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Bad Hombres

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Ao contrário da generalidade dos políticos após eleição, o novo inquilino da Casa Branca tem vindo a concretizar as suas promessas eleitorais. Tomar posse e fazer (mesmo!) aquilo que disse em campanha pode ser estranho! É até suspeito! Os eleitores são tolerantes com as contundências do combate eleitoral, relativizam as promessas mais radicais, mais definitivas. Quando, para espanto, o absurdo dá origem ao decreto, o eleitor perde-se entre o pasmo e a estupefacção. Incrédulo, poderá até sentir-se traído. Não era suposto passar de uma promessa vã.

Eis como a mais pura idiotice passa a realidade com o beneplácito dos eleitores. Uns apoiam, estão radiantes, partilham as convicções do eleito. Os outros, coitados, validaram a excentricidade porque tinha piada, avalizaram o espalhafatoso porque não lhes parecia provável e agora perante o rigor e a verdade, recuam, desculpam-se, dizem que não levaram as ameaças a sério. Inocentes, pensaram que era só campanha. Enganaram-se! Alguns queriam vingar-se dos politicos, vulgo “trama-los”, eleger alguém à margem do politicamente correcto para os penalizar pelas promessas não compridas, mas agora, a cada dia parece mais claro que o eleitor castigador é o verdadeiro castigado. A esta causa, a do castigo, aderiram também os abstencionistas, essa massa convicta na revolta do amuo.

Era campanha… Era? Não creio! Tudo aponta para que seja todo um mandato em campanha eleitoral, desta feita global. A digressão vai começar pelo vizinho a sul, o populoso México. Entre a ajuda e a ameaça, a cavalaria avança em perseguição dos homens maus.

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Regimento

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Vivemos o mito da construção europeia como virtuosa obra de salvaguarda do nosso modo de vida, um escudo civilizacional, uma garantia contra a globalização, a ameaça aparentemente oriunda de um local remoto e longínquo. Quem terão sido os precursores da globalização? Fomos nós no século XV, iniciativa portuguesa que posteriormente foi partilhada pelas demais nações do velho continente. Chamava-se então colonialismo. A europa unida como resposta face os riscos da globalização é uma pueril inevitabilidade que apenas procura esconder o seu propósito não democrático. Totalitário até. Qual regime autoritário, nacionalismo sem nação e internacional da normalização rumo à extinção das identidades nacionais para dar lugar ao tal ideal europeu.

Se por um lado, as instituições da união pouco têm de representativo, por outro, as populações distanciam-se. Em qualquer estado membro, a abstenção é superior a 50% em eleições europeias. Esta alienação é cúmplice (e vítima) do processo de menorização dos cidadãos. Quanto menos nos interessamos, mais nos é ocultado pela encenação democrática.

O parlamento europeu é o centro dessa dissimulação do projecto totalitário. Contudo, os únicos representantes democraticamente eleitos, os deputados europeus, disponham ainda de alguns expedientes que importunavam a sacrossanta construção europeia. Foi por isso revisto o regimento, i.e. as regras de funcionamento do parlamento europeu. Apresentado o relatório, as alterações foram aprovadas com discrição. A mudança limita a acção individual, impondo a disciplina de voto na lógica de cada grupo parlamentar. Desresponsabiliza a acção de cada deputado, suprindo a capacidade dos eleitores avaliarem a sua conduta e assim facilitar a aprovação de legislação sem qualquer tipo de escrutínio. Subalterniza ainda a democracia dos estados membros aos resultados eleitorais de apenas dois países, a França e a Alemanha. União? Não! Submissão.

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Titanic 2

Promovida como embarcação inafundável, a candidatura que se propôs levar a bom porto aquela que seria a primeira mulher presidente dos Estados Unidos da América, naufragou pela segunda vez. A gélida realidade democrática, o iceberg da vontade das gentes comuns deixou mais uma vez o apaixonado casal aquém do destino.

Parece que o mundo inteiro insulta os votantes, que coitados sem culpa exerceram o seu direito de acordo com o critério que muito bem entenderam, pois mesmo que tenha sido sem pensar, foi legitimo. Ilegitimo é o nosso palpite, mesmo que a isso tenhamos sido sugestionados por semanas de intoxicação mediática. Indignamo-nos quando Herr Schäuble disserta sobre a nossa democracia, negamos-lhe o seu direito de preferência, mas não nos coibimos de exibir o nosso. Logo nós que por várias vezes elegemos tão sórdidos e tristes figurões, e não contentes, tratámos de reeleger alguns deles.

