Bovinos Alados

A Nação comemora hoje o seu octingentésimo trigésimo sétimo aniversário, graça da bula “Manifestis Probatum” e de quem a outorgou, o Papa Alexandre III. Parabéns a nós, os portugueses, pitorescos habitantes do Sudoeste Europeu. A festa será rija, especialmente agora que já não há impossíveis! Entre nós, até as vacas tem asas! Eis o símbolo da mudança, do optimismo crónico e por vezes irritante. Na verdade já todos sabíamos que muitas eram sagradas, mas que afinal têm asas é algo absolutamente novo. A tantos outros predicados e virtudes para a atrair turistas, juntam-se agora as maravilhosas imagens das manadas aladas, voando ao por do sol, quais gaivotas leiteiras. Afogar-se-ão ao amarar?

Sem Minotauros, Sereias ou Centauros a mitologia lusitana tem tido no Adamastor a sua personagem central. Ora a pretexto do défice, ora a pretexto dos mercados, é diariamente recordado! O desastre que sempre espreita, a inevitável consequência da soberania hipotecada à obra feita para inglês ver e português votar. Tanto betão, tanto alcatrão que hoje aguarda por utilizador-pagador que lhe dê propósito.

Entre nós basta apresentar uma causa para que todo o efeito se justifique. Assim foi, assim é, manda quem pode, obedece quem deve, pois claro! E a coragem de outrora? A motivação, o ânimo, por onde andam? Adormecidos pelo quotidiano, adiados entre prestações das coisas, úteis ou supérfluas que comprámos. Cada qual no seu bote, ruma ao Cabo das Tormentas, encolhe os ombros e pensa: Paciência, para o mês que vem é que vai ser. Por vezes é…

bovino-alado-final

Na corda bamba

Temos vivido nestes últimos meses uma popular forma de estar, o “quem não chora não mama”. São manifestações, greves, apelos, lobbies que o governo tem encaixado com mestria, ouvindo argumentos, fazendo concessões, mostrando-se sensível, atento ao tema fracturante em questão, conseguindo ao mesmo tempo o apaziguar dos agentes dessa agitação e o atenuar dos seus impactos em termos de opinião pública.

A promessa de uma nova era comprou um período de aparente paz social e mediática onde na verdade não há nada que concretamente possa ser apontado como estando melhor, nem como estando pior. A mudança de discurso, as reversões em curso, a crítica de onde antes nos chegavam elogios, criaram um período experimental da geringonça durante o qual, mesmo não se percebendo bem como funciona, se crê na sua pontencialidade e utilidade futura.

Do passado chegam os números da nova fiscalidade, que será aviso suficiente para os resultados práticos das certezas orçamentadas de receita fiscal futura. Traduzido em números a receita fiscal com impostos sobre tabaco, alcool  e sacos de plástico foi um desastre, mais de metade abaixo do estimado, no entanto do ponto de vista do consumo e do ambiente só podemos felicitar-nos com este sucesso. Afinal a tributação agravada sobre estes bens prejudiciais tinha como objectivo diminuir drasticamente o seu consumo ou simplesmente aumentar a receita? Qual será a intenção do recente aumento sobre os combustíveis?

Aproveitando ainda o emblemático 1º de Maio e demonstrada que está a capacidade da fiscalidade influenciar rapidamente comportamentos menos recomendados, sugiro o seu uso para diminuir a precariedade no trabalho e promover o aumento dos salários. Bastaria tabelar o IRC com escalões em função da carga salarial vs volume de pagamentos realizados a trabalhadores independentes e da percentagem de trabalhadores a auferir o salário mínimo. Penalizar fiscalmente as empresas que fomentam esse tipo de vínculos, beneficiar as que não os praticam e dão melhores condições e rendimento aos seus colaboradores.

Concluindo, sente-se que este governo está a mudar estratégias, a arrepiar caminho em relação ao rumo traçado pelo antigo governo, no entanto fá-lo de uma forma tão silenciosa que não é de todo perceptível qual a sua dimensão, nem qual a eficácia esperada dessas mudanças. Em termos mediáticos, a crispação, a confrontação do governo com as suas opções, o tema crise, tudo parece ter desaparecido, existindo foco nos escândalos ‘autorizados’ a vir a público, na dinâmica do novo Presidente da República e no entretenimento do momento. Será este um sinal do acalmar da tempestade? A crise está finalmente a dissipar-se? Ou mais do mesmo estará para vir?

Corda-Bamba

André Lava o Jato

Lava-Jato

No Brasil o calor continua… mas ainda que soprem ventos quentes Portugal continua pouco animado pelo escaldão brasileiro. Eles gritam, eles sambam, eles rezam, mas eles acima de tudo gamam.

