Nada a Temer
Até à estreia da selecção no Europeu de Futebol, a nação estará num imperturbável estado de graça. Grande é a esperança! Défice só em polémica, daquela boa e inconsequente. Apenas uma pequena diferença de opinião quanto às necessidades de capitalização do banco público e a reedição do convite à emigração dos docentes, parecem trazer algum sal a estes dias insonsos. Somente a constituição do onze para mais logo interessa! O nosso oponente, aquele que por mais de uma vez se bateu pela sua Zona Económica Exclusiva, e pelo direito de nela decidir quem pesca, diz-se preparado. Compreende-se. Não uma, nem duas, mas por três vezes travou a Guerra do Bacalhau, fazendo frente ao nosso velho aliado, vencendo sempre, mesmo quando aos britânicos se juntaram belgas e alemães. Nada ficou em águas de bacalhau, o que significa que connosco tem apenas uma afinidade, o apreço ao fiel amigo.
Perante tamanha tranquilidade, para exercer a minha sátira, sou forçado à travessia transatlântica. Recorro ao contraste. Os nossos irmãos brasileiros estão com o moral em baixo. Foram ontem eliminados da Copa América, prova congénere áquela onde hoje nos estreamos. Com a agravante de o golo que ditou a eliminação ter sido marcado com o braço. Como uma tragédia nunca vem só, a economia mantém a trajectória descendente e o panorama político continua negro. Qualquer ditadura parece inclusiva por comparação. Como grandes importadores da ficção brasileira, não conseguimos imaginar a realidade que por lá se vive. Somos levados a crer que não há nada a Temer…
Isto está lento, está!
Decididamente, o nosso sistema educativo, público ou privado, necessita de ser revisto e repensado com urgência. É decisivo que o façamos, sob pena de arcarmos com consequências bem mais penosas que as mais recentes e virais polémicas. Bem sei que a tragicomédia é um dos pilares da lusitanidade, mas julgo que o humor negro se quer mais ágil, muito rápido e instantâneo, senão perde-se o gáudio. Haja pelo menos um prazo de validade! Bem sei, e concordo, que quem não se sente não é filho de boa gente, mas quiçá haverá algo mais além do óbvio. Talvez um contexto próprio. Será? Averiguemos com o rigor que o momento e a circunstância exigem. Vamos aos factos.
Passados apenas meia dúzia de anos, uma inaudita entrevista do líder sindical dos roqueiros a um canal de paródia televisiva, despertou uma intempestiva reacção. Não há disco de platina que o proteja, nem longevidade de carreira que o salvaguarde. Nem pensar! O artista que outrora despudoradamente se despiu para ilustrar uma das suas múltiplas obras, está hoje no centro do maior problema inter-regional das últimas décadas. Não haverá nem apelo nem agravo. Já nos bastam os tópicos em fila de espera, tudo aquilo que aguarda processamento colectivo, sejam eles portáteis para as criancinhas ou gorduras do estado. São tantas as prometedoras soluções cujo fracasso tarda em gerar reacções. Curiosa assimetria esta, entre orgulho local e mentira nacional.
Avancemos para a conclusão. Vamos às culpas! Não sei se os supracitados fenómenos sociais são resultantes de compreensão lenta ou de memória curta generalizadas, mas não hesito em responsabilizar o sistema de ensino pelo categórico falhanço – A população não está preparada para este nível de exigência cognitiva. Nem com cábulas vamos além da graçola simples e brejeira sobre a alegada preguiça alentejana. Regionalização pois então… Ou talvez não!
Eta! Caracas! A coisa está preta!
Tenho orgulho, orgulho, em ser português! Português! Português! Português!
A emigração portuguesa sempre foi uma solução de ante-penúltimo recurso que muitos dos nossos conterrâneos não temeram enveredar. (sendo o penúltimo roubar e o último arriscar mudar o estado das coisas correndo com políticos corruptos e inábeis eleitos por via da abstenção)
Emigraram em massa para vários pontos do globo, com maior concentração em alguns países, aliviando a pressão social interna e posteriormente injectando capital na nossa economia com o aumento do envio de remessas. Sejamos francos, o nosso maior sucesso de exportação são as pessoas! É de tudo! Desde as mal às altamente qualificadas. O que de certa forma nos pode remeter para os tempos de antigamente em que também exportávamos pessoas em modalidade de pré-pagamento de remessas futuras fruto de árduo trabalho.
