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Nacionalize-se o Banco

Foi na passada quarta-feira, que o primo do anterior dono disto tudo foi ao antigo armazém de bananas para fazer a sua comunicação ao país, isto é, dar uma entrevista ao macaquinho de serviço. Começou por manifestar orgulho na família e no seu negócio secular, não obstante a última década, período que reconheceu não ter corrido assim tão bem. Feita a pequena introdução, avançou para o essencial da mensagem e sem rodeios, como é seu hábito, disse o que lhe vai na alma de banqueiro. Quando a ética profissional lhe limitou a frontalidade, lá esteve o interlocutor para complementar e dizer o que não deve ser dito. Útil, eis a vantagem do entrevistador, ser o ponto.

O projecto não mudou muito, é o de sempre. Sonha liderar a instituição fundada pela família há mais de 100 anos, aquela que hoje está à venda. É esse o seu propósito. Uma vez traído na sua intenção pelos novos donos do antigo BESI, pediu a demissão. Confesso a minha simpatia para com esta determinação e foco. Está obstinado e comprometido com o desígnio de recuperar o ancestral negócio familiar. É bonito.

E agora? Bem, gorado o negócio da China, e como dinheiro que chegue não tem, achou por bem denunciar essa prática imunda da comprar, retalhar e vender. Opõe-se ainda a qualquer venda que obrigue a quaisquer garantias ou contra-garantias do estado. Quer ganhar tempo! Demonstrou assim manter intacta a capacidade de compromisso táctico e estratégico. Implacável e pragmático, qual Czar-Vermelho, afirmou peremptório: Nacionalize-se.

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Nobel da Nota

Vivemos dias de exacerbado orgulho nacional, de repetida celebração dos protagonistas do momento, por isso resolvi relembrar um notável de outros tempos, o primeiro português galardoado com um prémio Nobel. Nascido a 29 de Novembro de 1874 em Estarreja, Aveiro, o Professor Doutor António Egas Moniz não herdou o apelido de seu pai, mas foi por influência do irmão deste que foi baptizado. A família paterna descendia directamente de Egas Moniz de Riba Douro, o Aio, um distinto indivíduo a quem o nobre Conde D. Henrique de Borgonha confiou a educação do seu primogénito, aquele que pela força criou um reino e se fez rei, Afonso I de Portugal.

Hoje, no sexagésimo primeiro aniversário da morte do Professor, invoco a exuberância dos seus órgãos vestibulococleares (vulgo orelhas) característica que o deprimia, mas é sobretudo com muita saudade que lembro a nota criada em sua homenagem, a nota de dez mil escudos, esse símbolo da soberania monetária de outrora, livre no seu perpétuo movimento de desvalorização, mas ainda assim com maior poder aquisitivo que os actuais 50 euros.

Estranha esta saudade, não é? Logo agora que não só não existe inflação como nunca a diversidade de escolha foi tão vasta. Antigamente, quando os preços subiam constantemente, ao invés de milhares de produtos e marcas diferentes, coitados, éramos forçados a consumir os clássicos como a pasta medicinal Couto, o restaurador Olex ou as doces Fantasias de Natal, aquelas em cujo anúncio o Coelhinho ia com o Pai Natal e o Palhaço no comboio ao circo

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Nobel do Orçamento

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Longa foi a espera, semanas de grande expectativa, inquietação e até alguma ansiedade, mas a Academia Sueca lá divulgou finalmente o novo prémio Nobel do Orçamento. Anunciado o vencedor, de imediato se intensificou a polémica e se extremaram posições entre apoiantes e oponentes. Os críticos atacaram a obra do artista, os fãs enalteceram. Será Literatura? Prosa não é certamente e a poesia, segundo sei, nem sempre é assim. Uma coisa é certa, presta-se a todo o tipo de ambiguidade e a muito pouca certeza.

