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Grécia, será que racha?

Eu acho desde o inicio que nem vai nem racha! As negociações sobre a Grécia são confusas, atropelam-se em novidades, em acertos, prolongamentos, indecisões, momentos quentes, negações, ameaças… É um braço de ferro politico! É a Europa a tentar disciplinar um país!

A informação é a toda a hora, e de facto se houve coisa que esta crise em 2008 me fez mudar foi a importância que dou ao imediatismo. Esta urgência dos prazos, este jorrar de informação contraditória, este entendimento seguido de desentendimento, faz com que eu não queira embarcar nesta onda em mar revolto, e fique a olhar para a tempestade a ver a rebentação e à espera que chegue a mim a onda ou acalme para que nela possa mergulhar segura. Toda a informação imediata se desactualiza e nos impede de reflectir sobre ela, porque a seguir vem outra e outra e outra. Para nos ajudar temos opiniões, crónicas e comentadores, que falam em números e pacotes, mas muito pouco naquilo que realmente importa. E assim temos informação, opiniões e conclusões, e não temos que pensar. E o que eu vejo nesta tempestade é um partido de esquerda que ganhou as eleições na Grécia, mas que foi muito mal recebido na Europa. O Syriza, esses loucos da esquerda radical, completamente fanáticos, anti europa e que no final mostraram ser tudo menos radicais, fanáticos e anti europeus. O Tsípras e Varoufakis logo se empenharam em conversar com os parceiros europeus, exporem as suas ideias, num esforço de diálogo e negociações de modo a chegarem a um entendimento. Mas Angela Merkel logo avisou a Grécia.

Desde então o objectivo passou por tentar derrotar todas as possibilidades que poderiam ser levantadas para que o projecto do governo grego fosse a bom porto. Para a União Europeia, a Troika, o FMI, a Alemanha, França, não existem alternativas. A doutrina TINA (There is No Alternative)  propagandeada pelos partidos dominantes e representativa dos interesses da alta burguesia europeia, assegura as transferências da riqueza do trabalho e políticas de ajustamento em programas de austeridade que atacam direitos sociais elementares em toda a Europa, mas principalmente nos países intervencionados. E não há alternativa! Nem democracia, como é lógico! A alternância será o financiamento com o banco dos países BRIC’s (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e com todo o interesse para a o governo da Rússia e para alguns russos. A Grécia terá sempre que pagar o que ficar acordado, nos termos que lhe sejam impostos.

Após o prolongamento do plano de austeridade em Fevereiro por 4 meses, havia que renegociar agora. O Tsípras e o Varoufakis negociaram. E cederam, e cederam, e cederam tanto que o programa proposto é o prolongamento da austeridade. O programa é já visto como pior que o memorando. E afinal onde está o radicalismo? Eu arrisco dizer que as pessoas tendem a assumir uma posição de classe neste processo negocial entre o governo grego e os credores. Para os que vêm futuro na Europa, as negociações entre o governo grego e a Europa foi um sucesso na medida em que a Grécia se possa manter no euro e as medidas negociadas são mais vantajosas que as inicialmente colocadas em cima da mesa, não colocando em causa a estabilidade europeia. Para quem acha que a dignidade de um povo e de um país não tem preço, este suposto acordo atingido é uma clara derrota. O Tsípras falhou, o Varoufakis falhou, e a Europa mostra que independentemente do governo eleito, as políticas entre os países não mudam e a soberania nacional está completamente subjugada no eixo Berlim-Paris, com a conivência dos demais países e independentemente do que seja melhor para o país em questão. O acordo é um falhanço para várias camadas sociais gregas, um claro ataque aos trabalhadores e aos mais desprotegidos, para além do efeito negativo nas lutas sociais e sindicais por toda a Europa. E eu penso que seja por isso mesmo que Tsípras e Varoufakis decidiram referendar o acordo que lhes foi imposto. Tendo ganho as eleições com a promessa de negociação com os credores e o fim da austeridade (dois pressupostos que se vislumbram incompatíveis, porque lá está, não há alternativa), e sendo este acordo, e segundo eles, uma humilhação para o povo grego, decidiram colocar este acordo a referendo, uma vez que em boa verdade, não têm legitimidade democrática para o aplicar. Estou curiosa no entanto, para saber qual será a recomendação de voto do Syriza. Todavia, este é um acto de honestidade e uma declaração de derrota da parte do governo grego. Mas a Europa é anti democrática, e não aceita o referendo, pois não aceita que os credores sejam colocados sob escrutínio popular, até porque a austeridade só pode ser imposta e não referendada. Esta é, no entanto, uma jogada perigosa tanto para o Syriza como para a Europa. Se a Grécia for para eleições antecipadas este ano, vai ao mesmo tempo que Espanha e Portugal. E em Espanha está o Podemos a apelar ao mau comportamento de voto. Tsípras com Pablo Iglésias, fundador do Podemos