Existe agora um pequeno senão. E lá diz o provérbio popular “não há duas sem três”!
Da primeira vez, quando a mudança global de ciclo quebrou este mercado de força de trabalho, os emigrados forçados ficaram por lá, onde se encontravam, seja porque havia economia para os encaixar seja porque não havia interesse político e/ou capacidade financeira para devolver milhões ao seu país de origem onde já outros interesses estavam instalados.
Da segunda vez fomos expropriados à força de terras, que na verdade não eram nossas, sendo forçado ao acolhimento de um grande número de nossos retornados/refugiados.
A terceira aparenta estar mais perto do que aquilo que se imagina sendo que na próxima mudança de ciclo o cenário será completamente diferente. A crise é mundial, muitos portugueses encontram-se em países que atravessam momentos de convulsão (Brasil, Venezuela, Moçambique, Angola, mesmo França e Reino Unido) pelo que não será de excluir a hipótese de parte considerável das centenas de milhares (ou mesmo milhões) de emigrados se ver forçado a retornar a Portugal. Pior, em alguns casos poderão não ter condições para o fazer e terá de ser o país a dar a resposta necessária, e obrigatória, para trazer de volta essa nossa gente.
Mesmo com vozes alarmantes, com os sinais mais do que evidentes, a reacção à crise dos refugiados foi tardia e inconsequente. Agora estamos em altura de nos prepararmos para o potencial de outra crise humanitária, não de refugiados, mas de retornados. De gente que certamente quererá vir para Portugal quando lhe estendam a mão, as pontes aéreas e/ou marítimas, as condições de alojamento e apoios financeiros, pois é esta a terra das suas raízes. Espero sinceramente que, se necessário, Portugal esteja preparado para estender essa mão, mesmo que sem anéis ao menos que mantenha todos os seus dedos. O resto faz-se com distribuição martelos, picaretas, enchadas, forquilhas e outras ferramentas de apoio à criação de novas culturas e reabilitação de edifícios desde a sua fundação.
Apesar de aparentemente ser um mau cenário quem sabe se a prazo não traria benefícios a Portugal? Gente lusa que bebeu conhecimento de outras culturas, de olho e cabeça mais abertos, com garra, sem medos de começar a vida do zero, só poderia ser uma boa influência sobre todos nós e ajudar a revitalizar a nossa economia com o aumento exponencial do número de consumidores.
Para começar a preparação deste cenário só teremos de garantir posição dominante sobre uma companhia aérea nacional e o exemplar funcionamento dos nossos portos.
Estaremos no bom caminho?
Bovinos Alados
A Nação comemora hoje o seu octingentésimo trigésimo sétimo aniversário, graça da bula “Manifestis Probatum” e de quem a outorgou, o Papa Alexandre III. Parabéns a nós, os portugueses, pitorescos habitantes do Sudoeste Europeu. A festa será rija, especialmente agora que já não há impossíveis! Entre nós, até as vacas tem asas! Eis o símbolo da mudança, do optimismo crónico e por vezes irritante. Na verdade já todos sabíamos que muitas eram sagradas, mas que afinal têm asas é algo absolutamente novo. A tantos outros predicados e virtudes para a atrair turistas, juntam-se agora as maravilhosas imagens das manadas aladas, voando ao por do sol, quais gaivotas leiteiras. Afogar-se-ão ao amarar?
Sem Minotauros, Sereias ou Centauros a mitologia lusitana tem tido no Adamastor a sua personagem central. Ora a pretexto do défice, ora a pretexto dos mercados, é diariamente recordado! O desastre que sempre espreita, a inevitável consequência da soberania hipotecada à obra feita para inglês ver e português votar. Tanto betão, tanto alcatrão que hoje aguarda por utilizador-pagador que lhe dê propósito.
