Category Archives: Ideias para o País
Por mais absurda a ideia acreditamos nela e no País!
Noddy, Mário Noddy
O prometido é devido, mesmo que a contragosto, eis-me a cumprir com a palavra dada. Hoje sim, é dia do herói principal destas aventuras. Mais tarde voltaremos às outras personagens. São tantas, tão ricas e diversificadas que a tarefa não se avizinha fácil, mas fica a promessa. Vamos ao que interessa, à ordem do dia.
Reuniu ontem o conselho de estado, em virtude de o cargo de Presidente da República ter sido novamente preenchido após longo hiato de uma década. Estamos portanto na chamada fase do “estado de graça”, consequência do alto patrocínio do factor novidade. Tanta é a ternura nesta nova era dos afectos que os conselheiros foram brindados com um convidado especial. Já se sabe que recebemos bem, que os convivas apreciam o clima e a gastronomia, mas nunca a satisfação do turista foi para nós tão importante.
Abram alas para o Mário! Viva! Chegou e disse, falou e foi-se. Reformar é a ordem. Reformar sem reverter, porque as reformas foram todas óptimas. O crescimento económico bate à porta, em linha com a Europa. Olha que bom! Importante por cá, no país dos brinquedos, são os juros da dívida soberana. Soberana? Confesso que não consigo escrever isto sem me rir. Soberana. Trágico, não é? Como podemos sequer usar a palavra quando é o Noddy que tudo faz? É ele, não os mercados, nem as reformas, que faz baixar os juros, logo, é ele, o Noddy quem manda. Gostamos? Não, mesmo nada, mas também de nada nos serve fingir.
Vias alegadamente alternativas
A sina de Portugal teima em não se inverter. Alguém continua a meter água transformando solidez em areias movediças que abrem buracos colossais. Desta vez, ao invés do éter económico-financeiro, aconteceu no plano físico. Numa auto-estrada A14, uma anterior SCUT, que passou a ser portajada em 2010.
Há quem faça a polémica em torno da imputação da responsabilidade, se da construção, se da manutenção sendo certo que o problema potencial estava identificado antes do Inverno e que só por azar, por um capricho da natureza, isto aconteceu agora na Primavera quando já se celebrava a sorte de ter passado mais um Inverno sem nada de grave acontecer. Deixemos a investigação para as autoridades competentes que certamente irão encontrar e punir os culpados, obtendo da entidade gestora a compensação pelos prejuízos causados pelo longo período de encerramento da auto-estrada.
O que me deixa curioso é o facto de por azar a única, e reforço única, alternativa estar também em obras gerando-se o caos naquela zona que aparentemente vai ser resolvido pelo apoio do Exército. Na prática uma demonstração de estradas e localidades não preparadas para tamanha intensidade de tráfego, de sinalização mínima que não orienta de todo quem não tenha conhecimento local daquelas paragens. O quebrar da A14 forçou um retorno ao passado, em termos de opções rodoviárias, que choca com o presente em termos de volume de tráfego, prontidão das infra-estruturas e sinalética rodoviária (que por norma dá grande prioridade ao empurrar dos condutores das ENs para as AEs). Temos assim um presente muito pouco preparado para oferecer aquilo que foi vendido aos Portugueses quando as SCUTs passaram a ser portajadas, alternativas viáveis à rede de auto-estradas concessionadas. O usufruto de uma AE seria em teoria uma opção pessoal e não uma quase obrigação por falta de condições nas estradas alternativas.
O que aconteceria em termos de impactos económicos e sociais se, em demonstração das reais condições e capacidade das vias alternativas, fosse realizado um boicote prolongado às AEs? Para as concessionárias o efeito seria mínimo pois os contratos permitem-lhes ser compensadas pela ausência de tráfego, para o Estado ocorreria um aumento de despesa para pagamento de compensações devidas, para as autarquias seria um caos diário e o aumento de despesas de manutenção, para as empresas um aumento das taxas de absentismo, já para não falar no emperrar do transporte logístico de mercadorias que usa preferencialmente as ENs. Qual julgam que seria o efeito? Uma obrigatoriedade de uso pago das AEs? Ou renegociação de muitas PPPs ou pelo menos a anulação de várias portagens sendo o custo assumido pelo estado? Claro que para acontecer algo desta dimensão teríamos de ter Portugueses diferentes, disponíveis para abdicar do comodismo e inclusive sofrer algumas baixas para demonstrar a falácia da opção de escolha em várias zonas do país.
