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Com-Fisco ou Sem-Fisco?

Contribuinte

 

 

 

 

 

Abro o jornal, e ouço falar do BES, do BPN, do BPP.
Mudo de canal e leio… BES, BPN, BPP.
Ligo o rádio (ou telefonia… enfim… ) e o que vejo? BES, BPN, BPP.
No porta moedas apalpo (!) 10.000.000.000. Dez Mil Milhões?!

Começo a ficar baralhado… a sentir… coisas; pronto…
Bom dia também para si. Será bom dia? Dia?

Também anda a morrer gente que eu gosto. Frequentemente.

PS-A imagem imposta aqui, é de contribuição anónima.

 

Catedral de Santa Maria

Faz hoje 69 anos que foi lançada a segunda bomba atómica. O alvo, a cidade fundada por portugueses em 1570 foi completamente arrasada pela Fat Man.

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Nove de Agosto de 1945 é, e para sempre será uma data infame. Um símbolo de morte e destruição. Quase nada permaneceu de pé em Nagasaki. São famosas as imagens do Torii que resistiu à devastação, mas raras vezes é mencionada a solidez da alvenaria portuguesa. Numa época em que a displicência vigente ainda não fazia escola, obra lusa era sinônimo de qualidade e prestígio. Sem marca ou publicidade que lhe apregoem virtude, o nosso legado arquitetónico espelha apenas a nossa simplicidade, da pedra sobre pedra, do trabalho bem feito. Um “saber fazer” que no fundo, no fundo, existe em cada um de nós. Acredito que a fútil sofisticação do “economês” que sobre nós se abateu dará (um dia) lugar à nossa singela essência, não para construir impérios, mas para a eles resistir. É por isso que hoje vos recordo a Catedral de Santa Maria, por nós construída em Nagasaki, e que o mais poderoso engenho destrutivo que o homem lançou sobre o homem, não foi capaz de arrasar por completo.
Apesar de hoje a maioria permanecer calada, consentindo que a obscenidade da mentira e do roubo vençam, não duvido por um segundo que partindo daquilo que restar de pé, reconstruiremos algo de simples, como nós, mas grandioso de humanidade.

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Engraxador de Xi

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Sempre que alguém importante visita a ilha Terceira, o mundo muda. O arquipélago dos Açores é palco de grandes e decisivos instantes. Mercados, ultimatos, mentiras e guerra.

Servir é uma arte, tem o seu mérito. Merece reconhecimento e remuneração à altura. Engraxar não é por certo execpção. Quem não se lembra daquela tarde de 16 de Março de 2003? Curiosidade: Apenas o anfitrião se mantêm no activo. Todos os outros já estão na reforma. Enfim, haja quem possa.

Desta feita a cimeira foi singela. Vindo do Chile, Xi não trazia nitratos, nem viajou num Flying P-Liner. Para o receber, Graxa e tapete vermelho.

Chegou, visitou, conversou e poucas horas depois, partiu. Deixou licenças de navegação a mais de 30 Caravelas Portuguesas. Aparentemente, e desta feita, o mundo não mudou muito. Os sapatos de Xi brilhavam tanto como a testa do engraxador.

Xi Jinping visita a ilha Terceira

Sem título (mas com memória)

Não é do Aleixo

 

Sempre que falam em PPP’s, eu, que sou do Norte, digo «PQP, estou farto disto!» e ocorre-me sempre uma pergunta; e uma história.

A pergunta é «quando é que esta M acaba?», e a história, é a do ladrão (realmente) que vai às uvas e do companheiro que fica à espreita (escondidamente).

A jurisprudência chama-lhe cúmplice, não é?

Mas, será que quem, elaborando contratos leoninos transformando futuros incertos em rendimentos crescentes e garantidos, tem nome? Você sabe? Alguém sabe? Não é para lhes dar os parabéns pelo douto profissionalismo. Não!

Embora mereçam…

É para ver se circulam envergonhados pelas ruas (!) ou, se estão para aí acantonados n’algum cargo público (quem sabe até a dar aulas e ensinando), e, também para estar prevenido caso sejam (nunca se sabe…) um dia, escolhidos para ministros (salvo seja!).

 

PS – Não confundir a história com “a raposa do Esopo”, porque essa, coitada, seguiu caminho com a barriga vazia.

http://www.tvi24.iol.pt/programa/4407/134

http://visao.sapo.pt/conheca-os-responsaveis-das-ppp=f689608

Notas: A figura, não é do Aleixo, e o PS, é de Post-Scriptum.

