Quem quer ser cobridor?
Aaaaaah, obrigado Tribunal Constitucional por lutares pela verdadeira democracia! Por muito que nos custe a democracia tem de ser defendida através da melhoria da formação e cultura dos eleitores e não com restrições às candidaturas. A corrupção e ditaduras locais não se combatem com este tipo de leis, meramente forçam a troca de caras.
O problema é termos eleitores com conhecimento de actos lesivos a continuar a votar em quem os pratica porque até dão umas cenouras jeitosas. Os eleitores devem ter a possibilidade de ser governados por quem decidam mesmo que isso os deixe na merda por mais quatro anos. O importante é que em cada eleição estejam aptos a votar melhor. Trabalhemos para isso!
E nem de propósito em Setembro temos a decorrer campanhas autárquicas de lés a lés de Portugal, já não bastavam os incêndios. Só que este ano não será feita cobertura mediática televisiva. Menos um acontecimento importante que os muitos milhares de utentes da inovadora e óptima TDT não vão conseguir ver o que só vem reforçar a equidade do serviço televisivo entre os Portugueses!
O que dizer destes períodos de campanhas eleitorais? Basicamente são o soltar das infernais máquinas de propaganda partidária. São aplicadas as mais actuais e agressivas táticas de Marketing e Comunicação com uma certeza quase absoluta: a vitória não se garante pelo conteúdo mas sim pela imagem e pelo número de brindes ofertados! E que prazer! E que alegria! De encher os bolsos e os aparadores dos mais variados brindes de encher o olho e a alma. Se tudo correr bem apesar da despesa a eleição da fava está garantida e a factura será paga por todos.
Cada vez mais os votos compram-se por quem dá a maior festa, o maior banquete, o maior fogo de vista, iscos de uma presença em comícios e actos de campanha. Os pequenos partidos e movimentos emergentes não conseguem competir com esta parafernália do entretenimento por forma a ter algum espaço mediático para serem ouvidos.
Isto sim é algo que deve ser combatido, esta monopolização da atenção dos eleitores, jogada com dinheiro verdadeiro, com quase todas as casas do jogo real excepto a carta “Vá para a prisão” e as próprias instalações da prisão. A bem da democracia os garrotes e as rédeas devem ser aqui aplicados para tentar garantir o ouvir da voz de todos os candidatos e todas as ideias. Forçar os eleitores a conhecer outros pontos de vista e desintoxicá-los-los do seu fanatismo político moldado pelas barreiras ao conhecimento total. Com boa ressaca se possível!
Como? Como quiserem sendo que para não me atirarem que apontar problemas é fácil, resolvê-los é que é complicado, deixo aqui minha proposta para tentar melhorar a qualidade e volume dos votos. Os pontos principais a explorar são:
- Em cada comício / evento partidário deveria passar a ser obrigatório o convite a todas as restantes forças políticas que teriam direito a um tempo de antena de 10 minutos cada um imediatamente antes do discurso final por parte do partido organizador do evento;
- Seriam realizados eventos pagos pelo erário público, em espaços públicos, onde cada força política exporia os seus argumentos com tempo de antena proporcional ao do seu actual peso político com duração mínima de 10 minutos. No final existiria tempo para questões e respostas entre público e oradores. Estes eventos públicos seriam gravados e colocados em formato digital online.
- A expensa do erário público no final da campanha seria elaborada uma publicação impressa onde cada força política teria duas páginas para apresentar conclusões e argumentos finais. Seria distribuída gratuitamente nas caixas de correio dos eleitores para maximizar o contacto deste com todos os pontos de vista e soluções apresentadas.
Desta forma existiria uma maior garantia das várias mensagens chegarem aos eleitores e o erário público estaria a financiar uma campanha com maior grau de equilibrio de forças sendo que os gastos seriam atenuados por diminuição de subvenções públicas para financiamento directo dos partidos políticos e obtenção de sponsors locais que iriam ficar positivamente associados ao esclarecimento da população e combate ao caciquismo.
Isto não é utópico e é muito mais justo e pró-democrático do que leis que procuram levar à extinção todo e qualquer tipo de dinossauros independentemente da sua natureza escandalosamente predatória ou não. Afinal não será a paisagem do tempo dos dinossauros também aquela que é representada no Éden?
És tão boa C’AGARRAva-te…
O problema está no coletivo, são notórias as diferenças.
Acabou para muitos a silly season, época de eleição para desviar atenções da generalidade, mas nela foram-se passando coisas importantes intra-gabinetes e ao estilo da maratona, lenta mas desgastante, desviada dos holofotes por picardias maioritariamente individuais.
Temos assistido a espetáculos degradantes, por exemplo no caso dos “swaps”, em que sabe-se á posteriori (sempre) que quando negociados para o coletivo (empresa e/ou estado) se podem tornar tóxicos e ruinosos, mas no que toca á sua negociação, ela foi feita e concluída por quem no individual negociou mais que bem as suas condições de prestação de serviço.
