Category Archives: Ideias para o País
Por mais absurda a ideia acreditamos nela e no País!
Et pour cause …
Liguei a televisão e não conseguia acreditar no que via: milhares de pessoas, gritando, saltando, ocupando as ruas de Lisboa, num frenesim sem par.
A primeira coisa que me ocorreu foi que a Revolução estava na rua. Finalmente, ao fim de anos a aguentar uma classe política corrupta e incompetente, a aguentar a chegada dos jotinhas ao poder, a aguentar o desmando daqueles que nunca tinham feito nada na vida, finalmente as pessoas tinham saído à rua.
Não hesitei. Corri para o quarto para trocar de roupa. Para vestir a minha roupa revolucionária. A roupa que tenho guarda para usar no dia em que, finalmente, saírmos à rua para mudar as coisas.
Cinco minutos. Não demorei mais de cinco minutos e estava pronto. A adrenalina percorria-me o corpo e só pensava em encontrar as chaves do carro para me fazer à estrada e chegar à capital. Não mais de 20 minutos. Não mais de vinte minutos para ajudar a fazer história.
Durante todo esse tempo pensei no meu ordenado reposto, recuperado dos 40% de cortes que sofri nos últimos anos. Pensei no bom que seria não ter que continuar a fazer contas ao cêntimo para a comida chegar ao fim do mês. No bom que seria ter mais uns cobres para a gasolina de forma a poder estar mais vezes com a minha filha. E pensei nas centenas de milhar de pessoas que vivem com um ordenado mínimo que mais não é do que uma pensão de miséria para não se morrer à fome. Pensei nas crianças que não necessitariam mais de ir à escola durante o período de férias para poderem ter uma refeição quente – apenas uma refeição quente. Pensei nos nossos velhos que teriam, agora sim, dinheiro para comprar os medicamentos de que precisam, dos hospitais a funcionar normalmente, das escolas com obras feitas, e por aí fora.
Emocionei-me. Emocionei-me a pensar que seria desta que algumas empresas passariam a pagar os impostos devidos e não apenas impostos sobre uma percentagem dos lucros enormes que têm, pensei que finalmente se pegaria nos mais de 10.000 institutos e fundações públicas e que se encerrariam aqueles que servem apenas para dar empregos às cliques partidárias, aqueles que têm mais administradores do que trabalhadores, que acabaria a palhaçada da entrada na administração pública de milhares – repito, de milhares – de meninos dos partidos, com contractos obscenos enquanto se pretende ‘dispensar’ uns milhares de funcionários que entraram por concurso público, com provas feitas.
Pensei, na realidade, que o povo tinha saído à rua para cumprir Abril, ou seja, para finalmente criar um país justo e solidário, um país onde todos têm lugar numa lógica de respeito e solidariedade, onde quem tem mais ajuda quem tem menos e quem tem menos se dedica afincadamente a criar uma vida em que possa vir a ter mais.
Finalmente encontrei as chaves do carro. Em cima de uns livros numa estante carregada de mais livros, essas coisas que vão caíndo fora de moda e que nos dão a ilusão tão importante que é o sonho.
E foi então que ouvi, vindo da televisão que me tinha esquecido de desligar, os gritos cadenciados: “Campeões, Campeões, nós somos Campeões”.
Estaquei, estarrecido. Um frio percorreu-me de alto a baixo enquanto me aproximava do maldito aparelho, esperando que aquilo não tivesse sido mais do que um sussurro perdido, uma ilusão.
Não era.
O Povo saíra à rua, sim, mas não para lutar por uma vida melhor, não para lutar por um país melhor, não para lutar por um futuro melhor, mas sim para celebrar o futebol. Para celebrar a vitória de meia dúzia de broncos, incapazes de criar uma frase com princípio, meio e fim, que ganham, tantos deles, em dois meses ou três, aquilo que alguém não ganha numa vida inteira de trabalho. O Povo saíra à rua para gritar hossanas a quem, com fortunas assim, paga impostos reduzidos, a quem se reformará aos trinta e poucos e não precisará nunca de ter uma vida útil.
Comecei a tirar a roupa da Revolução. Larguei as chaves do carro em cima dos mesmos livros de antes e não pude deixar de pensar que pena é existir um país assim.
E se começasse a funcionar o Povocíonio… o verdadeiro!
