Primeira Volta

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As sondagens só acertaram no vencedor. Quanto à proporção de votos nos restantes candidatos, a falha foi total. Diga-se, só não falharam naquilo que todos sabíamos. A noite eleitoral foi de tal forma ligeira que tudo estava despachado à hora das crianças irem para a cama. É o novo tempo dos afectos. Destoou, é certo, o último discurso da noite ser protagonizado por quem nada ganhou, o primeiro-ministro. Tomou-lhe o gosto, será? Diz o protocolo que os últimos são os primeiros, mas enfim. Talvez não tenhamos compreendido o que ganhou ontem. Talvez um aliado, talvez menos inimigos.

Acabou por ser um Domingo tranquilo. O suspense acabou cedo, logo pela hora de jantar. A emoção de uns, o quebrar da expectativa de outros: Não há segunda volta para ninguém! Não há mais fichas, o carrossel eleitoral acabou. Abençoada abstenção. Algo me diz que continuaremos a ser mais de nove milhões de eleitores. Seja. Continuaremos a bater recordes, nem que seja do absurdo. Resta-nos aguardar pelo mês de Março. A oito acaba-se a feira…

Entretanto, procurando ir além dos afectos, imaginamos como será o próximo Presidente da República? Imparcial? Espero que não! A imparcialidade tem protegido a paz podre reinante. Confesso não ter nem grande expectativa, nem grande receio. Diria mesmo, receio algum. Afinal, quem sobreviveu a uma década com o actual inquilino de Belém, não teria qualquer motivo para temores, fosse qual fosse a candidatura vencedora. Por mais ténue, seria sempre uma melhoria. Mesmo não sendo grande consolo, que não é, a criatividade, a alegria que caracteriza o vencedor vai dar mais cor ao panorama Nacional. Não esquecer que o primeiro mandato é sempre um estado de graça, uma serena e tranquila campanha para o próximo mandato. Há sempre uma segunda volta!

Eleições Palhacianas

Eleicoes-Palhacianas

Após visualização de uma série de debates entre candidatos presidenciais, nos dois formatos, a dois, um contra um, e a três ou mais,  nenhum contra nenhum, bem como dos tempos de antena e peças jornalísticas de acompanhamento de campanha, não consigo identificar um claro outsider em quem se possa votar para abanar o sistema.

Ainda predominam os peixes de aquário partidário que procuram relembrar ao eleitorado as responsabilidades políticas de partidos da oposição ou beliscar o carácter e idoneidade de cada um dos restantes peixes de aquário.

Temos depois delatores da corrupção e más políticas vigentes que advogam querer limpar o país e impor a correcção da trajectória estratégica nacional.

Por fim temos a versão madura dos outrora famosos batedores de punho, um terá utilizado a força de punho para calcetar Portugal, outro é pregador dessa corrente punheteira que requer altos níveis de motivação e confiança. Ambos apostam na popularização do argumentário procurando desconstruir complexas situações políticas em dizeres simples e claros.

À partida quereríamos que a cada um fosse dedicado espaço equivalente nos media, a fim de eliminar qualquer suspeita de favorecimentos. No entanto depois de ver alguma da pobreza de ideias e de discurso sou obrigado a reconhecer que isso seria muito mais prejudicial a estas eleições do que a situação desigual actual.

Isto acontece ou porque a qualidade do candidato é deplorável ou porque o candidato não parece saber a que cargo se candidata, que responsabilidades lhe seriam conferidas nem sequer quais as fronteiras dos poderes que lhe seriam instituídos.

Por um lado é positivo que candidatos extra-partidários consigam entrar na corrida, por outro é assustador que alguns deles sejam nitidamente medíocres e tenham mesmo assim conseguido o apoio suficiente para a candidatura. Sinal de que grande porção dos eleitores não faz a mínima noção da importância e relevância dos mais altos cargos da nação, supondo que se pode dar ao luxo de, numa brincadeira eleitoral, eleger o mais boçal e/ou idiota dos candidatos. Esta derivação do poder para um emergente desconhecido deve ser um tiro certeiro confiado a quem demonstra carácter e capacidade. Caso contrário será um tiro de pólvora seca que funcionará como um tiro pela culatra já que a inoperância de uma chico-espertice incapaz, e possíveis danos ao país por ela causados, criarão a ilusão de que os anteriores maus políticos são apesar de tudo a melhor solução possível.