E por falar em Gamar, verbo político também desta nossa nação, sopra o vento quente brasileiro ao PSD de que o director das campanhas de marketing esteja envolvido no Lava Jato.

Não é a primeira vez que o Lava Jato lança uns jatos para Portugal. Foram identificados subornos na construção da barragem Baixo Sabor em Bragança num total de 750 mil euros (coisa pouca numa barragem orçamentada em 680 Milhões) construída em parceira entre o Grupo Lena e a Odebrecht e aprovada pelo nosso Marquês Sócrates.

Marquês Sócrates nega, diz que a Barragem Baixo Sabor não está no sabor do Plano Nacional de Barragens e culpa Durão Barroso pelo Baixo Sabor.

Na Barragem, cujo sabor ascendeu a 680 Milhões, a EDP orgulha-se de já ter investido 10 Milhões e de vir a investir nos 75 anos da concessão mais 60 Milhões, ou seja 933 mil euros por ano, possivelmente em investimento de substituição.

Mas agora o visado é o Director de campanha do PSD, cujo irmão já foi detido para prestar declarações no Brasil, e que agora tem o nome nos jornais: André Lava o Jato. De assinalar que se trata de um vencedor, director das campanhas do PSD desde 2011, conseguiu 2 vitórias para Passos Coelho. É verdade que a vitória do Portugal à Frente foi vencido no parlamento pela Maioria de Esquerda, mas não se pode exigir tudo, afinal o brasileiro André Lava o Jato ainda não é deputado português. Será de Passos Coelho ponderar isso, porque a sua atitude de vitima não o está a ajudar! Mas André Lava o Jato, publicitário, vai continuar a aconselhar Passos Coelho sobre a estratégica política e de comunicação. Mais do que nunca, Passos e o PSD precisam de lavar os jatos esquerdistas desta nação, entregue a um governo bolchevique, apoiado na esquerda radical e nos terroristas dos sindicatos.

É no entanto imprudente avançar com acusações ou sequer investigações. Aquilo no Brasil ferve e os papeis do Panamá incomodam algumas pessoas, e esta coisa de se estar sempre falar em dinheiro e corrupção e principalmente investigar sobre ela tornou-se na União Europeia uma coisa que pode sair cara e até pode dar prisão.

Cisco-de-Passos

 

Fichas Novas

O grande Casino Europeu está finalmente a criar novas fichas de jogo. A delegação germânica inovou, criou uma nova ficha e deu-lhe um nome. Chamar-se-á “Planeta Terra“. Terá o valor facial de 5 Euros, mas além das ligas metálicas habituais, adicionou plástico azul!  Sim, um bonito plástico azul que simboliza a atmosfera. Quanto custa? Bem, um pouco mais de 15 euros. Vale 5 mas custa 15? Afirmativo, serão mais de 22,5 milhões de receita, mas apenas 7,5 milhões em fichas a circular no salão do casino. Então e a inflação? Adiante… Seguir-se-á uma edição especial para coleccionadores, de igual valor facial, mas (apenas) 5 vezes mais cara. Nos Casinos, ganha sempre a casa.

Salvaguardada a devida distância e regra de proporcionalidade, a delegação portuguesa do grande Casino Europeu vai também proceder à cunhagem de novas fichas. Motivo? O Planeta? Não, a participação portuguesa nos Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro. Duas emissões comemorativas. Uma para circular no Salão do Casino, como corrente comemorativa e a outra especial de corrida, apenas para coleccionadores. Olhando para elas fico baralhado. A primeira vale o que custa, é ficha corrente e terá o valor facial de 2 euros. A segunda custa 4 euros, é especial de corrida, artigo de colecção que terá um valor facial insólito, 2,5 Euros. Uma inspirada no Coração de Viana do Castelo, bem bonita por sinal, mas a outra nem por isso. Na verdade é bem feia e vulgar. À inspiração em filigrana opõem-se a inspiração na ordenha. Estranhei, na minha ignorância pensei que a preferência dos coleccionadores fosse pelo requinte…

A-nova-moeda-final

Tratamento Desumano

Eduardo vive encarcerado numa prisão de alta tensão, condenado a uma pesada pena de trabalhos forçados. O ambiente é duro, sujo e cruel, mas ele não quebra. Mantém a postura altruísta que o caracteriza. É uma vitima. O pobre coitado é mal tratado: Mal tratado pela opinião publica que injustamente o acusa de ser interesseiro e materialista; É maltratado pelos carcereiros, os orientais que se apoderaram da terrível prisão. É alvo, sem qualquer dúvida, de um tratamento desumano.

