Category Archives: Escárnio e mal-dizer
Prescrita Impunidade
Acabou-se a impunidade. Mais que certo. Desta é que é, nada voltará a ser como antes. Nenhum ladrão de fruta poderá evitar o cárcere com manobras dilatórias. Isto porque o roubo de fruta, como todos sabemos, é muito rentável, e como tal os recursos para manobras dilatórias abundam. Quem ajuda a mercearia de bairro que se vê privada da sua mercadoria? Quem? A Justiceira. Pelo menos assim decretou com pompa e circunstância.
Sitiada pelo Citius, não baixou a guarda. Assumiu a relatividade das responsabilidades, pediu desculpa ao telejornal. Foi bonito. Foi humano. Consequências retirou? Sim, claro que sim: Atacou com uma sindicância aos serviços. O Inquérito decorreu, averiguou e concluiu – foram dois malandros que a soldo do mal sabotaram o sistema. Haja culpa! Age-se em conformidade, envia-se o relatório para a PGR. Lá saberão o que fazer. À justiça o que é da justiça. Separação de poderes pois então. Isto por cá não é a parte leste de um ilha no pacifico. Assim foi. Oxalá não prescreva.
Afinal não, afinal nada há a investigar. “As diligências realizadas” permitiram concluir “não existirem indícios do crime de sabotagem informática”. Mau. Querem ver que foram os russos? E agora? Regressa a impunidade? Não, claro que não, agora a Justiceira ordenará uma sindicância ao inquérito para apurar quem apurou aquilo que afinal não foi. Confuso não é? Vou tentar novamente – Agora, investigar-se-á a investigação feita, para que se possa perceber se há ou não pedidos de desculpa a pedir, a quem e porquê. Entretanto, parece que a Impunidade prescreveu…
Espião no Sado
Um Golfinho russo, camuflado de Roaz-corvineiro, violou a interdição de pesca no interior da Marina de Tróia. O Ministério da Defesa Nacional emitiu um comunicado, esclarecendo que não chegou a accionar os meios navais da Atlantic Ferries, pois o intruso foi escoltado até Sesimbra pelas Tainhas residentes na Marina…
Polyprion Americanus
Tantos anos a empatar anzol, para agora, finda a pescaria ser agraciado por sua excelência a demência. Ele pescou à boia, à chumbadinha, ele fez tudo e de tudo fez para a agradar. Ele, que de tanga nos deixou e a Europa abraçou. A nenhum poder atrapalhou, e assim uma década ficou. Canta até vitória porque com aquilo não acabou. Que grande feito.
Alguns (piores que eu), dizem que por nós nada fez. Mal seria se tem feito. Só os tontos acreditavam na importância, na relevância, de ser um luso à frente do bando, dita banda, da comissão. Tontos ou mal-intencionados, talvez habituados às praticas domesticas, aquela palete de cores, um degradê do laranja ao rosa. Nada como um palerma útil, destes que zelam pelo umbigo. Esperto, nunca andou à bolina. Deu sempre a ré ao vento, fez popa rasa.
Pobre infante que em sua ordem vê celebrada tamanha pequenez. Não há bandido que entre nós não receba pelo menos uma comenda.
Um ano de transportes públicos, Grátis!
Gosto muito de publicidade, especialmente da televisiva. Toca-me a profundidade da mensagem, mas aquilo que verdadeiramente me emociona são as cores. Gosto dos tons com que os publicitários pintam os seus quadros. Contemplá-los é simplesmente sublime.
Os tempos são difíceis, e até a arte publicitária se vê privada de meios. São hoje raras as aguarelas ou óleos. Sim, a serigrafia é a receita. Sejam séries grandes ou pequenas, é arte para todos. Belo e democrático.
Até as pequenas empresas chinesas que entre nós empreendem se renderam a esta arte, barata, mas que nos aguça a sensibilidade e enternece o ego. É mesmo muito bonito! De tudo isto, é bom exemplo o mais recente anuncio desse grande mecenas que é a EDP, qual casa de Sabóia dos nossos dias. Só lhe faltam os tons de azul no logótipo.
Muito para além da generosa oferta de 1 Ano de Energia Grátis, há todo um bem-estar que desperta. Digo-vos sem ironia, só me apetece andar de transportes públicos! Quero aqui agradecer a todos quantos contribuíram para este meu despertar, ao mecenas, aos artistas criativos e aos modelos que fazem pose. É preciso ser muito estúpido para não andar de autocarro no nosso país. Obrigado por me recordarem quão maravilhoso é o nosso quotidiano.