Espero que os políticos saibam ler nestes sinais duas coisas. A primeira é a de que as rédeas do poder estão fugir-lhes das mãos, para novas forças políticas, novos movimentos de cidadania. A segunda é a de que se não apostarem na formação e educação dos Portugueses, no conhecimento e valorização da sua própria democracia, essa passagem corre o risco de ser uma catástrofe anunciada, por mais divertida e inócua que aparente ser.

Sugiro também adicionar um simples filtro para garantir o enquadramento dos candidatos ao cargo a que se propõem. Um questionário que afira o seu conhecimento sobre a história recente de Portugal, sobre os deveres, poderes e limitações de um mandato presidencial, e sobretudo sobre as diferenças existentes entre o papel de Presidente da República e o de Primeiro Ministro. Quem não sabe ao que vai escusa de aparecer.

Dune

Agora que a campanha começou, digamos, oficialmente, pareceu-me apropriado recordar o filme “Dune”.  Baseado no livro de ficção científica de Frank Patrick Herbert, “Dune” é um clássico do cinema do século passado, uma enorme salganhada de efeitos mais ou menos especiais, uma estória de predestinação misturada com audácia e ímpeto. Embora o enredo seja o de uma monarquia, a analogia com a nossa república é no mínimo pertinente. Há um imperador que afinal não manda nada, subjugado e temente a um poder maior – um bicho esquisito que vive num aquário de secção oblonga e que se faz acompanhar por gente tão ranhosa e repulsiva como incompreensível no seu dialecto materno. Os leitores que se recordam do filme compreenderão o que descrevo, aos outros bastará a descrição menos surreal e mais sucinta da organização que dá pelo nome de União Europeia. Ou seja, tudo gira em torno da Especiaria, essa maravilhosa substância que faz girar o Universo. É incrível a assertividade da narrativa deste grande clássico de 1984 com o sistema de criação monetária actual. A metáfora dos Vermes resulta em pleno.

Esta obra-prima do mestre do surrealismo, o realizador David Lynch, é sofisticada na forma, mas simplicíssima nos processos: Os bons trajam ao estilo prussiano, os maus têm borbulhas. Os títulos nobiliárquicos também ajudam: Do lado da virtude o Duque e o seu herdeiro, do lado da infâmia o Barão e seus sobrinhos, um deles famoso por em tempos entoar o poema policial intitulado “De Do Do Do, De Da Da Da”.

Resumido, os maus partem com o desejo de voltar, os bons chegam com o desejo de mudar. Entre os que vão e os que chegam, estão os nativos, os senhores da situação. Muito embora não pareçam, são eles e elas os verdadeiros protagonistas. Todos, mas todos sem excepção são independentes! Não se sabe muito bem de quê ou quem, mas parece ser esse o estatuto preferido. É o caso da governanta Maria de Ninguém Independente.

Se o leitor entretanto se perdeu, não se preocupe, a culpa não é sua… Lembre-se, é o surrealismo.

Shadout-Mapes

Estafeta presidencial

As eleições presidenciais a ocorrer já neste mês têm 10 candidatos, porém Marcelo Rebelo de Sousa parece ser o já eleito ao cargo.
Estafeta-Presidencial
Depois de 10 anos de sofrimento com Cavaco Silva, vejamos o que poderá vir aí. Pela espada do Dom Afonso Henriques que isto não augura nada de bom!

Marcelo Rebelo de Sousa, exímio comentador televisivo, fazedor de opiniões há larguíssimos anos, é assim das pessoas mais influentes e por isso, também, das mais poderosas do país. Já é um clássico que em qualquer café ou tasco na segunda feira que se debite as opiniões e julgamentos por ele proferidos no domingo. Sai assim do seu emprego de comentador para o mais alto cargo da nação.

Tem assim um capital muito superior a qualquer político. Ele próprio é o juiz de todos os políticos. Aliás, ele é o juiz de tudo. Fala barato por excelência, até de espirros fala se for preciso. E não, não estou a brincar. Eis que hoje me cai em mão um livro sobre… espirros lá está, e com prefácio de quem? Do Marcelo!

