De “Made in China” a “Own by China”
Natal que é Natal não passa sem o facilitismo / pechincha da aquisição de qualquer coisa Made in China. A China há muito que é considerada a fábrica do mundo com o seu atractivo baixo custo numerário em detrimento de um alto custo social e humano. Felizmente, nos tempos mais recentes, as coisas têm vindo a melhorar graças a ONGs que denunciam e pressionam governos, marcas e fabricantes.
Só que o mundo está a mudar rapidamente e os eventos sucedem-se, ou conhecem-se, de forma impressionante. A China, anteriormente vista como um sistema fechado, virado para dentro, encontra-se há algum tempo em expansão contínua de forma subtil. Conquistadora de recursos naturais, marcadora de terreno político, construtora de armas dissuasoras, prepara-se para o assumir de um papel mais activo e preponderante a nível mundial.
Por cá os investimentos sucedem-se, nas ruas vencem claramente o jogo do monopólio da vida real. É impressionante a densidade de lojas chinesas, em detrimento dos pequenos comerciantes que desaparecem em catadupa. A ideia generalizada é a de que a concorrência e as leis do mercado assim o ditam. Os clientes querem barato sendo o preço o seu principal factor de escolha. As lojas chinesas conseguiram criar uma imagem de marca do ter tudo barato a qualidade aceitável captando com isso a preferência de muitos portugueses que fazem compras na onda do desenrasca.
No entanto é ténue a fronteira entre uma imagem e uma ilusão. Senti-o na pele ao comprar uma panela de tamanho XL. Desloquei-me à loja chinesa mais perto, encontrei uma a 20 € e comprei-a sem pensar muito nisso. Na semana seguinte passo num hipermercado e a mesma panela lá estava por 9,99 €! Posteriormente acompanhei colegas a lojas do chinês, com olhar atento, reparando que os preços das roupas estão ao nível das lojas de marcas mais conhecidas dos centros comerciais. Com notória menor qualidade!
Especulo que depois da extinção da concorrência começam a confortavelmente dominar a distribuição local pelo que, beneficiando de diminuição, ou aniquilação, de concorrência, de uma percepção global de qualidade qb e barato, podem agora começar a subir preços testando o limite do suportável pelo cliente. Sendo Portugal hoje em dia considerado por muitas marcas e entidades um laboratório de teste a novos produtos, novas políticas, novas metodologias, temo que também aqui estejamos a ser um bom laboratório de uma ‘invasão’ comercial. Não temos por cá uma típica Chinatown, como acontece noutros países, mas começamos a ser um imenso Chinamarket, acelerador da destruição dos pequenos estabelecimentos de comércio local especializado.
Podemos por exemplo olhar para a nossa tão querida Angola, a fim de um rápido balanço entre o ying e o yang e ponderar que tipo e intensidade de relação queremos com uma futuramente muito mais poderosa China. Porque quanto mais Own by China sejamos menos margem de manobra teremos para qualquer tipo de negociação relativamente a política externa e economia interna.
Como agravante temos ainda o facto dos nossos decisores políticos serem famosos por pensar a um nível de profundidade equivalente ao do seu umbigo, sendo presa fácil para os decisores chineses que são de tal forma estrategos e visionários, em defesa dos seus interesses, que se apossaram até do substantivo “paciência”.
Pré-aviso de que não bastará uma certa serenidade espiritual para os convencer das nossas boas intenções.
Número Primo
Quando factos são infâmias, quando tantos são poucos para tamanha responsabilidade, constatamos que afinal qualquer um de nós poderia tomar posse como administrador bancário. Parece que no fundo ninguém sabe de nada. Há até quem afirme que entra mudo e sai calado. Aposto que assinou presenças e actas.
Nem a densa nomenclatura financeira permite disfarçar o nanismo do regulador. Não é por certo a quantificação anglo-saxónica que o faz pequeno! Já a divulgação de documentação a conta-gotas (e em função das necessidades) demonstra quão defensiva tem sido a postura. Compreende-se, é como regular bolhas de sabão.
