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Nem só da arte de marear se faz rumo, por vezes é a deriva que nos leva a bom porto.

E depois de Hiroshima e Nagasaki?

Fez hoje 70 anos que os EUA lançaram sobre Hiroshima a primeira das duas bombas atómicas que levaram à rendição do Japão na 2ª Guerra Mundial.

Três dias depois, fará no domingo 70 anos, foi lançada a segunda bomba em Nagasaki.

11 h Nagasaki

A investigação cientifica, o investimento em armas, a economia de guerra, a vontade e a acção humana mataram no Japão mais muito mais das 200 mil pessoas, número redondo, que morreram queimadas com o calor e o fogo. Outro número redondo qualquer bastante mais impreciso, forma o número de pessoas que vieram a morrer meses e anos depois devido à exposição à radioactividade. Os efeitos causados fez com que os seus sobreviventes transmitissem as lesões para as próximas gerações. Ainda hoje, crianças nascem com problemas genéticos causados pela radiação das bombas. As bombas varreram as cidades de Hiroshima e Nagasaki, levando tudo, prédios, pessoas, animais, árvores, tudo, afectou os solos, entrou na própria genética daqueles que sobreviveram a este horror, e manchou para sempre a Humanidade.

Hiroshima

Sombras de Hiroshima

Nagasaki

Não existe dignidade na guerra. E é nestes momentos que me apetece malhar nos americanos… Não por Hiroshima nem Nagasaki, porque só nos resta um silêncio ensurdecedor e o fingir esquecer aquilo que jamais poderá ser esquecido… mas porque mantém uma economia da guerra, porque fazem dinheiro com a guerra, porque fazem guerras simplesmente porque sim (como com o Iraque que quiseram porque quiseram ir chagar o Saddam devido às armas de destruição massiva que nunca foram encontradas!), porque vão para o Afeganistão e a coisa é sempre pintada em forma de ameaça à paz mundial, temos lá nós ferramentas para avaliar a situação… resta-nos acreditar nos jornais, no presidente sempre idóneo dos EUA e nos chamados peritos (que de resto estamos na era deles!). E assim foi a segunda metade do séc.XX, e assim se entrou no séc XXI e estamos em 2015 e só se houve falar das ofensivas americanas.

Não quero discutir as razões para os conflitos armados em cada década e a cada guerra. Quero apenas recordar aquilo que me esmaga enquanto ser humano: os milhares de pessoas mortas, feridas, sobreviventes e gerações seguintes, todos vítimas há 70 anos da bomba atómica.

E quero recordar que as décadas seguintes a este verão de 1945 foram de corrida ao armamento, com imensos pretextos, e que armas bem mais poderosas e destrutivas estão desenvolvidas. O ensurdecedor silêncio não chegou!

E falamos do euro, da gorda alemã, do Bruno Maçães que é um idiota mas não é pior do que todos os outros, falamos das eleições, falamos muito de precariedade mas pouco das suas consequências práticas, e de quando em vez ouvimos as ofensivas americanas, e no outro dia foi a mega ofensiva turca contra jihadistas e curdos do PKK, que são obrigados a lutar para sobreviver… mas de Paz falamos tão pouco! E do Desarmamento nem falamos… Armam-se porque os outros se armam, há discussões e pressões para o acesso à bomba atómica, há quem desista, há quem jure que não tem, há quem tenha e nem jura… Quando deveria-se jurar era o efectivo compromisso de desarmamento nuclear mundial!

Mas depois de Hiroshima e Nagasaki nem sei como a poesia sobreviveu, mesmo depois de ter sido dada como morta. Será isso aquilo a que chamam esperança?


Hiroshima

Movimento perpétuo em deriva constante

Bible Prophecy and End Times EventsEm Espanha parece que o Podemos pode, na Grécia caminha-se para um fracturante Não Pagamos, por cá parece perpetuar-se o Não Votamos apesar de sermos obrigados a um Pagamos com simples queixume de Não Podemos mais.