Marcelo, fala barato por natureza, é um homem muito bem relacionado. Professor, de profissão e de nome (o que até dá uma certa autoridade no saber, que o povo é muito ignorante), homem do PDS, bom nadador, juiz na causa de todos, é homem próximos das mais altas esferas do poder. É o eleito pela comunicação social, que tomou partido de si antes mesmo de ser candidato. Gasta menos na campanha por isso, não precisa simplesmente de gastar nada, até capa de jornais tem em plena campanha eleitoral. Aliás, a comunicação social em Portugal tem mostrado tudo aquilo que não é: séria, isenta e honesta! Talvez por isso se mantenham jornais que não dão 1 tostão de lucro durante anos! Serve inteiramente os interesses do capital. A comunicação social é um investimento que o capital sempre teve, e agora domina sem se quer ter interesse em dissimular, estando por isso disposto a assumir as perdas, que mais não são do que investimentos com elevados retornos privados. Nem a RTP faz um serviço público, canal pago com os impostos de todos nós! Ainda ontem, fiquei abismada com a prestação do José Eduardo dos Santos perante o debate entre Edgar e Sampaio da Nóvoa. Mas depois da sua falta de profissionalismo e de isenção na famosa entrevista ao Sócrates, nada me deveria pasmar.

Não há por isso como ter confiança na informação que nos é dada. Se a comunicação social, que devia ter como objectivo informar em vez de manipular a informação, não informa, os cidadãos e os eleitores não poderão tomar decisões de forma informada e ponderada. Esta é uma das grandes questões das democracias modernas, e da nossa em particular.
As regras do jogo são assim injustas, e quem paga são os cidadãos. As elites têm o candidato que lhes serve os interesses e lhes garantirá o poder económico e assim a sua influência política. É por isso que tantos se sentem alienados e desiludidos. Porque no fundo, quem elege é, mais uma vez, o poder económico, os banqueiros e a comunidade empresarial. Como se essa já não tivessem bem servidos pelas suas sociedades de advogados, as quais por sua vez têm deputados eleitos, e assim legislam segundo os interesses da oligarquia económica. Os interesses dos cidadãos, daqueles que trabalham, dos que infelizmente não têm trabalho, dos que já trabalharam, dos mais pobres, o interesse desses que é o interesse da maioria, do povo, do país, esse ficará mais uma vez subjugado aos interesses da minoria. Até porque haverá uma maioria, silenciosa, alienada e desiludida que não irá votar. Os custos de oportunidade de ir votar, de forma devidamente informada são demasiado elevados para aqueles que se sentem esquecidos.

Vejamos, vejamos alguns exemplo representativos de Marcelo:
– Marcelo, homem de direita e comprometido com o antigo regime, filho de um homem do regime e afilhado de Marcelo Caetano;

– Marcelo que se diz defensor do Estado Social, votou contra a lei de bases do Serviço Nacional de Saúde. Ou seja, Marcelo, foi contra a saúde universal e gratuita para todos os cidadãos;

– Marcelo é um homem próximo do poder económico, alias tão próximo mas tão próximo, que é amigo intimo de Salgado, em casa do qual passava férias no Brasil.

Marcelo é um homem do sistema. Não há por isso esperança que a mudança seja feita por alguém que é um dos interessados no actual estado de coisas.

 

Anúncio aos navegantes

Almirantes, marinheiros, grumetes, passageiros, clandestinos, ratazanas, aprocheguem-se! Vimos por este meio anunciar que 2015 foi um ano de boa navegação para este nosso navio, mesmo optando os nossos bravos homens e mulheres Ao Leme por rotas muitas vezes contracorrente e contranatura.

Num ano ainda de crise, em que tombaram entidades bancárias, em que caiu um governo em desgraça/trapaça, em que descem a pique todos os índices de qualidade de vida da generalidade dos portugueses, o nosso blog conseguiu crescer, atingindo as mais de 1500 visitas mensais e triplicando a sua base de simpatizantes no Facebook.

A vida não está fácil, a corja corsária continua infiltrada naqueles que se encontram ao leme de Portugal, pelo que continua a ser essencial o nosso esforço, aparentemente inglório, de agitar as águas e mentalidades. Existindo impedimento legal de  cortar algumas há que tentar mudar as outras cabeças, libertá-las da subjugação ideológica e moral vendida pelos controladores das massas populares, para por fim mudar as sentenças e navegação nacional.

Desejamos a todos muita força e discernimento para o ano vindouro.

Nós por cá continuaremos a remar e velejar livremente dentro das nossa possibilidades.

Boas saídas de 2015 e melhores entradas em 2016!

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Divórcio ou Separação Temporária?