Em rigor é uma obra incomparável – O Orçamento não é comparável com nenhum dos que o precedeu. Todas as generalizações viáveis, toda a especulação possível, todas as interpretações sustentáveis à luz deste ou daquele detalhe, subtil ou abrupto. Compreender o seu verdadeiro impacto é um exercício de sensibilidade, logo, absolutamente subjectivo. Talvez por isso me incline para a poesia. Deve ser isso que o galardoado documento é, poesia.

Bob Centeno, poeta de fraquíssimos dotes vocais, mas cujo virtuosismo como instrumentista muito tem surpreendido, lá conseguiu dar-nos música, uma melodia manifestamente banal, mas suficientemente harmoniosa para conjugar os graves acordes de Guitarra requeridos pelos parceiros da banda “a geringonça”, com as notas de Harmónica (vulgo Gaita-de-Beiços) tão agudas quanto o exigido pela Europa. Não é de direita, também não é de esquerda, nem de centro. Nem sim, nem não, antes pelo contrário. É um Orçamento de protectorado. Deixámos de ser uma província submissa, obediente e periférica para passarmos a ser uma região quase autónoma, paralisada e dependente.

bob-centeno

Wirtschaftsnachrichten

O canal televisivo SAT.1 acaba de anunciar a contratação de um dos maiores especialistas económicos nacionais, quiçá o mais valioso activo (“asset” em “economês”) da comunicação nacional, José Gomes Ferreira, aceitou o convite da estação privada alemã para liderar uma rubrica de comentário e notícias de negócios. As extraordinárias competências do nosso concidadão não passaram despercebidas aos germânicos e nem a barreira linguística parece ter demovido os responsáveis. A convicção com que apresenta números e multiplicadores é tal que a linguagem corporal valerá por si. A direcção de programas da estação explica num sucinto comunicado que os dotes argumentativos e o domínio dos modelos matemáticos por parte do nosso Zé, muito embora ponderados, não foram os factores decisivos para a escolha, mas sim a sua prestação na explicação à população nacional portuguesa sobre a robustez do extinto BES. Está também prevista a edição de um inédito e despretensioso livro intitulado “mein Regierungsprogramm“…

Os rumores sobre as dificuldades do Deutsche Bank terão igualmente contribuído para justificar as alterações ao critério editorial da estação, nomeadamente a necessidade de preparar as mentes não só dos contribuintes germânicos, mas igualmente dos futuros lesados do Deutsche, tarefa para a qual o perfil do nosso compatriota constituiu garantia para uma resposta de excelência.

Tal como cá, a guerra pelas audiências é implacável, e ao que consta a estação rival, a RTL já terá sondado um tal de Camilo Lourenço para responder à altura. Muito embora até ao momento não se conheçam quaisquer desenvolvimentos, diz-se que não será piegas.

wirtschaftsnachrichten

Caça ao guito

“Temos de perder a vergonha de ir buscar a quem está a acumular dinheiro” terá sido porventura uma das frases mais infelizes da politiquice recente. A sua autora entretanto já  deu mil e uma explicações que procuram aliviar o peso da literalidade desta frase, no entanto, em seu redor, orbitam outros pequenos acontecimentos que só podem deixar inquietos estes privilegiados acumuladores.

O argumentos populistas mais utilizados pela esquerda são dois. Um é o de que o leque de contribuintes nestes segmentos é reduzido e tem de contribuir mais porque, hipoteticamente, se consegue acumular tanta riqueza deve-o a algum tipo de exploração (do sistema fiscal, da lei ou de pessoas). O outro é que com a nova receita se poderá por exemplo aumentar 5 € a todas as pensões abaixo de 500 €.

Estas medidas não são mais do que demonstração de fragilidades governamentais que resultam no explorar do elo mais fraco. Preferem rotular todos os acumuladores de riqueza como suspeitos a penalizar (porque em teoria lhes custará menos) ao invés de criar medidas, futuras ou mesmo retro-activas, que consigam acabar com a riqueza indevidamente acumulada por aqueles que verdadeiramente ludibriam o sistema, ou ter a coragem de cessar ou diminuir certas coutadas fiscais sobre quem explora o mercado português.

