Divórcio ou Separação Temporária?

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Como era esperado e expectável, a coligação de direita terminou com o seu governo. Tendo a direita se unido para nos desgovernar, e após a esquerda se ter unido para que a direita fosse direitinha arredada no parlamento, deixou de fazer sentido o Paulinho da Feiras (Catherine Deneuve para quem ainda se lembra) e Passos Coelho continuarem neste casamento por conveniência. A conveniência manda agora cada um se separar, como partidos distintos que são, e cada um fazer a sua oposição. A conveniência pela sobrevivência manda Portas também se retirar, temporariamente sabemos.

Alguns falam de divórcio. Foi um casamento por conveniência, tal como a AD em 79. Juntos se encontram sempre que a cama do poder os convida a se deitarem. E juntos fizeram um trabalho estupendo e serviram bem a classe que representam. Cortaram nos salários, cortaram nas pensões, aumentaram exponencialmente os impostos, recusaram empregos, promoveram a insegurança social, acabaram com a concertação social, esmagaram direitos laborais e sociais, colapsaram a saúde, criminalizaram o desemprego, promoveram a fome, fomentaram a pobreza e empurraram para a miséria grande parte dos portugueses. Mas financiaram salários por via da Segurança Social, salvaram o BES, compraram o Banif (e deu hoje no que se viu), devolveram hospitais públicos às misericórdias, promoveram a caridade como negócio rentável, vendaram a TAP, concessionaram os transportes públicos, não acabaram com as rendas do Estado à EDP, revolucionaram a lei das rendas, não atacaram as santas Parcerias Público-Privadas, fomentaram a promiscuidade entre público e privado… Esqueceram as pessoas, esqueceram a social democracia e a democracia dita cristã, que mais nunca foi do que reaccionários que se protegem atrás de um Cristo misericordioso.

Mas não foi um divórcio, foi uma separação. Não é com dor nem com mágoa que o fazem. A direita sempre se soube unir quando lhes cheira a poder. Mas convenhamos que não foi uma união fácil. Há agora que separar as águas e tentar limpar o nome dos dois partidos, na ante-visão do ataque aos noivos. Paulo Portas, também conhecido por Catherine Deneuve, nome de guerra no Parque Eduardo VII, astuto e malabarista, sabe-se mexer e ao demitir-se irrevogavelmente deu um golpe no PSD e satisfez a sua sede de protagonismo, qual diva da política, com o cargo de vice primeiro ministro! Sai agora da presidência do CDS porque sabe que é a altura certa para sair. Virão aí tempos quentes. O calor do Banif foi só o inicio. Paulo Portas sabe que podem-no queimar, mas se estiver ausente, saberá também regressar sem ter de responder.

Convém relembrar a capacidade de Portas de sempre renascer. O Passos vai passar mas o Paulo Portas esse nunca baterá com a porta. Esteve envolvido no caso moderna, nos submarinos e nem do caso casa pia escapou, na onda de destruição de personalidades politicas. Recuemos a 2003, quando os meios de comunicação social avançaram que miúdos da casa pia o apontaram como envolvido, e conhecido por andar no Parque Eduardo VII de cabeleira. Sobre este escândalo nada foi na verdade provado. Está ainda na memória de muitos mas hoje é difícil encontrar na internet matéria sobre isso. Nas tentativas de assassinato político aquele que realmente morreu foi Paulo Pedroso. Outros nomes foram avançados como Jaime Gama ou Bagão Felix, todavia aí o caso começou a perder credibilidade. Mas Paulo Portas, efectivamente enxovalhado pelos detalhes da sua transfiguração, renasceu sempre das cinzas, com uma ajuda incrível da comunicação social, tendo tomado de assalto o CDS, depois de o ter abandonado e literalmente desaparecido após o aparecimento da Catherine Deneuve. Quando reapareceu parecia o Dom Sebastião a regressar e a salvar a nação.