O ridículo é noção vaga e distante, sobretudo quando invocamos temores quanto ao futuro do mundo. Tantos que vejo e ouço hoje afirmar que este desfecho será terrível, será horrível, mas esquecem, ou não sabem apontar a razão concreta, para além da antipatia, que aliás partilho. Contudo, uma guerra travada sem ideias, centrada em emoções, por mais visceral e brutal que tenha sido, e foi, nada nos disse sobre as verdadeiras intenções ou planos. De parte a parte, diga-se. Tenho dificuldade em compreender o porquê de tanta preocupação, de tanto drama. Não é que subestime a estupidez humana, simplesmente não creio que outro resultado o evitaria.

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Nobel do Orçamento

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Longa foi a espera, semanas de grande expectativa, inquietação e até alguma ansiedade, mas a Academia Sueca lá divulgou finalmente o novo prémio Nobel do Orçamento. Anunciado o vencedor, de imediato se intensificou a polémica e se extremaram posições entre apoiantes e oponentes. Os críticos atacaram a obra do artista, os fãs enalteceram. Será Literatura? Prosa não é certamente e a poesia, segundo sei, nem sempre é assim. Uma coisa é certa, presta-se a todo o tipo de ambiguidade e a muito pouca certeza.

Em rigor é uma obra incomparável – O Orçamento não é comparável com nenhum dos que o precedeu. Todas as generalizações viáveis, toda a especulação possível, todas as interpretações sustentáveis à luz deste ou daquele detalhe, subtil ou abrupto. Compreender o seu verdadeiro impacto é um exercício de sensibilidade, logo, absolutamente subjectivo. Talvez por isso me incline para a poesia. Deve ser isso que o galardoado documento é, poesia.

Bob Centeno, poeta de fraquíssimos dotes vocais, mas cujo virtuosismo como instrumentista muito tem surpreendido, lá conseguiu dar-nos música, uma melodia manifestamente banal, mas suficientemente harmoniosa para conjugar os graves acordes de Guitarra requeridos pelos parceiros da banda “a geringonça”, com as notas de Harmónica (vulgo Gaita-de-Beiços) tão agudas quanto o exigido pela Europa. Não é de direita, também não é de esquerda, nem de centro. Nem sim, nem não, antes pelo contrário. É um Orçamento de protectorado. Deixámos de ser uma província submissa, obediente e periférica para passarmos a ser uma região quase autónoma, paralisada e dependente.

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Exterminador Implacável

O “Exterminador Implacável” foi o filme inaugural desta popular saga cinematográfica, uma premonitória visão de um futuro dominado pela tecnologia e onde as viagens no tempo serão (finalmente!) possíveis. Esta civilização das máquinas não temerá quaisquer consequências metafísicas e decidirá alterar o seu presente, manipulando o passado. Enviará um robô humanóide, modelo T-800, vindo do futuro para assassinar o messias salvador da espécie humana. Inigualável e apaixonante narrativa, potenciada pelos sentimentos ambivalentes que este primeiro exterminador provoca na classe média.

Viajar no tempo – Imaginem! Voltar atrás no tempo e alterar o sentido do voto. Não seria bom? Pessoalmente, poupar-me-ia ao desconforto da viagem, pois todo o meu percurso de eleitor é composto por derrotas. Nunca contribui para qualquer vitória eleitoral. Tenho especial orgulho nisso, jamais me abstive e nunca votei em quem ganhou. Estou de consciência tranquila. Por outro lado, sabendo o que sei hoje, talvez pudesse voltar atrás no tempo para votar pela negativa. Se o meu voto é como uma sentença de fracasso eleitoral, poderia regressar para influenciar os resultados, negando com o meu voto a possibilidade de vitória a quem nos tramou. Que bom seria, mas não sendo hoje possível, adiante, que o assunto agora é um filme com muitas explosões. Onde é que eu ia? Ah, sim, o desfecho: depois de eleito e reeleito, o implacável robot foi perdendo o revestimento humano, pack após pack, desnudado até ao chassis, foi detido, perdeu as pernas e caiu no vil metal fundido. Assim terminou este episódio da saga…

