Voltar às Bases – Serviço Militar Obrigatório

O buzz do momento é o revivalismo dos cantares revolucionários. O “Grândola Vila Morena” cantado simbolicamente no parlamento e nos eventos onde participam membros do governo. Evoca a revolução dos cravos que apesar de ter tido essa canção como parte da banda sonora foi executada e perpetuada por operações militares. Faz toda a diferença a troca de uma letra em canÇão para canHão. Uma diferença capaz de ganhar batalhas.

Temos milhões de desempregados, milhões de Portugueses à espera de dias melhores. A descrença reina. Os mais espevitados abalam para outros países. Os que ficam marinam numa sopa social indefinida, sem uma concreta definição do seu sentido de orientação e da sua capacidade concretizadora de reais mudanças.

Com um mercado de emprego estagnado há cada vez mais magotes de jovens a sair do seu percurso escolar ou académico com entrada directa no marasmo e falta de oportunidades.

Olhando para toda esta conjuntura e para o recente anúncio de cortes nas despesas militares atrevi-me a pensar num movimento contrário. No final do meu percurso académico fui à inspecção militar obrigatória e ‘escapei’ ao serviço por ter já um contrato assinado para iniciar carreira profissional. Nessa altura o mercado estava ávido de mão de obra qualificada e absorvia praticamente todas as fornadas que saiam das Universidades. Cumprir o serviço militar obrigatório era visto como algo tedioso, um verdadeiro empecilho ao futuro.

Nesta altura isso não se verifica. Não há mercado. E também se perderam muitos valores e muita gana. Já lá vão as gerações offline. As gerações que passavam mais tempo na rua do que na net. As gerações que ao brincar suavam, sujavam, lutavam, choravam e amadureciam um pouco mais rápido. Agora caminhamos para os seres digitais. Alimentados a centenas de canais de TV, a milhares de jogos de computadores/consolas, a smartphones, a relações à distância cada um na segurança e conforto do seu quarto ou de uma redoma bem montada a dar ares de total liberdade e arbitrariedade. As gerações de hoje revolucionam nas redes sociais, deslumbradas com o volume de likes, assinantes de petições e minutos acumulados em reportagens relâmpago nos telejornais. Mas perderam o contacto directo com a Terra, deixou de se sentir com frequência o choque e solidez de uma violenta queda ao solo, deixou de haver a necessidade constante de superação perante condições adversas surgidas do nada e sem ponto de fuga possível. A descrença antes de ser nacional é pessoal. Uma pessoa foi formada toda a vida num ambiente propício para ser X e não crê que possa facilmente ser Y, Z ou XPTO.

E por isso, neste momento particular, parece-me que o serviço militar obrigatório poderia ser uma boa forma de servir de continuidade à formação pessoal dos homens e mulheres  após final do percurso escolar ou académico. Sendo uma fusão de treino militar com escola de ofícios, aumentando a auto-estima dos seus formandos bem como desenvolvendo-lhes novas valências e competências. Uma recruta militar que obrigue os seus formandos a viver mais tempo no mundo offline, a explorar os seus limites físicos e mentais, a cooperar com tudo e todos sem hipótese de fuga para o coito mais próximo.

Em termos de fundos, necessários para concretizar a logística deste programa, poderia ser feito o desvio de verbas aos programas de apoio a jovens desempregados. Para cortar na despesa, e ao mesmo tempo servir de acção formadora, muitas das tarefas ‘domésticas’ e de manutenção seriam executadas pelos próprios, inclusive o cultivo hortícola para o máximo de auto-suficiência. No fundo existiria uma deslocalização de parte das acções de formação para os quartéis. O aumento de consumo de bens como fardas, calçado, alimentos, etc, seria também um incentivo a alguns sectores nacionais que se assumiriam como fornecedores destes novos polos de consumo. Seria um meio de injecção de capital na economia de uma forma distribuída ao invés de concentrá-lo em empresas prestadoras de serviços, como acontece actualmente com muitas acções de formação em que por vezes parece mais importante zelar pelos interesses do prestador do serviço do que pelos interesses reais para os formandos e para o país.

Para concluir não queria deixar de notar que na maior parte dos casos vejo que quem fala do serviço militar cumprido fá-lo com uma certa nostalgia de bons velhos tempos e com orgulho da superação de obstáculos tendo sido um período marcante na lapidação da sua personalidade. Mais, vejo-lhes uma centelha de quem já fez coisas complicadas e estaria preparado para o fazer novamente se assim fosse preciso. Perdido por 1 perdido por 1000.