Mas vejamos este ser de personalidade peculiar, de cariz duvidoso, e que impõe os seus caprichos. Recuemos no tempo. Recuemos à tentativa de resgatar a Aliança Democrática. Recuemos ao Independente e um certo jantar entre o Presidente da Républica e alguns constitucionalistas. Ora bem, Marcelo então informador de Paulo Portas passou-lhe informações falsas, disse ter jantado uma certa sopa fria, vichyssoise, o que não tendo sido verdade levou ao corte de relações entre os dois. Foi com uma sopa que terminou com a AD! Marcelo Rebelo de Sousa afinal não jantou sopa fria mas serviu-a fria como à vingança a Paulo Portas. Mentiu e Portas zangou-se. Por isso, a tentativa de uma nova AD terminou, terminou por uma sopa! Portas não perdoa, a sopa acabou com uma amizade.

Mas eis que então o que não chegou a ser casamento culmina hoje no apoio de Paulo Portas a Marcelo Rebelo de Sousa nas presidenciais. Esta é a prova que as separações mesmo acabando com sopas frias nunca são definitivas.

No ano quente de 2013, em que a contestação social subia de tom, a direita esmagava as pessoas e as pessoas respondiam, Paulo Portas demite-se irrevogavelmente, após a saída de Vítor Gaspar e mediante a nomeação de Maria Luís. Paulo Portas demitiu-se, Mota Soares demitiu-se, Cristas demitiu-se. Chegou-se a comemorar no Marques de Pombal a queda do governo. Mas da demissão irrevogável renasceu um novo cargo governativo, o de Vice Primeiro Ministro. E Mota Soares lá continuou e a Cristas também. Paulo Portas deu um golpe de Estado e, como anteriormente tomou conta do CDS, tomou conta do governo do PSD e para o qual havia sido convidado. Paulo Portas é mestre na acção da ressurreição e da afirmação de poder.

Portas tem uma influência brutal no nosso país. Quando se uniu à vergonhosa governação de Durão Barroso e foi responsável pelo desmontar das nossas forças armadas e de outras actividades a ela ligadas que produziam riqueza e constituíam postos de trabalho, foi responsável pela compra ruinosa e muito pouco clara de submarinos e outros escândalos. Mas parece que não é nada com ele. Mas a verdade é que é! É considerado das personalidades com mais influência na economia. Paulo Portas esteve envolvido na demissão de Maria José Morgado quando esta estava à frente do combate ao crime económico. Paulo Portas, que vai buscar votos a camadas pobres da sociedade, como os reformados que foram uma das suas bandeiras, não teve vergonha de  cortar nas pensões mais baixas e de cortar no complemento solidário para idosos que é a ferramenta que permite muitos pensionistas saírem de uma situação de pobreza. Ele que até nem se quer imiscuir em questões de económicas, preferindo “a conversa da cueca” em politica, é uma pessoa que, quanto aos interesses instalados, faz todo o trabalho atrás do pano.

Paulo Portas separou-se agora do PSD, e já começou a fazer o seu trabalho de casa. Dedica-se agora a atacar a esquerda e garante que só a direita defende os direitos nacionais e da população. Paulo Portas, nódoa escondida da politica portuguesa, dedicar-se-á a manchar as forças politicas de esquerda e a preparar o seu regresso.

Ideologia de Natal

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Amanhã a esta hora, quem ainda acredita no Pai Natal estará feliz e ansioso pela chegada do momento alto do ano, a meia-noite. Convenhamos, todos abraçámos esta ideologia, algures no passado, pelo menos enquanto pudemos. Depois, acabámos derrotados pela realidade. A fantasia do Pai Natal apenas pode durar algum tempo nas nossas vidas, depois aparecem as facturas para pagar. Não há ideologia que resista aos duros factos da vida adulta, excepto se o adulto for agraciado pelo Sr. Silva, seja cozinheiro, artista, desportista, gestor ou ex-governante. Para estes o Natal chega mais cedo. O Grau esse, depende da grandiosidade dos feitos.

Na sua grande indulgência, sua excelência perdoa até aqueles que no passado lhe teceram grandes e ferozes críticas, mesmo aos da mesma família ideológica. À época, a crítica, até dava um certo jeito, ajudava a compor a ideia da independência, do supra partidarismo que hoje outros procuram replicar.

