Category Archives: Ideias para o País
Por mais absurda a ideia acreditamos nela e no País!
Top Secret
Imagino o que poderia ser o “resumo de imprensa” no relatório semanal de um espião residente entre nós. Talvez um agente secreto ao serviço de uma grande potência rival. Malta ou o Chipre por exemplo. Primeiro a síntese, depois o diálogo. Qualquer semelhança com a realidade é igualmente disparate. 
Relátório Semanal
“Resumo de imprensa: Fonte ilegítima, acreditada, mas não confirmada, terá alegadamente suspirado em off que certas e indeterminadas pessoas teriam seguramente concordado com a hipótese de sob tese considerar a validade do principio da incerteza de Heisenberg no contexto da cidadania e da legitimidade representativa, especialmente quando reflectida nos efeitos práticos do termo “temporário” no léxico legislativo.”
Comentário do superior hierárquico:
“ – Ok, quadro sem evolução. Cansa não é?
PS: Atenção às contas de telefone!”
Resposta do agente secreto:
“ – Confirmo. Cansa. Mas se eles aguentam, nós também temos a obrigação de aguentar.
PS: são ossos do ofício chefe, estão sempre a dizer para eu ligar para ganhar carros e prémios em dinheiro.
O Chefe responde:
“ – Muito bem. Estamos contigo.
PS: olha lá, mas isso dos carros não é com o NIF nas facturas?”
O agradecimento final:
“ – Obrigado. É bom sabe-lo.
PS: É em todo o lado chefe, dão carros em todo o lado!”
Compreensão da Confiança dos Mercados
Recentemente ouvi na rádio alguém ligado ao governo a malhar nos assinantes do famoso Manifesto dos 70 dizendo que emitem opinião sem ter conhecimento aprofundado sobre os problemas do país. Mais recentemente ouvi Durão Barroso em entrevista a dizer que o manifesto foi um erro crasso que veio fragilizar a posição de Portugal nos mercados.
Pus-me a pensar e realmente reconheço que conhecimento sobre a situação real é algo que não é partilhado com os portugueses. E coloquei-me no lugar de um investidor internacional. Afinal se actualmente estão com indíces de confiança no investimento da nossa dívida equiparados aos de 2009 é porque a análise puramente lógica, racional e fria dos números, nos permite tirar conclusões positivas e optimistas sobre o nosso futuro.
Sendo assim compilei aqui uma série de indicadores que espero virem a trazer algum esclarecimento sobre a lógica dos mercados face ao investimento na dívida de Portugal. Comparei a informação disponível à data das boas taxas de juro em dois períodos no tempo.
| Indicador | 2010/01 | 2014/03 | Observações |
| Juros Dívida a 5 anos | <3% | <3% | Revelador do mesmo nível de confiança no investimento na nossa dívida pública. |
| Dívida Pública em % PIB | 78,8% | 130% | Um aumento estrondoso do nosso endividamento que nos torna mais dependentes e ‘submissos’ a credores. |
| Dívida Pública | 132 747,3 M€ | 204 252,3 M€ | 51 pontos percentuais acima são +72 mil milhões de euros em dívida |
| População Residente | 10 568 247 | 10 514 844 | Menos 54 mil pessoas? Os mais de 200 mil emigrantes ainda contam? |
| População Activa | 5 582 700 | 5 389 400 | Ok, aqui está em linha com números de emigração! Bom trabalho nesta contagem! |
| População Empregada | 5 054 100 | 4 978 200 | Talvez fosse bom definir o que é um emprego? Só em 2013 contabilizavam-se menos 229 mil postos de trabalho. |
| Taxa de Desemprego | 9,5% | 16,3% | Quase o dobro em termos oficiais. Juntando os ‘desencorajados’ e o real ainda é pior! |
| População Desempregada | 528 600 | 875 900 | Sem pudor podemos falar de 1 MILHÂO de desempregados! |
| Receita IRS | 8 950,9 M€ | 9 085,5 M€ | Menos postos de trabalho e mais receita de IRS? O governo só pode estar a fazer qualquer coisa bem… |
| Número de Empresas | 1 198 781 | 1 062 782 | Por artes mágicas desapareceram mais de 135 mil empresas em quatro anos. Magia negra? |
| Receita IRC | 4 540,3 M€ | 4 280,5 M€ | Uma perda de mais de 1 900 € por falência. |
| Emigração | ??? | 121 418 | Sem números de 2009 é ainda mais corajoso o incentivo ao desconhecido: a emigração. |
| Nascimentos | 99 941 | 89 841 | Menos bocas, menos consumo, menos despesa. |
| Idosos por cada 100 jovens |
