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Os truques do Downsizing
Aumento da taxação de impostos, retenção de subsídios durante dois anos no estado, empresas públicas e similares, aumento das taxas moderadoras sobre serviços de saúde, encerramento de unidades de saúde pouco rentáveis, diminuição de participação em medicamentos, fim das SCUTS, diminuição de montante e/ou prazo de pagamento de reformas e outros tipos de subsidiação (entre outros o do desemprego), privatizações de empresas estatais monopolistas que fornecem serviços básicos à população, etc. Tudo isto para quê?
Em 2012 aumentam os preços de uma enorme gama de produtos alimentares, com IVA revisto, fala-se de aumentos de pelo menos 4% em gás, electricidade e água e os produtos petrolíferos encontram-se em nova espiral de subida de preços. Somando a isto o aumento do custo com portagens e o aumento das despesas de saúde para quem delas necessite, como quantificar a perda real do poder de compra tendo em conta todas estas variáveis? Para muitos Portugueses o orçamento familiar vai ser alvo de revisão forçada e será preciso escolher se se vai destapar os pés ou a cabeça.
Numa altura caracterizada por desemprego de longa duração a diminuição do período de apoio só irá aumentar o número de desempregados sem subsídio. Com a diminuição de serviços médicos e o aumento das listas de espera, que curiosamente estavam em contracção, quantas pessoas correm risco de vida ou prolongamento de vida sofrível porque os tempos não estão de feição? Quantos pensionistas deixarão de fazer medicação adequada com a reformulação em baixa da reforma e da comparticipação em medicamentos?
E o impacto das SCUTs terá sido bem avaliado? Foi estudada a dinâmica social e profissional dos seus utentes? A maioria não poderá suportar estes custos e voltará às velhinhas nacionais aumentando tempo de deslocação, acidentes e transferindo a despesa de manutenção de estradas para a já tão esburacada Estradas de Portugal. E os concessionários das SCUTs com menos tráfego e necessidades de manutenção terão o seu quinhão garantido com as compensações acordadas com o Estado para o caso do volume de utentes não ser o esperado. É como se pagássemos duas vezes sem ter o benefício da melhor solução de deslocação. Será que esta correlação será feita em análises futuras?
Diria que para um governo frio e calculista apenas o grupo dos desempregados poderá ser problemático. Porque é gente activa que fica sem ocupação, capaz de se indignar e ir para as ruas estrilhar. Os outros, pensionistas e utentes regulares do serviço nacional de saúde, a médio prazo têm grande probabilidade de deixar de fazer número. Afinal com menos 42 mil cirurgias entre Setembro e Novembro de 2011 vs Setembro e Novembro de 2012, diminuição de 20% da actividade cirurgica num ano e o bastonário da Ordem dos Médicos a alertar que se está a acumular mensalmente atrasos de semana e meia nas listas de espera, não devem haver muitos pacientes em espera capazes de sobreviver a tal austeridade. Pelo lado social e familiar é mau mas para os números do OE é coisa para ajudar bastante.
Quando uma pessoa está há demasiado tempo sem ter oportunidade de produzir começa a ficar irrequieta e capaz de se mobilizar, sobretudo porque não tem nada a perder para além de um certo anonimato. Talvez por isso o governo tenha emitido fortes sinais de que para os próximos tempos o melhor é mesmo emigrar, procurar soluções no exterior. Com um certo paternalismo, é certo, mas com o sincero desejo de que desta forma consigam diminuir despesas com estes ‘fardos’ e ao mesmo tempo manter uma certa aparência de satisfação e paz social.
Os empregados esses têm que se manter com juízo, comer o pão que o diabo amassa, tal é a pressão causada pelos largos milhares disponíveis para ocupar o seu lugar, ainda por cima a melhor preço, e a falta de outras opções. Dois anos sem subsídio são suficientes para criar esquecimento de que alguma vez existiram e gerar conformidade com as necessidades dos novos tempos. E as horas de produtividade exigidas a mais hão-de vir de algum lado nem que seja das horas dedicadas à esfera familiar, social e pessoal. Talvez a mitológica, famosa e atribulada vida vestibular existente em ambientes hospitalares se comece a extender a outras áreas de actividade.
