Laranja Mecânica

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Um dos grandes clássicos da 7ª arte, provavelmente a obra-prima de Stanley Kubrick – A Clockwork Orange, relata as aventuras do anti-herói, o jovem Pedro o Grande. A narrativa, narrada pelo próprio, descreve um quotidiano pouco convencional. A crise parece perpétua. Sem o menor escrúpulo exclama “que se lixem…”. Nem o mais zeloso dos tutores o mantém na linha. Pedro, adepto de ultra-violência e incondicional amante de boa música, partilha com o seu selecto grupo de amigos momentos da mais intensa porradosca.

PaF, a trupe sempre pronta para o acompanhar em novos e grandiosos desafios, prepara-se entusiasmada para mais uma das suas travessuras. Contudo, a inveja espreita. Pedro será traído em plena brincadeira. Preso, é submetido à mais dura e desumana das torturas. Obrigado a ver horas infindáveis da mais pura brutalidade, vive momentos de prazer e êxtase, mas sucumbe à terapia de choque quando os carrascos descobrem o efeito devastador que a obra de Ludwig van Beethoven tem sobre os seus instintos, especialmente a derradeira sinfonia, a 9ª.

Em sofrimento, contesta, argumenta que o grande compositor apenas criou música maravilhosa, mas sem sucesso. A metamorfose acontece. Outrora um terrível malvado é desde então uma vítima, impossibilitado de perpetrar qualquer acto de violência. A mera tentativa o conduz à agonia. Na demonstração que culminará com a sua libertação, é incapaz de tocar a bela e desnuda miudósca que perante si é colocada. Está mudado, profundamente transformado. É outro! Entoa agora a Ode à Amizade. Diz-se focado no combate às desigualdades. Será verdade?

O Voto Útil

O voto útil não é temente à projecção de cenários catastróficos.

O voto útil não é permeável à influência de sondagens manhosas.

O voto útil é sereno.

O voto útil é voluntário.

O voto útil é corajoso.

O voto útil não é fiel. A esquerdas, a direitas, a partidos nem a personalidades.

O voto útil tem memória.

O voto útil não premeia culpados.

O voto útil é feito em consciência. Do estado da sua vida pessoal, do estado da vida dos que lhe são próximos, do estado da vida dos demais.

O voto útil é altruísta.

O voto útil muda o destino do país.

O voto útil é uma simples cruz certeira. Arma derradeira contra a tríade do voto cego, voto egoísta e voto do compadrio.

O voto útil é uma espécie rara, em vias de extinção.

O voto útil é o meu.

E o seu?

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Escolha! Opções não faltam!

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Da direita à esquerda, não se ouve outra coisa, não estivéssemos nós em recta final da campanha eleitoral, senão o apelo ao voto útil! Parece que, de repente, poderemos ser todos úteis, quando no resto do tempo não temos qualquer utilidade.

Poderemos ser úteis para derrotar a direita, votando no PS.

Poderemos ser úteis para evitar outra vez a Troika, votando PáF (PSD & CDS).

Podemos ser úteis em dar mais um, um voto, para a necessária maioria absoluta, votando no PS ou no PaF.

Podemos ser úteis votando apenas PS e PÁF, não desperdiçando votos em pequenos partidos, não representativos pois claro!

Vai-se votar CDU, BE, MRPP, AGIR, Livre, PAN, para que? Não vão ganhar, não vão governar, vai-se desperdiçar um voto neles?

Voto útil é votar no Costa contra o Passos e o Portas! Voto útil é votar no Passos e no Portas contra a ingerência do PS!

Chegou aquele momento em que para o PS, o PSD e o CDS, os cidadãos, contra quem governam, podem ser-lhes úteis. Úteis na pertectuação do seu poder, úteis em dar maiorias absolutas, porque essa é a garantia de estabilidade. Sem uma maioria é impossível governar, dizem eles, e nós sabemos! Sem uma maioria não existe política! Sem uma maioria não há acordos possíveis. Somos úteis, somos necessários! Não existe democracia sem uma maioria, absoluta, claro!