MH 666

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Desde o inicio da legislatura que os membros do governo e dos órgãos de soberania foram condenados a voar em turística. Duríssimas medidas! Mas esses dias acabaram, essa desprestigiante prática chegou ao fim. Não, o orçamento nem tem folga! É o mercado! Apesar de Adam Smith nunca ter visto um avião, uma vez mais se confirma a valência premonitória deste autor. Brilhante!

Dizia eu “é o mercado”: Pois bem, após o encorajador exemplo da FPF – Federação Portuguesa de Futebol , ao decidir preterir dos serviços da TAP,  a lei da oferta e procura ditou novas regras. A Companhia aérea Malaysia Airlines promoveu uma acção comercial junto da Lusofonia. Parece que a fraca procura permitiu uma tarifa absolutamente excepcional em classe executiva. Mais barato que a mais barata das lowcost. Prova provada que deixados a si próprios, os mercados funcionam às mil maravilhas.

Observe-se o exemplo da X Conferência de Chefes de Estado e de Governo (CCEG) da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Os líderes de todos os países membros voaram até a paradisíaca Ilha de Timor leste ao abrigo do acordo da companhia aérea malaia com a Lusofonia. Todos os países marcam presença ao mais alto nível, com excepção de Angola e do Brasil, cujos presidentes recusaram o catering de Kuala Lumpur. Ou então, qual desculpa “Alberto João Jardim“, apenas não querem estar presentes no momento do alargamento desta comunidade, pois não apreciam a língua castelhana. Manias…

Todos os nossos governantes regressarão via Damasco, no voo MH666.

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Perder a Cabeça

1Na terra da Liberdade, Igualdade e Fraternidade, comemora-se hoje a Festa da Federação, feriado nacional que celebra a tomada da Bastilha. Uma data histórica, um marco civilizacional! Faz hoje 225 anos que os oprimidos assumiram o papel de opressores. Lembrei-me do destino daquela que um dia recomendou os brioches como sucedâneo do pão: Maria Antonia Josepha Johanna von Habsburg-Lothringen de baptismo, Marie-Antoinette ou simplesmente Maria Antónia, Arquiduquesa da Áustria, e por casamento Rainha de França. Inocente e pura, também brincava aos pobrezinhos. Pouco mais de 3 anos depois da tomada da Bastilha, foi a vez de os pobrezinhos brincarem aos monarcas. Usaram a invenção genialmente simples do doutor Zé-Inácio, a guilhotina. 2Foi uma festa! Gostaram tanto que mais tarde decidiram usa-la até entre eles. Os carrascos tiveram a oportunidade de testar pessoalmente o seu anterior instrumento de trabalho. Foi uma grande confusão, uma grande partida que o destino lhes pregou. Não terá sido a primeira, nem por certo a ultima vez que o destino fez das suas.

Muitos anos antes, em Viena de Áustria, era ainda Maria Antónia uma criança, senhora sua mãe recebeu a visita de Leopold e dos seus dois filhos pródigos, Maria Anna Walburga Ignatia e Joannes Chrysostomus Wolfgangus Theophilus. Este ultimo, excitado com a oportunuidade de maravilhar a realeza com a sua prestação artística, terá tropeçado e caído. Maria Antónia levantou-se da sua cadeira e ajudou-o a levantar-se. Grato, mas ousado e destemido retorquiu “é muito gentil, quando crescer casar-me-ei consigo”. Todos sorriram, para grande alivio do pai da criança que hoje conhecemos como Wolfgang Amadeus Mozart. Foi o destino.

Apesar de ter trabalhado arduamente deste a infância até às vésperas da sua morte, Wolfgang morreu pobre. Deixou inacabado o seu magistral Réquiem. Nunca o ouviu, pois o seu funeral foi simples. Como qualquer pobre, foi lançado numa vala comum, sem cerimónia. Parece que o destino nos está sempre a pregar partidas, mas não deixa de ser desconcertante imaginar quão mais doce a vida poderia ter sido para Wolfgang Amadeus e Maria Antónia, se esta tem aceite o impertinente convite de casamento. Wolfgang poderia ter vivido mais anos, mas poderia não ter composto de forma tão intensa como o fez e consequentemente o mundo seria hoje muito mais pobre. Maria Antónia, por sua vez, poderia ter partilhado o destino do proponente, as desventuras e a pobreza, mas nunca teria perdido a cabeça…

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Está bom de Sal?

