Buraco no Resbordo!

1Num mar de águas agitadas o inevitável naufrágio está a meio do seu percurso enquanto alguns…

Avisados de que não terão salvação insistem em permanecer a bordo, alegando que devem gozar a viagem de sonho até ao último minuto, até porque não foram eles que custearam a alucinante aventura.

É certo que nas leis que regem as artes de marear, o comandante deve ser o último a abandonar a embarcação e este tenta desesperadamente manter-se agarrado ao leme, já com as mãos trémulas.

Sabe pois, que contrariamente ao que aconteceria numa situação real, ele permanecerá com a cabeça á tona da água, expedito em nadar por entre as correntes, ora mergulhando mantendo-se quase imperceptível quando a conveniência do silêncio lhe é favorável, ora surgindo por breves momentos para encher os pulmões de ar aproveitando para apregoar a sua inolvidável sabedoria, enquanto vislumbra os outros a ficarem sem folego e á beira de um afogamento inevitável.

Assemelhando-se a um filho pródigo, o seu benjamim sempre agarrado a sua mão já trémula, vai dizendo que se tranquilize pois ele mesmo evitará a catástrofe, enquanto com a outra tenta irremediavelmente agarrar as calças que já desnudaram os glúteos, suportando aqueles que tentam desesperadamente um último folego antes de serem engolidos, para o fundo negro do oceano.??????????

Vendo ao longe os seus imediatos nadando calmamente sustentado á superfície, como se dum acto heroico se tratasse, as missivas demissionárias, garantindo o alcance não só da boia salvadora mas as embarcações onde a continuidade de progressão na carreira será garantida, almejando já a promoção imediata para postos menos sujeitos a serem achincalhados pelos que apresentam já uma calvície pronunciada provocada pelos sucessivos cortes.

Os acontecimentos dão-se muito perto da costa, por isso começaram já a avistar-se as aves de rapina famintas de mais um repasto, que passarão não tarde a criar lesões físicas, já que as psicológicas já se faziam sentir desde a entrada das primeiras águas pelo resbordo.

Lá se encontram igualmente os “experts” na matéria, esgrimindo opiniões sobre quem terá aberto o rombo na casco, opinando sobre a metodologia utilizada, tentando fazer prevalecer cada um deles a sua teoria, fazendo futurologia sobre os próximos acontecimentos.

A sustentabilidade das embarcações, há muito que é abrilhantada com casco duplo, mas por cá embora com uma incontornável história naval, a filosofia do “deixem-nos trabalhar” não permitiu olhar para o lado e aprender as novas técnicas.

Essas sim, de importância capital.

Não Pagamos! A análise de risco é um risco

Está confirmado! Pior do que ser um fdp é ser pai de uma PPP! Só no sector rodoviário o buraco pode chegar aos 9 mil milhões de euros. As PPP são mecanismos complexos e algo opacos em que é difícil perceber se é ou não vantajoso para o Estado um corte abrupto de despesas com as PPP, ou mesmo a sua privatização. Duas das maiores justificações para as derrapagens são a ausência de estudos, que suportassem a decisão de as concretizar, e a inflação das estimativas para os volumes de utilização e/ou níveis de serviço necessários a garantir.

Temos entidades privadas que, ingenuamente e num acto de fé, acreditaram piamente nos números facultados pelo Estado (não confundir com encomendados) para justificar a necessidade e viabilidade o investimento de milhares de milhões de Euros. O Estado não age com um driver lucrativo, procura sim o progresso e desenvolvimento do país.

Muitas vezes até não terá em funções governativas, e decisivas, as pessoas com as melhores capacidades. Já as entidades privadas só pretendem uma coisa: o lucro, se possível com garantia de mama a longo prazo.

São essas entidades que têm a obrigação de contratar os melhores gestores, os melhores analistas de risco, os melhores estrategas, que lhes permitam apostar o seu capital em apostas seguras e viáveis. O preço de um bom gestor é alto. Bons gestores são caros mas compensam o investimento. Um bom gestor não seria ludibriado por estudos adulterados, um bom gestor saberia analisar os factores de risco crítico e blindar o projecto contra decisões amadoras de governantes menos capazes ou mesmo menos honestos. Ao confirmar-se a conivência de grandes gestores com grandes incompetências governamentais fico com a ideia de que há muitos gestores caros simplesmente porque o preço da alma está upa upa.

Para ajudar à festa temos advogados e consultores que dançam em negociações das PPPs entre a defesa dos interesses do Estado e a defesa de entidades privadas, elementos pertencentes a antigos governos que ao sair passam a exercer altos cargos nas entidades que beneficiaram de grandes PPPs com rendimento garantido por décadas.