PS, CDS e PSD têm governado contra a Nação, cometendo crimes de lesa a pátria. Traíram o seu povo (a quem agora pedem votos!), traíram a Nação. 40 anos de traição!

PS PSD e CDS dividem o poder. Dividem os cargos, dividem as parcerias publico-privadas, dividem politicas que atacam direitos sociais. Cortam em pensões, aumentam impostos, entregam a segurança social para ela financiar as empresas e engrossarem os lucros. PS PSd e CDS no poder autárquico dão obras publicas a quem lhes lava as mãos, em estradas, hospitais, pontes, e tudo quanto são obras públicas.

PS PSD e CDS estão prontos para acabar com a segurança social e com o Serviço Nacional de Saúde!

PS PSD e CDS são os responsáveis por 3 intervenções do FMI!

PS PSD e CDS são submissos a Bruxelas, à União Europeia e a Berlim, que esmagam as nações mediterrâneas!

PS PSD e CDS são federalistas, são liberais e são de direita!

PS PSD e CDS são pelo Tratado Transatlântico!

Útil é não votar PS PSD e CDS! Útil é correr com esta gente!

Útil é mobilizar um amigo, um familiar! Útil é combater a abstenção que se estima! Útil é combater PS, PSD e CDS!

TODOS ÀS URNAS! VAMOS CORRER COM ESTA GENTE!

Das Auto…

Conduzi um automóvel pela primeira vez em 1983. Já lá vão mais de trinta anos, mas lembro-me como se fosse hoje. Recordo-me até do padrão do forro da almofada que o meu avô materno me colocava nas costas, pois de outra forma não chegava aos pedais. Com saudade e muita ternura aqui relato essas tardes bem passadas, num antigo campo de treino da Carris que então existia na margem direita do rio Tejo, precisamente onde hoje estão os pilares da ponte Vasco da Gama. Foi um segredo que guardamos a três durante largos meses. O terceiro cúmplice era um Carocha 1200, Branco-Frigorífico, 100% alemão, construído na fábrica de Wolfsburg em 1959. Ostentava o brasão da cidade que o viu nascer, símbolo que a par do logótipo do fabricante, faz parte do meu universo dos afectos. Era “muito” potente, 36 cv imagine-se! Suportou toda a minha falta de perícia. Dele era a única matrícula que até hoje memorizei: LC-57-47. À época não me preocupava por ai além com o ambiente. As preocupações ambientais de então estavam relacionadas com o civismo básico. Bastava colocar o lixo nos locais apropriados. Não se falava de aquecimento global e muito menos de pegada ecológica.

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Este relato prévio explica porque motivo sou suspeito para comentar a questão da viciação dos testes de emissões poluentes por parte da Volkswagen. Sinto-me até tentado a desenvolver uma coerente teoria da conspiração, talvez envolvendo engenheiros de nacionalidade grega ou lusitana. Os primeiros são famosos pela tendência para a adulteração de números e os segundos pela tendência para a pieguice e para o ócio. Mas mais importante que identificar culpados, talvez seja mais útil compreender as dinâmicas. Uma boa teoria da conspiração deve abraçar um espectro mais amplo, ter uma maior profundidade de campo. Resumido, é sabotagem. Houve sabotagem, não dos resultados, mas sim do segredo que até então foi mantido sobre a viciação dos testes. Todos os fabricantes o fazem. Será uma questão de semanas até que tal seja um facto comprovado. Julgo que o ataque não é a um fabricante em concreto, mas sim a um combustível, o gasóleo. Talvez seja até um contra-ataque da gasolina.