A questão é que a Grécia não consegue reembolsar nos termos que lhe são impostos. E o valor moral de pagamento de uma dívida não deve estar acima de tudo, independentemente do custo social do mesmo. Mas no entanto, não é este o pensamento das instituições europeias mediante um país que elegeu um governo que não é do agrado nem da cor das instituições europeias. Por outro lado, a Europa não quer deixar que a dívida seja colocada em causa, nem o seu pagamento nem a sua origem. As dívidas dos países são um negócio para outros países e para muitos investidores e credores, e os interesses estão assegurados pelos tecnocratas no poder dos países europeus. A perda dos investidores, sejam eles a banca, países ou ilustres singulares, é bastante mais importante do que a perda de dignidade de um povo. Repensar a dívida é repensar toda a economia e a estrutura financeira, e isso não seria uma crise, mas uma revolução!

A Grécia vive uma crise humanitária, que foi falada em tempos na comunicação social mas que hoje é silenciada. O desemprego é um flagelo social, com apoios sociais sucessivamente cortados, quase sem direito à saúde. A miséria instalou-se. O novo acordo só vem piorar ainda mais tudo aquilo que aquela gente já sofreu. Há momentos na história decisivos. Há momentos em que se defende a barbárie, e essa é sempre defendida e legitimada por aqueles que também são vítimas, foi sempre assim que se instalou a barbárie e a exploração. Mas há sempre quem se impõe, quem nega, quem luta, quem diz não! Contudo este não é o momento em que os euro-cépticos ganharam a ideia de que a Europa é impossível, e também não é o momento em que os europeístas convictos e bem intencionados caíram do seu sonho de uma Europa democrática e solidária. Este é apenas mais um momento em que se vê que o grande império europeu, criado sob o signo da paz e da cooperação, foi assaltado por uma ideologia ultraliberal que quer legitimar a exploração das pessoas em nome do sacro santo lucro, juro e propriedade. E assim os países do sul tem sido assaltados, com governos tecnocratas obedientes, sem legitimidade democrática para a implantação das medidas de austeridade e sem legitimidade para a expropriação (através de atractivas privatizações a preço de saldo) de empresas públicas e bens públicos e de direitos sociais conquistados. Esta é a conquista das nações e das populações através da dívida.

Mas é em tempos obscuros que a luz da liberdade é acendida e se nega a barbárie e se conquista o futuro. Não sem imensas dificuldades mas com a mais convicta confiança na vitória e no futuro. A transformação só pode ser operada pela mobilização, organização e acção dos trabalhadores, assim como dos desempregados e pensionistas gregos, com a solidariedade de todos os trabalhadores europeus conscientes politicamente do momento actual. O resultado da auditoria cidadã à divida grega espera-se honesto. A origem da dívida deve ser assim apurada e se houver uma parte que seja odiosa não deve ser paga pelo povo que não a contraiu. A dívida deverá ser paga se e quando houver condições para a pagar. Deverá haver coragem para uma profunda transformação das instituições gregas que conduziram à dívida de modo a que mais dívida não seja gerada. Mas também uma profunda transformação nas instituições europeias que fomentaram o apelaram ao endividamento dos Estados em 2008 para salvar a banca e que agora exigem que sejam as populações a pagarem essa dívida. E o Syriza deve manter-se fiel ao povo que o elegeu, sem vaidade nem vitorias pré anunciadas, defendendo os interesses de quem os elegeu e não os interesses dos que se sentam do outro lado da mesa.