Tudo isto cheira mal porque está podre.

Está na altura dos gestores perceberem que nós compreendemos que não fizeram bem o seu trabalho e que a sua análise de risco ‘ignorou’ um risco que pode fazê-los perder muito dinheiro. O risco de surgirem governantes com níveis de ética, honestidade e justiça que os levem a anular ou renegociar brutalmente as PPPs lesivas para o Estado actualmente em curso. O facto dos antigos governantes, decisores, serem mestres nas artes da fantasia e da fábula não significa que todo um povo deva ser perpetuamente prejudicado porque os gestores de entidades privadas fingiram acreditar nas histórias das carochinas.

Está na altura de sermos sérios. Custe o que custar. Doa a quem doer.

O mesmo se aplica aos credores internacionais. Outro embuste com rating AAA. Os milhares de milhões de euros que nos foram emprestados no passado, e de cujos juros somos agora reféns, podem ser usados como chicote em vez de garrote estrangulador. Porque quem nos emprestou o dinheiro nunca fez uma análise de risco apurada para perceber 1) que vão fazer com tanto dinheiro!? 2) vão ser capazes de nos pagar de volta?

Aparentemente os casos denunciados de corrupção, desvios, esbanjamento foram meros fait divers. Os nossos credores só se preocuparam em garantir que parte do empréstimo fosse devolvido quase de imediato, em negócios de contra-partidas, e em que continuássemos com dependência externa em vários sectores. Desde que sejamos bons pagadores o dinheiro pode jorrar.

Quando no cenário actual o não pagamento dos juros de dívida poderia ser um grande elemento de estabilidade porque não exigi-lo para podermos pensar em mais do que pôr o pão na mesa? Um período de carência, de um ou dois anos, em que nem pagávamos dívida nem recebíamos mais empréstimos. Uma reflexão sobre tudo o que foi mal feito. Uma reestruturação tranquila que não se assemelhe a tiros no escuro, a soluções não estudadas, a amputações desesperadas para evitar  septicemia e hemorragias maiores. O fim deste tapar de buracos com medo do risco sistémico que uma entidade possa ter sem considerar o risco sistémico que é ter milhões de portugueses sem poder de compra nem apoio social.

Ironicamente um simples não pagamos pode ser o caminho para voltarmos a ser honestos, íntegros e justos.

PS – este post deu-me tamanhas securas que vou beber um copo de água enquanto posso!

O Equívoco

Juan Diaz de Solis

Piloto e cartógrafo da Casa da Índia, o navegador português João Dias de Solis fugiu para Espanha em 1506. Procurado pelo assassinato da sua mulher, não foi piegas, emigrou e consigo levou o Regimento do Astrolábio. Mudou de nome. Foi recebido de braços abertos. Detinha o desejado saber da arte de navegação. Não evitou polémicas, mas chegou a Piloto-Mor do reino de Espanha. Após uma década a leccionar, Juan Díaz de Solís comandou uma pequena frota de três navios numa expedição cartográfica à América do Sul. Em 1516, Solis foi o primeiro ocidental a contactar com os Querandis, os nativos do norte da Argentina, mas foi a sua tragédia pessoal a norte dessas paragens que o conduziu à glória póstuma. Foi-lhe atribuída a descoberta do Uruguai. Após o desembarque numa ilha situada num amplo estuário, Solis e oito dos seus homens efectuaram uma trágica incursão exploratória. Foram mortos à paulada por um bando de locais: os Charrua, nativos do actual Uruguai. Os exploradores sobreviventes regressaram a Espanha. Sem riquezas do novo mundo, apostaram no relato da barbárie dos indígenas. Mentiram quando lhes atribuíram a prática do canibalismo, pois o sensacionalismo da notícia ajudaria a camuflar o fracasso da expedição. Resultou. Ao rio chamaram “Rio Solis”. A ilha chama-se hoje “Martín García”.

Uma década depois, em 1526, chegado ao mesmo estuário, Sebastião Caboto, genovês ao serviço do reino de Espanha, atribuiu o nome de “Rio de La Plata”, pois os indígenas ostentavam vários objectos em prata. O entusiasmo inicial revelou-se infundado. Deu lugar à decepção. Rapidamente se constatou que o metal precioso fora importado, ou melhor, tomado a navegadores portugueses, que à época e à margem do tratado de Tratado de Tordesilhas, também exploravam a região.

O incumprimento de tratados e o perpétuo adiamento de metas é prática antiga entre os lusos.