118 | 130 | Calma, o corte contínuo e progressivo de pensões poderá ajudar a corrigir isto. |
| Despesa com Administração Pública |
83 874,4 M€ | 78 243,8 M€ | 5 mil milhões de euros a menos de despesas sendo que 2 mil milhões resultam dos cortes em pensões e salários da função pública. |
| Salário Mínimo | 450 € | 485 € | Boa boa, uma evolução de 5 € ao ano. Quase que dá para absorver um dia do aumento dos custos em transportes, energia e bens de primeira necessidade. |
| Taxa Risco Pobreza (antes de transferências sociais) |
43,4% | 45,4% | Ok, mantemos uma certa uniformidade com quase metade da população portuguesa no limear da pobreza se não tiver qualquer apoio social. |
| Taxa Risco Pobreza (após transferências sociais) |
17,9% | 17,9% | Boa, neste indicador não andámos para trás! Graças a Deus que muitos pobres potenciais emigraram em massa! |
| Consumo Privado | 110 546,8 M€ | 111 954,7 M€ | Apesar de tudo gastámos mais dinheiro! Nada como um aumento do custo de vida para polir um indicador económico. |
| Volume de Negócios do Retalho da SONAE em Portugal | 1 132,6 M€ | 3 415,0 M€ | Mesmo em tempos de crise ainda há quem saiba fazer a ordenha! |
| Volume de Negócios do Retalho da Jerónimo Martins em Portugal | 2 193,6 M€ | 3 250,0 M€ | A crise tem pelo menos duas boas ordenhas! |
Curioso como os indicadores atenuam e mascaram por completo a realidade social vivida e sentida pela população.
Desperta-me particularmente curiosidade o facto de empresas como a SONAE e Jerónimo Martins aumentarem os lucros nas suas redes de distribuição Continente e Pingo Doce. Isto porque quem frequenta os seus espaços comerciais vê com frequência as pessoas a fazer as suas escolhas em função do preço e não da qualidade do produto. O que me leva a especular que os portugueses andam a pagar menos, para comer pior, com lucros maiores para quem aparentemente ‘facilita’ a aquisição com custo mínimo de mercado. E os seus fornecedores? Poderão gabar-se de tal aumento de volume de negócios?
Para concluir olhando para a informação, fácil e publicamente disponível, um investidor atento a pormenores poderia resumir a análise de Portugal em início de 2014 vs Portugal em início de 2010 com 3 chavões 1) o Portugal de hoje está mais endividado, 2) com menos consumo (diminuição de poder de compra e menos consumidores devido a cortes, desemprego e emigração) e 3) com um estado mais fragilizado que terá de cortar apoio social à quase metade da população que ainda se mantém no limiar da pobreza.
Se em início de 2010 com os dados disponíveis os investidores projectavam um cenário optimista, hoje com os dados em cima da mesa o cenário não pode de todo ser idêntico ao idealizado na altura. Ou seja, um investidor na divida pública Portuguesa só pode estar a borrifar-se para os indicadores sócio-económicos do nosso país. ‘Provavelmente’ existem factores externos que anulam a necessidade de valorizar estes números. Caso contrário a única explicação alternativa possível seria uma hipotética manipulação das taxas de juro, à medida das necessidades da manutenção de estabilidade de um sistema político e económico que vive no ponto de equílibrio entre o retirar a máxima rendibilidade das dificuldades de um país e o garantir da sustentabilidade do mesmo.
Será que estas variáveis podem explicar o inexplicável?
| 2010/01 | 2014/03 | |
| Próximas Eleições Europeias | Junho de 2014 | Junho de 2014 |
| Peso de Portugal na Coerência da Europa | Residual | Crítico |
| Maior Responsável por Governação no último triénio | Governo Português | Troika |
| Portugal = Bandeira da Aplicação de Fórmulas Austeras de Gestão Governamental |
Não | Sim |
Resumindo as baixas taxas de juro nada têm a ver com a melhoria da vida em Portugal mas sim com a garantia de que a teta para estes lados pode continuar a jorrar, mesmo que com um caudal mais fraquito. “It’s all about money”, tal como comprovado pela tentativa de recompra da dívida para baixar despesas com juros futuros que ficou aquém das expectativas porque os seus detentores preferem aguardar pela colecta dos juros contratualizados à data da sua compra do que antecipar uma receita mais baixa. O seu lema?