O caldo reduz em lume brando. Ingredientes? Os tradicionais. Nutrição, eis a questão. O segredo do caldo está na forma como é servido. Da panela para a terrina nada se perde, mas da terrina para o prato e da colher até à boca, tudo pode acontecer. A uns, poucos, calham nutritivas porções, aos outros, água, ou mesmo nada. Com sorte, mata-se a sede.

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Então e a nutrição? É a que temos. Metade dos comensais, ilustres eleitores e contribuintes, contribui mas não vota. Paga, mas não opina. Essa “coisa” da distribuição dos rendimentos não lhes diz respeito. Ciclos viciosos? Promiscuidade entre politica e economia? Sim, claro que sim, mas votar nem pensar. Afinal quem rebate a famosa frase “são todos iguais, querem é tacho”? Ninguém! Como pode uma população ser simultaneamente tão sábia na análise e tão burra na acção. Não vota, entrega o tacho. Assim sendo, os tais bem nutridos, comem, repetem e ainda contemplam a nossa busca por migalhas enquanto saboreiam a sobremesa. Salgado sai, bem nutrido, entrega o tacho. Mas isto insonso não fica. Entram os profissionais, os tecnocratas. Parece que o amadorismo dos que saem não lhe correu particularmente mal. Há rumores sobre reformas um tudo-nada acima da media. Teremos novos “Chefs” da panela-de-pressão. Dizem que assim se garante a solidez do banco. Isso! Um grupo é um grupo, um banco é um banco. Mesmo que o primeiro se sente no segundo, ou vice-versa. Semelhanças só nas cores e no nome. De resto, qual parvalorem, o mal para um lado, o bem para o outro. Onde é que já vimos isto? É uma questão privada, logicamente, decidem os accionistas. Está certo. Soberanos na sua decisão, optam por imitar os chineses. Escolhem alguém que tenha recusado oCALMA cargo de ministro das finanças, alguém sério e idóneo. Imparidades? Poucas, nada que os fundos públicos não possam cobrir, nem que seja pedindo emprestado.

E que outras  iguarias se preparam neste grande concurso de cozinha tradicional? Um pouco de tudo, desde votar contra o cozinhado italiano sobre o pacto orçamental, passando pela adorável disputa ao lugar de alcaide do castelo do rato, até à privatização da Imprensa Nacional Casa da Moeda. Diz que dá lucro. Imagine-se a vergonha, uma empresa de capitais públicos que dá lucro! O que fazer? Vender! Que tal “a investidores institucionais”? Singelo eufemismo para “a quem mais nos convier”. Nada como agradar aos accionistas mesmo antes de estes o serem. Tudo legal, tudo legítimo, pois a posteriori saberão nomear as pessoas certas, os profissionais! Sal quanto baste para durar mais uma legislatura. Não votem, não atrapalhem os mestres da culinária.

Europeias 2014

Que celebração, que vitória! A maior força politica nacional, a abstenção, mostrou a sua raça. Esmagadora. Não se trata de rejeição, nem preguiça. É pior. É convicção! Cada um olha pelo seu umbigo e salve-se quem poder. Não é bonito, mas é verdade. Não escolhem mas elegem. Serão 21 deputados. Um deles foi eleito com menos de 240.000 votos. Quem é ele? Um empreendedor, está bom de ver: Qual Manuel Sérgio dos dias de hoje, fez aquilo que ninguém faz, observou os números. Compreendeu algo muito simples: Se a maioria não vota, cada voto vale o triplo. Nem necessitou de grande orçamento para campanha. Mal de nós se em vez de representar quem o elegeu, optar como os demais, por se representar a si próprio.

Os verdadeiros resultados. Fonte:  http://www.europeias2014.mai.gov.pt/

Os verdadeiros resultados da europeias 2014
Fonte: http://www.europeias2014.mai.gov.pt/

Os “vencedores” de ontem obtiveram o voto de 10% dos inscritos, e os “derrotados mas pouco”, 9%. Fascinante não é? Os partidos do regime, representarão um quinto dos eleitores (20%). Claro que juntos elegeram mais de metade dos deputados ao parlamento Europeu. Não é bom? É óptimo… Talvez seja o início do fim da hipocrisia, da diferença fingida, da alternância sem mudança. Os apelos de sua excelência, el Rey de Boliqueime serão finalmente ouvidos. Pacto de regime, união entre todos, pois de outra forma não existirão maiorias absolutas nas próximas legislativas. Clarificador. Eu por mim, mantenho o apelo à “dictadura”.