Alguns conseguindo ainda catapultar-se individualmente, para um meio mais mediático, certamente antevendo mais uma vitória individual no mundo coletivo de uma qualquer empresa ou instituição. Tem sido assim e aos molhos… ás resmas.
Ficamos sempre desconfiados com as negociações, mesmo quando elas são individualizadas na pessoa indigitada para o pelouro ou ministério, interrogamo-nos sempre, por que razão o representante tinha tantas credenciais e provas dadas de sucesso e…, falhou.
Podemos sempre questionarmo-nos sobre as razões que levam a tais desfechos mas as conclusões são sempre envoltas numa névoa.
Até no mundo do Fantástico se vem agora questionar os ganhos do individual em detrimento do todo. Tudo não passará de uma Quimera? Veremos…
Até aqui já todos sabemos no individual, contudo avizinha-se mais um enorme desafio para o coletivo, mas…
Temos brevemente mais uma negociação para o todo, que deverá ser renhida pois os “nuestros hermanos” vieram novamente á carga sobre umas ilhas que devem ser rochas devido á sua importância geoestratégica e económica, tem-no feito esporadicamente por outras vias e criado imbróglios diplomáticos mas sem consequências de maior.
Aos olhos do Mundo estaremos novamente a ser escortinados e mais uma vez não será fácil. É do conhecimento que os decisores serão pressionados de muitas formas, embora sempre o neguem.
Serão analisadas até á exaustão uma infinidade de questões até que seja anunciado o veredito, tendo em conta um País a braços com uma crise generalizada em que a mais visível internacionalmente é a económica, mas com outras não menos importantes como o caso ainda quente dos incêndios.
Questionar-se-ão sobre as capacidades de gestão e fiscalização da que poderá vir a ser (imagine-se) a segunda maior plataforma Mundial, detida por uma Nação que não terá meios para a cuidar e muito dificilmente poderá tirar partido das suas capacidades económicas, nem atuar convenientemente em caso de uma catástrofe. Lá está o coletivo…
Pensarão eles, é o coletivo que não funciona?
Como podem tomar conta de tal área se por exemplo deixaram arder só este ano, mais de 93 mil hectares da sua superfície com os meios inicialmente anunciados como, calculados e suficientes.
Como podem fazer a vigilância de 4.000.000 Km², com parcos meios para a manutenção de uma frota por si só já diminuta
para tamanha quantidade de água.
Como poderão rentabilizar a enormidade de recursos existentes nessa área, sem frota pesqueira, etc.
Mas nós temos dado provas inequívocas no individual com
conquistas de relevância, como recentemente o Carlos Sá que entre outras vitórias, chegou á frente de todos numa das mais desgastantes provas do Mundo depois de correr 217 Kms, isso pode dar-nos uma ideia fabulosa de naturalizar irrevogavelmente a Diana Nyad, mesmo que depois da prova possa voltar a ser Americana e disputar a soberania com uma prova de natação, ela parte da madeira e um outro partirá das Canarias… Quem chegar primeiro fica com o troféu! Ela estará em desvantagem pela diferença na distância mas com um treino individual certamente conseguirá. Esta técnica já foi utilizada noutros ambientes desportivos mas lá está, eram de desportos coletivos e o resultado ficou aquém do esperado.
Talvez o importante mesmo, fosse começar por dar oportunidade a umas individualidades de explicarem ao coletivo a importância desta já famosa plataforma.
Nota:
O titulo nada tem que ver com a plataforma, apenas e só, porque mais uma vez se demonstra que o coletivo não funciona, preocupando-se até com a constitucionalidade dos piropos em vez de questões realmente importantes, enfim quem sabe mais uma busca de protagonismo individual e detrimento do… coletivo.
Com as verdades nos enganam
Graças às polémicas recentes descobrimos que, para além do swinging, também o swapping é uma actividade underground secretamente praticada por muitos portugueses. Praticá-lo na sombra, confinado aos limites de uma redoma obscura, é muito mais satisfatório e relaxante pois é uma actividade liberal altamente complexa de entender e pouco aceite pela opinião pública. No entanto o swapping é fácil de explicar. Basta ir ao casino jogar na roleta, apostar tudo num intervalo de números, vá digamos que uns 5 das 38 casas possíveis, a que chamamos “as nossas taxas”. Se a bola branca sair noutra taxa pagamos o valor da aposta que deixámos em cima da mesa acrescida de juros estupidamente altos que permitem ao casino continuar a lucrar, em prestações austeras, mesmo que não tenhamos condições de voltar a ir jogo.