Os trabalhadores Portugueses assemelham-se neste momento a Lemmings enfileirados a caminho da falésia com a secreta esperança que após o sacrifício do pelotão da frente se chegue à conclusão que o equilibrio no ecossistema está restabelecido e afinal o seu sacrifício pode ser evitado. RIP e obrigado aos menos afortunados.
Mas o pior ainda há-de estar para vir. O SOS China é uma bóia de salvação para o curto prazo mas sendo-lhes concedido suficiente poder de decisão, a médio prazo existe o real perigo substituição de fornecedores e da invasão de uma mão-de-obra barata não tão qualificada, não tão sindicalizada nem ciente dos seus direitos, mas que cumpre prazos e dá brilho aos orçamentos de obras.
Para o estado tudo vai bem. Menos despesas diretas com as SCUT, menos despesa com subsidição de desemprego (com menos inscritos nos centros de emprego), menos despesa com saúde (com transferência de muitos utentes em fila de espera para as estatísticas de óbitos), menos despesa com pensionistas, menos empresas públicas (inclusive as mais rentáveis e base de serviços essenciais à população) , na globalidade um gigantesco downsizing de sucesso para o livro de contas de 2012 e 2013.
Para os Portugueses em geral não se sabe bem. Vão encaixando downsizing atrás de downsizing aparentemente sem sentir grande necessidade para um achocalhante uprising capaz de retribuir um pouco da austeridade.
PS – Resisti ao ímpeto de aplicar downsizing ao tamanho deste post porque considerei que todos os parágrafos produzidos tinham direito à publicação independentemente de terem maior ou menor ROI em termos de leitura.
欢迎葡萄牙 – Investir na Educação para salvar o Turismo
A Europa está a bater no fundo e nem o turismo parece ser bóia de salvação em tempo de pregação da poupança. Esta dependência total da Europa é muito bonita quando o iceberg não se avista. Mas agora que encalhamos, e o sacana parece capaz de resistir até ao problema do aquecimento global, está na hora de pensar além fronteiras.
Olhando para os dados mais recentes relativos ao turismo, retirados do INE, vemos que a grande massa turística é proveniente de Espanha, Reino Unido, França e Alemanha. Juntos representam mais de 60% das entradas e receitas do turismo.
Ora os dois primeiros já estão sob regime de austeridade, o terceiro anda um bocado aos papéis a ver se percebe se está abaixo ou acima da linha de água, e o último por uma questão de pudor e rigor não poderá tão cedo vir aproveitar-se da pobreza e austeridade que nos aconselha a impôr para os próximos tempos.
Posto isto quem tem vontade e dinheiro para nos visitar, desfrutar dos nossos recursos, sentir o nosso life style, largando uma nota simpática que permita fazer do turismo uma âncora de emprego e dividendos? Essa é a questão que pode ser a nossa salvação. Afinal Portugal representa apenas 1,5% a 2% da Quota de Turismo Mundial. É ainda daquelas raras quotas em que estamos autorizados a investir para crescer não sendo subsidiados se nada fizermos para isso!
Mais alguns números interessantes para a tomada de decisão:
- 180 Milhões de falantes de Alemão;
- 220 Milhões de falantes de Francês;
- 250 Milhões de falantes de Português;
- 500 Milhões de falantes de Espanhol;
- 1 000 Milhões de falantes de Mandarim;
- 500 Milhões a 1 900 Milhões de falantes de Inglês;
Portugueses somos nós, Espanhol portunhol desenrasca e nasce connosco e o Inglês é uma necessidade obrigatória já colmatada no nosso sistema de ensino. Boa, já temos uma resposta aceitável para um mercado potencial de uns milhares de milhões sem grande esforço. Valerá a pena investir no ensino de Francês e Alemão sendo que particularmente estes últimos dominam também o Inglês?