Para chegarmos a este cenário a fórmula foi simples e repete-se sucessivamente, primeiro um longo período gratuito onde se incutem hábitos nos condutores, depois, quando já existe total alheamento e desinvestimento nas vias alternativas, transfere-se a factura directamente para eles. Primeiro estrebucham, em protesto podem tentar mudar de rotas e rotinas, para depois se resignarem e progressivamente voltarem aos velhos hábitos, agora pagando para poupar ao estado despesas com PPPs supostamente vantajosas a longo prazo para os cofres públicos.
E é assim que com o correr das águas e o abrir de buracos vamos podendo espreitar para os alicerces das nossas estradas tendo melhor noção do verdadeiro leque de opções à nossa disposição.
Europageddon – O Efeito Borboleta
Aparentemente o efeito borboleta da crise económica e social continua a propagar-se pela Europa. O tempo passa a correr, já lá vão 5 duros anos de retrocesso económico e social sem fim à vista. De momento, por cá, existe uma sensação de mudança de ciclo com novo governo, nova distribuição de forças parlamentares e novo presidente da república. O foco continua a ser a resolução da situação nacional com grande preocupação em agradar ao portugueses e aos nossos credores com uma complexa teia de devoluções de rendimento e reajustamentos de impostos existentes.
Entretanto o mundo continua a girar. Cada vez mais analistas alertam para um 2016 potencialmente catastrófico ao invés de um ano de recuperação económica, o Reino Unido arrisca abanar a União Europeia, nos USA Trump afirma-se como um sério candidato à vitória, Rússia e China demonstram querer assumir um papel de peso na política internacional pondo em causa vários aspectos da até agora dominante visão ocidental do que é melhor para o mundo, mundo este que entretanto entrou em nova corrida de rearmamento silencioso.
Tanta da recente conversa política nacional tem sido sobre o tema de nos mantermos ou sermos empurrados para fora Europa assumindo-se que a Europa foi, é e será sempre a nossa bóia de salvação. E se a maré se inverter ou a bóia furar? Saberemos manter-nos à tona de água, capazes de chegar a terra firme?
O ano passado o caso da Grécia demonstrou que não estava prevista uma saída controlada, seja coerciva, seja voluntária, de um estado membro. Pelo que seguramente não estará também previsto o que sucede em caso de implosão ou desmantelamento da União Europeia.
Parece-me assim urgente que sejam os próprios organismos da União Europeia a criar dossiers públicos para projecção e antevisão do impacto da saída de cada estado membro, com levantamento das implicações económicas, políticas e sociais para esse estado membro, para a Europa como um todo e para cada um dos outros estados membros. E um dossier “Armageddon” com o pior cenário possível, o fim da União Europeia, o que isso significa globalmente e para cada estado membro, criando-se um termómetro de exposição a essa eventualidade que permita a cada estado membro ajustar as suas políticas para evitar cair numa total Euro-dependência que lhe seria fatal neste cenário.
É chegada a altura de abrirmos bem os olhos, olharmos para além dos próximos 1 a 2 anos, de nos bastidores se iniciar a formulação e aplicação de antídotos secretos que evitem que pelo menos Portugal volte a ser ultrapassado, enrolado e afogado pelos acontecimentos.

Abstenção da coerência
Este foi um FDS de derby lisboeta com milhões alienados pela ‘grandiosidade’ do embate entre Sporting e Benfica e como sempre as bancadas abarrotadas, as audiências no pico.
A minha relação com o futebol passou por vários estágios. Até ao início da adolescência ignorei-o, depois joguei-o, tornei-me fã e sócio de um clube: o Glorioso. Cheguei a ter passe durante 2x ou 3x épocas não falhando um jogo. Depois deixei de ir ao estádio mas tentava não perder a transmissão dos seus jogos, até que progressivamente comecei a dar aquelas 3 horas por jogo (contando com o pré e pós) como perdidas. As coisas que eu poderia fazer nos dias acumulados que gastava a ver futebol. E cortei de vez com esse mundo de fantasia e idolatria. Num ápice libertei-me dos calendários de jogos, das novelas futebolísticas e de todo o entretenimento montado à sua volta. O bem que me fez e sem qualquer tipo de ressaca!
