Arquivos de sites
Solidariedade por Cotas
Quando a pedagogia do exemplo é fugaz, quando as portas se escancaram num dia, para logo se fecharem com estrondo compreendemos que a solidariedade é apenas uma palavra, uma arma para impor aos outros a própria vontade. É egoísmo.
Concordo e saúdo que cada estado membro possa determinar aquilo que lhe convém. É justo. É soberania. Só lamento que entre a nossa união, apenas um país preserve esse direito. Está errado? Não, errados estão todos os outros.
Por todo o lado se promove a tomada de posição, contra ou a favor. Contudo, a migração está em curso. Acontece, independentemente das opiniões! Qual a relevância de ser contra? Zero! O mesmo afirmo em relação ao entusiasmo em receber. Os factos ultrapassam constantemente este estéril debate. Tomar posição é simplesmente uma forma de alijar preocupação. Soluções?
A esmagadora maioria dos migrantes pretende rumar ao centro, à mais pujante economia europeia. Pudera. Perante tal preferência, as cotas. Imponham-se as ditas! Critérios? Aliviar o centro. O problema é como disse, demasiado complexo e urgente. Carece de expediente. Proponho que as cotas sejam determinadas visando a equidade entre estados membros à luz de um único indicador económico, o PIB per capita, i.e., em função do rendimento médio anual por habitante. Cada país acolherá o número de migrantes que a sua economia pode suportar. Simples! Nem teremos de lavar roupa suja sobre quais os países que bombardearam outros países, quais os países que venderam armas ou quais os países que até hoje têm fingido que o problema nunca existiu.
Oliveira da Figueira
A banda desenhada é mágica. Transporta o leitor para um mundo de fantasia. Com ou sem superpoderes, cada personagem reflecte facetas da personalidade humana. É vulgar revermo-nos nalguma delas. É também frequente nelas encontrar “pedaços” dos outros, próximos ou distantes. Nem os animais são excluídos deste mundo mágico, onde até um cão pode assumir personalidade humana. São as fábulas. Confesso desconhecer o nome do contrário, isto é, quando ao invés de um animal assumir características humanas, é o humano que assume características de um animal. Ocorrem-me vários exemplos, como – Burro, abutre ou hiena. Muito embora aplicáveis, não são suficientemente assertivos. Nos conjuntos, a moral é a mesma. Os grupos de humanos são pejorativamente designados por alcateias, rebanhos ou cardumes. Uma vez mais, embora aplicáveis, serão demasiado generalistas.
Assumo a minha dificuldade em qualificar. Rara é tamanha sinceridade num politico, tanto mais governante, vice-primeiro. Não é que o homem, cujo passado conhecemos, acertou desta feita. Não vou aqui dissertar sobre precisão e exactidão, pois muito embora muitos julguem serem o mesmo, não são. Digo apenas que precisão é a porção mais ínfima quantificável. Exactidão é o desvio ao real, a conformidade com a verdade. Tantas vezes errático, até mesmo irrevogável, desta feita o erro é zero. Encarnou a personagem na perfeição: Tudo vende, seja a quem for, onde quer que esteja.
As 50 Sombras de Grey
Visualizadas as entrevistas recentes é surpreendente, mesmo impressionante, a forma com que Pedro Passos Coelho surge a enfrentar as questões que lhe são colocadas. Com um vigor, discurso e postura transmissores de uma certeza e confiança apenas capazes de ser desmontadas por quem esteja devidamente informado e preparado. O que tendo em conta o perfil do nosso eleitorado se traduz num risco real de reeleição!
Numa analogia rápida e contemporânea Passos Coelho está para Mr. Grey como o eleitorado está para Mrs Robison. Este último desconfia que o primeiro aplique métodos não ortodoxos, até dolorosos, para atingir a felicidade e apesar de todas as evidências sucumbe ao seu encanto e carisma, assumindo o risco de um ou outro excessso.
Também recentemente tivemos um Paulo Portas muito humilde e agradecido por nele acreditarem, satisfeito com o seu trabalho de bastidores que potenciou a economia portuguesa e definiu limites aos caprichos de Mr. Grey. Paulo Portas foi de certo modo a safeword mais eficaz que quaisquer greves, manifestações ou alarido em redes sociais.