O “meu” adorável Carocha, poluía e envenenava porque usava gasolina com chumbo (essa extraordinária invenção de Thomas Midgley que entre outras “coisas boas” inventou os CFCs). Muito embora os efeitos do envenenamento com chumbo sejam conhecidos desde (pelo menos) o inicio do século XX, a gasolina sem chumbo só foi banida da sofisticada Europa no ano 2000. O cosmopolita estado Português fê-lo no ano anterior, 1999. A maior economia do mundo, os Estados Unidos da América, baniu o uso da gasolina com chumbo em 1996, muito embora os primeiros alertas para o risco de plumbismo tenham ocorrido mais de setenta anos antes. Bem vistas as coisas, estamos a melhorar e muito. As denúncias que outrora demoravam décadas a surtir efeito, têm hoje impacto ao fim de apenas alguns meses. São os mercados a operar livremente, os reguladores a regular e os consumidores a consumir, tudo é esclarecido e ninguém é enganado…

Quando o sonho comandava a vida

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Sondagens recentes dão números na ordem dos 40% à PàF e dos 30% ao PS, parece que os últimos 40 anos não foram suficientes para que os portugueses façam uma análise imparcial e objectiva às suas políticas. Como se o cenário actual não fosse um resultado directo delas. Como se esses governantes, coitadinhos, tivessem feito o melhor que se podia perante as condições existentes.

Apesar de tudo estas sondagens têm o seu quê de interesse.

  1. A abstenção é tratada exactamente pelo seu peso político, zero, e nem merece menção no estudo;
  2. Dão a entender que votar nos 2x principais candidatos é, apesar de tudo, o mais sensato empurrando os indecisos para o seguir da manada;
  3. Deixam no ar a ideia de que a decisão, sobre a quem vamos entregar a responsabilidade de governação nos próximos 4x anos, é uma coisa volátil, ao ponto de se alterar significativamente de dia para dia, como se fosse esta ou aquela nova gaffe / revelação, que transitasse assim a opinião de alguém que hoje se diz apoiante ou oposição do partido X. Terão também as intenções de votos se tornado um acto irrevogável?
  4. A serem um retrato fiel do resultado das eleições ao momento então o medo de ?algo? pior seria o grande responsável pela preferência por um austero mas estável e conhecido mal menor. Assim pior não fica, não é?

Lembro-me de em criança me ser repetido o mote “as crianças de hoje são o futuro do nosso amanhã” e agora, vendo como as coisas estão, adulto que sou, tenho de reconhecer que algo falhou pelo caminho. O que terá acontecido ao sistema que pega em crianças cheias de potencial e as transforma em adultos que não sabem sequer entender a linguagem política, fazer uma análise de números, perceber o impacto de leis e orçamento do estado nas suas vidas? Perceber que o estado são elas, elas são o estado, e os governantes facínoras e/ou medíocres não são mais do que um reflexo do seu povo?
O pior de tudo é algures pelo caminho conseguirem a aniquilação da capacidade de sonhar, do ser destemido, do acreditar que bons ventos virão, do pôr os interesses comuns à frente de interesses pessoais. Foramos todos crianças e provavelmente ainda teríamos sonhos pelos quais lutaríamos com todas as nossas forças numa tentativa da sua concretização. Como por exemplo:

  • Vivermos centrados na felicidade colectiva e não num egoísmo materialista! #1 #2 #3
  • Banir todo o tipo de caça! #1
  • Dar casa a todas pessoas sem abrigo! #1
  • Viver de forma sustentável e usar apenas fontes de energia limpas e renováveis! #1 #2 #3
  • Sermos governados por pessoas justas e íntegras! #1 #2

Infelizmente somos agora Portugueses adultos, bem cientes da realidade possível, com medo dos demónios e bichos-papões que habitam nos caminhos alternativos à continuidade. Ironicamente, vista de  fora, a nossa segura realidade é interpretada como uma divertida fantasia surreal.

E assim, derrotados pelo terror de poder vir a ter uma vida ainda pior, deixámos de ter a capacidade de ser comandados pelo sonho de poder vir a ter uma vida melhor.