A expansão colonial espanhola prosseguiria em busca de metais preciosos e de mão-de-obra barata, isto é, gratuita. No estuário do rio da prata nenhuma das duas seria encontrada. Os indígenas eram caçadores recolectores, dispersos por pequenos bandos sem hierarquia ou regras. Não forneciam alimentos aos colonos, e quando capturados recusavam-se a trabalhar para eles. A prata só existia muito mais a ocidente, nos Andes, nos territórios Incas.

martin_garcia_island

O equívoco da prata daria ainda nome a um país, a Argentina, do latim Argentum, a prata.

Quase duas décadas após a morte de Solis, Pedro de Mendoza estabeleceu a primeira colónia espanhola na margem sul do estuário do rio da Prata em 1534. Fundou a cidade de “Buenos Aires”. Apesar dos bons ares que por ali se respiravam, as dificuldades mantinham-se, nomeadamente a fome. Os Querandis não colaboravam, recusando-se a fornecer qualquer ajuda aos colonos, atacando-os com paus, pedras e flechas. Explorar o novo mundo estava longe de ser vida fácil.

Em 1537, uma expedição liderada por Juan de Ayolas a montante do rio Paraná, estabelece contacto com um povo sedentário, os Guarani. Cultivavam o milho e a mandioca. Ao contrário dos Charruas e dos Querandis, eram numerosos e tinham uma sociedade hierarquizada. Muito mais relevante, a sua elite estava disposta a impor sacrifícios aos seus concidadãos, garantindo a manutenção dos seus privilégios, ou seja, Ajustaram. Foi pela primeira vez encontrada a mão-de-obra que os colonos Espanhóis necessitavam. Juan de Ayolas fundou a cidade de “Nuestra Señora de Santa María de la Asunción”, no local da actual capital do Paraguai, Assunción. Os fundadores da cidade de “Buenos Aires” mudaram-se para a nova cidade. A mão-de-obra disponível permitiria a criação de Encomiendas, a instituição económica que legalizou o Trabalho Forçado. Apesar das condições meteorológicas favoráveis, Buenos Aires é completamente abandonada em 1541. Permaneceria deserta até 1580. Tudo não passou de um equívoco.

Fogos de Artifícios

Faz mais de um mês que não escrevo. Tenho estado a olhar entretido para os fogos de artifícios que invadiram os nossos media. O país está pausado. Nada avança, nada recua, nada se discute, nada se decide. Preciso de me situar. Estou em Portugal e estamos na merda!

Recapitulando, esta história começou há muito tempo com um conjunto de estudiosos das matérias prementes a chegarem-se à frente para solucionar os problemas do país. Progressivamente foram demonstrando afinal não ter estudado assim tão bem os dossiers e, sem tempo a perder,  optaram por recorrer ao facilitismo das soluções mais básicas e imediatas, sem análise de riscos nem projecções de impacto a médio-longo prazo.

O seu desrespeito, desprezo e desleixo levam-nos ao vício de formular leis anti-constitucionais, fiando-se no eterno vergar do Tribunal Constitucional às circustâncias da crise. A incompetência é demasiado evidente quando, após o chumbo previsto, não saltam da cartola planos B e C preparados para esta eventualidade. Entretanto durante todo este processo fizeram algum face-lifting, excisando a pustúla que habilmente inflacionaram com vista a um sacríficio para aplacar o descontentamento do povo. Para o seu lugar uma pessoa campeã do consenso que muitos duvidam ser alguém com senso.

E desde esse famoso chumbo que o país está praticamente anestesiado.

Salazar

A primeira quinzena de Maio foi praticamente ocupada pelos jogos  do Benfica. No FDS precedente ao 13 de Maio mais de 50% dos telejornais eram ocupados com Futebol e Fátima. Calhasse de alguma estação ter-se lembrado de juntar o Fado e corríamos o risco de Salazar se reerguer da sua campa com a força da sua fórmula mágica dos 3 Fs.

American Preppers NetworkTambém houve tempo para criar uma grande comoção ao obrigar os alunos do 4º ano, tipicamente crianças de 9 anos, a assinar um compromisso de honra em como não usariam telemóveis nos exames. Sinceramente acho que a inversão da ideia ajudaria bastante o país. Obrigar este governo a assinar um compromisso de honra em como usa cábulas e máquinas de calcular científicas quando faz as suas previsões.

Pinóquio Paulo PortasDe seguida surge a batalha interna sobre a TSU dos pensionistas. Passos Coelho diz que é preciso, Portas diz nunca (“jamais” em Francês) e negoceiam a solução. A medida fica no documento apresentado à Troika como uma hipótese para corte de despesa mas o PSD garante ao CDS que não será aplicada. O CDS finge que não cede, o PSD finge que não é um compromisso, o CDS finge que acredita, a Troika finge que não vê a trapaça para passarmos a 7ª avaliação e continuarmos a fingir que estamos bem e no bom caminho. Só por isto sejam Portugueses e no final finjam que gostam deste post!