E mesmo, mesmo, fresquinho o nosso PR também entrou ao barulho sendo que neste caso, como se fosse possível outro papel, Cavaco Silva foi o conservador defensor os bons costumes da posição do missionário que tanto prazer lhe deu no passado.
António Costa por sua vez está claramente numa fase de definição e preparação da estratégia e discursos a assumir tendo perdido muito do fulgor de outrora. O António Costa de hoje é capaz de não ser suficiente para abalar a coligação, até porque pertence a uma força política que também tem alguns pés de barro que lhe dificultam o firmamento.
Todos cumprem o papel esperado neste posicionamento na pista de tartan, excepto Cavaco Silva. Que ao invés de apontar baterias à abstenção, galvanizando os portugueses para exercer o seu voto em consciência e liberdade democrática, decide condicionar o jogo à partida, reduzindo os concorrentes aos do costume, fazendo figas para que um deles consiga uma maioria absoluta ou em último caso para que ambos os três formem a tão desejada coesão nacional. A mim parece-me um contra-senso tendo em conta que a democracia servirá exactamente para acabar com toda e qualquer forma de absolutismo.
Em breve entraremos todos na silly season para depois sermos chamados à definição do rumo que queremos dar ao nosso Portugal. A escolha não vai ser fácil, existirão muitos logros e cortinas de fumo que impedirão o conhecer de certas vias. Espero no final ter a coragem e discernimento para ser um mexilhão livre ao invés de uma Mrs. Robison agrilhoada.
Por acaso
Por acaso a ideia foi dele, mas a modéstia que o caracteriza impediu de se gabar deste inquestionável mérito, deste momento único na sua carreira internacional.
Sejamos justos, colocar a mão no ar, solicitando a palavra numa cimeira daquelas não é para todos. Requer coragem e determinação. Não é só a questão de saber o que vai dizer, é mesmo o risco de ficar ali especado horas a fio. Quantos de nós arriscariam a humilhação de não chegar a dizer de sua justiça?
É nestes momentos que os grandes homens e as grandes mulheres fazem a diferença. Assim foi durante a negociação do Armistício. O seu a seu dono! Há registos que o confirmam. De uma vez por todas, a ideia foi dele.
O Armistício
A semana começou com a noticia do armistício. O acordo demonstrou a inconsequência prática da democracia. Não, não me refiro à vontade dos gregos, refiro-me à vontade dos alemães. Os contribuintes alemães não querem enviar nem mais um cêntimo para a Grécia. Irrelevante vontade que será olimpicamente ignorada. Curiosa esta sintonia entre a vontade popular e a acção dos governos de cada país. Os gregos não querem austeridade, mas tê-la-ão. Os Alemães não querem pagar, mas pagarão. Se os primeiros ignoram a insustentabilidade da sua vontade no contexto da moeda que querem manter, os segundos ignoram quão lucrativos são estes empréstimos para o seu Erário Público. Pelo menos enquanto o ciclo não se quebrar. Sendo evidente que cedo ou tarde quebrará, os seus governantes procuram obter garantias, de preferência totalmente sob o seu controlo. Alguns afirmam que tal descaramento visava apenas a recusa da outra parte, a qual afinal aceitou. Perde quem ganha e quem perde nada ganha, nem tempo. Haverá propósito? Não creio.
Se até aqui apenas alguns suspeitavam do défice democrático na União Europeia, hoje todos temos a certeza que tudo é feito à revelia da nossa vontade. Queiramos ou não, o nosso voto é irrelevante no contexto desta União Europeia feita ao centro das conveniências e nas costas das populações. O único órgão europeu cuja eleição é democrática, o Parlamento Europeu, foi apenas palco de propaganda. Nada de decisivo por lá se passou. Apenas o informal Eurogrupo parece existir. Mandam os ministros das finanças e em todos eles manda um, o alemão. A união transformou-se no contrário daquilo que se propunha ser. Não promove a paz, promove o conflito.