Enfim, adiante que a hora é do condecorado, o Grande, o Enorme, o inigualável Vice-Rei da Madeira, Porto Santo e arquipélago das Selvagens, Alberto João Jardim, o único político lusitano que não deixou um tostão de défice, apenas obra. E que obra! Nunca o seu record de inaugurações será batido, mesmo se à contagem forem deduzidas as cerimónias repetidas, o seu desempenho é imbatível! São homens (e mulheres) como Alberto João Jardim que nos fazem acreditar que afinal, o Pai Natal existe mesmo. Para alguns, não para todos, mas existe!

Eu não roubei! Eu sou gay!

Sócrates é um caso português de Dr. Jekyll and Mr. Hide, dependendo se o vemos defendendo a sua honra, em entrevistas sem contraditório, ou se o vemos em soberba esgrima ao defrontar os procuradores que explanam as acusações contra si. No primeiro caso parece estarmos perante a vítima de uma conspiração cujo fim é o seu assassinato político e prejudício do PS, no segundo dá ares de vilão, com inteligência e sagacidade muito acima da média, capaz de montar o esquema perfeito baseado em intricados códigos de honra e  de comunicação. A única certeza dada por esta devassa da sua vida privada é a de que Sócrates gastou muito dinheiro nos últimos tempos.

Uma vez que o sistema judicial parece estar plenamente controlado resta-lhe a hercúlea tarefa de evitar, ou anular, a condenação pelo julgamento popular, menos dado à interpretação do código penal, ao cumprimento de todas as regras e trâmites da acusação. Algo necessário pois Sócrates é ainda um jovem para a vida política, com uma folha limpa poderia ter legítimas aspirações a PM ou PR. Se Cavaco o conseguiu porque não ele?

Sr. Sócrates, permita-me vir por este meio colocar em cima da mesa uma possível solução para o seu intrincado problema. Talvez não seja do seu conhecimento mas uma outra sombra existe sobre si, no diz que disse popular, a da sua real orientação sexual. Para muitos portugueses você é incondicionalmente gay. Com namorados apontados e tudo! Sim! Sim! Não se admire, nem se apoquente. Porque se há uns bons anos atrás isso seria contraproducente para o sucesso de uma carreira política hoje em dia já não é bem assim.

Acredito que seja dos poucos políticos portugueses com a fibra necessária para uma estratégia deste tipo: apagar da memória dos portugueses importantes factos judiciais e políticos contra si, utilizando como borracha cusquices relacionadas com a sua privacidade.

O ajustamento é ligeiro. Por uns tempos salte do CM, Publico, Visão, JN, etc para a Caras, Nova Gente, Maria, etc (talvez não consiga sair do CM mesmo assim). Aproveite para fazer política GLF, mudar completamente a sua imagem, reconquistando a simpatia e admiração de outrora. Demonstre novamente a sua coragem, pujança e descaramento, noutros termos menos bélicos e mais paz e amor. Transforme-se de um feroz animal político para uma, para A, amável bicha política. Veja-o como o surfar de uma onda para amainar um tsunami.

Acha que é absurdo e não vai funcionar? Pois pergunto-lhe se assim de rajada me consegue apontar um gay assumido reconhecidamente mal-feitor ou culpado de grandes crimes de corrupção? Pois… vê como é difícil? É como se o manto da homossexualidade funcionasse de forma imediata como um manto de honestidade!

Sugeria desde já que visitasse a sua antiga prisão, retribuisse os mimos que os presos e guardas tiveram para consigo, e ainda antes do Ano Novo marque uma conferência de impresa para esta revelação bombástica que será arrasadora (pelo menos das memórias lusas relativas ao processo “Operação Marquês”).

Neste momento pode optar por uma de duas tocas: a do coelho Ladrão e a do coelho Homossexual. Como isto não é uma fábula mas sim a vida real não poderá matar ambos de uma cajadada só. Seja forte, escolha um deles e vista a pele que melhor lhe assenta ou a que mais votos lhe renderá no futuro.