E se um dia as coisas fossem mesmo assim…
Mais uma vez vem a cena a obrigatoriedade de voto, curioso ou não á porta de mais umas eleições, parece que o modelo está até a ganhar adeptos, ou pelo menos a reavivar-lhes a memória.
A ideia não é descabida de todo, tanto não o é, que existem países a aplicar esta prática.
Pode até ser uma ideia mirabolante, mas se acompanhada de normativos transparentes da gestão partidária seria benéfica, caso contrário estarão novamente com meiguice a circundar o problema sem ir ao cerne da questão.
Para a generalidade, possivelmente uma alteração proveitosa e não tão estranha como ao início possa parecer. Certamente que uma grande maioria dos recenseados são pais e como tal já se habituaram a uma nomenclatura similar que é o Paitrocínio, largamente aplicado numa infinidade de pequenos clubes e colectividades em que os seus petizes praticam desporto.
O paitrocína os treinos porque custam dinheiro, os equipamentos porque são caros, pagando assim para fazer publicidade, as deslocações porque são onerosas e por aí fora…. Almejando que um dia os catraios tendo jeito, se apaixonem pela modalidade e quem sabe mais tarde ter a sorte de terem sucesso e serem miseravelmente compensados por engrandecer o nome da nação cá dentro e lá fora, sim porque os Ronaldos são uma ínfima percentagem dos desportistas. Tempos houvera que não era assim provavelmente nos tais, que agora nos dizem, “Vivíamos acima das nossas possibilidades”.
Ora quem equaciona a obrigatoriedade de voto, quase sempre “á margem” de qualquer coisa, fá-lo também pela rama da coisa, dizendo que “… pelo menos nas legislativas”, evitando comentários opositores. Realmente o que se pretende é que com isso se aumentem as receitas directas aos partidos, porque cada voto vale dinheiro.
Morreriam assim as subvenções partidárias e as suas veementes oposições, digamos que desta forma era tudo mais simples, “voto obrigatório, dinheiro em caixa”!
Sobejamente sabido é que todos os actos eleitorais estão intrinsecamente relacionados com as forças politicas, assim sendo, demagogias á parte podem mesmo ser obrigatórios os votantes em todas as idas às urnas.
Cada cidadão quando lhe é dado o título de eleitor, passaria também desde de que empregado, voluntariamente e ser obrigado a filiar-se partidariamente, porém sem direito a período de fidelização. Pagaria uma cota mensalmente de 1 euro, imaginem só o dinheirão que não é 1 euro mensal por cada eleitor, sendo que para o próprio é pouco mais que uma bica. Assim fosse e a melhoria seria significativa, a preocupação primária seria levar os níveis de desemprego a mínimos históricos…
Em números actuais seriam bem mais de 500 mil euros em receitas mensais!
A obrigatória promiscuidade de muitos deixaria de fazer sentido acabando o medo das represálias, ficaria sabedor da cor do chefe ou do vizinho sem preconceitos. Liberdade total dispondo da mesma facilidade de quem ele elege. Todos passariam a parafrasear a velha máxima até agora exclusiva desses círculos, “O que ontem era verdade, hoje deixou de o ser”… Mudei!
Seria até um brio exibir o recibo de salário aos amigos dizendo, tás a ver aqui abaixo do desconto para o sindicato… Este mês patrocinei o meu partido!
O eleitor faltoso, ficaria voluntariamente obrigado e pagar uma coima em caso de falta injustificada. Como ninguém gosta da faltar ao acto sabendo que este até já custou uns cobres, lá iriam firmes e hirtos. Os aparelhos partidários passariam finalmente a ser possuidores da tão pedida transparência, oferecendo os serviços por um valor fixo e como na maioria dos restantes casos.
Top Secret
Imagino o que poderia ser o “resumo de imprensa” no relatório semanal de um espião residente entre nós. Talvez um agente secreto ao serviço de uma grande potência rival. Malta ou o Chipre por exemplo. Primeiro a síntese, depois o diálogo. Qualquer semelhança com a realidade é igualmente disparate. 
Relátório Semanal
“Resumo de imprensa: Fonte ilegítima, acreditada, mas não confirmada, terá alegadamente suspirado em off que certas e indeterminadas pessoas teriam seguramente concordado com a hipótese de sob tese considerar a validade do principio da incerteza de Heisenberg no contexto da cidadania e da legitimidade representativa, especialmente quando reflectida nos efeitos práticos do termo “temporário” no léxico legislativo.”
Comentário do superior hierárquico:
“ – Ok, quadro sem evolução. Cansa não é?