Mais, com este tipo de discurso e acção, cultiva na sociedade um confronto de classes, em que quem está longe dos patamares falados diz um “Apoiado!” com a convicção de que se o têm é porque são uns porcos capitalistas, no outro lado milhares dos abrangidos pelo estatudo de “acumulador de riqueza” sentem-se insultados por cumprir com as suas obrigações fiscais e ainda virem a ser penalizados por ter tido um comportamento de poupança mesmo no tempo de bonança.

Se existe tão grande clivagem entre determinados segmentos da população a culpa não será maioritariamente dos que estão em melhor situação mas sim dos que legislam e gerem orçamentos por forma a criar as condições laborais e sociais que conduzem à desigualdade.

Todo o princípio de caça à receita através da penalização dos mais abastados, que já cumprem um regime fiscal progressivo, torna-se ridículo a partir de certo ponto. E o argumento da distribuição da riqueza não pega, faria muito mais sentido que ao invés de se proporem a aumentar 5 € em todas as pensões até 500 €, pelo mesmo custo aumentassem 12 € em todas as pensões até 200 € e que concentrassem futuros aumentos de pensões apenas em escalões inferiores para que estes beneficiários abandonem a precariedade mais rapidamente.

Por fim recomendo também que no exercício da caça ao guito a esquerda se foque também naquela que é pretensamente a sua especialidade, a solidariedade social, sim porque para além da acumulação também a distribuição/desperdício de riqueza acumulada por outros (mais de mil milhões de € por ano para as IPSS) deve ser alvo de escrutínio apertado e quiçá seu redireccionamento para outros pontos de maior controlo e eficácia no combate pela igualdade.

A justiça e equidade social também deve ser exercida na governação, sem penalizar em demasia certos grupos a favor de outros, nem que apenas por princípio. Impeça-se o enriquecimento ‘sujo’ mas respeite-se o enriquecimento ‘limpo’ que já é devidamente taxado quando gerado e gasto. Caso contrário iremos caminhar num progressivo nivelar por baixo, em que quem está num percentil acima da média seja sempre visto como a próxima presa a abater para alimentar aqueles que, por desgoverno do país, desesperam e proliferam no limiar da pobreza.

caca-ao-guito

Eta! Caracas! A coisa está preta!

Tenho orgulho, orgulho, em ser português! Português! Português! Português!

A emigração portuguesa sempre foi uma solução de ante-penúltimo recurso que muitos dos nossos conterrâneos não temeram enveredar. (sendo o penúltimo roubar e o último arriscar mudar o estado das coisas correndo com políticos corruptos e inábeis eleitos por via da abstenção)

Emigraram em massa para vários pontos do globo, com maior concentração em alguns países, aliviando a pressão social  interna e posteriormente injectando capital na nossa economia com o aumento do envio de remessas. Sejamos francos, o nosso maior sucesso de exportação são as pessoas! É de tudo! Desde as mal às altamente qualificadas. O que de certa forma nos pode remeter para os tempos de antigamente em que também exportávamos pessoas em modalidade de pré-pagamento de remessas futuras fruto de árduo trabalho.

Existe agora um pequeno senão. E lá diz o provérbio popular “não há duas sem três”!

Da primeira vez, quando a mudança global de ciclo quebrou este mercado de força de trabalho, os emigrados forçados ficaram por lá, onde se encontravam, seja porque havia economia para os encaixar seja porque não havia interesse político e/ou capacidade financeira para devolver milhões ao seu país de origem onde já outros interesses estavam instalados.

Da segunda vez fomos expropriados à força de terras, que na verdade não eram nossas, sendo forçado ao acolhimento de um grande número de nossos retornados/refugiados.

A terceira aparenta estar mais perto do que aquilo que se imagina sendo que na próxima mudança de ciclo o cenário será completamente diferente. A crise é mundial, muitos portugueses encontram-se em países que atravessam momentos de convulsão (Brasil, Venezuela, Moçambique, Angola, mesmo França e Reino Unido)  pelo que não será de excluir a hipótese de parte considerável das centenas de milhares (ou mesmo milhões) de emigrados se ver forçado a retornar a Portugal. Pior, em alguns casos poderão não ter condições para o fazer e terá de ser o país a dar a resposta necessária, e obrigatória, para trazer de volta essa nossa gente.