Cavaco “palhaço”: Miguel Sousa Tavares admite ter sido excessivo em relação a Cavaco Um dos maiores iluminados da nação vê mais além e dá a dica que uma vez que a aprovação ocorreu a 12/13 de Maio obviamente que foi obra da Virgem Maria. Ela já não aparece aos pastorinhos mas ainda faz uns biscates junto de banqueiros, economistas e políticos. Não será esta a tão falada Santíssima Trinidade?

Pouco depois chamam Palhaço ao senhor acima citado. Eu já conhecia a lei. Sou um insultador precavido. Sempre me referi a ele como Presidente. Felizmente como em todas as Leis Portuguesas é possível usar a rotunda para contornar a lei pela direita. A lei pode proibir-nos de chamar Palhaço ao Presidente mas não pode proibir-nos de chamar Presidente a um Palhaço.

Um brilhante exemplo de empreendedorismo, de um aluno dos Salesianos do EstorilJá com o mês na recta final aparece um puto reguila a usar serviços online para, desenrascado, vender umas t-shirts na escola. Qual não é o meu espanto quando é elevado à condição de empreendedor/herói num bate-boca em que afirma que mais vale ganhar o salário mínimo do que estar desempregado. Este é um dos momentos mais assustadores do mês porque revela que a escola do governo já está a surtir efeito. A postura aplaudida não é a de exigir tratamento digno mas sim o de lutar pelo agarrar da migalha maior. Martim, muito boa sorte para a tua Over It e para o teu lema “a ideia de ser superior, de estar em cima”. Espero não vir a assistir à mudança de branding para Game Over It.

Advogados estagiários acusam Marinho Pinto de Houve ainda tempo para agitar as águas com a questão da co-adopção que vai afectar um número infímo de casais homossexuais mas foi capaz de gerar uma polémica estéril antes do tempo já que ainda terá de retornar ao parlamento para nova apreciação. Vi o bastonário Marinho Pinto com tal dureza de corpo e mente que a polícia deveria substituir os bastões por bastonários. São muito melhores dissuasores de comportamentos e pensamentos antagónicos aos nossos.

Vitor Gaspar External contributorO mês acaba com Victor Gaspar a mostrar o seu lado humano e confessar que tem sofrido bastante com a tragédia do seu Benfica. Finalmente está descoberto o ponto fraco deste Colosso das finanças. Só peço a Jesus que o também meu clube perca com cabazadas todos os jogos da próxima época, numa derradeira tentativa de pôr fim à imortalidade deste super-ministro via uma morte por desgosto atroz.

Posto tudo isto, não há dúvidas que Portugal está assolado por um colossal fogo de artifício, cujos flashs e explosões lançam um denso nevoeiro que nos tolda os sentidos e nos impede de ver, ouvir e gritar por “Terra à Vista!”.

Aparentemente as águas estão calmas mas o que nos espera depois do nevoeiro dissipar?

What is Bonfire Night?

Balanço do 25 de Abril

Passadas as comemorações do FDS prolongado de 25  de Abril, urge fazer um balanço tranquilo dos benefícios que este trouxe à nossa sociedade. Resumidamente só podemos estar gratos pela Democracia. Deu-nos a liberdade para fazer muita merda! Literalmente…

Pessoas com Deficiência

Bem fisgada!

Na Ditadura: os deficientes eram tratados como opositores ao regime e encarcerados em prisões e instituições para não darem má imagem do país.

Hoje: talvez devido a essa convivência no pré-democracia, a maioria dos nossos governos eleitos foram deficitários.

Fome

Epá… comer engorda.

Na Ditadura: os Portugueses tinham fome e mais nada.

Hoje: os Portugueses têm emprego, casa, carro, smartphones e também fome. Mas muito bem disfarçada. Aliás até se fazem programas de entretenimento a explorar os esfomeados como o Big Brother VIP.

 Emigração

Por Portugal!

Na Ditadura: entre 1958 e 1974 emigraram 1.5 Milhões de Portugueses. Dá uma média de 93 000 por mês.

Hoje: Em 2011 e 2012 emigraram 100 000 Portugueses por ano.

Polícia

Não fui eu!

Na Ditadura: os suspeitos de crime eram denunciados à PIDE e nunca mais eram vistos.