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Looney Tunes

Costumavam ser duas épocas bem distintas, demarcadas por fronteiras muito nítidas, mas distinguir a Silly Season da Rentrée Politica é cada vez mais difícil. A tradição já não é o que era. Vulgarizámos o disparate ou baixámos a exigência? Estou inclinado para a segunda: Depois das viagens para assistir a jogos de futebol (oferecidas por quem não devia a quem não as podia aceitar), depois de revelado o acesso da Administração Tributária a algumas contas bancárias e após as inovadoras alterações ao Imposto Municipal sobre Imóveis, julgámos esgotado o estado de graça do actual executivo, mas não, o indulto parece garantido. Porque será? Será magia? Qual o segredo?

Nem magia nem segredo, simplesmente não existe qualquer oposição, apenas pretendentes, bonecos que a cada instante vaticinam a desgraça colectiva. Ignoram, coitados, que os seus planos de emboscada estão para a realidade como a pretensão do Coiote apanhar o Bip-Bip está para a fantasia. Por mais infalível a armadilha, o resultado é sempre o mesmo, isto é, nenhum. Seria até divertido se não fosse tão trágico. Nada pior do que não existir alternativa.

Retemperadas as mentes e reconfortados os espíritos, as personagens desta série de aventuras estão aptas a novas estórias de tragédia e gargalhada, humor negro do melhor que o mundo conheceu. Os protagonistas dos Looney Tunes lusitanos, a saber, António Sylvester Costa, Jerónimo Daffy Sousa, Margarida Tweety Martins, Pedro Bugs Coelho e Assunção Lola Cristas, aguardam, a partir de amanhã, a chegada do seu companheiro de aventuras, o Diabo da Tasmânia.

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Meninos do Coro

Na terra dos bravos, que é também a casa dos livres, realizar-se-ão eleições presidenciais lá mais para o fim do ano, a meio do Outono, no dia em que entre outras efemérides comemorar-se-ão os 585 anos do nascimento de Vlad III, o empalador, concretamente a 8 de Novembro. Coincidência? Talvez, mas uma coisa é certa, será uma data prometedora, um dia importantíssimo, um momento decisivo para toda a humanidade.

A maior economia do mundo vai a votos. Elegerá o humano mais poderoso do planeta. Até hoje foi sempre um homem, mas desta feita e pela primeira vez poderá ser uma senhora, ela própria mulher de um ex-presidente, o maroto Bill… É por isso conotada com o sistema, com o status quo. Do outro lado da barricada, o enfant terrible, o “não-alinhado”, o populista e contundente magnata com nome de pato.

Será uma disputa entre o calculismo cínico e a ignorância exacerbada, um concurso do quanto pior melhor. Um nítido reflexo da capacidade cognitiva dos eleitores e não dos candidatos. A anestesia do consumismo obriga a campanhas baseadas em propostas de choque, em ideias que despertam atenção, por mais estúpidas, absurdas ou contraditórias que possam ser. Resultam. Se assim não for, ninguém comparece para votar. É a sociedade dos temas fracturantes, que nada mudam, mas que mascaram uma realidade simples: a globalização não favoreceu a população de nenhum país. Clama-se por mudança. Não se sabe bem para quê, mas por todo o mundo os eleitores procuram alternativas. Eis a oportunidade, a contingência que os meninos do coro souberam sempre explorar e aproveitar – a ilusão de mudança.

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Dão-se Alvíssaras

A detalhada, profunda e rigorosa investigação jornalística ao denominado “escândalo” dos “Panamá Papers” decorre com normalidade. Pelo menos até prova em contrário… Aguardemos, afinal, se chegámos ao Verão sem novidades de relevo, podemos perfeitamente esperar mais uns tempos. Pelo menos até à mudança da estação. Por certo que mais dia, menos dia, mais semana menos mês, importantes conclusões serão noticiadas, sem precipitações ou sensacionalismos, como é salutar! Entre nós não há acusações infundadas, nem processos de intenção, nem pensar. Credo! Tanto Pokémon para caçar, tanto disparate para noticiar, porquê antecipar?