Alegoria da Caserna

Imaginemos fronteiras bem definidas separando o mundo externo e uma caserna. Na caserna existe uma fresta por onde passa um feixe de luz exterior. No interior da caserna permanecem seres humanos, que nasceram fora dela e foram trazidos até ali. Ali perderam independência e reforçaram interdependência.

Na caserna o todos fundiu-se em uno apesar de nas camaratas existirem beliches de 3x ou mais níveis. Ali permanecem dispostos de costas para a entrada, acorrentados com austeridade, sem poder mover-se, forçados a olhar somente a parede do fundo da caverna, onde são projetadas sombras de outros homens que, além fronteiras, mantêm acesa uma fogueira. Pelas paredes da caverna também ecoam os sons que vêm de fora, de modo que os internos, associando-os, com certa razão, às sombras, pensam ser eles as falas das mesmas.

Desse modo, os internos julgam que essas sombras sejam a realidade. Imagine que um dos internos seja libertado e, aos poucos, se vá movendo e avance na direcção da fronteira e a recorte, separando-se do todo, enfrentando com dificuldade os obstáculos que encontre e saia da caserna, descobrindo não apenas que as sombras eram feitas por homens como eles. Descobriu também que as meras “projecções” não definiam a verdadeira forma das coisas que eram agora acompanhados de cores, formas e luz assim como a natureza. Caso ele decida voltar à caverna para revelar aos seus antigos companheiros a situação extremamente enganosa em que se encontram correrá sérios riscos, desde o simples ser ignorado até, caso consigam, ser agarrado e morto por eles, que o tomarão por louco e inventor de mentiras.

Para os internos a morte do aventureiro incauto será mais conveniente e apaziguadora do que, ao longo das suas visitas frequentes, constatar a sua saúde, vitalidade e verdadeira realidade.

A Alegoria da Caverna

PS – esta é uma derivação do texto original disponível em artigo na Wikipedia

Exportemos

exportemos
O desemprego deverá baixar em breve uma vez que as oportunidades além-fronteiras não param de aumentar. Desta feita, foi a vez de um dos mais tolerantes países do mundo apelar às aptidões dos portugueses. É certo que o anúncio não refere a nacionalidade, mas a lusitanidade está subliminarmente implícita. Esta terra de oportunidades e inclusão é nada mais nada menos que a próspera Arábia Saudita. Mas qual é a função? Carrasco. Para já, são apenas oito vagas, mas a entidade patronal prevê o aumento da necessidade, pelo que é emprego com futuro. Nos dias de menor demanda na função maior, poderão os contratados exercitar outras técnicas menos definitivas, como decepar membros a ladrões.

Se o leitor está já a pensar que vou apontar os actuais ou os ex-governantes para o lugar de carrascos nas Arábias, engana-se. É certo que temos tido matadores brilhantes, mas esses têm outras ambições. Se pensa que me vou referir aos “animadores” de alguma celebração recente, ou a algum subcomissário mais impulsivo, lamento, mas vou gorar essa expectativa. Não, nenhum dos anteriores detém a aptidão necessária. Também não vou sugerir os gestores públicos ou privados, nem os pilotos de aviação civil ou os dirigentes sindicais. Negativo. A base de recrutamento é bastante mais alargada, menos exclusiva. Então quem são os mais aptos e virtuosos candidatos a carrascos das arábias? São os eleitores abstencionistas! São eles, que na sua busca do voto convicto, na sua procura por gente séria que mereça o seu voto, na sua ânsia pela verdade e pela justiça, na sua espera pelo messias, não votam, ficam em casa. Imaculadas as consciências de quem nunca votou em ladrões. É assim que nada muda. Aqueles que gostavam de votar por convicção e que por (reconheço) ausência de opção válida, não votam, oferecem o poder da decisão aos outros, aqueles que votam por puro e pragmático interesse. É assim que os abstencionistas executam a nossa democracia. Exportemos a espécie para as Arábias! É a “democracia” mais admirada entre nós, pois há liberdade de consumir sem obrigatoriedade de votar, esse nefasto, maçador e inconsequente acto. É por isso que cada vez mais gostamos da União Europeia e das suas instituições – Quem manda não é eleito.