Câmara dos Deputados aprova censuraA estratégia é a de desinformação, com a ajuda da lei actual que obriga a que se fale de todos ou de nenhum, tendo sido esta última a opção recente dos principais canais televisivos. Para agitar as águas é feita uma primeira ameaça com um asfixiante colete de forças para depois se o aliviar um pouco, transformando-o mais num fato à medida, que mesmo assim parece ainda não assentar confortavelmente.

O Presidente ajuda ao debate afirmando, à leão, que no seu tempo as leis ultrapassadas eram reformuladas, para de seguida assumir o seu lugar de cachorrinho da República sendo obrigado a promulgar uma lei por si vetada sem que tenha sofrido qualquer alteração. A doce ironia de aprovação de uma cópia barata do decreto de lei original…

Apesar de tudo penso que esta lei da Cópia Privada faça todo o sentido. Num país a saque por corsários organizados só pode ser um estímulo tratar todos os Portugueses como piratas. Poderá doer um pouco pagar uma taxa acrescida para prevenção de um crime não praticado mas depois compensa. Porque ao praticar esse crime há a consciência tranquila de já se ter cumprido a pena. O não usufruto do dever de piratear é que poderá criar situações de injustiça da plena responsabilidade do próprio. Não deixa de ser de louvar a preocupação do governo com os direitos da criação, sendo que ainda estou por compreender como é ela conjugada com o seu desprezo pelos criadores e/ou executores das artes.

No sentido contrário surpreende-me a forma como os taxistas lidam com a ameaça Uber, até eles perderam a sua combatividade? Partem para lutas judiciais e digitais? Sempre os vi como os Mad Max tugas, o alcatrão é o seu território onde as leis do volante e da língua afiada imperam. É ainda muito cedo para darem o salto para o combate civilizado pelo que julgam ser os seus direitos. Não estão preparados para lidar com as repercussões de lenga-lengas no mundo digital. Deveriam manter a sua ganância e bandeirada de pirata dentro das suas 5 portas e tejadilho.

Assaltante foi baleado na perna pela polícia quando fugia em táxi roubado

Até porque apesar de tudo ninguém quer táxis oficialmente mais caros com choferes transvestidos de realeza. Queremos o típico, o real, a história para contar aos amigos, a certeza do início e fim salpicados pela aventura do meio materializado em percurso desconhecido, a descoberta das estações de rádio manhosas, o alargar do jargão e do vernáculo, enfim um pouco da verdadeira cultura tuga em cada viagem. O que justifica a variação de preço para um mesmo trajecto pode ser simplesmente a qualidade do artista e do espectáculo prestado.

Por fim passo os olhos pela censura, ou pelo ‘censo de prevenção Russo’, e dou por mim a pensar que aquilo que é contra a liberdade de expressão num ponto do globo poderia muito bem ser um esclarecedor para a compreensão do muito que se passa em Portugal em matéria de blogs que surgem e desaparecem à medida das necessidades.

Já este blog não suscita dúvidas. Não é de esquerda, do centro, nem de direita. É um blog de deriva, ao sabor das marés, que se cruza, acenando ou abalroando, ora com uns, ora com outros, até ao dia em que se aviste porto seguro e se possa gritar “TERRA À VISTA!”, esperando que seja ainda terra de Portugal.

Se você não se identifica nem com a esquerda e nem com a direita – Simpatiza com o Centro ? Centro esquerda, ou centro direita?

O parecer ser Português

Neste novo Portugal

há que parecer ser infeliz para garantir RSI

há que parecer ser alguém prestes a morrer para ter alguma hipótese de viver

há que parecer ser verdadeiramente especial para ter direito a acompanhamento especial

há que parecer ser uma actividade profissional para ter direito a remuneração

há que parecer ser inocente para afastar toda e qualquer suspeita

há que parecer ser Charlie para estar acima de todos os Charlies

há que parecer ser o menino certinho para continuar a ser o preferido da mamã

há que parecer ser o menino rebelde para tentar ser o preferido dos portugueses

há que parecer ser uma economia em crescimento para enriquecer a nação

E afinal o que é o novo ser Português?