Decididamente, não há pressa. A curiosidade inicial perdeu-se, dispersou-se por outros temas, é verdade, mas pelo sim, pelo não, ou na falta de motivo válido, talvez por palermice e infantilidade, possamos, quiçá, lançar uma campanha lá para o Natal, um apelo aos investigadores para emergirem, respirarem um pouco de ar puro e connosco partilharem o fardo, o tenebroso peso do conhecimento à tanto tempo sob reserva. Aqui deixo a ideia, dêem-se alvíssaras a quem conseguir fazer chegar alguma informação, por pouca ou escassa que seja, ao Ministério Público.

A menos que tudo não tenha passado de um embuste, de um truque de entretenimento, um falso escape à indignação com a liberdade oferecida aos capitais. Será? Façamos o teste, analisemos o que mudou desde então, desde do momento em que estoirou a bronca, o dia da revelação! Há legislação nova? Novos meios ao dispor das autoridades, ou está tudo na mesma? Também aí se dão alvíssaras! Alguém nos diga qual foi a evolução.

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Aldeia Cósmica

Partiu de Cabo Canaveral a bordo de um potente foguetão Atlas V. Após quase 5 anos de viagem, a sonda Juno chegou finalmente à orbita do gigante gasoso, o Planeta Júpiter. O maior planeta do sistema solar e nosso maior protector, recebeu a sonda Juno com um estrondoso e arrepiante rosnar – O som do vento solar ao chocar com a magnetosfera de Júpiter, segundo explicaram os cientistas. Prodigioso! A nossa “cobertura de rede” alarga no Cosmos. Parece que lentamente a ficção cientifica se vai transformando em realidade do quotidiano. Vivemos tempos extraordinários, presenciamos momentos únicos da história da nossa espécie. O Cosmos é o nosso novo horizonte.

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De volta à Terra, constatamos que apesar da nacionalidade norte-americana da sonda Juno, é à União Europeia que cabe liderar o planeta. É verdade, apenas a comissão europeia e apenas ela parece ter acesso aos grandes líderes da galáxia, quiçá do universo, e com eles pode até trocar ideias sobre os mais mundanos dos temas, como sejam as eventuais sanções aos modestos países Ibéricos, ou sobre o divórcio do Reino Unido da União Europeia. Para o provar, Jean Claude Juncker afirmou ontem que os líderes de vários planetas lhe manifestaram profunda preocupação com as consequências do brexit.

Os mal-intencionados dizem hoje que se tratou de um lapso, um eventual resultado da inabalável crença do presidente da comissão europeia nas propriedades hidratantes da bebida tradicional da Caledónia, mas eu discordo. Acredito que ele está mesmo em contacto, ligado ao mais alto nível da liderança cósmica…

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Laivo de Clarividência

Nem sempre é nítido o contraste entre o absurdo e o óbvio. Vivemos tempos estranhos. Apenas o viral é real. Tudo o mais não existe. O virtual até já impõe agenda aos media, mas grosso modo prevalece o princípio da exclusividade absoluta da verdade: a televisiva. Se o noticiário não relatou não aconteceu.

Exposto o abstracto, vamos ao concreto. O exemplo: Num laivo de clarividência, o presidente da comissão europeia, o homem da terra da competitividade fiscal, o luxemburguês Jean-Claude Juncker disse ontem o óbvio! Por cá não passou, pois foi dia de propaganda sobre avisos e críticas à soberania lusitana, logo não houve espaço mediático. Assim se vende em permanência a ideia que nós, entregues a nós próprios, só fazemos asneiras. Resumindo, em dia de divulgação de ameaças, esqueceram-se de nos informar sobre as palavras de Junker. Que disse ele? Que a União Europeia (imagine-se!) errou. Reconheceu que a legislação Europeia é excessivamente intrusiva, que interfere demasiado nos processos legislativos nacionais dos países membros e que por essa razão os cidadãos se afastam cada vez mais do ideal europeu.

Este recado para britânicos, em nítido contraste com a mensagem que ontem nos estava destinada, é tão lúcido como verdadeiro. Traduz a percepção crescente entre os europeus, de um extremo ao outro do campo ideológico. Seja a extrema-direita de leste ou a extrema-esquerda dos periféricos, ninguém quer ser europeu deixando de ser aquilo que nasceu, cidadão do seu país. União não é, não pode nem será, uniformização. Ninguém a quer!

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