E esta centelha seria o principal ganho para o país. O de transformar uma manada de insatisfação submissa num enxame de operativos capazes de iniciativa real sem necessidade de grandes holofotes. Homens e mulheres confiantes na sua capacidade de sobrevivência perante qualquer adversidade. Custaria bem menos do que dois submarinos. Seria tão mais produtivo para Portugal. Ter um governo perfeitamente ciente que a maioria da população dispõe das capacidades necessárias para mudar usando as canções meramente como música de fundo.

Para quem naturalmente vá ter fortes anticorpos a esta ideia ‘retro’ só lhes queria lembrar que uma outra canção foi usada na revolução. Pensando em quem disse ou vai dizer adeus ao emprego, adeus à casa, adeus à família, adeus ao país ou simplesmente adeus à vida deixo-a aqui porque também ela é história apesar de menos querida pelos revolucionários.

Driving Miss Daisy

DrivingMissDaisy_Seguro_CostaSenhora do seu nariz, Miss Daisy conduzia o seu próprio automóvel. Por mais desconcertante a condução, acreditava em si própria, nunca ligando a buzinadelas ou às infundadas críticas dos outros automobilistas. Afinal, uma senhora é sempre uma senhora. Um dia, um pequeno acidente, foi a desculpa  perfeita para o seu SEGURO cancelar a apólice. Foi um rude golpe na autonomia de Miss Daisy. Seus filhos socráticos, ávidos por restabelecer a alegria dos tempos idos, precipitaram uma solução: Miss Daisy teria um motorista, alguém que a conduzisse sem percalços. “Qual a pressa?” questionou Miss Daisy. Pragmática, decidiu fingir aceitar a vontade de sua prole. O voluntarioso Mr. Hoke Coleburn apresentou-se ao serviço. O desdém e antipatia inicial, foram teatralmente dando lugar à empatia e ao profundo respeito. Os múltiplos prémios e distinções atribuídos a este filme nunca ocultaram a singela verdade:

É uma monumental e inconsequente séca!

DrivingMissSeguro

The Matrix

Matrix à Portuguesa

Pedro Morpheus aceitou o destino que lhe fora revelado por Angela Oracle: Seria ele a encontrar o escolhido. Ao leme do hovercraft “Nebuchadnezzar”, Morpheus manobrava pelos esgotos em busca do salvador. A tripulação partilhava o empenho do seu comandante.OracleMerkel Contudo, Álvaro Cypher vivia descontente. Conhecia a verdade, mas sonhava voltar à ignorância. Trinity Portas, sorria em silêncio. Após uma longa busca, Morpheus encontrou Franquelim Neo, o predestinado. Cypher viu então a oportunidade para se pirar e exclamou: “a escolha é minha, o homem até ajudou a desmascarar o enredo insular”. Morpheus de pronto partilhou a responsabilidade na escolha, fazendo aquilo que dissera nunca fazer, comentar trocas de subalternos. Mas o momento era festivo, por isso abriu uma excepção.

Oliveiraecosta

Agora sim, empreenderemos à séria. Nada, nem ninguém deterá o avanço dos salvadores de Zion. José, o Arquitecto não contesta, não questiona. Contempla a sua obra. Está tudo bem. Fica-nos a importante lição de Manuel, o rapaz da colher. “Não tentes dobrar a colher, isso é impossível. Tenta antes compreender a verdade: a colher não existe”.

Manuel Dias Loureiro

Voltar às bases – TV Rural

Recentemente deu-se o buzz TV Rural. O governo levou à discussão no parlamento a sugestão de recolocar na grelha um programa sobre a Agricultura e o Mar que tanto sucesso fez durante 3 décadas entre 1960 e 1990.

Oh a ironia! TV Rural, um programa saído de cena a meio do período do Cavaquismo que governou Portugal entre 1985 e 1995, agora ressuscitado pelos seus herdeiros políticos.

Pudera tudo o que esse senhor matou na altura poder ser assim recuperado de um momento para o outro… No seu tempo acreditava que Portugal se transformaria essencialmente num País prestador de serviços, sem necessidade de produção agrícola e industrial que prontamente desmantelou. Só não esperava que os prestadores de serviços algum dia tivessem de sair em massa de Portugal para poderem exercer a servitude humilde e honrosa no estrangeiro. Como adivinhar que a grande dependência da produção externa nos pudesse um dia fragilizar ao ponto de condicionar a tomada de decisões que afectam directamente a nossa soberania e o nosso Estado?