“Estamos cá para ajudar(-nos)”
Sites e Artigos de Referência:
Juros da dívida a cinco e dez anos estreiam novos mínimos do início de 2010
Dívida pública portuguesa deve superar os 130% do PIB em 2014
Juros da dívida a cinco e dez anos estreiam novos mínimos do início de 2010
Volume de negócios da Sonae cresce 6% em 2009
Lucro da Sonae SGPS atinge 319 milhões de euros em 2013
Grupo Jerónimo Martins divulga Vendas 2009
Vendas da Jerónimo Martins deverão ter crescido 11,8% em 2013
Guia de perguntas e respostas para acompanhar os juros da dívidaHá 4,5 milhões de pobres
PORDATA
A Cultura Geral morreu. Vivam os Cursos Técnicos Superiores profissionais de curta duração
Numa entrevista de emprego:
– A menina tem formação em que área?
– Em nada de especial mas em tudo no geral.
– Pode especificar?
– É difícil especificar mais do que isto, sabe. Tive um ano com uma componente geral muito forte e no segundo ano bastou-me aparecer na sala de aula para me encaminharem para este estágio na sua empresa”.

Ainda na semana passada, os Politécnicos anunciaram que não estavam disponíveis para lecionar os cursos técnicos superiores profissionais. Hoje já podem e vão fazê-lo!
Ora, com os Cursos à Bolonhesa, a coisa já ficou pobre. Cursos de três anos não chegavam para adquirir as competências e conhecimentos inerentes a cada área. Passou a ser obrigatório juntar um Mestrado à Licenciatura (não é bem obrigatório, mas é). Tanto zum-zum em torno das Licenciaturas de três anos e a coisa acalmou com a dica da promoção da mobilidade e empregabilidade dos diplomados do ensino superior no espaço europeu.
Heis que surgem, menos de uma década depois, cursos de dois anos com o objectivo de dar formação no geral. Assim um lamiré da coisa. Mas conferem algum grau académico? Não! Antes chamavam-lhe cultura geral. A partir de hoje, chamam-lhe Curso Superior Profissional.
O objectivo é, e passo a citar o comunicado do Conselho de Ministros, “alargar e diversificar o espetro da oferta do ensino superior em Portugal e, por essa via, aumentar o número de cidadãos com qualificações superiores necessárias ao país”. Boa, vamos lá consolidar o nosso 4.º lugar na UE com a maior taxa de desemprego jovem.
A boa notícia é que, como estes mini-cursos terminam com um estágio, os anúncios de estágios curriculares vão começar a desaparecer. Na verdade, são o par perfeito.
Pombos sem Asas
Esperámos pacientemente, aguardámos mais de dois mil e duzentos anos, mas valeu a pena. O “Plano de Acessibilidade Pedonal” da capital gerou mais uma conveniente polémica. Não se debate o plano, apenas os pavimentos. Compreende-se, é coisa nossa. Os corvos que adornam o Brasão de Armas de Lisboa assumem posições. Dividida, a tripulação da Barca Negra debate a calçada. Só os debates inconsequentes nos despertam tamanha paixão. Na proa os críticos, na popa os apoiantes. Estão ao Leme, pelo que o rumo está traçado. Nem a coerência cromática com a bandeira de São Vicente salvará a arte-do-calcário-e-basalto. Será progressivo, levará o seu tempo. Três anos. Não é muito. Aguentamos. Já diz a flâmula: “Mui Nobre e Sempre Leal Cidade de Lisboa”…
Como sempre, os estudos demonstram tudo. Afinal, a pedra está cara, e pior, a estatística demonstra-a perigosa, escorregadia e traiçoeira. Um perigo! Nada de novo. São más práticas antigas, do tempo em que os habitantes desta cidade estavam isentos do pagamento de impostos. É verdade, foi em 200 a.C. Estavam então os Romanos ao leme da Barca Negra. Chamavam-lhe “Olisippo”. Imagine-se que se lembraram de usar pedra para pavimentar estradas e caminhos. Até construíram impérios, mas convém aqui lembrar que a esperança média de vida era então inferior aos 50 anos. A tradição nunca foi o que é, e a palavra “isenção” não é hoje conjugável com a palavra “cidadão”.
Enquanto esperamos pelos resultados dos estudos relativos aos perigos nas zonas verdes, congratulamo-nos com a decisão tomada por unanimidade. Aqui há negócio, acusam os mais cépticos. Jura? Mais uma clara demonstração de representatividade. Abundam na “democracia self-service após eleição”, que convenhamos, já cansa. Por mais nobre o princípio, por mais inclusiva e benemérita a iniciativa, desconfiamos. Em casa sem pão, todos ralham, porque todos têm razão. E o que é que isto interessa ao caso? Nada! Nada? Então siga! Sim, SIGA – Sistema de Informação Geográfica para Gestão da Acessibilidade. Haja modernidade. Avancemos para outra teoria da conspiração.