PS: Atenção às contas de telefone!”
Resposta do agente secreto:
“ – Confirmo. Cansa. Mas se eles aguentam, nós também temos a obrigação de aguentar.
PS: são ossos do ofício chefe, estão sempre a dizer para eu ligar para ganhar carros e prémios em dinheiro.
O Chefe responde:
“ – Muito bem. Estamos contigo.
PS: olha lá, mas isso dos carros não é com o NIF nas facturas?”
O agradecimento final:
“ – Obrigado. É bom sabe-lo.
PS: É em todo o lado chefe, dão carros em todo o lado!”
Compreensão da Confiança dos Mercados
Recentemente ouvi na rádio alguém ligado ao governo a malhar nos assinantes do famoso Manifesto dos 70 dizendo que emitem opinião sem ter conhecimento aprofundado sobre os problemas do país. Mais recentemente ouvi Durão Barroso em entrevista a dizer que o manifesto foi um erro crasso que veio fragilizar a posição de Portugal nos mercados.
Pus-me a pensar e realmente reconheço que conhecimento sobre a situação real é algo que não é partilhado com os portugueses. E coloquei-me no lugar de um investidor internacional. Afinal se actualmente estão com indíces de confiança no investimento da nossa dívida equiparados aos de 2009 é porque a análise puramente lógica, racional e fria dos números, nos permite tirar conclusões positivas e optimistas sobre o nosso futuro.
Sendo assim compilei aqui uma série de indicadores que espero virem a trazer algum esclarecimento sobre a lógica dos mercados face ao investimento na dívida de Portugal. Comparei a informação disponível à data das boas taxas de juro em dois períodos no tempo.
| Indicador | 2010/01 | 2014/03 | Observações |
| Juros Dívida a 5 anos | <3% | <3% | Revelador do mesmo nível de confiança no investimento na nossa dívida pública. |
| Dívida Pública em % PIB | 78,8% | 130% | Um aumento estrondoso do nosso endividamento que nos torna mais dependentes e ‘submissos’ a credores. |
| Dívida Pública | 132 747,3 M€ | 204 252,3 M€ | 51 pontos percentuais acima são +72 mil milhões de euros em dívida |
| População Residente | 10 568 247 | 10 514 844 | Menos 54 mil pessoas? Os mais de 200 mil emigrantes ainda contam? |
| População Activa | 5 582 700 | 5 389 400 | Ok, aqui está em linha com números de emigração! Bom trabalho nesta contagem! |
| População Empregada | 5 054 100 | 4 978 200 | Talvez fosse bom definir o que é um emprego? Só em 2013 contabilizavam-se menos 229 mil postos de trabalho. |
| Taxa de Desemprego | 9,5% | 16,3% | Quase o dobro em termos oficiais. Juntando os ‘desencorajados’ e o real ainda é pior! |
| População Desempregada | 528 600 | 875 900 | Sem pudor podemos falar de 1 MILHÂO de desempregados! |
| Receita IRS | 8 950,9 M€ | 9 085,5 M€ | Menos postos de trabalho e mais receita de IRS? O governo só pode estar a fazer qualquer coisa bem… |
| Número de Empresas | 1 198 781 | 1 062 782 | Por artes mágicas desapareceram mais de 135 mil empresas em quatro anos. Magia negra? |
| Receita IRC | 4 540,3 M€ | 4 280,5 M€ | Uma perda de mais de 1 900 € por falência. |
| Emigração | ??? | 121 418 | Sem números de 2009 é ainda mais corajoso o incentivo ao desconhecido: a emigração. |
| Nascimentos | 99 941 | 89 841 | Menos bocas, menos consumo, menos despesa. |
| Idosos por cada 100 jovens |
118 | 130 | Calma, o corte contínuo e progressivo de pensões poderá ajudar a corrigir isto. |
| Despesa com Administração Pública |
83 874,4 M€ | 78 243,8 M€ | 5 mil milhões de euros a menos de despesas sendo que 2 mil milhões resultam dos cortes em pensões e salários da função pública. |
| Salário Mínimo | 450 € | 485 € | Boa boa, uma evolução de 5 € ao ano. Quase que dá para absorver um dia do aumento dos custos em transportes, energia e bens de primeira necessidade. |
| Taxa Risco Pobreza (antes de transferências sociais) |
43,4% | 45,4% | Ok, mantemos uma certa uniformidade com quase metade da população portuguesa no limear da pobreza se não tiver qualquer apoio social. |
| Taxa Risco Pobreza (após transferências sociais) |
17,9% | 17,9% | Boa, neste indicador não andámos para trás! Graças a Deus que muitos pobres potenciais emigraram em massa! |
| Consumo Privado | 110 546,8 M€ | 111 954,7 M€ | Apesar de tudo gastámos mais dinheiro! Nada como um aumento do custo de vida para polir um indicador económico. |
| Volume de Negócios do Retalho da SONAE em Portugal | 1 132,6 M€ | 3 415,0 M€ | Mesmo em tempos de crise ainda há quem saiba fazer a ordenha! |
| Volume de Negócios do Retalho da Jerónimo Martins em Portugal | 2 193,6 M€ | 3 250,0 M€ | A crise tem pelo menos duas boas ordenhas! |
Curioso como os indicadores atenuam e mascaram por completo a realidade social vivida e sentida pela população.