Mais uma que rebentou. Uns queixam-se da falta de tempo, outros acusam quem se queixa. Será criptografia baseada na Teoria dos Números? Será a chave assimétrica? Existirá chave publica? Não. Felizmente que não. É bem mais simples. Desta feita a comissão parlamentar vai mesmo esclarecer tudo devidamente. Todos ficaremos abundantemente esclarecidos. Como então? Bom, tal como Euclides demonstrou há mais de mil anos, estamos perante um Número Primo. Tão só e apenas. Sem ele, a bolha não teria rebentado. É que tempo é dinheiro…
RTP – Rádio e Televisão, Pá
Primeiro era para vender tudo. Depois era para vender só um canal. Afinal nada venderam. Que fazer pensou então aquele cuja força anímica já escasseava. Inovou. Foi pioneiro, foi recrutar ao sector das cervejas e refrigerantes. E assim ficou. Contrato de concessão do serviço público e tudo. Porreiro, sem pá, porque a expressão completa já teve melhores dias. Entretanto a força anímica esgotou-se. Pediu substituição, casou e retemperou no Brasil. Fez bem. A nova administração ficou.
E depois? Foi melhor, foi muito melhor. A vantagem mais evidente à época foi o percurso académico do substituto. Porreiro. Tomou pose. Que fazer? Uma vez que não se pode vender, porque o irrevogável não deixa, vamos despolitizar a concessionária. Excelente. Quando se tem estudos é outra coisa! Conselho Geral, assim se chamou, mas pelo sim pelo não, não fossem os menos instruídos questionar, acrescentaram “Independente”. Um pouco de redundância não assusta os académicos. Porreiro, sempre sem pá. Convidem-se as pessoas e a alta autoridade que se prenuncie. Chega a ser comovente ver as instituições a funcionar regularmente.
Qual a missão do dito CGI? Claro e conciso: “supervisionar e fiscalizar a acção do Conselho de Administração”. Outra importante tarefa deste despolitizado Conselho é o de emitir pareceres sobre “a criação de novos serviços de programas (…) ou alterações significativas aos serviços de programas já existentes”. Cheira a lápis azul. Avancemos.
A administração administrou, o Conselho avaliou. Pago por quem? Esquece, é independente. Não vês no nome? Porreiro, vá de retro o pá. Mas avaliou o quê? O Plano Estratégico da administração da concessionária. Chumbou. Não passou no crivo. Problema? A concessionária entrou num leilão onde uma concorrente privada tinha licitado 40% menos. Oh diabo! Se a independência é para isto, acabe-se com ela. Estão a perverter o mercado. Um pecado! Mas porquê? O investimento é irresponsável? Sem a menor perspectiva de retorno? O Plano estratégico diz que o investimento tem retorno porque potencia a venda de publicidade. Será que não respeita os termos do contracto de concessão? Negativo, respeita na integra. Mau…
Que diz o académico? Diz que nada tem a dizer. O Modelo de gestão é independente (não leste o nome, estúpido?) e como tal, nada tem a dizer. Muito bem. Coerente! Espera. Não vimos já este filme no verão? Creio que lhe chamaram Resolução. O executivo criou legislação, participou e palpitou, mas no fim a decisão é exclusivamente de outros. Porreiro. Deu tão bons resultados que o processo se generalizou. Criam-se Conselhos para decidir em silencio e com a devida reserva aquilo que é da esfera de competência do executivo. É óptimo. “Respeitar a independência do conselho geral” é uma excelente resposta. Mantém-se a pose de estado e em simultâneo a postura de democrata e respeitador. Fica bem. Afinal o problema é mesmo só com a constituição.