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PS – Atenção que esta é uma estratégia desenhada absolutamente para território português. Se visitar terras brasileiras não existe qualquer escapatória possível à carga negativa colonialista de um político português que ouse roubar dinheiro ao povo brasileiro! No Brasil ser ratazana é mais forte do que ser veado. Em caso de emergência fale com Duarte Lima.

Acreditar à Força

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Unidos podemos tudo. Unidos pagamos tudo. Unidos na desgraça, divididos nos proveitos, mas sempre salvaguardados pelas robustas, ágeis e eficazes instituições que dão pelo nome de reguladores. São competentíssimos na velha arte do relatório forense. No sector bancário, chamar Regulador à entidade competente é tão absurdo como a considerar independente. São eufemismos. Nem com o maior dos sarcasmos lhes consigo achar graça. Eis derrotado o meu mais perverso sentido de humor negro. Não consigo rir. Afinal o que é que regula este regulador? Afinal é independente de quem? Ou de quê? Só me ocorre uma resposta: dos contribuintes. É o regulamento!

A saída era limpa, os cofres estavam cheios, mas afinal havia mesmo esqueletos no armário. Que bom, temos culpados. Calha bem a indignação, mas tal pouco importa, na verdade dá igual. Unidos, pagamos, tudo o mais é propaganda. Mas mentiram, descaradamente mentiram! É verdade, mas sempre o fizeram, porquê o choque? Unidos, quisemos acreditar. Tanto assim foi que continuamos na senda das crenças, se não todos, alguns: Há quem enalteça a coragem, há quem lhe louve a frontalidade, a verdade que o novo primeiro-ministro sucintamente nos relatou ontem. Sim, reconheço, a forma é bem diferente, mas o conteúdo é o de sempre. Nada mudou.

Unidos pagamos milhares de milhões, como se fossem tostões. O que é de todos não é de ninguém. Mais uma vez, temo não ser a última, unidos acreditamos à força que é desta que o sistema encontra o almejado equilíbrio, a prometida estabilidade. Quase virou rotina. Por aí virão comissões de inquérito, auditorias e muito debate inconsequente, e claro está, descobriremos que afinal será mais caro, mais dispendioso do que o previsto. Culpados muitos, tantos que já não será possível imputar responsabilidade seja a quem for. No fim, ninguém, absolutamente ninguém foi responsável e todos agiram com a melhor das intenções. Típico interesse nacional. Este tipo de assalto, por tão banal, até nos parece normal.

Star Wars – O Regresso de Jedi

Como o tempo voa! Hoje, véspera da grande estreia do sétimo episódio da saga Star Wars, vamos recordar o apoteótico Regresso de Jedi, aquele que nasceu predestinado a trazer o equilíbro de volta à Força. Esta criança prodígio, de seu nome Anakin Rebelo de Sousa, desde cedo revelou os seus talentos e aptidões cognitivas, anos-luz à frente da mediocridade reinante por estes lados da galáxia. Docente brilhante, catedrático há décadas, foi desde sempre profissionalmente multifacetado.

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Jornalista rebelde, nem o patrão poupou, deu-lhe um vaipe explicou. Mesmo assim chegou a director do hipermercado da informação. Porém, todo este potencial, todo este brilhantismo na análise foi gorado pela acção. Anakin foi tentado pelo lado negro e cedeu. Abandonou o jornalismo porque o partido chamou. Nascera Darth Martelo, o terrível Sith. Sem igual no improviso, recebeu o embaixador da Pérsia em cuecas. Resultou. Lançou-se à conquista de eleições, mas perdeu. Até foi a banhos, mas não adiantou. Recolheu, depois voltou. Inventou, exigiu e ganhou no partido. Depois comeu sopa de alho-porro e saiu. Muito duelo travou, com astúcia esgrimiu, com agilidade o Sabre de Luz brandiu, mas nada. Na verdade nunca ganhou uma eleição. Justiça lhe seja feita, o tacho preteriu. Da universidade nunca saiu. Inquestionável mérito, tem profissão, é professor, não é carreirista.

