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Nem só da arte de marear se faz rumo, por vezes é a deriva que nos leva a bom porto.

Para quando a necessária tempestade política?

É impossível ficar indiferente ao nível de destruição e provação a que está neste momento sujeita uma grande parte da nossa população. Portugal não está habituado a tempestades deste nível, o que infelizmente potenciou o impacto. Todos vemos nas notícias o resultado dos ventos ciclónicos. Alguns, como eu, terão tido um contacto mais directo, apesar de distante, com moradores das zonas afectadas e é muito triste sentir o desalento e desorientação em que foram mergulhados.

O trauma humano

Muitas pessoas passaram pela ruína das suas habitações, outras viram-se no meio de um cenário de guerra, onde imediatamente foi sentida a falta de serviços básicos como água, luz, comunicações e abastecimento de combustível e alimentos. Pior do que não saber o que se passa fora da “bolha” física e local que lhes foi imposta, é sentir que nada chega do exterior, como se estivessem ao abandono e esquecimento.

Obviamente a magnitude do evento não permite a resposta global, mas essa racionalidade não é suficiente para fazer esquecer esse sentimento e a constatação de que há momentos em que só podemos contar connosco e com os que estão em nosso redor.

Ao imediatismo da necessidade de sobrevivência, junta-se o fantasma da incerteza quanto ao fim da provação (já que as chuvas torrenciais não param) e ao futuro financeiro e laboral, pelo que é preciso também zelar pela saúde mental nas áreas afectadas, criando as medidas necessárias para o proporcionar.

O real impacto económico

Apesar de as TVs focarem o que se passa na cidade de Coimbra, o território severamente afectado alarga-se no mínimo à maioria dos distritos de Leiria, Coimbra, Santarém e parte de Castelo Branco (havendo outros distritos afectados consideravelmente).

Falando apenas nos três primeiros estes representam 12% a 15% do PIB nacional, com cerca de 1,3 milhões de habitantes e 750.000 trabalhadores. É indiscutível que o foco deve ser a recuperação e regenaração de comunidades e economia, custe o que custar. Mas vai fazer mossa nos anos vindouros.

Onde estão os planos de prevenção e acção?

No tema das campanhas de sensibilização relativamente a “alterações climáticas” e eventos extremos que irão assolar Portugal a bota não bate com a perdigota. Campanhas mediáticas justicam-nos enormes investimentos para preparar Portugal para o combater e prevenir, mas quando somos alvo de um real evento extremo percebemos que pode ser apenas propaganda.

Falha nas comunicações

Temos um sistema de telecomunicações para emergência e socorro baseado em antenas e fornecimento de energia que pelos vistos está altamente vulnerável, perdendo o pio exactamente nos momentos em que é necessário. Pior, a população perdeu todas as comunicações, a única viabilidade foi sintonizar sinais de rádio, o que foi feito por muita gente. No entanto isso só gerou indignação porque, esperando orientações e actualização sobre o que se passa no terreno, a fórmula era a mesma de sempre: música, entretenimento, notícias generalistas e futebol. Pelos vistos as ferramentas de alienação não têm o mesmo efeito quando foi activado o modo de sobrevivência. O que a população esperava era articulação de acções, ajuntamentos, mensagens de esperança, demonstração de progresso no terreno, o que teve foi uma desvalorização total da sua desgraça e ocupação da única ferramenta de comunicação com conteúdos totalmente inúteis e desenquadrados.

Existem soluções de recurso, por exemplo redes de walkie talkies prontas a distribuir e usar, que permitam ligar as populações próximas e agilizar a sua entre-ajuda evitando deslocações complicadas. Não faz sentido não haver prontidão local para casos de blackout de comunicações e SIRESP.

É preciso desenhar um circuito de informações centralizada que permita comunicar o que se passa dentro das zonas afectadas para o exterior e vice-versa. Para tranquilizar familiares e evitar deslocações em massa por impulso que podem ainda prejudicar mais a situação ao criar pressão acrescida numa zona sem condições.

Falha nas infrastruturas

É compreensível que partes da rede eléctrica, com décadas, estejam assentes em estruturas não preparadas para resistir às forças a que foram submetidas, inclusive há que reconhecer o bom trabalho no restabelecimento desta infraestrutura básica (61 postes de alta tensão foram derrubados). No entanto, há que questionar com muita veemência como é possível instalar telhados e estruturas industriais não preparadas para o que nos dizem vir a ser o cenário futuro do clima em Portugal.

Pior, os recentemente subsidiados painéis solares não resisitaram aos efeitos daquilo para o qual supostamente são uma medida preventiva. Um só exemplo, no parque industrial de Gaia, na Figueira da Foz, a empresa United Resins teve 800 painéis solares completamente destruídos. Em Ferreira do Zêzere, onde 85% das casas sofreram danos, estima-se que centenas de sistemas solares domésticos foram arrancados ou danificados por detritos projectados pelo vento. Posto isto será o solar a solução tendo em conta a sua vulnerabilidade para este tipo de eventos!? Significando que o dia seguinte é blackout garantido?