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Como era esperado e expectável, a coligação de direita terminou com o seu governo. Tendo a direita se unido para nos desgovernar, e após a esquerda se ter unido para que a direita fosse direitinha arredada no parlamento, deixou de fazer sentido o Paulinho da Feiras (Catherine Deneuve para quem ainda se lembra) e Passos Coelho continuarem neste casamento por conveniência. A conveniência manda agora cada um se separar, como partidos distintos que são, e cada um fazer a sua oposição. A conveniência pela sobrevivência manda Portas também se retirar, temporariamente sabemos.

Alguns falam de divórcio. Foi um casamento por conveniência, tal como a AD em 79. Juntos se encontram sempre que a cama do poder os convida a se deitarem. E juntos fizeram um trabalho estupendo e serviram bem a classe que representam. Cortaram nos salários, cortaram nas pensões, aumentaram exponencialmente os impostos, recusaram empregos, promoveram a insegurança social, acabaram com a concertação social, esmagaram direitos laborais e sociais, colapsaram a saúde, criminalizaram o desemprego, promoveram a fome, fomentaram a pobreza e empurraram para a miséria grande parte dos portugueses. Mas financiaram salários por via da Segurança Social, salvaram o BES, compraram o Banif (e deu hoje no que se viu), devolveram hospitais públicos às misericórdias, promoveram a caridade como negócio rentável, vendaram a TAP, concessionaram os transportes públicos, não acabaram com as rendas do Estado à EDP, revolucionaram a lei das rendas, não atacaram as santas Parcerias Público-Privadas, fomentaram a promiscuidade entre público e privado… Esqueceram as pessoas, esqueceram a social democracia e a democracia dita cristã, que mais nunca foi do que reaccionários que se protegem atrás de um Cristo misericordioso.

Mas não foi um divórcio, foi uma separação. Não é com dor nem com mágoa que o fazem. A direita sempre se soube unir quando lhes cheira a poder. Mas convenhamos que não foi uma união fácil. Há agora que separar as águas e tentar limpar o nome dos dois partidos, na ante-visão do ataque aos noivos. Paulo Portas, também conhecido por Catherine Deneuve, nome de guerra no Parque Eduardo VII, astuto e malabarista, sabe-se mexer e ao demitir-se irrevogavelmente deu um golpe no PSD e satisfez a sua sede de protagonismo, qual diva da política, com o cargo de vice primeiro ministro! Sai agora da presidência do CDS porque sabe que é a altura certa para sair. Virão aí tempos quentes. O calor do Banif foi só o inicio. Paulo Portas sabe que podem-no queimar, mas se estiver ausente, saberá também regressar sem ter de responder.

Convém relembrar a capacidade de Portas de sempre renascer. O Passos vai passar mas o Paulo Portas esse nunca baterá com a porta. Esteve envolvido no caso moderna, nos submarinos e nem do caso casa pia escapou, na onda de destruição de personalidades politicas. Recuemos a 2003, quando os meios de comunicação social avançaram que miúdos da casa pia o apontaram como envolvido, e conhecido por andar no Parque Eduardo VII de cabeleira. Sobre este escândalo nada foi na verdade provado. Está ainda na memória de muitos mas hoje é difícil encontrar na internet matéria sobre isso. Nas tentativas de assassinato político aquele que realmente morreu foi Paulo Pedroso. Outros nomes foram avançados como Jaime Gama ou Bagão Felix, todavia aí o caso começou a perder credibilidade. Mas Paulo Portas, efectivamente enxovalhado pelos detalhes da sua transfiguração, renasceu sempre das cinzas, com uma ajuda incrível da comunicação social, tendo tomado de assalto o CDS, depois de o ter abandonado e literalmente desaparecido após o aparecimento da Catherine Deneuve. Quando reapareceu parecia o Dom Sebastião a regressar e a salvar a nação.


Mas vejamos este ser de personalidade peculiar, de cariz duvidoso, e que impõe os seus caprichos. Recuemos no tempo. Recuemos à tentativa de resgatar a Aliança Democrática. Recuemos ao Independente e um certo jantar entre o Presidente da Républica e alguns constitucionalistas. Ora bem, Marcelo então informador de Paulo Portas passou-lhe informações falsas, disse ter jantado uma certa sopa fria, vichyssoise, o que não tendo sido verdade levou ao corte de relações entre os dois. Foi com uma sopa que terminou com a AD! Marcelo Rebelo de Sousa afinal não jantou sopa fria mas serviu-a fria como à vingança a Paulo Portas. Mentiu e Portas zangou-se. Por isso, a tentativa de uma nova AD terminou, terminou por uma sopa! Portas não perdoa, a sopa acabou com uma amizade.

