Category Archives: Teorias da Conspiração

Difamação pura, dura e absurda, sensacionalista sempre que possível, mas genericamente acéfala e desprovida de respeito por credos, espiritualismos, ambientalismos, etc… Enfim, os “ismos” em geral e a parvoíce em particular.

Anti-Zombies #2: os fantasmas

Fantasmas são todos aqueles que estão muito além do alcance das máquinas de propaganda e engodo do período de campanha eleitoral. Alguns deles foram zombies e continuam a estar-se a lixar para o governo do novo reino onde se encontram, outros foram acérrimos defensores da democracia, conquista ainda da sua época, e são agora almas penadas. Todos estes fantasmas vinculados a uma semi-existência terrena pelo constar do seu nome nos cadernos eleitorais.

Especulo que uma das razões para tal situação possa ter sido o frenesim de destruição do lápis azul ter também levado à extinção inadvertida dos meios correctores, como as únicas borrachas especiais capazes de apagar nomes de defuntos dos cadernos eleitorais.

Temos assim mais de um milhão de eleitores fantasmas que juntos representam no imediato cerca de 10% de abstenção. Fica aqui este alerta aos zombies ainda possuidores de um corpo, de que ao sê-lo poderão ter um sentimento de pertença de grupo, de comportamento de manada rebelde, que na verdade é etéreo apesar de ter implicações nefastas que se manifestam no mundo físico.

É realmente muito estranho que não existam mecanismos ágeis e automáticos para secar as listas eleitorais já que não só pode desvirtuar os números de abstenção como pode dar azo a uma utilização de documentos falsos para exercício de votos indevidos. Sem pensar muito porque não retirar imediatamente o direito de voto a todos aqueles que não se apresentem a votos em duas eleições legislativas? Quem quisesse voltar a ter direito de voto faria novo recenseamento. Quem estivesse morto poderia seguir viagem para o seu último destino.

Não existe risco de prejuízo para ninguém, afinal ser zombie ou fantasma equivale a uma certa não existência apesar de materializada num peculiar tipo de ser.

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Anti-Zombies #1 – Genesis

zombie |zômbì|
(palavra inglesa)
substantivo de dois géneros
mesmo que morto-vivo
Plural: zombies
mor·to·-vi·vo
substantivo masculino
1. [Ocultismo] Cadáver que se crê ter voltado à vida por meios mágicos.
2. Indivíduo com aspecto de moribundo.
3. Indivíduo apático, sem ânimo ou capacidade de reacção.
Plural: mortos-vivos

Bem-vindos a Setembro, bem-vindos à campanha eleitoral, bem-vindos à nossa democracia.
Espero que as férias tenham sido excelentes para todos sem pensar em política nem nas agruras da vida causadas pela governação dos últimos anos.

Eis que é chegado o momento de fazer a diferença. Sim, é verdade, chegou aquela altura em que realmente contamos  e podemos mudar o rumo do país. Ai estão elas! As fresquinhas e apetitosas legislativas de 2015!

Que relação tem esta reentré bloguista, e celebração, com a definição de zombies que a precede? Simples. Desde sensivelmente 2010 que realmente (sobre)viver é um terror para muita gente, aqui e ali se foi verificando muita acefalia, quer da parte de governantes, quer da parte de governados.

É este o princípio básico de um zombie, um ser moribundo, sem cérebro, que necessita do cérebro dos outros para continuar a existir. Assim são todos aqueles que não exercem o seu direito de voto. Os INCONSEQUENTES Zombies Abstencionistas e Zombies Nulos/Brancos. Que na prática delegam nos outros as decisões com impacto directo nas suas vidas.

Este movimento anti-zombies é uma medida preventiva contra os zombies eleitorais que pensam estar a marcar uma posição quando na verdade estão apenas a colocar mais um prego no seu, peço desculpa, no nosso, caixão.

Uma vez que o voto não é obrigatório procurarei também sugerir medidas e apresentar argumentos que possam estimular o cumprimento do nosso dever cívico, sobretudo em alturas como a actual. O primeiro de todos é o facto de existirem bem mais partidos do que aqueles que já exerceram governação ou se encontrama actualmente no parlamento. Ao invés de sucumbir ao estado zombie pode começar por ter a coragem de retirar poder aos grandes e dar espaço aos pequenos.