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Refugiados: o Tuga explicou

 

Refugiados
Sobre a vaga de refugiados, tema central e quente que se arrasta há várias semanas há quem explique e não se faça entender, há quem tente explicar e não consiga, há quem já nem tente explicar e imponha, há quem insulte, há quem grite, há quem clame e declame, há quem se manifeste, há quem negue, há quem chore, há quem escreva, há quem fotografe, há quem tente informar, há quem desinforme, há ainda os que tentam dominar, há quem veio de trás e se tenha colocado à frente e haverá quem tenha encabeçado tudo isto e se vá deixando ficar para trás e talvez um dia venha dizer “não era para nada disto!”.

Mas houve quem falasse e dissesse muito. E para isso tinha que ser um português! E não, não foi o bom do Guterres, que esse a gente já sabe, desde os anos 90, que guerra e refugiados é com ele! Mas eis que essa pessoa veio das fileiras que menos se espera neste momento, da alta finança!, da supervisão! que falhou…, do BPN, do Banco Privado e até do BES, mas nessa altura o Dono Disto Tudo ainda era o Dono Disto Tudo ou o Ex Dono Disto Tudo. Vítor Constâncio, homem do Banco de Portugal, cujo colapso financeiro português da altura (achávamos nós, inocentes, antes do BES), lhe valeu a promoção no BCE, tal não foi meritório o seu valor.

Mas estava eu a dizer, que teve que ser um português a desenrascar a explicação. Nós nisso não há como negar, somos bons, e como bom português, o Vítor não podia deixar de ser desbocado (é só pena não ter sido desbocado à cerca da supervisão!). Sobre o fogo dos refugiados que já não sabemos se são refugiados ou imigrantes, mas provavelmente são o segundo com o pretexto do primeiro, diz o Vítor no momento certo, que “A imigração é necessária ao crescimento económico do continente”. Mas o Expresso clarifica: “Constâncio explica que o potencial de crescimento económico da Europa foi fraco, devido a factores que incluem um mercado de trabalho em retracção”. O Expresso clarifica ainda que “Para o vice-presidente do BCE, a elevada taxa de desemprego na Europa explica a forte reacção contra a imigração, acrescentando que essa percentagem tão alta de pessoas desempregadas está a “desestabilizar o continente””.

Ora, vejamos assim só por alto, que mesmo não sequenciais, as afirmações são discordantes entre si. A Europa está envelhecida e precisa de mão-de-obra, logo há emprego/trabalho e prevê-se falta de mão-de-obra, mas a taxa de desemprego é muito elevada, logo já há excesso de mão-de-obra porque a economia está em retracção e o potencial de crescimento europeu é baixo, e havendo desemprego a Europa não cresce não é por falta de mão-de-obra, porque afinal ela até é excedentária. O Vítor é um excelente embaixador do nosso povo, mas é impressionante como tem em si vincados tantos dos nossos defeitos: é um trapalhão.

O que o Vitinho quer dizer é isto: A Europa está enfraquecida, as nações estão enfraquecidas, mas a União Europeia que quer ser forte e quer parecer forte está também ela enfraquecida. Mas ela não pode enfraquecer, porque ela é o meio pelo qual todo o campo de possibilidades do nosso futuro passa. Então aproveitando-se do enfraquecimento político, convém sob vários pretextos inundar as nações com migrantes. Assim, esmaga-se ainda mais o poder dos Países (estados, que agora já nem países somos!), esmaga-se o poder dos cidadãos e dos trabalhadores e dos sindicatos, que no curto prazo ficam perdidos com uma imensa massa de mão-de-obra barata e sem direitos. E acaba-se de vez (ficando só no papel) com o Estado Social, que desfraldado de contribuições devido ao financiamento dos privados, nomeadamente à banca, e devido à diminuição das contribuições por causa do aumento do desemprego, não será capaz de incluir uma imensa vaga de migrantes proporcionando-lhes as condições que todos os trabalhadores deveriam ter.