Hoje: a própria polícia apanha ladrões e violadores em flagrante delito. Os acusados aguardam julgamento em liberdade. Alguns no parlamento ou em conselhos de administração de grandes empresas.

Multidões

Penso logo existo

Na Ditadura: mais do que duas ou três pessoas eram consideradas um perigo. Palavra puxa palavra e germinariam ideias progressistas que punham em causa o regime. TOCA A DISPERSAR!

Hoje: É permitido o ajuntamento de multidões. Ouve-se falar de bola, big brother e cumer e buber. Não há perigo de surgirem ideias progressistas.

Riqueza

1 para ti 1 para mim

Na Ditadura: não se produzia riqueza suficiente. Salazar não distribuia o que não produzia.

Hoje: não se produz riqueza suficiente. A Democracia distribui a riqueza que não produz.

Liberdade

Preso em casa

Na Ditadura: pouca ou nenhuma.

Hoje: diz-se que conquistada com cravos. É mentira. Foi cravada. E agora que estamos a pagar o empréstimo está a esvair-se das nossas mãos.

Greve

Viva o livre arbítrio!

Na Ditadura: greve de estudantes abala regime.

Hoje: greve de trabalhadores paralisa país.

Sofrimento

Eu aguento!

Na Ditadura: milhões de Portugueses sofrem com de carências sócio-económicas. Toda a nação queria uma vida melhor.

Hoje: milhões de Portugueses sofriam com uma série de carências sócio-económicas. 40% dos Portugueses não querem saber e não comparecem nas urnas.

Quase 40% dos Portugueses exercem a liberdade alheando-se da política e não exercendo o seu direito de voto. A liberdade extrema do deixa andar pode vir a matar a Democracia.

A Europa Chipruda

Afinal há dois ralos vazadouros da liquidez monetária de qualquer um. Um, sobejamente conhecido, é o da tributação fiscal com capacidade de mutação capaz de fazer inveja a qualquer H1N1, o outro é um camaleão que sempre se perfilou como uma caixa forte  hermética e que agora se começa a revelar.

Chipre demonstrou que se necessário as poupanças dos cidadãos podem a qualquer momento ser usadas como argamassa para soldo de buracos. Porque é preciso para evitar cenários piores. O plano inicial distribuia o mal pelas aldeias contudo, devido à convulsão social e temores em toda a Europa, acabou por optar-se por uma penalização sobretudo aos grandes depósitos, já tolerável  pela maioria dos europeus. Quem percebe do sistema bancário retirará as suas conclusões  e será forçado a ajustar-se às movimentações que esta solução irá originar. Os depositantes limitam-se a especular qual a quantia máxima que faz sentido manter no banco, !hoje em dia 10 000 € pode ser considerado um grande depósito em Portugal!,  e a readquirir respeito pelos sábios que nunca abandonaram a confiança no seu colchão.

Esta situação demonstra que a Europa é cada vez mais uma fachada de direitos e valores sociais. Chipre entrou na Europa em 2004 e foi depois dessa entrada que se afirmou como um paraíso fiscal e um oásis para investidores estrangeiros. Sem grande preocupações em saber a origem do capital que acolhia Chipre engordou muito para além da linha. E a Europa sabia-o, e a Europa deixou-o. Assim como sabe que existem, e continuarão a existir, no seu seio esquemas financeiros para lavagem de dinheiro e enriquecimento de uns poucos à custa dos direitos e valores de muitos.

No momento da ‘punição’ eis que germinam argumentos justificativos de que a maioria dos milhares de milhões de Euros em Chipre provêm de actividades ilícitas, levadas a cabo por máfias de dimensão global. Querem maquilhar este acto de confisco cego como uma certa justiça divina através de um merecido ajuste de contas. Não. Este acto é o corolário do crime. Aqueles que deviam impedir a prática de actividades ilícitas, juntam a sua inabilidade policial e judicial à tolerância para com o resultado dessas práticas. A Europa ao invés de rejeitar tacitamente o contacto com esse tipo de dividendos assume uma postura de “Nós sabemos o que vocês fazem, não conseguimos prová-lo e só por isso permitimos que depositem no nosso sistema financeiro os vossos milhares de milhões de euros, seus safados!”

A droga interceptada é destruída, os produtos contrafeitos são destruídos, já o dinheiro sujo é simpleslmente lavado e reciclado. Dinheiro é dinheiro. Dinheiro é presente e futuro. Não há passado no dinheiro. Não há exploração sexual de mulheres e crianças, não há escravatura humana, não há comércio de armas, não há crimes de sangue, não há mercado de drogas, não há expropriação de recursos de povos e nações, há apenas e só DINHEIRO.