E o Conselho que diz? Ataca as perspectivas de retorno do investimento? Não. Aponta não-conformidades com o contrato de concessão? Também não. Diz que foi quebrada a lealdade. Porreiro, mas desta feita estou mesmo tentado à adenda do “pá”. Paro e pergunto: Quem é o dono dessa concorrente privada à concessionária? Alguém conhecido? Alguém que também esteja na corrida para a época final dos saldos que se avizinha? Claro que não. O conselho é geral e é independente… Os factos falam por si, Pá!
Camarate
Hoje, pela hora do jantar, contarei aos mais novos lá de casa, como a queda de um pequeno avião bimotor deu origem ao maior mistério da nossa história recente.
“Apenas” 34 anos depois, ainda não sabemos o que se passou. Sabemos que o pequeno Cessna 421 caiu em Camarate após descolagem. Sabemos a matricula – YV-314P. Sabemos quem nele embarcou, sabemos que dele ninguém saiu vivo. Sabemos tudo isto graças ao dedicado esforço de todos quantos investigaram este indecifrável mistério. Conclusões? Acidente? Atentado? Nada. Centenas de pares de mãos cheias de nada.
Então? Cada qual escolhe por si? Seja. Subscrevo a tese do atentado. Sim, digo-o de forma clara: É um atentado! É, porque ainda está a ser. Múltiplas investigações e perícias, uma dezena de comissões de inquérito e pelo menos outras tantas teorias da conspiração transformaram o sucedido num eterno enigma. Inequivocamente encobrimento. Repito, é um atentado. Um atentado à inteligência de todos os portugueses!
Apocalipse Now
Talvez seja apenas poeira levantada pelos pontapés de vento de uma tempestade de areia, talvez em breve se dissipe e depois de umas varridelas a normalidade volte a aziar a nação. Por agora, estranheza. Os tempos recentes têm sido estranhos em termos do desenrolar de imbróglios económicos, fiscais e judiciais.
A implosão consentida do Grupo Espírito Santo, a pressão fiscal sobre os colossos da energia Galp e REN, a frieza com que se lida com o caso PT colocando um resgate/nacionalização de parte, o desenrolar dos Vistos Gold, a detenção de José Sócrates, a condenação de Duarte Lima, tudo são sinais de que há fios da teia que se quebraram.
Independentemente da cor política é inegável que há um suceder de acontecimentos que espontaneamente nos desenham um sorriso de regozijo. Em alguns casos até um surpreendente reconhecer que neste ponto o governo/estado foi corajoso e esteve bem.
O que me deixa a pensar se Pedro Passos Coelho terá visão que lhe permita fazer a leitura de que esta pode ser a fórmula para a sua revitalização. O de ir às gavetas mofadas, que constituem o arsenal judiciário e mediático da guerra política suja, para delas lançar para a praça pública todos os processos duvidosos perpetuados por antigos governos.
Transformar-se-ia assim num paladino, defensor obstinado da rectidão, capaz de sacrificar cabecilhas de qualquer cor política, incluindo da sua e da do seu parceiro de coligação. Se o fizer é certo que, mesmo mantendo este nível de austeridade, obterá o reconhecimento do povo como um líder forte capaz de executar a tão almejada limpeza da República. E na minha opinião só essa faceta seria suficiente para, numa reviravolta inesperada, conceder-lhe o direito a mais um mandato.
Passos Coelho está na posição ideal para o fazer. Os objectivos contabilísticos do governo em vias de serem atingidos, o ser praticamente orfão de apoios de barões, a força do parceiro de coligação que pode ser submergida devido a danos colaterais, uma oposição às aranhas com um único caso que poderá ser destroçada por muitos outros ocorridos nas últimas legislaturas, o aproximar de um final de mandato em que o caos judicial e político, gerado por uma acção de limpeza desta magnitude, manteria nas sombras muitos daqueles que preferem navegar mares menos tempestuosos. O que é uma vinculação à Tecnoforma comparada com o que se encontra no valioso acervo de casos de gestão pública danosa, conflitos de interesses e corrupção?
