E se parte da solução fôr mandar tudo pelos ares?

Com tantos indicadores contraditórios os desempregados já não sabem se hão-de emigrar para um estrangeiro longíquo, com economias emergentes, ou se hão-de por cá permanecer e enveredar pelo caminho mágico do empreendedorismo (que no passado deu azo a muitas PMEs que hoje são alvo da política de saneamento das ‘más’ empresas que contaminam a nossa economia como já foi dito por agentes do actual governo, inclusive pelo nosso Primeiro Ministro).

Portugal pode realmente beneficiar do empreendedorismo levado a cabo pelas centenas de milhares de jovens desempregados com muito sangue na guelra e muita formação qualificada. Num país reconhecido internacionalmente como tendo tendência de early-adopter em várias inovações tecnológicas, um país onde existem mais telemóveis que habitantes,  temos ainda um grande calcanhar de Aquiles comparativamente a outros países. O estado da Internet gratuita via Wi-Fi em espaços públicos e comerciais.

Em Portugal a conectividade móvel está predominantemente associada a hot-spots e planos tarifários que afastam muitos dos potenciais utentes, que possuem os terminais capazes para o acesso à Internet, mas sem € nos bolsos que lhes permitam tornar o acesso móvel à Internet como algo trivial no seu quotidiano. Existe actualmente uma vincada preocupação com custos e seu impacto no actualmente parco orçamento pessoal.

Lá fora, em muita Europa, USA e Ásia é já corriqueira a existência de pontos de acesso à Internet gratuitos suportados por estabelecimentos comerciais ou entidades públicas. Seja dentro de estabelecimentos comerciais seja em espaços públicos é possível ligarmo-nos à Internet sem pagar.

Num mundo em que cada vez mais o online deixa de ser conotado com o virtual, assumindo-se como uma extensão do social e profissional, estar conetado sem custos a todo e qualquer momento é um potenciador de relacionamento, criatividade e ideias com aplicações comerciais. Se não há volume de consumidores móveis será mais difícil surgirem projetos portugueses que assentem em serviços online que dependem da mobilidade e acesso fácil à Internet a partir de qualquer ponto.

É por isso que o governo deveria encorajar os proprietários de estabelecimentos comerciais a investirem em equipamentos que providenciem Internet gratuita aos seus clientes, e as autarquias a dotarem de Wi-Fi gratuito os espaços públicos com grande afluência. Afinal 4 em cada 5 pessoas considera este acesso um direito fundamental.

Trabalhemos para que os comportamentos de acesso móvel à Internet sejam independentes de custos e surgirão empreendedores capazes de explorar esse nicho. Bem sei que isto afectará uma fatia de facturação de muitas centenas de milhões de euros em 2011 mas quem precise mesmo de melhor qualidade de serviço continua disposto a pagar mais por isso. Além de que em 2011 houve uma quebra de 6% neste tipo de facturação relativamente aos quartos trimestres de 2010 e 2011. Sinal claro de que o custo inibe a utilização?

Os jovens anseiam por isso e criam online registos das agulhas no palheiro que lhes permitem navegar gratuitamente na extensão online da sua vida. Perguntam em fóruns online e criam páginas como esta com um mapa dos locais com Wi-Fi gratuito em Lisboa.

Fomentar o empreendedorismo passa também por criar mais dificuldades a quem tem alguns tipos de negócios garantidos. Será mais penalizante para a sociedade e economia do país não termos esta facilidade de acesso à Internet (para Portugueses e Turistas) ou arriscar prejudicar os operadores que controlam quem tem direito a esse acesso com planos tarifários por si controlados?

Eu mandaria tudo pelos ares. Doesse a quem doesse.

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About Nuno Faria

Nascido em 1977, vegetariano desde 1997 (por convicção própria), com licenciatura de Sistemas de Informação na Faculdade de Ciências de Lisboa em 1995-1999. Desde 2000 que estou envolvido em projectos de ambiente web, sites, portais e aplicações residentes em Intranets. Em 2003 integrei a equipa da Imoportal.com, hoje absorvida pela Caixatec - Tecnologias de Comunicação SA, onde dei o meu contributo para transformar um site com 30 a 40 mil visitas mensais numa rede de sites que atinge o milhão de visitas mensais. A Internet faz parte da minha vida profissional mas sou também um seu utente. E como tal interessam-me particularmente os mecanismos e dinâmicas capazes de aliciar, convencer e fidelizar visitantes. Preocupo-me em pensar, escrever e criar variados conteúdos que disponibilizo online, como forma de contribuição para o contínuo crescimento da web, não me limitando a ser apenas um seu consumidor.

Posted on Fevereiro 26, 2012, in Geração "à rasca", Ideias para o País and tagged , , . Bookmark the permalink. 2 comentários.

  1. Sem dúvida: a oportunidade está no ar!

  2. Sim está no ar, depois cai e sente-se o estrondo. Surge então a paz e harmonia que é urgente arranjar para este povo massacrado, sugado, desprezado e nunca desta forma foi deixado de ser “bem tratado”.

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