Não terá a iniciativa camarária um objectivo oculto? Talvez mais obvio, mais simples e mundano? Governar é prever, está bom de ver, antever: Não vá a próxima “ajuda” externa exaltar o munícipe, ou não vá um futuro governo “mais amigo” dos contribuintes, os decepcione logo após tomar posse. Não estará a Câmara Municipal de Lisboa a tentar desactivar tanta e tão disponível munição? Julgo que sim! Por este motivo, e apenas por este, lanço o meu apelo: Salvem os Pombos sem Asas!
C.E.P – 2013
A pedido da tripulação, estou de quarto à ponte. Prestes a entrar no novo ano reflicto sobre a rota percorrida ao longo dos últimos 12 meses. Verifico que a estabilidade é total! Prevalece o faz-de-conta. A Nau não tem estai nem mezena, deriva empurrada pela borrasca. Os arautos da verdade de outrora, são hoje os pantomineiros de serviço. Estão ao Leme com um desígnio: salvar o possível do status quo. Não são marinheiros, nem tão pouco líderes, são pastores. Conduzem o rebanho em círculos, para chegar a lado nenhum. Mas há propósito. Não podíamos, não queiramos ser os carrascos do Euro. Não fomos, nem seremos. Se morrer a culpa não será nossa. Cumprimos, sem cumprir, mas já não vivemos acima das possibilidades. Amem.
Honra a quem contribuiu. Nenhum voluntário é certo, mas ninguém passou por Tancos. Talvez por isso não seja relatado nenhum milagre na recruta. Somos o C.E.P – o Corpo Expiatório Português. Não fomos para as trincheiras da Flandres, mas é de lá que vêm as ordens. A guerra mudou, é mais civilizada, é económica. Os pergaminhos castrenses são contudo observados com rigor germânico. Erich von Ludendorff é amiúde citado. Eis-nos novamente confrontados com este General. A doutrina é simples: Der Totale Krieg! A paz é apenas o breve período entre as guerras.
A nós, Milhais que valemos por milhões, não está reservado nenhum premio nem louvor. Continuaremos pobres, mas ricos de espírito. Tal como há quase um século, a gloria será de outros, cabe-nos de novo a sapa. Felizmente que ainda ninguém nos metralhou por desobediência.
Assim foi 2013, fomos o C.E.P. do século XXI.
Carta de Natal de Pedro Passos Coelho
Estamos praticamente no dia da consoada de Natal. Tendo em conta as circunstâncias até me sinto um pouco culpado por estar hoje de férias numa altura em que o país precisa de muito trabalho. Certamente que o nosso primeiro ministro nem tempo teve para escrever a cartinha ao Pai Natal, correndo sérios riscos de não ter prenda no sapatinho. À boleia do espírito de Natal decidi à última da hora escrever uma carta em seu nome e proporcionar-lhe, amanhã, uma inesperada surpresa.
Querido Pai Natal, para começar peço desculpa por tratar-te por esta má tradução do teu nome, Santa Claus, espero que compreendas, foi para não dar uma carga negativa ao teu nome, uma vez que nós portugueses consideramos que não há cláusulas santas no mundo. Nem as da constituição!
O meu nome é Pedro Passos Coelho, não te deixes enganar pelo apelido porque nada tenho a ver com o coelhinho da Páscoa nem com a distribuição de pães ázimos. Para ser sincero por minha causa há muita gente a comer o pão que o diabo amassou…
À primeira vista sei que pareço um menino que só faz más acções, mas estou seguro que tu saberás discernir a qualidade dos frutos do meu trabalho que serão colhidos no futuro. Afinal o estrume é parte essencial da agricultura e alguém tem que arregaçar as mangas e baixar as calças para o produzir!
Quero também avisar-te que, por aqui, este ano alguns dos meninos não comeram a sopa porque não havia, pelo que evita penalizá-los por isso. Talvez não dar prendas a meninos que não bebam um copo de água?
Posto isto vamos ao que interessa. Passo a fazer a encomenda das prendas que muito me aprazeria encontrar no sapatinho com a tua assinatura. Sei que não me podes dar todas, pelo que te digo porque preciso de cada uma delas, confio na tua sapiência, sei que vais decidir bem quais devo receber este ano.
- Conjunto de Gazuas – porque constantemente estou a deparar-me com portas cerradas que obrigam a grande desgaste negocial para abrir. Com um instrumento especializado poderei arrombá-las sem pudor, poupando tempo e esforço.
- Tribunal Constitucional da Playmobil – sou um coleccionador inveterado e é a única coisa que me falta colocar no baú! Já lá tenho os polícias, os bombeiros, os médicos, os enfermeiros, os funcionários públicos e até mesmo os raríssimos engenheiros de construção naval já estão a caminho!