ZEE 2115
A França, terra da liberdade, igualdade e fraternidade, vendeu à Russia dois navios da classe Mistral. Nicolas Sarkozy anunciou o negócio no final de 2010, e os contratos foram assinados no inicio de 2011. Os estaleiros STX France cobraram 1,2 mil milhões de euros pelos dois porta-helicópteros. Apenas 20% mais caros do que os submarinos da classe Tridente que compramos à alemã Ferrostaal. Convêm salientar que o preço não inclui os 16 helicópteros, nem os 40 blindados que cada navio pode transportar. Não houve contrapartidas, nem ajudas. Conseguiram fechar o negócio sem o precioso auxílio duma Escom lá do sítio.
Em Junho deste ano, os norte-americanos manifestaram duvidas quanto à conformidade da primeira entrega com as sanções (entretanto) impostas à Rússia. Propõem a venda ou aluguer destes navios à NATO. França diz que não. O cancelamento é caro, porque os russos já pagaram, e para além disso quer alemães quer britânicos têm vendido armas à Rússia. O secretário-geral da NATO, o dinamarquês Fogh Rasmussen é peremptório – a decisão compete à França. Em Julho, François Hollande anunciou a entrega do “Vladivostok” dentro do prazo (Outubro de 2014), mas qual abstenção violenta, condicionou a entrega do “Sevastopol” à evolução da situação na Ucrânia. Uma posição surpreendentemente lusitana: uma no cravo, outra na ferradura. Apesar de pouco solidário, foi fraternal… Entretanto, a guarnição russa do navio chegou a França. Os testes no cais começaram no dia 6 de Julho, mas antes do inicio dos testes de mar, o volte-face – Hollande anunciou ontem o cancelamento da entrega do primeiro navio. Parece que alguém na NATO ficará com ele. Resta saber quem.
A meu ver, ninguém no ocidente pode acusar a França de inconsistência. É certo que mudou de posição em pouco tempo, mas essa parece ser a prática vigente. Há menos de um ano, o programa nuclear do Irão era uma questão bélica e Bashar al-Assad era a personificação do mal na Síria. São dinâmicas da geopolítica. Hoje, parece que Teerão apenas quer a tecnologia nuclear para fins energéticos e al-Assad é quase (quase) um aliado. Afinal há mesmo terroristas por aquelas bandas. Por cá também, dizem. Exportamos, garantem. Tudo a bem do equilíbrio da balança comercial. Não percam os próximos episódios, o tema promete.
E os navios, quem fica com os navios? Tenho uma teoria, certamente presunçosa, mas julgo que fundamentada: Está para breve o alargamento da nossa Zona Económica Exclusiva; somos o membro da NATO com maior tradição marítima; temos a Escola Naval mais antiga do mundo; ampla experiência no leasing de equipamento militar e claro, somos um povo com uma natureza profundamente voluntária.
Julgo chegado o momento para a concretização de um sonho, o “N.R.P. Fénix“. Será provavelmente adicionado ao efectivo da nossa Marinha, talvez já em 2015. Além do nome de baptismo, passe a imodéstia, proponho o indicativo visual. Na amura ler-se-á “ZEE 2115”, numa tripla alusão a quem vai pagar o aluguer (o Zé), ao ano da ultima prestação, e claro à Zona Económica Exclusiva (ZEE). Talvez seja desta… Bem sei que não será um porta-aviões, nem foi construído em Portugal, mas é um principio!
Silêncio
Sagaz e mui honrado senhor, a pulso progrediu. Politico de grande estatura, por ser professor, prestigiado docente, por ser politico, um estadista que fez escola. E que escola! Eleito e reeleito, dado como acabado voltou. Voltou e repetiu. Apelou.
Outrora brilhante investidor, deu garantias, depois calou-se. A neblina caiu e nunca mais se ouviu. Terá sido enganado como nós, ou ajudou à festa? Não retira consequências? Bem sei que não são os estatutos dos Açores, mas nem um gesto? Nada?
São só milhões, bpn e picos, nem 8 mil. Compreende-se. Ou não? Estará de Férias? Doente? Já sei, reflecte enquanto ouve musica:
Com-Fisco ou Sem-Fisco?
Abro o jornal, e ouço falar do BES, do BPN, do BPP.
Mudo de canal e leio… BES, BPN, BPP.
Ligo o rádio (ou telefonia… enfim… ) e o que vejo? BES, BPN, BPP.
No porta moedas apalpo (!) 10.000.000.000. Dez Mil Milhões?!
Começo a ficar baralhado… a sentir… coisas; pronto…
Bom dia também para si. Será bom dia? Dia?
Também anda a morrer gente que eu gosto. Frequentemente.
PS-A imagem imposta aqui, é de contribuição anónima.
