Category Archives: Escárnio e mal-dizer

Laranja Mecânica

A-Laranja-Mecanica

Um dos grandes clássicos da 7ª arte, provavelmente a obra-prima de Stanley Kubrick – A Clockwork Orange, relata as aventuras do anti-herói, o jovem Pedro o Grande. A narrativa, narrada pelo próprio, descreve um quotidiano pouco convencional. A crise parece perpétua. Sem o menor escrúpulo exclama “que se lixem…”. Nem o mais zeloso dos tutores o mantém na linha. Pedro, adepto de ultra-violência e incondicional amante de boa música, partilha com o seu selecto grupo de amigos momentos da mais intensa porradosca.

PaF, a trupe sempre pronta para o acompanhar em novos e grandiosos desafios, prepara-se entusiasmada para mais uma das suas travessuras. Contudo, a inveja espreita. Pedro será traído em plena brincadeira. Preso, é submetido à mais dura e desumana das torturas. Obrigado a ver horas infindáveis da mais pura brutalidade, vive momentos de prazer e êxtase, mas sucumbe à terapia de choque quando os carrascos descobrem o efeito devastador que a obra de Ludwig van Beethoven tem sobre os seus instintos, especialmente a derradeira sinfonia, a 9ª.

Em sofrimento, contesta, argumenta que o grande compositor apenas criou música maravilhosa, mas sem sucesso. A metamorfose acontece. Outrora um terrível malvado é desde então uma vítima, impossibilitado de perpetrar qualquer acto de violência. A mera tentativa o conduz à agonia. Na demonstração que culminará com a sua libertação, é incapaz de tocar a bela e desnuda miudósca que perante si é colocada. Está mudado, profundamente transformado. É outro! Entoa agora a Ode à Amizade. Diz-se focado no combate às desigualdades. Será verdade?

A Game of Thrones

game-of-thrones-main1
Na terra onde “os verões duram décadas e os invernos uma vida inteira” a paz foi quebrada pela morte do monarca. A unidade de outrora deu lugar à crise da sucessão. A promiscuidade da Rainha de todos os herdeiros fez bastardos. O Trono de Ferro, símbolo dos ciclos viciosos, da alternância e da eterna impunidade sob arco da governabilidade é deste então disputado. Eis a síntese do enredo deste grande sucesso televisivo. Baseada na colecção de livros “As Crónicas de Gelo e Fogo”, a série televisiva reproduz com grande sofisticação a fantasia épica brotada da alucinada imaginação do escritor GRRM.

Como em todos os grandes sucessos, há preferidos e preteridos, há populares e odiados. De entre as mais de mil personagens, destaca-se Luís Tyrion Lannister, o pródigo comentador e estrela da opinião uníssona e bem explicada. Palpita sobre tudo: nomeações, resoluções, debates ou sondagens. Um autêntico hipermercado da opinião, linear de ficção para consumo fácil e barato. Informado como ninguém, tudo sabe sobre todos os negócios e sociedades, excepto daquelas em que é sócio – Ai, nada, nada, nada… Padece de nanismo mas tal nunca lhe limitou a ambição. A todos ajuda em Westeros e em Essos. A norte, a antiquíssima barreira de gelo mantém à margem os Outros, todos que por enquanto se abstêm.

Um dia, os Outros compreenderão a ameaça que representam para a manutenção desta guerra de tronos. Um dia, quem sabe em breve, compreenderão a dança das cadeiras. Talvez então a barreira de gelo se derreta com o calor da perspicácia que os sete reinos julgam extinta.

Tyrion-Lannister_lmm1

Oliveira da Figueira

A banda desenhada é mágica. Transporta o leitor para um mundo de fantasia. Com ou sem superpoderes, cada personagem reflecte facetas da personalidade humana. É vulgar revermo-nos nalguma delas. É também frequente nelas encontrar “pedaços” dos outros, próximos ou distantes. Nem os animais são excluídos deste mundo mágico, onde até um cão pode assumir personalidade humana. São as fábulas. Confesso desconhecer o nome do contrário, isto é, quando ao invés de um animal assumir características humanas, é o humano que assume características de um animal. Ocorrem-me vários exemplos, como – Burro, abutre ou hiena. Muito embora aplicáveis, não são suficientemente assertivos. Nos conjuntos, a moral é a mesma. Os grupos de humanos são pejorativamente designados por alcateias, rebanhos ou cardumes. Uma vez mais, embora aplicáveis, serão demasiado generalistas.