Espero que acima de tudo apenas o parecer do velho “estou-me cagando”

MENSAGEM DE REFLEXÃO: VOCÊ É ESPELHO

Somos todos burros

Um atentado terrorista contra um jornal satírico e de repente somos todos Charlies, defensores inquestionáveis da liberdade de expressão da sociedade ocidental. A análise é pronta. Cartoonistas a exercerem a sua liberdade de expressão, fanáticos religiosos islamitas a realizarem uma execução sumária por pura barbárie.

Aos Charlies gostaria de perguntar:

Quem foi Maomé e o que representa para o Islão?

Têm noção do nível de ofensa das representações satíricas para um islamita?

Qual a linha editorial tomada conscientemente pelo jornal ao longo dos últimos anos?

Tristemente a maioria dos Charlies não saberia responder a estas questões. Pior do que isso, não quer sequer saber a resposta a tal questões. Não interessa. Falamos simplesmente de desenhos e/ou palavras que tiveram como resposta execuções sumárias! Com a agravante do atentado ter sido perpetado por cidadãos franceses, denunciando que existe actualmente na Europa uma falange de extremistas radicais capazes de passar da simples e tolerada indignação à visceral e brutal violência! Manifestemo-nos já contra este terrorismo condicionador da nossa liberdade de expressão!

O que fica exposto é que a liberdade de expressão vigente é apenas uma liberdade de expressão ideológica. A passagem à prática dessa liberdade de expressão acarreta consequências positivas ou negativas em função do contexto social e/ou político bem como do nível de conhecimento e inteligência do seu executor. É preciso saber do que falamos, onde falamos, para quem falamos e como falamos caso queiramos realmente fazer parte de um processo construtivo de desconstrução das ideologias que consideramos estarem erradas. E estarmos receptivos à desconstrução das nossas. Caso contrário partamos simplesmente para a liberdade de expressão ofensiva sem qualquer outro objectivo que não o chocar e o inflamar dos ânimos. O incendiar de uma fronteira entre duas facções cegas e surdas na relação uma com a outra. Estando prontos para lidar com todas as consequências que isso acarreta.

Ainda a quente, Somos todos burrosapós os atentados em França, reagimos como uma enorme manada de burros. Dizemos o que nos dizem para dizer, fazemos o que nos dizem para fazer, sem questionar ou pensar sobre o contexto, o historial e a motivação do mesmo. Zurramos em reconfortante uníssono.

A base de tudo isto são dois alicerces primordiais: a ignorância e a intolerância

Ignorância porque somos educados desde tenra idade com uma visão muito fechada do mundo e da sociedade. A visão vingente que nos querem impôr para que, nesse modelo, sejamos os cidadãos exemplares de amanhã.

Intolerância porque ao contrário da liberdade de expressão existe uma real opressão à expressão de toda e qualquer ideologia e forma de estar que não esteja em conformidade com a única visão que nos é instruída.

E é este binómio de ignorância e intolerância que nos torna uma manada dócil e fácil de conduzir, sem capacidade de raciocinar para além do óbvio mediatizado.

Se existir real interesse em lutar pela liberdade de expressão então teremos de reformular o processo de educação cívica dos cidadãos de amanhã. A escola deverá assumir o seu papel de formadora ao invés de simplesmente formatadora. As nossas crianças, os nossos jovens, devem obrigatoriamente ter contacto com as principais religiões, modelos de sociedade e filosofias de vida existentes no mundo. Os nossos adolescentes deveriam saber o que é o Catolocismo, o que é o Islão, o que é o Budismo, o que é o Hinduísmo, o que é a democracia, o que é o comunismo, o que é uma ditadura, etc. A diminuição da liberdade de expressão começa exactamente pelo encurtar do leque de opções para a tomada de decisões importantes sobre a forma de olhar e compreender o mundo. Deter este tipo de conhecimento seria também a maior e melhor ponte para o diálogo e respeito pelas crenças e opções de vida dos outros.