Este Armistício não resolve nada, e por isso não vigorará muito tempo.
o Leão de Nemeia
Foi no domingo que o Leão de Nemeia saiu da caverna para mostrar as garras. Velha, esfomeada e doente, a mitológica criatura aterrorizou os sacrossantos mercados. Em “financês” diz-se irresponsabilidade, mas entre mortais fala-se em democracia. Na finança, os deuses não são eleitos, por isso estranham o sucedido. O rugir da criatura surpreendeu. Sem dúvida que está moribundo, mas não está nem tão fraco como se desejava no Olimpo, nem tão forte como celebram os mortais. Como sempre, os resultados são mascarados. A celebração da democracia é quanto a mim ensombrada pelo nível de abstenção, 37.5%. Perante uma questão de sim ou não, mais de um terço dos eleitores gregos não se preocuparam em formular opinião, ou pelo menos em expressá-la. Gostei do resultado, sem ambiguidade o afirmo, mas não posso deixar de sublinhar que apenas 38% dos eleitores gregos optaram pelo όχι. Estranha esta época de mitos e propaganda, mas os clássicos serão sempre contemporâneos. Eis o primeiro trabalho de Hércules, sufocar o Leão. Porém, não lhe vestirá a pele durante muito tempo, pois a constelação cairá.
El Corralito
Por certo que o exemplo do incumprimento Argentino nos será servido em abundância nos próximos tempos. Contar-nos-ão as consequências de um fenómeno que ficou conhecido como “el corralito”, nomeadamente a contestação social, a indignação e a revolta das populações. As causas, essas, ficam na gaveta da sapiência dos comentadores da situação. Não são nem ideológicas, nem técnicas, embora quase tudo possa ser explicado dessa perspectiva, a questão central é a distribuição da riqueza. Sempre foi. Assim, em detrimento das consequências, abordarei as causas.
Recuemos até ao século XVI. Os territórios que hoje designamos por República da Argentina tinham então uma densidade populacional muito baixa. A fundação daquela que ainda hoje é a capital, foi apenas um de muitos equívocos, mas uma vez identificadas as fontes e os meios para a extracção de riqueza, foi refundada. Buenos Aires era o centro do poder económico e político do colonialismo espanhol na América do Sul. Por lá passava a prata de Potosí rumo à Europa. A economia local servia esse negócio: produzia essencialmente alimentos e animais para o trabalho naquelas tristemente famosas minas Bolivianas. As definições territoriais evoluíram. O Vice-Reino do Rio da Prata, as Províncias Unidas do Rio da Prata e a República da Argentina, todos partilharam a mesma capital. Dir-se-ia que a Argentina sempre foi “só” Buenos Aires, e que tudo o resto era Caudilhismo. A riqueza extraída viajava obviamente para a Europa.
A densidade populacional manteve-se baixa até aos fluxos migratórios do século XIX. Com eles chegaram os ecos da revolução francesa. Os movimentos revolucionários visavam não só a independência da Coroa Espanhola, mas também de Buenos Aires. Nela residia a população de origem europeia, não mestiça, que controlava a produção de produtos alimentares, cuja exportação era o novo negócio. A prata tinha nova rota. As últimas décadas do século XIX foram de tal forma prósperas que Buenos Aires era então conhecida como a “Paris da América”, com as suas amplas avenidas e os seus edifícios de arquitectura Art Nouveau. A cidade era então o expoente máximo da cultura urbana da Belle Epóque. Tudo graças à produção agrícola. O resto do território continuou à mercê dos caudilhos, cada um dos quais mantinha o seu privilégio não atacando o privilégio da capital. Séculos de paz podre. Não obstante a assimétrica distribuição de rendimento, a Argentina era à entrada do século XX, e até às vésperas da primeira grande guerra mundial, um dos países mais ricos do mundo!