Entre nós basta apresentar uma causa para que todo o efeito se justifique. Assim foi, assim é, manda quem pode, obedece quem deve, pois claro! E a coragem de outrora? A motivação, o ânimo, por onde andam? Adormecidos pelo quotidiano, adiados entre prestações das coisas, úteis ou supérfluas que comprámos. Cada qual no seu bote, ruma ao Cabo das Tormentas, encolhe os ombros e pensa: Paciência, para o mês que vem é que vai ser. Por vezes é…
Na corda bamba
Temos vivido nestes últimos meses uma popular forma de estar, o “quem não chora não mama”. São manifestações, greves, apelos, lobbies que o governo tem encaixado com mestria, ouvindo argumentos, fazendo concessões, mostrando-se sensível, atento ao tema fracturante em questão, conseguindo ao mesmo tempo o apaziguar dos agentes dessa agitação e o atenuar dos seus impactos em termos de opinião pública.
A promessa de uma nova era comprou um período de aparente paz social e mediática onde na verdade não há nada que concretamente possa ser apontado como estando melhor, nem como estando pior. A mudança de discurso, as reversões em curso, a crítica de onde antes nos chegavam elogios, criaram um período experimental da geringonça durante o qual, mesmo não se percebendo bem como funciona, se crê na sua pontencialidade e utilidade futura.
Do passado chegam os números da nova fiscalidade, que será aviso suficiente para os resultados práticos das certezas orçamentadas de receita fiscal futura. Traduzido em números a receita fiscal com impostos sobre tabaco, alcool e sacos de plástico foi um desastre, mais de metade abaixo do estimado, no entanto do ponto de vista do consumo e do ambiente só podemos felicitar-nos com este sucesso. Afinal a tributação agravada sobre estes bens prejudiciais tinha como objectivo diminuir drasticamente o seu consumo ou simplesmente aumentar a receita? Qual será a intenção do recente aumento sobre os combustíveis?
Aproveitando ainda o emblemático 1º de Maio e demonstrada que está a capacidade da fiscalidade influenciar rapidamente comportamentos menos recomendados, sugiro o seu uso para diminuir a precariedade no trabalho e promover o aumento dos salários. Bastaria tabelar o IRC com escalões em função da carga salarial vs volume de pagamentos realizados a trabalhadores independentes e da percentagem de trabalhadores a auferir o salário mínimo. Penalizar fiscalmente as empresas que fomentam esse tipo de vínculos, beneficiar as que não os praticam e dão melhores condições e rendimento aos seus colaboradores.
Concluindo, sente-se que este governo está a mudar estratégias, a arrepiar caminho em relação ao rumo traçado pelo antigo governo, no entanto fá-lo de uma forma tão silenciosa que não é de todo perceptível qual a sua dimensão, nem qual a eficácia esperada dessas mudanças. Em termos mediáticos, a crispação, a confrontação do governo com as suas opções, o tema crise, tudo parece ter desaparecido, existindo foco nos escândalos ‘autorizados’ a vir a público, na dinâmica do novo Presidente da República e no entretenimento do momento. Será este um sinal do acalmar da tempestade? A crise está finalmente a dissipar-se? Ou mais do mesmo estará para vir?
André Lava o Jato
No Brasil o calor continua… mas ainda que soprem ventos quentes Portugal continua pouco animado pelo escaldão brasileiro. Eles gritam, eles sambam, eles rezam, mas eles acima de tudo gamam.
E por falar em Gamar, verbo político também desta nossa nação, sopra o vento quente brasileiro ao PSD de que o director das campanhas de marketing esteja envolvido no Lava Jato.
Não é a primeira vez que o Lava Jato lança uns jatos para Portugal. Foram identificados subornos na construção da barragem Baixo Sabor em Bragança num total de 750 mil euros (coisa pouca numa barragem orçamentada em 680 Milhões) construída em parceira entre o Grupo Lena e a Odebrecht e aprovada pelo nosso Marquês Sócrates.
Marquês Sócrates nega, diz que a Barragem Baixo Sabor não está no sabor do Plano Nacional de Barragens e culpa Durão Barroso pelo Baixo Sabor.