Desperta-me particularmente curiosidade o facto de empresas como a SONAE e Jerónimo Martins aumentarem os lucros nas suas redes de distribuição Continente e Pingo Doce. Isto porque quem frequenta os seus espaços comerciais vê com frequência as pessoas a fazer as suas escolhas em função do preço e não da qualidade do produto. O que me leva a especular que os portugueses andam a pagar menos, para comer pior, com lucros maiores para quem aparentemente ‘facilita’ a aquisição com custo mínimo de mercado. E os seus fornecedores? Poderão gabar-se de tal aumento de volume de negócios?
Para concluir olhando para a informação, fácil e publicamente disponível, um investidor atento a pormenores poderia resumir a análise de Portugal em início de 2014 vs Portugal em início de 2010 com 3 chavões 1) o Portugal de hoje está mais endividado, 2) com menos consumo (diminuição de poder de compra e menos consumidores devido a cortes, desemprego e emigração) e 3) com um estado mais fragilizado que terá de cortar apoio social à quase metade da população que ainda se mantém no limiar da pobreza.
Se em início de 2010 com os dados disponíveis os investidores projectavam um cenário optimista, hoje com os dados em cima da mesa o cenário não pode de todo ser idêntico ao idealizado na altura. Ou seja, um investidor na divida pública Portuguesa só pode estar a borrifar-se para os indicadores sócio-económicos do nosso país. ‘Provavelmente’ existem factores externos que anulam a necessidade de valorizar estes números. Caso contrário a única explicação alternativa possível seria uma hipotética manipulação das taxas de juro, à medida das necessidades da manutenção de estabilidade de um sistema político e económico que vive no ponto de equílibrio entre o retirar a máxima rendibilidade das dificuldades de um país e o garantir da sustentabilidade do mesmo.
Será que estas variáveis podem explicar o inexplicável?
| 2010/01 | 2014/03 | |
| Próximas Eleições Europeias | Junho de 2014 | Junho de 2014 |
| Peso de Portugal na Coerência da Europa | Residual | Crítico |
| Maior Responsável por Governação no último triénio | Governo Português | Troika |
| Portugal = Bandeira da Aplicação de Fórmulas Austeras de Gestão Governamental |
Não | Sim |
Resumindo as baixas taxas de juro nada têm a ver com a melhoria da vida em Portugal mas sim com a garantia de que a teta para estes lados pode continuar a jorrar, mesmo que com um caudal mais fraquito. “It’s all about money”, tal como comprovado pela tentativa de recompra da dívida para baixar despesas com juros futuros que ficou aquém das expectativas porque os seus detentores preferem aguardar pela colecta dos juros contratualizados à data da sua compra do que antecipar uma receita mais baixa. O seu lema?
“Estamos cá para ajudar(-nos)”
Sites e Artigos de Referência:
Juros da dívida a cinco e dez anos estreiam novos mínimos do início de 2010
Dívida pública portuguesa deve superar os 130% do PIB em 2014
Juros da dívida a cinco e dez anos estreiam novos mínimos do início de 2010
Volume de negócios da Sonae cresce 6% em 2009
Lucro da Sonae SGPS atinge 319 milhões de euros em 2013
Grupo Jerónimo Martins divulga Vendas 2009
Vendas da Jerónimo Martins deverão ter crescido 11,8% em 2013
Guia de perguntas e respostas para acompanhar os juros da dívidaHá 4,5 milhões de pobres
PORDATA
A Cultura Geral morreu. Vivam os Cursos Técnicos Superiores profissionais de curta duração
Numa entrevista de emprego:
– A menina tem formação em que área?