Falha na preparação

Obviamente as autoridades competentes deveriam estar preparadas para este tipo de cenários. Garantir comunicação a fluir para toda a população, ordenar fluxos de movimentação, organizar grupos de trabalho, etc. No entanto, também cada um de nós deve estar ciente que há momentos em que nos cabe a nós (re)agir. Saber o que fazer, ter mantimentos e combustível armazenados para x dias, estar preparado mentalmente para um cenário de blackout em que temos de nos relacionar e interajudar com a comunidade local. Essa preparação para a adversidade ou a catástrofe faz parte dos países normalmente alvo delas. Por cá os preppers são muitas vezes vistos como pessoas desequilibradas ou pessimistas mas talvez tenhamos de repensar os nossos programas escolares para introduzir tópicos de sobrevivência, resiliência e trabalho de grupo em condições extremas. Muitos vão ter essa aprendizagem agora, pela via mais dura, mas que nos sirva como reflexão para futuro pois é essencial para tornar estes momentos mais serenos.

A lentidão na decisão

Parece que tivemos um ministro lesto em fazer uma produção para as redes sociais, onde transparecia a sua dedicação e esforço, a partir de uma sala de crise constantemente ao telefone, vá lá que no terreno poucos lhe tiveram acesso por falta de electricidade ou comunicações, talvez por isso se tenha safo de um linchamento público, também compreensível nestes momentos.

Na TV assistimos a exaspero e desabafos dos que estão naquela penitência, nas redes sociais isso é ainda mais exarcebado com múltiplos posts de pessoas a partilhar a sua experiência, angústias e consternação. Na política assistimos à tacticidade do costume. Avaliação de estragos, definição de timings, polimento das declarações políticas, patati patata.

Não sei o que precisam para perceber que precisamos de decisões políticas de rajada, de preferência à mesma velocidade dos ventos que nos assolaram. Até ver o governo

  • Activou rede de apoios de emergência com bens de primeira necessidade, alojamento e cuidados de saúde;
  • Acelerou financiamento para recuperação urgente de infrastruturas;
  • Vai providenciar indemnizações às famílias de vítimas mortais ou com lesões incapacitantes;
  • Criou linhas de poio financeiro para recuperação de habitações, parques industriais e agrícolas;

O que é a resposta padrão a quaisquer eventos de calamidade, no entanto, tendo em conta a dimensão dos estragos, diria que o ideal seria

  • Dar condições para quem o desejasse, vivendo nas zonas afectadas ou sendo familiar directo de quem aí habite, pudesse simplesmente pausar a sua actividade laboral, sem perda de emprego, para dedicação total à reconstrução da zona e comunidade. Com custas pagas pelo estado ou suspensão de responsabilidades relacionadas com empréstimos. Dar tempo e espaço ao refazer das vidas.
  • Garantir a resposta necessária a todos os trabalhos de reconstrução que vão ser precisos. Será preciso deslocar empreiteiros? Usar a população local para fazer esses trabalhos? O sector da construção já é por natureza lento na resposta à procura, pelo que algo é necessário para acelerar.
  • Ser implacável com quem comete pilhagens e roubos, seja directamente no terreno ou online com falsas campanhas de angariação de fundos.
  • Até plena regularização de comunicações utilizar os canais de comunicação activos para maioritariamente comunicar sobre o que se passa no terreno, inclusive tempos de espera em bombas e supermercados disponíveis.

Isto foi o que me saiu a quente, aquele território precisa de tempo, foco e tranquilidade, certamente quem está a viver a situação terá bem mais e melhores sugestões do que quem está a ver de fora. Fica aqui o convite para o deixarem patente nos comentários.

Eleições quê?

Finalmente deixo um último pensamento. Se esta situação não estiver resolvida no prazo de uma semana que sentido faz haver umas eleições presidenciais que neste momento foram inclusive relegadas para segundo plano? Além desta população poder correr risco de não poder votar devido às circunstâncias, certamente na sua cabeça a eleição para a presidência é neste momento uma minudência. Respeitando o momento talvez estas devessem ser adiadas. Em último caso, se as entidades oficiais não tiverem essa sensibilidade, porque não uma abstenção solidária para que não se corra o risco de uma parte significativa do país não ter condições para expressar o seu voto?

Alterações a padrões de transumância eleitoral

Estas eleições manifestaram um grande sinal da mudança dos tempos. Destruiram os conceitos de “eleitorado do X” que lealmente e consistemente mantém o voto no candidato do seu partido ou do que mais próximo está da sua tendência ideológica.

O eleitorado flutou em função do dia-a-dia de debates, reportagens e declarações, com foco nos traços individuais e não propriamente na visão política de futuro. O trio Ventura, Coutrim e Gouveia e Melo teve o mérito de quebrar os normais padrões de campanha e transformar o formato de debates e campanhas. O reflexo foi um grande envolvimento e interesse por parte do público, com altos níveis de dúvida e indecisão até ao momento de submissão de um voto consciente.

O que se segue agora? Ao contrário de muitos, que pensam que Seguro está garantido, considero que Ventura tem real hipótese de ser eleito. Teremos pela frente três semanas de campanha que será certamente um combate feroz pela preferência da maioria dos portugueses.