Assumo a minha dificuldade em qualificar. Rara é tamanha sinceridade num politico, tanto mais governante, vice-primeiro. Não é que o homem, cujo passado conhecemos, acertou desta feita. Não vou aqui dissertar sobre precisão e exactidão, pois muito embora muitos julguem serem o mesmo, não são. Digo apenas que precisão é a porção mais ínfima quantificável. Exactidão é o desvio ao real, a conformidade com a verdade. Tantas vezes errático, até mesmo irrevogável, desta feita o erro é zero. Encarnou a personagem na perfeiçãoTudo vende, seja a quem for, onde quer que esteja.

 

Paulo-Portas-Oliveira-da-Figueira

Recital de Trombone

Quando tantos se indignam com o elevado custo da medida de coacção decretada, quando outros consideram vergonhosa a aparente dualidade de critérios da nossa justiça, exigindo prisão sine die, quando até os mais moderados clamam a pulseira electrónica como o mínimo de humilhação exigível, eu sinto-me na obrigação de discordar de todos. Compreendo que a justiça é como a mulher de César, não lhe basta ser séria, é preciso dar espectáculo, mas por estranho que possa parecer, é mesmo disso que se trata.

Julgo que a maior parte dos meus concidadãos não compreendeu verdadeiramente o que se está a passar. Bem sei que as eleições já estão marcadas, que o país vai de férias e que a época para a resolução sem sobressaltos de instituições bancárias já começou, mas quanto a mim, tudo isso são meras e felizes coincidências. Daquelas que existem, mas que ao caso não interessam nada.

Não se trata de justiça, mas sim de cultura. É musica! Seja Clássica, Jazz ou Contemporânea, o talento do protagonista deve ser salvaguardado. O repertório é vastíssimo, seja a solo ou com orquestra. Não existe entre nós, outro trombonista com tamanho folgo. Nunca ninguém ouviu notas tão graves ou tão agudas como aquelas que facilmente pode executar. É um virtuoso! Aguardo com elevada expectativa o anúncio da data, hora e local do seu primeiro recital. Caros compatriotas, o homem não está preso, está guardado.

salgado-boca-no-trombone

Contra factos, não há argumentos.

Construído durante a abundância dos últimos anos do século passado, o Oceanário de Lisboa não foi caro. Nem 5 milhões custou. A extinta Parque Expo, vende-o ao Estado por pouco mais 50 milhões.

Contudo, o Oceanário sai caro aos contribuintes e apenas serve os turistas. Não é justo. Como ninguém o quer, não se vende, concessiona-se. O orçamento de estado para 2015 previa uma receita de 40 milhões. Não existe alternativa, pois dá prejuízo. Se porventura gerasse receita, talvez se pudesse equacionar a sua manutenção na esfera pública, mas como os factos são o que são, como os números não enganam, o governo adjudicou a concessão do Oceanário à sociedade da família Soares dos Santos por 24 milhões, mais uns trocos e uma percentagem do lucro (no caso de um dia existir). Filantropia é isto, é dar sem nada esperar em troca. Aposto que no próximo dia 1 de Maio a entrada terá 50% de desconto. Só vantagens!

Aos críticos desta adjudicação, devo recordar outro caso de sucesso. De entre os múltiplos exemplos possíveis, escolho apenas um: Os Estaleiros Navais de Viana do Castelo. Inviáveis antes da concessão, mas uma vez concessionados foram instantaneamente transformados numa máquina de fazer dinheiro.

Contra factos, não há argumentos.