A oposição portuguesa por tradição é uma oposição do contra procurando sempre focar-se nos aspectos negativos de medidas tomadas pelo governo, mesmo quando aparentemente positivas. Vemos assim os partidos que defenderam as vantagens da manutenção de um canal de televisão pública, para salvaguardar um meio de comunicação que não possa ser instrumentalizado, condenar o uso de influência política para pôr no ar um programa, interferindo assim na normal gestão da RTP.

Ora é exactamente esta a vantagem de ter um canal público. O de contra a lógica comercial substituir uma potencial novela, reality show ou programas da socialite por um programa útil apesar de aparentemente pouco atractivo e com fome de audiências. Apoio e digo que o simples relançamento do TV Rural é pouco. No passado o TV Rural beneficiou do facto de não existirem canais concorrentes e os jovens que acordavam cedo para ver os cartoons matinais acabavam por aprender umas coisas de forma inconsciente enquanto esperavam e viam a única coisa disponível.

Como recolocar o TV Rural no horizonte de interesse dos Portugueses e ao mesmo tempo vincar a aposta nos sectores primários da economia? Simples. Tenham a coragem de colocar nos programas escolares projectos obrigatórios de produção de hortas caseiras. Não como um mero ATL mas como uma disciplina durante um ciclo escolar completo. Através dos jovens e entusiastas alunos ensinem os pais a ganhar maior autonomia alimentar e a aliviar o orçamento familiar produzindo parte da sua alimentação.

Desta forma a prazo teremos garantido que todos os Portugueses passaram ao longo da sua vida escolar por um período de formação em actividades agrícolas que cada um escolherá, ou não, desenvolver no futuro, seja a nível profissional, seja a nível doméstico.

Ensinemos os Portugueses a sujar as mãos,  preparando-os para o colapso do período de dominância do colarinho branco no nosso mercado de trabalho.

Duodécimo de Actualidade

Cumprimos a meta nominal do défice, voltámos aos mercados e ficámos a saber que a victoria é nossa, é produto do nosso esforço. Quando o “futebolês” entra no léxico governativo, quando o marcador do golo enjeita com falsa modéstia o protagonismo, há confusão no balneário. José MourinhoEstá para breve a chicotada psicológica. Até lá, o grupo está unido, empenhado na preparação do próximo embate, ávido por dar o seu contributo à equipa. Pois…

 

saldosConcluída a época de saldos, nenhuma venda foi ainda concretizada. A companhia aérea por falta de garantias bancárias, a televisão publica pelas adversas condições de mercado, e imagine-se a ironia na anunciada venda da ANA: Gaspar está na mão de Jardim. O disciplinador à mercê do despesista. Tão trágico que chega a ser divertido.

Mais um “não assunto”. O magnânimo Optimist, senhor de muita pose, mas desprovido de pensamento próprio, dá largas à sua soberba: Remodelações de secretários de estado é tema sem envergadura, sem dignidade quanto baste para merecer o seu comentário. Um prodígio!

Do outro lado da barricada, a completa barracada. A carcaça está lá, mas a prazo. A média anuncia um facto e seu contrário. Em que ficamos? Na mesma. Nada disto interessa, nada disto conta. A festa prossegue, valha-nos o havaiano na Nazaré. Somos notícia no mundo. O maior vagalho é nosso. Por mais paupérrimo o país, é vicio que nunca perderemos, a mania das grandezas. Afinal, não há razão para tristezas, animem-se meus caros, 2013 será o melhor ano dos próximos 5. Dúvidas?

Não se esqueçam de se absterem nas próximas eleições! Por certo que governança e oposição tremerão com medo…

IRC – Reduzir ou Remodelar?

Parece que agora vem aí a reestruturação do IRC. Depois de cortado o poder compra dos Portugueses e de criada uma legião de desempregados há que começar a fazer reparação de danos, é compreensível. Criar medidas que não só consigam captar novos investimentos e gerar novos empregos como também permitam às empresas sobreviver no cenário actual de baixos níveis de consumo.