O que vi na primeira reacção aos resultados, antes das declarações oficiais, foi um Seguro estereótipo do normal político presidente, contido, com discurso neutro e cauteloso chutando para o firmar dos números que as projecções apontavam. Já Ventura reagiu de forma mais transparente, humana com emoção e empolgamento, projectando imediatamente o que seria a sua estratégia se se confirmasse a sua passagem à segunda volta. Este pequeno momento diz mais sobre o que se pode esperar do estilo de presidência de cada um do que os discursos preparados que viriam depois.

Ventura aparecerá transformado, mais ponderado e abrangente, surpreendendo quem o vê apenas como o populista dos sound bites asquerosos. Apesar de ter começado com o clichet de direita vs esquerda provavelmente o alvo principal será o governo, reagindo às fragilidades correntes como se fora já Presidente da República, numa demonstração antecipada do que seria a sua presidência. Talvez procure encontrar ou repescar alguns rabos de palha de Seguro, no entanto, se não o fez na primeira volta, talvez não exista matéria suficiente para enveredar por esta estratégia. Em simultâneo veremos no parlamento o florescer das segundas e terceiras linhas do Chega, a tapar o buraco parlamentar aberto pela suspensão do mandato de Ventura. Se verá também qual o odor deste jardim.

Seguro será inevitavelmente arrastado para uma situação em que terá de se mostrar muito mais interventivo do que aquilo que estaria à espera. A pressão será muito alta. A estratégia passiva, observando as quezílias entre outros candidatos, que lhe permitiu sobressair como mais ponderado e recto, não será aplicável a esta segunda volta. Será bom para os Portugueses por à prova aquele que à partida é o candidato preferencial e no processo serem expostos ao argumentário adversário para abanar ideias e assunções cristalizadas. Seguro parte como vencedor da segunda volta, tal como Gouveia e Melo o fez na primeira.

Que sera, sera.

Agarra-te ao Pendura!

Não posso deixar de manifestar um grande desencanto pelo lido num artigo de opinião da directora da Visão sobre os “penduras”, que além de completamente ao lado na interpretação dos segmentos de população visados demonstra grandes doses de preconceito e instigação ao ódio que no mínimo serão fortes indicadores sobre o actual critério e agenda editorial daquela publicação.

Continuando a sua metáfora será bom relembrar que os penduras são normalmente os braços direitos dos condutores, debitando informações complementares sobre o caminho, questionando e alertando para comportamentos de risco exercidos pelos mesmos. Curiosamente o lugar do pendura é também conhecido como o lugar do morto, esperemos que a evolução contínua dos sistemas de segurança e aumento da consciência dos condutores venham um dia a eliminar essa associação.

A senhora fala a partir da sua secretária, completamente toldada e hipnotizada pela informação que se tem de limitar a repetir. Já lá vai o tempo em que dispunha de uma frota de jornalistas de investigação capazes de furar as bolhas de confiança e segurança criadas pelos grandes poderes.

O cerco está a ser montado mas não a ser respeitado. Basta andar na rua para o perceber. Muitas violações às recomendações passam incólumes, os tugas desenrascam-se, fica servida a dose mínima do cumprimento para exibição nos noticiários, crê quem o quer.

Entretanto, de forma tremendamente científica, no atingir da imunidade de grupo passamos dos 70% de meta de população imunizada para os 90%, o que implica ter de vacinar adolescentes e crianças. Podíamos realmente estar a fazer muito mais ciência, verificar qual a população imunizada naturalmente, afinal dizem que o número de infectados deve ser muito superior o que quer dizer que o número de imunizados naturalmente também o deve ser. Mas não, preferimos vacinar preventivamente, torrando milhões em testes e vacinas sem recolher dados que de forma cabal permitissem perceber o cenário em Portugal.

A razão apontada pela maior parte daqueles que se vacinam é “não acredito que fossem injectar algo prejudicial, quero é voltar ao normal o mais rápido possível”. Acham ser uma razão suficiente para isso? Eu e muitos dos segmentos vilipendiados pela Srª Directora não acham. E não cedem a condicionamento e pressão. Certamente será um problema, mas esperemos que as decisões tomadas sejam mais racionais e acertadas do que o festival de imposição e fábula de solução a que assistimos.

Basta estar atento a notícias que vão sendo introduzidas no que se chama programação preditiva. Começa-se a falar como mera hipótese e depois aos poucos têm de ser aplicado em larga escala o mais rápido possível. Um exemplo é o dos adolescentes e crianças, seguindo-se já os animais (cães, gatos, zoos, e outros explorados pelo homem).

Confiemos a 100% nas entidades e organismos nacionais e internacionais? Claro. Sabemos que nunca existem interesses nas suas agendas e decisões, que nunca somos danos colaterais… Os “penduras” não o fazem de forma leviana. Porque visitam o histórico de condenações aplicadas a farmacêuticas, tomam conhecimento das estranhas negociações por elas exercidas com os países mais frágeis, percebem que já se preparam para reforço de doses e desenvolvimento de nova variante de vacina, descodificam a argumentação de titulares de cargos políticos de que há que ter cautela com viagens porque os vacinados são mais propensos a contrair e transportar o vírus, estão atentos a movimentação de sindicatos de profissionais de saúde que querem impedir a obrigatoriedade da vacinação a esta classe profissional, tudo para tomar uma decisão em plena consciência, afinal aquilo que é relevante está sempre nos pormenores e não nos grandes títulos e lemas de exaltação à salvação nacional.