E agora  é exigido com gáudio o uso desse dinheiro sem passado para corrigir os erros de decisores Europeus.

Neste momento a Europa dos mais altos direitos e valores sociais mais não é do que uma cúmplice descarada da sua antítese.

Upgrade ao Salário Mínimo

Recentemente Belmiro de Azevedo disse “Diz-se que não se devem ter economias baseadas em mão-de-obra barata. Não sei por que não. Porque se não for a mão-de-obra barata, não há emprego para ninguém.” Deu o exemplo do sector primário /agrícola onde Portugal tem oferta excessiva de mão-de-obra logo deve ser barata. Apesar de tentado a explorar o tema de como o eucalipto Sonae procura secar as margens dos produtores, estrangulando-os ao ponto de praticamente oferecer a sua produção para a engorda dos intermediários e distribuidores, não vou entrar por aí. Vou focar-me no tema da mão-de-obra barata.

Uma mão-de-obra barata é por inerência uma mão-de-obra não qualificada. Trabalhadores pouco instruídos para executar tarefas pouco exigentes. Só que nas últimas décadas assistimos ao seguinte em Portugal:

  1. O salário mínimo subiu 2 939% entre 1974 (16,50 €) e 2012 (485 €);
  2. O investimento em Educação subiu 38 381% entre 1972 (22,3 M €) e 2010 (8 559,2 M €)
  3. A descida da percentagem de trabalhadores com Ensino Básico ou inferior de 91,7 % em 1985 para 63% em 2009
  4. O aumento da percentagem de trabalhadores a auferir o salário mínimo nacional situando-se actualmente perto dos 11% da população activa (mais de meio milhão de trabalhadores com aumento de 115% entre 2007 e 2011)

O que isto evidencia é que o país investiu fortemente na Educação e formação dos seus cidadãos sem que houvesse um acompanhamento condizente a nível de salários. Em grandes organizações, como as do senhor Belmiro de Azevedo, existem com certeza vários tipos de postos de trabalho que não necessitam de grandes habilitações para o seu desempenho. Por exemplo os ‘simples’ caixas de supermercados. A máquina faz o trabalho aritmético, aquilo é praticamente passar os produtos e ensacar.

Pergunto-me qual será o nível médio de habilitações dos caixas de supermercado?

Serão pessoas com o ensino básico? Ensino secundário? Ou mesmo ensino superior dado o estado fatal da nossa economia? Não existe uma formação específica para caixas de supermercados mas certamente que beneficiarão de contratar pessoas com qualificações muito acima do necessário para as funções. E com isso beneficiam de muitos outros aspectos tendo trabalhadores mais perspicazes e mais instruídos, com reflexo imediato na assimilação das suas tarefas,  normas internas da empresa, bem como na interacção com os clientes. Arrisco-me a colocar a mão no fogo que a maioria dos caixas de supermercado são trabalhadores com qualificações muito acima do necessário. Que recebem exactamente o mesmo que as pessoas de qualificações mais baixas que estariam aptas a desempenhar aquelas funções.

Pergunto-me se faz sentido o país andar a investir para qualificar pessoas que vão executar tarefas de mão-de-obra barata e não qualificada!?

Outra vertente é o facto do salário mínimo ser cego e transversal. Num entry-level o salário mínimo de um trabalhador agrícola, sem estudos, é equivalente ao salário mínimo para um informático licenciado. Em teoria as leis do mercado iriam funcionar naturalmente e definir o salário mínimo de cada profissão. Na prática os gestores e patrões portugueses, com habilidade, conseguiram baixar radicalmente o salário de entrada de várias profissões altamente qualificadas. Hoje em dia um informático pode sair da universidade e entrar no mercado a exercer a sua actividade ganhando o mesmo que um caixa de supermercado.

Pergunto-me se faz sentido o país andar a investir para qualificar pessoas que vão exercer actividades complexas sendo tratadas como mão-de-obra barata e não qualificada?

E chego à conclusão que talvez o conceito de salário mínimo necessitasse de um upgrade. Deveria existir um salário mínimo por actividade profissional. E um suplemento mínimo adicional sempre que fosse contratado para uma actividade um trabalhador sobrequalificado.

Por exemplo digamos que para caixa de supermercado tinhamos apontada uma qualificação de Ensino Básico para o exercício de funções. O salário mínimo seria os actuais 485 €. Se o contratado tivesse o Ensino Secundário passaria a +10% e acima disso +20%.

É verdade que apesar de num nível de experiência de ofício zero à partida todos têm o mesmo potencial de evolução. Mas é inegável que a probabilidade é a de que os mais formados tenham mais sucesso e produtividade. Acertos que se realizam rapidamente em revisões salariais ou despedimento dos empregados de qualificações superiores que estão a ganhar mais mas não correspondem às expectativas.

