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Noddy, Mário Noddy
O prometido é devido, mesmo que a contragosto, eis-me a cumprir com a palavra dada. Hoje sim, é dia do herói principal destas aventuras. Mais tarde voltaremos às outras personagens. São tantas, tão ricas e diversificadas que a tarefa não se avizinha fácil, mas fica a promessa. Vamos ao que interessa, à ordem do dia.
Reuniu ontem o conselho de estado, em virtude de o cargo de Presidente da República ter sido novamente preenchido após longo hiato de uma década. Estamos portanto na chamada fase do “estado de graça”, consequência do alto patrocínio do factor novidade. Tanta é a ternura nesta nova era dos afectos que os conselheiros foram brindados com um convidado especial. Já se sabe que recebemos bem, que os convivas apreciam o clima e a gastronomia, mas nunca a satisfação do turista foi para nós tão importante.
Abram alas para o Mário! Viva! Chegou e disse, falou e foi-se. Reformar é a ordem. Reformar sem reverter, porque as reformas foram todas óptimas. O crescimento económico bate à porta, em linha com a Europa. Olha que bom! Importante por cá, no país dos brinquedos, são os juros da dívida soberana. Soberana? Confesso que não consigo escrever isto sem me rir. Soberana. Trágico, não é? Como podemos sequer usar a palavra quando é o Noddy que tudo faz? É ele, não os mercados, nem as reformas, que faz baixar os juros, logo, é ele, o Noddy quem manda. Gostamos? Não, mesmo nada, mas também de nada nos serve fingir.
Incrível Hulk
Fruto da criatividade da dupla Stan Lee e Jack Kirby, a personagem de hoje destaca-se das demais criações dos mesmos autores pela fonte da inspiração, algo inédito e totalmente inovador: uma poderosa e explosiva mistura de dois livros, os famosos “Frankenstein” e “O Estranho Caso de Dr. Jekyll e Sr. Hyde”, da autoria de Mary Wollstonecraft Shelley e Robert Louis Stevenson respectivamente.
Esteve para ser cinzento, mas ditou o acaso que fosse verde, numa tonalidade imprevista pelos seus criadores mas que se impôs até hoje. Começou por ser noctívago, transformando-se apenas a coberto da noite, qual lobisomem ou transformista. Não tem penas, nem voa, mas quis o destino que abandonasse esta faceta mais recatada, dando asas ao seu lado selvagem, libertando-o para um quotidiano sem restrições ao mau feitio, revelando-se a qualquer hora do dia ou da noite. Eis como um pacato e tranquilo João Soares se transforma num temível e terrível monstro quando se irrita. Vira bicho! É esta a descrição mais sucinta deste herói da banda desenhada, ele próprio um clássico do cinema, o incrível Hulk, a outra faceta, consequência da exposição a raios gama na moleirinha, redes sociais à mistura e pronto, é quanto baste para que o super-herói da Marvel ameace os seus críticos.
Tanto que poderíamos dizer, tão pouco tempo (e espaço!) para o fazer, de filho pródigo a sobrevivente a desastre aéreo, de autarca a comentador, hoje ministro, um trajecto e pêras. Há quem diga diamantes, mas cuidado, não vá o matulão se enervar….
Lesados dos Offshore
O mundo mediático está ao rubro com a investigação jornalística aos documentos de uma sociedade de advogados no Panamá. A ansiedade é grande. Aguardamos por nomes, queremos sangue. Por enquanto, apenas um compatriota, um sexagenário que inspirado pelas pedras parideiras do concelho vizinho ao seu, vendeu à petrolífera brasileira um poço vazio. Só na Rússia o compreenderão, talvez por isso a personalidade que abre todos os noticiários, muito embora o seu nome não surja em nenhum documento, é do actual Czar. Parece que a afinidade basta. Acho bem, também por lá existem pedras parideiras.
Mais não temos, não nos dizem. Investigam, dizem, com grande rigor. Parece que afinal a livre circulação de capitais pode não ser a mais perfeita das invenções. Será a isto que eles chamam auto-regulação? Seja o que for, acontece. Falam em branqueamento de capitais, mas eu discordo. Para mim é escurecimento de capitais. Os lesados? Somos nós que resgatamos os bancos, bancos esses que concedem empréstimos sem garantias e que dão esses valores como perdidos. Há também quem lhes chame activos tóxicos.