Os nossos noticiários e comentadores políticos pegaram nessas bolas brancas da roleta e transformaram-nas numas leves bolas de ping-pong que batem e rebatem de um lado para o outro. De tal forma que me parece que o que está a acontecer é na verdade um sweeping. De dinheiro dos contribuintes, de culpa de banqueiros e autarcas envolvidos, de responsabilidades políticas da ética e da moral.
No olho do furacão encontra-se Maria Luís Albuquerque que mentiu, omitiu ou esqueceu-se de pormenores do processo em que esteve envolvida nos últimos anos. E a bronca deu-se mesmo antes de ser nomeada para Ministra das Finanças. Colocando em Cavaco Silva o peso da decisão de aceitar ou não a nomeação. E o nosso Presidente diz que tem de acreditar nas informações dadas pelo nosso Primeiro-Ministro.
E fiquei a pensar nas crenças recentes do Presidente.
Cavaco Silva não acreditou na reformulação que alarga o poder do CDS.
Cavaco Silva acreditou que era possível um governo tri-partidário de salvação nacional.
Cavaco Silva acredita na reformulação que alarga o poder do CDS.
No passado Cavaco Silva acreditou nas dicas que lhe foram dadas para a compra e venda de acções do BPN.
Por acaso do destino nesta última deu-se bem mas a sua crença no actual governo é uma incógnita. O começo está turbulento, com denúncias do envolvimento de alguns dos novos nomeados em vários processos que são a origem do actual pântano onde Portugal está atolado. E mais uma vez o nosso Primeiro Ministro e o nosso Presidente acreditam. Na honestidade, na isenção, no carácter e nas capacidades dessas pessoas. Esta crença parece-me mais uma fezada inconsciente do que uma decisão informada.
Pessoalmente não percebo esta falta de informação. Para que serve afinal um SIS? Não terá o SIS uma ficha de informação pública e confidencial sobre cada um dos membros do governo? Não será facultada ao Primeiro Ministro e ao Presidente essa ficha para cada potencial nomeado, a fim de perceber ao pormenor a sua teia de influências, lobbies, interesses e social? Não é necessário recolher a informação de forma menos própria basta fazer um levantamento exaustivo do percurso profissional, filiações, rede familiar e social.
O terrorismo político e económico deve ser combatido de igual forma às restantes formas de terrorismo! Têm o potencial de causarem danos catastróficos para o país, com o agravante de o praticarem de forma camuflada mediante a assinatura contratos ruinosos que se afiguram como verdadeiras bombas relógio com anos de latência e décadas de impacto.
Se o nosso SIS não tiver capacidade, ou coragem, para fazer o que tem de ser feito para manter a integridade do nosso país, a todos os níveis, não devemos ter vergonha de pedir auxílio aos nossos amigos americanos que aparentemente sabem tudo sobre todos. Afinal nós por eles acreditámos que o Snowden estaria a bordo do avião de Evo Morales com a mesma veemência com que acreditámos que não existiam prisioneiros a caminho de Guantánamo a fazer escala nos Açores. Ficar-lhes-ia barato agradar-nos com o perfil completo de alguns dos nossos ministros e sua equipa.
Finalizando, o futuro de Portugal está intimamente ligado ao acreditar de Pedro Passos Coelho e de Cavaco Silva que se vão baralhando com a quantidade de verdades disponíveis.
Os Portugueses esses suspiram. Afinal em quem podem eles ainda acreditar?
Reconhecimento aos políticos de alta-competição
Num momento em que Portugal se orgulha com os feitos atléticos de alguns desportistas portugueses pareceu-me oportuno relembrar que existem louvores a reconhecer noutras áreas de actividade, particularmente na política de alta competição. Tal como os atletas de alta competição muitos dos políticos dedicam-se à sua causa com sacrifício social, familiar e pessoal. Pertencer às Jotas, servir os aparelhos, é deveras exigente, apesar de a longo prazo poder ser recompensador. Às vezes é preciso descurar os estudos para dar resposta às solicitações dos grandes barões que dominam as portas de entrada e de saída da ribalta. Tal como no desporto milhares o tentam mas apenas alguns demonstram o empenho e talento necessário para exercer continuamente a sofrida actividade política. Isto pode ser demonstrado rapidamente com algumas analogias.
Michelle Larcher de Brito, os seus pais emigraram quando tinha apenas 9 anos para que pudesse obter a melhor formação possível como tenista de alta competição. É conhecida pelos gritos que solta ao aplicar a sua força e concentração no batimento da bola. Michelle beneficiou claramente dos conselhos dados por este governo. Uma vida de emigrante foi a garantia do seu sucesso.
Muitos políticos assumem cargos governativos e devido à sua falta de experiência, ou capacidade, exercem as suas funções de uma forma que origina nas ruas gritos similares na maioria da população portuguesa. Acabam por ser forçados a demitir-se. Os mais jovens emigram para melhorar a sua formação em política e governação. Voltam melhores e mais fortes para cargos que lhes conferem ainda mais poder onde a tradicional cortiça das instalações os isola dos gritos das ruas passando a ouvir apenas os seus vitoriosos “UHU! Voltei e ganhei!”.