Muito se fala sobre a influência e interesses das grandes empresas na definição de algumas das medidas recentes relacionadas com as leis laborais e que agora pretensamente apontam a mira para este dossier. É curioso olhar para o cenário nacional do tecido empresarial. Dele decorre que 99,9% das empresas em Portugal são PME. No entanto as grandes empresas empregam directamente 28% dos assalariados de Portugal e geram 45% do volume de negócio em Portugal.

Se tivermos em conta o número de PMEs ‘satélite’ que sobrevivem com os serviços prestados a estas grandes empresas, directa ou indirectamente, cerca de 0,1% das empresas em Portugal representam na verdade praticamente metade dos empregos e facturação nacional.

Isto torna muito complicado manter o equilibrio na formação de um grupo de trabalho sobre o IRC.  No mínimo deveriam existir 33% de preocupações com o impacto que essas mexidas teriam em PMEs e 33% com o que teriam em grandes empresas. Os outros 33% terão de ser preocupação com o impacto para o Estado, quer em termos de receita fiscal, quer em termos de dinamização da economia nacional.

Chamem-me doido varrido mas eu vejo neste momento uma oportunidade de ouro para ‘complicar’ a vida aos gestores nas empresas e obrigá-los a uma auto-regulação e correcção de desequilibrios internos para ter beneficios de IRC. Se o montante de IRC fosse variável, com mais escalões do que os actuais estritamente em função do volume de facturação, certamente teria muito maior influência sobre as decisões tomadas nas empresas. Para tal bastaria tornar como preponderantes alguns dos seguintes indicadores percentuais:

  • Salário Gestor vs Salário Médio da Empresa – quanto maior a diferença entre o maior salário da empresa e o salário médio da empresa maior a penalização no IRC;
  • Salário Médio Homem vs Salário Médio da Mulher – quanto maior a diferença desta desigualdade de género maior a penalização do IRC;
  • Volume Contratos a Prazo vs Volume Contratos sem Termo e/ou Volume Despedimentos vs Volume Criação de Empregos – para penalizar empresas que reciclam mão-de-obra constantemente em sistemas de contratos a prazo;
  • Salário Médio da Empresa vs Salário Médio no Sector de Actividade – para penalizar as empresas que estejam a basear a sua actividade em pagamento abaixo do normal no seu sector de actividade;
  • Volume Facturação vs Lucros vs Prémios – para de alguma forma moderar as taxas máximas de lucro e aferir da taxa de distribuição dos mesmos no seio da empresa.

As decisões tomadas pela gestão das empresas passariam assim a ter um forte impacto na taxa de IRC aplicável. Com especial enfoque naquelas que afetam a justiça de tratamento entre pares e os contrastes entre classes e sectores profissionais.  A prazo,  e progressivamente, talvez fosse possível  chegar perto de um potencial e hipotético equilibrio perfeito entre a cultura empresarial, o contributo para a economia e sociedade portuguesas e a tributação de impostos. E através do interesse do accionista seria feita a convergência com o cumprir do papel social das empresas.

Fica aqui mais uma para a caixa das ideias fora da box.

Saldos Anónimos

Sóbrios estão os Lusos. Trocámos a nacional euforia da compra, pela globalizada disciplina da venda. Está tudo em Saldo.

Contemplamos a contagem decrescente para a entrada em vigor do vertiginoso orçamento de estado para 2013.

Anónimos, ajustamos.

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Ébria está a República. Privatiza a RTP, a TAP e a ANA. Quais presentes de última hora, as decisões seriam desembrulhadas com a máxima descrição.

O insuspeito método “até à última” tranquilizaria os veraneantes. A serenidade dos turistas foi contudo perturbada pelo cristalino anúncio de sua iminência da equivalência, a imaculada consciência.

Deu bandeira, transpareceu alívio. Compreendemos que está feito. Quem vier atrás que feche a porta.

Anónimos, acatamos a providência.

Sound bites de Passos Coelho

Só hoje pude ouvir na íntegra a última entrevista do nosso PM Pedro Passos Coelho. Independentemente do que disse há que reconhecer que está em grande forma física e mental aparecendo com um ar saudável, enérgico e aguerrido. Defensor convicto das ideias do governo e do rumo que quer dar ao país. Aguentou-se bem durante uma hora e saiu quase incólume da entrevista.

Alguns comentários leves aqueles que foram para mim dos principais argumentos apresentados.