O que dizer das mais de 250.000 pessoas que se deslocaram às respectivas assembleias de voto para anularem o dito, ou o entregarem em branco? Agradeço o seu gesto, simbólico mas pleno de significado. Foram lá. Graças à lei eleitoral, também eles engrossaram as fileiras da força oculta, dessa vontade não expressa que é a abstenção, imponente que sem ambiguidade disse: está tudo bem, façam como entenderem. Eles agradecem. Assim farão.

Top Secret

Imagino o que poderia ser o “resumo de imprensa” no relatório semanal de um espião residente entre nós. Talvez um agente secreto ao serviço de uma grande potência rival. Malta ou o Chipre por exemplo. Primeiro a síntese, depois o diálogo. Qualquer semelhança com a realidade é igualmente disparate. logo

Relátório Semanal

“Resumo de imprensa: Fonte ilegítima, acreditada, mas não confirmada, terá alegadamente suspirado em off que certas e indeterminadas pessoas teriam seguramente concordado com a hipótese de sob tese considerar a validade do principio da incerteza de Heisenberg no contexto da cidadania e da legitimidade representativa, especialmente quando reflectida nos efeitos práticos do termo “temporário” no léxico legislativo.”

Comentário do superior hierárquico:

“ – Ok, quadro sem evolução. Cansa não é?

PS: Atenção às contas de telefone!

Resposta do agente secreto:

“ – Confirmo. Cansa. Mas se eles aguentam, nós também temos a obrigação de aguentar.

PS: são ossos do ofício chefe, estão sempre a dizer para eu ligar para ganhar carros e prémios em dinheiro.

O Chefe responde:

“ – Muito bem. Estamos contigo.

PS: olha lá, mas isso dos carros não é com o NIF nas facturas?”

O agradecimento final:

“ – Obrigado. É bom sabe-lo.

PS: É em todo o lado chefe, dão carros em todo o lado!”  

 

 

Melodia Carnavalesca

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Os meninos do coro começaram por cancelar o Carnaval. Não podia, não devia, a finança não queria. Assim foi na letra, mas a musica é bem diferente. Nunca o Entrudo foi tão celebrado entre nós. Foi até antecipado. Tudo começou pelo lançamento do um livro sobre o quotidiano de um bobo durante a sua estadia na corte. Rigoletto que em português se diz Vítor, mas não Hugo, brindou a Pedro com uma melodia de fazer inveja a Verdi. Opera buffa, é certo, mas teve o seu lugar na agenda mediática. Surpresa, não se ouviu pateada. Dá que pensar.

Ao primeiro andamento, seguiu-se um triunfal cortejo de carnaval. Andante ma non troppo: Na falta de um sambódromo, decorreu na Rua das Portas de Santo Antão. Comovente na espontaneidade, nem pareceu coreografado. No coliseu, o comentador e homónimo de presidente do conselho sobe à tribuna. Enverga a camisola de candidato. É uma mascara que não resulta, está gasta, mas os comentados aplaudem a Serenata. Enfim, peripécias típicas de época. Eis que surge o grande líder, mascarado de primeiro violino. Já o bobo lhe reconhecera grandes qualidades cénicas para a condução da charanga no aquecimento, mas nada fazia prever o Adagio sostenuto: brindou a audiência com o anúncio do ousado regresso de sua eminência da equivalência, a imaculada consciência.  Voltou, pleno de força anímica e muito samba no pé. Largo ou Grave? Não se ouve. O silêncio também conta. Ainda hoje não ardeu.

Presto: a escola de samba rival responde, anunciando o regresso do coelhinho da pascoa. Digam lá que não estamos sempre em festa? Prestissimo, alguém declama “Só este modo de comunicar em 101 tweets já é todo um programa”. Viral? Ninguém os viu. Será censura? Negativo, há liberdade de expressão.

Vivace: “Não pagamos!”. Fala quem pode, os demais nem piam. Pausa.

Rondó: O dueto para o consenso. Vem aí mais ajuda, pois claro! Adagio: Não obstante as divergências insanáveis entre irmãos, a maestria demonstra afecto. Brinda a orquestra com a sua performance. Toca a oitava sonata para piano do seu conterrâneo, Op. 13, a “Patetica”. Adagio cantabileApoiar-nos-á, seja qual for a decisão que sobre nós vier a tomar. Andantino: Após as eleições europeias, o baile de carnaval prosseguirá der Klang der Walzer.