Diz a bíblia que o apocalipse será o juízo final, em que todos serão julgados, os culpados condenados, os justos poupados e mesmo ressuscitados. Provavelmente muitas cabeças teriam de rolar até que se desse o milagre da ressureição de Pedro Passos Coelho. Há que ter fé, acreditar na eventualidade de um mundo melhor. Afinal um milagre é algo passível de acontecer a qualquer momento. Assim o queira Deus e um homem, corajoso, sem nada a perder, o faça num esforço épico. Por mais absurdo que isto pareça a verdade é que desde o início dos tempos que a história se escreve por linhas tortas. Faço desde já aqui uma jura, não uma promessa, uma JURA, que se tudo isto acontecer, se Portugal castigar quem de si abusou e fôr ressarcido de parte dos danos, doa a quem doer, o meu voto será consagrado a este menino sagrado/profano.
Basta mudares PPP!
Seara que canta para o Mundo
Hoje, e após meses de enxurradas de escândalos e sapos que não conseguem mais estar debaixo do tapete, eis uma boa noticia: O Cante Alentejano é Património da Humanidade! Na verdade isto nem tem assim tanta importância, tem mais importância para nós e no dever de conservarmos esta parte da nossa cultura e do nosso património. Para além disso dá-nos mais uns pózitos de visibilidade lá fora e mais uma razão da exploração do turismo no Alentejo.
Isto é parte daquilo que somos, raiz de muitos portugueses, é o cante do povo, de um povo cuja história foi dura, vida de agruras e muito trabalho e exploração. Curiosamente o Cante Alentejano é elevado a Património Imaterial da Humanidade um dia depois dos 39 anos do 25 de Novembro de 1975, data que marca o fim do PREC… Quem comemorou Abril chorou Novembro, quem comemora Novembro chorou Abril… Passados 39 anos, quem construiu Novembro continua a governar-nos. Por isso, a todos os alentejanos que choram Novembro, esta é uma prenda merecida.
O Cante Alentejano é o cante da classe trabalhadora agrícola, cujo único bem que possuía era a força do seu trabalho aplicado nos latifúndios. Trabalho duro, quase escravo, em troca do insuficiente para viver. O Cante Alentejano que às vezes é um lamento outras vezes uma brincadeira, às vezes é de amor, outras de saudade de quem partia para a guerra. É também o canto entoado pelos trabalhadores enquanto ceifavam, animando-se debaixo do escaldante sol alentejano. É o canto dos trabalhadores que se animam e descobrem que é na união que está a sua força. É o canto de quem foi explorado, de quem teve a coragem de gritar “A Terra é de quem a Trabalha”.

Hoje, passados décadas da Reforma Agrária, e do PREC ser tantas vezes desmentido e outras tantas demonizado, depois da devolução dos latifúndios aos seus originais proprietários, e depois do processo de desruralização do país por via do natural progresso tecnológico, o Alentejo é diferente daquele que é cantado nas canções. Hoje existem terras abandonas e um claro desinvestimento na agricultura que obrigou muitos alentejanos ao êxodo. Os trabalhadores agrícolas que laboram nos belos campos alentejanos são cada vez mais estrangeiros que aceitem salários baixos e condições de trabalho algumas tão precárias como há 60 anos, como por exemplo trabalhar à jorna. Não é possível negar: perderam-se algumas batalhas e esperam-se dias melhores. Urge entretanto conservar a cultura destas gentes, que encontra neste canto a ligação entre si e entre cada um deles e as suas origens.
Que a esperança, a capacidade de resistência e a coragem do Alentejo saiam hoje revigoradas e inspirem o mundo. Porque hoje o Cante Alentejano deixou de ser de Portugal e passou a ser da Humanidade.
Placebo
Placebo é um fármaco, tratamento ou procedimento cirúrgico dissimulado, inerte, sem principio activo. Trata todo o tipo enfermidade e baseia-se na reacção psicossomática dos pacientes. Pode de facto promover um efeito benéfico real e físico.