João Garcia demonstrou que os portugueses têm capacidade de adaptação a ambientes gélidos e austeros conquistando o cume de 14 das maiores montanhas do mundo. Perdeu nesse feito parte do nariz e cerca de oito falanges das mãos, ficando apenas intactos os seus polegares.
Actualmente os nossos políticos debatem-se com a frieza dos números e o ambiente criado pelas políticas de austeridade. Também eles tentam escalar os obstáculos colocados pela enorme montanha que é a pirâmide etária Portuguesa. Felizmente não necessitam de se limitar ao uso dos comuns equipamentos de escalada. Têm a capacidade de inovar e aplicam doses certas de desincentivo à natalidade, aumento de desemprego nas camadas jovens, baixa de salários, incentivo à emigração e cortes na saúde e apoio social. Estão assim a conseguir moldar a pirâmide etária por forma a que esta se transforme numa confortável e sustentável escadaria. Isto sem perda de falanges, talvez uns quantos anéis, utilizando apenas os polegares para dizer que está tudo bem ao longo do caminho. Ao fazê-lo é também normal perderem a sua cara. Felizmente os grandes políticos desenvolvem várias faces pelo que o sacrifício é apenas momentâneo e em breve nova face estará pronta para voltar a ser dada e aceite.
Na canoagem os portugueses estão a dar cartas demonstrando a sua capacidade inata para navegar águas turbulentas com remadas rápidas, seguras e esforçadas.
Os políticos portugueses há décadas que tentam manter Portugal à tona, estimulando a população a remar, remar, remar enquanto eles tentam pensar, pensar, pensar. O barco está sempre a meter água mas até ver o engenho das braçadeiras políticas e financeiras tem permitido iludir a população de que o seu esforço vale a pena e de que é essencial dar folga aos pensadores.
Mais recentemente Carlos Sá realizou um grande feito ao vencer a ultramaratona de Badwater. Um feito enorme! Aparentemente fora do alcance para um normal ser humano. Contudo ele acreditou e esgotando todos os seus recursos físicos atingiu o fim a que se propôs. Tudo isto só foi possível devido ao apoio de uma equipa médica pronta para lhe garantir a sofrida recuperação física já que no final da prova o seu organismo estava tão esgotado que rejeitava a ingestão de alimentos. A morte seria certa.
Também o Portugal democrático fez uma ultramaratona espantosa melhorando meteoricamente em praticamente todos os indicadores que definem um país desenvolvido. Claro que esgotámos recursos acima da nossa capacidade produtiva mas neste momento estamos a ter o merecido apoio da Troika com vista à nossa recuperação. Se os nossos esforçados políticos conseguirem cumprir a receita médica certamente que um dia estaremos prontos para nova ultramaratona. Diz que dói e que é sofrível mas o que arde cura!
Para finalizar, tal como para a maioria dos atletas de alta competição, existem ciclos de preparação de 4 anos para as provas decisivas que garantem os louros do pódio. Nesse período há que gerir esforços, timings, solicitações e opções para melhoria de rendimento. O stress físico e psicológico é uma constante até ao dia em que é feita a contagem de votos e um novo ciclo se inicia.
A principal diferença para com o desporto é que infelizmente na política só interessa quem ganha e mesmo assim muito poucos querem participar.
O Foral de Boliqueime
A Nau Portugal perdeu o piloto-mor. Desembarcou e demitiu-se. Diz que falhou. Reconheceu e escreveu. Guardou no frio, até que o calor chegasse. Chegou e de pronto aprontou o cangalheiro das laranjas, jotas e barões, desclassificado ou professor. É conhecido o seu instinto. O defunto responde com pompa e circunstância, a sua única aptidão, o faz de conta. Contradiz-se e apela ao nacionalismo piegas. Diz seu o país. Abandonado não fica. Há negócios por concluir!
A palavra a quem não quer falar: O tempo passou e El Rey de Boliqueime lá palrou, não sem antes todos ouvir. Reflectiu e ponderou. O foral publicou. A viva voz o leu a seus súbditos. Ninguém adormeceu. Explicou quem manda: os mercados. Obedecer é o desígnio. É solene o momento. El Rey decide não decidir. Apelou à anúduva dos partidos do regime. Decretou a primeira acção de fossado contra os eleitores. Tudo em nome da salvação, do regime, porque todos os outros estão condenados.
A Nau permanece à deriva. Ninguém ao leme. É a nortada que impõe o rumo.
Buraco no Resbordo!
Num mar de águas agitadas o inevitável naufrágio está a meio do seu percurso enquanto alguns…
Avisados de que não terão salvação insistem em permanecer a bordo, alegando que devem gozar a viagem de sonho até ao último minuto, até porque não foram eles que custearam a alucinante aventura.