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Recital de Trombone

Quando tantos se indignam com o elevado custo da medida de coacção decretada, quando outros consideram vergonhosa a aparente dualidade de critérios da nossa justiça, exigindo prisão sine die, quando até os mais moderados clamam a pulseira electrónica como o mínimo de humilhação exigível, eu sinto-me na obrigação de discordar de todos. Compreendo que a justiça é como a mulher de César, não lhe basta ser séria, é preciso dar espectáculo, mas por estranho que possa parecer, é mesmo disso que se trata.

Julgo que a maior parte dos meus concidadãos não compreendeu verdadeiramente o que se está a passar. Bem sei que as eleições já estão marcadas, que o país vai de férias e que a época para a resolução sem sobressaltos de instituições bancárias já começou, mas quanto a mim, tudo isso são meras e felizes coincidências. Daquelas que existem, mas que ao caso não interessam nada.

Não se trata de justiça, mas sim de cultura. É musica! Seja Clássica, Jazz ou Contemporânea, o talento do protagonista deve ser salvaguardado. O repertório é vastíssimo, seja a solo ou com orquestra. Não existe entre nós, outro trombonista com tamanho folgo. Nunca ninguém ouviu notas tão graves ou tão agudas como aquelas que facilmente pode executar. É um virtuoso! Aguardo com elevada expectativa o anúncio da data, hora e local do seu primeiro recital. Caros compatriotas, o homem não está preso, está guardado.

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Por acaso

Por acaso a ideia foi dele, mas a modéstia que o caracteriza impediu de se gabar deste inquestionável mérito, deste momento único na sua carreira internacional.

Sejamos justos, colocar a mão no ar, solicitando a palavra numa cimeira daquelas não é para todos. Requer coragem e determinação. Não é só a questão de saber o que vai dizer, é mesmo o risco de ficar ali especado horas a fio. Quantos de nós arriscariam a humilhação de não chegar a dizer de sua justiça?

É nestes momentos que os grandes homens e as grandes mulheres fazem a diferença. Assim foi durante a negociação do Armistício. O seu a seu dono! Há registos que o confirmam. De uma vez por todas, a ideia foi dele.

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O Armistício

A semana começou com a noticia do armistício. O acordo demonstrou a inconsequência prática da democracia. Não, não me refiro à vontade dos gregos, refiro-me à vontade dos alemães. Os contribuintes alemães não querem enviar nem mais um cêntimo para a Grécia. Irrelevante vontade que será olimpicamente ignorada. Curiosa esta sintonia entre a vontade popular e a acção dos governos de cada país. Os gregos não querem austeridade, mas tê-la-ão. Os Alemães não querem pagar, mas pagarão. Se os primeiros ignoram a insustentabilidade da sua vontade no contexto da moeda que querem manter, os segundos ignoram quão lucrativos são estes empréstimos para o seu Erário Público. Pelo menos enquanto o ciclo não se quebrar. Sendo evidente que cedo ou tarde quebrará, os seus governantes procuram obter garantias, de preferência totalmente sob o seu controlo. Alguns afirmam que tal descaramento visava apenas a recusa da outra parte, a qual afinal aceitou. Perde quem ganha e quem perde nada ganha, nem tempo. Haverá propósito? Não creio.

Se até aqui apenas alguns suspeitavam do défice democrático na União Europeia, hoje todos temos a certeza que tudo é feito à revelia da nossa vontade. Queiramos ou não, o nosso voto é irrelevante no contexto desta União Europeia feita ao centro das conveniências e nas costas das populações. O único órgão europeu cuja eleição é democrática, o Parlamento Europeu, foi apenas palco de propaganda. Nada de decisivo por lá se passou. Apenas o informal Eurogrupo parece existir. Mandam os ministros das finanças e em todos eles manda um, o alemão. A união transformou-se no contrário daquilo que se propunha ser. Não promove a paz, promove o conflito.
Este Armistício não resolve nada, e por isso não vigorará muito tempo.