- Amolador de Lâminas – encontrei uma machete no sotão, do tempo do meu avô, e às primeiras golpadas percebi que a dita está completamente cega. Em vez de desferir golpes certeiros só dá quicadas. Ainda tenho esperança de a recuperar mas preciso de instrumentos especializados. Por agora está a marinar num alguidar de coca-cola para retirar a ferrugem.
- Globo Mapa Mundo – pois é… por incrível que pareça de momento não tenho um globo à mão! O que causa enorme transtorno uma vez que ando a receber cartas insultuosas de todos os cantos do mundo. Gosto de lhes chamar os conselhos da diáspora Portuguesa! Adoraria marcar no globo de onde são enviadas as cartas, só que o globo que tinha foi despedaçado pelo meu MNE e Vice que o disputavam ao planear o seu roteiro de viagens de diplomacia internacional. Apesar do alarido dá gosto ver estas ganas de querer fazer!
- Dicionário da Língua dos Pês – às vezes, quando me querem ensinar o meu trabalho, a gentalha da oposição e da contestação social mete-se a gozar comigo PPPs isto, PPPs aquilo, FDP para aqui, FDP para ali, e não percebo um boi do que falam. Faz parte das minhas funções descer ao seu nível, responder-lhes na mesma linguagem, e reconheço que preciso de ajuda para tal.
- Um Bom Tacho – comecei por fazer um refogado em lume brando que a meio, por falta de pachorra da minha parte, decidi transitar para uma panela de pressão. Agora está tudo alarmado a apitar e temo que possa mesmo explodir antes de estar no ponto que pretendo. Precavendo-me contra o facto pedia-te, se possível, um bom tacho onde possa continuar a fazer os meus temperos gourmet. O Ângelo, meu mentor de caldinhos do passado, parece já não ter equipamento que me possa dispensar. 😦
E pronto! Não quero abusar! Espero que consigas pelo menos um ou dois destes presentes para o meu sapatinho. Ia ser tão bom para mim… Se não conseguires nada disto na tua fábrica aconselho-te a troca de fornecedor chinês para alemão. Diz que vais da minha parte sff.
Por fim um pequeno aviso. Não tentes fazer swaps dessas prendas com outra coisa qualquer. Isso vai dar porcaria, fala a voz da experiência.
Tudo de bom para ti. Espero que tenhas uma boa noite. Podes vir com as renas todas que aquela história de só puderes ter duas foi uma brincadeira de mau gosto.
Abraço deste teu crente
Pedro Passos Coelho
PS – onde estás a ser tributado a nível de impostos? Já ouviste falar do Golden Residence Permit? Fala comigo!
E com este post desejo um feliz e divertido Natal para todos! HO HO HO
Um Gesto Estrondoso
Por mais obvia a evidência, por mais clarividente a prova, duvidamos sempre da virtude Lusitana. Subestimamos, inexplicavelmente, as qualidades e envergadura moral de todos os nossos compatriotas, especialmente dos altos dignitários da nação. Incompreensível! Esta constatação autocrítica exulta o dever patriótico do exorcismo, por isso, reincido na denúncia deste complexo de inferioridade.
Interpelo todos os Compatriotas, simpatizantes, turistas e amigos da Lusofonia: Nunca duvidem da influência da nação Lusitana no mundo. Os factos permitem-me poupar nas palavras. Passemos aos exemplos: Desenvolvendo a sua prestigiada magistratura de influência, el Rey “considera a morte de Mandela o acontecimento mais marcante de sempre“. Alguns, nitidamente mal-intencionados, precipitaram-se ao concluir: Se a morte foi o momento mais marcante, a vida e obra não interessam ao supremo tecnocrata. Discordo desta interpretação. É tendenciosa e antí-dinástica. Ignoremos.
A coerência, a verticalidade, o elevado sentido de missão deste nosso estadista de eleição é prova inequívoca da sua virtude, mas dado o ancestral cepticismo, avanço mais um irrefutável exemplo: A cerimónia de homenagem a Nelson Mandela foi ensombrada pela polémica em torno da prestação do interprete de linguagem gestual, de seu nome Thamsanga Jantjie. O interprete diz-se qualificado, mas subitamente afectado por um enfermidade do foro psicológico.
Surdos de todo o mundo manifestaram a sua revolta, pois não compreenderam nenhuma das intervenções, com uma única excepção:
Qual primus inter pares, o nosso monarca foi o único líder mundial a quem o interprete gestual não se atreveu a boicotar o discurso. Gesticulou com precisão milimétrica, a mensagem passou na integra. Foi um gesto estrondoso!