A Ásia, em particular a China, é uma potência emergente com mercado crescente e sedento de visitar a Europa. Há países mais apetecíveis que o nosso para visitar? Sim, claro. Mas recentemente visitei a Ásia e sentimo-nos completamente desorientados em zonas onde só se fala e escreve Mandarim. É difícil perceber e fazermo-nos perceber sendo até por vezes impeditivo ou limitativo da nossa mobilidade e sustentabilidade. Isto é o que sentem também os turistas desses países quando visitam a Europa sem dominar o Inglês. É por isso que viajam em grupos, com guias de carne e osso e rotas bem definidas. Não desfrutam de uma visita em verdadeira liberdade.
É aqui que podemos fazer a diferença, em 10 a 20 anos, se começarmos já a assumir o pelotão da frente. Tornemos o Mandarim uma língua de ensino obrigatório, pelo menos para estudantes na área de actividades turísticas, e traduzamos as placas públicas das principais zonas turísticas para terem orientações em Português, Inglês e Mandarim. Tornemos as nossas ruas navegáveis por orientais sem necessidade de constante acompanhamento. Vamos brindá-los com algumas conversas de ocasião na sua língua. Tornemo-nos nos perfeitos anfitriões para falantes de Mandarim e em pouco tempo seremos inundados por eles e salvos pelos seus Yuan. Por cada sorriso registado na câmara e postado numa rede social asiática com um “Uau! Eles aqui compreendem-nos! E são tão giros!” temos milhares de novos clientes a fazer booking no próximo minuto. Dica Bónus: aproveitar as próximas décadas de regime transitório de Macau para a China, onde ainda temos uma presença marcante, para divulgar e semear a nossa recém-adquirida capacidade linguística e dizer-lhes que temos muito mais do que casinos por muito menos.
Além de que eles já são donos de parte de nós e um dia poderemos ter de saber dizer “Yes, boss!” em Mandarim. Eu já ficaria contente se num futuro risonho uma minha netinha entrasse numa qualquer loja chinesa e dissesse “Mãos no ar! Isto é um assalto!” sem correr o risco de não se fazer entender. Sempre se poupava um tiro. Sim, um futuro risonho porque é bom sinal sonhar que ainda se podem sustentar mais duas gerações.
Alforriar, para conseguir Aforrar
A convivência com o papel-moeda é salutar e quanto mais cedo se incutir essa parceria nos mais novos melhor. Lembrem-se das horas passadas a jogar o célebre jogo do Monopólio com notas coloridas que se trocavam por casas e hotéis, tudo mudou e hoje esse mesmo jogo vem com uma máquina de ler cartões de crédito, retirando-nos a sensação de riqueza, já não guardamos debaixo das propriedades o maço do dinheiro, tornando-se muito inferior a sensação de perda.
Estando infinitamente provado que os hábitos dos adultos são o fruto da sua vivência enquanto crianças, no âmbito financeiro não é diferente. Urge por isso ensinar a poupar, tornando essa demonstração aliciante para os mais novos, o mealheiro deverá ser transparente e não como o porquinho que nós tivemos, para que se tenha a real motivação para o crescimento das economias.
Somos hoje netos de gentes de mãos calejadas, porventura sem tradição literária, os chamados incultos, mas com a escola da vida onde as aulas lhes foram administradas pela geada do campo e pelo calor das searas, mesmo assim, conseguiram aprender entre muitas outras coisas uma palavra que entretanto entrou em desuso, “aforrar”.
Quando eles nos diziam que tinham de fazer uma casinha para a reforma, quereriam porventura exprimir muito mais, mas fruto da inseparável irreverência juvenil teremos desvalorizado o assunto, mesmo quando nos ensinavam provérbios como “Pai rico, filho nobre, neto pobre”, proferido de um jeito que só eles sabem, não demos a devida atenção.
