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Indiana Joe e os Salteadores da Banca Perdida

Sinopse

Em 2007, o explorador Indiana Joe é acreditado para assegurar controlo da Banca Milenar que, segundo as escrituras, estaria a tornar-se num colosso indomável. Mas como a lenda diz que o exército que a possuir será invencível, Indiana Joe terá como adversário na busca pela banca perdida o exército offshore, com enorme tenacidade e músculo financeiro capaz de conquistar posições estratégicas que se podem revelar decisivas.

Enredo

Um conjunto de estrategas arquitectos do mausoléu financeiro vingente apercebe-se que um dos seus pilares parece querer assumir vida própria, tentando canibalizar um outro pilar e com isso assumir o estatuto de “dono disto tudo”.

Obviamente tal ousadia não poderia passar incólume pelo que imediatamente congeminam um plano para repor a ordem e estabilidade. Identificam e recrutam um reputado explorador, habitué dos labirintos de catacumbas recheadas de armadilhas e riquezas. Garantem-lhe o financiamento necessário para o sucesso de tão exigente cruzada com um pequeno senão. Ao invés do típico soldo faseado, em função dos factores tempo e taxa de progressão, disponibilizam-lhe todo o investimento à cabeça, cabendo-lhe depois a ele uma compensação desse esforço mediante pagamento de prestações mensais durante determinado período.

Indiana Joe, apesar de algo surpreendido pela oferta de bandeja, aceita mais uma grande aventura partindo para uma intensa luta pela dominância da Banca Milenar. Foram árduos anos de conquista de posição que se revelou ruinosa depois de implodidos os alicerces bolsistas.

E assim, o assalto à Banca Milenar teve como efeito colateral a descoberta da Banca de Pandora responsável por tantos males e horrores neste mundo.

Em pânico os outrora apoiantes de Indiana Joe fazem agora memória de mercador, atacando-o implacavelmente, numa tentativa de recuperar coercivamente aquilo que perderam numa arrojada aposta de economia de casino. No entanto o nosso herói não perde a calma revelando o seu calibre ao apresentar trunfos que deixam a todos estupefactos com tamanhas sagacidade e idoneidade.

 

Filho de peixe sabe nadar?

Ou a ineficácia do (des)controlo parental… Dezenas de familiares de governantes encontram-se empregados pelo próprio governo numa teia de nomeações cruzadas. A pergunta que se coloca é: são tão ou mais competentes do que @s restantes candidat@s ao lugar que ocupam?

Caso o sejam, nada a dizer, caso não o sejam então o que estará completamente errado é o sistema de recrutamento/nomeação que deveria proteger o Estado deste tipo de exploração dinástica.

Os laços de sangue em nada são indicadores das capacidades individuais pelo que aquilo que deve ser decisor na sua seleção ou demissão é nada mais do que o comprovativo dos resultados apresentados pelo seu trabalho.

Que poderá dizer disto um país em que metade do seu tecido empresarial é composto por empresas familiares e em que grandes grupos empresariais têm também uma gestão familiar?

Tal como se sucede com médicos, músicos, futebolistas, etc, o filho de um grande político poderá ser um político ainda melhor. Legislar no sentido que lhe seja dificultada a colocação poderá ser injusto e danoso para os interesses do país.

Pelo que o problema não são propriamente as ligações familiares mas sim os nós cegos do processo de selecção/nomeação. Querem legislar? Criem regras bem definidas e tragam transparência a esses processos acabando com o conceito de “cargo de confiança política”. Há posições que são cargos de pura assessoria/gestão/coordenação, que deveriam ser apolíticas no sentido de exclusivamente defender interesses do Estado através do exercício de competência sem preocupações partidárias.

Isso sim, seria garantir oportunidades idênticas para todos, colocando debaixo do escrutínio de avaliação regular de desempenho todos estes distribuidores de jogo político, que na sua maioria não passam de gordura de Estado, defensores prioritários das cores do seu partido e dos seus interesses pessoais.