– Em nada de especial mas em tudo no geral.
– Pode especificar?
– É difícil especificar mais do que isto, sabe. Tive um ano com uma componente geral muito forte e no segundo ano bastou-me aparecer na sala de aula para me encaminharem para este estágio na sua empresa”.

Ainda na semana passada, os Politécnicos anunciaram que não estavam disponíveis para lecionar os cursos técnicos superiores profissionais. Hoje já podem e vão fazê-lo!
Ora, com os Cursos à Bolonhesa, a coisa já ficou pobre. Cursos de três anos não chegavam para adquirir as competências e conhecimentos inerentes a cada área. Passou a ser obrigatório juntar um Mestrado à Licenciatura (não é bem obrigatório, mas é). Tanto zum-zum em torno das Licenciaturas de três anos e a coisa acalmou com a dica da promoção da mobilidade e empregabilidade dos diplomados do ensino superior no espaço europeu.
Heis que surgem, menos de uma década depois, cursos de dois anos com o objectivo de dar formação no geral. Assim um lamiré da coisa. Mas conferem algum grau académico? Não! Antes chamavam-lhe cultura geral. A partir de hoje, chamam-lhe Curso Superior Profissional.
O objectivo é, e passo a citar o comunicado do Conselho de Ministros, “alargar e diversificar o espetro da oferta do ensino superior em Portugal e, por essa via, aumentar o número de cidadãos com qualificações superiores necessárias ao país”. Boa, vamos lá consolidar o nosso 4.º lugar na UE com a maior taxa de desemprego jovem.
A boa notícia é que, como estes mini-cursos terminam com um estágio, os anúncios de estágios curriculares vão começar a desaparecer. Na verdade, são o par perfeito.
Pombos sem Asas
Esperámos pacientemente, aguardámos mais de dois mil e duzentos anos, mas valeu a pena. O “Plano de Acessibilidade Pedonal” da capital gerou mais uma conveniente polémica. Não se debate o plano, apenas os pavimentos. Compreende-se, é coisa nossa. Os corvos que adornam o Brasão de Armas de Lisboa assumem posições. Dividida, a tripulação da Barca Negra debate a calçada. Só os debates inconsequentes nos despertam tamanha paixão. Na proa os críticos, na popa os apoiantes. Estão ao Leme, pelo que o rumo está traçado. Nem a coerência cromática com a bandeira de São Vicente salvará a arte-do-calcário-e-basalto. Será progressivo, levará o seu tempo. Três anos. Não é muito. Aguentamos. Já diz a flâmula: “Mui Nobre e Sempre Leal Cidade de Lisboa”…
Como sempre, os estudos demonstram tudo. Afinal, a pedra está cara, e pior, a estatística demonstra-a perigosa, escorregadia e traiçoeira. Um perigo! Nada de novo. São más práticas antigas, do tempo em que os habitantes desta cidade estavam isentos do pagamento de impostos. É verdade, foi em 200 a.C. Estavam então os Romanos ao leme da Barca Negra. Chamavam-lhe “Olisippo”. Imagine-se que se lembraram de usar pedra para pavimentar estradas e caminhos. Até construíram impérios, mas convém aqui lembrar que a esperança média de vida era então inferior aos 50 anos. A tradição nunca foi o que é, e a palavra “isenção” não é hoje conjugável com a palavra “cidadão”.
Enquanto esperamos pelos resultados dos estudos relativos aos perigos nas zonas verdes, congratulamo-nos com a decisão tomada por unanimidade. Aqui há negócio, acusam os mais cépticos. Jura? Mais uma clara demonstração de representatividade. Abundam na “democracia self-service após eleição”, que convenhamos, já cansa. Por mais nobre o princípio, por mais inclusiva e benemérita a iniciativa, desconfiamos. Em casa sem pão, todos ralham, porque todos têm razão. E o que é que isto interessa ao caso? Nada! Nada? Então siga! Sim, SIGA – Sistema de Informação Geográfica para Gestão da Acessibilidade. Haja modernidade. Avancemos para outra teoria da conspiração.
Não terá a iniciativa camarária um objectivo oculto? Talvez mais obvio, mais simples e mundano? Governar é prever, está bom de ver, antever: Não vá a próxima “ajuda” externa exaltar o munícipe, ou não vá um futuro governo “mais amigo” dos contribuintes, os decepcione logo após tomar posse. Não estará a Câmara Municipal de Lisboa a tentar desactivar tanta e tão disponível munição? Julgo que sim! Por este motivo, e apenas por este, lanço o meu apelo: Salvem os Pombos sem Asas!