Parapolítica de fusão
Dá cada vez mais dó assistir ao desgaste constante que os media e os parceiros sociais fazem aos nossos governantes com capacidades especiais. Há que respeitar os seus diferentes timings e horizontes mais amplos que os dos humanos mais comuns. Chegámos ao ponto de ter de ser uma sapiente best-seller a alertar-nos para a necessidade de sermos mais tolerantes para com eles, que tanto trabalham para nosso bem. Afinal, apesar das nossas diferenças no nosso âmago eles e nós somos o mesmo.
E assim debrucei-me sobre estas medidas especiais, saídas das cabeças dos actuais parapolíticos, muito mais receptivo às suas boas intenções e resultados projectados. Apesar do ruído causado pelas machetadas que desbravam o caminho e pela azia causada, entre-portas, pelo mau chá Macaense julgo que consegui vislumbrar o toque de Midas dos nossos governantes! E consegui-o sem deixar crescer a barba por aí além, coisa que reconhecidamente garante ganhos imediatos de inteligência, respeito e maturidade, como todos sabemos via os recentes briefings.
Portugal tem as medidas correctas aplicadas sendo a única lacuna o facto de ainda estarem a ser pensadas como parcelas isoladas! Basta, através de um elaborado processo de fusão, potenciá-las e fortalecê-las, permitindo ao Estado poupanças na ordem dos milhares de milhões de euros! Sim, é isso mesmo! É muito fácil!
Vamos a factos rápidos relativos a Portugal
- 3 Milhões de Pensionistas com Valor Médio de Pensão de 302 € = Gastos mensais de 906 M €
- 877 Mil Desempregados dos quais só 387 Mil recebem um subsídio de desemprego com Valor Médio de 354 € = Gastos mensais de 137 M €
Mais de mil milhões de euros gastos mensalmente em prestações sociais. Grandes despesas sem qualidade de vida para milhões de cidadãos. E apesar de tudo as prestações sociais são um dos principais alvos de cortes porque são uma das fatias com impacto imediato nas continhas a apresentar à Troika.
Aos desempregados que não recebem subsídio, perto do meio milhão, o governo tem indicado a porta de saída do país. Apenas com um “Adeus e boa sorte!” porque infelizmente nem para um queijinho as contas dão.
Ao mesmo tempo viraram a agulha do investimento para as exportações! Na sua visão sem consumo interno há que, entre outras coisas, diminuir o custo da mão de obra activa para tornar os nossos produtos e serviços mais atractivos no exterior. PMEs ficam para segundo plano, vamos por agora ajudar as grandes empresas a projectar-se no exterior!
Vistas de forma isolada parecem medidas de retrocesso e ultrajantes, só que combinadas podem ser a solução para recuperação meteórica! Basta exportarmos os nossos pensionistas e desempregados!
É tão óbvio que até eu me envergonho de só agora ter visto a luz ao fundo do túnel com tanta clareza! E ela é emitida da panóplia de países onde viver com 5 dólares por dia é considerado confortável. Os países onde o limiar de pobreza é delimitado pelo valor de 2 dólares por dia. Ou seja, pela módica quantia de 3,73 € por dia (5 dólares ao câmbio de hoje), 115 € por mês teríamos os cidadãos portugueses mais necessitados a viver confortavelmente no exterior.
De certeza que conseguimos voos baratos porque alguns desses países são já donos das maiores empresas nacionais e podem puxar uns cordelinhos. Vêem aviões carregados de mão de obra barata deslocalizada e vão os nossos fragilizados de encontro a uma vida de classe média. Com um bocado de sorte uns conseguirão emprego e conseguiremos produzir produtos “Made in Asia by Portuguese”. É sempre a ganhar. Refazendo as contas acima bastariam uns 460 milhões de euros, incluindo subsidios aos quase meio milhão de desempregados que de momento nada recebem. Uma poupança directa de mais de 60%! Aos quais podem ser acrescentados poupanças em despesas de saúde e educação porque a população não está cá!
A parapolítica tem um enorme potencial, basta-lhe aplicação de técnicas avançadas de fusão.
Talvez depois deste post muitos Portugueses possam ter a vida digna que merecem em países onde se podem dar ao luxo de terminar cada dia com um final feliz.