Mas eis que então o que não chegou a ser casamento culmina hoje no apoio de Paulo Portas a Marcelo Rebelo de Sousa nas presidenciais. Esta é a prova que as separações mesmo acabando com sopas frias nunca são definitivas.

No ano quente de 2013, em que a contestação social subia de tom, a direita esmagava as pessoas e as pessoas respondiam, Paulo Portas demite-se irrevogavelmente, após a saída de Vítor Gaspar e mediante a nomeação de Maria Luís. Paulo Portas demitiu-se, Mota Soares demitiu-se, Cristas demitiu-se. Chegou-se a comemorar no Marques de Pombal a queda do governo. Mas da demissão irrevogável renasceu um novo cargo governativo, o de Vice Primeiro Ministro. E Mota Soares lá continuou e a Cristas também. Paulo Portas deu um golpe de Estado e, como anteriormente tomou conta do CDS, tomou conta do governo do PSD e para o qual havia sido convidado. Paulo Portas é mestre na acção da ressurreição e da afirmação de poder.

Portas tem uma influência brutal no nosso país. Quando se uniu à vergonhosa governação de Durão Barroso e foi responsável pelo desmontar das nossas forças armadas e de outras actividades a ela ligadas que produziam riqueza e constituíam postos de trabalho, foi responsável pela compra ruinosa e muito pouco clara de submarinos e outros escândalos. Mas parece que não é nada com ele. Mas a verdade é que é! É considerado das personalidades com mais influência na economia. Paulo Portas esteve envolvido na demissão de Maria José Morgado quando esta estava à frente do combate ao crime económico. Paulo Portas, que vai buscar votos a camadas pobres da sociedade, como os reformados que foram uma das suas bandeiras, não teve vergonha de  cortar nas pensões mais baixas e de cortar no complemento solidário para idosos que é a ferramenta que permite muitos pensionistas saírem de uma situação de pobreza. Ele que até nem se quer imiscuir em questões de económicas, preferindo “a conversa da cueca” em politica, é uma pessoa que, quanto aos interesses instalados, faz todo o trabalho atrás do pano.

Paulo Portas separou-se agora do PSD, e já começou a fazer o seu trabalho de casa. Dedica-se agora a atacar a esquerda e garante que só a direita defende os direitos nacionais e da população. Paulo Portas, nódoa escondida da politica portuguesa, dedicar-se-á a manchar as forças politicas de esquerda e a preparar o seu regresso.

Ideologia de Natal

Grã-Cruz-do-Alberto-João
Amanhã a esta hora, quem ainda acredita no Pai Natal estará feliz e ansioso pela chegada do momento alto do ano, a meia-noite. Convenhamos, todos abraçámos esta ideologia, algures no passado, pelo menos enquanto pudemos. Depois, acabámos derrotados pela realidade. A fantasia do Pai Natal apenas pode durar algum tempo nas nossas vidas, depois aparecem as facturas para pagar. Não há ideologia que resista aos duros factos da vida adulta, excepto se o adulto for agraciado pelo Sr. Silva, seja cozinheiro, artista, desportista, gestor ou ex-governante. Para estes o Natal chega mais cedo. O Grau esse, depende da grandiosidade dos feitos.

Na sua grande indulgência, sua excelência perdoa até aqueles que no passado lhe teceram grandes e ferozes críticas, mesmo aos da mesma família ideológica. À época, a crítica, até dava um certo jeito, ajudava a compor a ideia da independência, do supra partidarismo que hoje outros procuram replicar.

Enfim, adiante que a hora é do condecorado, o Grande, o Enorme, o inigualável Vice-Rei da Madeira, Porto Santo e arquipélago das Selvagens, Alberto João Jardim, o único político lusitano que não deixou um tostão de défice, apenas obra. E que obra! Nunca o seu record de inaugurações será batido, mesmo se à contagem forem deduzidas as cerimónias repetidas, o seu desempenho é imbatível! São homens (e mulheres) como Alberto João Jardim que nos fazem acreditar que afinal, o Pai Natal existe mesmo. Para alguns, não para todos, mas existe!