O que me surpreende nos dias de hoje é a falta de coerência de muitos milhares ?milhões? de adeptos portugueses que alegam não se interessar por política, não votar, porque os políticos são todos iguais, corruptos e mafiosos. Ou seja, a retaliação para com a máfia política é a ausência na participação consciente e activa no único acto que poderia afectar directamente essa máfia.
A incoerência vem do seu comportamento para com o futebol. Nos últimos anos foram revelados factos irrefutáveis de que o futebol é corrupto, é mafioso em todas as suas vertentes. Presidentes de clubes, agentes desportivos, árbitros, jogadores, em todas as camadas é gritante a existência de mais um sistema criminoso. No entanto no futebol não existe retaliação para com esta realidade. Ao invés da abstenção na ida aos estádios e no assistir aos jogos na verdade existe assiduidade e atenção tão segura que permite a assinatura de contratos milionários apenas para garantir direitos de transmissão.
Talvez do que Portugal precise seja da substituição dos agentes políticos pelos agentes futebolísticos. PS, PSD, CDS, etc, substituídos por uns superiormente representados SLB, SCP, FCP, etc. Seguramente que os apoiantes de cada partido/clube iriam querer demonstrar a sua supremacia sobre os eternos rivais rumando às urnas em grupos organizados, entoando cânticos entusiásticos, pelo que mesmo que isto nenhum benefício trouxesse ao país ao menos teríamos muito maior legitimidade para o empossar dos seus governantes. E assim teríamos presidentes de clubes a presidir a nação em simultâneo, comentadores desportivos como deputados em acesos debates parlamentares sobre estatísticas e falhas de execução das políticas do último defeso, misters e jornalistas a elaborar estudos de pormenor e projecções detalhadas sobre os próximos desafios, sempre que um banco fosse desfalcado prontamente se resolveria a situação com a contratação de grandes craques, e por fim os adeptos/eleitores atentos, interessados, com alto nível de exigência, levando ao rolar de cabeças quase imediato sempre que os resultados não apareçam.
Assim de repente parece-me um sistema funcional! Talvez até mais do que o de hoje! O melhor de tudo é que esta concentração de gente honrada, o uso de linguagem fácil e acessível, levaria ao aumento do interesse da população e a tal valorização do Canal Parlamento que acredito que viria a ser possível pagar a dívida externa só com a venda da exclusividade dos seus direitos de transmissão.
Se nada disto vos fizer sentido experimentem passar por um ano de castidade futebolística e voltem a reler este post. Tenho a certeza que é post para golo, nem que seja um auto-golo ou mal anulado.
Eleições Palhacianas
Após visualização de uma série de debates entre candidatos presidenciais, nos dois formatos, a dois, um contra um, e a três ou mais, nenhum contra nenhum, bem como dos tempos de antena e peças jornalísticas de acompanhamento de campanha, não consigo identificar um claro outsider em quem se possa votar para abanar o sistema.
Ainda predominam os peixes de aquário partidário que procuram relembrar ao eleitorado as responsabilidades políticas de partidos da oposição ou beliscar o carácter e idoneidade de cada um dos restantes peixes de aquário.
Temos depois delatores da corrupção e más políticas vigentes que advogam querer limpar o país e impor a correcção da trajectória estratégica nacional.
Por fim temos a versão madura dos outrora famosos batedores de punho, um terá utilizado a força de punho para calcetar Portugal, outro é pregador dessa corrente punheteira que requer altos níveis de motivação e confiança. Ambos apostam na popularização do argumentário procurando desconstruir complexas situações políticas em dizeres simples e claros.
À partida quereríamos que a cada um fosse dedicado espaço equivalente nos media, a fim de eliminar qualquer suspeita de favorecimentos. No entanto depois de ver alguma da pobreza de ideias e de discurso sou obrigado a reconhecer que isso seria muito mais prejudicial a estas eleições do que a situação desigual actual.