C.E.P – 2013
A pedido da tripulação, estou de quarto à ponte. Prestes a entrar no novo ano reflicto sobre a rota percorrida ao longo dos últimos 12 meses. Verifico que a estabilidade é total! Prevalece o faz-de-conta. A Nau não tem estai nem mezena, deriva empurrada pela borrasca. Os arautos da verdade de outrora, são hoje os pantomineiros de serviço. Estão ao Leme com um desígnio: salvar o possível do status quo. Não são marinheiros, nem tão pouco líderes, são pastores. Conduzem o rebanho em círculos, para chegar a lado nenhum. Mas há propósito. Não podíamos, não queiramos ser os carrascos do Euro. Não fomos, nem seremos. Se morrer a culpa não será nossa. Cumprimos, sem cumprir, mas já não vivemos acima das possibilidades. Amem.
Honra a quem contribuiu. Nenhum voluntário é certo, mas ninguém passou por Tancos. Talvez por isso não seja relatado nenhum milagre na recruta. Somos o C.E.P – o Corpo Expiatório Português. Não fomos para as trincheiras da Flandres, mas é de lá que vêm as ordens. A guerra mudou, é mais civilizada, é económica. Os pergaminhos castrenses são contudo observados com rigor germânico. Erich von Ludendorff é amiúde citado. Eis-nos novamente confrontados com este General. A doutrina é simples: Der Totale Krieg! A paz é apenas o breve período entre as guerras.
A nós, Milhais que valemos por milhões, não está reservado nenhum premio nem louvor. Continuaremos pobres, mas ricos de espírito. Tal como há quase um século, a gloria será de outros, cabe-nos de novo a sapa. Felizmente que ainda ninguém nos metralhou por desobediência.
Assim foi 2013, fomos o C.E.P. do século XXI.
Carta de Natal de Pedro Passos Coelho
Estamos praticamente no dia da consoada de Natal. Tendo em conta as circunstâncias até me sinto um pouco culpado por estar hoje de férias numa altura em que o país precisa de muito trabalho. Certamente que o nosso primeiro ministro nem tempo teve para escrever a cartinha ao Pai Natal, correndo sérios riscos de não ter prenda no sapatinho. À boleia do espírito de Natal decidi à última da hora escrever uma carta em seu nome e proporcionar-lhe, amanhã, uma inesperada surpresa.
Querido Pai Natal, para começar peço desculpa por tratar-te por esta má tradução do teu nome, Santa Claus, espero que compreendas, foi para não dar uma carga negativa ao teu nome, uma vez que nós portugueses consideramos que não há cláusulas santas no mundo. Nem as da constituição!
O meu nome é Pedro Passos Coelho, não te deixes enganar pelo apelido porque nada tenho a ver com o coelhinho da Páscoa nem com a distribuição de pães ázimos. Para ser sincero por minha causa há muita gente a comer o pão que o diabo amassou…
À primeira vista sei que pareço um menino que só faz más acções, mas estou seguro que tu saberás discernir a qualidade dos frutos do meu trabalho que serão colhidos no futuro. Afinal o estrume é parte essencial da agricultura e alguém tem que arregaçar as mangas e baixar as calças para o produzir!
Quero também avisar-te que, por aqui, este ano alguns dos meninos não comeram a sopa porque não havia, pelo que evita penalizá-los por isso. Talvez não dar prendas a meninos que não bebam um copo de água?
Posto isto vamos ao que interessa. Passo a fazer a encomenda das prendas que muito me aprazeria encontrar no sapatinho com a tua assinatura. Sei que não me podes dar todas, pelo que te digo porque preciso de cada uma delas, confio na tua sapiência, sei que vais decidir bem quais devo receber este ano.
- Conjunto de Gazuas – porque constantemente estou a deparar-me com portas cerradas que obrigam a grande desgaste negocial para abrir. Com um instrumento especializado poderei arrombá-las sem pudor, poupando tempo e esforço.
- Tribunal Constitucional da Playmobil – sou um coleccionador inveterado e é a única coisa que me falta colocar no baú! Já lá tenho os polícias, os bombeiros, os médicos, os enfermeiros, os funcionários públicos e até mesmo os raríssimos engenheiros de construção naval já estão a caminho!