Estas medidas tinham o único objectivo de trazer uma maior justiça ao mercado de trabalho e obrigar os empregadores a compensar o estado pelo investimento realizado na Educação. Estes empregadores são os principais beneficiados pelas maiores qualificações da população Portuguesa. Hoje em dia pelo mesmo custo conseguem contratar trabalhadores que lhes dão mais garantias e proveitos. Com estas medidas os empregadores poderiam perfeitamente limitar-se a contratar as pessoas menos qualificadas para o exercício de certas funções. Mas claro que isso traria efeitos imediatos no nível de serviço e nas necessidades acrescidas de formação e gestão. Caberia aos gestores avaliar da melhor forma a relação custo vs benefícios de cada contratação.

Ao mesmo tempo seria dado incentivo e motivção ao prolongar dos estudos porque os futuros trabalhadores saberiam que cada ciclo completado na sua formação se reflete imediatamente na sua folha salarial. Algo que hoje em dia não é de todo líquido.

E desta forma patrões como o senhor Belmiro de Azevedo e outros poderiam tomar deliberadamente, e em consciência plena, a opção de rechear as suas organizações da mão-de-obra barata em que deve ser assente uma economia forte e saudável.

O melhor de dois mundos.

Masters of the Universe

Masters_He-man_400x339pxA acção desenrola-se no planeta Europa, no mítico lugar da Lusitânia. O príncipe Tozé protegia o legado do castelo do Rato. Quando em apuros, desembainhava a espada do poder e proferia as palavras mágicas “pelo poder de Grayskull, eu tenho o poder”, transformando-se assim no socialista mais poderoso do universo, o He-Man. A sua sagacidade é lendária. Farão escola as estratégias da “abstenção violenta”, ou a mais recente moção de censura que não visa derrubar o governo… Tudo corria de feição ao situacionismo. Contudo o perigo espreita, o mal espera sempre uma oportunidade: Dos confins do universo, da longínqua Paris, regressa Skeletor, o terrível engenheiro dominical.

Masters_paris_604x473px

A população não esqueceu as privações que passou às ordens do execrável Skeletor. Parece que nem a renovada sapiência atenua o desejo de o ver severamente castigado, isto é, calado. O filósofo de quarta-feira não é bem-vindo. Compreensível. Afinal tudo tem corrido tão bem com He-man.

A sofisticada cidadania participativa, que tanto nos caracteriza, nunca aceitará o regresso de Skaletor. É a história que o garante: No passado, outro malvado senhor, o mui sério Aníbal Cavaco Silva foi condenado à mesma pena.

Nunca mais se ouviu falar dele!

Masters_594x895px

Voltar às Bases – Família e Vizinhança

Finalmente percebi a razão porque por vezes os bancos dançam ao sabor da música do estado e vice-versa. Alguns trabalhos sujos têm de ser executados por ambos ao estilo de uma valsa sanguinária e não convém que estejam de costas viradas.

Quão perto estaremos desta realidade? Valerá realmente a pena acumular poupanças para dormir mais descansado? Ou um dia seremos também roubados descaradamente? Será mais prudente ter uma conta bancária próxima do zero para diminuir o impacto de uma medida como esta!?

O nível de vida da população Portuguesa continua em deslize contínuo, com a agravante de muitos estarem asfixiados por prestações de crédito habitação e crédito ao consumo oriundos da época de estímulo à contratação dos mesmos. Para muitos Portugueses umas poucas dezenas de € mensais passaram a fazer toda a diferença no seu orçamento familiar e é frequente a ginástica para cumprir com as responsabilidades e garantir os níveis de alimentação e vivência básicos.

Um dos maiores indicadores deste facto é que os Portugueses cada vez mais medem a vida em euros. Antes de avaliar se uma determinada actividade é enriquecedora, e a que ponto contribui para uma sensação pessoal de felicidade e bem-estar, é imediatamente feita a questão: “Quanto custa?” E muitas vezes nem se passa da resposta a essa pergunta.  Por exemplo as distâncias que no passado se mediam sobretudo em km, recentemente passaram a medir-se em minutos e agora medem-se em euros. Os outrora longíquos 50 km, passaram a escassos 25 minutos,  e são agora uns inconvenientes X € de despesa de combustível e portagens, ou muitos minutos acrescidos se se optar por estradas alternativas.