Mesmo com vozes alarmantes, com os sinais mais do que evidentes, a reacção à crise dos refugiados foi tardia e inconsequente. Agora estamos em altura de nos prepararmos para o potencial de outra crise humanitária, não de refugiados, mas de retornados. De gente que certamente quererá vir para Portugal quando lhe estendam a mão, as pontes aéreas e/ou marítimas, as condições de alojamento e apoios financeiros, pois é esta a terra das suas raízes. Espero sinceramente que, se necessário, Portugal esteja preparado para estender essa mão, mesmo que sem anéis ao menos que mantenha todos os seus dedos. O resto faz-se com distribuição martelos, picaretas, enchadas, forquilhas e outras ferramentas de apoio à criação de novas culturas e reabilitação de edifícios desde a sua fundação.

Apesar de aparentemente ser um mau cenário quem sabe se a prazo não traria benefícios a Portugal? Gente lusa que bebeu conhecimento de outras culturas, de olho e cabeça mais abertos, com garra, sem medos de começar a vida do zero, só poderia ser uma boa influência sobre todos nós e ajudar a revitalizar a nossa economia com o aumento exponencial do número de consumidores.

Para começar a preparação deste cenário só teremos de garantir posição dominante sobre uma companhia aérea nacional e o exemplar funcionamento dos nossos portos.

Estaremos no bom caminho?

Emigração-Boomerang

 

Tratamento Desumano

Eduardo vive encarcerado numa prisão de alta tensão, condenado a uma pesada pena de trabalhos forçados. O ambiente é duro, sujo e cruel, mas ele não quebra. Mantém a postura altruísta que o caracteriza. É uma vitima. O pobre coitado é mal tratado: Mal tratado pela opinião publica que injustamente o acusa de ser interesseiro e materialista; É maltratado pelos carcereiros, os orientais que se apoderaram da terrível prisão. É alvo, sem qualquer dúvida, de um tratamento desumano.

Subjugado, foi obrigado a renunciar aos princípios ideológicos, renegar à sua visão partidária e receber o inimigo de braços abertos. Repugnado, disponibilizou-se para servir de toda a forma, estilo ou jeito. Ao que a pessoa chega para salvar a humilde posição, o pouco que a custo conquistou naquele tenebroso local. A degradação da dignidade humana é revoltante! Os cruéis carcereiros apreciam a previsibilidade da receita. Qualquer deslize é severamente punido. Toda e qualquer alteração ao plano, a mais pequena redução da renda, coloca imediatamente em causa as condições de vida na prisão. Não foi isto que lhes venderam! Os primeiros a sofrer são ideólogos que com a sua abnegação e fino recorte literário evangelizam a população prisional. É para isso que lá estão! O maior entre os grandes, o imortal guardião da poesia capilar púbica, merecia melhor sorte. Espero que mova uma acção judicial contra todos os que o oprimem e impõem tão rude martírio: os malvados carcereiros, os odiosos inimigos políticos e claro, os invejosos que o criticam. Espero que ganhe…

Tratamento-Desumano

Yabba-Dabba-Do

Os pré-históricos Flintstones foram hoje à periferia da capital lusitana, mais concretamente à cidade da Amadora, inaugurar a nova estação de metropolitano da Reboleira. Vieram no seu automóvel, a conhecida Geringonça de tracção pedonal pelos ocupantes, veículo ecoeficiente e 100% reciclável. Salvem o planeta, reciclem! Nunca é cedo demais para mudar o que está mal, o que está errado. Culturalmente estamos conversados, o desporto vai pelo mesmo caminho e na defesa a coisa está negra, mas adiante que nem Willian Hanna nem Joseph Barbera tiveram imaginação que chegue para isto. Ninguém ousaria a tanto em tão pouco tempo. Avancemos que a agenda está cheia.