NovoOceanário

O Mito da Escapula

Com celeridade analisaram propostas e com denodo anunciaram a salvação. Está garantida a sobrevivência do maior exportador Nacional? Não sabemos. Tudo quanto nos dizem é não existir alternativa a esta solução. É notório o embaraço quanto aos detalhes da operação. A enorme divida da empresa é a justificação recorrente. Mas quem a geriu? Se geriu mal, porque ficou ao Leme tantos anos? E se geriu bem, como pôde a empresa endividar-se até aos mil milhões de euros? Não houve tutela?

Enquanto nos entretivemos a debater se devia ser pública ou privada, o verdadeiro problema da TAP nunca foi abordado: Quais os interesses que o actual e os anteriores conselhos de administração defenderam? Porque foi readquirida a Groundforce? Porque foi comprada a PGA? O que ganhou a companhia com a compra da Varig Engenharia e Manutenção? Existe alguma contrapartida secreta, como a obtenção de rotas ou foi “simplesmente” um mau negócio? À luz do apregoado “interesse Nacional”, os factos são simples: vendemos uma empresa de manutenção aeronáutica com potencial e competência para crescer – OGMA, e compramos uma empresa de manutenção falida e com potencial para fazer falir quem a deter.

Sobre o preço, nada digo, nada sei. Nem sei se alguém sabe. Vendem porque a enorme divida da empresa impede-a de obter financiamento. É necessário injectar capital, algo que o accionista Estado não quer/não pode fazer. O que sabemos é que o vencedor, entre o dinheiro que injecta na empresa e aquele que entrega ao Estado Português, investirá perto de 400 milhões de euros, mas controla a gestão, ou seja, decidirá sobre o destino de cada um desses milhões. A divida fica na TAP S.G.P.S. Significa que o novo dono da TAP investirá o equivalente a menos de 40% da divida da TAP em troca de mais de 60% da companhia aérea. É esta minha simplória aritmética que me leva a concluir: é dada. Aqui chegamos com ajuda do isco que alguns optaram por morder.

Concretizar-se-á a operação? Não sabemos. Há fortes probabilidades de ser um golpe eleitoral do tipo “não nos deixaram”. Certo é que existem dúvidas quanto à legalidade do caderno de encargos, bem como quanto à legalidade do processo de avaliação económico-financeira da companhia aérea. Aguardemos. Há ainda muito por descobrir. Por enquanto a escapula é apenas mais um mito.

747

Remédios Lamecenses

Será amanhã, no dia em que lusco poeta pereceu, que vamos celebrar mais um dia de Portugal. Quis sua alteza real deslocar a corte para Lamego. Por lá encontrará o palco perfeito para mais um dos seus sermões à Nação, o multiusos de Lamego. É moderno. Toda a população dele usufrui. É a prova provada da bondade das PPP’s. Mérito à engenharia financeira que o ergueu. Já com duas inaugurações, vai amanhã viver a terceira. É por isso que se chama multiusos. E a renda? É simples, desliga-se a iluminação pública das aldeias em redor e desta poupança brota liquidez. Não há quem não aplauda a genialidade da gestão local. O Tribunal de Contas teve dúvidas, mas verdadeiramente importantes são as mais-valias que a infra-estrutura oferece a todos os munícipes, e amanhã, à Nação.

Asseguram-me que Lamego está pronta para receber a celebração. Decorada a rigor e com a população entusiasmada para receber el Rey. Os militares não deixarão de estar presentes para ouvir o seu comandante supremo. Estão de serviço, não tem outro remédio. À população mostrarão um equipamento raro, uma máquina que só por acaso não foi construída entre nós, o mais recente blindado da Brigada de Intervenção do nosso Exército. É um facto confirmado, o Pandur já lá está em frente ao multiusos, numa triste imagem que ilustra o país que somos e continuaremos a ser. Infelizmente. Não, desta feita não é ironia, é mesmo a exibição do ridículo a que nos prestamos.

Elefantes Brancos

A economia físico-quântica

Cá estamos nós na empolgante recta final da governação. Apesar de todo o esforço já efectuado existe ainda um troço considerável até ao photo-finish sobre a meta. E é neste sprint final que por vezes sucedem provas de superação com demonstração de capacidades sobre-humanas.