Isto acontece ou porque a qualidade do candidato é deplorável ou porque o candidato não parece saber a que cargo se candidata, que responsabilidades lhe seriam conferidas nem sequer quais as fronteiras dos poderes que lhe seriam instituídos.
Por um lado é positivo que candidatos extra-partidários consigam entrar na corrida, por outro é assustador que alguns deles sejam nitidamente medíocres e tenham mesmo assim conseguido o apoio suficiente para a candidatura. Sinal de que grande porção dos eleitores não faz a mínima noção da importância e relevância dos mais altos cargos da nação, supondo que se pode dar ao luxo de, numa brincadeira eleitoral, eleger o mais boçal e/ou idiota dos candidatos. Esta derivação do poder para um emergente desconhecido deve ser um tiro certeiro confiado a quem demonstra carácter e capacidade. Caso contrário será um tiro de pólvora seca que funcionará como um tiro pela culatra já que a inoperância de uma chico-espertice incapaz, e possíveis danos ao país por ela causados, criarão a ilusão de que os anteriores maus políticos são apesar de tudo a melhor solução possível.
Espero que os políticos saibam ler nestes sinais duas coisas. A primeira é a de que as rédeas do poder estão fugir-lhes das mãos, para novas forças políticas, novos movimentos de cidadania. A segunda é a de que se não apostarem na formação e educação dos Portugueses, no conhecimento e valorização da sua própria democracia, essa passagem corre o risco de ser uma catástrofe anunciada, por mais divertida e inócua que aparente ser.
Sugiro também adicionar um simples filtro para garantir o enquadramento dos candidatos ao cargo a que se propõem. Um questionário que afira o seu conhecimento sobre a história recente de Portugal, sobre os deveres, poderes e limitações de um mandato presidencial, e sobretudo sobre as diferenças existentes entre o papel de Presidente da República e o de Primeiro Ministro. Quem não sabe ao que vai escusa de aparecer.
Se não os podes vencer distrai-os
Paris, manifestantes protestam contra a ausência de consciência e políticas que invertam as alterações climáticas. Em resposta o presidente François Hollande indigna-se perguntando como é possível isto acontecer na praça onde existem flores e velas em memórias das vítimas recentes.
Que é como quem diz que o foco é um e apenas um, a nova guerra para arrasar o grande inimigo. Gaveta para tudo o resto. Esta é apenas uma das táticas utilizadas para desviar a atenção das massas dos problemas fulcrais que colocam em causa partes críticas do sistema político e económico mundial. A mudança é obrigatória mas precisa de ser muito bem calculada, planeada de forma a que as esferas de poder não se desloquem para novos players. Mesmo que isso signifique a latência na transição de fontes energéticas e hábitos de consumo.
Qualquer consumidor de meios de comunicação noticiosos deve estar preparado para destrinçar os conteúdos mais impactantes que lhe são apresentados, cruzá-los com informação contraditória e/ou complementar, até poder por fim firmar uma opinião sobre o tema. Caso contrário poderá ser mais uma vítima do constante condicionamento de pensamento.
Algumas das táticas existentes:
- Promoção do Nacionalismo – quando acontece algo que ameaça a nossa nação temos a tendência a saltar para a carruagem do patriotismo cego ao ponto de apoiar guerras sem sentido ou promover ideias políticas e/ou religiosas que promovam a intolerância;
- Acenar com a Cenoura – como fazer com que o foco de atenção das pessoas deixe de ser sobre um tema crítico? Dando mais tempo de antena a temas incosequentes e sensacionalistas, normalmente a chamada lavagem pública de roupa suja ou entretenimento mundano.
- Bode Expiatório – quanto toda a cadeia está em risco, e debaixo de forte julgamento público, há que escolher rapidamente o elo mais fraco a servir de ‘oferenda’ para apaziguar o julgamento público. Desta forma a atenção deixará de estar sobre toda a cadeia ficando concentrada nesse bode expiatório;
- Informação Errada e Enganadora – para esconder a verdade nada melhor do que ‘reenquadrá-la’ com uma moldura de falsidades. Repetir esta meia verdade o número de vezes suficiente para se afirmar como verdade absoluta, o boca-a-boca viral e desinformado encarregar-se-á de fazer o resto.