O mundo mudou no pós-guerra. De forma indirecta, a Terça-feira Negra precipitou o fim da prosperidade Argentina. O principal cliente e investidor, o Reino Unido, estava em dificuldades financeiras pois estava muito endividado junto do seu desejado aliado, os Estados Unidos da América. A sempre precária estabilidade Argentina foi posta em causa pela assinatura do polémico tratado Roca–Runciman, o qual prejudicou gravemente a balança comercial do país, com a agravante de a Argentina nunca ter desenvolvido um sector financeiro suficientemente forte para substituir o investimento externo. Os investidores locais procuraram sobretudo a renda, manipulando as instituições politicas e económicas por forma a obter riqueza sem a produzir. Uma sociedade até então exclusiva, tornou-se ainda mais assimétrica. O ambiente social que sempre fora tenso, tornou-se explosivo. A Argentina viveu assim um longo período de ditadura militar, por vezes alternada por breves momentos democráticos.
A neutralidade Argentina na primeira grande guerra, foi repetida na segunda. O caos social e económico manteve-se até o final desta. A instabilidade foi terreno fértil para o populismo, o qual apenas ocultou o ciclo vicioso. A economia formal continuou a garantir rendimento a um muito restrito segmento da sociedade. Tudo mudou, para que tudo permanecesse na mesma, igual ao que sempre foi desde os tempos do colonialismo Espanhol. A alternância entre governos democráticos e ditaduras militares manteve-se até final da década de oitenta. Foi no início da década seguinte que o governo argentino tomou uma decisão monetária decisiva, ao estabelecer a paridade do Peso argentino com o Dólar norte-americano. Na sempre especial Buenos Aires, o comércio passou a aceitar dólares e os cidadãos foram até encorajados a abrir contas nessa moeda. Parecia uma boa ideia, pois mesmo que o Peso argentino entrasse em colapso, os aforradores em dólares estariam garantidos. O consequente e instantâneo aumento do poder de compra de toda a população precipitou um significativo aumento do consumo de bens importados, proporcionou crescimento económico, mas agravou o desequilíbrio da balança comercial do país, pois a competitividade das exportações foi seriamente afectada. A paridade durou uma década. A riqueza criada por decreto tornou-se insustentável no final de 2001. Os titulares de contas em dólares foram primeiro restringidos nos montantes a movimentar e posteriormente obrigados a aceitar a taxa de câmbio entretanto estabelecida pela desvalorização do Peso. Na prática, o estado argentino apoderou-se de 75% da riqueza existente em dólares. Quem pagou a crise? Os pequenos aforradores, aqueles que não viveram acima das suas possibilidades. Os grandes “Armadores” de Buenos Aires e os caudilhos ficaram a salvo.
Toda e qualquer semelhança entre esta resenha da história económica da Argentina e a actualidade da Grécia será por isso pura alucinação. Apenas encontro um ponto de intercepção: A má influência grega sobre as boas práticas e procedimentos das companhias aéreas Argentinas. Devo contudo dar nota de um pequeno detalhe: A paridade com o Dólar foi decretada após um período de três anos de recessão, pelo mesmo partido que determinou o “el corralito” e que ainda hoje governa a República da Argentina, o Partido Justicialista (ou Peronista).
Felizmente que Portugal não está à mercê de nada disto, a menos que o dito popular “Portugal é Lisboa e o resto é paisagem” seja mais que um mito. Será?
Contra factos, não há argumentos.
Construído durante a abundância dos últimos anos do século passado, o Oceanário de Lisboa não foi caro. Nem 5 milhões custou. A extinta Parque Expo, vende-o ao Estado por pouco mais 50 milhões.
Contudo, o Oceanário sai caro aos contribuintes e apenas serve os turistas. Não é justo. Como ninguém o quer, não se vende, concessiona-se. O orçamento de estado para 2015 previa uma receita de 40 milhões. Não existe alternativa, pois dá prejuízo. Se porventura gerasse receita, talvez se pudesse equacionar a sua manutenção na esfera pública, mas como os factos são o que são, como os números não enganam, o governo adjudicou a concessão do Oceanário à sociedade da família Soares dos Santos por 24 milhões, mais uns trocos e uma percentagem do lucro (no caso de um dia existir). Filantropia é isto, é dar sem nada esperar em troca. Aposto que no próximo dia 1 de Maio a entrada terá 50% de desconto. Só vantagens!
Aos críticos desta adjudicação, devo recordar outro caso de sucesso. De entre os múltiplos exemplos possíveis, escolho apenas um: Os Estaleiros Navais de Viana do Castelo. Inviáveis antes da concessão, mas uma vez concessionados foram instantaneamente transformados numa máquina de fazer dinheiro.