Somos hoje esses netos, e anos a fio essa palavra não entrou no nosso vocabulário, nem na escola, onde devem ensinar além da leitura e da matemática muitas outras coisas, nem fora dela. Os ciclos da história repetem-se e teremos forçosamente de iniciar mais um. Os jovens são sabedores já hoje do que lhes vai acontecer amanhã, por isso temos que dar início a essa tarefa, quanto mais cedo melhor.
Um Estado Social pensado num período específico e com dados ao tempo, com uma conjugação infindável de variáveis e projecções futuras baseadas em elementos que não se vieram a concretizar, um consumismo desmedido que nos foi incutido por um marketing violento, tiveram como resultado uma perca gradual e silenciosa de valores, monetários e consequentemente sociais. Alforriar os hábitos de consumo enraizados será uma tarefa difícil, mas iremos demonstrar que “grão a grão, enche a galinha o papo”.
Ainda recentemente divulgado que foi um estudo do ISCTE, demonstrou que os Portugueses estão insatisfeitos com os seus níveis de poupança, pois bem, o Banco de Portugal poderia lançar uma campanha Nacional sobre a poupança direccionada aos mais jovens, mandando o Alex e a Ana às escolas oferecer um livro educativo com o título:
Esmola aos Ricos
A Europa pediu esmola às economias emergentes. Estas, claro está, mandaram-na passear. Surpreendida, a matriarca de pronto vaticinou uma recuperação com a duração de uma década. Sem negócio da China, nem ouro do Brasil, o súper-marco está em apuros. Tal como muitos europeus, os germânicos não perceberam a quem confiaram o seu rumo. Terão pensado que o pedido foi feito em nome do mal comportado Sul. Como estão enganados. Não compreendem a situação da poderosa Alemanha. A desgraça a Sul tem ocupado o espaço mediático, e a sua ancestral soberba moral tem feito o resto. Os indisciplinados merecem ser punidos, pensam.
Um povo que valoriza o trabalho, o rigor e a disciplina não pode pensar de outra forma. Porém, a competitividade dos produtos alemães não resulta apenas da qualidade do trabalho. O risco está presente, e em grandes proporções. De um ponto de vista financeiro, o investimento no desenvolvimento de novos produtos é muito arriscado. O principal mérito da Industria alemã é a sua capacidade de inovar. O anterior deve tornar-se obsoleto face ao novo. É este conteúdo inovador que gera o desejo de compra. Quando um novo produto substitui outro em fim de ciclo de vida, o tempo para amortização do investimento no seu desenvolvimento será menor. Atendendo a que o seu custo de desenvolvimento foi significativamente maior, o risco financeiro cresceu de forma exponencial.
Quando comparado com o produto que substitui, cada novo produto terá que vender mais e em menos tempo, para permitir a recuperação do montante investido no seu desenvolvimento, com o necessário lucro. Parte significativa deste lucro será reinvestido em novos produtos, por sua vez mais caros de desenvolver, e os quais estarão à venda durante um período de tempo ainda mais curto. O ciclo repete-se indefinidamente. Este sucesso sobre o tabuleiro da competitividade é mérito da gestão alemã, a qual tem sem dúvida o engenho necessário para conjugar capitais, recursos humanos e meios de produção.
Contudo, a prosperidade da indústria alemã não se deve apenas ao conteúdo inovador dos seus produtos, mas também à exportação de capitais, com os quais o mundo lhes compra os óptimos produtos que fabricam, com juros. Tal coloca-os numa condição de risco inversamente proposicional ao prazo. Mínimo a curto prazo, máximo a médio longo prazo. Ao contrário do que nos é dito, a vaga de austeridade não visa o longo, mas sim o curto prazo. Manter o status quo é o único objectivo. Simplesmente impossível.
O virtuoso povo alemão parece alianado destes factos. Talvez por isso não pretenda desvalorizar a moeda unica, nem tão pouco por em causa o 123º artigo do tratado “porreiro pá” de Lisboa. Há que os ilucidar, de os alertar. Opto por um formato informal, a chamada abordagem por “tu”:
Se te dever uns quantos euros e não tiver dinheiro para te pagar, preocupado, não durmo. Se a divida for de uns milhares de euros, preocupados, nenhum de nós dorme. Mas quando a divida são muitos milhões de euros, quem não dorme és tu!