Mais, se estão agora preocupados com o controlo da imigração e seu potencial papel nefasto no infiltrar de agentes extremistas radicais capazes de actos terroristas, deveriam então criar um teste de admissão para entrada no território Europeu similar ao que acontece para obter a cidadania americana. Com uma diferença, a bateria de questões abrangeria exactamente o conhecimento sobre as principais religiões, filosofias de vida e modelos de sociedade. A demonstração deste tipo de conhecimento daria alguma garantia de que a pessoa em questão se debruçou por estes temas, tem o conhecimento básico que lhe permita compreender e tolerar o ponto de vista dos outros, com grande probabilidade de ser menos burro, mais Charlie.

Quando um burro zurra…

Além do que é afinal a liberdade de expressão que devemos defender a todo o custo? Todos devemos ter o direito de dizer/fazer tudo o que nos apeteça sem que existam barreiras nem risco de retaliações intempestivas? É que nesse caso talvez devessemos começar por demolir alguns condicionantes legais que impedem ou dificultam a passagem à prática da nossa liberdade de expressão ideológica. Por exemplo:

  • Alguém que opte por ser Vegan, defensor dos direitos dos animais, não pode libertar animais alvos de maus tratos numa unidade de exploração intensiva pois corre o risco de ser preso uma vez que existem impedimentos legais para esse tipo de acção mesmo que éticamente justificável.
  • Há quem considere que determinadas personalidades da nossa vida política são palhaços mas não o possa gritar a plenos pulmões, em canais de comunicação ou presencialmente, pois corre o risco de receber um processo penal.
  • Posso optar por uma filosofia de vida holística, comprar uma herdade no Alentejo, no entanto vou ter uma dor de cabeça enorme para conseguir garantir que esta seja uma zona livre de caça.
  • Uma mulher muçulmana pode optar por uso de Burka, no entanto não pode vesti-la no espaço público de vários países Europeus.
  • O jornalismo livre está condicionado por uma linha editorial bem definida que apenas deixa vir a público aquilo que não esbarre com interesses de accionistas, parceiros e/ou patrocinadores.

E tudo isto são formas de abate, não de vidas humanas, mas directamente da liberdade de expressão. Os anti-Charlies mais perigosos não surgem a espaços nem metralham com Kalashinkovs. Estão omnipresentes e servem-se das mesmas armas que os Charlies, palavras, através de notícias, leis e regulamentos que desenham um cenário de liberdade de expressão ilusória com fronteiras devidamente delineadas.

Os Charlies indignam-se com a morte à lei da bala sendo completamente indiferentes à morte silenciosa dos ideais pelos quais se batem, anuindo muitas vezes a serem cúmplices nesse assassinato. Porque, neste grande estábulo instituído, ao contrário da vida de burro, a vida de um verdadeiro Charlie  não é pêra doce.

Noticiários comuns

Gears machine machinery machines man-made wallpaperA engrenagem estatal aquece os motores preparando o seu arranque após um longo período de férias, as reformas não ajudam e há novas peças que aparentam ainda não ter encontrado o seu lugar e função, surgem, recorrentes e renovadas, queixas de cortes de apoios, falta de pessoal, falta de qualidade de serviço, falta de respeito, em educação, saúde, justiça, etc, o mirrar do estado social, o emperrar da máquina estatal.