- Demonizar o Outro – sempre que tenhamos pecados a esconder nada melhor do que trazer ao de cima todos os demónios dos nossos opositores, mesmo que alguns deles sejam pura ficção (ver ponto anterior).
- Disseminar o Medo – a mais eficaz de todas as táticas pois nada melhor do que o medo para combater o senso comum e a sanidade mental. Sobretudo se existirem casos históricos que possam ser dados como provas do que poderá acontecer se…
E esta é apenas a ponta do Iceberg sobre a aplicação de táticas de condicionamento de pensamento e controlo de massas através da escolha criteriosa das notícias, imagens e palavras que nos são impostas diariamente pelos principais meios noticiosos e redes sociais (onde se consomem os ecos dos resultados obtidos).
Cabe a cada um de nós optar por acreditar sem contestar ou procurar saber mais sobre o outro lado da questão. Temos em mãos um planeta doente, tratados económicos de escala mundial, guerras e crises de refugiados, que vão obrigar a decisões importantes exigindo consciência e compreensão por parte de todos a fim de evitar decisões que apenas beneficiam uma pequena percentagem da população mundial.
Talvez seja chegada a altura de cortar as ligações actuais e retomar o controlo das nossas redes neuronais.
O Menu em Belém
Quem não gosta de ouvir um qualquer turista gabar a nossa gastronomia? Haverá maior garantia de sucesso da reportagem televisiva que a bela da entrevista ao turista? Ele há coisas que ditas por nós não têm valor, mas sempre que opina um estrangeiro, resulta. As perguntas são sempre as mesmas, as respostas insuspeitas de surpresa, mas nós gostamos. Apreciamos a previsibilidade e rejeitamos a mudança. Evoluir sim, mas só se tudo permanecer exactamente na mesma. Somos assim, saloios mas muito ternurentos. Numa palavra, acolhedores.
O Turismo, é preciso promover o turismo! Incansáveis e empreendedores, lançamo-nos sempre em voluntariosas iniciativas. Hoje começou mais um grande evento promocional na Assembleia da República – A feira do Melão e do Fumeiro. Encher-se-á muito chouriço! No fim, pagaremos a conta (como sempre!), mas não saciaremos o apetite. Portugal é assim, serve estas belas açordas. Após o manjar, a sobremesa. Fruta da época para uns, doçaria conventual para os outros. Não há meio-termo. Nunca evitaremos os amargos de boca, pois não há refeição que termine sem café.
Há quem diga que inovámos, que embora inédito no menu do Palácio de Belém, o sapo será servido. Eu duvido. Bem sei que faltam muitos dias, que muitos sábios serão ouvidos, que o bicho até é viscoso e hidrodinâmico, mas há uma limitação que os entusiastas não estão a considerar. É morfológico! O sapo não lhe cabe no goto.
Todos os Cenários
Nunca do jogo desistiu. Interferiu, adiou e serviu. Foi a 5 que ninguém o viu, o dia daquilo a que se diz presidiu. Depois lá se ouviu. Referiu. Garantiu que tudo estudou e previu. Sugeriu que como ele nunca outro existiu. Uma maioria exigiu, mas como ninguém o ouviu, perdeu o pio. Entupiu e fugiu.
Será que já decidiu e o seu pupilo preferiu, ou trairá quem desde jovem o seguiu? Surpreender-nos-á agora que quase saiu?
Como a alternativa, embora pareça, não é de Diu, indeferiu e o grau de primeiro não lhe conferiu. Preteriu. Por certo anteviu, não ingeriu mas a mudança obstruiu. Destruiu. Aferiu e aos seus encobriu.
Dramatiza, mas diferiu. Indigitará aquele que instruiu. Desferiu.
FIMFA: Infiltração na Governação
Estava-se mesmo a ver que isto ia acontecer.
Neste momento joga-se o tudo ou nada num legitimidade da indigitação de um governo de continuidade desta coligação vs golpe de secretaria de um homem com ambição desmedida para ser primeiro-ministro.