Os “penduras” são na sua maioria pessoas comuns, que se dão ao luxo de exercer a sua soberania, sabendo que não estão a colocar em perigo direitos, liberdades e saúde de ninguém. Esse grau de confiança surge por terem acesso aos conteúdos de reputados cientistas que são tirados do ar por ousar apresentar argumentação científica que demole tudo o que se tem feito e se está a fazer. Têm-no porque escavam, percebendo há muito a falsa liberdade de opinião e acesso a informação. Os algoritmos tornaram-se políticos e ferem de morte a nossa sociedade.

Os passageiros no banco de trás não estão nem aí, já nem se apercebem do impacto que uma agenda tem nas paisagens citadinas e naturais por onde passam. Estão conectados em maravilhosas personas, avatares e universos digitais onde são imperadores condutores do seu destino.

Por agora parece ser confortável. Vai-se instalar uma App supimpa que separa os fixes dos idiotas, isso vai fazer muitos idiotas abrir a pestana e ter de se vergar para acesso a produtos e serviços, quiçá um dia mesmo a espaços públicos. Bom bom era poder ter esse controlo na porta do seu prédio e sua casa, pouparia muitas explicações desajeitadas e envergonhadas no barramento dos “penduras” do seu círculo social.

Este é o primeiro grande grilhão de uma nova corrente que está a ser imposta à humanidade. Se houver sucesso na sua implantação muitos mais virão em catadupa, chegando o momento em que ser “pendura” significará morte ou exílio. A distopia futurista está a poucas decisões de distância. Agarrem-se ao “pendura” para influenciar ao máximo a condução ou acreditem que um dia se irão arrepender do destino final por nenhum de nós ousar assumir os comandos.

Irmãos de armas

Soberano ou guerreiro que se alia a outro contra um inimigo comum.

Pessoa que entra com outra na mesma guerra ou que luta por uma causa comum.

Inimigo e Causa Comum

Vencer o coronavírus COVID19, também conhecido por SARS-COV-2.

Reduzir ao mínimo o sofrimento e número de fatalidades humanas.

Recuperar a vida normal.

Caim – O “Aceitacionista”

Tem crença absoluta nos factos e dados apresentados pelos orgãos de comunicação e entidades governamentais. Aceitação plena das decisões tomadas, que defende como se fossem suas.

É consumidor frequente dos principais meios de comunicação. Temente dos números, imagens e relatos catastrofistas. Sente pânico pela possibilidade de que @ própri@ ou os que lhe são próximos sejam afectados. Disposto a tudo para o prevenir.

Apresenta forte ausência de pensamento crítico. Descarta a necessidade de perder tempo na exploração da informação sobre as circunstâncias que revolucionaram a sua vida. Refugia-se em entretenimento e/ou relacionamento social com os que demonstrem convergência na atitude e sentimento, obtendo desta forma o conforto possível e o manter da esperança num futuro melhor.

Quase total incompreensão, com tendência ao desprezo e condenação do seu irmão “negacionista”, diabolizando-o como o responsável pelo protelar da resolução da situação.

Está disposto a sacrificar direitos e liberdades, próprios e de outrem, já que acredita verdadeiramente ser essa a única solução eficaz.

Enfurece-se com a livre expressão e exercício da não conformidade para com as recomendações.

Abel – O “Negacionista”

Rege-se por informação de detalhe, procurando os fundamentos dos grandes chavões comunicados. Contesta, questiona, consome distintas visões, cruza os acontecimentos históricos com os contemporâneos, formando uma opinião própria com base em evidências, lutando contra a algoritmia que procura afunilar a narrativa, enviando telegramas informativos para o alargamento desta discussão aos abertos à mesma.

Receia moderadamente as consequências infligidas por potencial infecção, sua ou dos que lhe são próximos, sem que isso lhe faça perder o discernimento. Alguma morte faz parte da vida. Ao mesmo tempo indigna-se com a velocidade a que ocorre, e se perpetua, a perda de direitos, liberdades e soberania individual, ingredientes essenciais nas soluções duvidosas encontradas após o descarte da ponderação de todas as outras.

Não está disposto a abdicar de direitos fundamentais nem colocar em risco populações que não estão em risco. Preocupa-se consigo e também com os outros, tentando alertar para os perigos desnecessários que se pretendem correr. Não está disposto a sacrificar nada nem ninguém a não ser talvez a sua “reputação” e “status” social.

Entristece-se com a alienação geral aos avisos realizados pelos próprios criadores que expoêm a incerteza associada à solução final.

O momento decisivo

O regente estatal/corporativo incita que Caim aplique coercivamente a solução a Abel. Durante o seu arresto Abel defende a sua soberania questionando o porquê da imposição.

Abel lança à consideração a incoerência na interpretação dos dados. Na contabilização de mortes bastava morrer-se com um teste positivo, prova do contacto com o inimigo, sem distinguir os que faleceram DE dos que faleceram COM o vírus presente no seu organismo. Agora, nas mortes e incapacitação grave associadas à solução final, já não se aplica o mesmo critério. Em óbitos por causas similares aos potenciais efeitos adversos é completamente descartada qualquer correlação remota, sendo considerado mero acaso ter acontecido em quem tenha tomado a poção mágica há semanas ou meses.