Mom Scraps With Her Son’s Classmate On His School Bus  Posted on September 20, 2012 byA geração que cresceu sem a liberdade da rua, porque segundo seus pais, arruaceiros dos seus tempos, estes tempos são outros, mais perigosos para crianças até 14 anos ou mais, organizam agora meets que se revelam cursos demasiado intensivos do que é crescer nas ruas. Os caseiros desconfortam-se com a presença na rua de pessoas que nunca deixariam entrar em casa, quiçá que não permitem mesmo entrar nas suas escolas  e condomínios privados, por raízes sócio-culturais, linhagem familiar ou simples poder financeiro.

Two Butterfly Dark ColoringAnúncios oníricos sobre um abençoado Novo Banco, com um novo começo, com os mesmos 600 balcões, os mesmos 2 milhões de clientes, os mesmos 6 mil colaboradores e, como que por magia, novíssimos 5 mil milhões de euros que dão uma nova oportunidade de todos voltarem a ser felizes.

Banhos gelados com um mediatismo superior a tudo o resto que se vai passando de tal forma que neste post inverto a tendência e apenas lhes dedico esta linha. Ao futebol, entradas e saídas nacionais e internacionais, jogos de nova época, dão e faço igual tratamento.

Lá fora as coisas não andam melhor, pelo menos as que nos contam, com um mundo tão grande e parece que depois do Game Over à Palestina só dá conflito de perder a cabeça pelo Estado Islâmico, guerra fria entre Europa e Rússia pela recém-amada Ucrânia, e surto de Ébola quase, quase, mundial que certamente justificará em breve um programa internacional de armazenagem de vacinas assim que a primeira esteja testada e aprovada.

Ah! Não esquecer uns laivos da luta da Itália contra a invasão de hordas desesperadas vindas do Norte de África. Gasta 9 milhões de euros por mês nessa brincadeira! Mais de 100 milhões de euros anuais num jogo do rato e do gato e do volta à casa de partida. Um louco pensaria talvez em com esse dinheiro realizar investimentos geradores de emprego e riqueza distribuída nos países de origem dos imigrantes? Felizmente a matéria é dada de forma a conter quaisquer loucuras e a saga continua.

Se a nível nacional não há indícios de melhoras a verdade é que a nível internacional existem ingredientes suficientes para, num deslize, eclodir uma guerra ou uma epidemia mundial, ou quem sabe um seu binómio. E no meio de toda a triste displicência, esta iminência acaba por ser um raio de esperança, pois o passado corrobora que, para fomentar a união de esforços e povos a nível mundial, para ganhar a coragem e resolução de enfrentar a tempestade colhendo mais tarde a bonança, não há melhor causa comum do que uma evidente e enorme vala comum.

Jewish mass grave near Zolochiv, west Ukraine

 

 

 

 

 

Perder a Cabeça

1Na terra da Liberdade, Igualdade e Fraternidade, comemora-se hoje a Festa da Federação, feriado nacional que celebra a tomada da Bastilha. Uma data histórica, um marco civilizacional! Faz hoje 225 anos que os oprimidos assumiram o papel de opressores. Lembrei-me do destino daquela que um dia recomendou os brioches como sucedâneo do pão: Maria Antonia Josepha Johanna von Habsburg-Lothringen de baptismo, Marie-Antoinette ou simplesmente Maria Antónia, Arquiduquesa da Áustria, e por casamento Rainha de França. Inocente e pura, também brincava aos pobrezinhos. Pouco mais de 3 anos depois da tomada da Bastilha, foi a vez de os pobrezinhos brincarem aos monarcas. Usaram a invenção genialmente simples do doutor Zé-Inácio, a guilhotina. 2Foi uma festa! Gostaram tanto que mais tarde decidiram usa-la até entre eles. Os carrascos tiveram a oportunidade de testar pessoalmente o seu anterior instrumento de trabalho. Foi uma grande confusão, uma grande partida que o destino lhes pregou. Não terá sido a primeira, nem por certo a ultima vez que o destino fez das suas.