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o Leão de Nemeia

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Foi no domingo que o Leão de Nemeia saiu da caverna para mostrar as garras. Velha, esfomeada e doente, a mitológica criatura aterrorizou os sacrossantos mercados. Em “financês” diz-se irresponsabilidade, mas entre mortais fala-se em democracia. Na finança, os deuses não são eleitos, por isso estranham o sucedido. O rugir da criatura surpreendeu. Sem dúvida que está moribundo, mas não está nem tão fraco como se desejava no Olimpo, nem tão forte como celebram os mortais. Como sempre, os resultados são mascarados. A celebração da democracia é quanto a mim ensombrada pelo nível de abstenção, 37.5%. Perante uma questão de sim ou não, mais de um terço dos eleitores gregos não se preocuparam em formular opinião, ou pelo menos em expressá-la. Gostei do resultado, sem ambiguidade o afirmo, mas não posso deixar de sublinhar que apenas 38% dos eleitores gregos optaram pelo όχι. Estranha esta época de mitos e propaganda, mas os clássicos serão sempre contemporâneos. Eis o primeiro trabalho de Hércules, sufocar o Leão. Porém, não lhe vestirá a pele durante muito tempo, pois a constelação cairá.

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El Corralito

Por certo que o exemplo do incumprimento Argentino nos será servido em abundância nos próximos tempos. Contar-nos-ão as consequências de um fenómeno que ficou conhecido como “el corralito”, nomeadamente a contestação social, a indignação e a revolta das populações. As causas, essas, ficam na gaveta da sapiência dos comentadores da situação. Não são nem ideológicas, nem técnicas, embora quase tudo possa ser explicado dessa perspectiva, a questão central é a distribuição da riqueza. Sempre foi. Assim, em detrimento das consequências, abordarei as causas.

Recuemos até ao século XVI. Os territórios que hoje designamos por República da Argentina tinham então uma densidade populacional muito baixa. A fundação daquela que ainda hoje é a capital, foi apenas um de muitos equívocos, mas uma vez identificadas as fontes e os meios para a extracção de riqueza, foi refundada. Buenos Aires era o centro do poder económico e político do colonialismo espanhol na América do Sul. Por lá passava a prata de Potosí rumo à Europa. A economia local servia esse negócio: produzia essencialmente alimentos e animais para o trabalho naquelas tristemente famosas minas Bolivianas. As definições territoriais evoluíram. O Vice-Reino do Rio da Prata, as Províncias Unidas do Rio da Prata e a República da Argentina, todos partilharam a mesma capital. Dir-se-ia que a Argentina sempre foi “só” Buenos Aires, e que tudo o resto era Caudilhismo. A riqueza extraída viajava obviamente para a Europa. 

A densidade populacional manteve-se baixa até aos fluxos migratórios do século XIX. Com eles chegaram os ecos da revolução francesa. Os movimentos revolucionários visavam não só a independência da Coroa Espanhola, mas também de Buenos Aires. Nela residia a população de origem europeia, não mestiça, que controlava a produção de produtos alimentares, cuja exportação era o novo negócio. A prata tinha nova rota. As últimas décadas do século XIX foram de tal forma prósperas que Buenos Aires era então conhecida como a “Paris da América”, com as suas amplas avenidas e os seus edifícios de arquitectura Art Nouveau. A cidade era então o expoente máximo da cultura urbana da Belle Epóque. Tudo graças à produção agrícola. O resto do território continuou à mercê dos caudilhos, cada um dos quais mantinha o seu privilégio não atacando o privilégio da capital. Séculos de paz podre. Não obstante a assimétrica distribuição de rendimento, a Argentina era à entrada do século XX, e até às vésperas da primeira grande guerra mundial, um dos países mais ricos do mundo!

O mundo mudou no pós-guerra. De forma indirecta, a Terça-feira Negra precipitou o fim da prosperidade Argentina. O principal cliente e investidor, o Reino Unido, estava em dificuldades financeiras pois estava muito endividado junto do seu desejado aliado, os Estados Unidos da América. A sempre precária estabilidade Argentina foi posta em causa pela assinatura do polémico tratado Roca–Runciman, o qual prejudicou gravemente a balança comercial do país, com a agravante de a Argentina nunca ter desenvolvido um sector financeiro suficientemente forte para substituir o investimento externo. Os investidores locais procuraram sobretudo a renda, manipulando as instituições politicas e económicas por forma a obter riqueza sem a produzir. Uma sociedade até então exclusiva, tornou-se ainda mais assimétrica. O ambiente social que sempre fora tenso, tornou-se explosivo. A Argentina viveu assim um longo período de ditadura militar, por vezes alternada por breves momentos democráticos.