Darth Martelo nunca foi homem para um e um só trabalho. No seu brilhantismo exigiu sempre mais de si próprio. Abraçou então a nobre e digna função de comentador. Como sempre, não evitou polémicas, mas é o melhor, indiscutivelmente o melhor de todos quantos entre nós se ocupam a explicar exactamente aquilo que devemos pensar. Quem não reconhece a sua famosa interjeição respiratória, qual piloto de caça, qual mergulhador das profundezas? Com inteligência faz a diferença, mas a sua derradeira arma é a criatividade. É de uma agilidade mental alucinante. Perfeitamente compreensível esta necessidade de uma mente brilhante de se entreter. Convenhamos, não é fácil evitar o tédio, sobretudo entre nós.

Assim foi, ano após ano, semanalmente, Darth Martelo prosseguiu no comentário, metodicamente pregando cada prego. Mas como nunca pregou prego sem estopa, uma vez consolidada a construção, anunciou o Regresso do Jedi. Candidata-se! Morte ao Sith, eis de volta o bom e justo Anakin Rebelo de Sousa, pronto ao sacrifício de presidir à República. Será desta que ele ganha uma eleição? Até parece mero formalismo. Na verdade comporta-se como se tratasse de uma nomeação…

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Pateta de Natal

Pateta-de-Natal

A personagem de hoje é um dos mais notáveis membros do Olimpo da Banda Desenhada, uma das criações originais de Walt Disney e Frank Webb. Tal como a sua antecessora, é do género canino. O antropomorfismo é comum no cargo. Alto, magro, bem-disposto, engraçado e desengonçado, assim é o nosso herói. Tem na risada um hábito persistente, uma forma de estar, independentemente do contexto ou da circunstância. Esta capacidade de em tudo encontrar graça é complacência a que nem todos reconhecem a virtude. É pena, mas geralmente o eleitor apenas é benévolo com os sisudos.

Com bondade nos falou de esperança, de mudança, do virar da página. Virou ontem, constatou a necessidade da implementação de medidas adicionais que permitam a saída de Portugal do procedimento por défices excessivos. Chocados? Nem por isso. Todos sabíamos que o livro é antigo, a história é a de sempre: um austero e natalício conto sobre a amizade, o amor e a ternura. Democracia, pois claro, mas se e só se o crivo for o mesmo, sejam quais forem as vicissitudes ou contingências do quotidiano. Cumpra-se a meta por uma vez. A ser, será a primeira, uma novidade. Aleluia!

As prendas, comprou-as o Pai Natal, a antecessora embrulhou-as. Por isso tanto se têm rido as renas e restante séquito. Compete agora ao Pateta entregá-las. São três, mas só depois de aberto o embrulho saberemos o que são. Que entusiasmo, que excitação, nunca mais é meia-noite…

Se não os podes vencer distrai-os

Paris, manifestantes protestam contra a ausência de consciência e políticas que invertam as alterações climáticas. Em resposta o presidente François Hollande indigna-se perguntando como é possível isto acontecer na praça onde existem flores e velas em memórias das vítimas recentes.

Que é como quem diz que o foco é um e apenas um, a nova guerra para arrasar o grande inimigo. Gaveta para tudo o resto. Esta é apenas uma das táticas utilizadas para desviar a atenção das massas dos problemas fulcrais que colocam em causa partes críticas do sistema político e económico mundial. A mudança é obrigatória mas precisa de ser muito bem calculada, planeada de forma a que as esferas de poder não se desloquem para novos players. Mesmo que isso signifique a latência na transição de fontes energéticas e hábitos de consumo.

Qualquer consumidor de meios de comunicação noticiosos deve estar preparado para destrinçar os conteúdos mais impactantes que lhe são apresentados, cruzá-los com informação contraditória e/ou complementar, até poder por fim firmar uma opinião sobre o tema. Caso contrário poderá ser mais uma vítima do constante condicionamento de pensamento.