Pensões, pensos rápidos e pensos higiénicos
Pensões, não se tem falado de outra coisa ultimamente. De tal forma que me debrucei sobre o assunto ao ponto de ler em detalhe como é calculada a reforma e fazer uma leitura rápida sobre um estudo mais denso sobre o assunto. Enquadrando quem também não conhece em detalhe o nosso sistema de pensões, sem exactidão matemática absoluta, temos fundamentalmente o seguinte:
- A partir de 1993 a famosa Taxa Social Única fixa-se nos 35,5% de descontos para a segurança social, cabendo 11% ao empregado e 24,5% ao empregador;
- Para descontos até 2001 a Remuneração de Referência corresponde à média dos 140 salários dos 10 melhores anos dos últimos 15 anos;
- Para descontos após 2002 a Remuneração de Referência corresponde à média de todos os salários com descontos de contribuição social;
- A idade de reforma é de 65 anos;
- A reforma é possível aos 55 anos para quem tenha pelo menos 30 anos de contribuições com uma penalização de sensivelmente 4,5% ao ano;
- A reforma é possível aos 70 anos para quem tenha pelo menos 40 anos de contribuições com um bónus de 10% ao ano;
- O valor mínimo de reforma para quem tenha pelo menos 40 anos de contribuições é de 89% do salário mínimo nacional (hoje são 565,83 € brutos o que dá uma reforma mínima de 503 €);
- O valor mínimo de reforma é de 300 € sendo completada até esse valor através de um montante denominado de “Complemento Solidário para Idosos”;
- O sistema está pensado tendo como referência a esperança média de vida dos Portugueses que está perto dos 80 anos, o que corresponde ao pagamento de 14 pensões por ano durante 15 anos.
Da forma como está desenhado o sistema de pensões deveria ser autosustentável. Os 40 anos de contribuição garantiriam os 15 anos de pensões no período pós-reforma. No entanto há dois problemas que o fragilizam e fazem com que as contribuições de hoje, ao invés de estarem a garantir o pagamento de pensões dos seus contribuintes, estão na verdade a ser usadas para garantir o pagamento das pensões actuais.
O primeiro problema é a juventude do sistema em si. Em 1993 quando definida a contribuição de 35,5% já tinhamos décadas de aplicação de outros regimes contributivo que não era nem uniformes, nem universais. O resultado foi que milhões de pensionistas se reformassem ao abrigo dos novos critérios sem terem contribuído em volume suficiente para compensar os gastos futuros com pensões. Ou seja, só no período democrático, de 1974 a 2001, há muitos pensionistas reformados ao abrigo de antigos métodos de cálculo que representam ‘prejuízo’ para o estado uma vez que o volume de contribuições realizado a nível individual não cobre os gastos com a sua pensão individual. As preocupações sociais foram colocadas à frente da sustentabilidade económica do sistema a longo prazo.
O segundo problema foi a exploração das falhas nos sistemas vingentes até 2001. Um sistema que privilegiava os melhores 140 salários do final da vida contributiva. Onde patrões e trabalhadores chegavam a acordar uma gestão salarial em que nos últimos anos de carreira existia um aumento significativo para garantir uma melhor reforma. Um sistema onde quem fugisse a uma longa carreira contributiva, ou recebesse uma parcela não tributada, teria garantida uma pensão mínima que apesar de pequena é confortável para muitos. Com a ‘agravante’ de que a esperança média de vida tem aumentado a bom ritmo aumentando potencialmente os anos de exposição a prejuízo no pagamento de pensões.
Agora que temos quase 3 milhões de pensionistas, com a grande maioria a ter beneficiado dos cálculos tendo em conta os melhores 10 anos dos últimos 15 e muitos sem carreira contributiva significativa a beneficiar dos valores mínimos de pensão, o sistema está a dar o berro e daí começarem a surgir as impopulares taxas e cortes sobre pensões. São os chamados pensos rápidos para tentar remediar a situação a curto-prazo.
As vozes indignadas gritam que nas pensões não se toca! Que se devem respeitar as regras do jogo na altura! Que se devem é acabar com as reformas dos políticos. Até eu me sinto tentado a dizer o mesmo. Só que na verdade sou da geração que corre o risco de não ter pensão depois de décadas a contribuir para financiar os erros do passado. Acabei por me inclinar para uma solução ao estilo penso higiénico que provocará sangramento mas garantirá a correcção necessária para um novo ciclo sustentável.
- Recálculo Imediato de Todas as Pensões: facilmente se percebe que há muitas pensões inflaccionadas não sendo justo para os contribuintes actuais suportar esse ónus. O recálculo das pensões existentes, tendo em conta toda a carreira contributiva e não apenas os melhores 10 anos dos últimos 15, e a actual esperança média de vida, iria baixar consideravelmente o valor de muita das pensões actuais. Com impacto progressivo nos casos com maior diferencial para tentar minimizar danos sociais avaliando condicionantes como ter ou não ter habitação própria.