É certo que nas leis que regem as artes de marear, o comandante deve ser o último a abandonar a embarcação e este tenta desesperadamente manter-se agarrado ao leme, já com as mãos trémulas.
Sabe pois, que contrariamente ao que aconteceria numa situação real, ele permanecerá com a cabeça á tona da água, expedito em nadar por entre as correntes, ora mergulhando mantendo-se quase imperceptível quando a conveniência do silêncio lhe é favorável, ora surgindo por breves momentos para encher os pulmões de ar aproveitando para apregoar a sua inolvidável sabedoria, enquanto vislumbra os outros a ficarem sem folego e á beira de um afogamento inevitável.
Assemelhando-se a um filho pródigo, o seu benjamim sempre agarrado a sua mão já trémula, vai dizendo que se tranquilize pois ele mesmo evitará a catástrofe, enquanto com a outra tenta irremediavelmente agarrar as calças que já desnudaram os glúteos, suportando aqueles que tentam desesperadamente um último folego antes de serem engolidos, para o fundo negro do oceano.
Vendo ao longe os seus imediatos nadando calmamente sustentado á superfície, como se dum acto heroico se tratasse, as missivas demissionárias, garantindo o alcance não só da boia salvadora mas as embarcações onde a continuidade de progressão na carreira será garantida, almejando já a promoção imediata para postos menos sujeitos a serem achincalhados pelos que apresentam já uma calvície pronunciada provocada pelos sucessivos cortes.
Os acontecimentos dão-se muito perto da costa, por isso começaram já a avistar-se as aves de rapina famintas de mais um repasto, que passarão não tarde a criar lesões físicas, já que as psicológicas já se faziam sentir desde a entrada das primeiras águas pelo resbordo.
Lá se encontram igualmente os “experts” na matéria, esgrimindo opiniões sobre quem terá aberto o rombo na casco, opinando sobre a metodologia utilizada, tentando fazer prevalecer cada um deles a sua teoria, fazendo futurologia sobre os próximos acontecimentos.
A sustentabilidade das embarcações, há muito que é abrilhantada com casco duplo, mas por cá embora com uma incontornável história naval, a filosofia do “deixem-nos trabalhar” não permitiu olhar para o lado e aprender as novas técnicas.
Essas sim, de importância capital.
Não Pagamos! A análise de risco é um risco
Está confirmado! Pior do que ser um fdp é ser pai de uma PPP! Só no sector rodoviário o buraco pode chegar aos 9 mil milhões de euros. As PPP são mecanismos complexos e algo opacos em que é difícil perceber se é ou não vantajoso para o Estado um corte abrupto de despesas com as PPP, ou mesmo a sua privatização. Duas das maiores justificações para as derrapagens são a ausência de estudos, que suportassem a decisão de as concretizar, e a inflação das estimativas para os volumes de utilização e/ou níveis de serviço necessários a garantir.
Temos entidades privadas que, ingenuamente e num acto de fé, acreditaram piamente nos números facultados pelo Estado (não confundir com encomendados) para justificar a necessidade e viabilidade o investimento de milhares de milhões de Euros. O Estado não age com um driver lucrativo, procura sim o progresso e desenvolvimento do país.
Muitas vezes até não terá em funções governativas, e decisivas, as pessoas com as melhores capacidades. Já as entidades privadas só pretendem uma coisa: o lucro, se possível com garantia de mama a longo prazo.
São essas entidades que têm a obrigação de contratar os melhores gestores, os melhores analistas de risco, os melhores estrategas, que lhes permitam apostar o seu capital em apostas seguras e viáveis. O preço de um bom gestor é alto. Bons gestores são caros mas compensam o investimento. Um bom gestor não seria ludibriado por estudos adulterados, um bom gestor saberia analisar os factores de risco crítico e blindar o projecto contra decisões amadoras de governantes menos capazes ou mesmo menos honestos. Ao confirmar-se a conivência de grandes gestores com grandes incompetências governamentais fico com a ideia de que há muitos gestores caros simplesmente porque o preço da alma está upa upa.
Para ajudar à festa temos advogados e consultores que dançam em negociações das PPPs entre a defesa dos interesses do Estado e a defesa de entidades privadas, elementos pertencentes a antigos governos que ao sair passam a exercer altos cargos nas entidades que beneficiaram de grandes PPPs com rendimento garantido por décadas.
Tudo isto cheira mal porque está podre.
Está na altura dos gestores perceberem que nós compreendemos que não fizeram bem o seu trabalho e que a sua análise de risco ‘ignorou’ um risco que pode fazê-los perder muito dinheiro. O risco de surgirem governantes com níveis de ética, honestidade e justiça que os levem a anular ou renegociar brutalmente as PPPs lesivas para o Estado actualmente em curso. O facto dos antigos governantes, decisores, serem mestres nas artes da fantasia e da fábula não significa que todo um povo deva ser perpetuamente prejudicado porque os gestores de entidades privadas fingiram acreditar nas histórias das carochinas.
