Pateta de Natal

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A personagem de hoje é um dos mais notáveis membros do Olimpo da Banda Desenhada, uma das criações originais de Walt Disney e Frank Webb. Tal como a sua antecessora, é do género canino. O antropomorfismo é comum no cargo. Alto, magro, bem-disposto, engraçado e desengonçado, assim é o nosso herói. Tem na risada um hábito persistente, uma forma de estar, independentemente do contexto ou da circunstância. Esta capacidade de em tudo encontrar graça é complacência a que nem todos reconhecem a virtude. É pena, mas geralmente o eleitor apenas é benévolo com os sisudos.

Com bondade nos falou de esperança, de mudança, do virar da página. Virou ontem, constatou a necessidade da implementação de medidas adicionais que permitam a saída de Portugal do procedimento por défices excessivos. Chocados? Nem por isso. Todos sabíamos que o livro é antigo, a história é a de sempre: um austero e natalício conto sobre a amizade, o amor e a ternura. Democracia, pois claro, mas se e só se o crivo for o mesmo, sejam quais forem as vicissitudes ou contingências do quotidiano. Cumpra-se a meta por uma vez. A ser, será a primeira, uma novidade. Aleluia!

As prendas, comprou-as o Pai Natal, a antecessora embrulhou-as. Por isso tanto se têm rido as renas e restante séquito. Compete agora ao Pateta entregá-las. São três, mas só depois de aberto o embrulho saberemos o que são. Que entusiasmo, que excitação, nunca mais é meia-noite…

Se não os podes vencer distrai-os

Paris, manifestantes protestam contra a ausência de consciência e políticas que invertam as alterações climáticas. Em resposta o presidente François Hollande indigna-se perguntando como é possível isto acontecer na praça onde existem flores e velas em memórias das vítimas recentes.

Que é como quem diz que o foco é um e apenas um, a nova guerra para arrasar o grande inimigo. Gaveta para tudo o resto. Esta é apenas uma das táticas utilizadas para desviar a atenção das massas dos problemas fulcrais que colocam em causa partes críticas do sistema político e económico mundial. A mudança é obrigatória mas precisa de ser muito bem calculada, planeada de forma a que as esferas de poder não se desloquem para novos players. Mesmo que isso signifique a latência na transição de fontes energéticas e hábitos de consumo.

Qualquer consumidor de meios de comunicação noticiosos deve estar preparado para destrinçar os conteúdos mais impactantes que lhe são apresentados, cruzá-los com informação contraditória e/ou complementar, até poder por fim firmar uma opinião sobre o tema. Caso contrário poderá ser mais uma vítima do constante condicionamento de pensamento.

Algumas das táticas existentes:

  • Promoção do Nacionalismo – quando acontece algo que ameaça a nossa nação temos a tendência a saltar para a carruagem do patriotismo cego ao ponto de apoiar guerras sem sentido ou promover ideias políticas e/ou religiosas que promovam a intolerância;
  • Acenar com a Cenoura – como fazer com que o foco de atenção das pessoas deixe de ser sobre um tema crítico? Dando mais tempo de antena a temas incosequentes e sensacionalistas, normalmente a chamada lavagem pública de roupa suja ou entretenimento mundano.
  • Bode Expiatório – quanto toda a cadeia está em risco, e debaixo de forte julgamento público, há que escolher rapidamente o elo mais fraco a servir de ‘oferenda’ para apaziguar o julgamento público. Desta forma a atenção deixará de estar sobre toda a cadeia ficando concentrada nesse bode expiatório;
  • Informação Errada e Enganadora – para esconder a verdade nada melhor do que ‘reenquadrá-la’ com uma moldura de falsidades. Repetir esta meia verdade o número de vezes suficiente para se afirmar como verdade absoluta, o boca-a-boca viral e desinformado encarregar-se-á de fazer o resto.
  • Demonizar o Outro – sempre que tenhamos pecados a esconder nada melhor do que trazer ao de cima todos os demónios dos nossos opositores, mesmo que alguns deles sejam pura ficção (ver ponto anterior).
  • Disseminar o Medo – a mais eficaz de todas as táticas pois nada melhor do que o medo para combater o senso comum e a sanidade mental. Sobretudo se existirem casos históricos que possam ser dados como provas do que poderá acontecer se…

E esta é apenas a ponta do Iceberg sobre a aplicação de táticas de condicionamento de pensamento e controlo de massas através da escolha criteriosa das notícias, imagens e palavras que nos são impostas diariamente pelos principais meios noticiosos e redes sociais (onde se consomem os ecos dos resultados obtidos).