Vejamos o caso recente da fusão de Refer e Estradas de Portugal. Uma análise leviana pode considerar ser fruto do delírio e esgotamento de final de prova, no entanto uma análise científica é esclarecedora da genialidade desta estratégia. Vejamos:

  • em termos económicos a Refer tem uma dívida a rondar os 8 mil milhões de euros e a da Estradas de Portugal ronda uns simpáticos 2 mil milhões de euros;
  • em termos físicos as dívidas colossais são tratadas como buracos, um enorme espaço com ausência de massa. A definição do buraco é o seu perímetro e/ou profundidade;
  • em termos quânticos falamos do transporte de matéria impulsionada a diferentes tipos de energia com diferentes velocidades de propagação e indefinições determínisticas relativamente ao tempo dispendido e percurso realizado devido a factores aleatórios como greves, acidentes, condições atmosféricas, etc.

Ora isto faz com que o vazio da dívida mais pequena possa ser acomodado no vazio da dívida maior resolvendo-se de uma assentada o problema de 2 mil milhões de euros. Ao mesmo tempo a fusão da gestão de infra-estruturas rodoviárias e ferroviárias pode ser considerada, ao nível micro, como a fusão dos seus atómos, um fenómeno potencialmente explosivo e aniquilador de uma extensa área territorial, que quando devidamente executado e explorado pode gerar uma quantidade quase ilimiatada de energia limpa e positiva. É tudo uma questão de gestão de ondas, ignorar as más e reter as boas para se criar uma empresa celestial a partir de duas empresas falhadas too big to fail.

Outra mais valia óbvia é a de se deixar de pensar em rodovias e ferrovias como um binómio passando a vê-las mais como um sinónimo. O que abre imensas perspectivas a desenvolvimentos e investimentos futuros, seja pela instalação de carris em todas as estradas de Portugal, seja pela aplicação de um tapete de alcatrão em todos os carris de Portugal. Seremos os primeiros a extinguir o fosso que existe entre veículos motorizados e comboios e com faixa para bicicletas!

Economia-Fisico-Quantica

PS – toda esta análise será inviabilizada se num futuro próximo vier a ocorrer uma privatização da nova empresa celestial em que o tapar do buraco remanescente fique a cargo dos contribuintes Portugueses. Aí a acertada decisão terá sido meramente um tiro de sorte por motivos de roubo alheio.

Movimento perpétuo em deriva constante

Bible Prophecy and End Times EventsEm Espanha parece que o Podemos pode, na Grécia caminha-se para um fracturante Não Pagamos, por cá parece perpetuar-se o Não Votamos apesar de sermos obrigados a um Pagamos com simples queixume de Não Podemos mais.

Câmara dos Deputados aprova censuraA estratégia é a de desinformação, com a ajuda da lei actual que obriga a que se fale de todos ou de nenhum, tendo sido esta última a opção recente dos principais canais televisivos. Para agitar as águas é feita uma primeira ameaça com um asfixiante colete de forças para depois se o aliviar um pouco, transformando-o mais num fato à medida, que mesmo assim parece ainda não assentar confortavelmente.

O Presidente ajuda ao debate afirmando, à leão, que no seu tempo as leis ultrapassadas eram reformuladas, para de seguida assumir o seu lugar de cachorrinho da República sendo obrigado a promulgar uma lei por si vetada sem que tenha sofrido qualquer alteração. A doce ironia de aprovação de uma cópia barata do decreto de lei original…

Apesar de tudo penso que esta lei da Cópia Privada faça todo o sentido. Num país a saque por corsários organizados só pode ser um estímulo tratar todos os Portugueses como piratas. Poderá doer um pouco pagar uma taxa acrescida para prevenção de um crime não praticado mas depois compensa. Porque ao praticar esse crime há a consciência tranquila de já se ter cumprido a pena. O não usufruto do dever de piratear é que poderá criar situações de injustiça da plena responsabilidade do próprio. Não deixa de ser de louvar a preocupação do governo com os direitos da criação, sendo que ainda estou por compreender como é ela conjugada com o seu desprezo pelos criadores e/ou executores das artes.