Um palerma disfarçado de Astérix
Disfarçado de Astérix, o palerma dos tacões altos anunciou com satisfação que o G20 decidiu acabar com os paraísos fiscais.
Diz-nos que serão todos banidos da comunidade internacional, caso não acabem com a pouca vergonha. Até mesmo o ordeiro e disciplinado Liechtenstein está sob pressão para uma rápida conformidade com as novas normas, o mesmo acontecendo com o membro neutral das nações unidas, a Suíça.
Suspeito que com estas boas notícias, prepara a terra da Liberdade, Igualdade e Fraternidade para algum ajuste, daqueles que nós já começamos a perceber como são feitos.
Já os Gauleses não suspeitam, logo não se preparam. Em breve os gauleses compreenderão que vivem num Inferno fiscal, pelo que o fim dos paraísos não lhes trará qualquer benefício.
Enquanto esse momento de clarividência não chega, o falso Astérix avança uma nova ideia, o chamado Núcleo Duro, ou seja construir um muro, uma barreira que divida o Euro de primeira do Euro de segunda. Brilhante chico-espertismo. Nada como declarar a Gália rica, antes que os Romanos a provem pobre.
Trabalhar mais por menos ou Trabalhar melhor por menos?
Diz que a crise para ser resolvida precisa de mais liquidez, de mais consumo e mais produtividade. Os nossos governantes desdobram-se em overtime e diretas, trabalhando dezenas de horas por dia, para encontrar as medidas austeras tão necessárias para a nossa salvação.
E no meio de todas essas noites mal dormidas chegaram à brilhante conclusão de que para aumentar a produtividade é essencial evoluir das 35 horas semanais para as 40 horas semanais. 35 horas semanais são apenas 7 horas por dia. Para quem se gaba frequentemente de trabalhar 10, 12, 14 ou mais horas por dia, em prol do bem comum este é até um número ofensivo. Vai daí surgiu a ideia luminosa de somar apenas +1 horinha por dia ao sacrificio de cada um.
Vá, vá, só mais uma e os ganhos são enormes. A produtividade vai crescer tal como se pretende e depois há de se resolver o problema do consumo.
Afinal que outras formas existem de mostrar serviço depois de brincar com a taxação até ao limite do aceitável? Apesar de totalmente solidário com todas as medidas apresentadas que seguramente nos vão fazer seguir em frente, seja nesta legislatura, seja numa próxima que anule muito do que está a ser feito nesta, não pude deixar de reflectir em soluções alternativas.
Como tenho tempo para isso? Simples. Uso aquela fatia de tempo que nem é considerado horário de vida profissional, nem horário de vida pessoal. Aquelas duas horinhas que levo a chegar de casa ao trabalho e vice-versa. Que transformam as 7 horas de trabalho em 9 e as futuras 8 em 10. São as chamadas horas do limbo que só servem para queimar tempo de trabalho e tempo de vida pessoal. Horas inimputáveis, onde tudo o que acontece não tem registo passível de consulta futura, que os elementos do círculo social consideram pertencentes ao horário do foro laboral e os elementos do círculo profissional consideram pertencer ao horário do foro pessoal.
Senhores do governo ide buscar as calculadoras, ou os abácos, com que mais gostais de trabalhar na matemática orgásmica que leva à flutuação cósmica dos nossos indíces económicos. Singrai comigo por estes números:
- 12% Taxa de Desemprego = Mais de 600 000 Desempregados
- 99,7% das Empresas são PME = Mais de 300 000 com média de 8 colaboradores cada.