Ouça cá, sabe quem eu sou?

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Nação quase milenar, valente quanto baste, fazemos da contradição a regra. Não obstante, desta feita a coerência foi total. Decididamente, somos contra as listas VIP. Seja qual for o contexto, abominamos a soberba. Distinto ou plebeu, com ou sem pedigree, estimamos a mais rigorosa observação dos protocolos. Pelos outros claro!

Ficámos ontem a saber que há quinze dias, bárbaros do norte, ousaram barrar a entrada a um dos nossos. Concretamente a uma das nossas Ministras Plenipotenciárias, e logo de 1ª classe. Não se admite! Uma desconsideração destas não pode ficar impune. Por certo que o responsável da tutela vai protestar, pedir satisfações e exigir um pedido formal de desculpa! Nem mesmo a abundância nos cofres lá do sítio os salvaguardará de um valente puxão de orelhas. Pelo menos vão aprender a receber condignamente. Selvagens, explicam o sucedido de forma leviana – Parece que o evento requeria inscrição prévia. Um absurdo. Nem o Núncio Apostólico lhes perdoaria tal ousadia. Bem esteve a nossa chefe de legação. Sem se deixar beliscar pela arrogância do subalterno que lhe barrou a entrada (por alegadamente não constar da lista), actuou de acordo como situação requeria, proferiu com a altivez a elegantíssima frase: “Ouça cá, sabe quem eu sou?“. Haja classe.

Cofres Atestados

Os cofres estão atestados, mas de quê? Com Diamantes? De barras Ouro? De lingotes de Prata? Não. Então? De Euros, de dinheiro! Mas como, fabricámos? Não, não podemos. As impressoras foram desligadas quando aderimos ao Euro. Mas porquê, estavam velhas? Estavam, mas não foi por isso. Foi por causa da inflação, esse perigoso flagelo, tão justamente temido pelos nossos amigos alemães. Está explicado. Não se cria moeda e pronto. Muito bem, haja rigor, haja disciplina. E a Criação monetária pelo Sistema de Reserva Fraccionada? Isso são contos para crianças, um não-assunto, uma palermice. Esclarecidos? Óptimo.

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Estamos preparados, estamos aptos para resistir a qualquer investida especulativa sobre a nossa divida soberana. O dinheiro ficará nos cofres para cumprir todas as obrigações a tempo e horas, sem falhas. Nessa altura voltam a ficar vazios? Não, se os juros se mantiverem baixos, não. E se subirem? Não sobem porque o BCE não deixa. Podemos ficar descansados. Tranquilidade é a palavra de ordem. O problema nunca foi a divida, essa está boa e recomenda-se, o problema foi a falta de liquidez, a falta de guito. Havendo, está tudo bem, mesmo que se queime algum, está tudo bem, é apenas dinheiro.

Não sei explicar, mas enquanto escrevo isto, não consigo deixar de pensar no principio dos vasos comunicantes. Provavelmente estou só a meter água.

furnalha

A Sucessão

Cartaz

Cedo ou tarde em cada reinado, surge a questão da sucessão. Quando o soberano não tem filho varão, isto é, herdeiro natural, procura designar em vida o seu sucessor. É saudável que assim seja. O nosso bom e velho reino não é excepção à regra. A sofisticação do sec XXI permite-nos encarar estes problemas com optimismo. Vantagens da democracia. Já ninguém se lembra o que foi o absolutismo. Nenhum povo vive hoje oprimido na Europa. Soberanos há que até conseguem tornar obsoleto o acto de votar. A elevada abstenção está ai para o provar. Votar é até uma maçada, um aborrecimento, um dia perdido com um acto inconsequente.

