Quando o sonho comandava a vida

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Sondagens recentes dão números na ordem dos 40% à PàF e dos 30% ao PS, parece que os últimos 40 anos não foram suficientes para que os portugueses façam uma análise imparcial e objectiva às suas políticas. Como se o cenário actual não fosse um resultado directo delas. Como se esses governantes, coitadinhos, tivessem feito o melhor que se podia perante as condições existentes.

Apesar de tudo estas sondagens têm o seu quê de interesse.

  1. A abstenção é tratada exactamente pelo seu peso político, zero, e nem merece menção no estudo;
  2. Dão a entender que votar nos 2x principais candidatos é, apesar de tudo, o mais sensato empurrando os indecisos para o seguir da manada;
  3. Deixam no ar a ideia de que a decisão, sobre a quem vamos entregar a responsabilidade de governação nos próximos 4x anos, é uma coisa volátil, ao ponto de se alterar significativamente de dia para dia, como se fosse esta ou aquela nova gaffe / revelação, que transitasse assim a opinião de alguém que hoje se diz apoiante ou oposição do partido X. Terão também as intenções de votos se tornado um acto irrevogável?
  4. A serem um retrato fiel do resultado das eleições ao momento então o medo de ?algo? pior seria o grande responsável pela preferência por um austero mas estável e conhecido mal menor. Assim pior não fica, não é?

Lembro-me de em criança me ser repetido o mote “as crianças de hoje são o futuro do nosso amanhã” e agora, vendo como as coisas estão, adulto que sou, tenho de reconhecer que algo falhou pelo caminho. O que terá acontecido ao sistema que pega em crianças cheias de potencial e as transforma em adultos que não sabem sequer entender a linguagem política, fazer uma análise de números, perceber o impacto de leis e orçamento do estado nas suas vidas? Perceber que o estado são elas, elas são o estado, e os governantes facínoras e/ou medíocres não são mais do que um reflexo do seu povo?
O pior de tudo é algures pelo caminho conseguirem a aniquilação da capacidade de sonhar, do ser destemido, do acreditar que bons ventos virão, do pôr os interesses comuns à frente de interesses pessoais. Foramos todos crianças e provavelmente ainda teríamos sonhos pelos quais lutaríamos com todas as nossas forças numa tentativa da sua concretização. Como por exemplo:

  • Vivermos centrados na felicidade colectiva e não num egoísmo materialista! #1 #2 #3
  • Banir todo o tipo de caça! #1
  • Dar casa a todas pessoas sem abrigo! #1
  • Viver de forma sustentável e usar apenas fontes de energia limpas e renováveis! #1 #2 #3
  • Sermos governados por pessoas justas e íntegras! #1 #2

Infelizmente somos agora Portugueses adultos, bem cientes da realidade possível, com medo dos demónios e bichos-papões que habitam nos caminhos alternativos à continuidade. Ironicamente, vista de  fora, a nossa segura realidade é interpretada como uma divertida fantasia surreal.

E assim, derrotados pelo terror de poder vir a ter uma vida ainda pior, deixámos de ter a capacidade de ser comandados pelo sonho de poder vir a ter uma vida melhor.

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About Nuno Faria

Nascido em 1977, vegetariano desde 1997 (por convicção própria), com licenciatura de Sistemas de Informação na Faculdade de Ciências de Lisboa em 1995-1999. Desde 2000 que estou envolvido em projectos de ambiente web, sites, portais e aplicações residentes em Intranets. Em 2003 integrei a equipa da Imoportal.com, hoje absorvida pela Caixatec - Tecnologias de Comunicação SA, onde dei o meu contributo para transformar um site com 30 a 40 mil visitas mensais numa rede de sites que atinge o milhão de visitas mensais. A Internet faz parte da minha vida profissional mas sou também um seu utente. E como tal interessam-me particularmente os mecanismos e dinâmicas capazes de aliciar, convencer e fidelizar visitantes. Preocupo-me em pensar, escrever e criar variados conteúdos que disponibilizo online, como forma de contribuição para o contínuo crescimento da web, não me limitando a ser apenas um seu consumidor.

Posted on Setembro 28, 2015, in Mentalidade Tuga and tagged , . Bookmark the permalink. 1 Comentário.

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