Enfim, todo um mundo de subtis e sofisticados eufemismos, que apenas encobrem algo de muito simples: roubo. No fundo, já todos o sabíamos. Há contudo mais para além do óbvio. As denúncias nunca servem o interesse geral nem a justiça. Servem, isso sim, causas concretas. Será este sector do Offshore muito concorrencial? Compreendo que o mercado publicitário lhes esteja vedado, e que talvez por isso denegrir a oferta concorrente seja a estratégia do dia. Afinal, sem segredo, não há negócio.
Dia das Mentiras
A origem do Dia das Mentiras está relacionada com a história do calendário, mais concretamente com a chegada do ano novo, que era celebrado desde o equinócio da Primavera até ao primeiro dia de Abril. Para nós, ocidentais, o ciclo anual não coincidia então com o movimento de translação da Terra, ou seja, o calendário estava desfasado do ano solar. As mudanças de estação ocorriam em alturas diferentes a cada ano, ora num mês, ora noutro. Pelo que a celebração do ano novo era naturalmente imprecisa.
Foi Júlio César quem primeiro se propôs resolver este problema, começando por decretar o ano da confusão, em 46 a.C., que com os seus 15 meses e 455 dias permitiu acertar o calendário ao tempo natural. No ano seguinte, 45 a.C., foi então implementado o Calendário Juliano, com os seus 12 meses e 365 dias. Mesmo assim, todos os anos sobravam 6 horas, sendo essa a razão para os anos bissextos. De quatro em quatro anos, o mês de Fevereiro tem mais um dia para compensar as 6 horas adicionais dos 4 anos anteriores. Corrigido o problema, as celebrações do ano novo decorreram com exactidão até ao primeiro dia de Abril. Assim foi até 1564, ano em que o Rei Carlos IX de França mandou publicar o decreto “Edict of Roussillon“, o qual está na origem da tradição do dia das mentiras, ao determinar que o ano novo começava a 1 de Janeiro. Desde então, aos tolos reservam-se convites para festas que não vão acontecer…
Nascia assim a tradição do dia de hoje, mas o calendário Juliano continha um problema eclesiástico, pois gerava um desfasamento em relação ao calendário litúrgico, nomeadamente com a celebração da Páscoa. Foi para corrigir este problema que o Papa Gregório XIII promulgou em 1582 a bula “Inter Gravissima”, instituindo o calendário Gregoriano, o qual se manteve em vigor até 1964, ano em que foi implementado o Calendário dos nossos dias, o calendário Pirelli, o qual, como sabemos, não tem qualquer problema ou questão: é perfeito!
Sandokan Costa
Finda a sua carreira na marinha mercante, o escritor Emilio Salgari criou várias personagens inspiradas nas suas viagens pela costa asiática. Um destes heróis navais, foi o famosíssimo Sandokan, o pirata do século XIX. Na realidade o “Tigre da Malásia” nasceu em Verona. Foi um verdadeiro precursor do género Western Spaghetti. Entre nós, celebrizou-se na década de 70 do século passado, quando a televisão estatal passou a produção da sua congénere transalpina. A geração à qual pertenço recordar-se-á facilmente da musica desta série, mais provavelmente da versão em português, infantil e algo brejeira, de rima fácil em torno de roupa interior de senhora…
O saudosismo é um dos negócios dos nossos dias. Hoje, qualquer sucesso do passado tem direito a um novo começo. Seja detergente, filme, série televisiva ou modelo automóvel. Basta a embalagem ser parecida. Resulta! Há quem compre!
Assistimos há já alguns meses às novas aventuras do pirata António Sandokan Costa. Comanda o navio sem nome, a que alguns chamaram “Gerigonça”. Negoceia, manobra no fio da navalha entre a bonança e a tempestade. A primeira lição da navegação à vela é sobre uma singela palavra, a paciência. Até aqui tudo bem, ou pelo menos, menos mal, mas eis senão quando começam as garantias. Sensação déjà vu! São este tipo de certezas que têm precedido as inevitabilidades, os novos bancos e as soluções in extremis que prejudicam apenas e sempre os mesmos, nós, os contribuintes. Sabemos que a declaração de indubitável solidez do sistema antecede a sua falha, geralmente catastrófica.