Cabe a cada um de nós optar por acreditar sem contestar ou procurar saber mais sobre o outro lado da questão. Temos em mãos um planeta doente, tratados económicos de escala mundial,  guerras e crises de refugiados, que vão obrigar a decisões importantes exigindo consciência e compreensão por parte de todos a fim de evitar decisões que apenas beneficiam uma pequena percentagem da população mundial.

Talvez seja chegada a altura de cortar as ligações actuais e retomar o controlo das nossas redes neuronais.

Se-não-os-podes-vencer-distrai-os

Peru Recheado

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É por terras do antigo império Otomano que hoje o mundo concentra atenções. Os órgãos de comunicação social não investem, como noutros tempos, nos chamados enviados especiais mas para compensar os espectadores, brindam os mais interessados com um vasto e diversificado naipe de comentadores. Graças a eles, sinal dos tempos, nada nos escapa.

Vamos ao relato, apenas os factos, nada de complicado. Os protagonistas são aviões, turcos e russos. Ao russo, um Sukhoi Su 24, ainda que repetidamente lhe chamem “caça”, é bombardeiro, supersónico é certo, mas já com mais de três décadas no activo. O turco esse sim, um caça, igual aos que por cá temos, um General Dynamics F 16 Fighting Falcon.

Feitas as apresentações, a ocorrência. O avião russo violou o espaço aéreo turco, e após repetidos avisos, foi abatido. É assim, quem brinca com o fogo queima-se. Coerência? Nem por isso, os gregos que o digam, mas adiante. Neste enredo não há anjinhos. Crispação e diz que disse, ou não disse, esgrimem-se argumentos nos palcos habituais: Nas agências noticiosas e até nas Nações Unidas. Cada qual apresenta factos e provas, pois claro. A Rússia ameaça com consequências, a Turquia defende-se com a violação do seu espaço aéreo e com os múltiplos e ignorados avisos.

Face a todos estes factos, a todas estas comunicações e justificações, questiono como será possível que nenhum dos sempre esclarecidos comentadores tenha ainda colocado esta singela questão:

Se o avião russo apenas voou 17 segundos em espaço aéreo turco, como foi possível alerta-lo durante 5 minutos?

Desilusão à Canhota

Numa altura em que o feitiço se vira contra o feiticeiro e seus aliados, esperemos que do big bang surja a exploração de novas vias, convém não deixar ao esquecimento o caldo da poção mágica nacional.

A meu ver o Largo do Rato pariu uma colina. Um assento de baixa altitude, sem a solidez da visão possibilitada por maior altitude que permitisse o alargar em muito o horizonte vislumbrado. Nitidamente BE e PCP voltam a baquear, ao invés de ousar subir o degrau que se colocou à sua frente para ascender um patamar na participação activa nas futuras decisões políticas.

Este acordo não passa de um projecto de estabilidade, de um auto de fé, na crença mútua de que ambos os lados cederão o suficiente para que o outro continue a cumprir o seu papel. Na prática deixará o PS refém de um contínuo debate político, dentro de sedes, negociando a pré-aprovação de cada orçamento e cada medida com maior impacto na sociedade. BE e PCP assumem não querer dar a cara por um governo do qual serão a sombra inequívoca.

Já no passado me desapontaram quando se ausentaram das reuniões de preparação do programa da Troika e agora parece estarem a repetir a dose. Pergunto-me se querem ser vistos como o antídoto porque raio temem assim tanto o convívio com as víboras? Muito me aprazeria tê-los ‘infiltrados’ no governo confiando na sua capacidade de detectar, divulgar, e corrigir anomalias de sistema. Desta forma vejo-os agora como padecendo de uma certa cobardia, demasiado confortáveis na sua posição de críticos e delatores dos erros de outrem, quiçá tementes de segurar parte das rédeas e de perder os renovados votos de confiança.

Vejo em tudo isto apenas uma certa continuidade de um calculado e partidário jogo político. O PS julgará que BE e PCP não poderão esticar demasiado a corda pois se o fizerem, e por isso cair o seu governo, a factura política ser-lhe-ás demasiado alta com hipotética transferência de votos para o PS. BE e PCP por sua vez pensarão o inverso, que o PS não se poderá colar em demasia à rota delineada pela Troika e pelo anterior governo PSD-CDS, caso contrário terão plena justificação para deixar cair o governo PS, reforçando a sua própria idoneidade, e assim penalizar o aldrabão PS nas próximas eleições colhendo uma boa parte dos seus eleitores. A PàF já vaticinou este cenário e espera também vir a poder rentabilizá-lo em termos de votos alegando evidente irresponsabilidade da união de esquerda.