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Bons monarcas reforçam esta convicção abstencionista. É o caso do “nosso”. Com empenho e dedicação, muito trabalho e afinco conseguiu de facto preparar toda uma população para viver sem soberano. A sua acção, sempre discreta, oferece essa garantia a todos os seus súbitos. Não há altruísmo maior do que o rei que voluntariamente se torna irrelevante. É a prova maior de emancipação do seu povo.

Ao contrário de alguns (não muitos), vi com bons olhos o traçar do perfil para o novo monarca. Sim, acho útil e subscrevo a teoria do “mais do mesmo”. Bem sei que pode parecer que o actual monarca tem preferidos entre os seus súbitos, mas tenho a firme convicção que a todos nos ama por igual. E o contrário também é verdade, nós amamos o nosso soberano e respectiva consorte. Todos.

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Lassie

Provavelmente o mais ternurento filme de todos os tempos, Lassie foi lançado em Technicolor pela Metro-Goldwyn-Mayer em 1943. Relata a história da amizade entre uma criança e uma cadela de raça Rough Collie. Na verdade era um cão travestido de cadela, de seu nome “amigo“. A acção desenrola-se em Baden-Württemberg, na casa da humilde mas mui séria família Schäuble. As dificuldades financeiras criadas pela crise obrigaram a família à mais dura medida de austeridade: vender o seu adorado animal de estimação. Foi um rude golpe para o mais jovem membro da família, o pequeno Wolfgang. O swap foi concretizado com o nobre Duque.

O novo dono nutria grande admiração pelo animal, mas não o mesmo afecto. Mantinha-a em cativeiro, presa no canil. Felizmente, a amizade foi sempre mais forte que o cativeiro. Lassie fugia regularmente para se encontrar com o pequeno Wolfgang à saída da escola. Escusado será dizer que estas manifestações de afecto não colhiam a simpatia do nobre Duque, o qual decidiu cortar o mal pela raiz. Enviou a Lassie para longe, para sua propriedade na região de Hamburgo. Contudo, a distancia e a saudade não matou a amizade.

Obstinada, Lassie percorreu milhares de quilómetros, passou fome, superou tempestades e até pessoas más, mas consegui regressar a casa. Nunca nenhum outro canino revelou tão apurado faro, tão determinado empenho, nem tão cega dedicação a seu dono. Uma enternecedora história de amor.

lassie

Detox Grego – Jogo limpo

Drug DetoxDe um lado temos os dealers que tentam proteger o valor de mercado do seu produto, do outro temos os toxicodependentes que decidiram iniciar um programa de desintoxicação. Uns querem continuar a emprestar e a decidir como deve ser gasto, outros querem continuar a receber empréstimos e passar a ter autonomia de decisão no seu gasto. Meus amigos, assim não vamos lá!

Permitam-me que me apresente. Nuno Faria, humilde benemérito mediador de imbróglios pessoais, nacionais e/ou internacionais. Apesar da magnitude da dívida este é um problema muito simples que pode ser resolvido com o habitual exercício de nos colocarmos nos sapatos dos outros para vermos a situação com outros olhos.

Utilizando uma simples metáfora circense o cenário é simples.

O Circo está montado!

O palhaço rico montou a sua grande tenda na Grécia, há cerca de 5 anos, emprestando dinheiro a jorros em troca, não apenas dos juros devidos, como do segurar firmemente as rédeas da governação. Foi como o alugar de um país inteiro para produzir um espectáculo circense assente em performances experimentais. Que quer manter em exibição por tempo indeterminado.

sad clown design by dmrottenPor sua vez o palhaço pobre, farto de tantos anos de austeridade, decide que é altura de mudar. Banir de vez este circo vampírico que ao invés de manter a alegria do seu povo lhe sugou toda a vitalidade e razões de viver. Com uma condição: o circo vai-se, libertando as rédeas da governação,  mas os empréstimos continuam se faz favor.