- Criar Conta Corrente de Pensão: mais importante do que a idade de reforma é o valor de reforma para garantir um final de vida condigno. Há trabalhadores que têm a sua vida pessoal resolvida, em termos de liquidação de dívidas e realização profissional, aos 50s ou mesmo 40s, estando dispostos a auferir menores rendimentos ganhando mais tempo para si. Cada contribuinte deveria ter uma conta corrente em que teria o valor de referência da pensão que iria receber se se reformasse no momento. Desde que esse valor atingisse o valor da reforma mínima 300 € poderia ser accionada a reforma. Esta medida daria mais flexibilidade para a decisão de reformas antecipadas porque a pessoa toma a opção considerando que com o rendimento de pensão actual já teria uma vida plenamente satisfatória. Em adenda sempre que este valor fosse superior a 300 € o contribuinte poderia activar receber como rendimento o remanescente se se encontrasse numa condição de desemprego de longa duração.
- Reformados e Vida Activa Profissional: um pensionista não deve competir com os trabalhadores no activo, devendo ser-lhe vedada actividade profissional remunerada por conta de outrém. Até porque, tendo em conta o rendimento que já aufere, a concorrência seria desleal podendo baixar os seus custos. Se se quer manter activo profissionalmente não se reforma. Se deseja aplicar os seus conhecimentos não faltarão entidades de cariz social que deles poderão beneficiar em regime de voluntariado. Este ponto é fulcral tendo em conta a flexibilidade dada pelo o ponto 2.
- O Fundo de Pensões é um Depósito Seguro: os fundos de pensões não podem ser utilizados em planos de investimento arriscados que potenciem qualquer tipo de perda. Este é um fundo de garantia que não tem de gerar riqueza, apenas ser utilizado para cumprir com o pagamento de pensões presentes e futuras.
- Os Descontos são Património Pessoal: o valor acumulado dos descontos efectuados são património do contribuinte e em caso de morte antecipada devem simplesmente ser tratados com um valor total deixado como herança aos herdeiros legítimos.
Estas medidas iriam baixar no imediato o valor total de pensões pagas, introduzindo uma justiça retroactiva, dinamizar o mercado de trabalho, pois permitiria reformas antecipadas flexibilizando opções de vida pessoais e abrindo mais vagas no mercado de trabalho, e garantir aos contribuintes o pagamento de pensões e que as suas poupanças são deixadas aos seus herdeiros em caso de óbito antes de esgotar o valor total dos seus descontos acumulados.
Digerir o estado das pensões em Portugal não é fácil pelo que em adenda só vos posso aconselhar a cuidar da vossa saúde com
O Monstro da Tasmânia
O desígnio da nação é o Mar. Ouvimos este pregão aos nossos governantes ao longo de décadas, mas não vemos nada. Cegueira nossa. Muito tem sido feito desde o início do sec XIX. Sim, são planos para futuro! O que fizemos? Importámos o monstro da Tasmânia. Desde então reproduz-se livremente no nosso país. Não há limites ao crescimento do seu habitat. O monstro da Tasmânia é aromático e pastoso. Cresce muito rapidamente, chegando aos 50 metros de altura em poucos anos. É perfeito para a construção naval e, imagine-se, é 100% à prova de fogo. Ao contrário das inflamáveis espécies autóctones, esta espécie nunca arde. Característica incomum que salvaguarda e protege os nossos soldados da paz. O monstro da Tasmânia é conhecido entre nós por Eucalipto, Eucalyptus Globulus para os mais eruditos.
Somos a nação europeia com maior percentagem de eucalipto na sua floresta, e somos o país europeu com maior área de eucalipto em termos absolutos. Ninguém na Europa acarinha o monstro da Tasmânia como nós. Desertifica, destrói os solos, criticam. Nitidamente, os nossos parceiros não compreendem o potencial da espécie. O nexo de causalidade que escapa aos líderes europeus está apenas ao alcance dos nossos governantes: A Arábia Saudita é um deserto rico em petróleo, logo, quanto mais rápida a desertificação do país, melhor. É óbvio!
Então e o mar? Está em marcha o plano: Após a concessão dos Estaleiro Navais de Viana do Castelo, o estado estará em condições de lançar o seu grande programa de construção naval. Abandonaremos as obsoletas técnicas de construção em aço para abraçar a modernidade. O futuro é a arquitectura naval Origami. Grandiosas frotas explorarão o potencial da nossa vasta zona económica exclusiva.



![bye-bye-2013-and-welcome-2014-year[1]](https://aoleme.com/wp-content/uploads/2013/12/bye-bye-2013-and-welcome-2014-year1.jpg?w=604&h=377)