Não consultei nenhum simpósio terapêutico, não sei se a doença existe, mas suspeito que vivemos um surto de grave défice de cidadania. Eis as questões de teste e diagnóstico:
- Quem é que quer saber da venda da TAP quando há tanta e tão relevante informação em Évora?
- Quem quer saber do Orçamento de Estado para 2015 quando há teorias da conspiração para denunciar ou subscrever?
- Quem quer saber da reposição das subvenções vitalícias (não contributivas) quando há apostas a fazer sobre quem será o próximo a ser detido?
A resposta a qualquer uma das questões é: ninguém! Ninguém quer saber. Porquê? Bem, na verdade, é muito simples. É o efeito placebo. Mais uma teoria da conspiração? Negativo, é apenas o egoísmo colectivo a funcionar. Eis como:
Sem subscrever a teoria do bode expiatório, constato o reflexo da detenção preventiva nos Sistemas Límbicos dos telespectadores. Continuamos sem nada saber sobre a acusação, mas tal pouco importa. Cada um de nós tem a sua própria acusação! Eu, por exemplo, guardo com carinho um velho rancor. Remonta, imaginem, a 2011. Fatídico ano em que uma medida de excepção ao orçamento de estado desse ano me atribuiu um corte seis vezes superior ao previsto. Pequeno contratempo que está aliás na génese deste blog. É este abrangente e democrático critério que explica a euforia, a alegria que vivemos. É irrelevante a causa, cada qual escolhe a que quer. Importante é saber que há um castigo. Preventivo que seja, estamos perante a cura de muito descontentamento e revolta.
E os crentes, aqueles que acreditam na inocência do detido? Bom, para esses o placebo tem o mesmo efeito terapêutico, uma vez que toda a sua atenção está igualmente desviada. Ora testem lá as perguntas de diagnóstico novamente.
Die Zauberflöte

Mas que bela opereta esta. Já sabemos tudo, mas sempre com prefixo: Alegadamente. O Libretto está escrito há algum tempo. Diz-se que é obra maçónica. Teorias da conspiração não faltam, mas concreto, nada. O público vibra com emoção. Uns indignados outros em êxtase. A transformação dos estados de espírito é mágica. Será que ouvimos a Flauta Mágica?
Tamino e Papageno cumprem o ritual iniciático, o silêncio. Para uns o detido é Monostatos, para outros é Sarastro. Tenho dúvidas. E se a obra for outra? E se é ópera bufa? Nada sabemos.
Não estou certo que seja este o caminho da virtude, mas confesso que gostava de estar enganado. Temo precoce toda esta celebração da mudança. Tantos outros que vimos passar esta fase e que hoje se passeiam alegremente, impunes.
Entre nós, a Rainha da Noite vence sempre. Aguardemos pelo concreto.
Isto só vistos!
Os acontecimentos eclodem em catadupa! Portugal suspenso em suspense com a justiceira bola demolidora a ricochetear nos labirínticos alicerces da República, ora à esquerda, ora à direita, qual das fundações se desmoronará em primeiro lugar?
Por agora vou-me focar na situação dos vistos dourados, segundo as regras estipuladas atribuídos a estrangeiros oriundos de fora da União Europeia que criem dez ou mais postos de trabalho em Portugal, comprem imóveis de valor igual ou superior a 500 mil euros ou façam transferências de capitais de montante igual ou superior a um milhão de euros. O primeiro visto tem a duração de um ano, podendo ter duas renovações subsequentes com o período de 2 anos, ao fim de 6 anos a Nacionalidade Portuguesa é adquirida. Para ser válido os seus detentores necessitam de residir em Portugal pelo menos 7 dias por ano. É verdade, muitos dos nossos novos emigrantes podem corroborar isto, actualmente bastam viver 7 dias por ano em Portugal para que no final da nossa ausência de 358 dias bata cá uma saudade! 8 dias sucessivos da nova realidade Portuguesa seriam demais, estragaria o encanto e só ao fim de 716 dias seria sentida a tão lusa saudade.