Procurando não assustar Caim, Abel questiona o porquê do comportamento dos vacinados não se destacar face ao comportamento dos não vacinados quando em contacto com a mais virulenta versão do inimigo? E porque é necessário vincar fragilidades da solução e a muito provável necessidade do reforço contínuo?

Já imobilizado, Abel alerta para o facto da proteína Spike ser um citotóxico reconhecido, havendo evidências de que este se encontra em livre circulação por todo o organismo dos abençoados “aceitacionistas”, com peculiar concentração em orgãos cruciais, à vida e continuidade da nossa espécie.

Sentindo no olhar o ódio tresloucado do seu irmão de armas, Abel implora a Deus que o poupe, concedendo-lhe o livre arbítrio de figurar como um salutar membro do grupo de controlo. Afinal é dever de um Pai proteger as suas crianças a todo o custo, inclusive de instintos fratricidas.

Durante todo o seu compassivo discurso, de forma sub-reptícia, Abel liberta-se das amarras impostas, estando em prontidão para pleno exercício da sua autodefesa. Seja o que Deus quiser e Caim o decida já que é ele a verdadeira mão na execução do plano do regente mestre carcereiro.

A nossa liberdade acaba onde acaba a dos outros

Com o tempo e espaço que temos agora em mãos seria sensato questionar alguns aspectos da nossa existência. Talvez começando pela razão do sujeitar à clausura.

Um bom começo passa por perceber o que se passa no mundo, segundo os registos oficiais esta revolução começou em Janeiro, primeiro na China, Ásia, depois Estados Unidos, chegando à Europa ainda nesse mês, via França, Alemanha, Itália e Espanha. Só passado um mês do primeiro caso em Espanha é que Portugal entra no lote dos países oficialmente COVIDados para a pandemia.

Entre Janeiro e Março foram evoluindo as estatísticas sobre grupos vulneráveis, que permitiam perceber a gravidade da situação para os mais velhos e os com condições de saúde mais vulneráveis, bem como informação sobre o período de incubação.

Inicialmente, segundo os relatórios oficiais, só a China tinha uma situação alarmante, em termos de número de mortes, o que fez com que o mundo Ocidental subestimasse o que aí vinha. Quando no final de Fevereiro disparou em Itália o número de óbitos, já todos tinham sido apanhados de surpresa. Ficou óbvio que, ou haviam muitos mais casos não reportados, ou o tempo decorrido entre os primeiros sintomas e os óbitos deu a ilusão de ser maioritariamente um género de uma gripe relativamente inofensiva.

Esta latência de percepção, do real perigo a Ocidente, fez com que seja muito provável que, na altura em que a opinião pública foi sensibilizada para a reclusão social, muitos já seriam portadores / incubadores, pelo que a instintiva reunião familiar poderá ter perigado os grupos de risco, que deveriam ter sido resguardados antecipadamente, tivesse havido esse discernimento.

“FICA EM CASA!” foi o grito desesperado de uma população desnorteada pelo imediatismo da chegada de um vírus “fulminante”. Uns por medo de que lhes toque a eles ou aos seus, outros por um dever cívico de “suavizar” a pandemia, outros condicionados por pressão política, autoritária e/ou social.

A liberdade individual foi assim anulada por um suposto bem comum, como se todos tivéssemos as mesmas condições para atravessar um recolher prolongado confortável, como se todos fossemos dominados pelos medos e riscos inerentes a viver, como se todos os que pertencem aos grupos de risco estivessem dispostos a sacrificar a sua liberdade, a sociedade e o futuro de muitos por uma hipotética segurança contra o COVID19.

A maior justificação desta paralisia nacional é a de que não queremos o rápido asfixiar de um SNS, que já estava encostado às cordas no seu dia-a-dia, preferindo-se a lenta asfixia da economia e dos portugueses. Uma decisão política fácil do ponto de vista da aceitação popular. Pergunto-me pelo que se medirá o nível do seu sucesso? Falamos em salvar vidas? Quantas? Ou sobretudo diluir óbitos no tempo?

Quantas semanas terão de passar até que tudo isto seja equacionado? Até que compreendamos que não estamos a falar de uma ameaça que potencie a extinção da humanidade, ou sequer da população de um país? Só em Portugal morrem mais de 100 000 pessoas por ano! O COVID19 irá incrementar bastante estes números ou “roubar” óbitos às doenças que mais matam em Portugal?

Vivemos tempos difíceis para os decisores políticos e população, sendo fulcral uma informação factual e objectiva para que sejam tomadas, de forma transparente, as decisões mais sensatas de acordo com a informação disponível, pensando não apenas no imediato mas também no futuro a médio prazo.

Provavelmente muito em breve veremos uma transição do movimento de “Fica em Casa!” para um “Fica em casa?”. Até lá que cada um encontre o seu propósito de reclusão pois, por agora, sair à rua é um atentado à liberdade e direitos da comunidade.

O Aplauso dos Inocentes

Em resultado da fuga a todo o custo, do contrair de enfermidade severa, é a febre da cabine que avança, indomável sobre a guarnição. Nem toda, pois alguns bravos garantem a flutuabilidade, o guarnecer das refeições, o alinhamento de velas e leme para que não se perca o rumo.