Na Barragem, cujo sabor ascendeu a 680 Milhões, a EDP orgulha-se de já ter investido 10 Milhões e de vir a investir nos 75 anos da concessão mais 60 Milhões, ou seja 933 mil euros por ano, possivelmente em investimento de substituição.
Mas agora o visado é o Director de campanha do PSD, cujo irmão já foi detido para prestar declarações no Brasil, e que agora tem o nome nos jornais: André Lava o Jato. De assinalar que se trata de um vencedor, director das campanhas do PSD desde 2011, conseguiu 2 vitórias para Passos Coelho. É verdade que a vitória do Portugal à Frente foi vencido no parlamento pela Maioria de Esquerda, mas não se pode exigir tudo, afinal o brasileiro André Lava o Jato ainda não é deputado português. Será de Passos Coelho ponderar isso, porque a sua atitude de vitima não o está a ajudar! Mas André Lava o Jato, publicitário, vai continuar a aconselhar Passos Coelho sobre a estratégica política e de comunicação. Mais do que nunca, Passos e o PSD precisam de lavar os jatos esquerdistas desta nação, entregue a um governo bolchevique, apoiado na esquerda radical e nos terroristas dos sindicatos.
É no entanto imprudente avançar com acusações ou sequer investigações. Aquilo no Brasil ferve e os papeis do Panamá incomodam algumas pessoas, e esta coisa de se estar sempre falar em dinheiro e corrupção e principalmente investigar sobre ela tornou-se na União Europeia uma coisa que pode sair cara e até pode dar prisão.
Fichas Novas
O grande Casino Europeu está finalmente a criar novas fichas de jogo. A delegação germânica inovou, criou uma nova ficha e deu-lhe um nome. Chamar-se-á “Planeta Terra“. Terá o valor facial de 5 Euros, mas além das ligas metálicas habituais, adicionou plástico azul! Sim, um bonito plástico azul que simboliza a atmosfera. Quanto custa? Bem, um pouco mais de 15 euros. Vale 5 mas custa 15? Afirmativo, serão mais de 22,5 milhões de receita, mas apenas 7,5 milhões em fichas a circular no salão do casino. Então e a inflação? Adiante… Seguir-se-á uma edição especial para coleccionadores, de igual valor facial, mas (apenas) 5 vezes mais cara. Nos Casinos, ganha sempre a casa.
Salvaguardada a devida distância e regra de proporcionalidade, a delegação portuguesa do grande Casino Europeu vai também proceder à cunhagem de novas fichas. Motivo? O Planeta? Não, a participação portuguesa nos Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro. Duas emissões comemorativas. Uma para circular no Salão do Casino, como corrente comemorativa e a outra especial de corrida, apenas para coleccionadores. Olhando para elas fico baralhado. A primeira vale o que custa, é ficha corrente e terá o valor facial de 2 euros. A segunda custa 4 euros, é especial de corrida, artigo de colecção que terá um valor facial insólito, 2,5 Euros. Uma inspirada no Coração de Viana do Castelo, bem bonita por sinal, mas a outra nem por isso. Na verdade é bem feia e vulgar. À inspiração em filigrana opõem-se a inspiração na ordenha. Estranhei, na minha ignorância pensei que a preferência dos coleccionadores fosse pelo requinte…
Tratamento Desumano
Eduardo vive encarcerado numa prisão de alta tensão, condenado a uma pesada pena de trabalhos forçados. O ambiente é duro, sujo e cruel, mas ele não quebra. Mantém a postura altruísta que o caracteriza. É uma vitima. O pobre coitado é mal tratado: Mal tratado pela opinião publica que injustamente o acusa de ser interesseiro e materialista; É maltratado pelos carcereiros, os orientais que se apoderaram da terrível prisão. É alvo, sem qualquer dúvida, de um tratamento desumano.