Está na altura de sermos sérios. Custe o que custar. Doa a quem doer.
O mesmo se aplica aos credores internacionais. Outro embuste com rating AAA. Os milhares de milhões de euros que nos foram emprestados no passado, e de cujos juros somos agora reféns, podem ser usados como chicote em vez de garrote estrangulador. Porque quem nos emprestou o dinheiro nunca fez uma análise de risco apurada para perceber 1) que vão fazer com tanto dinheiro!? 2) vão ser capazes de nos pagar de volta?
Aparentemente os casos denunciados de corrupção, desvios, esbanjamento foram meros fait divers. Os nossos credores só se preocuparam em garantir que parte do empréstimo fosse devolvido quase de imediato, em negócios de contra-partidas, e em que continuássemos com dependência externa em vários sectores. Desde que sejamos bons pagadores o dinheiro pode jorrar.
Quando no cenário actual o não pagamento dos juros de dívida poderia ser um grande elemento de estabilidade porque não exigi-lo para podermos pensar em mais do que pôr o pão na mesa? Um período de carência, de um ou dois anos, em que nem pagávamos dívida nem recebíamos mais empréstimos. Uma reflexão sobre tudo o que foi mal feito. Uma reestruturação tranquila que não se assemelhe a tiros no escuro, a soluções não estudadas, a amputações desesperadas para evitar septicemia e hemorragias maiores. O fim deste tapar de buracos com medo do risco sistémico que uma entidade possa ter sem considerar o risco sistémico que é ter milhões de portugueses sem poder de compra nem apoio social.
Ironicamente um simples não pagamos pode ser o caminho para voltarmos a ser honestos, íntegros e justos.
PS – este post deu-me tamanhas securas que vou beber um copo de água enquanto posso!
O Equívoco
Piloto e cartógrafo da Casa da Índia, o navegador português João Dias de Solis fugiu para Espanha em 1506. Procurado pelo assassinato da sua mulher, não foi piegas, emigrou e consigo levou o Regimento do Astrolábio. Mudou de nome. Foi recebido de braços abertos. Detinha o desejado saber da arte de navegação. Não evitou polémicas, mas chegou a Piloto-Mor do reino de Espanha. Após uma década a leccionar, Juan Díaz de Solís comandou uma pequena frota de três navios numa expedição cartográfica à América do Sul. Em 1516, Solis foi o primeiro ocidental a contactar com os Querandis, os nativos do norte da Argentina, mas foi a sua tragédia pessoal a norte dessas paragens que o conduziu à glória póstuma. Foi-lhe atribuída a descoberta do Uruguai. Após o desembarque numa ilha situada num amplo estuário, Solis e oito dos seus homens efectuaram uma trágica incursão exploratória. Foram mortos à paulada por um bando de locais: os Charrua, nativos do actual Uruguai. Os exploradores sobreviventes regressaram a Espanha. Sem riquezas do novo mundo, apostaram no relato da barbárie dos indígenas. Mentiram quando lhes atribuíram a prática do canibalismo, pois o sensacionalismo da notícia ajudaria a camuflar o fracasso da expedição. Resultou. Ao rio chamaram “Rio Solis”. A ilha chama-se hoje “Martín García”.
Uma década depois, em 1526, chegado ao mesmo estuário, Sebastião Caboto, genovês ao serviço do reino de Espanha, atribuiu o nome de “Rio de La Plata”, pois os indígenas ostentavam vários objectos em prata. O entusiasmo inicial revelou-se infundado. Deu lugar à decepção. Rapidamente se constatou que o metal precioso fora importado, ou melhor, tomado a navegadores portugueses, que à época e à margem do tratado de Tratado de Tordesilhas, também exploravam a região.
O incumprimento de tratados e o perpétuo adiamento de metas é prática antiga entre os lusos.
A expansão colonial espanhola prosseguiria em busca de metais preciosos e de mão-de-obra barata, isto é, gratuita. No estuário do rio da prata nenhuma das duas seria encontrada. Os indígenas eram caçadores recolectores, dispersos por pequenos bandos sem hierarquia ou regras. Não forneciam alimentos aos colonos, e quando capturados recusavam-se a trabalhar para eles. A prata só existia muito mais a ocidente, nos Andes, nos territórios Incas.
O equívoco da prata daria ainda nome a um país, a Argentina, do latim Argentum, a prata.