Este orçamento é garantia de que continuaremos a executar com sucesso o nosso programa de ajustamento

Esta frase demonstra claramente qual o seu conceito de sucesso para o estado de uma nação. A aceitação dos mercados acima do bem-estar social. Pena que muitos cidadãos portugueses não possam ter assistido a este discurso porque de momento não conseguem suportar a despesa da luz, água e/ou gás (galeria de fotografias obrigatória!). Ficariam deveras consolados em saber que o seu sacrifício nos conduziu a todos a este patamar de sucesso.

Endividámos-nos ao ritmo de 10% da riqueza gerada ao ano e sofremos um duro embate com a realidade em 2011. Parte da riqueza que tinhamos era uma riqueza fictícia.

Se olhar em redor do seu cículo político e empresarial irá reparar que a maioria das riquezas continuam reais. O que se tornou fictício foi o padrão de vida de uma classe média e média alta. Que estão bem longe do patamar da riqueza. Quem decidiu e geriu esses 10% acima das nossas posses aparentemente continua bem na vida.

Em 2012 tivemos uma surpresa orçamental. (…) Não é um erro de previsão. Quando fazemos previsões partimos de uma observação do passado e de uma realidade presente (…) Eu tenho noção da realidade (…) A cada trimestre corrigem-se as previsões para refletir as mudanças.

E de quantos trimestres é que precisas até perceber que foi a aplicação das acções para chegar às previsões falhadas do governo que provocaram as mudanças no trimestre anterior?

O programa de ajustamento que temos é com a Troika! Não é com a OCDE! Se o FMI, a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu dizem que estamos no bom caminho temos de acreditar no que dizem. Eles têm muito interesse em que lhes paguemos a dívida.

Isto foi em resposta às análise de instituições internacionais não relacionadas com a Troika que estimam que as medidas em curso vão agravar a crise em Portugal. Acredito que a Troika tenha todo o interesse em que paguemos a dívida, sem esquecer os juros. Mas até agora não parecem muito preocupados com o nível de prioridade do pagamento da dívida versus impacto social na vida do país. Assim de repente parece-me que essa tarefa deveria caber ao nosso governo. Há dívida e há pessoas. Quem zela por quem nesta parceria?

Em 2013 invertemos para 70% na receita e 30% na despesa o peso do controlo orçamental. Em 2014 queremos atingir o patamar da resolução através de 2 terços em cortes na despesa. (jornalista pergunta se isso significa que os aumentos de impostos e cortes nas pensões são só para 2013) Não, não foi isso que eu disse!”

Parabens Pedro. Conseguiste não dar uma falsa esperança que só poderia ser corroborada daqui a um ano. No passado disseste que em 2012 já estaríamos de saída da crise mas agora sabemos que até 2015 estaremos de castigo.

Estamos a atingir o ponto de equilibrio entre as importações e exportações.

O que liga bem com a fantástica capacidade de previsão do governo. Este foi um facto que surgiu organicamente sem ninguém perceber como, a par do enorme aumento do desemprego. Este fulgor nas exportações foi prontamente cavalgado como uma grande façanha do governo e tornada bandeira da propaganda interna. Claro que reforçaram o apoio às exportações sabendo reagir com inteligência. Reagir, não prever, não planear nem estimular segundo programa do governo. Simplesmente deu sorte. Será esse o segredo? Não ser alvo de medidas correctivas do governo?

70% das despesas do estado são com salários e prestações sociais.

O que quer dizer que se querem que até 2013 2 terços da consolidação orçamental seja fruto do estancar de gastos pelo menos 30% vão ter de incidir sobre estes itens que afetam directamente a vida de milhares…

Nós temos uma constituição que trata o esforço do lado da Educação de uma forma diferente do lado da Saúde. Isso dá-nos margem de liberdade na área de educação para um sistema de financiamento mais repartido.

Para além da nebulosa que lança sobre o que pode acontecer na área da Educação esta é uma afirmação que demonstra o carácter do nosso Primeiro Ministro. Um Primeiro Ministro que identifica debilidades da Constituição Portuguesa numa área fundamental como é a Educação e se prontifica a explorar essas falhas para poder deturpar o conceito de uma Educação igual para todos, se isso significar corte significativo de despesas. Esta afirmação na recta final assusta-me pois apresenta uma mentalidade de chico-esperto explorador do sistema a seu favor ao invés de alguém que se prontifica a melhorar o sistema quando encontra uma falha. Uma pessoa com este tipo de mentalidade corre o risco de se rodear de gente perigosa, gente perita em circundar leis e regulamentos, gente com ligações perigosas a associações obscuras que colocam os lucros à frente de tudo e todos, gente que se preocupa em aparentar saber sem o saber, gente bajuladora que não se importa de ser testa de ferro para experimentações em larga escala.

