Refugiados: o Tuga explicou

 

Refugiados
Sobre a vaga de refugiados, tema central e quente que se arrasta há várias semanas há quem explique e não se faça entender, há quem tente explicar e não consiga, há quem já nem tente explicar e imponha, há quem insulte, há quem grite, há quem clame e declame, há quem se manifeste, há quem negue, há quem chore, há quem escreva, há quem fotografe, há quem tente informar, há quem desinforme, há ainda os que tentam dominar, há quem veio de trás e se tenha colocado à frente e haverá quem tenha encabeçado tudo isto e se vá deixando ficar para trás e talvez um dia venha dizer “não era para nada disto!”.

Mas houve quem falasse e dissesse muito. E para isso tinha que ser um português! E não, não foi o bom do Guterres, que esse a gente já sabe, desde os anos 90, que guerra e refugiados é com ele! Mas eis que essa pessoa veio das fileiras que menos se espera neste momento, da alta finança!, da supervisão! que falhou…, do BPN, do Banco Privado e até do BES, mas nessa altura o Dono Disto Tudo ainda era o Dono Disto Tudo ou o Ex Dono Disto Tudo. Vítor Constâncio, homem do Banco de Portugal, cujo colapso financeiro português da altura (achávamos nós, inocentes, antes do BES), lhe valeu a promoção no BCE, tal não foi meritório o seu valor.

Mas estava eu a dizer, que teve que ser um português a desenrascar a explicação. Nós nisso não há como negar, somos bons, e como bom português, o Vítor não podia deixar de ser desbocado (é só pena não ter sido desbocado à cerca da supervisão!). Sobre o fogo dos refugiados que já não sabemos se são refugiados ou imigrantes, mas provavelmente são o segundo com o pretexto do primeiro, diz o Vítor no momento certo, que “A imigração é necessária ao crescimento económico do continente”. Mas o Expresso clarifica: “Constâncio explica que o potencial de crescimento económico da Europa foi fraco, devido a factores que incluem um mercado de trabalho em retracção”. O Expresso clarifica ainda que “Para o vice-presidente do BCE, a elevada taxa de desemprego na Europa explica a forte reacção contra a imigração, acrescentando que essa percentagem tão alta de pessoas desempregadas está a “desestabilizar o continente””.

Ora, vejamos assim só por alto, que mesmo não sequenciais, as afirmações são discordantes entre si. A Europa está envelhecida e precisa de mão-de-obra, logo há emprego/trabalho e prevê-se falta de mão-de-obra, mas a taxa de desemprego é muito elevada, logo já há excesso de mão-de-obra porque a economia está em retracção e o potencial de crescimento europeu é baixo, e havendo desemprego a Europa não cresce não é por falta de mão-de-obra, porque afinal ela até é excedentária. O Vítor é um excelente embaixador do nosso povo, mas é impressionante como tem em si vincados tantos dos nossos defeitos: é um trapalhão.

O que o Vitinho quer dizer é isto: A Europa está enfraquecida, as nações estão enfraquecidas, mas a União Europeia que quer ser forte e quer parecer forte está também ela enfraquecida. Mas ela não pode enfraquecer, porque ela é o meio pelo qual todo o campo de possibilidades do nosso futuro passa. Então aproveitando-se do enfraquecimento político, convém sob vários pretextos inundar as nações com migrantes. Assim, esmaga-se ainda mais o poder dos Países (estados, que agora já nem países somos!), esmaga-se o poder dos cidadãos e dos trabalhadores e dos sindicatos, que no curto prazo ficam perdidos com uma imensa massa de mão-de-obra barata e sem direitos. E acaba-se de vez (ficando só no papel) com o Estado Social, que desfraldado de contribuições devido ao financiamento dos privados, nomeadamente à banca, e devido à diminuição das contribuições por causa do aumento do desemprego, não será capaz de incluir uma imensa vaga de migrantes proporcionando-lhes as condições que todos os trabalhadores deveriam ter.

Esta vaga de migrantes possibilita ainda o retorno de industrias que se instalaram fora da Europa e com a instabilidade política lhes pode ser conveniente agora regressar, garantindo que aqui encontrarão mão-de-obra low cost. E sob esta perspectiva sim, existe falta de mão-de-obra na Europa!

Vítor Constâncio apenas traduz a ideologia dominante e que vigora na Europa e nos Países que compõe a União Europeia. Não sei se terão esquecido do resultado do ataque às nações e da reacção normal das populações: os extremistos dos nacionalismos. Quando se atacam as nações e os países, os naturais tendem a juntar-se e a ver os de fora como “os outros”, e “os outros” passam a ser os que lhes vieram roubar o lugar. Vários países, como Portugal, se vêm a braços com elevadas taxas de desemprego e crises sociais. Sem crescimento económico e sem criação de emprego, mais mão-de-obra é mais desemprego. Os populismos nasceram sempre com um fundo de razão, perdendo sempre a razão aquando do momento de encontrar os responsáveis.

Saberá, se for caso disso, este capitalismo capitalizar e ganhar com o ódio das nações, como em outros tempos?

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About Mafalda Dias

Exerço o contraditório... Estudei economia quando o mundo estava contra a economia, optei pela sociologia quando a economia optou por se virar contra a sociedade. Gosto de provocar, de tocar no nervo, de testar o limite e a paciência dos que comigo convivem, assim sei até onde eles conseguem ir. Sou do contra, não por opção, mas porque vejo tudo do avesso, ou estarei eu do avesso. Desarrumo para voltar a arrumar. Não passei ainda a fase dos porquês e gosto de escarafunchar no porquê das coisas. Questiono, ponho tudo em causa, porque nada deve estar protegido de se questionar e reflectir, nem que seja para chegarmos à conclusão que como está é que está bem. Não sou só contras, também tenho causas, a minha causa é a causa animal, e por mais causas que acolha de modo temporário ou permanente, é dela que nunca me afasto e que sempre retorno após outras frentes. Por isso, se tiverem paciência leiam-me, se quiserem pensem comigo e partilhem as vossas ideias, debatam-nas e trilhem este caminho comigo.

Posted on Setembro 22, 2015, in Ideias para o País. Bookmark the permalink. 1 Comentário.

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