As empresas querem mais produtividade mas não querem mais custos. Logo a ideia do aumento de ‘apenas’ mais uma hora por dia sem reflexo na folha salarial é algo que encaixa na perfeição do ponto de vista de uma gestão focada em números. Para o trabalhador em si o aumento dessa hora de trabalho não lhe traz qualquer benefício directo vindo até complicar a sua vida pessoal pois terá de reajustar horários para coisas mundanas como largar e apanhar miudos na escola, apanhar transportes, fazer as compras de mercearia, preparar jantar, etc. Fait-divers é certo, sem impacto no plano económico e mapas a entregar à Troika e Bruxelas.
Há quem diga que esta é uma medida cega que não tem em conta os níveis de felicidade e motivação das pessoas e que não terá os resultados esperados. Falam de um tal de índice de felicidade, um conceito terceiro mundista criado por gente parva que acredita na realização pessoal e espiritualidade para atingir a felicidade. Mas quem é que pode acreditar que a curva de produção de um individuo desce a partir de determinado número de horas de laboração e que a prazo esse ser humano está condenado à infelicidade pessoal e social devido aos laços que é obrigado a cortar para manter esse ritmo intenso de trabalho?
Se isso fosse verdade, e estivesse provado por estudos laborais científicos pioneiros e estrategicamente ignorados, então o caminho a tomar seria completamente o inverso. Seria o de aumentar a produtividade e o emprego através da redução do horário de trabalho. Em vez de 35 horas semanais de trabalho teríamos apenas 30 horas que poderiam ser executadas em 5 dias de 6 horas ou 4 dias de 7 horas e meia. Num assolo de justiça social e profissional essa redução seria acompanhada por uma redução salarial do equivalente a 20 horas de trabalho, sensivelmente a remuneração de 3 dias úteis de trabalho, que seja.
Com isto conseguir-se-ia contribuir para a manutenção da sanidade mental, vigor e motivação dos trabalhadores portugueses, mesmo debaixo do fogo da taxação extra-ordinária, e permitir aos empresários, com devidas medidas de apoio, a contratação de mais um colaborador por cada 6 para compensar as horas de produtividade direta ‘perdidas’. Assim de rajada esta loucura utópica permitiria:
- A criação de dezenas a centenas de milhares de postos de trabalhos sem aumento dos custos directos para os empregadores (300 000 PMEs * 8 Colaboradores / 6 = número máximo de empregos gerados para absorver diminuição de horas);
- Aumentar os índices de consumo em função da renovada distribuição de rendimentos pela maior população activa;
- A adopção de semana de 4 dias de trabalho (que poderiam ser diferentes 2ª a 5ª para uns e 3ª a 6ª para outros) iria aliviar o número de acidentes na estrada, a emissão de CO2 e necessidades de manutenção das principais estradas que teriam uma carga de utilização menor;
- Redução do Absentismo e Aumento da Produtividade devido ao aumento da motivação e níveis de concentração;
- Aumento do Retorno da Taxação sobre Consumo e de IRS;
- Alívio Segurança Social com diminuição do Desemprego;
- Dar aos Portugueses a oportunidade de experimentar um novo estilo de vida com mais tempo para si e para os seus e ocupar os novos tempos livres para fazer algo do seu gosto pessoal que alivie a carga negativa da crise social e financeira e contribua para melhorar a sua saúde física e mental.
Tenho a perfeita noção de que esta não é uma solução blindada porque para os casos de administradores que acumulam funções em dezenas de empresas a perda desta hora poderia significar o descalabro em várias delas. Não faz sentido que as empresas sejam privadas do meio dia, ou mesmo dia integral, mensal que estes administradores investem na sua boa condução. Pelo que talvez para os administradores de empresas realmente deva ser aprovado o aumento de horas para quiçá conseguirem mesmo gerir centenas de empresas em simultâneo.
Por outro lado é uma incógnita que reacção teriam os Portugueses a esta quebra de horário e de rendimento. Estão tão habituados a ter apenas a quebra de rendimentos sem benesse social ou pessoal que há o risco de serem gerados graves distúrbios sociais senão mesmo a tão temida guerra social preconizada por muitos agentes políticos. Fomos educados ao longo do tempo para apertar o cinto e/ou baixar as calcinhas com mais ou menos choradinho. Isto é um género de troca de calças por calções que nem é carne nem peixe. Não saberiam se é bom ou é mau por isso o melhor seria partir para a violência por via da dúvida.