Muitos anos antes, em Viena de Áustria, era ainda Maria Antónia uma criança, senhora sua mãe recebeu a visita de Leopold e dos seus dois filhos pródigos, Maria Anna Walburga Ignatia e Joannes Chrysostomus Wolfgangus Theophilus. Este ultimo, excitado com a oportunuidade de maravilhar a realeza com a sua prestação artística, terá tropeçado e caído. Maria Antónia levantou-se da sua cadeira e ajudou-o a levantar-se. Grato, mas ousado e destemido retorquiu “é muito gentil, quando crescer casar-me-ei consigo”. Todos sorriram, para grande alivio do pai da criança que hoje conhecemos como Wolfgang Amadeus Mozart. Foi o destino.

Apesar de ter trabalhado arduamente deste a infância até às vésperas da sua morte, Wolfgang morreu pobre. Deixou inacabado o seu magistral Réquiem. Nunca o ouviu, pois o seu funeral foi simples. Como qualquer pobre, foi lançado numa vala comum, sem cerimónia. Parece que o destino nos está sempre a pregar partidas, mas não deixa de ser desconcertante imaginar quão mais doce a vida poderia ter sido para Wolfgang Amadeus e Maria Antónia, se esta tem aceite o impertinente convite de casamento. Wolfgang poderia ter vivido mais anos, mas poderia não ter composto de forma tão intensa como o fez e consequentemente o mundo seria hoje muito mais pobre. Maria Antónia, por sua vez, poderia ter partilhado o destino do proponente, as desventuras e a pobreza, mas nunca teria perdido a cabeça…

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Melodia Carnavalesca

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Os meninos do coro começaram por cancelar o Carnaval. Não podia, não devia, a finança não queria. Assim foi na letra, mas a musica é bem diferente. Nunca o Entrudo foi tão celebrado entre nós. Foi até antecipado. Tudo começou pelo lançamento do um livro sobre o quotidiano de um bobo durante a sua estadia na corte. Rigoletto que em português se diz Vítor, mas não Hugo, brindou a Pedro com uma melodia de fazer inveja a Verdi. Opera buffa, é certo, mas teve o seu lugar na agenda mediática. Surpresa, não se ouviu pateada. Dá que pensar.

Ao primeiro andamento, seguiu-se um triunfal cortejo de carnaval. Andante ma non troppo: Na falta de um sambódromo, decorreu na Rua das Portas de Santo Antão. Comovente na espontaneidade, nem pareceu coreografado. No coliseu, o comentador e homónimo de presidente do conselho sobe à tribuna. Enverga a camisola de candidato. É uma mascara que não resulta, está gasta, mas os comentados aplaudem a Serenata. Enfim, peripécias típicas de época. Eis que surge o grande líder, mascarado de primeiro violino. Já o bobo lhe reconhecera grandes qualidades cénicas para a condução da charanga no aquecimento, mas nada fazia prever o Adagio sostenuto: brindou a audiência com o anúncio do ousado regresso de sua eminência da equivalência, a imaculada consciência.  Voltou, pleno de força anímica e muito samba no pé. Largo ou Grave? Não se ouve. O silêncio também conta. Ainda hoje não ardeu.

Presto: a escola de samba rival responde, anunciando o regresso do coelhinho da pascoa. Digam lá que não estamos sempre em festa? Prestissimo, alguém declama “Só este modo de comunicar em 101 tweets já é todo um programa”. Viral? Ninguém os viu. Será censura? Negativo, há liberdade de expressão.

Vivace: “Não pagamos!”. Fala quem pode, os demais nem piam. Pausa.

Rondó: O dueto para o consenso. Vem aí mais ajuda, pois claro! Adagio: Não obstante as divergências insanáveis entre irmãos, a maestria demonstra afecto. Brinda a orquestra com a sua performance. Toca a oitava sonata para piano do seu conterrâneo, Op. 13, a “Patetica”. Adagio cantabileApoiar-nos-á, seja qual for a decisão que sobre nós vier a tomar. Andantino: Após as eleições europeias, o baile de carnaval prosseguirá der Klang der Walzer.