Quase duas décadas após a morte de Solis, Pedro de Mendoza estabeleceu a primeira colónia espanhola na margem sul do estuário do rio da Prata em 1534. Fundou a cidade de “Buenos Aires”. Apesar dos bons ares que por ali se respiravam, as dificuldades mantinham-se, nomeadamente a fome. Os Querandis não colaboravam, recusando-se a fornecer qualquer ajuda aos colonos, atacando-os com paus, pedras e flechas. Explorar o novo mundo estava longe de ser vida fácil.
Em 1537, uma expedição liderada por Juan de Ayolas a montante do rio Paraná, estabelece contacto com um povo sedentário, os Guarani. Cultivavam o milho e a mandioca. Ao contrário dos Charruas e dos Querandis, eram numerosos e tinham uma sociedade hierarquizada. Muito mais relevante, a sua elite estava disposta a impor sacrifícios aos seus concidadãos, garantindo a manutenção dos seus privilégios, ou seja, Ajustaram. Foi pela primeira vez encontrada a mão-de-obra que os colonos Espanhóis necessitavam. Juan de Ayolas fundou a cidade de “Nuestra Señora de Santa María de la Asunción”, no local da actual capital do Paraguai, Assunción. Os fundadores da cidade de “Buenos Aires” mudaram-se para a nova cidade. A mão-de-obra disponível permitiria a criação de Encomiendas, a instituição económica que legalizou o Trabalho Forçado. Apesar das condições meteorológicas favoráveis, Buenos Aires é completamente abandonada em 1541. Permaneceria deserta até 1580. Tudo não passou de um equívoco.
Fogos de Artifícios
Faz mais de um mês que não escrevo. Tenho estado a olhar entretido para os fogos de artifícios que invadiram os nossos media. O país está pausado. Nada avança, nada recua, nada se discute, nada se decide. Preciso de me situar. Estou em Portugal e estamos na merda!
Recapitulando, esta história começou há muito tempo com um conjunto de estudiosos das matérias prementes a chegarem-se à frente para solucionar os problemas do país. Progressivamente foram demonstrando afinal não ter estudado assim tão bem os dossiers e, sem tempo a perder, optaram por recorrer ao facilitismo das soluções mais básicas e imediatas, sem análise de riscos nem projecções de impacto a médio-longo prazo.
O seu desrespeito, desprezo e desleixo levam-nos ao vício de formular leis anti-constitucionais, fiando-se no eterno vergar do Tribunal Constitucional às circustâncias da crise. A incompetência é demasiado evidente quando, após o chumbo previsto, não saltam da cartola planos B e C preparados para esta eventualidade. Entretanto durante todo este processo fizeram algum face-lifting, excisando a pustúla que habilmente inflacionaram com vista a um sacríficio para aplacar o descontentamento do povo. Para o seu lugar uma pessoa campeã do consenso que muitos duvidam ser alguém com senso.
E desde esse famoso chumbo que o país está praticamente anestesiado.
A primeira quinzena de Maio foi praticamente ocupada pelos jogos do Benfica. No FDS precedente ao 13 de Maio mais de 50% dos telejornais eram ocupados com Futebol e Fátima. Calhasse de alguma estação ter-se lembrado de juntar o Fado e corríamos o risco de Salazar se reerguer da sua campa com a força da sua fórmula mágica dos 3 Fs.
Também houve tempo para criar uma grande comoção ao obrigar os alunos do 4º ano, tipicamente crianças de 9 anos, a assinar um compromisso de honra em como não usariam telemóveis nos exames. Sinceramente acho que a inversão da ideia ajudaria bastante o país. Obrigar este governo a assinar um compromisso de honra em como usa cábulas e máquinas de calcular científicas quando faz as suas previsões.
De seguida surge a batalha interna sobre a TSU dos pensionistas. Passos Coelho diz que é preciso, Portas diz nunca (“jamais” em Francês) e negoceiam a solução. A medida fica no documento apresentado à Troika como uma hipótese para corte de despesa mas o PSD garante ao CDS que não será aplicada. O CDS finge que não cede, o PSD finge que não é um compromisso, o CDS finge que acredita, a Troika finge que não vê a trapaça para passarmos a 7ª avaliação e continuarmos a fingir que estamos bem e no bom caminho. Só por isto sejam Portugueses e no final finjam que gostam deste post!
Um dos maiores iluminados da nação vê mais além e dá a dica que uma vez que a aprovação ocorreu a 12/13 de Maio obviamente que foi obra da Virgem Maria. Ela já não aparece aos pastorinhos mas ainda faz uns biscates junto de banqueiros, economistas e políticos. Não será esta a tão falada Santíssima Trinidade?
Pouco depois chamam Palhaço ao senhor acima citado. Eu já conhecia a lei. Sou um insultador precavido. Sempre me referi a ele como Presidente. Felizmente como em todas as Leis Portuguesas é possível usar a rotunda para contornar a lei pela direita. A lei pode proibir-nos de chamar Palhaço ao Presidente mas não pode proibir-nos de chamar Presidente a um Palhaço.