A neutralidade Argentina na primeira grande guerra, foi repetida na segunda. O caos social e económico manteve-se até o final desta. A instabilidade foi terreno fértil para o populismo, o qual apenas ocultou o ciclo vicioso. A economia formal continuou a garantir rendimento a um muito restrito segmento da sociedade. Tudo mudou, para que tudo permanecesse na mesma, igual ao que sempre foi desde os tempos do colonialismo Espanhol. A alternância entre governos democráticos e ditaduras militares manteve-se até final da década de oitenta. Foi no início da década seguinte que o governo argentino tomou uma decisão monetária decisiva, ao estabelecer a paridade do Peso argentino com o Dólar norte-americano. Na sempre especial Buenos Aires, o comércio passou a aceitar dólares e os cidadãos foram até encorajados a abrir contas nessa moeda. Parecia uma boa ideia, pois mesmo que o Peso argentino entrasse em colapso, os aforradores em dólares estariam garantidos. O consequente e instantâneo aumento do poder de compra de toda a população precipitou um significativo aumento do consumo de bens importados, proporcionou crescimento económico, mas agravou o desequilíbrio da balança comercial do país, pois a competitividade das exportações foi seriamente afectada. A paridade durou uma década. A riqueza criada por decreto tornou-se insustentável no final de 2001. Os titulares de contas em dólares foram primeiro restringidos nos montantes a movimentar e posteriormente obrigados a aceitar a taxa de câmbio entretanto estabelecida pela desvalorização do Peso. Na prática, o estado argentino apoderou-se de 75% da riqueza existente em dólares. Quem pagou a crise? Os pequenos aforradores, aqueles que não viveram acima das suas possibilidades. Os grandes “Armadores” de Buenos Aires e os caudilhos ficaram a salvo.

Toda e qualquer semelhança entre esta resenha da história económica da Argentina e a actualidade da Grécia será por isso pura alucinação. Apenas encontro um ponto de intercepção: A má influência grega sobre as boas práticas e procedimentos das companhias aéreas Argentinas. Devo contudo dar nota de um pequeno detalhe: A paridade com o Dólar foi decretada após um período de três anos de recessão, pelo mesmo partido que determinou o “el corralito” e que ainda hoje governa a República da Argentina, o Partido Justicialista (ou Peronista).

Felizmente que Portugal não está à mercê de nada disto, a menos que o dito popular “Portugal é Lisboa e o resto é paisagem” seja mais que um mito. Será? 

el-corralito-2001

Contra factos, não há argumentos.

Construído durante a abundância dos últimos anos do século passado, o Oceanário de Lisboa não foi caro. Nem 5 milhões custou. A extinta Parque Expo, vende-o ao Estado por pouco mais 50 milhões.

Contudo, o Oceanário sai caro aos contribuintes e apenas serve os turistas. Não é justo. Como ninguém o quer, não se vende, concessiona-se. O orçamento de estado para 2015 previa uma receita de 40 milhões. Não existe alternativa, pois dá prejuízo. Se porventura gerasse receita, talvez se pudesse equacionar a sua manutenção na esfera pública, mas como os factos são o que são, como os números não enganam, o governo adjudicou a concessão do Oceanário à sociedade da família Soares dos Santos por 24 milhões, mais uns trocos e uma percentagem do lucro (no caso de um dia existir). Filantropia é isto, é dar sem nada esperar em troca. Aposto que no próximo dia 1 de Maio a entrada terá 50% de desconto. Só vantagens!

Aos críticos desta adjudicação, devo recordar outro caso de sucesso. De entre os múltiplos exemplos possíveis, escolho apenas um: Os Estaleiros Navais de Viana do Castelo. Inviáveis antes da concessão, mas uma vez concessionados foram instantaneamente transformados numa máquina de fazer dinheiro.

Contra factos, não há argumentos.