Algumas das táticas existentes:

  • Promoção do Nacionalismo – quando acontece algo que ameaça a nossa nação temos a tendência a saltar para a carruagem do patriotismo cego ao ponto de apoiar guerras sem sentido ou promover ideias políticas e/ou religiosas que promovam a intolerância;
  • Acenar com a Cenoura – como fazer com que o foco de atenção das pessoas deixe de ser sobre um tema crítico? Dando mais tempo de antena a temas incosequentes e sensacionalistas, normalmente a chamada lavagem pública de roupa suja ou entretenimento mundano.
  • Bode Expiatório – quanto toda a cadeia está em risco, e debaixo de forte julgamento público, há que escolher rapidamente o elo mais fraco a servir de ‘oferenda’ para apaziguar o julgamento público. Desta forma a atenção deixará de estar sobre toda a cadeia ficando concentrada nesse bode expiatório;
  • Informação Errada e Enganadora – para esconder a verdade nada melhor do que ‘reenquadrá-la’ com uma moldura de falsidades. Repetir esta meia verdade o número de vezes suficiente para se afirmar como verdade absoluta, o boca-a-boca viral e desinformado encarregar-se-á de fazer o resto.
  • Demonizar o Outro – sempre que tenhamos pecados a esconder nada melhor do que trazer ao de cima todos os demónios dos nossos opositores, mesmo que alguns deles sejam pura ficção (ver ponto anterior).
  • Disseminar o Medo – a mais eficaz de todas as táticas pois nada melhor do que o medo para combater o senso comum e a sanidade mental. Sobretudo se existirem casos históricos que possam ser dados como provas do que poderá acontecer se…

E esta é apenas a ponta do Iceberg sobre a aplicação de táticas de condicionamento de pensamento e controlo de massas através da escolha criteriosa das notícias, imagens e palavras que nos são impostas diariamente pelos principais meios noticiosos e redes sociais (onde se consomem os ecos dos resultados obtidos).

Cabe a cada um de nós optar por acreditar sem contestar ou procurar saber mais sobre o outro lado da questão. Temos em mãos um planeta doente, tratados económicos de escala mundial,  guerras e crises de refugiados, que vão obrigar a decisões importantes exigindo consciência e compreensão por parte de todos a fim de evitar decisões que apenas beneficiam uma pequena percentagem da população mundial.

Talvez seja chegada a altura de cortar as ligações actuais e retomar o controlo das nossas redes neuronais.

Se-não-os-podes-vencer-distrai-os

Peru Recheado

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É por terras do antigo império Otomano que hoje o mundo concentra atenções. Os órgãos de comunicação social não investem, como noutros tempos, nos chamados enviados especiais mas para compensar os espectadores, brindam os mais interessados com um vasto e diversificado naipe de comentadores. Graças a eles, sinal dos tempos, nada nos escapa.

Vamos ao relato, apenas os factos, nada de complicado. Os protagonistas são aviões, turcos e russos. Ao russo, um Sukhoi Su 24, ainda que repetidamente lhe chamem “caça”, é bombardeiro, supersónico é certo, mas já com mais de três décadas no activo. O turco esse sim, um caça, igual aos que por cá temos, um General Dynamics F 16 Fighting Falcon.

Feitas as apresentações, a ocorrência. O avião russo violou o espaço aéreo turco, e após repetidos avisos, foi abatido. É assim, quem brinca com o fogo queima-se. Coerência? Nem por isso, os gregos que o digam, mas adiante. Neste enredo não há anjinhos. Crispação e diz que disse, ou não disse, esgrimem-se argumentos nos palcos habituais: Nas agências noticiosas e até nas Nações Unidas. Cada qual apresenta factos e provas, pois claro. A Rússia ameaça com consequências, a Turquia defende-se com a violação do seu espaço aéreo e com os múltiplos e ignorados avisos.

Face a todos estes factos, a todas estas comunicações e justificações, questiono como será possível que nenhum dos sempre esclarecidos comentadores tenha ainda colocado esta singela questão:

Se o avião russo apenas voou 17 segundos em espaço aéreo turco, como foi possível alerta-lo durante 5 minutos?

Desilusão à Canhota

Numa altura em que o feitiço se vira contra o feiticeiro e seus aliados, esperemos que do big bang surja a exploração de novas vias, convém não deixar ao esquecimento o caldo da poção mágica nacional.

