Pombos sem Asas

Logotipo_CML_fonteDIN_vert_1_corEsperámos pacientemente, aguardámos mais de dois mil e duzentos anos, mas valeu a pena. O “Plano de Acessibilidade Pedonal” da capital gerou mais uma conveniente polémica. Não se debate o plano, apenas os pavimentos. Compreende-se, é coisa nossa. Os corvos que adornam o Brasão de Armas de Lisboa assumem posições. Dividida, a tripulação da Barca Negra debate a calçada. Só os debates inconsequentes nos despertam tamanha paixão. Na proa os críticos, na popa os apoiantes. Estão ao Leme, pelo que o rumo está traçado. Nem a coerência cromática com a bandeira de São Vicente salvará a arte-do-calcário-e-basalto. Será progressivo, levará o seu tempo. Três anos. Não é muito. Aguentamos. Já diz a flâmula: “Mui Nobre e Sempre Leal Cidade de Lisboa”

Pt-lsb1Como sempre, os estudos demonstram tudo. Afinal, a pedra está cara, e pior, a estatística demonstra-a perigosa, escorregadia e traiçoeira. Um perigo! Nada de novo. São más práticas antigas, do tempo em que os habitantes desta cidade estavam isentos do pagamento de impostos. É verdade, foi em 200 a.C. Estavam então os Romanos ao leme da Barca Negra. Chamavam-lhe “Olisippo”. Imagine-se que se lembraram de usar pedra para pavimentar estradas e caminhos. Até construíram impérios, mas convém aqui lembrar que a esperança média de vida era então inferior aos 50 anos. A tradição nunca foi o que é, e a palavra “isenção” não é hoje conjugável com a palavra “cidadão”.

Enquanto esperamos pelos resultados dos estudos relativos aos perigos nas zonas verdes, congratulamo-nos com a decisão tomada por unanimidade. Aqui há negócio, acusam os mais cépticos. Jura? Mais uma clara demonstração de representatividade. Abundam na “democracia self-service após eleição”, que convenhamos, já cansa. Por mais nobre o princípio, por mais inclusiva e benemérita a iniciativa, desconfiamos. Em casa sem pão, todos ralham, porque todos têm razão. E o que é que isto interessa ao caso? Nada! Nada? Então siga! Sim, SIGA – Sistema de Informação Geográfica para Gestão da Acessibilidade. Haja modernidade. Avancemos para outra teoria da conspiração.

Não terá a iniciativa camarária um objectivo oculto? Talvez mais obvio, mais simples e mundano? Governar é prever, está bom de ver, antever: Não vá a próxima “ajuda” externa exaltar o munícipe, ou não vá um futuro governo “mais amigo” dos contribuintes, os decepcione logo após tomar posse. Não estará a Câmara Municipal de Lisboa a tentar desactivar tanta e tão disponível munição? Julgo que sim! Por este motivo, e apenas por este, lanço o meu apelo: Salvem os Pombos sem Asas!

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About Gonçalo Moura da Silva

... um homem ao Leme. "A minha alma é uma orquestra oculta; não sei que instrumentos tangem e rangem, cordas e harpas, timbales e tambores. Só me conheço como sinfonia. "

Posted on Março 3, 2014, in Ideias para o País, Teorias da Conspiração and tagged , , , , , . Bookmark the permalink. 8 comentários.

  1. ahahah muito bom. Eu cá tenho a minha teoria quanto ao “como encontrar fundos para pagar as pedras”. Como o rapazito á frente da dita casa, até acordou um dia e resolveu dizer que veiculos com mais de x anos, apesar de pagarem imposto de circulação, não podem circular nas vias públicas da cidade…criando instantâneamente o conceito do “público, mais ou menos”, e largando tambem de imediato os seus esquadrões de “bem-feitores” de multa em punho, é certo que haverá com toda a certeza muito fundo para pagar “pedras”… atrevo-me a dizer até, mais “pedras” que nos tempos do Santana Playboy Lopes…e isso é efectivamente um “marco de pedra” dificil de igualar 🙂

    Remato com um belo sorriso, conseguido pelo simples observar da última imagem… e que me dá ideias instantanea e destructivamente belas. 🙂

  2. Fazer negócio com o dinheiro dos outros é a alternativa de Antonio Costa e do Partido Socialista. Gastam de qualquer maneira porque não são responsabilizados. Depois é quem põe as contas em ordem que é criticado. Gostam de ser enganados!

    • Sim, senhor/a anónimo/a. É verdade…diria até que levam a coisa ao extremo de “procurarem…algo que se pareça com negócio” para depois aplicarem aquelas margens “não oficiais” e que lhes engordam as fortunas…. MAS atenção que os que voltam a por as coisas na ordem não o fazem por menos… apenas têm um pouco mais de consciência e la entendem que se deixarem a galinha morrer, ela deixa de lhes dar ovos de ouro.
      Ha que criticar quem destroi tanto quanto quem tenta recuperar a destruição, desde que haja motivos para tal… e honestamente, neste país, basta ser político e ha motivos para tal. E se não acredita no que digo, dê uma vista de olhos a esta pérola http://pmcruz.com/eco/ honestamente, leva o meu voto para site do seculo…mas eu sou (era) regularmente a minoria ignorada, no que toca a votos.

    • Estimado Anônimo, o “PLANO DE ACESSIBILIDADE PEDONAL DE LISBOA” foi aprovado por UNANIMIDADE. É tudo, obrigado.

  1. Pingback: ‘O sole mio | ao Leme

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