Subjugado, foi obrigado a renunciar aos princípios ideológicos, renegar à sua visão partidária e receber o inimigo de braços abertos. Repugnado, disponibilizou-se para servir de toda a forma, estilo ou jeito. Ao que a pessoa chega para salvar a humilde posição, o pouco que a custo conquistou naquele tenebroso local. A degradação da dignidade humana é revoltante! Os cruéis carcereiros apreciam a previsibilidade da receita. Qualquer deslize é severamente punido. Toda e qualquer alteração ao plano, a mais pequena redução da renda, coloca imediatamente em causa as condições de vida na prisão. Não foi isto que lhes venderam! Os primeiros a sofrer são ideólogos que com a sua abnegação e fino recorte literário evangelizam a população prisional. É para isso que lá estão! O maior entre os grandes, o imortal guardião da poesia capilar púbica, merecia melhor sorte. Espero que mova uma acção judicial contra todos os que o oprimem e impõem tão rude martírio: os malvados carcereiros, os odiosos inimigos políticos e claro, os invejosos que o criticam. Espero que ganhe…

Tratamento-Desumano

Laivo de Clarividência

Nem sempre é nítido o contraste entre o absurdo e o óbvio. Vivemos tempos estranhos. Apenas o viral é real. Tudo o mais não existe. O virtual até já impõe agenda aos media, mas grosso modo prevalece o princípio da exclusividade absoluta da verdade: a televisiva. Se o noticiário não relatou não aconteceu.

Exposto o abstracto, vamos ao concreto. O exemplo: Num laivo de clarividência, o presidente da comissão europeia, o homem da terra da competitividade fiscal, o luxemburguês Jean-Claude Juncker disse ontem o óbvio! Por cá não passou, pois foi dia de propaganda sobre avisos e críticas à soberania lusitana, logo não houve espaço mediático. Assim se vende em permanência a ideia que nós, entregues a nós próprios, só fazemos asneiras. Resumindo, em dia de divulgação de ameaças, esqueceram-se de nos informar sobre as palavras de Junker. Que disse ele? Que a União Europeia (imagine-se!) errou. Reconheceu que a legislação Europeia é excessivamente intrusiva, que interfere demasiado nos processos legislativos nacionais dos países membros e que por essa razão os cidadãos se afastam cada vez mais do ideal europeu.

Este recado para britânicos, em nítido contraste com a mensagem que ontem nos estava destinada, é tão lúcido como verdadeiro. Traduz a percepção crescente entre os europeus, de um extremo ao outro do campo ideológico. Seja a extrema-direita de leste ou a extrema-esquerda dos periféricos, ninguém quer ser europeu deixando de ser aquilo que nasceu, cidadão do seu país. União não é, não pode nem será, uniformização. Ninguém a quer!

Laivo-de-Clarividencia

 

Plástico de Cidadania

Fez ontem 30 anos que faleceu em Paris a escritora Simone de Beauvoir. Por cá, em Lisboa, o partido que se diz inteiro e em bloco, tentou homenagear a prestigiada intelectual, activista política e feminista convicta, mas não conseguiu. Acto falhado. Teria sido bonito, mas fracassou. Não foi uma questão de forma, correcta aliás, foi mesmo o conteúdo. Alguém anda com falta de ideias para temas fracturantes. A proposta é de tal forma oca que muitos duvidaram da sua autenticidade. Os outros, aqueles que acreditaram ser real e verdadeira, choraram. Comoção? Não, gargalhada.

Mas rir faz mal? Negativo! É até muito salutar! Faz bem, especialmente em dias cinzentos e chuvosos. Contudo, o progresso social é sobretudo um processo geracional, nada tem de instantâneo, nem mesmo juntando muita água. Há reivindicações que se tornam absurdas, por vezes ultrapassadas pelos próprios acontecimentos e hábitos. Afogam-se no idealismo. A Lei dos Piropos é disto bom exemplo, não por serem agradáveis, mas simplesmente porque estão em desuso. Nós, os jovens na quinta década de vida, não praticamos o lançamento do piropo. Sem a sua proibição, a nossa descendência nem saberia o que foi essa arte de outrora, entre o elegante elogio e a boçalidade. O pretenso simbolismo falha por falta de quem o contemple.

A proposta de ontem padece do mesmo tipo de excesso de sofisticação progressista, mas têm o seu mérito linguístico. Aponta o problema de género e apresenta uma solução. Porém, preciosismo por preciosismo, pois que o rigor seja imaculado. O documento em causa não é de cartão, é de plástico. Proceda-se em conformidade.