Culto da Amizade

A TVI revelou que grande parte dos donativos para vítimas de Pedrogão Grande se encontram empilhados em armazéns da câmara sendo desviados para amigos e familiares dos autarcas.

Como a maior parte dos telespectadores senti um certo incêndio interior, num misto de raiva, ódio, para com mais um caso de corrupção assente no aproveitamento da boa-vontade a larga escala.

Respirei fundo, acalmei-me, foquei-me na parte positiva. Os autarcas não estão a reter os donativos, estão a distribui-los por familiares e amigos, o que é de louvar pois poderiam apenas usá-los para benefício próprio! Talvez o problema não esteja no comportamento dos autarcas mas sim em quem se queixa de nada ter recebido. Se nada recebeu é porque não é amig@ do Presidente, ora o sentimento de amizade incondicional pelo próximo é bonito e deveria ser trabalhado para ser atingido. Porque não são as vítimas amigas do Presidente? Que bloqueios terão nas suas vidas, presentes ou passadas, que impedem essa possibilidade? Antes de atirarem pedras deveriam meditar para identificar, reconhecer e trabalhar as suas próprias falhas. Essas pessoas, mais do que de receber apoios, precisam de cultivar amizade genuína pelos outros, incluindo pelo Sr. Presidente que está disponível para todos os que a demonstrem, ao menos num amistoso boletim de voto.

Deveriam ter pensado nisso durante este ano e meio que passou, ao invés de se concentrarem no vosso luto, dor, recuperação e reconstrução sem apoio autárquico. O Sr. Presidente esteve, está e estará sempre à espera de um gesto de boa vontade da vossa parte.

Namaste, vítimas de Pedrogão, Namaste.

El País de Papel

El País de Papel é uma série portuguesa do gênero de filmes de assalto. A série estreou em 2005 tendo sido relativamente incompreendida pelo grande público até final de 2014, altura em que atingiu picos de audiência nunca antes vistos em Portugal sendo ainda hoje uma das mais vistas em prime time.

Um homem misterioso que atende pelo nome de El Pobre Provinciano, planeja o maior assalto do século. A fim de realizar o ambicioso plano ele recruta pessoas com certas habilidades que não têm nada de seu a perder. O objectivo é a infiltração no País da Moeda, de modo a que possam volatilizar  milhares de milhões de euros. Para o fazer precisam de centenas de dias de governação, durante os quais vão ter que lidar com dez milhões de reféns e as forças dos reguladores de elite, com cenas de muita pompa, fanfarra, elegância amnésica em grande latosa e planos brilhantes de El Pobre Provinciano, que depois um processo de transformação na cidade de luz, de onde regressa El Marquês, acaba por ser detido no seu regresso em momento de vulnerável saudade.

É este o ponto em que estamos, o séquito d’ El Marquês, convenientemente mestre de Tortura em Democracia, digladia-se publicamente com os defensores da lei procurando reconquistar a liberdade plena, a opinião pública e a vaidade egocêntrica que define os praticantes do seu ofício.

Não perca os próximos capítulo pois por agora a única certeza é o prejuízo acumulado que desfalca El País de Papel.

Rangel de dentes

Não me choca que um ou dois magistrados se revelem corruptíveis ao ponto de influenciar sentenças judiciais a troco de largas somas de dinheiro.

O que me choca é o facto do sistema não estar minimamente preparado para a prevenção e detecção deste tipo de situações. Falamos de um largo período em que, pretensamente, um par de juizes frequentemente beneficiou infractores em prejuízo do Estado e Ministério Público. Magistrados que, por não serem apanhados em flagrante, não podem sequer ser detidos nem ver o seu raio de acção e influência devidamente delimitados durante a investigação.