Eu não roubei! Eu sou gay!

Sócrates é um caso português de Dr. Jekyll and Mr. Hide, dependendo se o vemos defendendo a sua honra, em entrevistas sem contraditório, ou se o vemos em soberba esgrima ao defrontar os procuradores que explanam as acusações contra si. No primeiro caso parece estarmos perante a vítima de uma conspiração cujo fim é o seu assassinato político e prejudício do PS, no segundo dá ares de vilão, com inteligência e sagacidade muito acima da média, capaz de montar o esquema perfeito baseado em intricados códigos de honra e  de comunicação. A única certeza dada por esta devassa da sua vida privada é a de que Sócrates gastou muito dinheiro nos últimos tempos.

Uma vez que o sistema judicial parece estar plenamente controlado resta-lhe a hercúlea tarefa de evitar, ou anular, a condenação pelo julgamento popular, menos dado à interpretação do código penal, ao cumprimento de todas as regras e trâmites da acusação. Algo necessário pois Sócrates é ainda um jovem para a vida política, com uma folha limpa poderia ter legítimas aspirações a PM ou PR. Se Cavaco o conseguiu porque não ele?

Sr. Sócrates, permita-me vir por este meio colocar em cima da mesa uma possível solução para o seu intrincado problema. Talvez não seja do seu conhecimento mas uma outra sombra existe sobre si, no diz que disse popular, a da sua real orientação sexual. Para muitos portugueses você é incondicionalmente gay. Com namorados apontados e tudo! Sim! Sim! Não se admire, nem se apoquente. Porque se há uns bons anos atrás isso seria contraproducente para o sucesso de uma carreira política hoje em dia já não é bem assim.

Acredito que seja dos poucos políticos portugueses com a fibra necessária para uma estratégia deste tipo: apagar da memória dos portugueses importantes factos judiciais e políticos contra si, utilizando como borracha cusquices relacionadas com a sua privacidade.

O ajustamento é ligeiro. Por uns tempos salte do CM, Publico, Visão, JN, etc para a Caras, Nova Gente, Maria, etc (talvez não consiga sair do CM mesmo assim). Aproveite para fazer política GLF, mudar completamente a sua imagem, reconquistando a simpatia e admiração de outrora. Demonstre novamente a sua coragem, pujança e descaramento, noutros termos menos bélicos e mais paz e amor. Transforme-se de um feroz animal político para uma, para A, amável bicha política. Veja-o como o surfar de uma onda para amainar um tsunami.

Acha que é absurdo e não vai funcionar? Pois pergunto-lhe se assim de rajada me consegue apontar um gay assumido reconhecidamente mal-feitor ou culpado de grandes crimes de corrupção? Pois… vê como é difícil? É como se o manto da homossexualidade funcionasse de forma imediata como um manto de honestidade!

Sugeria desde já que visitasse a sua antiga prisão, retribuisse os mimos que os presos e guardas tiveram para consigo, e ainda antes do Ano Novo marque uma conferência de impresa para esta revelação bombástica que será arrasadora (pelo menos das memórias lusas relativas ao processo “Operação Marquês”).

Neste momento pode optar por uma de duas tocas: a do coelho Ladrão e a do coelho Homossexual. Como isto não é uma fábula mas sim a vida real não poderá matar ambos de uma cajadada só. Seja forte, escolha um deles e vista a pele que melhor lhe assenta ou a que mais votos lhe renderá no futuro.

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PS – Atenção que esta é uma estratégia desenhada absolutamente para território português. Se visitar terras brasileiras não existe qualquer escapatória possível à carga negativa colonialista de um político português que ouse roubar dinheiro ao povo brasileiro! No Brasil ser ratazana é mais forte do que ser veado. Em caso de emergência fale com Duarte Lima.

Acreditar à Força

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Unidos podemos tudo. Unidos pagamos tudo. Unidos na desgraça, divididos nos proveitos, mas sempre salvaguardados pelas robustas, ágeis e eficazes instituições que dão pelo nome de reguladores. São competentíssimos na velha arte do relatório forense. No sector bancário, chamar Regulador à entidade competente é tão absurdo como a considerar independente. São eufemismos. Nem com o maior dos sarcasmos lhes consigo achar graça. Eis derrotado o meu mais perverso sentido de humor negro. Não consigo rir. Afinal o que é que regula este regulador? Afinal é independente de quem? Ou de quê? Só me ocorre uma resposta: dos contribuintes. É o regulamento!