É inegável que o Visto Gold é um processo rápido que pode ser visto como interesseiro, por de forma mais ou menos encapotada vender autorização de residência e livre circulação europeia, ou como um sistema de recompensa a quem investe de forma responsável em Portugal.
Ora se o processo é ágil, com regras claras, como raio poderia surgir corrupção na sua envolvência? Nada que o engenho Português não resolva e rapidamente se montou um esquema de angariação de potenciais clientes a imobiliárias que tentavam escoar os seus imóveis, a preços inflacionados por forma a entrar no segmento necessário. O jogo seria a gestão dessa fatia entre o preço justo e o preço que permitia a venda do imóvel a milionários ávidos do desenvolvimento pessoal inerente ao germinar da sua alma lusa. Aaah, que melhor começo do ser Português do que ser vítima de um esquema como este? Ou melhor ainda, ser parceiro no esquema, caso o interesse fosse pagar um valor um cadito mais baixo pelo seu imóvel.
Independentemente de tudo o que ocorreu e do carácter duvidoso de alguns dos (re)vistados julgo que esta pode realmente ser uma medida salutar com alguns ajustamentos. Mantendo os seus objectivos principais: recompensar quem gera valor e preservar postos de trabalho. Como? Mudando as regras e deixando de realizar uma venda directa dos nossos valioso vistos. Passo a sugerir novos mecanismos simplificados para atribuição de Vistos Gold.
Quem é elegível?
- Importadores, não europeus, consumidores de produtos ou serviços nacionais no valor de mais de 500 000 €
- Exportadores, não europeus, de bens e serviços consumidos em Portugal no valor de mais de 500 000 €
- Investidores em imobiliário nacional no valor de mais de 1 000 000 €
- Investidores em mobiliário nacional no valor de mais de 1 000 000 €
- Investidores em indústria ou serviços geradores de mais de 50 novos postos de trabalho com salário superior em 25% ao salário mínimo e com vínculo laboral de pelo menos um ano.
Regras de Atribuição?
- Aos investidores em imobiliário e mobiliário nacional 1x Visto Gold com duração de um ano;
- Aos restantes:
- 3x Vistos Gold com duração de um ano que ficam afectos directamente a 3x pessoas devidamente identificadas.
- 10x Vistos Gold com duração de um mês que podem ser requisitados com um mês de antecedência.
Vantagens deste Formato?
- Serão recompensados aqueles que efectivamente geram valor para Portugal em termos de dinâmica comercial, manutenção e criação de emprego;
- Não existe um privilégio específico a uma determinada área de actividade económica, tornando mais difícil o montar de esquemas e evitando o deturpar do mercado com inflacção artificial de nichos específicos;
- Os 3x Vistos Gold com duração de um ano permitirão mobilidade acrescida aos decisores dos importadores/exportadores/investidores permitindo-lhes estadias de negócio ou lazer alargadas. Benéfico tanto do ponto de vista comercial como turístico;
- Os 10x Vistos Gold com duração de um mês dão a flexibilidade ao importador/exportador/investidor de realizar acções comerciais não previstas ou simples acções de recompensa/cortesia cedendo-os por exemplo aos melhores clientes e/ou melhores gestores. Para Portugal seria benéfico pelo menos do ponto de vista turístico.
Isto sim, seria recompensar quem claramente investe na relação com Portugal independentemente da forma como o faz.
Por fim, em tom de provocação proponho um novo tipo de Visto, o Visto de Liberdade Incondicional, um género de carta da sorte para sair imediatamente da cadeia que pode ser usado sempre que o seu detentor, por infortúnio de uma justiça Portuguesa cada vez mais audaz e funcional, vá parar à cadeia. Não sei bem que condições de atribuição lhe poria estando apenas certo que por este andar poderia vir a ser uma das maiores fontes de rendimento do Estado Português.
E com estas fórmulas está dada a minha contribuição para que cada vez mais Portugal seja o nosso verdadeiro e singular lar doce lar.
Quem gera mais postos de trabalho?