Devido a factores económicos voltámos a estar mais longe uns dos outros mesmo mantendo-se a distância física. Isto em conjugação com o facto de que nos dias de hoje é frequente a distribuição geográfica de famílias e que existe um distanciamento significativo na relação social para com vizinhos. Há quem viva a dezenas de km dos pais, dos tios, dos avós. Há quem viva em prédios de 9 andares com 3x apartamentos por andar e se relacione no máximo com 2 ou 3 dos seus vizinhos no prédio. O bairro então é um mundo desconhecido. Compreende-se. A vida parecia seguir numa direcção em que o apoio da família e dos vizinhos era dispensável. Até que se deu esta inversão.

Hoje em dia a proximidade para com a família e o sentido de comunidade para com a vizinhança voltam a ser grandes balões de oxigénio. Poder contar com familia ou vizinhos para, por exemplo, o apoio a crianças ou idosos pode significar dezenas a centenas de € de poupança em ATLs, lares de idosos e serviços de apoio ao domícilio. A troca espontânea de actos e favores numa comunidade dinâmica e preocupada encontra organicamente soluções que permitem aliviar alguma logística e preocupações com situações mundanas do dia-a-dia. Muitas famílias poderiam certamente melhorar as suas condições de vida se conseguissem reaproximar-se geograficamente da sua família e/ou socialmente da sua vizinhança.

Para construção deste sentido de comunidade não é necessário apoio externo bastando mudar a mentalidade individual e ter a iniciativa de criar ou aderir a eventos locais onde se formam os laços e sociabilidade entre vizinhos. Voltar a fomentar as brincadeiras entre as crianças de bairro pois também elas forçam ao relacionamento entre os seus pais. Não temos de amar todos os nossos vizinhos mas deveríamos dar-nos bem com a sua maioria, para além dos corriqueiros bons dias, boas tardes e boas noites.

Para a reaproximação geográfica de famílias já não depende da vontade de cada um.  A banca poderia dar uma grande ajuda, sendo até uma das principais interessadas em que os seus clientes não entrem em incumprimento. Muitas pessoas poderiam poupar dezenas ou centenas de euros por mês se vivessem mais perto do seu local de trabalho ou da sua família mais próxima reduzindo drasticamente algumas rubricas de despesas mensais.

A criação de um mecanismo que permitisse a permuta directa de casas de valor aproximado poderia beneficiar milhares de famílias.  Uma permuta silenciosa, que não passaria por um processo de compra e venda cruzada, sendo simplesmente a transferência do imóvel entre clientes, entre bancos, mantendo-se todas as condições para os clientes em termos de condições contratuais e montante em dívida. Sem ganhos para o banco que não o  diminuir o risco de incumprimento e o ajudar das famílias. A banca criaria uma oferta centralizada de casas de famílias dispostas a permutas. As famílias negociariam entre si, arcando com possíveis perdas, garantindo um tecto sem custo acrescido mais próximo de quem lhes pode valer em tempos difíceis. Quem sabe mesmo uma permuta temporária ao estilo “Troca de Casa” por X anos em que cada família viveria esses anos na casa da outra após o que reavaliariam o processo?

Estará a banca disposta a bailar com as famílias e vice-versa?

Os pais e avós apoiam certamente!

A Tourada

A 7ª corrida de avaliação será, à semelhança das anteriores, decisiva. Na tribuna a troika. À sombra, o delegado Etíope, ao sol os delegados Europeus. As corridas de avaliação são exclusivamente para turistas estrangeiros. Os veraneantes locais estarão na arena, entre barreiras e no curro, isto é, no seu devido lugar. Não faltarão Cortesias e Brindes à praça. Aplausos, chapéus e flores para os artistas, sal nas feridas para o touro.

Cartaz 7ª avaliação da Troika

O cartaz promete uma noite de triunfo. A tribuna aplaudirá de pé, a banda tocará o passo doble. Será um sucesso. Em Portugal não se matam touros na arena, mas cortar-se-ão orelhas. Tendo sobrevivido às 6 corridas anteriores, um único e magnífico exemplar da ganadaria Lusitana, um Almalho de seu nome “Povo”, será lidado por todos os artistas em cartaz: Dois cavaleiros, suas quadrilhas; dois grupos de forcados amadores; um picador e a estrela da corrida, o matador de touros Victor Gaspar, el Verdugo. Brindar-nos-á com os seus lances de muleta, ora Afarolado, ora Ajudado. A Faena habitual, sem  Chicuelinas. Cortará um Rabo, e sairá em ombros. Na recolha, “Povo” acompanhará os Cabrestos. Aos turistas diremos que são vacas. Um dia quererão mugi-las. Nesse dia, sorriremos.

Victor Gaspar - el Verdugo