A injeção
O plano nacional de vacinação prossegue a todo o vapor. Felizmente há quem pense no bem comum. Estamos em boas mãos, dizem entre eles, uns dos outros. Cortesias de “médico”.
É da nossa saúde que se trata, não da deles. Nitidamente! Os depósitos, os depósitos… não havia um fundo para os garantir? Os postos de trabalho, os postos de trabalho… O que terão estes de especial quando comparados com os dos outros bancos? (Já nem pergunto sobre o desemprego noutras aéreas). Sim, é por todos nós que zelam.
Relembremos o Diagnóstico e plano terapêutico.
Primeiro o banco era sólido e tinha reservas (2kM€). Viva o aumento de capital. Aprove-se o prospecto. Foi um sucesso. Depois, anunciada a saída da família santa, o espírito de brincadeira promove umas travessuras, coisa pouca (+1,7kM€). Impossível de antever. Bom, é aqui entram os profissionais! Adiam, adiam. São contas difíceis, reconheço.
Afinal não é tão sólido. Pois. E agora? Bom, o plano era tão secreto (a bem da estabilidade) que todos os “comentadeiros” ao serviço da causa “eis aquilo que deves pensar” sabiam dele. Seríssimo.
A aritmética, essa, fica para depois. Repito, é da nossa saúde que estamos a tratar.
Finalmente o plano “Novo Banco”. Que bonito. Dinheiros públicos? Nada, quer dizer, um pouquinho, bem, tudo, mas reembolsável. Ah, fico mais descansado. Tratam de mim e nem tenho que pagar. Nem em Cuba!
E o banco mau? Fica com os acionistas, esses malandros. É fofinho não é? Até soa a justo…
Por fim a injeção (4,9kM€) no BOM, no NOVO BANCO, aquele que não tem nada tóxico. Esperem. Alto. Se é bom, se não padece de qualquer enfermidade, porquê a injeção? A minha aritmética é fraca. Ajudem-me se puderem:
2+1,7=3,7
4,9-3,7=1,2…
Engraxador de Xi
Sempre que alguém importante visita a ilha Terceira, o mundo muda. O arquipélago dos Açores é palco de grandes e decisivos instantes. Mercados, ultimatos, mentiras e guerra.
Servir é uma arte, tem o seu mérito. Merece reconhecimento e remuneração à altura. Engraxar não é por certo execpção. Quem não se lembra daquela tarde de 16 de Março de 2003? Curiosidade: Apenas o anfitrião se mantêm no activo. Todos os outros já estão na reforma. Enfim, haja quem possa.
Desta feita a cimeira foi singela. Vindo do Chile, Xi não trazia nitratos, nem viajou num Flying P-Liner. Para o receber, Graxa e tapete vermelho.
Chegou, visitou, conversou e poucas horas depois, partiu. Deixou licenças de navegação a mais de 30 Caravelas Portuguesas. Aparentemente, e desta feita, o mundo não mudou muito. Os sapatos de Xi brilhavam tanto como a testa do engraxador.
MH 666
Desde o inicio da legislatura que os membros do governo e dos órgãos de soberania foram condenados a voar em turística. Duríssimas medidas! Mas esses dias acabaram, essa desprestigiante prática chegou ao fim. Não, o orçamento nem tem folga! É o mercado! Apesar de Adam Smith nunca ter visto um avião, uma vez mais se confirma a valência premonitória deste autor. Brilhante!
Dizia eu “é o mercado”: Pois bem, após o encorajador exemplo da FPF – Federação Portuguesa de Futebol , ao decidir preterir dos serviços da TAP, a lei da oferta e procura ditou novas regras. A Companhia aérea Malaysia Airlines promoveu uma acção comercial junto da Lusofonia. Parece que a fraca procura permitiu uma tarifa absolutamente excepcional em classe executiva. Mais barato que a mais barata das lowcost. Prova provada que deixados a si próprios, os mercados funcionam às mil maravilhas.
Observe-se o exemplo da X Conferência de Chefes de Estado e de Governo (CCEG) da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Os líderes de todos os países membros voaram até a paradisíaca Ilha de Timor leste ao abrigo do acordo da companhia aérea malaia com a Lusofonia. Todos os países marcam presença ao mais alto nível, com excepção de Angola e do Brasil, cujos presidentes recusaram o catering de Kuala Lumpur. Ou então, qual desculpa “Alberto João Jardim“, apenas não querem estar presentes no momento do alargamento desta comunidade, pois não apreciam a língua castelhana. Manias…
Todos os nossos governantes regressarão via Damasco, no voo MH666.