Por princípio, e por tudo o que representam em termos de passado, não votei em nenhum dos dois partidos mais votados mas não posso ficar indiferente às opções de governação para as quais António Costa parece estar disponível. Esta disponibilidade para um casamento com BE e/ou CDU demonstra que, ao contrário da minha percepção inicial, António Costa pode realmente não ser mais um fantoche do sistema. Um homem do sistema jamais correria o risco de infiltrar a ‘extrema-esquerda’ e os ‘comunas’ no circuito de informações e decisões privilegiadas do estado. Um homem do sistema não cometeria a loucura de colocar em risco o sistema através de uma injecção de gente aguerrida com ideais e convicções de justiça e igualdade, gente com a mania da transparência que pode mandar por terra a opacidade que tanto tempo levou a contruir, gente capaz de colocar em causa as competências das nomeações certeiras em cargos cimeiros de agentes de confiança.
António Costa é um homem inteligente e ciente do que implica uma aliança mais à esquerda. Neste momento está debaixo de fogo, sob a pressão opressora do sistema, inclusive a partir do interior do seu próprio partido. Não creio que esteja a fazer bluff pois qualquer repentina simpatia pela PàF e o PS corre o risco de fazer PUF!
António Costa sabe perfeitamente que o BE e CDU não aparentam ser ‘domesticáveis’ e terá de estar preparado para levar uma ou outra mordidela na mão com que pensa alimentá-los. Por outro lado terá ali os seus cães de caça ferozes, feras que poderá soltar sempre que conveniente para farejar e sacrificar alguns dos interesses instalados no nosso delicado ecossistema. Mais não seja para fazer alguma limpeza à casa sem sujar as mãos do PS directamente.
Apesar de não necessariamente voluntária, ou expectável à partida, esta seria uma cabal prova de uma mudança de mentalidade e de acção política. Algo que certamente seria muito bem recebido pelos mais de 50% de eleitores portugueses votantes que escolheram uma viragem à esquerda.
Claro que posso estar enganado, talvez o BE e CDU, uma vez infiltrados no sistema, sejam na verdade seduzidos por este e se tornem novas máfias a quem é ofertado um quinhão exclusivo da exploração de Portugal. Caso isso aconteça nas próximas eleições lá teremos de dar mais ouvidos, e quiçá oportunidade de execução literal das suas ideias, aos que os tratam por putedo e gritam sem pudor “Morte aos Traidores!”
Espero sinceramente que em breve se faça história política e que no final de todo este jogo de sedução e traição não se revele somente como mais uma fantochada inconsequente.
Arco dos Clientes Habituais
A ideia de uma esquerda mais unida anda a pôr em estado de nervos muitos sociais democratas do PS do PSD e do CDS. Os jornalistas trabalham afincadamente em desenhar impossibilidades e fracassos. Até porque quem nos tem governado tem-no feito com sucesso inquestionável… com sucesso para uma classe que se apoderou do sistema político, dominado por interesses contrários ao país. A justificação da ilegitimidade de uma esquerda mais próxima com votos e tal aparecem tanto em políticos como jornalistas. Até porque os sucessivos governos têm tido uma legitimidade da esmagadora maioria dos portugueses, com taxas de abstenção de 40% e 50%. Porque o PCP e o Berloque defendem a saída do euro (mentira!) e da UE (mentira!). Pior ainda, que tanto preocupa o Cavaco, contra a NATO (e agora sim, é verdade!). Um entendimento ilegítimo, diz o PSD e o CDS, este último que com uma representação minoritária (como o BE e o PCP) fez uma coligação com o PSD e formou governo, e do alto da sua representatividade minoritária criou um novo cargo para a República, o de vice primeiro ministro. PSD e CDS estão perdidos e dispostos a tudo. Em nome dos de sempre, da Estabilidade, dos Mercados, dos Compromissos. Evocam o Abstracto para não evocarem os beneficiários do estado a que isto chegou!
E hoje, infelizmente para o Arco dos Clientes Habituais, as taxas de juro da dívida pública levada hoje a mercado, baixaram. A bolsa, central preocupação da certa elite política, subiu hoje. Afinal os mercados e a bolsa não estão assim tão nervosos. O nervosismo vem de quem vê ameaçado o rumo que o país tão bem tomou, têm privilégios a perder e interesses que têm que ser salvaguardados, e por isso as divergências e as lacunas entre o PS, o Berloque e o PCP são inconciliáveis. Interesses inconciliáveis entre os que nos trouxeram até aqui e aqueles que ousam querer alterar o rumo da nação!