Plastico-de-Cidadania

 

 

Yabba-Dabba-Do

Os pré-históricos Flintstones foram hoje à periferia da capital lusitana, mais concretamente à cidade da Amadora, inaugurar a nova estação de metropolitano da Reboleira. Vieram no seu automóvel, a conhecida Geringonça de tracção pedonal pelos ocupantes, veículo ecoeficiente e 100% reciclável. Salvem o planeta, reciclem! Nunca é cedo demais para mudar o que está mal, o que está errado. Culturalmente estamos conversados, o desporto vai pelo mesmo caminho e na defesa a coisa está negra, mas adiante que nem Willian Hanna nem Joseph Barbera tiveram imaginação que chegue para isto. Ninguém ousaria a tanto em tão pouco tempo. Avancemos que a agenda está cheia.

O evento correu bem, os convidados compareceram, os protagonistas também. Houve discursos e bons concelhos, animação em geral e muita alegria em particular. Como se quer. Todos os bancos eram bons, excepto para quem viajou de pé. Ora, foi disto que nos falou Fred. Avisou. Eis chegado o momento de mudar, de transformar principescos hábitos em altruístas virtudes. Mais do que não abastecer em Espanha, mais do que não poluir, é saúde. Isso! Fred a Pé anunciou a imediata extinção dos nefastos automóveis das cidades nacionais.

Andar a pé faz bem, eu cá pratico e gosto, mas será que todos podem? Quantos moram perto do trabalho? Não muitos, não é verdade? Esta ideia de a todos enfiar no Metro é coisa de quem nele não passeia há muito. Com a euforia do dia confundiu a abertura de mais uma estação com uma verdadeira rede de transportes públicos, que na realidade não temos.
Fred-a-pe

Noddy, Mário Noddy

O prometido é devido, mesmo que a contragosto, eis-me a cumprir com a palavra dada. Hoje sim, é dia do herói principal destas aventuras. Mais tarde voltaremos às outras personagens. São tantas, tão ricas e diversificadas que a tarefa não se avizinha fácil, mas fica a promessa. Vamos ao que interessa, à ordem do dia.

Reuniu ontem o conselho de estado, em virtude de o cargo de Presidente da República ter sido novamente preenchido após longo hiato de uma década. Estamos portanto na chamada fase do “estado de graça”, consequência do alto patrocínio do factor novidade. Tanta é a ternura nesta nova era dos afectos que os conselheiros foram brindados com um convidado especial. Já se sabe que recebemos bem, que os convivas apreciam o clima e a gastronomia, mas nunca a satisfação do turista foi para nós tão importante.

Abram alas para o Mário! Viva! Chegou e disse, falou e foi-se. Reformar é a ordem. Reformar sem reverter, porque as reformas foram todas óptimas. O crescimento económico bate à porta, em linha com a Europa. Olha que bom! Importante por cá, no país dos brinquedos, são os juros da dívida soberana. Soberana? Confesso que não consigo escrever isto sem me rir. Soberana. Trágico, não é? Como podemos sequer usar a palavra quando é o Noddy que tudo faz? É ele, não os mercados, nem as reformas, que faz baixar os juros, logo, é ele, o Noddy quem manda. Gostamos? Não, mesmo nada, mas também de nada nos serve fingir.

Draghi-Noody

Incrível Hulk

Fruto da criatividade da dupla Stan Lee e Jack Kirby, a personagem de hoje destaca-se das demais criações dos mesmos autores pela fonte da inspiração, algo inédito e totalmente inovador: uma poderosa e explosiva mistura de dois livros, os famosos “Frankenstein” e “O Estranho Caso de Dr. Jekyll e Sr. Hyde”, da autoria de Mary Wollstonecraft Shelley e Robert Louis Stevenson respectivamente.

Esteve para ser cinzento, mas ditou o acaso que fosse verde, numa tonalidade imprevista pelos seus criadores mas que se impôs até hoje. Começou por ser noctívago, transformando-se apenas a coberto da noite, qual lobisomem ou transformista. Não tem penas, nem voa, mas quis o destino que abandonasse esta faceta mais recatada, dando asas ao seu lado selvagem, libertando-o para um quotidiano sem restrições ao mau feitio, revelando-se a qualquer hora do dia ou da noite. Eis como um pacato e tranquilo João Soares se transforma num temível e terrível monstro quando se irrita. Vira bicho! É esta a descrição mais sucinta deste herói da banda desenhada, ele próprio um clássico do cinema, o incrível Hulk, a outra faceta, consequência da exposição a raios gama na moleirinha, redes sociais à mistura e pronto, é quanto baste para que o super-herói da Marvel ameace os seus críticos.

Tanto que poderíamos dizer, tão pouco tempo (e espaço!) para o fazer, de filho pródigo a sobrevivente a desastre aéreo, de autarca a comentador, hoje ministro, um trajecto e pêras. Há quem diga diamantes, mas cuidado, não vá o matulão se enervar….

Hulk-Soares