Em isolamento social, voluntário mesmo antes do imposto pela capitania, do alto da gávea condicionada, da janela das cabines cerradas, os mais ilustres, os mais afortunados e os mais vulneráveis aplaudem os seus heróis, mesmo antes do início da odisseia que se prevê atribulada e perigosa. Tal entusiasmo só rivaliza na história com o gáudio das elites romanas, ao encorajar as fileiras de gladiadores que entravam na arena do coliseu. Ambos dispostos a dar tudo pelos outros.

Esses “heróis”, que não o escolheram ser, apenas calhou de originalmente exercerem essas tarefas, trabalharão a dobrar, com risco acrescido, compensando as lacunas, satisfazendo a demanda, daqueles cujo ofício não interfere com o cumprir do serviço mínimo obrigatório à continuidade da navegação.

 

Morrer feliz

Por agora o assunto morreu sendo seguro que voltará à baila, espero que em condições. Algures no tempo tenho ideia de ter tido muito mais certeza sobre a minha posição quanto ao direito a morrer. No entanto as coisas mudam, conhecemos pessoas, ouvimos hisrias, analisamos factos, lidamos com a  luta e/ou morte de pessoas próximas, decidimos matar seres próximos (como animais de companhia), refletimos sobre a conexão holística e cármica, e de repente a base sobre a qual assentam os nossos fundamentos passa do concreto armado à areia movediça que nos obriga a movimentar cautelosamente em busca de terreno sólido onde firmar pé novamente.

Eutanásia advém do grego euthanasia que significa morte fácil, morte feliz. A componente fácil diremos que poderá estar relacionado com a comodidade, rapidez e ausência de sofrimento físico. Terá sido aqui que se focou a tradução da palavra para o mundo contemporâneo, deixando cair por completo a componente da felicidade. Julgo que não terá sido por acaso pois para garantir uma morte feliz esta terá de ser precedida por uma vida feliz, por uma vivência comunitária e familiar que construa significância. Não será complicado matar alguém de forma instântanea e indolor mas garantir que parta em paz? Com satisfação pela sua passagem por este mundo? Com orgulho do seu legado imaterial? Isso não se garante apenas com uma boa morte.

Em vez de termos a sociedade divida numa luta focada na morte deveríamos ser capazes de uma união em torno da vida. Ao invés do deslumbramento para com as histórias humanas, de sucesso e esperança futura no tratamento de doenças terminais, deveríamos perseguir as causas endémicas que levam à cada vez maior incidência de doenças física ou psíquicamente dolorosas, sofríveis, incapacitantes, fatais, procurando alterar os hábitos e comportamentos que a isso conduzem. A classe médica, que tanto se foca no tratamento do ser humano para que este se adeque e sofra o menos possível com o estilo de vida vingente, deveria dar um passo atrás, olhando para o panorama geral, tentando perceber se a sua ação não seria mais útil em intervenções na sociedade que vão muito além do que se passa dentro das instalações médicas, tendo a coragem de integrar no seu conhecimento científico os ensinamentos oferecidos pelas visões orientais sobre a saúde humana (física, psíquica, espiritual e energética).

Nos dias de hoje quem pode cuidar devidamente dos seus e de si? Quem pode manter os enfermos envolvidos e acompanhados no seu círculo social e familiar? Sem perder o emprego? Sem prejudicar a escolaridade dos filhos? Sem se desdobrar em habilidades logísticas e financeiras para conseguir cumprir com todos os compromissos assumidos? Não há pior sentimento para um acamado do que o ter a certeza absoluta de que sim, está a ser um fardo para os seus, para as suas rotinas, para o seu tempo de lazer, onde deveriam recuperar do esgotamento físico e psíquico imposto pelo nosso estilo de vida, porque, infelizmente, o enfermo deixou muitas vezes de fazer parte dessas rotinas, desse lazer. A fragmentação geográfica das famílias e comunidades ocorrida nas últimas gerações reforçou-se ainda mais com o advir das redes sociais e afins. Estamos todos tão perto uns dos outros quando tudo corre bem! Quando estamos mal? Estamos simplesmente offline, inexistindo até ao próximo post de vaidade galhofeira. Um país sem estrutura de suporte à vida digna não deve criar uma via de alternativa fácil aos que são quebrados e derrotados, como que dando o sinal de que deixará de ser relevante o impacto a longo prazo das opções governamentais e/ou individuais. Se acabarmos por destruir o nosso corpo e/ou mente não há preocupação, teremos garantido o fim do nosso sofrimento de forma fácil e limpa. Querem melhor reforço da inconsciência actual que degenera em crescentes taxas de incidência de cancros, demências e afins? A este ritmo a eutanásia poderá rapidamente tornar-se num varrer de problemas para debaixo do tapete. Se as pessoas em agonia desaparecerem não maçam, não dão despesa e não levam à formulação de porquês…

Continuo assim com a certeza de que devemos ter o direito à recusa do prolongar artificial da nossa vida, à recusa do sermos alvo de actos médicos com os quais não concordamos, agora se temos o direito a pedir que nos matem? Talvez, caso não o consigamos fazer pelas nossas próprias mãos, coisa que é passível de acontecer simplesmente pela recusa em ingerir líquidos ou alimentos como fazem alguns animais em desgosto profundo. Teremos algo a aprender com eles? Sejamos francos, 99% de nós não precisa de uma morte assistida, se o desejo fôr efetivamente morrer as possibilidades são imensas. Acredito que para o restante 1% se consigam soluções criativas se realmente necessário.