NovoOceanário

Alegoria da Caserna

Imaginemos fronteiras bem definidas separando o mundo externo e uma caserna. Na caserna existe uma fresta por onde passa um feixe de luz exterior. No interior da caserna permanecem seres humanos, que nasceram fora dela e foram trazidos até ali. Ali perderam independência e reforçaram interdependência.

Na caserna o todos fundiu-se em uno apesar de nas camaratas existirem beliches de 3x ou mais níveis. Ali permanecem dispostos de costas para a entrada, acorrentados com austeridade, sem poder mover-se, forçados a olhar somente a parede do fundo da caverna, onde são projetadas sombras de outros homens que, além fronteiras, mantêm acesa uma fogueira. Pelas paredes da caverna também ecoam os sons que vêm de fora, de modo que os internos, associando-os, com certa razão, às sombras, pensam ser eles as falas das mesmas.

Desse modo, os internos julgam que essas sombras sejam a realidade. Imagine que um dos internos seja libertado e, aos poucos, se vá movendo e avance na direcção da fronteira e a recorte, separando-se do todo, enfrentando com dificuldade os obstáculos que encontre e saia da caserna, descobrindo não apenas que as sombras eram feitas por homens como eles. Descobriu também que as meras “projecções” não definiam a verdadeira forma das coisas que eram agora acompanhados de cores, formas e luz assim como a natureza. Caso ele decida voltar à caverna para revelar aos seus antigos companheiros a situação extremamente enganosa em que se encontram correrá sérios riscos, desde o simples ser ignorado até, caso consigam, ser agarrado e morto por eles, que o tomarão por louco e inventor de mentiras.

Para os internos a morte do aventureiro incauto será mais conveniente e apaziguadora do que, ao longo das suas visitas frequentes, constatar a sua saúde, vitalidade e verdadeira realidade.

A Alegoria da Caverna

PS – esta é uma derivação do texto original disponível em artigo na Wikipedia

O Mito da Escapula

Com celeridade analisaram propostas e com denodo anunciaram a salvação. Está garantida a sobrevivência do maior exportador Nacional? Não sabemos. Tudo quanto nos dizem é não existir alternativa a esta solução. É notório o embaraço quanto aos detalhes da operação. A enorme divida da empresa é a justificação recorrente. Mas quem a geriu? Se geriu mal, porque ficou ao Leme tantos anos? E se geriu bem, como pôde a empresa endividar-se até aos mil milhões de euros? Não houve tutela?

Enquanto nos entretivemos a debater se devia ser pública ou privada, o verdadeiro problema da TAP nunca foi abordado: Quais os interesses que o actual e os anteriores conselhos de administração defenderam? Porque foi readquirida a Groundforce? Porque foi comprada a PGA? O que ganhou a companhia com a compra da Varig Engenharia e Manutenção? Existe alguma contrapartida secreta, como a obtenção de rotas ou foi “simplesmente” um mau negócio? À luz do apregoado “interesse Nacional”, os factos são simples: vendemos uma empresa de manutenção aeronáutica com potencial e competência para crescer – OGMA, e compramos uma empresa de manutenção falida e com potencial para fazer falir quem a deter.

Sobre o preço, nada digo, nada sei. Nem sei se alguém sabe. Vendem porque a enorme divida da empresa impede-a de obter financiamento. É necessário injectar capital, algo que o accionista Estado não quer/não pode fazer. O que sabemos é que o vencedor, entre o dinheiro que injecta na empresa e aquele que entrega ao Estado Português, investirá perto de 400 milhões de euros, mas controla a gestão, ou seja, decidirá sobre o destino de cada um desses milhões. A divida fica na TAP S.G.P.S. Significa que o novo dono da TAP investirá o equivalente a menos de 40% da divida da TAP em troca de mais de 60% da companhia aérea. É esta minha simplória aritmética que me leva a concluir: é dada. Aqui chegamos com ajuda do isco que alguns optaram por morder.

Concretizar-se-á a operação? Não sabemos. Há fortes probabilidades de ser um golpe eleitoral do tipo “não nos deixaram”. Certo é que existem dúvidas quanto à legalidade do caderno de encargos, bem como quanto à legalidade do processo de avaliação económico-financeira da companhia aérea. Aguardemos. Há ainda muito por descobrir. Por enquanto a escapula é apenas mais um mito.

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