A meu ver o Largo do Rato pariu uma colina. Um assento de baixa altitude, sem a solidez da visão possibilitada por maior altitude que permitisse o alargar em muito o horizonte vislumbrado. Nitidamente BE e PCP voltam a baquear, ao invés de ousar subir o degrau que se colocou à sua frente para ascender um patamar na participação activa nas futuras decisões políticas.

Este acordo não passa de um projecto de estabilidade, de um auto de fé, na crença mútua de que ambos os lados cederão o suficiente para que o outro continue a cumprir o seu papel. Na prática deixará o PS refém de um contínuo debate político, dentro de sedes, negociando a pré-aprovação de cada orçamento e cada medida com maior impacto na sociedade. BE e PCP assumem não querer dar a cara por um governo do qual serão a sombra inequívoca.

Já no passado me desapontaram quando se ausentaram das reuniões de preparação do programa da Troika e agora parece estarem a repetir a dose. Pergunto-me se querem ser vistos como o antídoto porque raio temem assim tanto o convívio com as víboras? Muito me aprazeria tê-los ‘infiltrados’ no governo confiando na sua capacidade de detectar, divulgar, e corrigir anomalias de sistema. Desta forma vejo-os agora como padecendo de uma certa cobardia, demasiado confortáveis na sua posição de críticos e delatores dos erros de outrem, quiçá tementes de segurar parte das rédeas e de perder os renovados votos de confiança.

Vejo em tudo isto apenas uma certa continuidade de um calculado e partidário jogo político. O PS julgará que BE e PCP não poderão esticar demasiado a corda pois se o fizerem, e por isso cair o seu governo, a factura política ser-lhe-ás demasiado alta com hipotética transferência de votos para o PS. BE e PCP por sua vez pensarão o inverso, que o PS não se poderá colar em demasia à rota delineada pela Troika e pelo anterior governo PSD-CDS, caso contrário terão plena justificação para deixar cair o governo PS, reforçando a sua própria idoneidade, e assim penalizar o aldrabão PS nas próximas eleições colhendo uma boa parte dos seus eleitores. A PàF já vaticinou este cenário e espera também vir a poder rentabilizá-lo em termos de votos alegando evidente irresponsabilidade da união de esquerda.

Lamento, mas esta não é de todo a solução à esquerda que esperaria e que me daria alguma esperança de uma verdadeira mudança. Ao ponto de até eu vir a ser condescendente para com Cavaco Silva se este decidir não acreditar neste formato de governação.

porrada

Austin Powers

Yeah-Baby2

Parece uma paródia aos enredos dos filmes com agentes secretos, mas na verdade a galhofa é outra. Chama-se Libra. Quer dizer, chama-se soberania e dela nunca os Britânicos abdicaram. Os bifes sabem da poda, são experimentados na coisa. Soberania é com eles, seja para subjugar a dos outros, seja para garantir a deles. Mesmo quando perderam, tiveram sempre engenho e arte para salvaguardar qualquer coisinha. Goste-se ou não, o velho império britânico marcou tanto a história que ainda hoje faz parte do nosso presente. A Commonwealth aí está para o provar.

Repugna-me a subserviência, pelo que também não clamo pela velha aliança, mas confesso que me soa bem este “Yeah baby”. Aquilo que manifestamente me agrada é o exemplo, mesmo quando parece bluff, mesmo quando nem sequer simpatizo com o actual inquilino do nº 10, o Austin Powers. Entre os seus, há quem diga: “É só isso?“. Não sendo tudo, é infinitamente mais que o nada que os países ex-soberanos se atrevem a exigir.

Do outro lado, isto é, deste lado, do lado dos subjugados à soberba de quem manda sem ser eleito, nada. Nem piam. Não me refiro aos nossos, pois estão ocupados, entretidos com as emoções do momento. Uns babam com o entusiasmo de chegarem ao pote, enquanto os outros espumam de raiva por o terem perdido. O mundo que se lixe, pois claro. Acho muito bem! Relevante é o silêncio da prepotência que governa a União Europeia, seja lá isso o que isso for hoje em dia. Tudo quanto se ouve é um apropriado, mas irrelevante “Oh… behave”.

Yeah-Baby