Esta vaga de migrantes possibilita ainda o retorno de industrias que se instalaram fora da Europa e com a instabilidade política lhes pode ser conveniente agora regressar, garantindo que aqui encontrarão mão-de-obra low cost. E sob esta perspectiva sim, existe falta de mão-de-obra na Europa!

Vítor Constâncio apenas traduz a ideologia dominante e que vigora na Europa e nos Países que compõe a União Europeia. Não sei se terão esquecido do resultado do ataque às nações e da reacção normal das populações: os extremistos dos nacionalismos. Quando se atacam as nações e os países, os naturais tendem a juntar-se e a ver os de fora como “os outros”, e “os outros” passam a ser os que lhes vieram roubar o lugar. Vários países, como Portugal, se vêm a braços com elevadas taxas de desemprego e crises sociais. Sem crescimento económico e sem criação de emprego, mais mão-de-obra é mais desemprego. Os populismos nasceram sempre com um fundo de razão, perdendo sempre a razão aquando do momento de encontrar os responsáveis.

Saberá, se for caso disso, este capitalismo capitalizar e ganhar com o ódio das nações, como em outros tempos?

A Game of Thrones

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Na terra onde “os verões duram décadas e os invernos uma vida inteira” a paz foi quebrada pela morte do monarca. A unidade de outrora deu lugar à crise da sucessão. A promiscuidade da Rainha de todos os herdeiros fez bastardos. O Trono de Ferro, símbolo dos ciclos viciosos, da alternância e da eterna impunidade sob arco da governabilidade é deste então disputado. Eis a síntese do enredo deste grande sucesso televisivo. Baseada na colecção de livros “As Crónicas de Gelo e Fogo”, a série televisiva reproduz com grande sofisticação a fantasia épica brotada da alucinada imaginação do escritor GRRM.

Como em todos os grandes sucessos, há preferidos e preteridos, há populares e odiados. De entre as mais de mil personagens, destaca-se Luís Tyrion Lannister, o pródigo comentador e estrela da opinião uníssona e bem explicada. Palpita sobre tudo: nomeações, resoluções, debates ou sondagens. Um autêntico hipermercado da opinião, linear de ficção para consumo fácil e barato. Informado como ninguém, tudo sabe sobre todos os negócios e sociedades, excepto daquelas em que é sócio – Ai, nada, nada, nada… Padece de nanismo mas tal nunca lhe limitou a ambição. A todos ajuda em Westeros e em Essos. A norte, a antiquíssima barreira de gelo mantém à margem os Outros, todos que por enquanto se abstêm.

Um dia, os Outros compreenderão a ameaça que representam para a manutenção desta guerra de tronos. Um dia, quem sabe em breve, compreenderão a dança das cadeiras. Talvez então a barreira de gelo se derreta com o calor da perspicácia que os sete reinos julgam extinta.

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Solidariedade por Cotas

Quando a pedagogia do exemplo é fugaz, quando as portas se escancaram num dia, para logo se fecharem com estrondo compreendemos que a solidariedade é apenas uma palavra, uma arma para impor aos outros a própria vontade. É egoísmo.

Concordo e saúdo que cada estado membro possa determinar aquilo que lhe convém. É justo. É soberania. Só lamento que entre a nossa união, apenas um país preserve esse direito. Está errado? Não, errados estão todos os outros.

Por todo o lado se promove a tomada de posição, contra ou a favor. Contudo, a migração está em curso. Acontece, independentemente das opiniões! Qual a relevância de ser contra? Zero! O mesmo afirmo em relação ao entusiasmo em receber. Os factos ultrapassam constantemente este estéril debate. Tomar posição é simplesmente uma forma de alijar preocupação. Soluções?