Subjugado, foi obrigado a renunciar aos princípios ideológicos, renegar à sua visão partidária e receber o inimigo de braços abertos. Repugnado, disponibilizou-se para servir de toda a forma, estilo ou jeito. Ao que a pessoa chega para salvar a humilde posição, o pouco que a custo conquistou naquele tenebroso local. A degradação da dignidade humana é revoltante! Os cruéis carcereiros apreciam a previsibilidade da receita. Qualquer deslize é severamente punido. Toda e qualquer alteração ao plano, a mais pequena redução da renda, coloca imediatamente em causa as condições de vida na prisão. Não foi isto que lhes venderam! Os primeiros a sofrer são ideólogos que com a sua abnegação e fino recorte literário evangelizam a população prisional. É para isso que lá estão! O maior entre os grandes, o imortal guardião da poesia capilar púbica, merecia melhor sorte. Espero que mova uma acção judicial contra todos os que o oprimem e impõem tão rude martírio: os malvados carcereiros, os odiosos inimigos políticos e claro, os invejosos que o criticam. Espero que ganhe…
Laivo de Clarividência
Nem sempre é nítido o contraste entre o absurdo e o óbvio. Vivemos tempos estranhos. Apenas o viral é real. Tudo o mais não existe. O virtual até já impõe agenda aos media, mas grosso modo prevalece o princípio da exclusividade absoluta da verdade: a televisiva. Se o noticiário não relatou não aconteceu.
Exposto o abstracto, vamos ao concreto. O exemplo: Num laivo de clarividência, o presidente da comissão europeia, o homem da terra da competitividade fiscal, o luxemburguês Jean-Claude Juncker disse ontem o óbvio! Por cá não passou, pois foi dia de propaganda sobre avisos e críticas à soberania lusitana, logo não houve espaço mediático. Assim se vende em permanência a ideia que nós, entregues a nós próprios, só fazemos asneiras. Resumindo, em dia de divulgação de ameaças, esqueceram-se de nos informar sobre as palavras de Junker. Que disse ele? Que a União Europeia (imagine-se!) errou. Reconheceu que a legislação Europeia é excessivamente intrusiva, que interfere demasiado nos processos legislativos nacionais dos países membros e que por essa razão os cidadãos se afastam cada vez mais do ideal europeu.
Este recado para britânicos, em nítido contraste com a mensagem que ontem nos estava destinada, é tão lúcido como verdadeiro. Traduz a percepção crescente entre os europeus, de um extremo ao outro do campo ideológico. Seja a extrema-direita de leste ou a extrema-esquerda dos periféricos, ninguém quer ser europeu deixando de ser aquilo que nasceu, cidadão do seu país. União não é, não pode nem será, uniformização. Ninguém a quer!
Plástico de Cidadania
Fez ontem 30 anos que faleceu em Paris a escritora Simone de Beauvoir. Por cá, em Lisboa, o partido que se diz inteiro e em bloco, tentou homenagear a prestigiada intelectual, activista política e feminista convicta, mas não conseguiu. Acto falhado. Teria sido bonito, mas fracassou. Não foi uma questão de forma, correcta aliás, foi mesmo o conteúdo. Alguém anda com falta de ideias para temas fracturantes. A proposta é de tal forma oca que muitos duvidaram da sua autenticidade. Os outros, aqueles que acreditaram ser real e verdadeira, choraram. Comoção? Não, gargalhada.
Mas rir faz mal? Negativo! É até muito salutar! Faz bem, especialmente em dias cinzentos e chuvosos. Contudo, o progresso social é sobretudo um processo geracional, nada tem de instantâneo, nem mesmo juntando muita água. Há reivindicações que se tornam absurdas, por vezes ultrapassadas pelos próprios acontecimentos e hábitos. Afogam-se no idealismo. A Lei dos Piropos é disto bom exemplo, não por serem agradáveis, mas simplesmente porque estão em desuso. Nós, os jovens na quinta década de vida, não praticamos o lançamento do piropo. Sem a sua proibição, a nossa descendência nem saberia o que foi essa arte de outrora, entre o elegante elogio e a boçalidade. O pretenso simbolismo falha por falta de quem o contemple.
A proposta de ontem padece do mesmo tipo de excesso de sofisticação progressista, mas têm o seu mérito linguístico. Aponta o problema de género e apresenta uma solução. Porém, preciosismo por preciosismo, pois que o rigor seja imaculado. O documento em causa não é de cartão, é de plástico. Proceda-se em conformidade.