- Amolador de Lâminas – encontrei uma machete no sotão, do tempo do meu avô, e às primeiras golpadas percebi que a dita está completamente cega. Em vez de desferir golpes certeiros só dá quicadas. Ainda tenho esperança de a recuperar mas preciso de instrumentos especializados. Por agora está a marinar num alguidar de coca-cola para retirar a ferrugem.
- Globo Mapa Mundo – pois é… por incrível que pareça de momento não tenho um globo à mão! O que causa enorme transtorno uma vez que ando a receber cartas insultuosas de todos os cantos do mundo. Gosto de lhes chamar os conselhos da diáspora Portuguesa! Adoraria marcar no globo de onde são enviadas as cartas, só que o globo que tinha foi despedaçado pelo meu MNE e Vice que o disputavam ao planear o seu roteiro de viagens de diplomacia internacional. Apesar do alarido dá gosto ver estas ganas de querer fazer!
- Dicionário da Língua dos Pês – às vezes, quando me querem ensinar o meu trabalho, a gentalha da oposição e da contestação social mete-se a gozar comigo PPPs isto, PPPs aquilo, FDP para aqui, FDP para ali, e não percebo um boi do que falam. Faz parte das minhas funções descer ao seu nível, responder-lhes na mesma linguagem, e reconheço que preciso de ajuda para tal.
- Um Bom Tacho – comecei por fazer um refogado em lume brando que a meio, por falta de pachorra da minha parte, decidi transitar para uma panela de pressão. Agora está tudo alarmado a apitar e temo que possa mesmo explodir antes de estar no ponto que pretendo. Precavendo-me contra o facto pedia-te, se possível, um bom tacho onde possa continuar a fazer os meus temperos gourmet. O Ângelo, meu mentor de caldinhos do passado, parece já não ter equipamento que me possa dispensar. 😦
E pronto! Não quero abusar! Espero que consigas pelo menos um ou dois destes presentes para o meu sapatinho. Ia ser tão bom para mim… Se não conseguires nada disto na tua fábrica aconselho-te a troca de fornecedor chinês para alemão. Diz que vais da minha parte sff.
Por fim um pequeno aviso. Não tentes fazer swaps dessas prendas com outra coisa qualquer. Isso vai dar porcaria, fala a voz da experiência.
Tudo de bom para ti. Espero que tenhas uma boa noite. Podes vir com as renas todas que aquela história de só puderes ter duas foi uma brincadeira de mau gosto.
Abraço deste teu crente
Pedro Passos Coelho
PS – onde estás a ser tributado a nível de impostos? Já ouviste falar do Golden Residence Permit? Fala comigo!
E com este post desejo um feliz e divertido Natal para todos! HO HO HO
Um Gesto Estrondoso
Por mais obvia a evidência, por mais clarividente a prova, duvidamos sempre da virtude Lusitana. Subestimamos, inexplicavelmente, as qualidades e envergadura moral de todos os nossos compatriotas, especialmente dos altos dignitários da nação. Incompreensível! Esta constatação autocrítica exulta o dever patriótico do exorcismo, por isso, reincido na denúncia deste complexo de inferioridade.
Interpelo todos os Compatriotas, simpatizantes, turistas e amigos da Lusofonia: Nunca duvidem da influência da nação Lusitana no mundo. Os factos permitem-me poupar nas palavras. Passemos aos exemplos: Desenvolvendo a sua prestigiada magistratura de influência, el Rey “considera a morte de Mandela o acontecimento mais marcante de sempre“. Alguns, nitidamente mal-intencionados, precipitaram-se ao concluir: Se a morte foi o momento mais marcante, a vida e obra não interessam ao supremo tecnocrata. Discordo desta interpretação. É tendenciosa e antí-dinástica. Ignoremos.
A coerência, a verticalidade, o elevado sentido de missão deste nosso estadista de eleição é prova inequívoca da sua virtude, mas dado o ancestral cepticismo, avanço mais um irrefutável exemplo: A cerimónia de homenagem a Nelson Mandela foi ensombrada pela polémica em torno da prestação do interprete de linguagem gestual, de seu nome Thamsanga Jantjie. O interprete diz-se qualificado, mas subitamente afectado por um enfermidade do foro psicológico.