Lamento, mas esta não é de todo a solução à esquerda que esperaria e que me daria alguma esperança de uma verdadeira mudança. Ao ponto de até eu vir a ser condescendente para com Cavaco Silva se este decidir não acreditar neste formato de governação.

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Austin Powers

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Parece uma paródia aos enredos dos filmes com agentes secretos, mas na verdade a galhofa é outra. Chama-se Libra. Quer dizer, chama-se soberania e dela nunca os Britânicos abdicaram. Os bifes sabem da poda, são experimentados na coisa. Soberania é com eles, seja para subjugar a dos outros, seja para garantir a deles. Mesmo quando perderam, tiveram sempre engenho e arte para salvaguardar qualquer coisinha. Goste-se ou não, o velho império britânico marcou tanto a história que ainda hoje faz parte do nosso presente. A Commonwealth aí está para o provar.

Repugna-me a subserviência, pelo que também não clamo pela velha aliança, mas confesso que me soa bem este “Yeah baby”. Aquilo que manifestamente me agrada é o exemplo, mesmo quando parece bluff, mesmo quando nem sequer simpatizo com o actual inquilino do nº 10, o Austin Powers. Entre os seus, há quem diga: “É só isso?“. Não sendo tudo, é infinitamente mais que o nada que os países ex-soberanos se atrevem a exigir.

Do outro lado, isto é, deste lado, do lado dos subjugados à soberba de quem manda sem ser eleito, nada. Nem piam. Não me refiro aos nossos, pois estão ocupados, entretidos com as emoções do momento. Uns babam com o entusiasmo de chegarem ao pote, enquanto os outros espumam de raiva por o terem perdido. O mundo que se lixe, pois claro. Acho muito bem! Relevante é o silêncio da prepotência que governa a União Europeia, seja lá isso o que isso for hoje em dia. Tudo quanto se ouve é um apropriado, mas irrelevante “Oh… behave”.

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O Menu em Belém

Quem não gosta de ouvir um qualquer turista gabar a nossa gastronomia? Haverá maior garantia de sucesso da reportagem televisiva que a bela da entrevista ao turista? Ele há coisas que ditas por nós não têm valor, mas sempre que opina um estrangeiro, resulta. As perguntas são sempre as mesmas, as respostas insuspeitas de surpresa, mas nós gostamos. Apreciamos a previsibilidade e rejeitamos a mudança. Evoluir sim, mas só se tudo permanecer exactamente na mesma. Somos assim, saloios mas muito ternurentos. Numa palavra, acolhedores.

O Turismo, é preciso promover o turismo! Incansáveis e empreendedores, lançamo-nos sempre em voluntariosas iniciativas. Hoje começou mais um grande evento promocional na Assembleia da República – A feira do Melão e do Fumeiro. Encher-se-á muito chouriço! No fim, pagaremos a conta (como sempre!), mas não saciaremos o apetite. Portugal é assim, serve estas belas açordas. Após o manjar, a sobremesa. Fruta da época para uns, doçaria conventual para os outros. Não há meio-termo. Nunca evitaremos os amargos de boca, pois não há refeição que termine sem café.

Há quem diga que inovámos, que embora inédito no menu do Palácio de Belém, o sapo será servido. Eu duvido. Bem sei que faltam muitos dias, que muitos sábios serão ouvidos, que o bicho até é viscoso e hidrodinâmico, mas há uma limitação que os entusiastas não estão a considerar. É morfológico! O sapo não lhe cabe no goto.

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A Última Cadenza

Cadenza

Esta semana viajou, foi a Roma. Mais uma vez nos lembrou que nunca comenta assuntos de politica interna no estrangeiro, mas lá nos foi recordando quão sério e altruísta é, não fosse um de nós esquecer. Enfim, foi a Roma ser romano. Talvez de lá traga o exemplo…

Nunca se enganou, como tal nem de uma linha se arrepende. Está certo, confere. Não será desta que a dúvida lhe assaltará o espírito, quanto mais a mente. Sendo este o pior momento para alterações radicais, estando o senhor prestes a instalar-se no Convento do Sacramento, alimentamos a ilusão de o vermos pelas costas. Finalmente! Será? Acelera a cadência na proclamação do absurdo ou será a sua ulterior Cadenza, o definitivo instante de improviso? Palpita-me que sim, daí a certeza sobre o que iria fazer e de todos os cenários antever. Como vai ele garantir o cumprimento de todos os tratados se o primeiro-ministro indigitado jura a pés juntos não aceitar liderar um governo de gestão? Como vai ele evitar o perigo vindo da esquerda radical? Como vai o nosso Santo Presidente garantir o supremo interesse Nacional? O dele!