Apercebi-me depois desta ideia que tenho de parar com estas teorias conspirativas. Foi certamente apenas uma pequena gaffe. Só para me tranquilizar fui prontamente verificar quais os principais braços direitos do nosso PM para conseguir ter uma noite tranquila com a certeza de que homens honestos e capazes conduzem o destino de Portugal. Certamente gente com extrema capacidade, competência e consciência social.

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Dor de Jonetes

Isabel Jonet tornou-se o centro de uma polémica com o seu discurso franco (atirador?). As redes sociais fervilharam com as críticas e indignação às palavras emitidas, blogs e comentários surgiram como cogumelos ao qual se junta este que aparenta ser venenoso!

Pois a modos que poderá ter sido um pouco custoso ouvir aquilo que foi dito. Uma dúvida que se coloca na cabeça de muitos: Como é que alguém que exerce uma actividade social tão conotada com uma esquerda solidária e comunitária apresenta um discurso com ideologia tão à direita? Temos de empobrecer? Vamos empobrecer?

Este zig-zag entre uma esquerda praticante baseada numa direita teórica tem uma explicação: saber empírico.

A larga maioria dos que se manifestaram a quente são voluntários assíduos do like e do share. Satisfazem-se com isso. Sentem que fazem a parte deles. Quem já foi voluntário assíduo, seja no que fôr, durante largos períodos certamente que terá ouvido aquelas palavras de outra forma. Porque quem se envolve durante anos envolve-se a fundo e contacta directamente com casos verídicos, com situações inenarráveis, com injustiças, com má fé, e não poucas vezes com muito pouco agradecimento até por parte do alvo da ajuda como se não fosse feita mais do que a obrigação.

Ninguém está quase 20 anos envolvido num movimento baseado em voluntariado por puro interesse pessoal, sobretudo quando tem a sorte de nem precisar de trabalhar para ter uma vida confortável. Acreditem que é difícil ter a disponibilidade física, mental, social e pessoal para seguir continuando dia após dia, ano após ano. Verga o corpo, verga o espírito, afeta a vida social e por vezes até a familiar (segundo os seus padrões normais). Não comparem a nível individual o fazer um like, o fazer um share, o dar uma moeda, o dar um saco de comida, o dar um FDS de trabalho à exigência de uma rotina assídua de voluntariado. Muito poucos terão o estatuto necessário para apontar o dedo nesta situação, sobretudo para fazê-lo com razão.

Sim, acredito, e sei por relatos de quem está envolvido nesse tipo de actividades, que existem indíviduos e famílias que se aproveitam destas instituições para poderem ter uma vida mais folgada. Há quem falsifique rendimentos, há quem se apresente como quase indigente e gaste fortunas em tabaco, em alcool, em bens que dão algum status social. E a comida é-lhes entregue não porque necessitem verdadeiramente mas porque a sua iliteracia em finanças domésticas e ‘feitios complicados’ os levam a depender dela para ter uma vida mais digna. Absorvendo recursos finitos que poderiam ser distribuídos a quem mais deles necessitasse. Nos pobres e nos ricos o que não faltam são chico-espertos a fintar e aproveitar-se do sistema. Identificados e que têm de ser tolerados.

O que retive do discurso de Isabel Jonet foi que segundo ela há valores que se perderam, que se fazem sacrificios para proporcionar momentos fugazes, que há uma grande preocupação com o ter e o parecer, descurando-se aspectos básicos da gestão de orçamentos domésticos. Claro que o timing não é o melhor porque se combina com os cortes salariais, com o aumento dos impostos e outros castigos fiscais.

Graças à polémica criada puz-me a pensar no outro dia como as perdas não são proporcionais. Se uma família perder apenas 30% dos seus rendimentos pode perder a quase totalidade do seu nível de vida. Basta deixar de conseguir pagar a casa onde vive. O nosso estilo de vida é (era?) baseado no limite das nossas capacidades financeiras. E as crises financeiras são cíclicas como demonstra a história. Para muitos esta é a primeira. A primeira lição. Depois desta passar provavelmente estarão muito mais preparados para a inevitável segunda e provavelmente terceira no seu tempo de vida.