Surdos de todo o mundo manifestaram a sua revolta, pois não compreenderam nenhuma das intervenções, com uma única excepção:
Qual primus inter pares, o nosso monarca foi o único líder mundial a quem o interprete gestual não se atreveu a boicotar o discurso. Gesticulou com precisão milimétrica, a mensagem passou na integra. Foi um gesto estrondoso!
Parapolítica de fusão
Dá cada vez mais dó assistir ao desgaste constante que os media e os parceiros sociais fazem aos nossos governantes com capacidades especiais. Há que respeitar os seus diferentes timings e horizontes mais amplos que os dos humanos mais comuns. Chegámos ao ponto de ter de ser uma sapiente best-seller a alertar-nos para a necessidade de sermos mais tolerantes para com eles, que tanto trabalham para nosso bem. Afinal, apesar das nossas diferenças no nosso âmago eles e nós somos o mesmo.
E assim debrucei-me sobre estas medidas especiais, saídas das cabeças dos actuais parapolíticos, muito mais receptivo às suas boas intenções e resultados projectados. Apesar do ruído causado pelas machetadas que desbravam o caminho e pela azia causada, entre-portas, pelo mau chá Macaense julgo que consegui vislumbrar o toque de Midas dos nossos governantes! E consegui-o sem deixar crescer a barba por aí além, coisa que reconhecidamente garante ganhos imediatos de inteligência, respeito e maturidade, como todos sabemos via os recentes briefings.
Portugal tem as medidas correctas aplicadas sendo a única lacuna o facto de ainda estarem a ser pensadas como parcelas isoladas! Basta, através de um elaborado processo de fusão, potenciá-las e fortalecê-las, permitindo ao Estado poupanças na ordem dos milhares de milhões de euros! Sim, é isso mesmo! É muito fácil!
Vamos a factos rápidos relativos a Portugal
- 3 Milhões de Pensionistas com Valor Médio de Pensão de 302 € = Gastos mensais de 906 M €
- 877 Mil Desempregados dos quais só 387 Mil recebem um subsídio de desemprego com Valor Médio de 354 € = Gastos mensais de 137 M €
Mais de mil milhões de euros gastos mensalmente em prestações sociais. Grandes despesas sem qualidade de vida para milhões de cidadãos. E apesar de tudo as prestações sociais são um dos principais alvos de cortes porque são uma das fatias com impacto imediato nas continhas a apresentar à Troika.
Aos desempregados que não recebem subsídio, perto do meio milhão, o governo tem indicado a porta de saída do país. Apenas com um “Adeus e boa sorte!” porque infelizmente nem para um queijinho as contas dão.
Ao mesmo tempo viraram a agulha do investimento para as exportações! Na sua visão sem consumo interno há que, entre outras coisas, diminuir o custo da mão de obra activa para tornar os nossos produtos e serviços mais atractivos no exterior. PMEs ficam para segundo plano, vamos por agora ajudar as grandes empresas a projectar-se no exterior!
Vistas de forma isolada parecem medidas de retrocesso e ultrajantes, só que combinadas podem ser a solução para recuperação meteórica! Basta exportarmos os nossos pensionistas e desempregados!
É tão óbvio que até eu me envergonho de só agora ter visto a luz ao fundo do túnel com tanta clareza! E ela é emitida da panóplia de países onde viver com 5 dólares por dia é considerado confortável. Os países onde o limiar de pobreza é delimitado pelo valor de 2 dólares por dia. Ou seja, pela módica quantia de 3,73 € por dia (5 dólares ao câmbio de hoje), 115 € por mês teríamos os cidadãos portugueses mais necessitados a viver confortavelmente no exterior.
De certeza que conseguimos voos baratos porque alguns desses países são já donos das maiores empresas nacionais e podem puxar uns cordelinhos. Vêem aviões carregados de mão de obra barata deslocalizada e vão os nossos fragilizados de encontro a uma vida de classe média. Com um bocado de sorte uns conseguirão emprego e conseguiremos produzir produtos “Made in Asia by Portuguese”. É sempre a ganhar. Refazendo as contas acima bastariam uns 460 milhões de euros, incluindo subsidios aos quase meio milhão de desempregados que de momento nada recebem. Uma poupança directa de mais de 60%! Aos quais podem ser acrescentados poupanças em despesas de saúde e educação porque a população não está cá!
A parapolítica tem um enorme potencial, basta-lhe aplicação de técnicas avançadas de fusão.
Talvez depois deste post muitos Portugueses possam ter a vida digna que merecem em países onde se podem dar ao luxo de terminar cada dia com um final feliz.





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