O evento correu bem, os convidados compareceram, os protagonistas também. Houve discursos e bons concelhos, animação em geral e muita alegria em particular. Como se quer. Todos os bancos eram bons, excepto para quem viajou de pé. Ora, foi disto que nos falou Fred. Avisou. Eis chegado o momento de mudar, de transformar principescos hábitos em altruístas virtudes. Mais do que não abastecer em Espanha, mais do que não poluir, é saúde. Isso! Fred a Pé anunciou a imediata extinção dos nefastos automóveis das cidades nacionais.

Andar a pé faz bem, eu cá pratico e gosto, mas será que todos podem? Quantos moram perto do trabalho? Não muitos, não é verdade? Esta ideia de a todos enfiar no Metro é coisa de quem nele não passeia há muito. Com a euforia do dia confundiu a abertura de mais uma estação com uma verdadeira rede de transportes públicos, que na realidade não temos.
Fred-a-pe

Noddy, Mário Noddy

O prometido é devido, mesmo que a contragosto, eis-me a cumprir com a palavra dada. Hoje sim, é dia do herói principal destas aventuras. Mais tarde voltaremos às outras personagens. São tantas, tão ricas e diversificadas que a tarefa não se avizinha fácil, mas fica a promessa. Vamos ao que interessa, à ordem do dia.

Reuniu ontem o conselho de estado, em virtude de o cargo de Presidente da República ter sido novamente preenchido após longo hiato de uma década. Estamos portanto na chamada fase do “estado de graça”, consequência do alto patrocínio do factor novidade. Tanta é a ternura nesta nova era dos afectos que os conselheiros foram brindados com um convidado especial. Já se sabe que recebemos bem, que os convivas apreciam o clima e a gastronomia, mas nunca a satisfação do turista foi para nós tão importante.

Abram alas para o Mário! Viva! Chegou e disse, falou e foi-se. Reformar é a ordem. Reformar sem reverter, porque as reformas foram todas óptimas. O crescimento económico bate à porta, em linha com a Europa. Olha que bom! Importante por cá, no país dos brinquedos, são os juros da dívida soberana. Soberana? Confesso que não consigo escrever isto sem me rir. Soberana. Trágico, não é? Como podemos sequer usar a palavra quando é o Noddy que tudo faz? É ele, não os mercados, nem as reformas, que faz baixar os juros, logo, é ele, o Noddy quem manda. Gostamos? Não, mesmo nada, mas também de nada nos serve fingir.

Draghi-Noody

Sandokan Costa

Finda a sua carreira na marinha mercante, o escritor Emilio Salgari criou várias personagens inspiradas nas suas viagens pela costa asiática. Um destes heróis navais, foi o famosíssimo Sandokan, o pirata do século XIX. Na realidade o “Tigre da Malásia” nasceu em Verona. Foi um verdadeiro precursor do género Western Spaghetti. Entre nós, celebrizou-se na década de 70 do século passado, quando a televisão estatal passou a produção da sua congénere transalpina. A geração à qual pertenço recordar-se-á facilmente da musica desta série, mais provavelmente da versão em português, infantil e algo brejeira, de rima fácil em torno de roupa interior de senhora…

O saudosismo é um dos negócios dos nossos dias. Hoje, qualquer sucesso do passado tem direito a um novo começo. Seja detergente, filme, série televisiva ou modelo automóvel. Basta a embalagem ser parecida. Resulta! Há quem compre!

Assistimos há já alguns meses às novas aventuras do pirata António Sandokan Costa. Comanda o navio sem nome, a que alguns chamaram “Gerigonça”. Negoceia, manobra no fio da navalha entre a bonança e a tempestade. A primeira lição da navegação à vela é sobre uma singela palavra, a paciência. Até aqui tudo bem, ou pelo menos, menos mal, mas eis senão quando começam as garantias. Sensação déjà vu! São este tipo de certezas que têm precedido as inevitabilidades, os novos bancos e as soluções in extremis que prejudicam apenas e sempre os mesmos, nós, os contribuintes. Sabemos que a declaração de indubitável solidez do sistema antecede a sua falha, geralmente catastrófica.

Sandokan-Costa