Contra factos, não há argumentos.
O Mito da Escapula
Com celeridade analisaram propostas e com denodo anunciaram a salvação. Está garantida a sobrevivência do maior exportador Nacional? Não sabemos. Tudo quanto nos dizem é não existir alternativa a esta solução. É notório o embaraço quanto aos detalhes da operação. A enorme divida da empresa é a justificação recorrente. Mas quem a geriu? Se geriu mal, porque ficou ao Leme tantos anos? E se geriu bem, como pôde a empresa endividar-se até aos mil milhões de euros? Não houve tutela?
Enquanto nos entretivemos a debater se devia ser pública ou privada, o verdadeiro problema da TAP nunca foi abordado: Quais os interesses que o actual e os anteriores conselhos de administração defenderam? Porque foi readquirida a Groundforce? Porque foi comprada a PGA? O que ganhou a companhia com a compra da Varig Engenharia e Manutenção? Existe alguma contrapartida secreta, como a obtenção de rotas ou foi “simplesmente” um mau negócio? À luz do apregoado “interesse Nacional”, os factos são simples: vendemos uma empresa de manutenção aeronáutica com potencial e competência para crescer – OGMA, e compramos uma empresa de manutenção falida e com potencial para fazer falir quem a deter.
Sobre o preço, nada digo, nada sei. Nem sei se alguém sabe. Vendem porque a enorme divida da empresa impede-a de obter financiamento. É necessário injectar capital, algo que o accionista Estado não quer/não pode fazer. O que sabemos é que o vencedor, entre o dinheiro que injecta na empresa e aquele que entrega ao Estado Português, investirá perto de 400 milhões de euros, mas controla a gestão, ou seja, decidirá sobre o destino de cada um desses milhões. A divida fica na TAP S.G.P.S. Significa que o novo dono da TAP investirá o equivalente a menos de 40% da divida da TAP em troca de mais de 60% da companhia aérea. É esta minha simplória aritmética que me leva a concluir: é dada. Aqui chegamos com ajuda do isco que alguns optaram por morder.
Concretizar-se-á a operação? Não sabemos. Há fortes probabilidades de ser um golpe eleitoral do tipo “não nos deixaram”. Certo é que existem dúvidas quanto à legalidade do caderno de encargos, bem como quanto à legalidade do processo de avaliação económico-financeira da companhia aérea. Aguardemos. Há ainda muito por descobrir. Por enquanto a escapula é apenas mais um mito.
Remédios Lamecenses
Será amanhã, no dia em que lusco poeta pereceu, que vamos celebrar mais um dia de Portugal. Quis sua alteza real deslocar a corte para Lamego. Por lá encontrará o palco perfeito para mais um dos seus sermões à Nação, o multiusos de Lamego. É moderno. Toda a população dele usufrui. É a prova provada da bondade das PPP’s. Mérito à engenharia financeira que o ergueu. Já com duas inaugurações, vai amanhã viver a terceira. É por isso que se chama multiusos. E a renda? É simples, desliga-se a iluminação pública das aldeias em redor e desta poupança brota liquidez. Não há quem não aplauda a genialidade da gestão local. O Tribunal de Contas teve dúvidas, mas verdadeiramente importantes são as mais-valias que a infra-estrutura oferece a todos os munícipes, e amanhã, à Nação.
Asseguram-me que Lamego está pronta para receber a celebração. Decorada a rigor e com a população entusiasmada para receber el Rey. Os militares não deixarão de estar presentes para ouvir o seu comandante supremo. Estão de serviço, não tem outro remédio. À população mostrarão um equipamento raro, uma máquina que só por acaso não foi construída entre nós, o mais recente blindado da Brigada de Intervenção do nosso Exército. É um facto confirmado, o Pandur já lá está em frente ao multiusos, numa triste imagem que ilustra o país que somos e continuaremos a ser. Infelizmente. Não, desta feita não é ironia, é mesmo a exibição do ridículo a que nos prestamos.