Estas são ideias progressistas que claramente só podem sair da cabeça de pessoas com tempo a mais para pensar em vez de estarem simplesmente a trabalhar. Espero que os nossos governantes continuem as suas jornadas de dezenas de horas diárias de laboração e não tenham tempo para ler estes disparates pois só assim chegámos até aqui e chegaremos lá longe ao fundo do túnel mais dia menos dia. Quero também relembrá-los que o limite máximo de horário semanal na União Europeia é de 48 horas pelo que se é para aumentar ainda têm bastante folga. Que sejamos primeiro num dos índices de actividade a nível europeu! Seja como os que mais trabalham ou como os que menos trabalham. Pelo menos no papel. Isso encher-nos-ia de um orgulho e felicidade imensa que seria meio caminho para vencer esta crise que nos assola.
Meia Prenda – O Natal Ortodoxo
A imprensa alemã noticiou ontem a antecipação do Natal Ortodoxo.
A medida tem vindo a ser estudada em Paris e Berlim, por governos e bancos. A mais recente cimeira Franco-Alemã terá proporcionado um dos mais acalorados encontros entre líderes.
Alegadamente, o enternecedor momento terá facilitado a tomada de decisão. Ele quis, ela deixou, aconteceu.
Compete agora à banca encontrar forma de se animar do mesmo espírito. Perdoar é a mais nobre das atitudes Cristãs, mas ancestrais diferenças entre Católicos, Protestantes e Ortodoxos impõem limites a um possível perdão de divida. Cinquenta por cento será o objectivo.

As negociações estão já em curso. Ao leme da banca está, inevitavelmente, um imparcial suíço. Presidente do IIF – Institute of International Finance e director executivo do Deutsche Bank,
Josef Ackermann tem sobre os ombros a desvalorização da divida publica Grega. Falha-nos São Nicolau, patrono dos marinheiros e pai-natal Grego. O anúncio do Natal Ortodoxo, está “apenas” dependente das negociações do modelo de recapitalização da banca.
Após severo regime de ajustamento, dieta forçada e muito exercício físico, a população Grega ensaia já os seus tradicionais cânticos Natalícios, as “Kalanda”. Desvalorizado o trabalho, ajustada a economia, recebem agora o prémio do seu esforço, a prenda, o perdão de metade da divida. É justo, metade do rendimento, metade da divida. Tradicionalmente, entre os helenos, a troca de presentes ocorre no primeiro dia de cada ano.
Coincidência, ou talvez não, entre os Lusos não se cantam as “Janeiras”. Debate-se a oportunidade de uma similar prenda. Com o ajustamento no seu início, a perca de rendimento de quem trabalha ainda não foi a necessária. A par com o anúncio do Orçamento para 2012, a sólida promessa de não cortar mais nenhum subsídio. Esta inabalável garantia determina que a nossa prenda não poderá chegar antes do Natal de 2013. Pena, será que 20% não chegava?
A oportunidade – Won’t Snitch Bank
A Banca suíça está debaixo de fogo. A fuga ao fisco é crime grave nos Estados Unidos da América. A administração Obama, ameaçou retirar a licença ao maior banco Suíço, caso este não entregasse informação requerida pelo fisco Norte-Americano. Os princípios Helvéticos colidiram com os seus próprios interesses.
De um lado, mais de um terço da actividade do banco, do outro o sigilo bancário. Resultado, o banco entregou os nomes de cidadãos americanos suspeitos de fuga aos impostos (+de 200). Animada pelo sucesso da chantagem, a administração Obama, fez nova exigência: Os nomes de todos os americanos titulares de contas na suíça (+50.000). Os suíços cederam novamente.