Como é perceptível as posições não são de todo compatíveis. Por um lado o rico não quer emprestar ao pobre se este deixa de estar alinhado com as suas orientações. Por outro o pobre não quer dar ouvidos às orientações do rico mas quer que este abra mão do seu dinheiro.

A solução? Porque não ser fiel à palavra ‘desintoxicação’ e aplicar uma mistura de privação e metadona? O rico seria privado do pagamento dos juros de empréstimos passados por período idêntico aquele em que teve grande influência sobre a governação da casa do pobre. O pobre seria privado de empréstimos por parte do rico durante esse mesmo período. Os montantes libertos não são suficientes para governação? Então seja autorizado o uso de metadona.

A Grécia teria assim esta legislatura para voltar a servir de laboratório, talvez mais arriscada, em que o próprio cientista se utiliza como cobaia. No final seriam avaliados os resultados. Em caso de sucesso na recuperação económica teríamos um novo case study de políticas e medidas de sucesso alternativas ao actual rumo de austeridade. Em caso de fracasso a Grécia teria de sucumbir às evidências da ressaca e submeter-se aos caprichos do rico que aparentemente teria toda a razão no formato da sua ajuda.

O irónico é que temos de um lado um palhaço, pobre e desesperado, disposto a arriscar tudo para encontrar a fórmula de sucesso. Do outro temos um palhaço, rico e abastado, temente do potencial sucesso de qualquer receita de tratamento que trilhe caminhos diferentes dos por si apontados.

Fico mesmo sem saber qual dos dois precisa de maior ajuda e atenção.

Felizmente, tal como todos os Europeus, eu tenho duas mãos.

Drug Detox – Alcohol, Opioid, Nicotine Detoxification

A ajuda de Xerxes

Trinta e dois súbitos apelaram ao Rei Xerxes por mais simpatia para com a Grécia. Soberano, Xerxes explicou o equívoco. Esclareceu os ignorantes que o Império Aqueménida é aquele que mais ajuda a Grécia. O esforço do império em prol dos gregos é em termos relativos o maior do mundo. Magnânimo, encerrou o assunto. Eis demonstrada a vantagem de quem tem acesso privilegiado à informação e ao saber. Infalível!

Ou não? Terá Xerxes cometido um erro? Uma não-verdade? Aposto que não. Por certo que a explicação existe. Humildemente, lanço o meu apelo: Ó grande Xerxes, tu que tanto tens reformado o estado, tu que estabeleceste os limites, tu que nunca nos mentiste, esclarece-nos com o teu conto para adultos.

xerxes

Syriza in your dreams

A Grécia chegou ao ponto em que para os eleitores o medo do conhecido suplanta o medo do desconhecido. São os novos descobrimentos, o desbravar de novas vias políticas e sociais mesmo que sob ameça das terríveis e mitológicas consequências que habitam nessas paragens.

Oh, que povo esse, capaz de se lançar ao sabor dos ventos, preparado para lutar e dobrar o austero cabo das tormentas! Haverá, ou terá alguma vez havido, no mundo, outro povo assim? Há quem diga que sim. Pessoalmente creio que não. Não passam de lendas, nada mais do que lendas.

Desde os tempos de Esparta que não se via tamanha valentia e fibra guerreira no povo Grego, que se revela maioritariamente Charlie, protegendo a sua democracia da melhor forma possível, penalizando aqueles que os conduziram ao seu presente estado de desgraça.

Tiro-lhes o chapéu. Hoje os grandes jokers Europeus engolem em seco perante tamanho ás de trunfo. Agendem-se as calendas pois inevitavelmente a Grécia torna-se hoje um imenso cavalo de Troia que forçará a negociação de um novo cenário que agrade a Gregos e a Troikanos.

Keith Thompson Art - Trojan Horse