Por fim suspeito que tenhamos de reaprender a lidar com a morte aceitando-a seja lá como nos venha a ser entregue. Quando temos um moribundo diante de nós ambos temos a sagacidade de perceber que a morte se aproxima. Deveríamos ter a coragem de aguardar juntos, cabendo aos viventes o zelar e acompanhar da transição, partilhando os momentos finais que tanto impacto terão em todos os participantes mesmo que envolvidos em silêncio, toques e olhares serão suficientes. Porque por vezes me parece que o conceito de eutanásia, morte fácil, é um instrumento sobretudo facilitador para os prestadores dos cuidados de saúde, que libertarão uma vaga e reduzirão custos, e para os que ficam poderem retomar as suas vidas que parecem interrompidas por esta ‘anormalidade‘ que é o definhar de encontro à morte.

 

Não me demito. Câmbio.

15 de Outubro o pior dia de incêndios do ano. Mesmo depois de tudo o que se passou no Verão parece que é possível piorar. Como? Talvez o período de campanha para as autárquicas tenha toldado o discernimento de todos invertendo-se as prioridades nas preocupações, mesmo contra indicações de especialistas que alertaram para o facto das condições climatéricas abrasadoras deverem obrigar à manutenção de um estado de prontidão e alerta máximo. O foco autárquico na manutenção das privadas Repúblicas das Bananas poderá ter tido influência na proliferação de remodeladas Repúblicas das Bananas Assadas.

Parece-me que aos decisores é um pouco indiferente a transição entre Charlie, Delta, Bravo, Alfa, Echo. O que realmente lhes é importante é o  Câmbio, termo no qual se especializaram para colocar pontos finais nas conversas. Tragédia? Câmbio em transtorno. Testemunhos no terreno? Câmbio em afirmações a quente de pessoas em estado de choque ou com stress pós-traumático. Perdas humanas e materiais? Câmbio em fundos de donativos estruturais. Prevenção? Câmbio em inevitabilidade. Responsabilidade? Câmbio em inimputabilidade.

Agora consultam-se especialistas para estudar o que correu mal ao invés de serem previamente chamados a dar o seu devido contributo no planeamento e fiscalização periódica do estado de prontidão do sistema. Finalmente temos conclusões, com indiciação de culpas a nível autárquico e de organismos envolvidos na protecção civil, pelo que aguardemos a chuva de demissões voluntárias ou coercivas. Não acontecendo só pode ser macacada o que até faria sentido pois macacos gostam de banana, mesmo que esturricada.

Câmbio

Pensar além do Pikachu

Há poucos dias defrontei-me com o fenómeno do momento: de repente, pessoas na casa dos 30, a jogarem no telemóvel aquilo que depois vim a saber que era o jogo dos Pokemons. Assisto a conversas para lá da minha capacidade de compreensão: portais, andar de carro a caçar pokemons, não ter mais dinheiro para andar por aí, “ir lá jogar é caro!”, o gajo perdeu aquela zona, ele ganhou aquela zona toda, acabou com o jogo na região… não sei se era tudo acerca do pokemons ou não, mas era sobre uma realidade num mundo virtual. Alertaram-me que estes jogos são bons porque obrigam as pessoas a mexerem-se, a saírem de casa… para jogar, e a ir a sítios para…jogar!

Quando andava na faculdade sabia de colegas meus que jogavam horas e horas no computador, faltavam às aulas, estoiraram playstations por excesso de uso etc… Não quero impôr o meu ponto de vista a ninguém, mas naqueles tempos li livros que me abriram uma visão do mundo, que moldaram as minhas escolhas futuras, que faziam o contrapeso com aquilo que estudava. Li romances que ainda hoje recordo com saudade, li poemas que ainda hoje sei de cor, apaixonei-me pelo Carlos da Maia, vibrei com o Primo Basílio, sorri com a imensa beleza do Adriano, chorei Por Quem os Sinos Dobram e enfureci-me com as Vinhas feitas de Ira mas tive Esperança com a Dignidade Humana.

Não quero impôr a minha visão a ninguém, e não sou pelo utilitarismo de todas as opções. Não existe nada mais delicioso do que poder fazer algo simplesmente porque gostamos, sem utilidade futura, apenas para nosso imenso prazer de gastarmos um tudo em troca de nada simplesmente porque sim e sermos felizes com isso.

Mas não posso deixar de olhar à minha volta e de, dadas as devidas distâncias em termos de preferências entre mim e as outras pessoas, me questionar sobre as imensas formas de alienação social existentes. Programas da manhã e da tarde, onde se discutem assassinatos e violência doméstica em famílias completamente disfuncionais, onde se falam de casos concretos de pessoas que dizem “não quererem trabalhar”, onde se questiona uma bruxa na televisão sobre problemas pessoais, traições do marido ou o futuro de um filho doente. E onde aparece um psicólogo a atacar “ciganos”, num dia banal de degradação televisiva e não muito diferente do habitual, e de repente todos se indignam! Apenas aparece a indignação nesta e noutra situação especifica.  As pessoas indignam-se com o ataque aos ciganos mas não se indignaram quando bairros inteiros de ciganos foram destruídos para que os mesmos ciganos fossem metidos em prédios nos quais não queriam viver! Por alguns dias, a caça aos Pokemons teve competição em Portugal com a caça ao psicólogo que ataca ciganos.