Esta imperdoável falha, da outrora infalível hipocrisia Helvética, constitui a maior e melhor oportunidade para a descapitalizada banca nacional. Ajudemos os honestos cidadãos americanos na sua legítima fuga ao fisco. Aproveitemos a oportunidade para lançar a maior ofensiva da Banca Portuguesa em terras do tio Sam, através de um programa de rápida expansão da rede de balcões e de uma aguerrida campanha publicitária sob uma única marca, o WSB – Won’t Snitch Bank.
Obviamente sediada na zona franca da Madeira, esta joint venture da banca nacional será o motor para a recapitalização do nosso sector financeiro, e consequentemente viabilizar a continuidade do modelo de desenvolvimento suportado no crédito. Republica, Grandes, pequenas e médias empresas, autarquias e até os clubes de futebol voltarão à rotina abruptamente interrompido pela troika. Basta fazer justiça à nova marca, i.e., manter a nossa ancestral tradição de não delatar quem nos ajuda.
Fénix – 1ª Solução Infalível
Apresentamos aqui a nossa primeira ideia para o país. Vamos conciliar o impossível: Cumprir o plano da troika e simultaneamente fazer renascer das cinzas todos os grandes projectos de obras públicas.
Como o vamos fazer? Cancelamos todos os projectos megalómanos como: Novo Aeroporto, Nova Ponte sobre o Tejo, Ligação TGV Lisboa-Madrid, etc.
E depois? Depois pegamos em todos os estudos de retorno de investimento que suportaram as decisões de avançar e somamos as vantagens. Mas como se os vamos cancelar? Aí é que está, não vamos!
Confuso? Na realidade é simples: Não fazemos os investimentos, mas contabilizamos todos os seus benefícios.
No processo, ajudamos os Estaleiros Navais de Viana do Castelo, a Mota-Engil, a Lusoponte, a Brisa, a Refer, a CP, a banca, todas as pequenas e médias empresas sem excepção e até a Transtejo! Garantimos Emprego e desenvolvemos know-how nacional.
Vamos ainda pacificar a guerra norte/sul, pois esta solução é flexível o suficiente para satisfazer todos os bairrismos lusitanos, e até mesmo os complexos de interioridade.
Mas qual é a ideia afinal? Pois a ideia é genialmente simples: Vamos comprar um Porta-Aviões em Leasing. Nem é preciso fazer estudos. É muito mais barato que todas as obras públicas, mas ainda assim permite operacionalizar todas as suas vantagens. Fénix será o seu nome.
Construído em Viana do Castelo, como viagem inaugural fará uma digressão nacional faustosa, mas no mais rigoroso respeito pelo contribuinte. Este ao sentir-se envolvido, mobilizar-se-á ainda mais para novos sacrifícios. Cumpridas todas as etapas da digressão, rumará ao vale do Tejo para entrar ao serviço do País e do Mundo. Aí, assumira funções como Aeroporto da OTA e Aeroporto de Alcochete (Portela+2), nova ponte sobre o Tejo e interface logístico com a linha de TGV que estava previsto morrer na praia. Poderá ainda, em dias de maior afluência, reforçar a oferta da Transtejo. A todos os benefícios óbvios, devemos acrescentar a merecida compensação a todos os que honestamente especularam com os terrenos em torno da OTA. Até as injustiças criadas ao cancelar esta obra serão corrigidas.
Em termos de coesão nacional, e sempre que se verificarem desacatos bairristas, Fénix rumará por mar aos locais dos tumultos com missão de apaziguar as hostes. Se tal não se verificar de imediato, bombardeia-se as ditas para que Fénix possa regressar rapidamente às suas funções. Se algum desacato ocorrer no interior, Fénix rumará a montante de rios e seus afluentes, podendo no processo proporcionar às suas tripulações lindíssimos passeios turísticos.
Fénix é sem qualquer dúvida a solução infalível de que o Reino necessita e merece. O número de soluções inovadoras e valências complementares é tal que não nos atrevemos a tentar enumerar nesta ocasião. Oportunamente o faremos.
Todos os contributos à nossa causa serão bem-vindos, mesmo daqueles que a ela se opõem.


