A esmagadora maioria dos migrantes pretende rumar ao centro, à mais pujante economia europeia. Pudera. Perante tal preferência, as cotas. Imponham-se as ditas! Critérios? Aliviar o centro. O problema é como disse, demasiado complexo e urgente. Carece de expediente. Proponho que as cotas sejam determinadas visando a equidade entre estados membros à luz de um único indicador económico, o PIB per capita, i.e., em função do rendimento médio anual por habitante. Cada país acolherá o número de migrantes que a sua economia pode suportar. Simples! Nem teremos de lavar roupa suja sobre quais os países que bombardearam outros países, quais os países que venderam armas ou quais os países que até hoje têm fingido que o problema nunca existiu.

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Anti-Zombies #5: Armageddon Apolítico

Afinal que consequências práticas teria o ressuscitar de todos estes zombies inócuos?

Assumindo que os votos recuperados não seriam distribuídos pelos partidos da alternância ‘democrática’ dos últimos 40 anos, responsáveis pela maléfica proliferação de zombies, o mais provável cenário de final de votação seria o da incapacidade de formação de governo por parte de um único partido ou de uma coligação bi-partidária.

Só existiriam três cenários.

1) a conversação multi-partidária para a criação de um ‘governo de salvação nacional’ (finalmente a concretização do sonho do nosso PR);

2) a marcação de novas eleições, isto tendo em conta as vincadas incompatibilidades já manifestadas por vários dos líderes políticos com presença no nosso parlamento. Novo ciclo de eleições completamente diferente, com debates que reflectissem o novo peso político de cada partido, recentrados em linguagem simples e objectiva, verdade política, honestidade intelectual e realidade social, onde não existiriam quaisquer certezas quanto ao resultado final das votações;

3) a força dos ex-zombies provoca um terramoto político e delega em novos partidos e novas caras a responsabilidade da governação.

Seja como fôr nada seria como dantes. Seria a ruptura total para com o sistema vigente. Uma demonstração de coragem do povo português e punição directa dos responsáveis pelo estado da nação, começando pelo actual PR que ao invés de um final de mandato sereno teria de gerir todo este caos político e social.

A meu ver, ao contrário do ensaio sobre a lucidez de José Saramago, é a votação massiva que pode forçar a mudança do sistema. A nulidade só tem até hoje servido para o branqueamento e legitimação das decisões delapidares de património, cultura e sociedade.

Por tudo isto, pelo bem do nosso futuro, declaro aberta a temporada de caça aos zombies.

Boa sorte e boa pontaria!

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Anti-Zombies #4: diáspora

Uma das maiores falanges de zombies, engordada recentemente, é enganadora quanto ao seu verdadeiro peso e força, pois lá diz o ditado que longe da vista, longe do coração. Só que há muito sangue luso a pulsar no coração desta diáspora! Se não sucumbirem à ratoeira da transformação em zombie estes PORTUGUESES adquiriram o distanciamento necessário e contacto com outras culturas, sociedades e políticas que lhes permite ter uma avaliação diferente do nível de democracia, sociedade e governação em Portugal.

Muito útil seria a votação em massa destes Portugueses emigrantes, mesmo os que saiem com ideia de não voltar estão destinados à lusitana saudade, pelo que os destinos de Portugal, apesar de não os afectarem no imediato, farão o seu impacto no momento do retorno.

Existem mecanismos para o recenseamento e voto no estrangeiro, que no entanto devem ser exercidos com muita cautela! Isto porque por vezes o zombie pode ser criado por aberrantes alquimias contra a vontade do próprio.

Se algo correr mal o último recurso anti-zombie será uma visita forçada a Portugal para um misto do matar de saudades e do exercer do direito de voto.

Mais uma vez um país interessado na defesa da sua democracia poderia tomar medidas que estimulassem o voto dos seus emigrantes, como por exemplo no período envolvente às eleições levar a TAP a promover campanhas de voos a preços low-cost a partir das capitais dos principais países de emigração. Para que a diáspora, que não activou os mecanismos de voto à distância, considere juntar o útil ao agradável, visitando o seu país e família  exercendo ao mesmo tempo o seu direito de voto.

Como seria estonteante a adesão massiva dos nossos emigrados, apanhando de surpresa os políticos que se fiam no quem está fora não racha lenha.

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