Já com o mês na recta final aparece um puto reguila a usar serviços online para, desenrascado, vender umas t-shirts na escola. Qual não é o meu espanto quando é elevado à condição de empreendedor/herói num bate-boca em que afirma que mais vale ganhar o salário mínimo do que estar desempregado. Este é um dos momentos mais assustadores do mês porque revela que a escola do governo já está a surtir efeito. A postura aplaudida não é a de exigir tratamento digno mas sim o de lutar pelo agarrar da migalha maior. Martim, muito boa sorte para a tua Over It e para o teu lema “a ideia de ser superior, de estar em cima”. Espero não vir a assistir à mudança de branding para Game Over It.
Houve ainda tempo para agitar as águas com a questão da co-adopção que vai afectar um número infímo de casais homossexuais mas foi capaz de gerar uma polémica estéril antes do tempo já que ainda terá de retornar ao parlamento para nova apreciação. Vi o bastonário Marinho Pinto com tal dureza de corpo e mente que a polícia deveria substituir os bastões por bastonários. São muito melhores dissuasores de comportamentos e pensamentos antagónicos aos nossos.
O mês acaba com Victor Gaspar a mostrar o seu lado humano e confessar que tem sofrido bastante com a tragédia do seu Benfica. Finalmente está descoberto o ponto fraco deste Colosso das finanças. Só peço a Jesus que o também meu clube perca com cabazadas todos os jogos da próxima época, numa derradeira tentativa de pôr fim à imortalidade deste super-ministro via uma morte por desgosto atroz.
Posto tudo isto, não há dúvidas que Portugal está assolado por um colossal fogo de artifício, cujos flashs e explosões lançam um denso nevoeiro que nos tolda os sentidos e nos impede de ver, ouvir e gritar por “Terra à Vista!”.
Aparentemente as águas estão calmas mas o que nos espera depois do nevoeiro dissipar?
Balanço do 25 de Abril
Passadas as comemorações do FDS prolongado de 25 de Abril, urge fazer um balanço tranquilo dos benefícios que este trouxe à nossa sociedade. Resumidamente só podemos estar gratos pela Democracia. Deu-nos a liberdade para fazer muita merda! Literalmente…
Pessoas com Deficiência

Bem fisgada!
Na Ditadura: os deficientes eram tratados como opositores ao regime e encarcerados em prisões e instituições para não darem má imagem do país.
Hoje: talvez devido a essa convivência no pré-democracia, a maioria dos nossos governos eleitos foram deficitários.
Fome

Epá… comer engorda.
Na Ditadura: os Portugueses tinham fome e mais nada.
Hoje: os Portugueses têm emprego, casa, carro, smartphones e também fome. Mas muito bem disfarçada. Aliás até se fazem programas de entretenimento a explorar os esfomeados como o Big Brother VIP.
Emigração

Por Portugal!
Na Ditadura: entre 1958 e 1974 emigraram 1.5 Milhões de Portugueses. Dá uma média de 93 000 por mês.
Hoje: Em 2011 e 2012 emigraram 100 000 Portugueses por ano.
Polícia

Não fui eu!
Na Ditadura: os suspeitos de crime eram denunciados à PIDE e nunca mais eram vistos.
Hoje: a própria polícia apanha ladrões e violadores em flagrante delito. Os acusados aguardam julgamento em liberdade. Alguns no parlamento ou em conselhos de administração de grandes empresas.
Multidões

Penso logo existo
Na Ditadura: mais do que duas ou três pessoas eram consideradas um perigo. Palavra puxa palavra e germinariam ideias progressistas que punham em causa o regime. TOCA A DISPERSAR!
Hoje: É permitido o ajuntamento de multidões. Ouve-se falar de bola, big brother e cumer e buber. Não há perigo de surgirem ideias progressistas.
Riqueza

1 para ti 1 para mim
Na Ditadura: não se produzia riqueza suficiente. Salazar não distribuia o que não produzia.
Hoje: não se produz riqueza suficiente. A Democracia distribui a riqueza que não produz.
Liberdade

Preso em casa
Na Ditadura: pouca ou nenhuma.
Hoje: diz-se que conquistada com cravos. É mentira. Foi cravada. E agora que estamos a pagar o empréstimo está a esvair-se das nossas mãos.
Greve

Viva o livre arbítrio!
Na Ditadura: greve de estudantes abala regime.
Hoje: greve de trabalhadores paralisa país.
Sofrimento
Na Ditadura: milhões de Portugueses sofrem com de carências sócio-económicas. Toda a nação queria uma vida melhor.
Hoje: milhões de Portugueses sofriam com uma série de carências sócio-económicas. 40% dos Portugueses não querem saber e não comparecem nas urnas.