Em tenra idade injustiçado, foi discriminado entre laranjas. Alegadamente, o jovem não respeitara a bicha para a casa de banho da discoteca. O cavaquistão era então demasiado sombrio para quem tinha tanta ambição. Alistou-se como O Independente na trincheira contra tudo – Contra quem nunca se engana e raramente teve dúvidas, contra a Europa e não menos vezes contra a verdade. A mentira deu então alguma cor à indústria do entretimento nacional, dita imprensa. Foi giro.
Certo dia, apanhou boleia num táxi. Conduzia o Monteiro enquanto o jovem estudava itinerários alternativos (ainda não havia GPS). Eram do contra. Trocaram de eufemismo: o Centrismo deu lugar ao Populismo. Também foi giro. Contudo, não chegaram ao destino. A culpa? Do motorista. Despedido o condutor, avançou o timoneiro. Deixaram terra e fizeram-se ao mar. O jovem líder deu então largas à simpatia e à ternura. Partiu do Caldas e visitou todas as feiras, sem nunca esquecer a lavoura. O arraial foi tal, que nem demos conta que já não era do contra. Viva a Europa! Para melhor muda-se sempre, não é verdade?
Quem espera sempre alcança, e a oportunidade surgiu quando quem não sabia fazer contas fugiu do pântano. Fomos então brindados com quem não estava preparado para aquilo. O Jovem estreou-se então no sentido de Estado. Coube-lhe a pasta da Defesa Nacional. Comprou os Submarinos certos, da forma errada. Ter-se-á esquecido da manutenção. Como o país estava de tanga, poupa-se onde se pode, menos nas fotocopias. Chamado para outros voos, o primeiro de então é substituído pela vedeta que estava no banco. Ouviram-se depois os concertos para violino de Chopin. O Cenoura não gostou e pôs fim à festa. Ainda houve tempo para mais uma prova de apreço à lavoura – Lá se foram os sobreiros. Eram tempos da Santa dinastia. O jovem, que entretanto já não era, nem jovem, nem do contra, foi dar aulas. Enquanto esteve na terra dos bravos e na casa dos livres, deixou o Ribeiro ao Leme do bote até à mudança da maré.
Regressou na preia-mar e deu ao Ribeiro o destino do Monteiro, o esquecimento. À doutrina da lavoura acrescentou a protecção dos reformados e transformou o Caldas no ultimo bastião do contribuinte. Com convicções não se brinca! Esteve na primeira linha de todas as batalhas contra os desprotegidos. Cinéfilo confesso, fez os seus filmes com relativo sucesso. Vivíamos então acima das nossas possibilidades. Venha a ajuda. Chegada a dita, regressou coligado ao sentido de Estado. Abraçou a diplomacia económica, tarefa que justificou a ausência da ribalta domestica. Apesar do amor à lavoura, não partilhou o protagonismo tauromáquico. Acabada a faena do matador de touros, fez birra. Irrevogavelmente demissionário, foi promovido a vice e já desse posto anunciou a salvação da nação – a venda dourada de vistos. Tem jeito para publicidade.
Chegado o verão de 2014, enquanto outros foram de férias para o sotavento algarvio, ficou ao Leme do executivo. Tão obstinado estava com o bem-estar das populações, que em época de hipertensão a ministra das finanças não o conseguiu contactar. Evitou bem os danos colaterais. Consta que tem horror a seringas, pelo que também nada sabe sobre a injecção. Moral vertical mas ágil de convicções. Uma inteligência viva, um exímio gestor de crises. Foge como ninguém. Tem no dom da palavra uma arma justamente temida pelos adversários, sejam eles parceiros de coligação ou não. É brilhante!
Ontem, precisamente às 18h38, deu-nos um excelente ensinamento sobre como responder a uma questão desconfortável. Como é feio responder a uma pergunta com outra pergunta, responde com duas:
Quem gera mais postos de trabalho? A Remar ou a Bolsa de Excedentários?