A indignação ditada pelas redes sociais é também um meio de promoção do jogo do caça pokemons… de repente a sociedade está infantilizada pela caça de pokemons. A revolução tecnológica que tem incontornáveis vantagens e que revolucionou a nossa vida, trouxe também veículos não só de partilha de informação e distracções conseguidas de forma muitas vezes imediata, sem dificuldades, evasivas e viciantes porque fáceis e envolventes. A dedicação de várias horas diárias a uma realidade virtual é uma forma de alienação social, que desformata o processo de socialização e afasta o individuo da sua realidade e do que o envolve. Obviamente que o processo não é exterminador como os profetas da desgraça proclamam, e encaixa na perfeição na sociedade que construímos actualmente.

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Pretendem-se raciocínios curtos e imediatos orientados para o resultado mais eficiente no curto prazo e que encaixa na ideia de encurtamento do tempo e na obtenção da eficiência. Não se pretendem analises muito profundas, daí as noticias serem curtas e rápidas sem grande enquadramento e estrategicamente colocadas para servirem um objectivo: informar e construir uma opinião pública que não ponha em causa a ordem vigente. Promoção de evasões sociais consumíveis facilmente: um programa de televisão onde se apresenta a opinião de terceiros, um reality show aludindo à intimidade humana no grande ecrã, um jogo no computador ou até no telemóvel, com aplicações de fácil acesso com objectivos mais ou menos acessíveis de progressão no jogo e por isso atractivo e viciante. As aplicações que envolvem jogos e internet tem ainda outros perigos, nomeadamente a aceitação de termos onde se cedem dados e informações pessoais a empresas privadas sem que haja um controlo sobre o que é feito com tais informações e sem que haja uma legislação eficiente acerca disso.

Grande parte do que nos é hoje oferecido gratuitamente e de fácil acesso não o é tão gratuitamente e de uma forma ou de outra, mais tarde ou mais cedo, saberemos a conta. A tecnologia está popularizada mas apenas parcialmente socializada. Os meios e os fins da tecnologia, os produtos finais consumidos e vendidos ainda não servem a maioria da população na medida em que quem os controla tem interesses bem diferentes de quem os consome. A distracção de um simples e mero jogo inofensivo que ganha milhões de fãs deve levar-nos a pensar além do Pikachu.

Um português de cherneira

Curioso que num período de tão grande exultação nacional aos feitos desportivos das últimas semanas, tenhamos como antítese o sentimento de vergonha, quiçá nojo, por um português assumir um alto cargo numa das maiores instituições bancárias do mundo.

Durão Barroso, o homem que fez questão de estender o tapete vermelho para o lançamento da guerra necessária, o patriota que se sacrificou pelo bem maior, um dos principais arquitectos e lutadores pela Europa de hoje.

Ao contrário do sentimento de indignação internacional, tenho cá para comigo que esta poderá ser uma excelente oportunidade de, a médio prazo, caminharmos para um mundo melhor. Vejamos, Barroso ‘patrocina’ uma guerra que 10 anos depois se revela desastrosa, toma a decisão de abandonar o governo de Portugal por estar garantida a situação económica do país que 10 anos mais tarde bate no fundo, por fim dirige a comissão europeia durante 10 anos e pouco depois da sua saída a Europa parece estar à beira da implosão.

Repararam nestes ciclos de 10 anos? Pelo que tenho esperança de que, conseguindo manter-se no novo cargo durante tempo suficiente, daqui a 10 anos tenha enfraquecido a Goldman Sachs ao ponto de poder vir a ser engolida por, digamos, um nacional Caixa Quase Novo Banco! Será a vingança perfeita, o culminar de um complexo plano secreto de décadas, delineado pelo próprio, ao estilo cavalo de tróia neo-liberal. Ouçam o que digo! Ainda o carregaremos em braços para o panteão nacional por tal golpada de mestre. A recuperação de milhares de milhões de euros, de ética, de justiça e de toneladas de vergonha!

Não me venham cá com teorias da conspiração, não acredito nessa treta dos grupos secretos que tentam manipular o destino do mundo para proveito próprio. Grupos que nomeariam para altos cartos a título de recompensa por serviços prestados e capacidade já demonstrada para escolher o lado certo sempre que exista um inevitável conflito de interesses.

Não, eu acredito que a história do Homem se faz pela mão de cada homem. Força Durão, tu és o tuga no local certo, afinal, quando se está há tanto tempo no tanque dos tubarões, só saber nadar não chega, há que ganhar guelras e ter olho vivo.

Eu acredito em ti. Acaba com eles!

PS – não vás ter fraca memória de curta duração reforço que falo da Goldman Sachs, não dos teus conterrâneos lusos e europeus, ok?

Um-português-de-cherneira