Sempre-em-pé
Aconteceu ontem, no País dos Brinquedos, a reeleição quase unânime. Sem Sonso ou Mafarrico a baralhar as contas, o processo foi claro, inócuo, mas simples. É assim que os brinquedos gostam. Abram Alas! A seu tempo trataremos do Noddy, o ingénuo mas muito leal e justo protagonista destas aventuras, mas para já vou adiar. Compreendam, tenho um trauma musical. Há temas assim, marcam pela violência como invadiram os nossos lares.
Como pai, sei que não estou só nesta minha profunda aversão à banda sonora, comum a muitos cuja prole ronda hoje os 15/16 anos de idade. Reconheço, é uma empatia impossível de explicar a quem não partilhou a vivência, por isso avanço para o herói do dia, o mestre dos não assuntos. Diz sempre o que não é, é o que não diz ser, e coerentemente fez sempre o contrário daquilo que prometera fazer. Refiro-me, obviamente ao Sr. Sempre-em-pé. Disse, e foi peremptório, não ser um sempre-em-pé, ou seja, é. Julgo ser esta a regra de desencriptação das suas mensagens. Como sempre, é à excepção que compete confirmar a regra.
Neste caso a excepção manifestou-se na incompreendida declaração da passada sexta-feira. Foi sincero, partilhou o seu entendimento sobre a ética aplicável aos ex-governantes. Disse que não podem ser uma “espécie de eunucos”. A forma mais simples de explicar esta frase obrigar-me-ia a recorrer ao vernáculo, o que recuso, por isso opto por uma explicação menos instantânea: O Sr. Sempre-em-pé entende que depois de mandatado para a prática do coito continuado, deve a população aceitar que o ex-governante mantenha intacto o privilégio de cópula após ter cessado funções.
O símbolo desse privilégio é o pin na lapela…
A Inexplicável Evolução
Hoje, ao sexagésimo quinto dia de 2016, o nosso blog ultrapassou o número de visitas recebidas durante todo o primeiro ano, 2011. Não sabemos se a evolução resulta de um trabalho bem feito ou se é mera consequência da propagação da demência pela população portuguesa. Embora a imodéstia nos empurre para a primeira, algures em nós persiste uma réstia de realismo que nos leva a suspeitar da segunda.
Amamos a nossa língua materna e muito embora a possamos mal tratar, fazemo-lo sempre por manifesta ignorância e nunca por velada vontade. Não obstante esta opção pela expressão numa só língua, a nossa, as visitas ao nosso blog são oriundas de um número crescente de países. Com excepção das regiões polares, chegamos a todos os continentes do planeta. Também desconhecemos a causa para esta disseminação à escala global. Ignoramos se é igualmente influenciada por razões do foro da saúde mental, ou se é mera manifestação da diáspora. Talvez ambas. São mais as dúvidas do que as certezas, por isso caro internauta, se anda perdido, não nos siga.
Apesar da inexplicabilidade dos motivos para os fenómenos acima relatados, não ficará mal o agradecimento. Estamos gratos a todos, aos que conosco partilham o rumo, mas igualmente aos outros, àqueles que ainda mantêm alguma sanidade, pelo menos a suficiente para não terem ainda embarcado na nossa deriva.
Obrigado! Bem-haja a todos.
Wonder Woman
Wonder woman, entre nós Mulher-Maravilha, é a heroína de hoje. Dotada de super saberes e invulgar agilidade argumentativa, possui um poderoso arsenal. A saber, são três as suas principais armas: O Laço Mágico de Afrodite, que subjuga o capturado a obedecer cegamente; As Irrevogáveis Braceletes, que absorvem o impacto de qualquer ataque; e a sua Tiara, a arma de arremesso de eleição. A Mulher-Maravilha é uma guerreira temida. Os adversários não perdem uma oportunidade para a atacar. O aproveitamento politico é recorrente, mas ela responde sempre, ponto por ponto. Explica bem explicadinho, no seu jeito sintético e definitivo que não há incompatibilidades porque a função é não executiva. Sejamos claros, “não executivo” é um eufemismo para inimputabilidade. Que não restem duvidas! Bem, se as houver, a imunidade parlamentar lá estará para garantir o futuro. Se fosse um cargo executivo, ainda vá, mas assim, com o prefixo “não” extinguem-se quaisquer possibilidades de incompatibilidade. É legal! Será Legitimo?