No sentido contrário surpreende-me a forma como os taxistas lidam com a ameaça Uber, até eles perderam a sua combatividade? Partem para lutas judiciais e digitais? Sempre os vi como os Mad Max tugas, o alcatrão é o seu território onde as leis do volante e da língua afiada imperam. É ainda muito cedo para darem o salto para o combate civilizado pelo que julgam ser os seus direitos. Não estão preparados para lidar com as repercussões de lenga-lengas no mundo digital. Deveriam manter a sua ganância e bandeirada de pirata dentro das suas 5 portas e tejadilho.

Assaltante foi baleado na perna pela polícia quando fugia em táxi roubado

Até porque apesar de tudo ninguém quer táxis oficialmente mais caros com choferes transvestidos de realeza. Queremos o típico, o real, a história para contar aos amigos, a certeza do início e fim salpicados pela aventura do meio materializado em percurso desconhecido, a descoberta das estações de rádio manhosas, o alargar do jargão e do vernáculo, enfim um pouco da verdadeira cultura tuga em cada viagem. O que justifica a variação de preço para um mesmo trajecto pode ser simplesmente a qualidade do artista e do espectáculo prestado.

Por fim passo os olhos pela censura, ou pelo ‘censo de prevenção Russo’, e dou por mim a pensar que aquilo que é contra a liberdade de expressão num ponto do globo poderia muito bem ser um esclarecedor para a compreensão do muito que se passa em Portugal em matéria de blogs que surgem e desaparecem à medida das necessidades.

Já este blog não suscita dúvidas. Não é de esquerda, do centro, nem de direita. É um blog de deriva, ao sabor das marés, que se cruza, acenando ou abalroando, ora com uns, ora com outros, até ao dia em que se aviste porto seguro e se possa gritar “TERRA À VISTA!”, esperando que seja ainda terra de Portugal.

Se você não se identifica nem com a esquerda e nem com a direita – Simpatiza com o Centro ? Centro esquerda, ou centro direita?

Aquário das Guelhas

Tanque-dos-Tubarões

O “novo” programa da televisão portuguesa, Aquário das Guelhas, pretende dinamizar a economia nacional através de um inovador formato: Aos empreendedores é oferecida a oportunidade de apresentar a sua ideia, patente, produto ou empresa a um conjunto de investidores perspicazes e bem-sucedidos, as Guelhas.

Este formato inédito é em si mesmo uma notável demonstração de criatividade. Aposto que o mundo inteiro vai copiar! Para além do salutar entretenimento dos milhões de portugueses que empreendem no sofá, permitirá ainda concretizar projectos que por falta de capital não chegariam a conhecer o sucesso, como por exemplo o navio Atlântida. Foi um memorável episodio, um excepcional instante televisivo: Zé, o empreendedor, começou por explicar às Guelhas que na verdade não é o mentor do projecto, mas como o recebeu por herança, sentia-se na obrigação de lhe dar um rumo, e por isso ali estava. Com desenvoltura apresentou o navio e pediu 29 milhões por 100% da coisa em causa. As Guelhas, claro está, questionaram “Quanto já foi investido nisto?”. A resposta chocou-os – “Quase 50 milhões”. À vez, lá foram dizendo “estou fora”. Os números não batiam certo, mas o navio interessava ao tubarão-azul. Fez uma contraproposta de quase 9 milhões. Zé pediu para pensar e ligar aos sócios. Após alguns minutos reentrou e disse “recebemos uma proposta grega de 13 milhões”. O tubarão-azul sugeriu que o melhor seria aceitar essa proposta, mas ele manteria a sua. Sabia que os gregos tendem ao incumprimento. Estava certo. Chegada à data limite, os helénicos falharam o pagamento e o Zé lá entregou o Atlântida por 8,7 milhões. É a vida.

Fechado o negócio, o futuro do navio seria risonho. Mistico até! Mas, apesar de toda a energia positiva o projecto de intenções foi mudando, até que uma nova oportunidade surgiu. Não será necessário investir um cêntimo, pois parece que há nos fiordes uns comedores de bacalhau dispostos a pagar 17 milhões pelo navio tal como ele está. Tudo está bem, quando acaba bem. Pelo menos é o que dizem…