A saída era limpa, os cofres estavam cheios, mas afinal havia mesmo esqueletos no armário. Que bom, temos culpados. Calha bem a indignação, mas tal pouco importa, na verdade dá igual. Unidos, pagamos, tudo o mais é propaganda. Mas mentiram, descaradamente mentiram! É verdade, mas sempre o fizeram, porquê o choque? Unidos, quisemos acreditar. Tanto assim foi que continuamos na senda das crenças, se não todos, alguns: Há quem enalteça a coragem, há quem lhe louve a frontalidade, a verdade que o novo primeiro-ministro sucintamente nos relatou ontem. Sim, reconheço, a forma é bem diferente, mas o conteúdo é o de sempre. Nada mudou.

Unidos pagamos milhares de milhões, como se fossem tostões. O que é de todos não é de ninguém. Mais uma vez, temo não ser a última, unidos acreditamos à força que é desta que o sistema encontra o almejado equilíbrio, a prometida estabilidade. Quase virou rotina. Por aí virão comissões de inquérito, auditorias e muito debate inconsequente, e claro está, descobriremos que afinal será mais caro, mais dispendioso do que o previsto. Culpados muitos, tantos que já não será possível imputar responsabilidade seja a quem for. No fim, ninguém, absolutamente ninguém foi responsável e todos agiram com a melhor das intenções. Típico interesse nacional. Este tipo de assalto, por tão banal, até nos parece normal.

Star Wars – O Regresso de Jedi

Como o tempo voa! Hoje, véspera da grande estreia do sétimo episódio da saga Star Wars, vamos recordar o apoteótico Regresso de Jedi, aquele que nasceu predestinado a trazer o equilíbro de volta à Força. Esta criança prodígio, de seu nome Anakin Rebelo de Sousa, desde cedo revelou os seus talentos e aptidões cognitivas, anos-luz à frente da mediocridade reinante por estes lados da galáxia. Docente brilhante, catedrático há décadas, foi desde sempre profissionalmente multifacetado.

DarthRebeloVader-no-Tejo

Jornalista rebelde, nem o patrão poupou, deu-lhe um vaipe explicou. Mesmo assim chegou a director do hipermercado da informação. Porém, todo este potencial, todo este brilhantismo na análise foi gorado pela acção. Anakin foi tentado pelo lado negro e cedeu. Abandonou o jornalismo porque o partido chamou. Nascera Darth Martelo, o terrível Sith. Sem igual no improviso, recebeu o embaixador da Pérsia em cuecas. Resultou. Lançou-se à conquista de eleições, mas perdeu. Até foi a banhos, mas não adiantou. Recolheu, depois voltou. Inventou, exigiu e ganhou no partido. Depois comeu sopa de alho-porro e saiu. Muito duelo travou, com astúcia esgrimiu, com agilidade o Sabre de Luz brandiu, mas nada. Na verdade nunca ganhou uma eleição. Justiça lhe seja feita, o tacho preteriu. Da universidade nunca saiu. Inquestionável mérito, tem profissão, é professor, não é carreirista.

Darth Martelo nunca foi homem para um e um só trabalho. No seu brilhantismo exigiu sempre mais de si próprio. Abraçou então a nobre e digna função de comentador. Como sempre, não evitou polémicas, mas é o melhor, indiscutivelmente o melhor de todos quantos entre nós se ocupam a explicar exactamente aquilo que devemos pensar. Quem não reconhece a sua famosa interjeição respiratória, qual piloto de caça, qual mergulhador das profundezas? Com inteligência faz a diferença, mas a sua derradeira arma é a criatividade. É de uma agilidade mental alucinante. Perfeitamente compreensível esta necessidade de uma mente brilhante de se entreter. Convenhamos, não é fácil evitar o tédio, sobretudo entre nós.

Assim foi, ano após ano, semanalmente, Darth Martelo prosseguiu no comentário, metodicamente pregando cada prego. Mas como nunca pregou prego sem estopa, uma vez consolidada a construção, anunciou o Regresso do Jedi. Candidata-se! Morte ao Sith, eis de volta o bom e justo Anakin Rebelo de Sousa, pronto ao sacrifício de presidir à República. Será desta que ele ganha uma eleição? Até parece mero formalismo. Na verdade comporta-se como se tratasse de uma nomeação…

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