São muitas perguntas! A resposta pode contudo ser simples e singela. Aqui vai: O Santo Presidente vai abdicar, vai renunciar ao trono, vai sair. Como as Eleições Presidenciais já estão marcadas, não serão antecipadas. Nesta derradeira passagem virtuosística, vai finalmente tentar ser popular, mas atenção, não marquem já os festejos. Sim! Por estranho que possa parecer, vai conseguir esvaziar ainda mais a presidência. Criará o cenário perfeito para justificar a repetição da frase “não abandono o meu país“! Portugal será novamente surpreendido, mas o executivo que hoje tomou posse permanecerá em funções interinamente. Será esta a ultima Cadenza de um solista chamado Aníbal.

Star Wars – Lobot da Costa

Lobot-da-Costa

Abordo hoje uma das três personagens em ascensão no novo elenco. Tal como qualquer outra personagem da saga Star Wars, por mais breve que seja a sua aparição, está destinada à imortalidade. Pelo menos neste mundo do faz de conta que é a sétima arte. Julgo ser o caso do solícito Fernando Lobot da Costa. Foi até aqui um destacado gestor subalterno na mina de exploração de gás no gigante da flatulência, o planeta Bespin. Será finalmente ministro. Diga-se, já merecia.

Outrora um mero técnico do sangue, alvo de uma bem-sucedida lobotomia, evoluiu até ao grande líder que hoje é. Um condutor de massas, um politico, um estadista. Cresceu. Está desde então apto a reagir ao premir de um simples botão do controlo remoto. Voluntarioso como nenhum outro, Lobot actua de forma breve, mas eficaz.

Foi do alto da Cidade das Nuvens que contemplou os demais e conclui não ter visto nenhuma das desgraças descritas pelos seus pares. Nada disso. Contundente atirou: “O que nós vimos foram pessoas bem instaladas”. Lobot não tem visão raio-X, mas vê mais além. Sem pieguice e muita determinação, tem o mérito da competência e por isso foi promovido. Ainda bem. Tratar-nos-á da saúde como ninguém.

 

Star Wars – Chewbacca de Sousa

Chewbacca-de-Sousa

O Natal aproxima-se e com ele chegará o sétimo filme da saga. Urge portanto regressar à apresentação das personagens, especialmente aos mais novos,  já nascidos neste século.

Cronologicamente, a primeira aparição desta personagem foi numa acção de salvamento, safando o pêlo a Yoda aquando da Vingança dos Sith. Oportunamente regressarei a outros feitos desta personagem, por ora, avante.

Nascido em Kashyyyk, o planeta dos Wookiees, este metalúrgico e exímio piloto chamado Jerónimo Chewbacca de Sousa, há muito que conduz a nave onde os perigosos revolucionários, vindos da orla exterior, rumam à capital do Império para a arrasar. Tenham medo, eles estão a chegar!

Ignóbil, inescrupuloso e confesso opositor dos omnipresentes mercados, provoca sentimentos contraditórios: Ódio e empatia. Até entre opositores desperta simpatia, mas não se deixem enganar pela aparência de peluche, ele é perigosíssimo. Muito embora os seus adversários digam que as suas projecções vocais são incompreensíveis, ele consegue passar mensagem pela emoção. Faz da autenticidade uma arma. Cuidado!

Entre os seus, é carinhosamente chamado de camarada Chewie. Muito embora leais entre si, os Wookiee são uma ameaça terrível. É sabido que a sua dieta põe em causa a estabilidade do Império Galáctico, especialmente ao pequeno-almoço. O Imperador já avisou, democracia sim, mas há limites. Fujamos enquanto é tempo!

Todos os Cenários

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Nunca do jogo desistiu. Interferiu, adiou e serviu. Foi a 5 que ninguém o viu, o dia daquilo a que se diz presidiu. Depois lá se ouviu. Referiu. Garantiu que tudo estudou e previu. Sugeriu que como ele nunca outro existiu. Uma maioria exigiu, mas como ninguém o ouviu, perdeu o pio. Entupiu e fugiu.

Será que já decidiu e o seu pupilo preferiu, ou trairá quem desde jovem o seguiu? Surpreender-nos-á agora que quase saiu?

Como a alternativa, embora pareça, não é de Diu, indeferiu e o grau de primeiro não lhe conferiu. Preteriu. Por certo anteviu, não ingeriu mas a mudança obstruiu. Destruiu. Aferiu e aos seus encobriu.

Dramatiza, mas diferiu. Indigitará aquele que instruiu. Desferiu.