Este caso é revelador de um código penal o suficientemente dúbio para permitir que a mera diferença do juiz atribuído ao julgamento possa alterar radicalmente o seu desfecho. Ao mesmo tempo aparenta não existir qualquer controlo de qualidade sobre o desempenho de um juiz de topo em termos da equilibrada aplicação lei, algo que seria realmente impossível caso a ambiguidade antes referida seja uma realidade. Aliás, recordando um caso não muito distante, parece começar cedo esta dificuldade da avaliação do carácter e capacidade de um juiz. Na dúvida, na ausência de mecanismos de avaliação contínua, prevalece a confiança absoluta sem se falar mais nisso para evitar ferir tão prestigiada classe. Encontrar um erro de casting seria sem dúvida algo raríssimo, nem valerá a pena o esforço de confrontar e investigar uma sentença escandalosamente duvidosa.

Seja como for, durante mais de uma década, foi hipoteticamente possível a esta parelha colocar os seus serviços à disposição de potencial clientela como Duarte Lima, Álvaro Sobrinho, José Veiga, Luís Filipe Vieira, José Sócrates, etc.

São frequentes os casos de lobos com pele de cordeiro mas este é um caso muito peculiar. Neste caso temos lobos com pele de pastor, responsáveis pelo zelo do rebanho nacional. Uma situação muito mais difícil de detectar pois estes lobos reagem naturalmente de igual forma aquilo que fazem os pastores genuínos sempre que colocados em causa os seus privilégios e discernimentos. Com um soberbo e magistral rosnar e ranger de dentes.

Incapacidade patológica e elitista

Após vários anos de constatação empírica é neste momento evidente que ambos o exercício governamental e a gestão de topo são actividades com grande potencial degenerativo daqueles que os exercem a longo prazo.

Basta assistir atentamente a sessões parlamentares, comissões de inquérito ou grandes entrevistas com perguntas incómodas, para rapidamente perceber os sintomas.  Poses estudadas para emanar uma franca certeza, olhos a revirar,  respostas lacónicas para perguntas complexas, certezas absolutas rapidamente contraditas pela análise dos factos, e em situações limite um simples “não tenho memória”.

Não falamos de casos esporádicos mas sim de dezenas de casos, todos eles de pessoas que exerceram posições de poder com enorme impacto sobre a economia portuguesa, subsequentemente sobre a vida dos portugueses.

Vivendo em bolhas de protecção privilegiada estas pessoas atingiram um tal estado de alienação, da vida dos demais comuns, que perdem a capacidade de perceber, não só a degeneração das suas próprias faculdades cognitivas e empáticas, como deixam de ter noção do impacto que as suas decisões têm sobre a vida de milhares ou mesmo milhões.

Claramente estamos perante uma patologia incapacitante que atinge um segmento muito concreto da nossa sociedade. Como tal não lhes tenho qualquer ódio, pelo contrário, sinto uma certa mágoa ao vê-los desorientados quando reduzidos à sua simples humanidade, quando confrontados com a magnitude dos danos causados pela imposição da sua fantasia egocêntrica e narcisista. Acusam mesmo um certo espanto, incrédulos da sua culpa, ao constatar que afinal não eram apenas balanços digitais, números em linhas de folhas de Excel, era a vida de uma população, o futuro de um país.

Para impedir que esta epidemia se propague só vejo um caminho, pouco ortodoxo mas seguramente eficaz, a extensão e adaptação das chamadas reformas douradas. Assim que um primeiro-ministro, ministro ou administrador, demonstrasse sinais de falha de memória, de não estar a par do que se passa ou passou debaixo da sua alçada, seria imediatamente reformado coercivamente, com uma dourada e preventiva pensão de invalidez que o extirpasse da vida activa. Por uma questão de saúde pública da nossa economia estancava-se a aplicação da tradicional solução da dança de cadeiras, evitando-se assim a contaminação de todo o ecossistema político e empresarial.

A nível orçamental acarretaria  o aumento de custo de uns milhões de euros. Uma bagatela se considerarmos os milhares de milhões que se esfumaram nos últimos anos por mantermos indeterminadamente em funções indivíduos claramente incapazes para o exercício do poder.