Quem nos governa?
É merda
Repito
QUEM NOS GOVERNA?
É MERDA!
Merda, merda, MERDA
Sem um pingo de carácter nem espinha dorsal
Merda desnutrida que não alimenta mosca nem besouro
Só capaz de montar um privado arraial
em torno do real e público tesouro
Gaspar a mascote que cá esteve ronronar e vai agora FMIar, é sério, não é trote
Relvas o homem só que nenhum cão quer ver sobre o seu cócó
Manchete o malade de la tête perdido nalguma secreta enquête
Poiares Maduro o literário que nada vale sem o seu fundo comunitário
Aguiar Branco o das forças armadas que busca estaleiro capaz de blindar decisões às forças amadas
Crato o educador de aço, utilizador de balas educadas, revestidas a amianto, na prática do tiro ao prato, não sabendo o que fazer com os cacos do seu estilhaço
Portas e seus mercados, mestre da distribuição de recados
Passos Coelho o unificador, está para a boa esperança como o famigerado Adamastor
Cavaco em agonia, o erradicador do cheiro a sovaco, saudosista da sua própria antagonia
N outras cousas ao estilo BPN
Alto! Banqueiros não! Assim reza a prescrição
Quem nos desgoverna?
Profissionais da política
Arautos da chama Olímpica
Executores de pancadas paralíticas
Gente semítica, raquítica, Excel analítica
Portugal, país más grande que qualquer outro
Queira o seu povo matar o polvo
Coragem ou viagem
vuuuuuuuuuuuuuuuuuuum
PJ e o seu novo brinquedo
Como grande apreciadora da vida e conduta policial, vibro com novidades fresquinhas sobre os Sô’s Agentes da Autoridade que de autoritários têm muito e de respeitáveis pouco se lhes advinha.
80 mil metros quadrados. Um heliodromo que garatem não vai ficar parado. Tecnologia de ponta. A NASA foi eleita como exemplo tecnológico (os computadores que aqui temos são é Toshiba’s dos anos 90). Advinha-se uma Policia Judiciária discípula de um FBI. Os agentes, de bigodes fartos e barrigas de cevada são os mesmos. As munições são novas e até brilham mas os gatilhos estão engatados. Não há problema. Resolve-se com o cacetete. Resolve-se? Depende. Os populares, aqueles que lhe tão caridosamente lhes oferecem o corpinho ao manifesto à porta da Assembleia da República, esses sim. Vão sentir o poder da nova Sede da PJ. Pumba, pumba, toma lá que já almoçaste. Ai subiste um degrau? Não podes! Pumba! Ai puseste um jornal a arder? Pumba! Que é para aprenderes a reciclar. Ai arrancaste um caixote do lixo? Pumba, pumba, pumba, pumba e pumba e pumba e pumba. Foram mais pumbas porque vieram mais três colegas de profissão ajudar ao pumba, pumba. (“Colegas de profissão” – percebem?)
Mas, atenção ao mas. Mas se forem colegas que se manifestam em frente à Assembleia da República, tenham calma. Vamos dar os braços e fazer um cordão. Somos todos amigos. As armas não funcionam de qualquer das formas e os cacetetes ficaram na esquadra. Isto é uma manifestação que não pode correr mal.
Voltanto ao espectacular edifício da nova Sede da PJ. É lindo. Não é propriamente um edifício verde. Daqueles com preocupações ambientais e tal. Temos Sol 250 dias por ano mas não há cá paneis solares nem coisa que o valha. 80 mil metros quadrados. Uau. Estou de boca aberta com tanto espaço. Compraram baralhos de cartas para toda a gente?

Segundo a Agenda Cultural de Lisboa, “(…) Houve a preocupação de criar uma fachada principal que se integrasse na zona envolvente […] de modo a minimizar o impacto da sua presença (…)”. É verdade! Mal se dá pelo edifício. É como o policiamento das ruas. Também mal se dá por eles. Eles estão lá. Estão é ocupados com outras coisas. Não os perturbem.
Pombos sem Asas
Esperámos pacientemente, aguardámos mais de dois mil e duzentos anos, mas valeu a pena. O “Plano de Acessibilidade Pedonal” da capital gerou mais uma conveniente polémica. Não se debate o plano, apenas os pavimentos. Compreende-se, é coisa nossa. Os corvos que adornam o Brasão de Armas de Lisboa assumem posições. Dividida, a tripulação da Barca Negra debate a calçada. Só os debates inconsequentes nos despertam tamanha paixão. Na proa os críticos, na popa os apoiantes. Estão ao Leme, pelo que o rumo está traçado. Nem a coerência cromática com a bandeira de São Vicente salvará a arte-do-calcário-e-basalto. Será progressivo, levará o seu tempo. Três anos. Não é muito. Aguentamos. Já diz a flâmula: “Mui Nobre e Sempre Leal Cidade de Lisboa”…
Como sempre, os estudos demonstram tudo. Afinal, a pedra está cara, e pior, a estatística demonstra-a perigosa, escorregadia e traiçoeira. Um perigo! Nada de novo. São más práticas antigas, do tempo em que os habitantes desta cidade estavam isentos do pagamento de impostos. É verdade, foi em 200 a.C. Estavam então os Romanos ao leme da Barca Negra. Chamavam-lhe “Olisippo”. Imagine-se que se lembraram de usar pedra para pavimentar estradas e caminhos. Até construíram impérios, mas convém aqui lembrar que a esperança média de vida era então inferior aos 50 anos. A tradição nunca foi o que é, e a palavra “isenção” não é hoje conjugável com a palavra “cidadão”.
Enquanto esperamos pelos resultados dos estudos relativos aos perigos nas zonas verdes, congratulamo-nos com a decisão tomada por unanimidade. Aqui há negócio, acusam os mais cépticos. Jura? Mais uma clara demonstração de representatividade. Abundam na “democracia self-service após eleição”, que convenhamos, já cansa. Por mais nobre o princípio, por mais inclusiva e benemérita a iniciativa, desconfiamos. Em casa sem pão, todos ralham, porque todos têm razão. E o que é que isto interessa ao caso? Nada! Nada? Então siga! Sim, SIGA – Sistema de Informação Geográfica para Gestão da Acessibilidade. Haja modernidade. Avancemos para outra teoria da conspiração.
Não terá a iniciativa camarária um objectivo oculto? Talvez mais obvio, mais simples e mundano? Governar é prever, está bom de ver, antever: Não vá a próxima “ajuda” externa exaltar o munícipe, ou não vá um futuro governo “mais amigo” dos contribuintes, os decepcione logo após tomar posse. Não estará a Câmara Municipal de Lisboa a tentar desactivar tanta e tão disponível munição? Julgo que sim! Por este motivo, e apenas por este, lanço o meu apelo: Salvem os Pombos sem Asas!