Concluindo, tiro o chapéu pelo que fez e faz Isabel Jonet e compreendo perfeitamente porque lhe sairam aquelas palavras. Posto isto convido-vos a ouvir novamente aquelas palavras e perguntarem-se se faz sentido a indignação, exigir a sua demissão ou criar movimentos para o boicote de apoio ao Banco Alimentar contra a Fome.

Um Quarteto Fantástico para a Salvação

Eis que a super-vilã se aproxima para sentir de perto a boa ventura dos seus planos de maquiavélica austeridade e elogiar os seus bons pupilos. Os testas de ferro da sua governação, audaz e punitiva, revelaram-se, para seu gáudio pessoal, capazes executores da guerrilha económica, política e social necessária ao desgaste psicológico e anímico da população. Pré-requisito essencial para a criação das condições que levem à aceitação das mais duras políticas e medidas sob o falso pretexto de serem um mal menor.

Mas nem tudo está perdido. Em momentos de grandes males surgem grandes remédios. Tal como no passado focos de guerrilha levaram à criação de uma unidade militar capaz de combater o terror com terror, sob a nomeclatura maquilhante de contra-guerrilha, é chegado o momento de criar uma unidade de super agentes capazes de lidar com esta complexa ameaça. A capacidade operacional dos seus membros devem suplantar-se à sua formação ética e moral. A Salvação Nacional assim o exige.

A missão é simples: Olho por Olho, Dente por Dente.

1º Passo – O Pinga-Amor: este agente ficará encarregue de seduzir Angela Merkel. Sendo o melhor nas artes do galanteio e romance não terá dificuldades em atrair Merkel até uma pensão no coração de Lisboa. Aí deve inebriá-la com as mais puras e sentidas palavras acompanhadas pelas melhores castas vinícolas. Merkel saberá com ele o que são os prazeres da vida sem preocupações. Aproveitando o sono de recobro de Merkel deve sair do quarto tendo cumprindo a sua parte.

2º Passo – O Trovador: entra no quarto suavemente e vai resgatar melodicamente Merkel do mundo dos sonhos. Por esta altura Merkel estará receptiva, e permissiva, às letras das canções de intervenção deste agente, exímio na arte de dedilhar. Será dada carta branca para que utilize todo o e qualquer meio para garantir a atenção e obter respostas de Merkel. Esta perceberá rapidamente que a boa-vida proporcionada momentos atrás era meramente ilusória, uma armadilha ardilosamente montada, e que agora terá de pagar com juros de mora a sua ingenuidade. Prevê-se que o tratamento de choque seja demais e Merkel entre em estado de incosciência ao encaixar os argumentos de maior peso. Quando isso ocorrer o agente terá cumprido a sua parte da missão e deve abandonar o quarto.

3º Passo – O Massagista: deve recolocar Merkel no leito à disposição. Por esta altura Merkel poderá apresentar alguns traumas e hematomas e é importante serenar-lhe o espírito. Não estamos aqui para a executar mas sim para a ajudar a ultrapassar este momento difícil da sua vida. Massajando-a com óleos naturais, as mãos fortes e mágicas deste agente preparam o corpo e espírito de Merkel para as exigências impostas pelo futuro vindouro. Juntos irão definir o conjunto de objectivos a cumprir, bem como as acções a executar, para garantir uma sã convivência no seio das familias europeias. Este agente é apenas um negociador devendo abandonar o quarto para permitir a Merkel um pequeno período de reflexão antes da tomada da decisão mais importante da sua vida.

4º Passo – O Camareiro: para finalizar a missão este agente selará o acordo em tom de festejo, celebrando a preceito o fim das negociações com vantagens benéficas para ambas as partes. Será responsável pelo plano de avaliações periódicas para garantia do cumprimento do acordo. Cada uma delas encerrada com o jorrar de rios de champagne. Se a qualquer momento a missão não estiver a correr como o esperado tem ordens explícitas para intervir, desenroscando-a como melhor entenda.

Um inesperado e improvável Quarteto Fantástico para a Salvação Nacional de Portugal!

PS –  poderá também chegar hoje a Portugal aquele que seria o general perfeito para coordenar esta missão impossível. Reconhecido estratega com perspicácia e sagacidade acima da média e certamente disponível para ajudar Portugal para lavar os seus pecados. Coincidência? Ou o plano já estará em marcha? A ver vamos…