Sabem que mais, é tudo inveja, difamação infundada e torpe. Pois se até o novo patrão afirma que ela tem enorme experiência em cargos públicos, qual é o problema? Não é óbvio que apenas vai aconselhar? Começa na próxima segunda-feira. Por vezes fico chocado com a precipitação do juízo dos meus compatriotas. Senão vejamos. Poucos entre nós são tão sapientes em matéria de dívida como ela, seja a encher os cofres, seja a fazer contratos de permuta, vulgo swap.
Já alguém pensou que vai entrar divisa estrangeira? Será paga em Libras para aportar valor, não para trabalhar! Digam-me, não é este o sonho lusitano?
Oscars 2016
Por uma vez, que não sirva de exemplo, vou abordar um tema que verdadeiramente vos interessa. Algo importante, algo relevante – A Cerimónia de entrega dos Óscares 2016. Mais um ano passou, a espera foi longa, mas o momento alto da indústria cinematográfica será já no próximo domingo, madrugada dentro. Seguir-se-ão importantes e pertinentes apontamentos e notas sobre o desempenho dos artistas e convidados na celebre passadeira vermelha rumo ao Dolby Theatre. Qual o melhor vestido, qual o pior, as jóias, a falta delas… Nada, absolutamente nada escapará ao rigoroso escrutínio dos especialistas. Haverá algo mais relevante? Poderá o mundo avançar sem saber o preço dos vestidos? Obviamente que não. Uma vez sentados os artistas, começa o espectáculo. Nenhuma outra sala, nem mesmo a do planetário, reunirá tantas estrelas sob o mesmo tecto.
Todos assistiremos em êxtase, a maioria de nós adormecerá, mas alguns conseguirão mesmo ouvir todos os emocionantes discursos de agradecimento dos vencedores, puros momentos de improviso, plenos de autenticidade e emoção. Incrível como os profissionais da farsa e da dissimulação conseguem ser tão autênticos naquele momento de vitória. A graciosidade dos vencidos é igualmente marcante. Na verdade, ninguém perde pois todos os nomeados já são vencedores.
Embora há muito merecedores, nunca nenhum nosso compatriota venceu em qualquer das categorias. Este ano, suspeito que esta tremenda injustiça será finalmente corrigida. Acredito na vitória de uma, senão em todas as seguintes categorias: Melhor edição, Melhor Banda Sonora, Melhores Efeitos Visuais, Melhor filme de Animação e Melhor Figurino. Que ganhe o melhor!
Carranca Costa
Há milhares de anos que a superstição faz parte do quotidiano de qualquer marinheiro. Quando a vida fica à mercê da intempérie é natural que a crença menos convencional prevaleça. Mas por vezes tem explicação racional. Nunca pronunciar após embarque, sob nenhuma circunstância o apelido do ex-primeiro-ministro, é um dos exemplos. Coelho é aquele-que-não-deve-ser-nomeado, é animal maldito. Outra superstição perfeitamente sensata é aquela que exclui o embarque de flores e plantas, pois consomem um recurso valioso, a água doce. Já a moeda de prata sob o mastro tem uma explicação mais mística, remonta ao tempo dos romanos e visa pagar o trânsito das almas, evitando que se eternizem penadas em caso de tragédia. Monstros marinhos e criaturas mitológicas como as Sereias têm também o seu lugar neste universo tão povoado como misterioso, mas a figura mais proeminente é naturalmente a carranca, majestática à proa.
O Mar financeiro, deixado à sua sorte, tende para o equilíbrio. Dizem. Entre nós, povo marinheiro, a barca de supervisão chama-se Banco de Portugal. Independente, regula, previne e decide. Contudo, a cada afundamento, fica a ideia que alguém não fez o que era suposto, que ficou aquém do que devia. Ninguém explica que num sistema que funciona ao segundo, afirmar que os bancos centrais são Reguladores só pode ser uma piada de mau gosto. Perante tamanho eufemismo, alguns, mais mesquinhos, contestam as remunerações a bordo do Banco de Portugal, mas não é isso que me move. Negativo. Venho isso sim, lembrar porque é tão bem pago.
Passo a explicar: Carranca Costa, como qualquer antecessor ou sucessor, é útil para branquear problemas e falhas do sistema. Deu a cara, ilibou o anterior governo e agora é novamente útil como alvo do novo executivo. Singela e sucintamente, é pago para arcar com a culpa e ficar calado!










